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Arquivo da Categoria Tênis Brasileiro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:09

Gentil

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Um amigo meu, ligado ao tênis, não ficou nem um pouco contente com a participação de Nicolas Almagro na derrota para Thiago Monteiro. Afirmava que, na melhor das hipóteses, e não foi exatamente isso que ele disse, faltou empenho em vencer. Thiago continua não tendo nada a ver com a história alheia e assim faturou mais uma vitória que enriquece barbaridades seu currículo. Sorte e competência se somam para o sucesso.

 
No Rio ele já havia se beneficiado da “participação” de Jo Tsonga. Quanto a esse jogo, o diretor do torneio em Sao Paulo afirmou que Tsonga “estava um desastre e parecia um elefante caminhando em quadra”. Para quem conhece o Roberto Macher, um cara extremamente culto, articulado e que sabe o que fala a definição não surpreende – assim como para quem assistiu. Talvez tenha algo a dizer sobre o Almagro. Talvez não.

 
Ontem cheguei ao Pinheiros na hora do almoço para bater a minha bolinha. Mal adentrei encontrei uma das colegas de quadra de minha mulher. A moça estava excitadíssima. Me contou, aos trancos e barrancos, que estava em uma aula em grupo, com mais duas amigas, quando chegou Almagro, dispensou o professor e passou a jogar 5 games com as moças! Ela estava delirante com a simpatia do espanhol.

 
Também achei extremamente simpático do rapaz. Afinal tenistas profissionais só fazem esse tipo de ação mediante um bom dindin e de mau humor – o que não foi o caso. Roberto Marcher fala com todas as letras que o torneio não pagou “garantias” a ninguém. Ao que tudo indica foi totalmente espontâneo e aconteceu em uma das quadras secundárias do clube.

 
O que não estou muito certo é se eu, como técnico, permitiria tal gentileza por parte de meu tenista, horas antes de entrar em quadra pela 1a rodada, contra um adversário que já “aprontara” na semana anterior.

 

 

Finalizando sobre Almagro, com uma olhadinha mais nítida sobre a chave de duplas descobrimos que ele recebeu um convite da organização para as duplas. Ele escolheu como parceiro Eduardo Assumpção, que tem como ranking de duplas #1035 e de simples #1618 e cujo pai é dono da EGA Academia de Tênis, além de ser um certo filantropo do tênis, que gosta de investir, à sua maneira, na formação de tenistas. O Almagro realmente está inspirado nas gentilezas esta semana.

 

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Almagro e as alegres meninas pinheirenses.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:01

O Brasil Open

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O Brasil Open ganhou um tremendo upgrade ao sair do Ginásio do Ibirapuera e ir para o Clube Pinheiros. O fato fala alto tanto sobre o Ibirapuera, uma arena que nasceu defasada e que o tempo só acentuou essa característica, sobre o Clube Pinheiros, um clube sempre investindo em ser melhor e que, com sua última obra, ficou ainda mais “public friendly” e o Brasil Open, que há anos namorava a idéia de ir para o Pinheiros, mesmo quando ainda estava na Bahia, atrás de um bom local em São Paulo para também encorpar o evento.

 
O Ibirapuera depende da administração do Estado de São Paulo, o maior do país, cujo governantes, em especial os das últimas três décadas, não tiveram a menor cerimônia em manter de maneira precária e, menos ainda, se animaram em construir uma arena digna da maior cidade da América Latina e o maior estado da federação. É só nós vermos uma arena como a O2 em Londres ou outra qualquer em diferentes cidades do mundo.

 
O Clube Pinheiros é o maior clube social/esportivo do país, um celeiro de atletas olímpicos e um oásis na área mais nobre da cidade. Com a obra que acrescentou mais de 800 vagas de estacionamento, o qual o público do evento pode usufruir, um ginásio coberto lindo com duas, de um total de 24, quadras, milhares de árvores, arbustos e plantas oferecendo um local ímpar para passear, praticar esportes e, no caso, fazer um evento de primeira linha.

 
No pouco que visitei – ontem e hoje – já deu pra ver que a atual é a melhor opção das três que o Brasil Open já teve. Ficou gostoso passear pelas quadras secundárias, inclusive as de treino, onde hoje acompanhei o treino dos duplistas brasileiros, junto com um público que lotava a quadra e, ao final, aplaudiu polidamente os tenistas.

 

 

Ontem assisti a derrota de Clezar na quadra central, que ficou de bom tamanho – não tem a monumentalidade da QC do Rio Open, mas ficou agradável e os assentos ficaram a uma distância boa de se acompanhar uma partida.

 

 

Ou seja, se o fã não foi ao Rio, pode perfeitamente acompanhar o evento com conforto, passando horas assistindo jogos e tenistas de primeira linha, além de vivenciarem o ambiente.

 
Se tudo isso não bastasse, atravessando a rua está o Shopping Iguatemi com várias ótimas opções de refeições. Ou seja, dá para fazer um programão, inclusive em família. Mais ainda. É facílimo deixar as crianças no Clube e pegá-las de volta, em um local de altíssima segurança. Ou seja, um programão, não importa a sua realidade.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 Aberto da Austrália, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:24

O coração do fã.

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Imagino como ficam cabeças e corações dos organizadores de um torneio como o Rio Open no sábado, dia em que se joga as semifinais de simples e duplas.

 

Eles foram dormir na sexta-feira com Nadal vivo na chave, assim como Dominic Thiem, o tenista mais quente no evento, após vencer Buenos Aires e dar uma coça no Ferrer, sendo uma jovem e quase desconhecida promessa, dono de um tênis vistoso e um vigor impar. Se pouco fosse, tinham ainda, na semi de duplas, os dois tenistas brasileiros que mais alegrias tem ofertado aos fãs locais – Bruno Soares e Marcelo Melo.
No final do sábado seus piores pesadelos tinham se tornado realidade – estavam todos fora do torneio. E, lógico, junto com seus sonhos os do público, pois tudo que os organizadores querem é ver os sonhos do público realizados.
A perda de uns são, muitas vezes, o ganho de outros. Assim sendo, Cuevas e Pella devem ser dois tenistas bem contentes com suas participaçoes no Rio Open.
Especialmente o argentino Pella (o outro também o é, apesar de jogar pelo Uruguai), que esteve com um dos pés fora do evento logo na 1a rodada, contra Isner. Só passou porque foi muito forte mentalmente, para derrotar o corta físico americano sacador.
Cuevas, apesar do respeito adquirido, ficou na lista negra dos fãs locais, que queriam mais uma oportunidade de assistir Rafael Nadal. Ficaram na mão, o que causou os mais diversos comentários, por parte de entendidos e praticantes locais do tênis, sobre o tema que Nadal não é mais o mesmo. Bem, não é mesmo. Agora nos resta descobrir o que ainda é. Mas isso é assunto para outra hora.
Se é pra falar de frustrações, tive a oportunidade de acompanhar na Quadra 1, a quadra “gostosa” do evento, pela proximidade que nos coloca dos jogadores, a derrota dos brasileiros Soares/Melo para os espanhóis nas semis das duplas. O público, mais do que frustrado ficou intrigado como o #1 do ranking, em parceria com o campeão do Aberto da Austrália, foram eliminados por dois “desconhecidos”. Pois é, acontece.
Talvez até porque, aos meus olhos, quadras de saibro à altura do mar não exatamente a praia favorita dos mineiros. Eles não tem a munheca para colocar uma pimenta nas bolas como, por exemplo, fizeram os espanhóis, além de seus serviços não serem tão fortes para fazer a bola machucar na altura do mar. Questão de estilo; eles tem mil e uma outras qualidades que funcionam melhores com pisos e circunstâncias mais rápidas. Como quase sempre acontece nas duplas, o jogo foi decidido em detalhes, uma ou duas bolas que se fossem a favor deles a história seria diferente. Mas as duplas são cruéis nesse aspecto – não perdoam.
Nada disso apaga o sucesso do torneio. Cada ano que passa fico mais fã do Rio Open. É um belo evento, bem organizado, que faz um esforço para que seu público seja bem recebido e tenha um espetáculo condizente com suas expectativas – uma responsabilidade nem sempre abraçada em terras brasileiras, não importa o tipo de evento.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:34

A hora

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As melhores notícias do tênis brasileiro no Rio Open correram por fora. Paula Gonçalves e Thiago Monteiro. Paula teve que passar pelo qualy e, se perguntada antes do Rio Open sobre suas pretensões no torneio, com certeza iria falar sobre as duplas, onde tem tido mais sucesso.

 

 

Thiago, que teve sucesso como juvenil, teve sérios problemas de contusão, ficou afastado das quadras um bom tempo e faz a sempre sofrida “volta”. Ela entrou na chave através do qualy, ele de um convite do torneio.

 

 

Paula foi preterida na escolha dos convites, até porque estes seguiram o critério do ranking. Teliana Pereira foi a única brasileira a entrar por méritos próprios, era à favorita ao título, mas ficou pela 1a rodada. Bia Maia e Gabriela Ce estavam à frente de Paula no ranking. Ela seria a próxima a receber o convite, quando a romena Cirstea, a bonitona que atualmente é #199 do ranking, já foi #21, e joga bem menos do que poderia, pediu o convite e Paula dançou.

 

 

Bem, uma coisa eu escrevo com toda tranquilidade – o azar de Paula foi sua sorte. Eu duvido que ele teria ganho essas mesmas duas rodadas na chave principal se não tivesse passado pelo qualy.

 

 

Tenista em geral odeia jogar qualifyings. Preferem atravessar os portões do inferno. Mas o fato é que depois que passam por um se sentem como os reis/rainhas da cocada preta – já com toda a razão.

 

 

Paula até agora ganhou quatro jogos – todos de tenistas melhores rankeadas. E não inventaram, nem inventarão melhor remédio para a confiança do que vitórias, em especial sobre tenistas melhores rankeados. E o que chamo de Confiatrix.

 

 

Ontem antes de entrar em quadra Paula chegou a preocupar seu time. Alegava um mal estar. Pensou-se uma virose, até a paranóia da zica voou por perto. Entrou em quadra com o pé atrás e começou mal. Aos poucos colocou o esquema que seu técnico Carlos Kirmayr lhe passara, virou o jogo e não olhos mais para trás. Acho que estava mais para ansiedade.

 

 

Independente do resultado da 3a rodada, Paula e seu técnico podem/devem buscar um novo olhar para sua carreira. Eu sei que para este ano eles colocaram metas mais altas. Olhando de fora, acredito que chegou a hora da moça fazer suas apostas nas simples. Até hoje, pelas circunstâncias, construídas pelos resultados, ela vem priorizando as duplas e tentando as simples. Afinal as primeiras é onde vem tendo mais sucesso – é compreensível.

 

 

Perante os resultados no Rio Open eu diria que é hora da moça jogar suas maiores fichas onde o bicho pega e lidar com a responsabilidade. As simples é onde o tenista quer estar e onde realmente o tênis profissional tem maiores reverberações. Senão acaba por se acomodar, ou encaixar, unicamente nas duplas que, convenhamos, é para quem não conseguiu sucesso nas simples.

 

 

O pior, ou no caso, o melhor, é que aos meus olhos Paula tem mais qualidades técnicas para ser uma melhor singlista do que duplista – e não que não seja boa duplista. Mas tem tamanho e envergadura, golpes sólidos e um saque que machuca. Tem pernas grandes e fortes que ajudam na necessária boa movimentação. Tem o peso e a altura para “montar” nas bolas e machucar e não ser só uma “passadora” de bolas. Tem muita coisa a seu favor para não arriscar ser melhor do que é. Chegou sua hora de descobrir se tem o que, no final, faz a diferença. Aquele “it” que separa as “cachorronas” das outras. Bem, a esmagadora maioria sequer tem a oportunidade e, especialmente, as ferramentas para tentar descobrir. Paula Gonçalves tem.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:01

Sorte?

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Se buscarmos a palavra “oportunidade” no google, aparecerão inúmeras frases interessantes que preencheriam um capitulo de um livro de auto ajuda. Talvez por ter se revelado pela primeira vez pra mim quando ainda estudava nos Estados Unidos, a seguinte tenha se tornado uma de minhas favoritas: “a sorte surge quando a oportunidade encontra a preparação”.

 

Pensando bem, a frase define com razoável precisão a surpreendente vitória de Thiago Monteiro sobre o francês, e # 9 do mundo, o Jo Tsonga.

 

Convenhamos, Tsonga deveria ter um mínimo de vergonha em se apresentar como o fez por aqui na América do Sul. Em Buenos Aires perdeu na 2a rodada, no Rio dançou na primeira, sendo que, como cabeça de chave #3, a expectativa é que chegasse, no mínimo, à semifinal.

 

Na partida contra Monteiro, Tsonga esteve bem abaixo de seu padrão. Pode-se imaginar que tenha subestimado o jovem brasileiro, #338 do mundo. Convenhamos, teoricamente o nosso tenista não seria páreo para o top 10. Teoricamente.

 

Na verdade, o que se viu foi um tenista que ou achou que o jogo estava ganho antes de entrar em quadra, ou não fez o esforço necessário para se preparar para a partida, o mínimo que se espera de um profissional como ele. Considerando Buenos Aires, parece que não fez uma preparação adequada para vir jogar no saibro da América do Sul. Seja lá o que for, o primeiro set do favorito foi quase ridículo. No 2o set melhorou, enquanto Thiago perdeu o foco, e no 3o ficou claro que quando quis ganhar não tinha na sua caixa de ferramentas o que era necessário.

 

E o que Thiago tem a ver com isso tudo? Tem, como diz a frase lá em cima, que ele se preparou para o que desse e viesse, fazendo jus à escolha do convite da organização e a responsabilidade atachada a ela.

 

Thiago chegou ao Rio para defender sua carreira, aproveitar a oportunidade e se apresentar, com orgulho e respeito, perante um público pagante que sai de casa para assistir tenistas profissionais, se enfrentando em uma arena que exigiu grandes investimentos e muito trabalho de todos envolvidos.

 

Será que Tsonga leva tudo isso em consideração quando exige e aceita, o que imagino, um grande valor somente para aparecer e jogar? Aparentemente não.

 

Por outro lado, Monteiro teve seu encontro com a sorte quando o destino lhe deu a oportunidade de estarr do outro lado da quadra de um adversário que não se deu ao respeito na 1a rodada de um grande torneio. Como estava preparado, pode realizar algo, e isso ninguém lhe tira, que em nenhuma hipótese é fácil de realizar: bater um tenista top 10.

 

 

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Thiago explica sua vitória a Dacio Campos.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Juvenis, Minhas aventuras, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 11:51

Santas academias

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Logo que cheguei dei de cara com Carlos Kirmayr. Antes do torneio ele medisso que só ficaria no Rio enquanto a pupila Paula Gonçalves estivesse viva na chave. Hoje a moça é única brasileira(o) viva nas simples e ainda já ganhou uma rodada nas duplas. O Kiki segue firme no Rio.

 
Com ele esbarramos no Andre Sá, aos 38 anos, está nas chaves de duplas. Brinco com ele que ainda vou abrir a internet e ver que ele virou presidente da ATP. Nao tem tenista mais querido no circuito.

 
Assisti um pouco do jovem chileno Nicolas Jarry (20 anos) perder para David Ferrer. Se tivesse um pouco mais de maturidade levaria o jogo para o 3o set – teve três set points. Mas o cara é alto (1.98) saca bem, lógico, e tem ótimos golpes dos dois lados, o que nem sempre acontece com esses gigantes. É para ficar de olho.

 
Ontem só teve duplas femininas – os meninos começam hoje. Com esse calor e as tempestades vai ter tenista que ainda está na chave de simples saindo rapidinho das duplas.

 
Uma coisa me chamou a atenção nas duplas femininas. Elas não pensam duas vezes é colocar uma medalha na adversária. Bem no meio dos seios, quando não miram na cara. Meninas más. Os meninos só fazem isso quando querem partir pra ignorância de vez. O que é bem mais raro.

 
Se o tênis masculino mudou na última década, e mudou bem, o feminino mudou ainda mais. As meninas melhoraram demais. Da parte física, à técnica e a mental. Hoje há um prazer bem maior em assistir as garotos. Sem mencionar que, ao contrário de antigamente, são muitas as que são bem agradáveis de olhar. Santas academias.

 
Ouvi e li muita coisa sobre a “piscina” que a quadra central virou no 1o dia. Muita gente dizendo que era um absurdo o que aconteceu. A primeira coisa que o taxista me disse quando cheguei foi que ele iria pra casa depois da corrida por medo de outra tempestade. Ou seja choveu feio aquela noite. Da boca do diretor do torneio ouvi que a questão foi que com a chuva a rua alagou e a água que drenava pelos ralos da quadra retornava – não dava vazão.

 

 

Quem eu sempre encontro no Rio Open é o Bob Falkenburg III. Pra quem não sabe, e um dia escreverei mais a respeito, o avo dele venceu Wimbledon em 1947. Veio pro Rio jogar um torneio – sim, já tinha torneios por aqui – e se apaixonou por uma carioca. Casou e ficou por aqui. Viu uma oportunidade de negócios e abriu o Bob´s, primeira lanchonete como tal no Brasil, no início dos anos 50. O resto é história.

 

 

Escondidinha na arquibancada, se espremendo na única sombra por alí, a atual campeã do US Open, Flavia Penetta, torcia descaradamente pelo namorado Fognini. Os italianos não escondem a paixão.

 

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Flavia na torcida

 

 

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Brasil Open, Curtinhas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 08:44

Uma festa

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Se eu fosse Hemingway, e delirar é grátis, escreveria que o Rio Open é uma festa. Só que, ao contrário de Ernest, não estou passando fome ou necessidades – pelo contrário.

 

 

O torneio está bombando, o padrão técnico está excelente e o ambiente ótimo. Tem tanto jogo bom de se ver que não tive tempo para conhecer a promenade com lojas e restaurantes. Fiquei zanzando de quadra para quadra e pude acompanhar um pouco de tudo. Fiquei boa parte do dia com a cara contra a tela de alguma quadra.

 

 

Na Central vi o Bellucci fazer aquelas coisas que ele faz mesmo. Um grupo de tenistas e técnicos mencionava o game (6×5) que ele teve 40×0, perto do fim do 2o set, deu aquela famosa curtinha, errou duas direitas de 1a bola, fez DF e acabou por perdeu o game. Mas o Dog retribuiu rapidinho e foram para o 3o set. Belo teve um break logo no início, após o intervalo da chuva, que interrompeu o jogo por 1 ½ hora e fez 2×0. Aí, e não me perguntem detalhes, perdeu seis games seguidos.

 

 

Enquanto os tenistas não deixavam muito barato, ouvi uma família conversando sobre o jogo. A mulher criticava o brasileiro e suas “viajadas”. O marido, mais lógico e ponderado, fez uma veemente defesa, lembrando que jogar em casa, para Bellucci, é difícil porque existe muita expectativa sobre ele. A filha do casal não perdoou; se não aguenta a pressão não consegue jogar tênis. Eu só ouvi.

 

 

Ví também o Thiem administrar o cansaço e vencer bem o Andujar, que é um tenista difícil de se bater. Percebia-se que administrava o cansaço da semana passada. O que a direita do garoto anda é brincadeira. E seu saque quique na vantagem é lindo de se ver e abre barbaridades o oponente.

 

 

Sentei, sozinho na área da imprensa, para acompanhar os dois últimos sets de Almagro e La Nava. Queria ver de perto, entre outras coisas, o grip e o golpe de esquerda do espanhol. Procurava uma inspiração. Almagro tem um tênis bonito, bate sem medo na bola, usa a munheca como poucos e ganhou na marra porque não queria perder na 1a rodada após chegar à final em BA. Mas o que o cara é chato é brincadeira. Ele pressiona o juiz o tempo todo pra ver se, na hora H, o cara entrega algo pra ele. O que não é muito legal. Os dois discutiram bastante durante a partida e no fim a coisa não estava nada boa. Após vitória o espanhol foi fotografar a marca de uma bola. O juiz, Mohamed Lahiany, estava muuuito irritado na sua conversa com outros árbitros já fora da quadra.

 

Vi mais do que isso, mas vou contando aos poucos.

 

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Com a cara na tela vendo Thiem sacar.

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 Juvenis, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro | 12:05

BA foi bom para o Rio Open.

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Assisti parte da final de Buenos Aires. Assim como parte da vitória do Thiem sobre Nadal. Dei uma entrevista ao Gustavo Loio de O Globo sobre o “momento Nadal”. O resumo está lá. Disse um pouco mais. Especialmente sobre como a cabeça ter dado aquela pequena escorregada, algo que notei pela 1a vez no Rio Open do ano passado. Aí emendou as consequentes derrotas, a consequente perda de confiança, e a bola de neve começou a ter momento próprio. Para reverter é uma dureza. Especialmente para um tenista para quem jogar tênis não é sinônimo de habilidade e não é nada fácil.

 
A final, e os resultados, de Buenos Aires foi ótima para o Rio Open e seus fãs. Nadal vem mordido e necessitando de um bom resultado por aqui. E, pra ele, bom resultado é vencer o torneio. Vice serve. O resto nananinão.

 
O Thiem ganhar foi ótimo. Ele não estava na planilha dos favoritos no Rio. Agora está. Como é jovem, duvido que a cabeça aguente outro caminho à final. Mas vai ser interessante de ver. O garoto é muuuito forte, tremendo saque kick e a direita dele é uma “arma de destruição em massa”. Joga contra o Andujar na 1a rodada – lembrem que o espanhol fez a melhor partida já jogada no Rio Open, contra Nadal.

 
Almagro ir à final também é ótimo. O cara é muito talentoso e gostoso de assistir. E volta a ter confiança após quase desistir da carreira, o que deve estar lhe motivando. E a América Latina sempre foi seu celeiro de pontos. Tudo isso é cancelado se ele entrar em um daqueles “momentos almagro”. Será interessante ver se ele “encolherá” ou “crescerá” na possível 2a rodada contra Nadal.

 
Os outros cachorrões, Ferrer e Tsonga, também devem chegar mordidos. Ferrer tem muitos pontos a defender, o que assegura, como se precisasse, seu empenho. Quanto a Tsonga, vamos ver. Pega um convidado – Thiago Monteiro na 1a, e o Cuevas, que é um cascão, na possível 2a.

 
O “ídolo” Fognini gosta do Rio. Precisamos ver ser sua namorada, a atual campeã do US Open, que não joga mais, mas está no Rio, vai deixá-lo focado ou não.

 
Não mencionei os americanos. Isner, tenho minhas dúvidas, à altura do mar. Mas durante o dia seu saque vai andar. Vai precisar brigar muito pra ganhar de gente boa. O mesmo vale para o João Meia, que deve olhar para os torneios por aqui como uma etapa para lhe trazer mais experiência e “casca grossa” necessária para virar cachorrão.

 

 

Tudo promete um bom evento.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Copa Davis, História, Olimpíadas, Rio Open, Tênis Brasileiro | 17:52

Homenagem a um Gentleman

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Não sei porque, mas parece que em tempos de internet a “memória coletiva tenistica” vai ficando mais curta. Tenho quase certeza que seja um fato para todas as memórias coletivas.

 
Todo mundo sabe o que “tem” que saber, mas quase ninguém conhece, com o mínimo de profundidade, a história de nosso esporte que, ao contrário do que muitos acreditam, não começou com Gustavo Kuerten. Está aí a Maria Esther que não me deixa mentir; ídolo máximo do esporte, só caiu mesmo na boca do povo com sua presença nos comentários na SporTV, que não fazem jus ao tênis primoroso que ela jogava, e que a tirou de um injusto ostracismo que ela vivia no próprio país.

 
Se com ela acontece isso, imaginem personagens menos famosos. Volta e meia os eventos brasileiros homenageiam tenistas passados; mas na verdade acabam caindo no óbvio e no que dá mais ibope.

 
No Rio Open, no ano passado, foi homenageado Thomaz Koch, outro que mais do que merece. Gustavo Kuerten, que virou arroz de festa nessas ocasiões, não sem muita razão, também foi homenageado então. Este ano a Quadra Central receberá, como homenagem, o seu nome. Algo mais pro forma, já que a quadra deixa de existir ao término de cada edição. A Quadra Central das Olimpíadas, esta mais perene, também recebeu seu nome. No entanto, os torneios, um momento que arregimenta os fãs do esporte branco, poderiam sair um pouco da caixa, usar a história e a imaginação e ampliar essas “homenagens”.

 
Só de curiosidade, menciono os dois eventos por acontecer. O Rio Open e o Brasil Open. No Rio, o diretor do torneio é o Luiz Carvalho, neto de Alcides Procópio. No Brasil Open, Alcides Procópio Jr, filho do Procópio, é o diretor de marketing da Koch Tavares, empresa que organiza o evento.

 

Para quem não sabe, o que já me causaria enorme surpresa e uma certa indignação, Alcides Procópio é um ícone do tênis brasileiro. Um pioneiro, poderíamos descrever. Foi tenista, campeão brasileiro e sul americano e o 1o brasileiro a jogar em Wimbledon. Jogou Copa Davis e foi capitão da equipe. Foi presidente da Federação Paulista durante muitos anos, criou o Banana Bowl e fundou a primeira industria tenistica – fazia raquetes de madeira. Lembro de ir na sua loja quase 60 anos atrás. Com certeza já foi homenageado, mas nada que eu lembre recentemente. Imagino que seus familiares fiquem, talvez, constrangidos, de o homenagear. Não perguntei. Pois digo que faria muito mais sentido do que algumas outras que aconteceram ou ainda estarão por aí. O Tênis brasileiro é beeem maior do que um ou dois nomes.

 
E por que chego a tudo isso? Esta semana fui surpreendido com a morte de Roberto Cardoso, aos 88 anos. Roberto foi contemporâneo de Procópio e o tenista que iniciou a tradição do bom tênis em Bauru, e no interior de São Paulo, e que Claudio Sacomandi sacramentou com seus ensinamentos. Foi eneacampeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, campeão brasileiro e sul americano por equipes. Esteve no 1o Jogos Pan Americano de Tênis, em 1951, ano em que, aos 24 anos, também defendeu o Brasil na Copa Davis, em parceria com Alcides Procópio e disputou Roland Garros.

 
Por curiosidade, era canhoto e batia seu revés com duas mãos, o melhor golpe de nosso tênis na época (junto com a direita “flat” de Procópio). Não lembro ou conheço um brasileiro que o tenha feito antes dele. Além disso, era um gentleman, dentro e fora das quadras, o que não é pouco. Meu pai, que era ainda mais velho do que ele, era seu fã, assim como eu. Roberto nunca foi ou pensou no profissionalismo. Mas, pela paixão, “cansou” de ganhar torneios nacionais e internacionais de veteranos até alguns anos atrás. Foi-se o Roberto e eu pergunto. Se você não é de Bauru, ficou sabendo?

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:15

Super quinzena

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Este ano será, de longe, o mais interessante para os fãs de tênis brasileiros. Desde os anos 80 e 90, quando o país chegou a ser o 2o a ter mais torneios, após os EUA, que não temos algo nesse padrão. E, atenção, me refiro somente ao quesito eventos, e não às conquistas do jogadores, algo que em 2016 também não começou nada mal.

 

Mas nunca houve um igual e será difícil igualar 2016, já que teremos os Jogos Olímpicos no Rio, o que nos deve oferecer o mais próximo que teremos de um Grand Slam no país.

 

Além desse mega evento teremos, em uma memorável quinzena, o Rio Open e o Brasil Open, em São Paulo. É tênis para ninguém botar defeito. E três semanas depois teremos o Miami Open, que se não fica no Brasil nunca fez muita diferença para muitos fãs brasileiros. É tênis na veia.

 

Já estou com a cabeça no Rio. Estou, de longe, seguindo o que acontece em Buenos Aires esta semana para ter uma idéia do que pode acontecer no Rio. Fica melhor de escolher os jogos quando o Rio vier. Dá para ver quem está embalado ou se embalando, quem está zicado (e agora esse verbo ficou com conotações ainda piores), quais jogos equilibrados que aconteceram lá que se repete por aqui (o que sempre é sinal de “vamos tirar isso a limpo), quem está com vontade e quem parece que só veio passear e pegar a garantia. Emfim….

 

À parte disso, teremos nas quadras do Jockey Club um diferencial não presente em BA que separa os meninos do homens. O extremo e úmido calor!

 

Estava xeretando a previsão do tempo no Jardim Botânico e, até onde se enxerga, fala em 40o ao redor do horário do almoço. Aliás, não me sinto nada confortável com “hora do almoço”, já que essa varia conforme a vontade do freguês. Prefiro “noon” ou “le midi”. Preciso de uma palavra mais bem descritiva. E meio-dia não vale. Ou vale?

 

De qualquer maneira, os organizadores só vão colocar jogos em quadra após as 14.30h. Ajuda, mas não anula o mencionado diferencial. Ali pra ganhar tem que estar bem preparado e querer muuuito. Em um teórico jogo entre Ferrer x Isner eu sou capaz de quebrar a banca!

 

Pelo andar da carruagem, o Brasil Open não ficará tão atrás – este Carnaval ferveu em Sao Paulo. Não é Rio 40o, mas o bicho pega. Correr atrás da peludinha nessas condições, durante umas 3 hs, não é para qualquer um.

 

Mas para nós espectadores será uma quinzena impar. E se não se programarem e acertarem seus ingressos de antemão, depois não adianta choramingar.

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