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Arquivo da Categoria Roland Garros

quinta-feira, 23 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Masculino | 12:04

Noah

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Como os meus leitores gostam das minhas historinhas, decidi publicar algumas colunas do passado para colorir ainda mais a cobertura de Roland Garros. Começo hoje e, conforme for, vou usando o expediente através do evento. É uma maneira de levá-los através do túnel do tempo, misturando passado e presente, e contar um pouco de minha história com a de Roland Garros. Começo com uma das primeiras publicadas no Jornal da Tarde em 1996, um ano antes de Gustavo Kuerten vencer em Paris pela primeira vez e assim, finalmente, o público brasileiro se ligar no evento.

Prometendo ser a última vez em suas carreiras, Yannick Noah e Henri Leconte entraram na Quadra A para jogar a primeira rodada de duplas. Noah, atual capitão da equipe de Copa Davis, foi o ultimo francês que venceu Roland Garros, em 1983. Figura exuberante, filho de uma francesa e jogador de futebol de Camarões, trouxe a ginga africana para o tênis para o delírio dos franceses.

Fã do Brasil, especialmente sua gente e música, é amigo dos jogadores brasileiros assim como de Gilberto Gil. Convidado ao torneio de Itaparica como espectador, jogou, e bem, futebol todos os dias. Do tênis ficou longe. É bom nos dois esportes, graças a uma incrível força e habilidade física. Faz o maior sucesso com o público feminino pelo físico de guerreiro e um feliz casamento de garra, audácia e charme que esparramava pela quadra.

Ontem, infelizmente, havia uma grande diferença entre o que podia oferecer, e o público, seu exigente aliado, clamava. A técnica, a explosão, e o ritmo não estão mais lá, mas a admiração do público sim. O congraçamento dele, Leconte e o público, através das brincadeiras e risadas mostraram qual era o real significado da presença de ambos na Quadra A.

Os dois adversários, Tarango e Delaitre, nem que fosse combinado poderia ser um par tão perfeito de adversários do dois mosqueteiros. Antipáticos, sempre causando problemas com jogadores, juízes e o público, são dois mal amados que definitivamente tiveram que fazer a cabeça para o jogo. Quietos e passivos jogaram um tênis burocrático e deixaram todas as brincadeiras, comentários e o show para quem sabe. Ganharam, mas não levaram.

Levando o jogo para o terceiro set, Noah e Leconte ainda fizeram o público acreditar, mas eles mesmo não pareciam convencidos de que poderiam ganhar. No final, fiel a fama de “showman”, Noah fez as dez mil pessoas cantarem e aplaudirem.  Agradeceu e saiu rapidamente da Quadra Central pela última vez. Já eram 19hs e tinha outro compromisso importante.

No Hard Rock Cafe, tenistas, homens e mulheres, esperavam pelo astro da noite, o mesmo Noah, agora transfigurado em cantor. Com dois CDs no mercado; Carlos Kirmayr tem um deles e me assegura que o cara é bom. Enquanto comiam uma comida horrível, que perpetua a fama da cozinha americana pelo mundo, aqueles que já perderam iam tomando suas Heinekens.

Antes de Noah, um sueco menos cotado, com ajuda de um baterista e Kirmayr no baixo emplacavam Dylan e Neil Young. O Café, repleto de fotos e souvenirs de rockeiros, estava lotado. Além dos tenistas, o publico que sempre consegue convites para tais festas; modelos, starlets, socialites, todas querendo uma casquinha dos jogadores.

Na rua muita gente tentava, sem sucesso entrar, viu quando Noah chegou. Logo estava no palco cantando, para a felicidade do jovem Gustavo Kuerten, sucessos do ídolo do tenista catarinense, Bob Marley. Um time de sul americanos formava na frente do palco o grupo mais animado. Dançando só ou acompanhados, divertiam-se a valer. Quase todos solteiros e cheios de amor para dar, empolgavam as modelestes francesas que sempre tiveram um fraco pelo exótico charme sul americano.

Após varios “reggaes”, Noah anunciou; “maintenant, musica para a gente branca”. Mandaram ver em alguns “Rock’nRoll” e finalmente cederam lugar para a próxima estrela da noite. Ricardo “Pardal”Accyoli, técnico de Fernando Meligeni e ex jogador, canta e toca guitarra bem. Com Peter Lundegren, tambem ex jogador e atualmente pagando seus pecados como o mais recente técnico de “Chino” Rios, na bateria e Kirmayr no baixo. Pardal segurou bem o show para o público que já estava alegre e aceitando todas. Yannick voltou ao palco para o grand finale, cantando, em dueto com o brasileiro, o sucesso dos Beatles “twist and shout”. Quase duas da manhã, os tenistas esperavam por taxis para voltar para os hotéis. É a única hora que eles não tem direito a um dos 90 carros e 230 motoristas a sua disposição – apesar de que sempre tem um ou outro “jeitinho”.

Yannick Noah, como tenista, cantor e pai, do pivô dos Bulls na NBA.

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Roland Garros | 10:43

Granizo

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Preciso chegar logo para por ordem nas coisas em Paris. A cidade ainda não entendeu que é primavera e que lá, como cá, deveria ter céu azul e sol gostoso nesta época. Não estou gostando nada e já vou mandar email para o Pedrão a respeito. Enquanto isso, El Boniton postou uma foto que tirou com seu celular do piso da Quadra Central. Isso aí embaixo são granizos sobre o saibro, que interromperam, por instantes, o seu treino.

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Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 01:07

Inconfidência

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Imagino que Thomaz Bellucci deve estar frustrado, quase deprimido. Não só sua temporada no saibro passou sem algo digno de nota, o que é um tormento para quem depende tanto dos resultados na terra, como agora ele fica de fora da hora máximo da temporada do saibro europeu. As contusões sempre foram o fantasma dos atletas e não há nada que se diga que possa confortar um esportista afastado de seu esporte por conta de uma contusão. A de Thomaz é em músculo no abdômen, que começou no penúltimo ponto de sua vitória sobre Tursunov em Barcelona, e que ainda não cicatrizou. Ficam aqui meus desejos do mais rápido retono às quadras ao nosso tenista.

Hoje Teliana Pereira volta às quadras enfrentando a canadense Staphanie Dubois. É preciso ganhar três jogos para passar o qualy.

O mineirinho Bruno Soares voltou da Europa para receber, ontem, quarta-feira, a Medalha da Inconfidência, a mais alta comenda entregue pelo estado de Minas. Agora vai para Paris. As duplas só começam na 3ª feira.

Amanhã, 6ª feira, tem o sorteio das chaves. Quando a maioria de nós acordar os adversários da 1ª rodada já serão conhecidos.

Martina Hingis volta a Paris, desta vez como técnica da russa Pavyliuchenkova, uma jovem (21 anos) tenista que já foi #13, despencou e, sob a direção da suíça chega a #19. A russa é uma das mais promissoras e mais instáveis tenistas do circuito. Vamos ver se a baixinha Hingis faz a cabeça dela.

Todos os ingressos das três principais quadras de Roland Garros já foram vendidos. Para quem vai e não tem ingressos, ainda há uma chance, tirando os cambistas, bien sûr. O site www.rolandgarrosviagogo.com é o único lugar autorizado para aqueles que têm ingressos venderem. E as vendas são pelo preço original.

Parou de chover, mas o tempo em Paris continua uma droga. Domingo melhora.

El Rafa já está treinando em Roland Garros.

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quarta-feira, 22 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Masculino | 01:38

In loco

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Caros leitores, não sei vocês, mas eu vou para Paris, para Roland Garros. Faz alguns anos que não acompanho o evento in loco; desde que comecei a fazer os comentários ao vivo pela TV em 2006.

Não era exatamente o meu plano A. Fui tantos anos a Roland Garros que queria mudar de ares e assunto. Mas, “aconselhado” pela minha mulher, desta vez vou em outro clima – sem grandes obrigações. Vou curtir o torneio, a cidade, a família e dividir isso com vocês da melhor maneira. Vou ter que achar o tom. E vocês vão poder me ajudar, dando suas opiniões e sugestões durante o evento e a cobertura.

O evento, que é bem maior do que se imagina à distância, já começou – O Qualy iniciou ontem e só resta um brasileiro na chave; João “Feijão” Sousa. Só para vocês terem uma ideia das dificuldades, estão no qualy tenistas como Volandri, Bogomolov, Darcis, Stebe, Devvarman, Ginepri, Capdevile, Golubev, Gabashvile, Sock, Kunitsyn, Berrer e um bando de jovens que querem um pouco do bem bom de um Grand Slam.

A chave principal será feita na 6ª feira, a partir das 6.30h da matina. Já se sabe que Murray e Del Potro não estarão nela e que o Wawrinka ainda não confirmou presença. Reza a tradição que os campeões do ano anterior fazem o sorteio. Rafa Nadal e Maria Sharapova já sabem o que fazem nessa manhã. Aliás, a russa confessou que Dimitrov a está fazendo se sentir mais jovem. O amor é lindo. Nenhuma palavra de Rafa sobre Xisca.

O tempo está horrível em Paris, com chuvas esparsas e ausencia de sol até sábado, o que tem atrapalhados os jogos. Assim que eu chegar, muda.

O tenista Simon Greul esperando a chuva passar.

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terça-feira, 21 de maio de 2013 Roland Garros, Tênis Masculino | 08:00

Silêncio

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Bem, se Roger Federer não achou importante a final de Roma, não seria eu que iria contradizê-lo. Aliás, o meu silêncio sobre a final foi a minha afirmação a respeito. Escrever sobre Rafael Nadal per si é quase uma redundância, sem um adversário à altura do outro lado uma desnecessidade.

Alguém aí perguntou qual o papel do Annaconne como técnico do Federer. Não sei dizer. Vi no início da partida uma ou outra tentativa, das mais mixurucas, de Federer em tentar alguma fórmula tática. Mas o cara estava tão fora do jogo que no primeiro fracasso largou mão. E o que ele esperava? Que Nadal viesse para quadra sem estar preparado para cada alternância tática. Então ele não sabe que o espanhol, ao contrário dele, é um tenista extremamente disciplinado, inclusive tática e estrategicamente? Se quer ganhar do Animal, especialmente na terra, tem que jogar tudo e mais um pouco. E Federer só jogou muito pouco.

As vaias ouvidas no Foro Itálico dá uma ideia de quem ninguém está imune a elas ao desrespeitar o público pagante. Já escrevi sobre isso aqui. Deve ter sido uma das raras vezes que o suíço passou pelo desconforto, ele que é idolatrado mundo afora. Até entendo que enfrentar Nadal com dores deve ser horrível – mas não é uma desculpa.

Agora uma parte dos pros vai para Nice e outra para Dusseldorf. Aqueles com maiores pretensões em Roland Garros ficam fora desses eventos – existe um histórico que aqueles que vão bem na semana anterior nunca jogam o seu melhor nos slams. Os big dogs vão mais cedo para Paris, que oferece todas as facilidades aos tenistas, e começam a focar no mais difícil dos Grand Slams.

El Boniton largou o jogo muito cedo.

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domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

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É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

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