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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 Rio Open, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:54

Milho pra bode

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Surpresas sempre há. Agora há surpresas e surpresas. Na 2a feira vi o Nicolas Almagro batendo bolas com um qualy. Uma piada. O Almagro foi aquilo que se chama de corta-físico. Se estivesse em quadra com alguém melhor rankeado o cara mandava ele às favas e o deixava falando sozinho. Ele simplesmente ia para winner todas as bolas. O set foi uma piada – ele nao queria trocar duas bolas. Até que estava legal de assistir, porque o cara é muuuito talentoso e pega na bola como poucos. A maneira como usa o pulso é fenomenal.

Ontem quando ele o Dolgopolov entraram em quadra eu sabia que podia acontecer qualquer coisa. E aconteceu. No primeiro set o Almagro jogou como no treino. Entrou tudo e foi 6/2 para ele. No 2o set ele também jogou igual, pelo menos no começo. Aí ele perdeu um game, o foco, se irritou, e como ele gosta de se irritar, começou a errar tudo e colocou o outro no jogo. No 3o o Almagro simplesmente mandou o jogo para o saco – 6/0. Entregou legal. Eu sempre achei que falta um parafuso na cabeça do espanhol. E agora, ele fica a semana inteira para jogar em Sao Paulo? Ou fica doente, toma um aviao para a Espanha e zuzu bem?

Outra surpresa, esta mais agradável, foi a vitória da Teliana Pereira. Ele ficou no jogo, brigou o tempo todo e conseguiu um belo upset, a chamada zebra. Bater a 60 do mundo, a romena Cadantu, com ranking bem melhor do que o seu, de maneira categórica, em dois sets, é um feito a ser guardado e aproveitado com carinho. Pode fazer maravilhas pela confiança, que é o grande diferencial de quem está no seu estágio, na carreira e no ranking. Na próxima rodada ele enfrenta a austríaca Achleitner (ver abaixo).

Apesar de ser a cabeça #2 do torneio nao chega a ser grande surpresa a derrota da Schiavone, um dia campea de Roland Garros. O tempo dela vem passando e suas adversárias sabem e nao perdoam. A espanhola Dominguez Lino, uma baixinha ranheta, nao tomou conhecimento da idade e experiência da adversária.

A Secretária Shvedova continua sendo um mistério para mim, assim como a alma russa, algo que só Tolstoi ou Dostoievski para tentar decifrar. A moça, que abandonou a cidadania russa para, segundo ela, jogar Fed Cup e Olimpíadas, por conta da competição local. A grana, suspeito, deve ter ajudado. Nos treinos ele usa aqueles calçaozoes e camisas características das tenistas de opçao homosexual. Nos jogos ele se veste como mocinha, toda elegante e sensual. Desde 2012 que ela vem jogando abaixo do padrao que eu tenho para ela – atualmente é #79 no ranking. Ontem ela foi eliminada em dois sets pela austríaca Achleitner em dois sets quase apertados. Na arquibancada, o técnico da austríaco tinha, claramente, a agenda de azucrinar a adversária, batendo palmas em TODOS os pontos, incluindo os erros da Secretária – algo para se ficar atento no jogo com Teliana. Schvedova, visivelmente importunada, olhava com carinha de cachorrinho para o algoz – mas em nenhum instante disse uma palavra ou reclamou. E foi uma lady ao cumprimentar a juiza e adversária no final. Há tenistas e tenistas.

Rafael Nadal lotou a Quadra Central logo no 1o confronto. Ninguém quis dar sopa para o azar e perder a chance; como se o Animal tomasse dessa sopa. Com ele nao tem conversa. O oponente pode jogar o quanto quiser que ele acha uma maneira de vencer. Ontem foi assim. O conterrâneo Gimeno Traver jogou muito, levantou a galera e a fez acreditar valer a pena o ingresso. Por mais que as arquibancadas desse uma maozinha, querendo um 3o set, nao teve acerto. Nadal, que está muito veloz – uma brincadeira – brigou, correu, barbarizou, mas nao deixou ter 3o set. Ali nao tem milho pra bode.

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 Sem categoria | 14:06

Novidades

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Aproveito o momento para desejar Boas Festas para todos os leitores.

Peço a atençao de vocês que fiquem sempre atentos a minha página no Facebook: Tenisnet-blog do paulo cleto ou na minha página pessoal do Face: – paulo cleto – para novidades sobre o Blog.

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domingo, 3 de novembro de 2013 Sem categoria | 20:43

C´est la vie.

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Se eu fiquei na dúvida como seria o sono de David Ferrer se sábado para domingo, tenho minha certeza como foi o de domingo pra segunda. Ruim, bem ruim. O cara entrou em quadra com um tática muito bem definida por seu staff técnico e durante a maior parte do jogo a executou com méritos.

Mas o tênis é decidido nos momentos importantes e neste o espanhol naufragou, enquanto o sérvio Novak Djokovic cresceu, se tornando campeao de Paris. C´ést la vie!

Ferrer sacou para ganhar o set no 1o e no 2o set. Nas duas vezes nao conseguiu administrar o emocional e fechar o set. Eu sei que é difícil, é o game mais encrencado do tênis, mas é uma das questoes que separa o campeao dos outros. E hoje Ferrer foi o outro.

Se o espanhol tivesse um saque potente e confiável a história seria outra. Mas SE nunca ganhou nada, pelo contrário. Mas foi interessante assistir a tática espanhola, de abrir na esquerda para atacar o forehand, obrigando o sérvio bater este golpe na corrida. El Djoko miou várias vezes. Será que El Boniton, que enfrenta o sérvio na 1a rodada de Londres, assistiu? E se assistiu vai usar?

Mas a tática exigia bons saques, audácia, e o forehand de ataque na diagonal profundos e na direita down the line, fugindo da esquerda, próximo à linha da lateral. Durante o set a coisa funcionou bem. Na hora da onça beber água o espanhol miou, errou os 1os serviços e centrou seus ataques. Era tudo que o adversário precisava e queria. E assim o espanhol perdeu o rebolado, quatro games seguidos, os sets, a partida e o bi campeonato. C´est la vie 

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sábado, 2 de novembro de 2013 Sem categoria, Tênis Masculino | 20:03

Boquinha

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Alguém tem que me dizer como é que o operário Ferrer vai dormir esta noite e ter a clareza emocional para defender o título de Paris. A lista de ambições nao realizadas que o espanhol tem para sua carreira nao deve ser muita extensa após tantas celebraçoes. Com certeza, após ganhar Paris no ano passado, seu primeiro Masters 1000, era uma delas. Estar entre os top10 e ajudar seu país a vencer a Copa Davis sao metas conquistadas. Chegar ao topo do ranking acredito que nao seja algo que julgue possível, apesar do abnegado ser o atual #3 do mundo, algo que já pode ser classificado como uma tremenda conquista para um tenista com suas limitaçoes técnicas, o que nunca lhe serviu de restriçao mental. Ficamos com conquistar um Grand Slam, difícil, bem difícil, até mesmo em sua cabeça, mas, o conhecendo, nao impossível. Duro mesmo era mesmo seu histórico contra seu amigo e arquirival Rafa, o que lhe impossibilitava de sonhar mais alto, especialmente nos grandes cenários.

Os dois se enfrentaram, antes da semifinal de hoje, 28 vezes, com 24 vitórias de Rafa. Sendo que três vitórias do operário vieram no início da carreira de Rafa e ultima, em 2011, nas quadras rápidas do Aberto da Austrália com Rafa um tanto baleado. Interessante que após essa partida se enfrentaram nove vezes consecutivas em quadras de saibro, todas com vitórias de El Rafa. Se tinha alguma coisa que o operário queria na vida era pegar seu “amigao do peito” em uma quadra rápida, e duvido que tenha alguma mais rápida do que a de Bercy, e lhe enfiar dois sets goela abaixo. Isso ficou, para quem quis ver, claro durante a preleção do juiz de cadeira durante o sorteio, quando ambos tenistas ficaram pulando, um de cada lado da rede e cara a cara, em uma cena que mais parecia uma dança bem ensaiada com promessas melhor nao verbalizadas. Pela intensidade com que pulou por ali Ferrer mostrou que estava com o saco cheio da freguesia. Naquele momento, minha mulher, que é “vamos rafa” até debaixo dágua virou pra mim e sentenciou – “hoje vai dar Ferrer! E vou torcer pra ele”. Êta boquinha linda.

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domingo, 27 de outubro de 2013 História, Sem categoria, Tênis Masculino | 21:56

Wild Side

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Imagino que todos, pelo menos da minha geraçao, tiveram seu momento Lou Reed. Tive mais de um, especialmente por conta do fato que Transformer, por favor nao confundam com o filme idiota onde só se salvam as heroínasé um dos meus discos favoritos, assim como de minha irma Vera. É o “nosso” disco.

Nao lembro como começou, suponho que tenha a ver com uma quinzena que passamos juntos na Ilhabela no início dos anos setenta, época em que o disco foi lançado. Sempre que temos um momento, ela gosta de me dizer para “take a walk on the wild side”. Acho que dei bem mais de um.

Teve uma outra vez, já no final dos anos setenta, na companhia do meu amigo Carlos Kirmayr, que esta semana está na França com sua tenista Paulinha Gonçalves, em que chegamos a Los Angeles no início da noite. Estávamos a caminho de St Barbara e San Jose para um torneio após alugarmos um carro.

Subindo a Santa Monica Boulevard passamos pelo Troubador. Quem nao conhece ou ouviu falar do lugar nao conhece a história do rock and roll. Um local sem grandes pretensoes arquitetonicas que marcou época, muitas épocas, apresentando artistas desconhecidos para o publico do sul da Califórnia, de Elton John, Lenny Bruce e Neil Young, a Eagles, James Taylor e Jony Mitchel, passando por praticamente todo mundo do rock antes de se tornarem famosos e serem condenados a tocar em arenas. No Troubador cabiam no máximo uma 400 pessoas, local parecido com o Bourbon Street em Sao Paulo, o que dava outra dimensao ao show e, especialmente à musica.

Naquela noite, a idéia era chegar em St Barbara e pernoitar na casa de amigos. Mas imprevistos acontecem. Na marquise do Troubador estavam os nomes de Lou Reed e Ian Dury – este eu duvido que conheçam. Sem nenhuma hesitaçao demos meia volta – a famosa e proibida U Turn – a fomos fazer nosso jantar por lá mesmo. Infelizmente, o show de Reed nao estava lá essa coisa – imagino que um artista como ele tenha seus dias ruins também; nao é isso que acontece com Roger Federer? Mas o de Ian Dury e seus Blockheads mais do que compensaram e nos deixaram tao extasiados que acabamos por pernoitar em LA. Nao importa.

Transformer é um dos meus discos favoritos ever e sei a letra de todas suas músicas – de Vicious e Satallite of Love, a Hanging Around e Walk on Wild Side. Reed dedicou sua carreira a andar no lado selvagem da vida, quebrar barreiras e mostrar alternativas – desde os tempos do Velvet Underground. A ultima coisa que vi dele foi um show/documentário com Metallica – uma parceria improvável – cujo baterista é filho de uma famoso, e pra lá de excêntrico, tenista dinamarquês. Lou era casado com Laurie Anderson, outra que nao percorreu exatamente o caminho do óbvio na música.

Escrevo sobre Reed no dia de sua morte e também da final da Basiléia. E o que os dois eventos tem em comum? Nao muito, a nao ser as coisas que minha mente conecta independente de minha vontade. O jogo foi interessante, com Del Potro mais uma vez subjugando o Bonitao Federer -e novamente na casa do oponente, a pior das ofensas.

Quando quis, o suíço usou do slice para silenciar um pouco a artilharia do oponente argentino. Quando nao quis e preferiu o jogo franco e aberto, evidenciou, mais uma vez, que o tempo é implacável. Com todos, cantaria Reed.

Minha mulher adora assistir a cerimônia de premiaçao. Eu havia feito meus exercícios com o sol a pino, passado quase 45 minutos dentro dágua com mais exercícios, almoçado um franguinho e legumes nos trinques, e acompanhara a partida me deliciando com uma salada de frutas divina. O jogo me mantivera acordado, apesar da insistência do Topetudo perder o saque no primeiro game de um set e isso acabar lhe custando a partida. Sim, antigamente ele encontrava uma maneira de escapar, hoje em dia morre na praia. O mundo é cruel, afirmaria Reed.

Com os olhos pesando cada vez mais, ainda tive tempo de me emocionar com a longa salva de palmas que os vizinhos de Roger o presentearam quando recebeu seu prêmio de vice – muito elegante, emocionante e contido. Resmunguei para minha mulher – está cheio de suíço ali. Nenhum mais suíço que El Boniton, que nao piscou, apesar da insistência do narrador em colocar lágrimas em seus olhos, mas acusou, humilde e silenciosamete, a homenagem. Melhor ainda foi a tradiçao dos finalistas em distribuir medalhas a todos pegadores de bolas do torneio – imagino que o momento trouxe interessante memórias ao Ubbercampeao, que por ali também recolheu suas bolinhas quando garoto. O que mais me chamou a atençao foi a emoçao bem administrada da garotada, enquanto Delpo e Federer lhes penduravam a prata no pescoço. Nenhum deles perdeu o perfilar, tal qual uma mirim guarda suíça, nunca tirando a mao esquerda de trás das costas – a direita só abandonava as costas para cumprimentar o tenista – e o olhar adiante. O mundo deles e de Lou Reed nao poderiam ser mais distantes. No entanto, ambos me emocionam.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013 Curtinhas, Masters, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:10

Pim Pim e outras

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O cara entrou nos comentários e mandou ver nas sugestões. Papo disso tá chato e é melhor aquilo outro. Hum, eu pensei, gosto não se discute, mas pauta sim. Bem, não é porque ele quer que vou escrever, mas também não é porque ele quer que não vou. Na verdade, estou adorando o novo formato dos “comentários”. Afastou muito sofasista e mais ainda chatos. Pena que ainda não trouxe todos os que podem acrescentar, mas vários deles estão por ali.

Temos a sugestão de pauta do Marcelo Melo, que entrou para os Top10 de duplas, a da Teliana Pereira, a volta do PimPim Johansson  e o fulano que entregou um jogo porque a federação (tunisiana) mandou (para um israelita).

Sei lá. Talvez para inovar, tá chovendo mesmo, escrevo um pouco de cada. Comentários No Ads – rapidinho.

Estou para escrever sobre o Marcelo já faz algum tempo – e uma hora chego lá. Talvez a pauta se torne o fato de ele e o Bruno irem ao Masters em Londres, a segunda vez que isso acontecerá na história – dois brasileiros se classificando para o Masters de duplas. Sim, em 1983 Carlos Kirmayr e Cássio Motta já estiveram lá.

A Teliana também estou devendo. É que não queria fazer uma matéria fria a respeito dela. Sei pouco a respeito da moça que um leitor atento não saiba. Tenho sim é um enorme respeito pela tenista e o que vem conquistando. Uns dois anos atrás ia jogar um evento de duplas que ela participaria, mas ela estava contundida e não pode jogar. No fundo, quero escrever coisas ainda mais grandiosas sobre a moça.

Esse assunto de federação proibir alguém de jogar contra alguém de outro país é coisa de quarto mundo e/ou país autoritário. A federação da Tunísia se reuniu com o Ministério da Juventude e Esportes e então comunicou o jovem tunisiano, Malek Joziri, para não entrar em quadra contra o israelense Weintraub em Challenger no Uzbequistão. E o Ministério teve a cara de pau de dizer que não se intromete nos assuntos esportivos. Alguns países árabes  insistem nessa tecla – lembram do assunto Shahar Peer e Dubai? Só dá confusão e prejudica o esporte.

O PimPim Johansson. Tenho uma foto de nós dois quando ele esteve no Banana Bowl. O técnico dele de então era meu conhecido e o Banana foi no Clube Pinheiros – bons tempos. Agora, para os meus amigos sofasistas, a pergunta de uno mijão de dólares. Na verdade são duas perguntas: com quem o sueco Jonhansson jogou, e ganhou, a semifinal do Banana, e com quem jogou e perdeu a final. E não adianta vir com eu sabia que não vai colar, pois já falamos mais de uma vez sobre o viking e nunca alguém mencionou os DOIS fatos – a final é mais manjada. Quero ver se sabem é a semifinal. A resposta vai abaixo do vídeo – onde ele mete um ace de 2º serviço no match point em qualy em 2006, após ter ficado afastado das quadras por contusão – para quem quiser pensar um pouco.

 

http://www.youtube.com/watch?v=0zeza9uvscI

O Joachim PimPim Johansson ganhou do Bruno Soares nas semis e perdeu do Roddick na final de 2000.

 

 

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013 Sem categoria | 13:48

Did I win?

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Mr. MalaMurray nao joga mais esta temporada e assim deixará seus conterrâneos na saudades para o Masters de Londres. No entanto, duvido que faça grandes diferenças na bilheteria. Os ingleses gostam de tênis, nao sao só “torcedores”, até pela secura que foram obrigados a viver nos últimos 70 anos. Sabem apreciar o bom tênis. Nas minhas contas, a possível, mas da qual duvido, ausência de Federer machucaria ainda mais. Todos sabem que o suíço, que já está em decadence, acec elegance, faz suas ultimas grandes apresentaçoes e ninguem quer perder a chance de ver o bonitao jogar no seu quase prime contra seus grandes adversários. Sei de alguns amigos brasileiros que já estao com ingressos do O2 nas maos.

Murray passou por uma cirurgia nas costas para corrigir um problema de hérnia de disco e a recuperaçao está mais lenta do que esperava. Sua expectativa é que volte a treinar, pelo menos a parte física, ainda em Novembro em Miami. Mas nada é certo – a nao ser que realmente nao estrá em Londres para o Masters.

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Murray declarou que a primeira coisa que perguntou após acordar da cirurgia foi: Did I win?

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013 Sem categoria | 13:29

Pança

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Não me lembro de outro cara que poderá sentar com seus amigos e contar que bateu os três melhores tenistas do mundo no mesmo torneio. Poderá dizer, enquanto derruba mais uma cerveja, sem grandes riscos de ser contestado, que tinha um dos melhores, senão o melhor golpe de sua época. Poderá contar ainda mais vantagem, afirmando que certa vez, no torneio que reunia os oito melhores do mundo, o campeão foi ele e batendo o BOAT na final. Talvez o álcool o seduza a contar também que chegou a ser o #3 do mundo no ranking da ATP, que conquistou 11 títulos na carreira e que terminou entre os top10 cachorrões em cinco temporadas.

Sendo argentino, apesar de não ser necessariamente um falastrão, talvez se sinta inclinado a apimentar a conversa com uma final de Wimbledon e semis nos outros três G Slams. Mas aí começa a correr o risco de mostrar uma faceta que talvez não seja a sua melhor. A do tenista que poderia ter sido o melhor de sua geração, um verdadeiro campeão, e se contentou em ser um ótimo jogador.

Conheci David Nalbandian, argentino de descendência armênia-judia, no PanAmericano de Winnipeg de 1999, onde era o chefe da delegação, quando ele tinha 17 anos e bateu Andre Sá nas quartas do torneio – perdeu para um americano que nunca mais se ouviu falar. Confesso que ali não vi o que vinha pela frente e sim um jovem com golpes sólidos do fundo de quadra. Três anos depois o garoto estava na final de Wimbledon, uma final que deve lhe atormentar até hoje, perdendo fácil para Lleyton Hewitt, um desafeto com quem teve encardida rivalidade profissional de três derrotas seguidas e depois três vitórias consecutivas, sendo uma de cada no Aberto da Austrália, com Lleyton vencendo 10/8 no 5º set e David 9/7 também no 5º – duas partidas memoráveis.

Em algum momento Nalba decidiu que não queria pagar o preço, caríssimo, de ser o melhor do mundo, apesar do talento e habilidades. Decidiu levar a carreira de ouvido, onde sua pança era o sinal mais evidente dessa característica, jogando melhor quando lhe dessa na telha e não também quando não estava a fins. No meio de tudo isso, arregimentou uma fileira de fãs do seu tênis fácil e partidas montanhas russas, tamanha a mudança de trajeto. A mistura de talento, golpes precisos e volatilidade tem seu carisma.

O argentino vivia um certo conflito entre ser tenista, que por vezes parecia mais uma profissão do que uma paixão, esta sendo mais pelas corridas de carro, aonde se arriscou tanto como driver como dono de escuderia.

A paixão em quadra aparecia com mais certeza na sua competição favorita – a Copa Davis. Dependendo de como estiver a sua alma naquele instante, a Davis deve lhe trazer balões de orgulho ou tremores de angustia. Se, por um lado, liderou a Argentina a três finais, por outro nunca venceu o confronto máximo do tênis coletivo. Duas fora de casa, mas, a mais inesquecível e inexplicável, a de Mar Del Plata, em 2008, perdendo para uma Espanha que, na ultima hora ficou sem Nadal, imaginem o estresse, e foi de Ferrer, Feliciano e Verdasco. Nalba liquidou Ferrer na primeira partida, mas Delpo decepcionou (e botem decepção nisso) frente a Feliciano, e Nalba não conseguiu carregar Calieri (ele também jogou aquém) nas duplas contra Lopez e Verdasco.

Essa deve ser a maior frustração de Nalbandian e de muitos argentinos. Especialmente porque foi em casa e mais uma história de fracasso do que de superação espanhola (que também houve). Os argentinos, supostamente liderados por Nalba, não conseguiram sintonizar o grupo, administrar egos, equalizar a distribuição da grana, sempre a mardita, e que, dizem os argentinos, ser uma das “fraquezas” de David, naquele momento e em outros, como administrando o relacionamento com seus técnicos.

Se Nalda teve na sua esquerda com as duas mãos o que considero um dos melhores golpes ever, venenoso na cruzadinha, abrindo a quadra para o estrago futuro, e o revés milimétrico na paralela, inclusive quando apertado, assim como uma devolução de serviço que ajudou acabar com o tal saque/voleio, especialmente o do Bonitão, outro grande rival (recorde 8-11) e uma direita sólida e onde ninguém fazia festa, o rapaz deixou de viver maiores glórias por não se comprometer com a carreira como os grandes campeões o fazem. Mas, enquanto esteve por aí, foi , quase sempre, uma prazer de assistir, especialmente nos grandes confrontos, quando se motivava, sem perder a característica de acrescentar drama aos jogos, por conta de uma briga interna entre o “eu tenho a força” e o “não quero tanto assim”. Vai fazer falta, de vez em quando.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 O leitor escreve, Sem categoria | 10:25

Apologia à Linda

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Nao é de hoje que o tal Glads confunde minha cabeça. E nao é reclamaçao. Quando muito constataçao. Mais certo     . Desta vez ele nos brinda com um dos conceitos a mim mais bem querido. O de escrever o que quer, sobre o assunto que lhe inspira, criando uma tangente, pequena que seja, no caso bem pequena, com o tênis. Senhoras e senhores, Glads, o (nao) operário.

 

Pois é.
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Ontem venci mais um dia de operário que sou. Lembrei coisas daquelas que vem no cheiro da marmita abandonada numa estufa, das sete ao meio dia, quando ninguém controla a temperatura. O cheiro, dizem, nos remete a mais verdades passadas que a visão ou imagem encarcerada nos labirintos do cérebro. Mastiguei o almoço já vindo cozido de casa, e, então, agora, assado; azar o meu, sina dos mortais, quando tive um tico de tempo a pensar, já enojado da meia bóia.
O cheiro talvez me remetesse nos idos tempos — acho que sim — nos médios tempos pé-lá e pé-cá desse mundo doido, e nós de agora; quanto mais rápido o globo gira, mais pingentes das birutices se agarram na cauda dele. Resumindo, nada me remeteu ao romantismo, ou seja lá, romantismo só meu.
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Ali no cheiro, não me detive nas imagens das mulheres que marcaram época no cinema e cena. Pouco citadas no desempenho, muito pouco no dia a dia, a lembrança da semana me enlodou. Não sei por quais diabos, na ultima em que acessei a internet, lá estavam e estão, ainda, batalhões remexendo e fazendo apologia à Linda Lovelace.
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Nada contra, à época ela me apimentou por uma noite no recurso que pude, mas só. Seria interessante, a cada dia, estamparem, mesmo que uma de cada vez, Scarlett Johansson se dando em “Moça com Brinco de Pérolas”, Grace Kelly em “Ladrão de Casaca”, Rooney Mara em “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, Dominique Swain em “Lolita”, Mary Streep em “Kramer vs. Kramer”, Mia Farrow em “A Rosa Púrpura do Cairo”, entre milhares de jóias outras.
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Ficamos como? Creditamos arte nas performances de becos, que sem palavras, quase, aliviam instintos desgarrados da genialidade e saber? Creditamos arte ao desafogo do instinto nas penumbras?
Pior, daremos créditos ao instinto machadeiro e vazio do Bellucci em prol do tênis, quando?
Estamos, como sempre, perdidos. O tempo cede aos jovens serem de corpo o que puderem. Depois, cumprem compromissos de lendas. E lendas, por favor, nunca favor.
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Lovelace, Belucci…
Ele — Lovelace conseguiu — poderá alcançar a ponta da cauda?

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terça-feira, 17 de setembro de 2013 Copa Davis, Sem categoria | 11:03

Yellow brick road

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Quando escrevo que o tênis é um “jogo”, não de azar, ou sorte, não de força, não só de talento e habilidades físicas sinto que ainda não sou compreendido na medida exata. Tudo isso, e muito mais, faz parte. Mas o principal componente, o amalgama final, são o mental e o emocional, que podem parecer ser a mesma coisa, mas não o são, mas são o que forjam os campeões.

É com tristeza, por ele e por todos nós, fãs do tênis brasileiros, que acompanho, à distância e pela TV, a carreira de Thomaz Bellucci não decolar como poderia e se esperava, pelo imenso talento e arsenal técnico. E agora, em um cenário ainda mais doloroso, regredir e, pior, entrar em zona de perigo.

Este ano foi uma tristeza para o tenista. Poucas vitórias – nenhuma de grande valor, talvez a sobre Isner na Copa Davis, mas o grandão vinha de contusão e estava avariado, e de muitas derrotas, e várias para gente de quem não deveria mais perder.

A contusão no abdômen não ajudou – elas nunca ajudam – e veio em momento crítico, quando começava a temporada no saibro, seu piso favorito e campo de suas maiores conquistas, e após alguns bons resultados, em Miami e Barcelona (ambas 3ª rodada). Na Espanha ele se contundiu, em Abril, e só voltou a competir em Julho, em Stuttgart. Dalí para frente ganhou dois jogos e perdeu dez, incluindo a Davis este ultimo fim de semana, onde não ganhou um set em dois confrontos.

Não há confiança que resista a tanto mal trato. E Thomaz sempre foi um tenista que performa na confiança. Ganhar jogo no estresse, na marra, na briga de rua nunca foi seu perfil predileto.

Não sei quanto a contusão, desta vez no ombro direito, foi causa de suas derrotas na Alemanha. Só posso crer que em nada, se não teria sido irresponsabilidade. Jogar com dores faz parte da carreira do atleta. Incomoda, prejudica, um verdadeiro “saco”, mas faz parte e não pode fazer a diferença.

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Pelo menos à distância, e ela sempre pode enganar, a dor parece ser mais acima do pescoço e, quiçá, no lado esquerdo do peito. É difícil para qualquer tenista sair dos top100. É um massacre emocional, um ultraje jogado à sua cara, uma derrota pessoal, especialmente quando já se foi praticamente Top20, aos 22 anos e uma estrada de tijolos amarelos se abria à sua frente com mil promessas no horizonte.

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