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Arquivo da Categoria Tênis Brasileiro

domingo, 11 de janeiro de 2009 Tênis Brasileiro | 23:23

Mãozinha.

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Não se pode criticar Thomaz Bellucci por escolher o caminho da audácia e não o do comodismo. O paulista escolheu pegar o avião, cruzar o mundo e trocar o certo pelo incerto, ao jogar os qualys de Brisbane e Auckland e não o torneio do Parque Villa Lobos, onde seria cabeça um e brigaria pelo título.

Nessas horas um pouco de sorte ajuda e não foi isso o que aconteceu. Bellucci caiu ontem na ultima rodada do qualy do evento na Nova Zelândia, já havia sido eliminado no qualy de Brisbane, para o gigante sacador John Isner. Teve três a zero no terceiro set e não conseguiu segurar o resultado, um problema que vem afligindo o brasileiro.

Thomas tem ainda uma pequena chance de entrar se alguém da chave principal pular fora, o que não dá para dizer ser algo normal. É ai que a sorte pode dar uma mãozinha.

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Tênis Brasileiro | 23:10

Meta e incógnita.

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Ricardo Mello conseguiu jogar muito bem, se impondo do começo ao fim, fazendo bom uso da sua maior experiência, se movendo bem errando pouco e sem receio de ser agressivo. Se o adversário não fez mais, foi muito por conta da performance do tenista campineiro que soube levar a partida na ponta da raquete do início ao fim.

Se Mello conseguirá fazer bom uso da confiança adquirida com a conquista, continuando a vencer todas as partidas que deveria vencer, e conseguir os pontos necessários para voltar aos 100 melhores do ranking, a jogar entre os cachorros grandes e se instalar, mais uma vez, entre aqueles que tem acesso garantido aos melhores torneios do circuito é, ao mesmo tempo, a incógnita e a meta.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro | 01:21

Bellucci, o pulo do gato.

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Em um dia da semana tranquilo, pelo menos dentro do oásis do Club Pinheiros, me encontro com Thomaz Bellucci, o brasileiro melhor rankeado na ATP. O rapaz chegou guiando um carro nacional, sem nenhum requinte, não me perguntem a marca, e foi pontual.

Não apresentava as afetações nem os maneirismos dos esportistas que começam a se destacar. Não veio fazendo imposições, demonstrando impaciência e apelando para frescuras marqueteiras. Suas roupas são normais a ponto de passarem despercebidas e tampouco utiliza aquele linguajar “mano” que alguns idiotas insistem em usar quando querem transparecer intimidade e simpatia publicamente.

Conversamos por duas horas. Olhou para o relógio uma única vez – eu também – e em momento algum me fez sentir inconfortável. Foi tão aberto quanto se possa esperar de alguém com sua idade – ele completa 21 anos no ultimo dia de Dezembro – especialmente com alguém que poderia reproduzir a conversa na imprensa. Foi uma surpresa e, considerando o momento do tênis nacional, um alento para quem sempre tem expectativas altas e positivas como eu.

Como espero estar falando, cada vez com mais freqüência, desse tenista, tanto no blog como na ESPN, a conversa não tinha agenda especifica a não ser conhecer melhor o homem por detrás da raquete. Não pretendo reproduzir a conversa neste post, mas utilizar o que aprendi para melhor analisar o personagem no futuro.

A surpresa maior veio em descobrir não só suas ambições, sobre as quais é reservado, mas como pretende realizá-las. Thomaz diz que quer melhorar e se meter entre os 40 do mundo. Mas é claro que sua ambição é maior do que essa. Eu, particularmente, vejo ali material para top20 e aí aguardar onde mais seu emocional e vontade podem levar. Mas, esse tipo de coisa você fala com seu técnico e alguém da família que seja discreto. O momento da carreira é delicado e a hora é de manter as cartas perto do peito.

Porém, o tenista não tem receios em abrir o jogo sobre a formação de seu staff. Thomaz recém despediu seu técnico e contratou um novo. Ficou claro que houve desavenças, não só de metas, mas como conquistá-las. Thomaz não elaborou sobre o passado, mas foi aberto sobre o presente, que é o que conta.

Cansei de ver tenista perdendo o caminho assim que consegue algum sucesso. Assim que entra alguma grana é um tal de comprar carro novo, apartamento e, na hora de investir na própria carreira o bolso fica cheio de caranguejos. Em uma realidade onde os adversários têm de bom para ótimo suporte técnico, financeiro e logístico de suas federações, os tenistas que querem se dar bem, e não contam com essas facilidades, tem que se conscientizar, buscar e criar as suas.

Em 2009, Thomas contará com um staff que inclui técnico, preparador físico, fisioterapeuta e nutricionista. Sempre que possível viajará com os dois primeiros. Além disso, tem uma assessora de imprensa, das profissionais e não das amadoras metidas a besta, um acerto com a Koch Tavares de buscar seus contratos de publicidade. Começa também a trabalhar com uma psicóloga para incrementar o mental. Todas essas áreas são cruciais para o tenista atual. Tudo isso custa e Thomas é o primeiro a reconhecer a necessidade deles. Como sempre é o caso, ninguém se dá bem por acaso.

Bellucci ainda tem várias coisas a trabalhar e melhorar para atingir seus objetivos. Felizmente, para ele, está ciente de boa parte delas.

Alguns detalhes me chamam a atenção. Thomas é dono de poderoso saque, que ainda tem espaço para progredir e se tornar um dos melhores. Tem também um drive potente, capaz de incomodar e machucar os adversários. Tem certas características mentais positivas que, se acrescidas de outras que ainda não estão lá, podem construir um bom arsenal emocional.

Tem também ótima envergadura e excelente tamanho (1,87m) para o tênis. Já o ajuda no serviço e poderia ajudar nos voleios – um fundamento que ainda carece e usa pouco, especialmente para alguém de seu tamanho.

O brasileiro tem alguns desafios imediatos pela frente. Até hoje o seu sucesso foi construído em cima de resultados em Challengers. Suas participações em Torneios ATP deixam a desejar. E ele é o primeiro a saber disso. Bellucci ainda se sente confortável quando enfrenta adversários mais fracos e nem tanto quando encara os mais fortes. Óbvio que uma partida contra Nadal não conta, pois ali não existia nenhuma expectativa, e consequente pressão, para vitória – aí é mais fácil jogar solto.

Em seis ocasiões venceu o primeiro set e perdeu o jogo. Somente em duas perdeu o primeiro e virou – as duas contra brasileiros piores rankeados que ele. Estatistica que precisa, urgentemente, reverter. Pela conversa, a derrota mais difícil da temporada foi contra Jarko Niemenem, em Outubro na Suécia. Jarko é um tenista sem grandes golpes, mas muito sólido e perigoso. Não perde jogos que não deveria perder e para ganhar dele é preciso batê-lo. Nessa partida Thomas sentiu que poderia vencer, mas deixou escapar. A derrota foi um marco, de mais de uma maneira. Deixou claro, em sua mente, que ele tem jogo, está perto, mas ainda não está lá. E o pulo do gato está em começar a ganhar não só esses jogos, como não perder ganháveis e, finalmente, vencer, com regularidade, os adversários melhores rankeados.

Considerando tudo que aprendeu, Bellucci decidiu que 2009 é o ano do pulo do gato. Não quer mais jogar, e se proteger, nos Challengers e pretende fazer bom uso de seu ranking – 85 – para jogar os torneios maiores, como o Aberto da Austrália – e mesmo se arriscando nos qualys, como nos anteriores. Uma decisão tanto arriscada como corajosa. Essa faixa do ranking é escorregadia e perigosa, já que não o coloca em todos os torneios e é fácil cair para fora dos 100. Mas Thomaz já sabe que ficar sendo o “rei dos challengers” – ele ganhou quatro na temporada – não é como se constrói o futuro. Ele já cumpriu essa fase e se não tiver a audácia, a coragem e a capacidade de dar o próximo passo, vai se acomodar por ai como vários fizeram.

Mas eu queria a conversa justamente para sentir o jovem. O encontrei motivado e, principalmente, consciente. Agora é trabalhar, lutar e acreditar. Estarei torcendo.

Thomaz Bellucci – 2009, o ano do pulo do gato.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro | 20:15

Orange Bowl 2

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Em Julho de 1981 um jovem tenista se aproximou de mim e pediu para conversar. Eu o conhecia, tinha visto jogar algumas vezes, conhecia sua reputação, mas não tínhamos maiores intimidades. Eu freqüentava mais os torneios profissionais, mas sabia quem era aquele rapaz que vários consideravam o nosso futuro grande jogador.

Sem delongas, como aprendi ser seu estilo, Carlos Chabalgoity apresentou sua proposta simples e diretamente. Ele iria jogar o Orange Bowl de 16 anos, na época considerado o campeonato mundial da idade e tinha uma visão a respeito; se eu concordasse em treiná-lo, ele tinha a certeza que poderia ficar com o título. Para isso, se comprometia mudar de mala e cuia para São Paulo – era de Brasília – e a fazer tudo como eu pedisse, ou mandasse, dependendo da perspectiva.

Confesso fiquei impressionado com o tenista. Ele colocou seus argumentos com segurança. Carlos tinha, aos 16 anos, uma mente mais madura do que a maioria dos tenistas que conheci, independente da idade. Como entre os itens de sua proposta estava incluída a parte financeira – confesso que o valor era pouco acima do ridículo – a bola estava na minha quadra. Sendo fiel aos meus instintos e às visões que me levaram, e ainda levariam, aonde fui com o esporte, apertei a mão do garoto. Naquele dia conheci um campeão e ganhei um amigo para toda a vida.

Passamos meses treinando tendo, acima de tudo, o título do Orange em mente. No meio do caminho, outros torneios nacionais onde o garoto foi testando suas armas e confiança. Treinar Carlos era uma alegria impar. São raros os tenistas que se colocam na posição de absorver as informações de maneira irrestrita. Eles tendem a contestar, ludibriar, se chatear, perder o foco, desanimar, demorar a entender a informação e uma série de atitudes negativas que acabam por atrasar ou impedir o desenvolvimento. Chabalgoity tinha a cabeça feita, um adulto no corpo de um garoto, jamais contestou uma informação e sempre fazia questão de oferecer algo a mais do que o pedido.

Quando chegamos a Miami encontramos o gaúcho Fernando Roese acompanhado de uma de suas tias. Aos poucos Roese foi-se incorporando a nossa “equipe”. Fizemos alguns treinos juntos e passei acompanhar suas partidas. Conversávamos antes e depois dos jogos. Ambos passaram por situações bicudas. Chapecó passou por Paolo Cane, que mais tarde viria ao Brasil defender a Itália na Copa Davis, acompanhado por um time de italianos capitaneado por Adriano Pannata. Passou também por Emilio Sanches, que recém capitaneou a Espanha na Argentina.

O dia das semifinais foi um espetáculo à parte. Eram dois brasileiros contra um americano e um francês. Chabalgoity bateu o americano Renemberg – anos mais tarde ele jogaria duplas contra o Brasil pela Copa Davis em Ribeirão Preto – em três sets difíceis. O americano era o favorito, mas o brasileiro era o mais bem preparado, confiante e decidido.

A outra semifinal foi um drama. O adversário de Roese era Guy Forget, atual capitão do time francês na Copa Davis. O técnico dele era um suíço contratado pela federação francesa e a quem eu encontraria anos mais tarde como técnico da equipe suíça na semifinal da Copa Davis.

Os dois tenistas eram agressivos e gostavam de procurar a rede. Forget era canhoto, grande voleador e um excelente drive. Roese, destro, tinha as mesmas características. O primeiro set foi para o tie-break e aí a cobra fumou. No set point para o brasileiro, Fernando sacou e foi à rede volear. Após o 1º voleio, o francês abriu o braço e foi para a passada. A bola bateu na rede e foi para cima do corpo de Roese. O brasileiro insiste até hoje que colocou a raquete na frente do corpo e matou o voleio com um drop-volley. O francês reclamou que a bola tocou no corpo do gaúcho.

Após alguma discussão o metido e agressivo técnico suíço/francês entrou em quadra e foi peitar o nosso garoto. Levantei de meu lugar, corri para o centro da quadra e, com as mãos nas costas, peitei as costas do técnico. Banzé na quadra. Após muita discussão e empurrões, o juiz de cadeira congelou e não conseguia sequer falar. O árbitro entrou em quadra e determinou que o ponto fosse decidido no cara e coroa. Nunca vi isso antes nem depois. Após mais discussões e ameaças assim foi feito. Fernando ganhou o sorteio, o set e o jogo.

A final reuniu, pela primeira e única vez, dois brasileiros na final do Orange Bowl. Fiquei sentado no alto das arquibancadas laterais com a tia do Fernando logo à frente. Os dois fizeram uma partida de altíssimo nível técnico, disputada e emocionante. Roese sacou 5×4, 40×30, terceiro set, para vencer o jogo e o campeonato. Seu saque favorito era o “kick” aberto seguido da subida à rede. Foi o que ele fez. A devolução favorita de Chapecó era feita dois passos atrás da linha, com um top spin maravilhoso – seu golpe de esquerda foi um dos melhores que vi. Mas não foi o que ele fez. Quando o gaúcho jogou a bola para cima, o brasiliense deu dois passos à frente, mudou a pegada, bloqueou a bola com uma pitada de slice, quase flat, e a abaixou na paralela. Roese, totalmente ligado na partida ainda conseguiu chegar à bola, mas esta foi rápida e baixa o bastante para forçar seu erro na rede.

Após o ponto, Chabalgoity surfou na confiança, virou a partida – vencendo 7×5 – ganhou o torneio, consolidou o que planejou e executou como um campeão. Confesso que, por mais de uma razão, foi uma das minhas vitórias favoritas como treinador.

Roese, o árbitro, Chapecó e Paulo Cleto após a final em Miami Beach

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 00:59

Orange Bowl -1

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Este post especial vai ser na linha do Star Wars – será que os meus leitores conhecem a saga? Nela, George Lucas contou a história começando pelo meio e depois indo para trás, ou será que foi para frente? Não muito linear, talvez um pouco confuso, porém um bom entretenimento.

Esta segunda-feira começou o Orange Bowl, sempre jogado em Miami, antes nas quadras de terra do Flamingo Park em Miami Beach, onde foi jogado por 51 anos, e desde 1998 nas quadras duras de Crandon Park em Key Biscayne. O torneio tem tradição e história, algo que os donos do Aberto de Miami tentaram importar ao trazer o torneio para seu território. Como os tempos são outros, a tradição e a importância do evento não foram, infelizmente, mantidas.

Durante décadas, desde 1947, não havia um torneio juvenil no planeta que chegasse aos seus pés em importância, aí incluído os eventos dos Grand Slams, assim como não havia tenista que sonhasse em ser bom, que não viesse testar suas habilidades nas quadras do Flamingo Park. Por lá passaram todos que escreveram a história do tênis durante cinco décadas.

Entre os vencedores dos 16 anos – quando os tenistas já mostram do que são feitos – estão tenistas do calibre de; Buchholtz (54 e 55 e 1º presidente da ATP e fundador do Aberto de Miami), Vilas (68), Borg (71, vice Victor Pecci, mesma final de RG em 79), Lendl (76 e vice Cássio Motta), Tulasne (78 e atual técnico do Simon), Wilander (79), Edberg (82), Courier (86), Santoro (88), Corretja (90), Coria em 97. Nesses 60 anos, só um brasileiro ficou com a taça: Carlos Chabalgoity. Entre os vices: Celso Sacomandi (75), Cássio Motta (76), Fernando Roese (82) e Jose Pereira (07).

Nos 18 anos a lista de campeões nacionais é maior: Carlos Fernandes (56 e até onde sei ainda dando aulas no Clube Paulistano em S.P), Ronald Barnes (58 e uma lenda do nosso tênis), Thomaz Koch (63 e ainda jogando alguns eventos Masters) e Nicolas Santos (06). Entre os finalistas: Renato Joaquim (82), Gustavo Kuerten (92) e Bruno Soares (00).

A lista de campeões internacionais dos 18 anos inclui; Tony Roche (62, último técnico de Federer), Orantes (66), Borg (72), McEnroe (76), Lendl (77 Noah vice), Nystroem (80), Forget (80), Kent Carlsson (82 e uma figura ímpar do tênis), Courier (87), Medvedev (90), Federer (98), Roddick (99). Lembrando Fernando Meligeni (89, só que defendendo a Argentina).

Entre as meninas, nos 16 anos nenhuma brasileira nas finais. Nos 18 anos, Maria E. Bueno venceu em 1957. A cearense Maureen Schwartz foi vice em 62 e o orgulho da família, Vera Cleto, foi a última brasileira a chegar à final, em 67.

Entre as campeãs dos 16 anos: Chris Evert (68), Hana Mandlikova (70), M.J. Fernandez (82), Dechy (94), Dementieva (96) e Bartoli (00). Entre as vencedoras dos 18 anos: Chris Evert (69 e 70), Jausovec (73), Andrea Jagger (78), Sabatini (84), M.J. Fernandez (85), Zvereva (87 e precursora do “estilo” Kournikova), Likhovtseva (91), Kournikova (95), Dementieva (98), Zvonareva (00 e 01) e Vaidisova (03).

Como minha história tenistica também está ligada ao evento, de mais de uma maneira, decidi escrever um pouco sobre o assunto. Para alguns, talvez história para boi dormir, para outros um merecido e bem-vindo descanso da realidade Nadal/Federer. Aguardem.

Maria Esther Bueno na época em que ganhou o Orange Bowl

Ronald Barnes mostrando seu talento.

 

Vera Cleto, última juvenil brasileira na final do Orange Bowl. 

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro | 15:58

Voleios

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Já que os leitores gostaram tanto de falar sobre golpes, que tal falar sobre o voleio, o golpe mais emocionante do tênis e, tristeza, cada dia mais em desuso?

Imagino que a origem do jogo passa mais pelo voleio do que por deixar a bola quicar, idéia que, penso, foi posterior. Como o esporte foi inventado como Lawn Tennis, ou “tênis sobre a grama”, imagino era mais óbvio volear do que deixar quicar. Fato que, até pouco tempo, ainda era uma verdade.

Lembremos também que até pouco tempo, três dos quatro GS eram jogados sobre a grama – Roland Garros sendo a eterna exceção. E até não muitos anos atrás um tenista era olhado com suspeita se não tivesse bons voleios em seu arsenal – e quanto mais sólidos melhor. Hoje, para a minha surpresa e de muitos, há jogadores que só vão à rede para trocar de lado e muitos que, quando se aventuram ou são atraídos, se sentem tão à vontade por ali quanto um zagueirão, daqueles bem pernas-de-pau, tenta armar o jogo no meio de campo.

O tênis está repleto em sua história de grandes voleadores, até porque, esquecendo os tempos recentes, eles eram a história. Não terei a pretensão de lembrar e discorrer sobre todos ou mesmo muitos, até porque a esmagadora maioria dos leitores os desconhece – o que também não deve servir de argumento, pelo contrário.

Também é interessante lembrar que no início nem todos os tenistas eram “enfermos de la net”, como são conhecidos os voleadores pelos fundistas sul-americanos. Ia-se bastante à rede, mas foi só nos anos quarenta que Jack Kramer instituiu o “serve and volley”, assim como codificou e instituiu o tênis-porcentagem (quantos leitores estarão ambientados com este?). E Kramer, como confessou, só o foi à rede com tanta insistência para lidar com Bobby Riggs – aquele da “Partida do Século” com B.J King – que era extremamente agressivo e adorava ir à rede em qualquer oportunidade, algo como Stepanek atualmente.

Quando analisamos voleadores, poderíamos ser detalhista como quando analisamos os golpes do fundo de quadra, o que quase nunca é feito, com considerações rasas e abrangentes. Análises genéricas são perigosas, fáceis e confortáveis, já que, no caso, o golpe deveria ser quebrado em vários para melhor análise; voleios de esquerda, de direita, ambos, baixos, altos, com toque e finesse, força, de reação, atléticos, da linha do saque (1º voleio), junto à rede (segundo voleio), bate-pronto etc. Mas, descansem, passarei rapidamente por isso.

Deixarei de fora grandes voleadores, em um ou outro quesito, por não terem sido tenistas de impacto e, consequentemente, desconhecidos do grande público.

McEnroe, ágil e repleto de finesse junto à rede, tinha todas as variantes, sendo o de esquerda mais na reação e toque. Edberg era rápido e atlético, excelente esquerda e mais fraco de direita, e chegava muito bem à rede, uma arte em si, dono de ótimo primeiro e crucial voleio.

Rafter era atlético, rápido, forte, também boa esquerda e nem tanto direita. Krajicek era bom dos dois lados, inclusive nos baixos se considerarmos sua altura. Rod Laver era magnífico dos dois lados, nos baixos, nos toques, na reação e na força. Alias, era magnífico ponto!

Stan Smith era alto e duro, porém sólido dos dois lados. Seu parceiro Bob Lutz tinha uma pedrada de esquerda, assim como Lew Hoad – ” o braço” e Peter McNamara, dono de uma chicotada. Jack Kramer vinha do fundo abrindo o bração para volear de direita, assim como John Newcombe, talvez o melhor de direita que já vi – quase um swing volley e uma pedrada. Tony Roche tinha um manhoso toque de ambos os lados e deve ter inspirado McEnroe.

Sampra era sólido dos dois lados, sabia dar toques, ótima antecipação, excelente bate-pronto, que era obrigado a usar pois não era tão atlético e rápido. Mais do que nada, aproveitava bem a força de seu serviço, assim como Becker. Mais recentemente, Henman tinha ótima esquerda e bons reflexos, mas sua direita miava nas horas importantes. Stepanek é um colírio para os olhos atualmente, pelo menos para aqueles que gostam de voleios e os da Vaidisova, que deve estar cega de amor.

Não posso deixar de mencionar os voleios de Martina Navratilova, talvez a grande tenista da história, com certeza a maior voleadora, pela qualidade, antecipação, atleticismo, força e toque. E, antes que os brasileiros esqueçam, porque o mundo não esquecerá, Maria Esther Bueno, que encantou com sua graça, atleticismo e toques, conquistando seus títulos em Wimbledon e U.S Open graças, acima de tudo, a arte de seus voleios.

Minha lista seria ainda mais incompleta sem mencionar os melhores voleios do Brasil. Os toques e a irreverência de Arnaldo Moreira, o criador do smash-curtinha, os de esquerda de Ronald Barnes, que era pura poesia e de Jaime Oncins, capaz de gerar tanto solidez e força como delicadeza e finesse. O de direita de Thomaz Koch, uma arma que em tempos atuais não seria permitido portar nas ruas. E, finalmente, o jogo de rede de Carlos Kirmayr, um artista como nenhum outro que vi, em qualquer lugar, com uma antecipação mágica, destreza impressionante e toques imprevistos e alucinantes, qualidades que os verdadeiros amantes do tênis nunca deixarão de admirar e, deus nos proteja, sentir falta.

Rod Laver, com quase 37 anos, mestre do saque/voleio, enfrenta Connors, mestre do contra-ataque, aos 23.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008 Tênis Brasileiro | 18:01

Futuro nos Futures?

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Foram realizados 34 Torneios Futures masculinos no Brasil em 2008. Uma média de 3.1 torneios por mês – nos 11 meses da temporada. É torneio para ninguém colocar defeito.

Tenho ouvido o presidente da CBT e a da FPT declararem que essa é a prioridade deles. Se não é, parece. Além deles, são várias empresas que investem nesse segmento. Todos vestindo o batido racional que os Futures salvarão o tênis brasileiro.

Eu já acho que é uma bobagem sem tamanho. A maior parte dos realizadores vai mais pelo efeito manada do que por alguma razão bem pensada.

Torneios Futures são necessários, mas, acredito, que em nossa realidade pode ser uma faca de dois legumes. Hoje, qualquer federação, qualquer investidor, é levado a acreditar que os Futures são a resposta para tudo. Não vou ficar batendo na tecla, que penso óbvia, de que Centros de Treinamento, grandes ou pequenos, em São Paulo ou em qualquer canto do país, são mais importantes do que Futures.

O que mais me causa receio é o raciocínio de que quem tem muitos Torneios Futures têm mesmo são muitos tenistas de Torneio Futures. O pessoal não cresce, acomoda, se encaixa.
 
Talvez federações, confederações e amigos devessem se aliar em criar mais Torneios Challengers ou mesmo buscar criar um novo Torneio da ATP. Mas, acima de tudo, deveriam usar a imaginação e criar alternativas. Se existe dinheiro para Futures, existe dinheiro para a criatividade.

Temos que deixar de pensar pequeno e burocraticamente, o que tem sido a realidade através dos anos prevalecente dentro de nossas federações e adjacências. Talvez os torneios devessem oferecer mais do que pontos e grana. Talvez menos torneios e mais projetos que propiciem a esses tenistas estagnados crescerem. Temos que pensar grande se queremos ter grandes tenistas.

 

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terça-feira, 18 de novembro de 2008 Tênis Brasileiro | 14:26

Férias

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Nos anos noventa, durante vários finais de temporada, os tenistas brasileiros se reuniam no Hotel do Frade, no litoral carioca, onde passavam duas semanas passeando de lancha e jet sky, jogando futebol, paddle e volley de praia, fazendo rafting e tracking pela mata atlântica. Mais de uma dezena deles, de diferentes lugares do país e gerações, colocavam tanta energia nas suas férias quanto na profissão.

Para organizar tal batalhão tentou-se, em algumas ocasiões, uma “Olimpíada” onde os jogadores se emparceiravam para competir em diferentes modalidades. O negócio dava uma bagunça danada, já que alguns não conseguiam abandonar o espírito competitivo mesmo no lazer. Tentar coordenar uma dúzia de espíritos altamente competitivos é sempre um problema. As atividades se alternavam diariamente, programadas pelo pessoal que nos recepcionava e cada dia era uma festa. O denominador comum era o futebol-society no fim do dia. Duramente disputado, começava ao entardecer e terminava imediatamente antes do jantar, onde era o principal tópico de discussões.

As noites eram para jantares de confraternização, conversas e música, com alguns tocando e cantando e a maioria tentando acompanhar o embalo com a ajuda de caipirinhas, proibitivas no resto do ano. Mesmo nas férias o pessoal dormia cedo, já que a expectativa era de aproveitar o máximo o dia seguinte.

Nunca vi um deles carregando um livro debaixo do braço e o tempo ocioso era investido em namorar ou conversas sem maiores compromissos. Não era raro o bando aparecer pelas quadras de grama só para se divertir. Nessas quadras aconteceram também alguns desafios que custaram o bom humor de alguns enquanto o resto se divertia. Apesar da competitividade, o ambiente era tranqüilo e os maiores estresses eram as gozações. Todos sabiam que em breve voltariam às quadras, justamente para a parte do ano quando mais trabalham. Foi uma época interessante do tênis brasileiro e um ambiente que não existe mais.

José Daher, Carlos Kirmayr e Cássio Motta – amizade e descontração.

Mattar, Pardal, Oncins e Dácio – sol e mar.

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