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Arquivo da Categoria Roland Garros

quarta-feira, 28 de maio de 2014 Roger Federer, Roland Garros, Sem categoria | 13:46

Assustador

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O que separa a quadra 17 e a Quadra Suzanne Lenglen é bem mais do que a distância, onde ficam as quadras de treino, entre as duas.

Na SL o publico tem outras expectativas, além de outras acomodações. Ali jogam franceses e cachorroes. Os oponentes são convidados.

Saindo da q17 fui para SL para acompanhar Roger, El Boniton. Afinal não se sabe, como já escrevi, quando será a última vez, só sei que não está muito distante.

O rapaz é impressionante. Em especial contrastando com o argentino nanico que o enfrentou. Roger está cada dia mais mascarado, ou cool, vocês escolhem. Postura e altivez é que não lhe faltam. Além disso é uma elegância ímpar – jogando ou na pose.

O argentino não jogou metade do que jogou com o português Elias. Mas o também este não joga um décimo do que joga Federer.

O suíço continua o mesmo e não vai ser agora que vai mudar. Joga para o gasto. Vai devagar, na maciota. Se o outro se enche de graça aí então ele engata uma terceira e começa a acelerar. E o que a sua diReita anda é uma brincadeira. A esquerda é bonita, mas está cada dia mais frágil aos constantes ataques, já que todos sabem que ali é a mina. Até porque não dá pra ficar alimentando aquela direita.

O argentino nunca se soltou e nunca jogou o que sabe. Vai poder contar para os netos que deu duas curtinhas e três lobos no Federer, mas não vai dar para contar muito mais. Roger, que teve a companhia das gêmeas nas arquibancadas chegou a trocar a camisa no início do 3o set, não por conta do suor – ele não sua, muito menos no frio que fez hoje – deve achar que fez um bom treino para coisas mais sérias que terá pela frente.

Seu próximo jogo é contra o brincalhão Rtursonov, que ninguém, nem ele, sabe como jogará. Pode brigar como um cossaco, mas pode simplesmente pirar e deixar para outro dia.

Eu quando vi que a partida seria mais um passeio do que um jogo puxei o carro e fui para coisas melhores.

Peguei um jogo entre o Berdich e o casaque Nedovyesov, sentado na primeiríssima fila imprensa da Quadra 1, o melhor lugar, de longe, para assistir uma partida em RG que foi a partida do dia. O checo venceu em quatro sets difíceis (após perder o primeiro e se apertar nos dois seguintes). Mas vou lhes dizer uma coisa – assustador!

O que os dois deram de pancada nas coitadas das bolinhas foi uma grandeza. Especialmente o Berdich, que quando viu a coisa ficar preta enlouqueceu e começou a espancar a canarinho. Duvido que alguém pegue tão pesado quanto esse cara. E ao vivo é simplesmente inacreditável. Foi um espetáculo. Só posso dizer que o cara é um animal.

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Roland Garros, Sem categoria | 13:11

Fiasco

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Pior promessa é a que não se cumpre. Fui seco para assistir o jogo do Dolgolpov, contra o Granollers, por que sabia que algo bom podia sair alí. Afinal são dois tenistas fora da caixa que utilizam um reduzido arsenal para incomodar muita gente. E Dog anda em uma fase boa, um bônus bem vindo.

O ucraniano começou demolidor, abrindo dois sets. De repente deixou o outro gostar do jogo e perdeu os próximos dois. Foi quando acusou uma contusão e pediu atendimento. Pouco adiantou e acabou perdendo no quinto. Não sei quanto a contusão teve a ver com a viajada, mas com certeza ele vai dizer que foi a razao da derrota.

Esse jogo aconteceu na quadra 17, uma quadra que até o ano passado era usada esporádicamente e agora, pelo memos na primeira semana, eles estão usando direto.

apesar de ficar lá onde o Judas perdeu aS botas, é a ultima do atual complexo, eles encorparam a arquibancada e ajuda a desafogar um pouco a rodada e o publico. Ali dá pra ver o jogo bem de perto, que era a minha expectativa, mas jogo foi um fiasco.

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Roland Garros | 07:43

E o sol?

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As estaçoes do ano no Europa sao bem mais marcantes do que no Brasil. A coisa se acerta quase como um relógio. Tradicionalmente a primeira semana de Roland Garros, e ultima de Maio, ainda tem um pouco de tempo feio, encoberto, pouco sol e alguma chuva, típicos de Maio. Com uma boa dose de precisao, na segunda semana do evento o clima muda, o sol vem reinar, o céu fica azul e deixa todo mundo feliz.

Esse cenário nao é, como já disse, estranho, mas também nao é uma regra rígida. Já vi boas primeiras semanas, exceçoes que nos lembram dessa ingrata oscilaçao. O problema é que, pelo o que minha memória lembra, esse tempo ruim tem ficado pior nos últimos anos, ou talvez só me irrite cada vez mais.

Esta semana em Paris nao tem nada a ver com o que gosto ou lembro de Paris na primavera. Está horrível, o que, de mais de uma maneira, afeta também o torneio. Além do óbvio problema de interromper e adiar jogos, deixa todos – tenistas e público – na ansiedade sobre o que vai, ou nao, acontecer, além de comprometer a experiencia ParisRolandGarros.

Hoje está mais um dia feio, todo nublado e com ameaças de garoas que podem virar chuvas e atrapalhar os jogos. O pior é que a previsao para amanha é igual e para o resto da semana uma dúvida, já que eles dizem que o tempo estará encoberto, sem se comprometerem com a chuva.

A esta altura já estou entregando a semana a Deus e rezando para que a próxima mantenha a tradiçao e tenha aquele clima maravilhoso, que tanto se aproxima do clima que geralmente temos no Brasil nesta mesma época – um bom sol e céu azul – e que faça a alegria e a festa de todos em Paris e Roland Garros.

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terça-feira, 27 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro | 09:37

Sim, ele pode

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Completando um dia improvável e de ótimos assentos fui assistir, desde o início, a partida de Thomaz Bellucci. Uma partida, como escrevi, ganhavel para Thomaz, e nao por isso fácil para Bellucci.

O brasileiro jogou, durante dois sets, o melhor tênis que já o vi jogar. Sólido, sem erros, explorando tanto suas qualidades como as fragilidades do oponente, alternando ataques, desequilibrando o adversário, cortando drasticamente os erros, enfim, jogando o seu melhor, que é o bastante para enfrentar qualquer um.

E é por aí por perto que reside o maior adversário de Thomaz – ele mesmo. Ele duvida.

O alemao falsoBecker nao começou, de repente, a fazer muito mais do que nos primeiros dois sets. Fez o que um alemao sabe fazer; nao desistiu, pagou pra ver. E, lógico, quando Thomaz falseou ele aproveitou – e o jogou mudou.

Em nenhum momento – com a exceçao de um game no 3o set – se pode dizer que Thomaz jogou mal. Acontece que Thomaz, como muitos tenistas, e ao contrário de alguns poucos, tem que jogar o tempo todo com a confiança lá em cima. Aí ele é um enviado dos infernos para seus adversários. Um tremendo de um saque, uma direita avassaladora, um revés que melhorou barbaridades, tanto na cruzada, que ficou perigosíssima, como na paralela, aonde nao tem mais aqueles pensamentos tolos de nao usar o slice (um de seus grandes progressos táticos e que lhe aliviou inúmeros erros nao forçados que cometia quando sob ataque), bons e confiáveis voleios curtos. Ou seja, um arsenal de respeito.

O seu inferno é que quando ele se desvia mentalmente de sua trilha, cometendo alguns poucos erros, o que, convenhamos, é quase inevitável, a nao ser que se trate do um Nadal, Thomaz nao se perdoa com facilidade. Ele permite que o diabao lhe venha infernizar a vida, mexendo com sua confiança, o maior bem que um tenista pode ter – e por isso algo que deve ser protegido, como o rei no xadrez, com todas as forças.

Ontem, após perder dois sets, que poderia ter ganho, Bellucci deu um sério passo à frente em sua carreira. Foi no fundo de sua alma e resgatou-a do chifrudo, levando-a ao altar da confiança, o que lhe permitiu a voltar a jogar o seu tênis original. E que festa ele o é. Um tênis agressivo, arrojado, audaz, insistente no ataque. Nesse cenário Thomaz mostra seu melhor e acua os oponentes. Na hora que o brasileiro aceitar que, como dizem os americanos, shit happens, e aprender a colocar isso de lado assim que acontece, e focar no que de ótimo sabe fazer, conseguirá ser um tenista temido tanto pela agressividade como pela consistência, que é o almálgama que mantém todas as qualidades tenisticas vivas e trabalhando. Tudo que Thomaz precisa é trazer para si um pouco mais daquilo que o tal Obama soube tao bem vender para se tornar o homem mais poderoso do universo; yes, I can!

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Roland Garros, Tênis Masculino | 09:05

Duas zebras

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Quase nao fui a Roland Garros ontem. O tempo estava horrível e havia sérias duvidas se aconteceriam as partidas. Mas como as promessas de jogos eram boas terminei por ir. Ainda bem.

Pude ver o Nishikori – sentado na 1a fila da Quadra 1, um dos melhores locais para a imprensa em RG – que de repente se tornara um dos favoritos, correndo por fora, ser derrotado de forma surpreendente pelo Klizan, um tenista que esteve no Brasil. Após quase levar o 1o set, no TB, o japônes sumiu em quadra. Ele mesmo confessou que se tivesse vencido o 1o set a história poderia ter sido diferente. Quem sabe? Ele vinha de uma contusao na final de Madrid, ficou sem jogar pontos e sacar por duas semanas, o que mexeu com seu ritmo. Mas só um deslize mental explica quase levar o 1o set e depois fazer dois games em dois sets. E para deslizes mentais nao há desculpas.

O mesmo raciocínio serve para Stan Wawrinka, de quem se esperava tudo e mais um pouco em RG. Afinal, o cara venceu o ultimo GS e vinha jogando em um nível diferenciado. Acompanhei o jogo também em excelente lugar, a convite do Braguinha, quase nonagenário e assistindo tudo o que é esporte mundo afora, onde dava para ouvir o suspiro do tenista e suas mais sutis expressoes faciais.

Melhor do que qualquer coisa que escreva para explicar a surpreendente derrota do #3 do mundo, para um espanhol perigoso no saibro (Garcia Lopez), sao as palavras do suíço a respeito. “Eu preciso montar o quebra cabeça novamente. É um novo cenário – ter vencido um GS e ser #3 do mundo – e eu ainda nao consegui por as peças nos lugares corretos.” Para bom entendedor meia palavra basta. Estas do Stan explicam o que há para explicar. Nao ajuda como desculpa, já que ele teve tempo para fazer a equaçao. Mas esta sempre foi a fragilidade desse tenista de tênia maravilhoso e que faz a cabeça e o coraçao de qualquer amante do tênis. Mas é tambem a diferença entre ele, assim como muuuitos outros, e os cachorroes, aqueles que vivem com a pressao semanalmente por mais e mais grandes resultados e sempre encontram uma soluçao em seus interiores. Esses sim os diferenciados, grandes jogadores e grandes campeoes.

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segunda-feira, 26 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 08:30

A mulher do tempo

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Depois do dia de sol ontem, onde me queimei todo assistindo uma partida na quadra 17, onde Jaime Oncins, agora técnico, pagava seus pecados como jogador, o dia de hoje apareceu chuvoso. E nao há coisa pior do que a mistura de chuva e tênis; é igual a água e óleo. E logo hoje, um dia de festa em quadra, com jogos para todos os gostos e de todos os níveis.

Só de brasileiro teremos dois, os dois que temos – Bellucci e Teliana – o que já nos deixa a dois passos de nao termos mais ninguém nas chaves de simples. Apesar de que acho que ambos têm ótimas chances de vencer seus jogos. O alemao Becker nao é nada demais, especialmente no saibro, enquanto que a tailandesa Luksika tem o ranking pior do que a brasileira. Como jogam na mesma quadra, a #5, a torcida canarinho nao vai precisar sequer se mover para acompanhar.

Tudo isso se o tempo permitir. Isso porque os jogos começariam, atrasados, às 12h locais, 7h no Brasil, e a partir desse horário, pelo menos segundo os prognósticos, as chances de chover, muito mais uma garoa forte, aumentam bastante às 15h, até umas 18h, horário que deveria acontecer os jogos dos brasileiros, o 3o e o 4o; sendo o do Belo antes, isso após dois jogos femininos. No fim da história, deve ser um dia estressante, para tenistas e público. O pior é que só melhora mesmo na 4a feira, sendo que sol só na 5a feira, com chances de chuvas novamente no Domingo. Mas quem põe a mao no fogo pela mulher do tempo?

12:30 E todos os jogos em quadra.

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domingo, 25 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Masculino | 20:45

Coincidências?

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Se é para falar de jogo de tênis, o melhor que aconteceu nesta Domingo, primeiro dia de Roland Garros, morno como ele só, tenho que ficar com dois daqueles jogos atípicos, e típicos de Grand Slam, quando a parada é decidida em 5 sets – nem mais, nem menos.

Como coincidências acontecem, mas nao tao longe da árvore que dá o fruto, os protagonistas foram o Gala De Praga Stepanek e o Soldado Youzhni, dois tenistas, digamos, diferentes. Dois personagens. E o que eles aprontaram no Domingao?

Bem, os dois perderam os dois primeiros sets, contra tenistas teoricamente mais frágeis, mas também nem tanto. Até porque as duas peças já sao um tanto entrados nos anos; Youzhni com 32 e Stepanek com 36.

Os adversários – o espanhol Busta e o argentino Facundo – sao bem mais jovens e, consequentemente, se a mesma experiência. E foi essa qualidade que fez a diferença nos dois jogos, repletos de alternativas, emoçoes, idas e vindas, frustraçoes e alegrias. Os dois adversários abriram 2×0 em sets e deixaram escapar. Ou seria mais justo dizer que os dois veteranos souberam como escapar e virar o jogo?

De qualquer maneira, por uma daquelas coincidências, e elas acontecem, os malucos se enfrentam na 2a rodada. E nao dá para apostar um Euro em um ou outro.

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Roger Federer, Roland Garros | 09:37

Um ano

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O primeiro jogo do dia na q central, entre Radwanska e Zhang, esteve às moscas. Mas bastou Federer entrar em quadra, mesmo com o ruinzinho Lacko, para os donos de seus assentos invadirem a Philippe Chatrier. O elegante suíço veio com sortes e detalhes na camisetas na cor saibro, uma homenagem dele é da Nike ao evento.

Na verdade, cada vez que sento aqui e vejo o suíço jogar imagino que pode ser a última. Mas espero que não seja e que demore, porque o tênis é lindo, o publico respeita e adora e vai fazer muita falta.

raonic está na quadra S.Lenglen batendo o jovem e esperança australiana Nick Kyrgios. Mas estou mesmo de olho no jogo seguinte, onde a Venus Williams, que anda mais pra lá do que pra cá, enfrenta a jovem suíça Bencic, que esteve no Brasil vencendo a Fed Cup, mas que eu me lembro éenfrentando Bia Maia aqui em RG juvenil. Bia teve chances de vencer o jogo em 3 sets mas não conseguiu fechar.  A moça, ainda 17anos, já é #80 do mundo! Bia não jogou no 2o semestre, voltou àsquadras em Janeiro, teve dificuldades e nao jogou o qualy dr RG. pela idade ainda poderia jogar o juvenil em Paris.

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sábado, 24 de maio de 2014 Roland Garros | 16:00

Na garoa

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A sexta-feira é o ultimo dia do qualy, o que deixa o sábado como um dia diferenciado, quando pouco acontece em Roland Garros – a chave principal só começa no Domingo. É um dia reservado para a tal Festa da Garotada, um passo à frente do que acontecia aos domingos, quando o publico pagava um preço simbólico para ver os tenistas jogarem um set profissional (até 9) que mais servia de um bom treino para a competiçao. Agora é uma festa com música, DJ na Central, malabaristas, partidas totalmente sem competitividade e a garotada urrando pelo local. Este ano, para o sábado ficaram ainda dois jogos do qualy masculino, que só nao aconteceram por conta da chuva, mais uma garoa forte, que atrapalhou um pouco a programaçao.

Uns poucos anos atrás os franceses inventaram mais um maneira de cacifar com o torneio. Os jogos de qualy vinham sendo de uma indefiniçao de dar gosto. Era no clube principal, foram para o Jean Bouin, que é a poucos quarteiroes de distância durante anos, voltaram para Roland Garros após a construçao da Suzanne Lenglen e quadras adjacentes. Até uns três ou quatro anos atrás eram gratuitos e agora começaram a ser cobrados. Mas o pior é que além de cobrar eles fecharam uma parte do clube, onde fica a Central e várias outras quadras, incluindo a Praça dos Mosqueteiros, e só deixam o público entrar a partir da antiga quadra 11 e as que ficam atrás da Suzanne Lenglen. As primeiras, as fechadas, sao exclusivas para treinos dos tenistas que estao na chave principal – sendo que muitos sao mandados para outros vários clubes para treinar, já que nao cabem todos em RG.

Na Quadra Central e nas Quadra 1 e 2 treinam os cachorroes e as cachorronas, O resto, bem, é resto. Na sexta feira, já no fim da tarde, eu sentei em uma vazia Quadra Central para uns momentos de descanso das pernas e das costas e acompanhei o treino entre El Djoko e o seu amichelo, o Gala de Praga. Para nao dizer que a quadra estava totalmente vazia, do meu lado do Estádio só eu e minha mulher. Do lado direito ninguém. Do lado esquerdo, no camarote dos tenistas, Andre Sá conversava, o mineiro é um ótimo papo, com o ex técnico do MalaMurray (antes do Murray) e mais um amigo, e do lado oposto um mar de pegadores de bolas, convidados para acompanhar o treino na quadra principal.

Dentro da quadra tinha mais gente do que nas arquibancadas, sem contar os pegadores. O Gala estava com seu técnico, mas El Djoko enfiou logo quatro para pegar bolinhas. Estavam lá o Vajda, o Becker e o preparador físico e o terapeuta. Vajda ficava no fundo, atrás do pupilo. Becker na lateral, ao lado da cadeira do juiz. Os outros dois se espalhavam. Nao dá para dizer que um opina mais do que o outro, apesar de se ver que Becker ainda nao está a vontade em pegar as bolinhas. O fisio, que tem uma cara de insano de filme de suspense, era o mais à vontade. Chegou a bater palmas para o Gala, quando este deu uma passada de direita na corrida no seu pupilo. O treino estava bem solto.

Quando era umas 17.20h apareceram no fundo da quadra, na saída do vestiário, o venezuelano amiche do Murray e o preparador do escocês. Logo depois apareceu o Ferrer, finalista do ano passado. O espanhol parecia indócil para entrar em quadra. Quando eram 17.27h apareceu o MalaMurray e o grupo ficou alí esperando o sérvio terminar seu treino.

Esse negócio de horário de treino é coisa super séria. Ninguém abre mao de um minuto de quadra e é extremamente mal visto entrar em quadra antes da hora. Assim como é ficar 30 segundos que seja a mais. Já vi confusoes feias a respeito.

Pois às 17.30 Djoko dá pancada na paralela, seguida de uma curtinha, solta um grito que ecoou pela quadra vazia, enquanto o Gala dá um pique em direçao à rede, sem chances de chegar na bola, aproveita o embalo, pula para o outro lado e acaba nos braços do amigo.

Como para celebrar o fim do treino uma garoa sem vergonha começa a cair. O grupo de Murray e Ferrer começam a dar os primeiros passos em direçao à quadra, só para serem passados, na corrida, pelo pessoal da manutençao das quadras. Dá para ver que estes apontaram para o céu e correram para o fundo oposto, onde pegaram a lona plástica como enorme selo de Roland Garros, para a surpresa e a frustraçao do espanhol e do escocês. Murray ainda esboçou falar algo, mas os caras já estavam com um dos lados da quadra coberto. Os dois tenistas recolheram seus respectivos asseclas e voltaram para o vestiário.

A chuva, mais uma garoa nem tao forte, nao durou muito. Como só escurece lá pelas 21.30h eles ainda descobriram quadra novamente. Mas, a esta altura, Murray e Ferrer já tinham perdido seu horário na Central. Só lhes restava se contentar com uma quadra secundária ou reclamar com o bispo.

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terça-feira, 20 de maio de 2014 História, Minhas aventuras, Roland Garros, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:34

Roland Garros 2014

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Arquivei a ambiçao de contar quantas vezes fui a Roland Garros. Provavelmente mais do que a maioria dos meus leitores tem de anos de vida. Provavelmente mais do que a qualquer outro Grand Slam, mas nao muito, já que meus compromissos de entao nao se resumiam a ele. Confesso que a minha atual ida ao Aberto da França, embarco amanha para Paris, tem outros componentes que, com o passar do tempo e as mudanças de foco em minha vida, foram adquirindo, com a minha mais feliz permissao, mais e mais importância. Se antes eu ia para Roland Garros e Paris era somente o local do evento, hoje vou a Paris e aproveito para curtir Roland Garros.

O evento mudou muito nos últimos anos. Infelizmente nem tudo para melhor. Temos mais estádios, o que acolhe um publico bem maior. Porém essa é também a razao do enorme desconforto de se acompanhar o evento em suas quadras secundárias.

Antigamente, o melhor programa, esse sempre foi minha indicaçao aos amigos e fas, era acompanhar a primeira semana do torneio nas quadras secundárias. Na segunda semana, os jogos eram mais focados nas quadras principais, ainda com o bônus do evento juvenil nas secundárias, algo imprescindível.

Como na primeira semana acontecem vários jogos inexpressivos nas principais quadras – a Central, S. Lenglen e Quadra 1 – o pessoal que tem ingressos para elas debandam para as quadras secundárias que é onde o bicho pega. Sao potencialmente mais de 25mil pessoas para quadras com arquibancadas mínimas. Como nao cabem todos, temos filas ou simplesmente desistimos. Um inferno.

Os organizadores tentam acertar o desejo do público colocando nas quadras principais os tenistas locais e os favoritos. Agora, quem vai querer assistir mais um massacre da Serena ou o Gilles Simon empurrando bolinha para o outro lado? Nem de graça. Por isso, nos primeiros dias a Central e S. Lenglen tem mais o pessoal que nao necessariamente gosta de tênis e sim de um buxixo, quem quer conhecer a quadra, fanáticos franceses ou grandes fas da Serena e do Simon. Enquanto isso, lá nas outras inúmeras quadras tem aqueles pegapracapar que acontecem nas primeiras rodadas dos Slams, jogos resolvidos em 5 sets dramáticos disputados por tenistas de padrao internacional, que fazem a cabeça e o coração dos fas do tênis. Alí está a essência de Roland Garros O duro é conseguir um assento.

Quinze a vinte anos atrás era mais tranquilo. Eu podia sentar na Quadra 6, assistir dois sets de um jogao, sem um fulano metendo o joelho nas minhas costas ou eu esfolando o meu no assento plástico da frente, levantar, caminhar à alameda de acesso, pegar um hot dog e um sorvetao, voltar para o meu lugar e fazer a maior festa com meu lanchinho. Hoje, se levanto, adieu. Por isso, cuidado até com o xixi.

Mas o evento tem inúmeras qualidades, foram feitos alguns investimentos que ajudaram a vida do público, as inigualáveis partidas no saibro e a possibilidade de acompanhar partidaças a poucos metros dos tenistas – desde que nas quadras secundárias. Mas, para mim, cada dia mais o grande charme do evento, e que sempre foi um tremendo diferencial, é o fato de acontecer em Paris.

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