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Arquivo da Categoria Tênis Brasileiro

sábado, 21 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:00

Embalo santista

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Não tenho muitas notícias a respeito, mas achei interessante Ricardo Hocevar sair do qualy no Torneio de Santos e chegar à final. A decisão acontece amanhã, a partir das 11h na quadra do tradicional Tenis Clube de Santos, onde já joguei tantas partidas e realizei tantos torneios.

Ricardo, #310 do ranking, não atravessava uma boa fase na sua carreira – aja visto que tem que jogar qualy de um torneio, e viu seu ranking despencar. Ele pode melhorar consideravelmente o seu ranking se bater o tcheco Ivo Minar. Vencer em Santos, vindo do qualy, é um feito, já que exige oito vitórias em nove dias. Tomara que aproveite o embalo. No mesmo evento Julio Silca e Rogério Dutra foram derrotados na final de duplas.

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quinta-feira, 19 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:34

Penoso

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Não chega a ser uma surpresa a derrota de Thomaz Bellucci para o holandês Haase, #55 do ranking, após a belíssima vitória de ontem sobre o espanhol David Ferrer, #6.

Primeiro porque as condições da partida de hoje não favoreciam o estilo do brasileiro e favoreciam o do adversário. Thomaz é um tenista que gosta do saibro, desde que saibro do seu jeito. O saibro pesado e lento, como estava hoje em Monte Carlo, após as chuvas, inclusive durante a partida, não á praia do brasileiro. Já o holandês é um tenista sem nenhum golpe de definição, mas com golpes sólidos de ambos os lados e que pode manter a bola em jogo sem problemas.  O revés de Bellucci segue sendo inconstante, só funcionando em um cenário onde ele possa bater poucos deles e indo para as bolas sem receio – se é para alongar os pontos o bicho pega. O placar de 6/2 6/3 e os 40 erros não forçados de Thomaz completam a história.

O importuno da chuva e interrupções, as condições climáticas e do piso, são circunstâncias que afetam todo tenistas e que fazem parte da obrigação de cada um deles saber fazer os ajustes necessários para sobreviver e progredir no circuito. Infelizmente Bellucci não mostrou disposição para administrar o que pedia para ser administrado, modificado, durante a partida. A administração de problemas, crises e circunstâncias é a característica #1 de um tenista profissional.

O que nos leva ao que já sabemos e continua sendo tanto uma verdade, como o calcanhar de Aquiles de nosso principal tenista. Bellucci é um tenista quando entra em quadra e não sente a obrigação e a pressão pela vitória, vindo dos outros ou dele mesmo, e um outro tenista quando sente a obrigação de performar bem e vencer. É um tenista quando pode simplesmente soltar seus poderosos golpes como se não houvesse amanhã, castigando e intimidando quem quer que seja, e um outro jogador quando tem que trabalhar uma vitória, no ponto a ponto, na marra, na estratégia. Isso muda tanto de jogo para jogo, como vimos de Ferrer para Haase, como dentro de uma partida, conforme o momento desta, como tantas vezes vimos.

Como disse antes, e morrerei dizendo, o tênis é um jogo mental, onde o emocional tem uma importância difícil de ser avaliada para quem não está lá dentro. Thomaz Bellucci ainda é um tenista em busca de sua melhor moldura emocional dentro de uma quadra de tênis enfrentando os melhores do mundo. Enquanto estiver nessa busca, muitas vezes penosa, para ele e seus fãs, é natural que oscile, causando ainda mais inseguranças e mantendo um circulo vicioso.

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quarta-feira, 18 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:45

Clint

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Como fico feliz em escrever um Post deste. Liguei a TV, ainda com o jogo do Nadal rolando e o Nieminen tentando fazer o seu melhor jogo já que o melhor resultado não estava nos seus planos. O jogo? Chaatooo! A partida do Thomaz Bellucci contra o operário Ferrer foi mais interessante. Beeeem mais.

Logo de cara o brasileiro foi chutando o pau da barraca, sacando alguns mísseis indefensáveis, mantendo o seu e quebrando serviços como se fossem coisas simples. O que Thomaz jogou nos primeiros quatro ou cinco games da partida eu nunca havia visto ele jogar. Eu ficava ali pensando – “noooosa, o que esse cara está jogando! Será que aqueles céticos estão assistindo o que esse cara é capaz de fazer? Será que alguém ainda vai duvidar do potencial dos golpes dele? E, mais importante, será que ele vai assim até o fim?” Foi!

O brasileiro esbanjou tranquilidade, autoridade, confiança, execução. Parecia outro tenista. Parecia o Thomaz Bellucci de nossos sonhos.

Não preciso me alongar sobre sua vitória, por 6/3 6/2, sobre o atual #6 do mundo e vice-campeão de Monte Carlo – o placar fala por si. Belo jogou como nunca e venceu como poucas vezes, especialmente por ter do outro lado da rede um tremendo casca de ferida que poderia virar a mesa a qualquer instante. Ferrer bem que tentou, mas a cada tentativa levou um chega pra lá do brasileiro, que usou e abusou de seu arsenal e tratou o adversário como menininha. Aquilo não foi uma vitória qualquer, aquilo foi um massacre, e o massacrado era o Ferrer!

Pela primeira vez quem eu vi em quadra não foi o semi-apático e indeciso Sid, como muitos fãs, e amigos, o chamam. Hoje a postura, o olhar, o andar, a execução era mais para Clint. Sim, é isso mesmo. Quem jogou na Quadra Central do MCCC, e acabou com o encardido espanhol, foi o Clint, disparando seus bullets, só faltou o poncho, e que no meio de 2º set foi visto virando para o espanhol e murmurando algo como: “bamos, make my day!

Clint Thomaz botou o encardido pra correr…


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terça-feira, 17 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:49

O que sabe e mais….

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Bater Kevin Anderson na quadra lenta de Monte Carlo não chega a ser um feito para Thomaz Bellucci, como não deixa de ser uma boa vitória. O cara depende de seu saque e é bem fraco no fundo da quadra, o que não funciona bem no saibro à altura do mar, mas forte o bastante para bater João Feijão e Sam Querry no saibro de Houston na semana passada.

Feito mesmo seria Thomaz bater David Ferrer, o encardido espanhol que ele enfrenta nesta quarta-feira lá pelas 10h no nosso horário. Existe boa chance que possamos acompanhar o jogo pela SporTv, já que a partida acontece na Quadra Central do MCCC, após a partida de Djoko (Seppi) e Nadal (Nieminem).

Para sair com a vitória Thomaz terá que jogar o que sabe, não sabe e mais um pouco. Na verdade, terá também que buscar no fundo de sua alma uma vontade enorme, abismal eu diria, de lutar e bater um dos maiores brigadores do tênis mundial no mesmo saibro. Esta sim uma tarefa titânica. Uma vitória dessas dará não só o direito de mergulhar no Mediterrâneo para celebrar, como exigira de cada um de nós que o aplaudamos de pé, assim como de todos os lá presentes. Como já escrevi, golpes ele tem, mas tênis é beeem mais do que isso.

O intenso David Ferrer

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quarta-feira, 11 de abril de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:12

A cavalo, lá das estepes.

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É provérbio popular que a vingança vem a cavalo. No caso do confronto, sorteado esta manhã na sede da FIT, veio mais rápido ainda. Os russos bateram o Brasil o ano passado lá nos cafundós da Rússia, agora vão ver com quantos paus se faz uma jangada por aqui.

A partida será em Setembro, logo após o U.S. Open e a temporada americana em quadras duras , e duvido que até lá Thomaz Bellucci se sinta mais confortável em quadras duras do que no saibro, o que praticamente assegura que os camaradas vão ter que sujar o tênis por aqui. Só espero que até lá João Feijão tenha encorpado seu prato, porque vamos precisar de uma forcinha do nosso segundo tenista. Os russos não são o melhor time, até porque o pessoal por lá não vem fazendo tanta questão de jogar a Davis, provavelmente porque se acostumaram com grandes resultados, algo que ficou mais difícil de acontecer.

Mas eles podem, teoricamente, contar com Davydenko (38), Youzhny (35), Bogomolov (40), Kunitsyn (91), Tursonov (75), Andreev (100), jogadores com ótimo tênis e que bem motivados podem encarar muitos times. O técnico Tarpischev desconhece a palavra substituto, sendo o capitão do time desde 1974 (com intervalo entre 93-95), de longe o mais longevo dos capitães.

O capitão e sua capacidade de motivar os tenistas será o diferencial no confronto. Nós jogamos em casa e podemos ditar o que a regra permite. Eles vão ter que formar um time com tenistas que não estão mais em ascensão na carreira, o que pode causar certa acomodação e até mesmo preguiça. De todos, os mais jovens são Bogomolov, com 29 anos e que não deve ter sonhos de fazer muito melhor do que fez até hoje, e Andreev, com a mesma idade e que já esteve algumas vezes por aqui, o que talvez faça uma diferença na escolha do time.

A cada confronto o técnico tem que laçar jogadores e colocá-los em quadra. Mas é bom lembrar aquele final de jogo entre Bellucci e Youzhny, quando o russo esqueceu a preguiça, levou o negócio para o pessoal e achou uma maneira de ganhar a partida que parecia perdida na bacia das almas.

Eles têm tenistas, mas, atualmente, não têm time. Como o tempo não para, nem vai para trás, os meses que faltam tendem ajudar o time brasileiro, que tem tenistas em crescimento. Eles, e o fato de jogarmos em casa e podermos planejar os mínimos detalhes, são os diferenciais que podem nos colocar no Grupo Mundial em 2013.

Juntando o time russo.

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segunda-feira, 9 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:33

Torneios no Rio de Janeiro

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A IMG é provavelmente a maior agencia de esportes do mundo – administrando, no tênis, eventos (Miami), direitos de TV, carreiras, academias (Bollettieri) etc – já fez algumas tentivas fracassadas de se instalar no Brasil no passado nos ultimos 30 anos. Desta vez ela fez uma parceira com Eike Batista e sua empresa IMX.

Ambas estão negociando a compra das datas, feminina e masculina, de Memphis para o Rio de Janeiro, aproveitando a carona dos eventos esportivos da cidade e firmando a parceria das empresas.

O lado do vendedor já está bem adiantado, faltando mesmo a aprovação da WTA e da ATP, que querem saber detalhes sobre datas, pisos e locais e como isso se encaixaria no atual circuito. A conversa com a WTA está mais adiantada, até porque eles não tem datas no país e no continente como a ATP – temos um ATP Tour em São Paulo. Com isso, ou o torneio do Rio se encaixa e fica próximo de São Paulo, o que os organizadores deste talvez reclamem, e isso conta, ou eles devem criar uma nova data, o que deixaria o evento orfão de pai e mãe, o que sempre dificulta a vinda de jogadores.

Lembrando, a IMG administra a carreira de muitos tenistas – de Federer a Sharapova – o que ajuda na vinda, mas custa, já que alguem sempre tem que pagar a conta das garantias.

Em breve devemos ter mais notícias.

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domingo, 8 de abril de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 22:37

Vitória

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Belíssima vitória, de virada, do time brasileiro. A coisa chegou a estar preta no 1º dia, após a derrota de João Feijão Sousa e a perda dos dois primeiros sets de Thomaz Bellucci para Alejandro Falla.

A virada de Thomaz Bellucci fez um bem danado ao brasileiro, como não poderia deixar de ser, que voltou à quadra com a confiança lá em cima, sentindo que o pior estava para trás e mais certo de como deveria jogar. Não tomou conhecimento do adversário, e do retrospecto negativo contra o mesmo, que é o que um campeão faz. Fez seu jogo, foi para as bolas, procurou as linhas, mudou a direção das bolas quando necessário, controlou suas emoções, tirou proveito do seu enorme arsenal, fechou as portas ao inimigo e administrou o placar.

Parabéns à dupla pão de queijo, que se preparou para entrar em quadra e soube fazer o que foi necessário para um vitória simples e limpa, sem confusões, ameaças e sustos. Com certeza, sua vitória completou a copo de confiança necessário para a vitória de Bellucci.

Parabéns também a João Feijão Sousa, que se não venceu na hora que valia soube aproveitar a oportunidade de fechar o confronto com chave de ouro e aprendeu algo para a próxima. Além de mostrar que tem reza forte.

Parabéns estendidos ao capitão do time, João Zwetsch, que soube administrar o time e tudo a sua volta, para tirar o melhor e o necessário de cada um dos membros do time. Todo time têm suas questões emocionais a serem administrada e a vitória, ainda na quarta partida, mostra que João fez seu dever de casa e o que precisava ser feito para vencer. Detalhes de cada confrontos nunca são conhecidos pelo público e, às vezes, o capitão tem que fazer verdadeiros malabarismos que, como deve ser, permanecem confinados ao time.

Parabéns também à organização do evento, e do time, responsabilidades que foram divididas pelo Clube Harmonia e, principalmente, pela CBT.

Agora o time brasileiro espera a quarta-feira para conhecer seu adversário na repescagem, a ser realizada em Setembro. As possibilidades são: Alemanha, Bélgica, Rússia, Itália, Cazaquistão, Canadá, Suécia e Suíça, o que abre a possibilidade de Roger Federer aparecer por aqui antes do fim do ano jogando para valer.

A lista oficial será divulgada amanhã e o sorteio na quarta, em Londres, na sede da FIT.

A felicidade tem nome, e o nome dela é vitória.

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Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:46

O abraço da dupla

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Não poderia ser mais contundente a vitória da dupla brasileira. Três sets a zero e sem nunca deixarem os adversários verem uma luz no fim do túnel, maneira correta de se vencer partida tão crucial.

Se tudo correr bem, e como previsto, tal vitória deve encher de confiança os nossos tenistas que entrarão em quadra hoje para definir o confronto. Na mesma medida, os adversários sentirão a derrota e a consequente pressão. Na verdade, a angústia colombiana deve ser ainda maior por conta da vantagem que viram e sentiram quando Falla liderava por 2×0 na 6s feira. Não aproveitaram, dançaram.

Fico feliz também por ver a dupla pão de queijo jogando, e vencendo, juntos novamente. Tomara que a emoção que dividiram em quadra, evidente durante a partida e tocante quando do abraço após a vitória, seja um catalisador para que considerem e voltem a jogar juntos novamente. Como toda parceria, uma dupla formada tem seus altos e baixos, momentos de alegria e tristeza, certezas e dúvidas, mas o que esses dois fizeram juntos neste sábado, após meses separados, é algo para ser considerado e reconsiderado.

Aliás, nesse casamento corro até o risco de colocar uma terceira parte, o que quase sempre é um perigo. Mas a participação de Andre Sá na equação sempre foi extremamente positiva nesse time de duplistas brasileiros e se ele não esteve presente nas quadras de Rio Preto, foi lembrado e honrado pela excelente apresentação de Melo e Soares.

Alô torcida brasileira, aquele abraço!!

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sábado, 7 de abril de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:16

Com emoção

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Logo cedo perguntaram ao Bellucci se seria com ou sem emoção o dia de ontem. Com emoção, garantiu. Não poderia estar mais certo.

Thomaz entrou em quadra após a derrota de João Sousa para o colombiano Santiago Giraldo por contundentes 3 x 0.

A torcida brasileira e o próprio Bellucci não devem ter ficado muito à vontade quando Alejandro Falla abriu 2×0, completando 5 sets seguidos para os inimigos. Mas Davis é Davis e tudo pode acontecer se há coração e emoção envolvidos.

Falla vai ter que dormir com o grilo por algum tempo. Especialmente se os colombianos perderem o confronto, o que é mais do que possível. Se Thomaz tem todos os méritos de ter virado o jogo, Falla tem todo o crédito de ter permitido.

O terceiro set que ele jogou foi uma brincadeira, pelo menos em termos de Copa Davis. Jogou como se a partida estivesse resolvida, o que, claramente, não estava.

Cenário: 1×0 para Colômbia em jogos, 2×0 na 2ª partida para os mesmos. Não existe um cenário onde a cabeça do tenista brasileiro pudesse estar mais frágil. E não havia um cenário para o Falla estar melhor mentalmente. E o que o bonitão faz? Tira o pé do acelerador, dá aquela acomodada – tudo o que Bellucci e todos os presentes queriam de presente de Páscoa.

Com aquele, mesmo que mínimo, espaço para crescer, Thomaz ficou menos pressionado, automaticamente cortou os erros não forçados, começou a pegar confiança nos golpes e, aos poucos, enquanto o outro escorregava na maionese, começou a soltar seus golpes. E, lembrando, Bellucci tem golpes poderosos, muito mais contundentes do que Falla – só não tinha, até ali, o emocional para administrar a situação, especialmente após a derrota de Feijão.

Com o placar de 6/1 o jogo mudou. O colombiano deve ter recebido instruções de seu técnico espanhol – em quem meti dois gols numa partida Brasil x Europa – para ir ao vestiário para interromper a virada brasileira. Tarde demais, meu caro.

No quarto set o jogo era outro e bem mais para o brasileiro. Falla nunca mais foi o mesmo dos dois primeiro sets e Thomaz, graças a Deus, também não.

Com a torcida em suas respectivas orelhas e corações, os dois entraram na hora da onça beber água – o 5º set, que, como dizia Boris Becker, que entendia do assunto, é uma hora puramente emocional. Alí, se eu tivesse algum patinho do meu lado que encarasse uma aposta, eu ganhava os jantares de toda a semana. A torcida não permitiria que o brasileiro perdesse o jogo nem se ele quisesse.

Bellucci até que fez algumas acanhadas tentativas, quando deixou de confirmar uma quebra logo no início do set. Mas o Falla, que a essa altura era um verdadeiro lorde britânico, insistiu na cortesia e permitiu seu serviço ser quebrado uma segunda vez consecutiva. Aí Thomaz desfraldou a vela mestra, enfiou paralelas vencedoras de levantar qualquer morto de sua tumba, e zarpou rumo ao horizonte da felicidade da vitória.

Thomaz Bellucci teve o mérito de ficar na partida em um momento crítico, no que deve ter sido ajudado pelo capitão João Zwetsch, o mesmo que ele despediu quando era 21º do mundo para contratar Larri Passos, que ele acreditava o levaria a 10º do mundo. Estranho mundo.

A partir do momento que se sentiu mais à vontade em quadra, já mais pelos seus méritos do que pela colher de chá do oponente, Thomaz mostrou, mais uma vez, o tenista perigoso que pode ser se conseguisse jogar sempre em nessa mesma frequência emocional, algo que a Copa Davis tem o poder de mostrar com muita clareza. Para a sua alegria e a felicidade geral da nação, Bellucci, ontem à noite, mostrou, por três sets, que pode ser um tenista que nos encha de alegrias, assim como a si próprio, e saiu de quadra dando ao time brasileiro a oportunidade de ganhar esse confronto, algo que teria se tornado quase que impossível se tivesse perdido. Uma oportunidade que a dupla brasileira deve ampliar esta tarde, para a tranquilidade da nação. Porque uma derrota com certeza fará Thomaz Bellucci, João Sousa e toda a nação acordarem no Domingo com a certeza de que será um dia de muita emoção. Mas as duplas é o mais emocional dos confrontos da Davis e tenho todas as razões para acreditar que a vitória será brasileira.

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Copa Davis, O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:24

Direto do local

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O leitor, que se denomina O Bruxo, é claramente um tenista, não um sofasista, e residente de Rio Preto, local do confronto Brasil x Colômbia. Para nossa sorte está nos fornecendo notícias diratas do local do crime. Para nossa facilidade, transponho dos Comentários para cá.

Assuntos extra-quadra e aleatórios:

– Logo no início do jogo do Bellucci, e não sei se na transmissão da TV deu pra ouvir, um aviso curioso foi dado no sistema de som da quadra. Agentes de trânsito estavam multando e guinchando o carro de todo mundo que estacionou na entrada do clube. Não houve sinalização prévia nenhuma, nem aviso de nenhum tipo de que seria proibido parar ali. Rio Preto é uma cidade conhecida de longa data por presentear seus visitantes com uma variedade incrível de multas sacanas. Talvez seja a isso que a imprensa daqui tenha se referido ao comentar sobre a movimentação da economia local provocada pelo evento… Como consequência disso, a quadra ficou bem esvaziada nos primeiros games do jogo, pois boa parte da torcida foi acudir seus carros. Difícil dizer se isso contribuiu para o começo lento do Thomaz, mas é inegável que nesse momento do jogo tinha menos gente pra apoiá-lo.

– Em termos de alimentação, a coisa foi um tanto precária para torcedores comuns e não-privilegiados (leia-se: sem acesso aos recônditos chiques do clube). Entre os dois jogos, acabaram momentaneamente os salgados sem carne, algo um tanto incômodo em sexta-feira santa. Eu conheço os salgados, eram os mesmos que eu comia há 10 anos, quando treinei no clube por um tempo… Em compensação, sobrou cerveja (não farei jabá gratuito da marca, mas é das boas!), e teve gente que sofreu pra ir embora por conta do porre… (antes de mais nada deixo claro que saí sem maiores problemas de lá, hehehehehe)

– Provavelmente isso já aconteceu com o Paulo Cleto em alguma transmissão de um jogo tenso, mas o comentarista do Sportv foi uma atração a parte na cabine. No jogo do Feijão ele estava escondidinho, amuado, no cantinho da cabine. Assim ficou até o Bellucci começar a voltar no seu jogo. De repente, o cara levantou, vibrava, fazia sinal pro Thomaz e mandava a galera agitar de dentro da cabine. Mesmo o narrador e a produtora, mais contidos, se agitaram bastante e levantaram diversas vezes lá dentro. É extremamente interessante esse balanço entre o controle que é necessário para comentar em televisão e o lado torcedor que todo mundo que se envolve com o esporte deve ter.

– Os boleiros estavam meio lerdos e o rapaz do placar manual estava perdidão. A orelha deles vai esquentar…

– A torcida de Rio Preto, carente de eventos, e triste com o rebaixamento recente dos dois times de futebol da cidade para a terceira divisão de São Paulo, participou de forma muito ativa e até educada (já estive em duas outras Davis, então tenho algum padrão de comparação). Várias musiquinhas foram inventadas por alguns meninos, que treinam em clubes da cidade, e algumas delas embalaram a torcida toda. Ao contrário do animador de torcida oficial do Brasil, o cara do trompete, cujo nome esqueci, que participou no primeiro jogo e deu umas 3 sopradinhas só na batalha do Bellucci.

Acho que é só isso, abraços!


Enviado em 07/04/2012 às 1:07

De volta do Harmonia Tênis Clube, com o que foi esse primeiro dia de confrontos da Davis:

Primeiramente, hoje foi um dos raros dias de temperatura agradável e vento em Rio Preto. São Pedro resolveu não submeter nenhum dos times ao massacre térmico habitual nessa terra calorenta.

A quadra (originalmente a quadra 7 do clube), estava de fato mais rápida do que o normal. É uma quadra bem pequena, então bolas anguladas farão estrago (fica a dica para nossos jogadores, que batem mais enroscado que os deles).

No primeiro jogo o Giraldo me impressionou muito. Vendo-o pela tv, dá a impressão de que ele é um jogador travado, meio robotizado até. Nada disso. É impressionante o que o cara bate limpo na bola. Reto, fundo, sempre incomodando. Ele saca com bastante facilidade. É jogador pra ficar no top 50 por um bom tempo, se tiver cabeça (pelo jeito não tem… um cara que se afeta por ser chamado carinhosamente de “maricón”… lembro de uma Davis em Floripa, Brasil x Austrália, que a galera xingou o Hewitt de coisa infinitamente pior; mas o cara usou isso pra bater na gente… essa é a diferença). Com certeza o Giraldo vai incomodar muito o Bellucci no quarto jogo. Caberá ao Thomaz e à galera que está em Rio Preto tirá-lo do sério, isso pode funcionar.

Já o Feijão é um jogador carismático, envolvente pra caramba, que chama a torcida, tira força dela e interage com ela (olhando nos olhos dos torcedores quando recebe apoio), mas vai ter que trabalhar duro na carreira, e seu estilo merece uma análise mais detalhada:
Ao contrário do Giraldo, o Feijão faz uma força tremenda pra bater na bola, e a bola dele anda bem menos do que poderia andar. A mecânica dele, em TODOS os golpes, é excessivamente elaborada. No saque isso não faz tanta diferença, porém, há um detalhe que merece atenção. Como eu estava bem no rumo da linha de fundo, no setor coberto, pude ver aonde cada jogador coloca o arremesso pra sacar. O do Feijão é o que menos invade a quadra. Mesmo assim, ele chegou a sacar a 226km/h (o mais rápido de todo o dia). Com pequenos ajustes no toss, ele pode virar um sacador espetacular.
No forehand, dois detalhes: o movimento dele é muito grande, o que faz com que ele muitas vezes perca o tempo da bola; e ele gera velocidade demais na cabeça da raquete, e na vertical. Seria interessante uma abreviação da armação no forehand e um ajuste de raquete para que ele possa transferir melhor essa velocidade da cabeça da raquete para a bola (ou colocando peso na cabeça da raquete, ou até usando uma raquete de cabeça maior, para que ele tenha maiores chances de pegar bem na bola). Esses “defeitos” fazem com que ele espalhe muitos forehands e deixe-os curtos na maioria das vezes.
O backhand é um pouco mais curto, mas ainda não o suficiente para aguentar jogos mais rápidos. Também achei que ele não consegue puxar spin o suficiente para se defender, tendendo a bater bem reto quando está na corrida ou quando é empurrado para trás. Outra coisa que notei é que ele tende a bater o backhand bem mais “em pé” do que o forehand. Bolas baixas na esquerda o machucam.
O que talvez mais mereça atenção, uma vez que é bastante complicado mexer com a mecânica de um jogador formado, é a movimentação do Feijão. E aí está a maior deficiência dele (e, felizmente, a mais fácil de corrigir com treinamento). Ele se locomove lateralmente sempre com passadas grandes, e raramente dá aqueles pequenos passos laterais para ajustar sua distância à bola. Isso o deixa em dificuldade com bolas mais rápidas, fazendo com que ele atrase algumas batidas. Porém, com treino específico, isso pode melhorar bastante.
Depois dessa autópsia do jogo dele, é preciso ressaltar que mesmo com todos esses detalhes, ele está batendo na porta do top 100. Isso inegavelmente é prova de grande potencial. Um Feijão bem trabalhado pode nos dar muitas alegrias futuras, especialmente na Davis, pois hoje, interagindo com a galera, ele mostrou que tem DNA pra essa competição.

O jogo do Bellucci com o Falla foi uma montanha-russa muito louca. No primeiro set, o Bellucci começou devagar o jogo, errando forehands seguidos. Nisso o Falla foi ganhando confiança até que, entre o meio do primeiro set e o final do segundo, ele jogou um tênis de altíssimo nível. O Bellucci estava enterrando saques a mais de 200km/h o tempo todo, e o cara simplesmente metia tudo de volta no pé do Thomaz. Não é a toa que esse cara quase tirou o Federer de Wimbledon. Nos dois primeiros sets, o Falla foi um MONSTRO devolvendo. Ele não errava devolução de PRIMEIRO saque, e um respeitável primeiro saque. Não tenho os números, mas dá pra contar na mão manca do Lula os erros não-forçados do colombiano nos dois primeiros sets. E tudo com bola funda, reta, pesada, limpa.

Porém, não dá pra jogar a noite inteira desse jeito. Se desse, o Falla tinha tirado o Federer de Wimbledon… O jogo do colombiano desmontou no terceiro set, e o Bellucci aproveitou esse set pra fazer 6×1, voltar a acreditar, fazer a torcida tirar a viola que já tinha enfiado no saco e, principalmente, deixar o Falla menos à vontade no jogo. Daí pra frente, o jogo foi bem equilibrado, o Falla melhorou em relação ao terceiro set, e o Thomaz ganhou o resto no coração. Ele teve várias dificuldades, começou mal a imensa maioria dos games. Teve game de saque que ele encaixou 1 primeiro saque em 10. Muitas vezes o Thomaz insistiu em paralelas de backhand que quase nunca entraram (e, coincidentemente ou taticamente, a maioria dessas paralelas veio no primeiro ponto de seus games de saque, por isso, muitas vezes, ele teve de erguer de 0-15). Mas ele teve culhão de ir para algumas bolas em momentos delicados, e isso deixou o Falla retraído e sem opções.

Sim, a galera foi junto com o Bellucci e ajudou a fazer essa vitória acontecer. Mas o mérito disso é sempre do jogador que se coloca em posições de poder voltar nos braços da torcida. Então, resta ao pessoal que gosta de bater gratuitamente no Thomaz respeitar o que o segundo melhor ranqueado da história do tênis masculino do Brasil faz em quadra. Ele virou um jogo que estava PÉSSIMO pra ele.

Então respeitemos mais uma vitória do Bellucci com a torcida! Tenho certeza que a superlotação da quadra se repetirá no sábado e no domingo, e ajudará nossos jogadores a tentar ganhar um confronto que certamente é mais duro do que muitos de nós imaginávamos, pois os colombianos jogaram demais nessa sexta. Porém nossa galera jogou muito também!

Amanhã tem a dupla, estarei lá, com o pouco de voz que me resta! Vou encerrando, pois o resumo do dia ficou grande demais. Mas foi um grande dia pra quem adora tênis!

Abração e boa noite!


Cheguei das duplas!

Primeiramente, os assuntos aleatórios:

– Quem pagou mais barato se deu melhor! A arquibancada não pega sol na cara, toma um ventinho e não cozinha, não pega fila pra entrar (seguraram o pessoal do camarote uma meia hora antes de entrar), e não senta em cadeira menor que a bunda; fora o fato de que a galera é mais animada e não tem bêbado chato que pensa que pode gritar o que quiser só porque tem uma pulseirinha VIP e é sócio do clube sede. Hoje teve gente querendo aparecer mais que os jogadores na quadra…

– Surpreendente o número de camisas de times de futebol do interior de SP nas arquibancadas, vi gente com camisas do Paulista de Jundiaí, Grêmio Catanduvense, Rio Preto E.C., e teve até uma bandeira do Botafogo de Ribeirão (sem contar as que eu não consegui identificar). Isso é para aqueles que desejam a morte dos times caipiras! (PS: fiz minha parte futebolística ontem, com uma camisa verde e amarela com o escudo do meu querido Santos; na cidade, sou Rio Preto, e há simpatia também pelo Catanduvense, de minha cidade natal, e que tem uma bruxinha de mascote, e pelo Guarani de Campinas, cidade aonde estudei e vivi os melhores anos de minha vida).

– Festinha social da Davis: 150 pila a entrada, seco (nada de open-bar). Vai encarar?

– Presenciei um milagre musical hoje: Na cidade onde vigora uma ditadura do sertanejo em todas as suas vertentes (moda de viola, música raiz, sertanejo universitário, breganejo e cornomusic), o hit nas arquibancadas foi “Elas estão descontroladas”. Graças ao arremesso de raquete do Farah e aos chiliques do Cabal! Meus ouvidos agradecem a variação!

– Sim, eu vi. O comentarista do Sportv rebolou até as calças quase caírem. Figuraça! Taí um cara feliz!

– Thiago Alves, Feijão e Thiago Monteiro puxaram a galera pra fazer barulho o tempo todo. Agitaram pra caramba!

Sobre o jogo em si:

Eu adoro ver jogo de dupla. É tênis instintivo, de toque, de VOLEIOS (quando eu jogava eu adorava enfiar a cara na rede o tempo todo, não tenho saco e nem físico pra correr e passar bolinha). É tênis de reflexos. É tênis diversão. Nada de ralis intermináveis, maratonas ou vitórias no físico. Ganha a dupla que reune os melhores tenistas, e pronto!

Nossa dupla entrou ligada no 220 e não desligou nunca! O Marcelo Melo não errou um voleio até o game no qual teve seu saque quebrado. E foi inteligente ao aproveitar o fato de que a quadra 7 do Harmonia Tênis Clube é pequena e estreita. Isso te dá duas opções nos voleios altos: ou você crava pra baixo e encobre a quadra, ou você crava pros cantos, angulando bem. Inclusive teve um ponto onde rolou uma polêmica, pois a bola foi na direção de alguém da nossa delegação, lá fora da quadra e ele desviou a bola, já fora dos limites da quadra. Os colombianos chiaram, mas o Cabal não chegaria naquela bola, mesmo se não tivesse nada para impedi-lo. Quanto à técnica, o saque dele tem um defeito, que tira muito da eficiência esperada nesse fundamento em um cara de mais de 2 metros. O arremesso dele fica longe demais do corpo, o que faz com que ele busque demais a bola na frente. Quando você pega a bola muito na frente, aparecem duas tendências: a de sacar muito pra baixo e mandar na rede, ou a de não conseguir escovar a bola o suficiente para pegar efeito no segundo saque, então você fica com um segundo serviço mais flat (e lento o suficiente para ser atacado) e mais errático, pela falta de efeito. Quem viu Jaime Oncins sacando nota uma certa semelhança. Apesar de uma pequena queda de nível no segundo set, o mais alto de nossos duplistas manteve as devoluções afiadas o tempo todo, e se recuperou a tempo do passeio no terceiro set.

O Bruno Soares foi a personificação da categoria. Saques bem colocados, devoluções precisas, dobrando e esticando os colombianos igual sanfona. Voleios limpos e um lob melhor que o outro. O pessoal tinha que ir embora, comprar outra entrada, e voltar. Uma entrada para o jogo e outra para a aula de duplas que o Bruno deu. Ganhou até homenagem especial, com o grito de “Au au au, o Bruno é animal”.

Robert Farah é sacador. Meteu um a 224km/h. Tem uma mecânica muito boa para sacador e voleador, com arremesso lá na frente, inclinação do tronco lá pra frente e movimento abreviado de cabeça de raquete. Só que na rede, ele deixou seu parceiro vendido muitas vezes ao se adiantar e cruzar antes da hora, o que arreganhava a paralela para os brazucas socarem as devoluções. Teve um incidente com ele, que ao tomar um voleio por cima da cabeça, atirou a raquete, que foi na direção dos brasileiros e bateu na rede. Apesar de ser complicado julgar intenções, o negócio foi bem na minha frente e pareceu deliberado. Quando a bola passa por cima da sua cabeça, você joga a raquete pra cima, não para a rede e na direção de um oponente (se eu não me engando, foi na do Bruno).

O Cabal sacou fraquinho, com movimento grande e sem profundidade. Somado ao parceiro que telegrafava as intenções na rede, isso resultou em apenas 1 game de saque confirmado por ele. O resto ele faz direitinho: devolve legal, voleia decentemente, antecipa bem. Até sabe jogar, mas perdeu a cabeça em alguns momentos, e a galera pegou no pé sem dó.

Mesmo com o placar folgado, o jogo foi intenso e muito veloz. Tão rápido que exigiu muitas vezes voleios de duas mãos, uma blasfêmia para os puristas do tênis e uma necessidade, tamanha a rapidez das bolas e a qualidade dos voleadores. Nenhum dos quatro voleou mal e nenhum dos quatro alisou a bolinha. Foi hardcore o negócio!

2X1 pra gente. Mas amanhã tudo pode acontecer. Pode acontecer de o Bellucci jogar o que pode e ganhar. Pode acontecer do Giraldo perder a cabeça e o jogo. Pode acontecer do Giraldo continuar espancando a bolinha e ganhar do Thomaz. Pode acontecer do Thomaz não estar um um bom dia…

Caso não fechemos no quarto jogo, o Feijão tem condições de ganhar do Falla. Não esperem que o colombiano deslanche. Se o Feijão jogar bem, ele subirá o nível. Se o Feijão jogar mal, ele não vai dominá-lo. Acho que se o Feijão se manter positivo, envolver a torcida como sabe fazer, ficar sempre perto dele no placar, e dar corda, errando pouco e sustentando os ralis, o Falla não capitaliza. Foi assim com o Federer em Wimbledon. Foi assim com o Bellucci ontem. Tomara que, se necessário, seja assim amanhã também, contra o Feijão. As evidências estão contra o Falla, não contra o Feijão, que é relativamente virgem em momentos de decisão como um jogo importante ou um último jogo de confronto de Davis, o que ele faz com que ele não tenha fantasmas do passado a assombrá-lo…

Aula de tênis hoje, emoções a vista amanhã. QUE FINAL DE SEMANA!!!!

Abraço a todos!


Boa noite amigos do blog!

Não fiquei para o quinto jogo pois tenho viagem amanhã cedinho e quero aproveitar esse tempo pra fazer as malas!

Outros assuntos aleatórios:

– Algo que me deixou um pouco chateado. Cheguei com meus pais (ambos idosos) cerca de 70 minutos antes do confronto. Na portaria do clube, nós e outros torcedores que vieram de lugares distantes como Campinas e Londrina fomos barrados por meia hora (na porta do clube, não na porta da quadra, ou seja, na rua). Fui o primeiro a entrar no clube para ter acesso aos camarotes.Ao chegar lá, estavam sócios do clube já ocupando lugares nos camarotes comuns e, pior, vários abanadores de uma das patrocinadoras da Davis marcando lugares para outros sócios que chegariam depois do público geral. Quando os outros torcedores dos camarotes chegaram e foram aos assentos marcados, os mesmos sócios que estavam lá repreenderam esses torcedores, de forma não muito gentil. Apesar de concordar com alguns privilégios aos sócios do clube-sede (que puderam comprar suas entradas antes de todo mundo), que fosse feito um setor específico para que eles tenham seu lugar garantido, e não levando vantagem em cima de gente que viajou e fez esforço pra estar lá. Para mim é chato falar mal dessa organização, uma vez que conheço gente muito boa do Harmonia, mas errado é errado em qualquer circunstância.

– Sim, consegui ir à baladinha da Davis! Meu ingresso me dava direito, então enfiei a cara e fui. Cheguei por volta das 10 da noite e presenciei a saída dos jogadores colombianos de lá, nesse mesmo momento. A equipe do Brasil já tinha saído. Foi beleza! Muita mulher bonita, a fina flor da cidade. Tudo muito bom (exceto pelo som, alto demais e com microfonia). Terminei muito bem a noite de sábado ;)

– Certamente houve superlotação. Foi possível ver cambistas vendendo entrada nos arredores do clube. E mesmo assim sobrou gente na arena. Não adiantava pedir para não sentar em escada, pois não cabia mais ninguém em lugar nenhum. Simplesmente gente demais e arquibancada de menos.

– Os times do interior voltaram com tudo! Apareceu bandeira do América de Rio Preto e do Guarani. Inclusive haviam dois torcedores do Rio Preto sentados ao lado do torcedor do América, e fazendo barulho juntos, e em paz (não conheço nenhum caso de briga entre torcedores do diabo e do jacaré aqui, apesar da rivalidade entre os dois clubes, o que é exemplo para o país).

– O tempo assustou no começo da tarde, mas melhorou maravilhosamente até a hora da competição!

– Hoje quem comandou o agito da galera foi o Augusto Laranja.

– Durante todo o confronto a circulação de pessoas nos intervalos foi mal coordenada. Muita gente entrava na virada de quadra (que não é intervalo) entre o primeiro e segundo games dos sets, o que causou alguns contratempos aos jogadores no começo dos segundos games.

– O interesse pela Davis em Rio Preto não foi só dos ratos de quadra que lotam os clubes da cidade (Harmonia, Monte Líbano, Palestra, Automóvel Clube e AABB). Muita gente que sequer sabia as regras ou a contagem do tênis foi lá prestigiar e apoiar. O que eu tive que explicar de coisa de tênis para várias pessoas foi uma grandeza. O povo de Rio Preto merece os parabéns e também merece novas chances de sediar a Davis em eventos futuros! Para quem conhecia o clube, foi impressionante o trabalho feito para botar a arena naquele lugar, naquelas condições, e também para deixar a quadra melhor para o estilo de nossos jogadores. Valeu Rio Preto! Não foi perfeito, mas foi bem melhor do que o esperado!

Bellucci x Giraldo:

Sei que muita gente vai falar depois desse comentário: “Falar depois que aconteceu é fácil”. Mas depois do primeiro bate-bola do aquecimento eu tive a absoluta certeza de que o jogo seria do Thomaz. Por uma razão simples: o Giraldo desde a primeira batida não estava sentindo bem a bola. O Thomaz, por outro lado, estava soltíssimo no aquecimento em quadra. E isso foi muito claro e nítido. Provavelmente o Thomaz, que já entrou focadíssimo no jogo, percebeu isso.

Existe uma alternativa para aqueles dias no qual você não sente direito a bola, ou tá sentindo que a coisa tá estranha. Use o começo do jogo para trocar um monte de bolas até voltar a ter confiança nos golpes. Foi o que aconteceu com o Guga na final de Roland Garros contra o Corretja. Ele trocou bolas até o terceiro set, de onde ele deslanchou para o tri.

Não sei se isso foi intuitivo ou se foi estratégia prévia do Thomaz, mas ele começou o jogo a milhão, acertando tudo o que tentava, enquanto o Giraldo fechava com o inferno. Foi um primeiro set quase irretocável do Thomaz, onde ele não deu chance pro Giraldo pegar qualquer ritmo.

No segundo set, o Giraldo teve a chance de tentar trocar bolas para buscar timing e um feeling melhor da bola. Mas não é a dele ter paciência e controle emocional para investir nisso. O Thomaz foi firme quando precisava, e o Giraldo sucumbiu ao seu mau dia e à sua péssima cabeça lá no tie-break. A essa altura, o Giraldo já tinha batido várias vezes nas cordas da raquete, o que confirmou minha percepção inicial de que ele não sentia bem a bola.

Era questão de tempo para o colombiano cair. Só seria necessária uma quebra para a cabeça dele ir de vez pra cucuia. A quebra veio, e daí em diante o Thomaz jamais olhou pra trás. Depois da quebra, saí dos chatos camarotes e fui lá pro meio da arquibancada fazer a festa! E a festa não demorou pra começar!

A equipe toda se virou para o povo das arquibancadas, que foi quem fez a diferença na torcida, e celebrou virado para eles com uma bandeira enorme do Brasil! Justo! Coisa linda!

Páscoa é época de chocolate, que foi doce como o Thomaz e o Brasil mereciam e amargo para os colombianos! Que jogos do Bellucci! Que belíssima dupla temos! E quanto ao Feijão, três coisas boas: sobra potencial no garoto, ele tem cara de Davis e o que precisa ser corrigido nele está muito claro e é corrigível.

Que vitória do tênis brasileiro! E isso não é pachequice! Sejamos um pouco mais justos e vamos dar um pouco de valor aos tenistas que temos, que derrotaram uma equipe cujos singlistas estão entre os 60 do mundo, e cujos duplistas estão entre os 70. Não batemos em time pequeno! A Colômbia em breve estará no grupo mundial.

E o Brasil tem tudo pra conseguir. Que tenhamos um sorteio favorável na quarta-feira!

Agradeço a confiança do Paulo Cleto nas minhas informações daqui de Rio Preto! E, puxando a sardinha pro meu lado, até que minha cobertura deu sorte!

Um abração a todos e até a próxima!




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