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segunda-feira, 6 de junho de 2016 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:59

Roland Garros – os finalmente.

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A venezuelana/espanhola Muguruza entrou no meu radar aos 18 anos, no Aberto de Miami, quando, graças a um convite, na 1a rodada eliminou a Vera Zvonareva, que aliás sumiu. A moça ótimos golpes – parece saída de um livro de ensino – e tem um corpo perfeito para jogar tênis. E vem fazendo ótimo uso de tal presente de Deus. Já é a #2 do mundo e seria uma surpresa se parar por aí.

Mugu perdeu o 1o set em Roland Garros, para uma menina (Schmedeliova) que vi no juvenil dois ou três anos atrás bater uma brasileira, virou o jogo, engatou uma quarta e ninguém mais segurou. Jogou de igual para igual, inclusive na pancadaria, com a Serena. A americana jogou o seu melhor? Não. Mas os créditos vão para a nova campeã que soube administrar o emocional e soltar seus golpes, inclusive, e especialmente, nos momentos tensos, o que conteve os ímpetos williamsnianos. Não foi fácil sacar para o título, depois de perder 3 ou 4 match points no game anterior. Ela vai lembrar para sempre lembrar do game, em especial a incerteza da decisão do último ponto – nada como ter boas memórias para o resto da vida. Fechou como uma verdadeira campeã, o que não é para qualquer uma.

Antes da final masculina havia um certo suspense sobre o resultado. Murray vinha de um título em Roma e jogando bem nas ultimas partidas em RG. Mas, importante para entender a final, jogou pedrinhas nas duas primeiras rodadas, passando por extremas dificuldades onde não deveria.

Djoko estava determinado a vencer este ano. Fez marketagem nas duas semanas. Só faltou entrar em quadra com a melancia. O cara adora causar, mas é pouco criativo. Desenhar o coração após a vitória, a marca registrada de Gustavo Kuerten, mesmo “pedindo autorização” (não achei que o Guga ficou lá muito feliz com a farsa) foi de muito pouca criatividade. Na pior das hipóteses deveria ter se atido a “jogar coração” com os boleiros, como fez nos outros jogos. Enfim, o público comprou e, pela primeira vez, torceu por ele em uma final de Grand Slam. O que já não era sem tempo!

O jogo foi aquém das expectativas – pelo menos as minhas. Final nervosa, tensa, com ambos jogando abaixo do que sabem. Não é incomum, mas esperávamos mais.

Murray aproveitou a surpreendente paralisação, mental e técnica de Djokovic, para crescer e vencer o primeiro set com categoria e coragem.
A partir do início do 2o set Murray foi para alguma longínqua galáxia. Voltou a ser o MurrayMarrento, pensando na morte da bezerra, falando barbaridades entre os pontos, dava para ver a cara de mau humor do presidente de Wimbledon, o inglês Philip Brook, sentado na 1a fila e ouvindo as ladainhas da baixo calão do escocês, ao invés de focar em vencer o título. Durante quase três sets foi nulo. Dava pena. Quase raiva. Djoko, mesmo hesitando, foi entrando em jogo, mais pelos erros do outro do que por sua determinação. Só foi se soltar, e ser o que é, no 4o set, quando abriu uma grande vantagem e ficou claro que o Murray entregara para o Lord.

O escocês (britânico só quando ganha!) só voltou a jogar com desprendimento, porque aquilo não é coragem, quando ficou claro que iria perder o jogo – no 2-5 do quarto. Sem mais nada a perder voltou a atacar e incomodar. Mas aí não conta, mané. O certo é fazer isso quando ainda tem jogo! Mesmo assim, Djoko, que ainda assim não estava tão certo das coisas, quase vê sua vaquinha francesa trotar para o brejo. Fechou no apagar das luzes, quando o jogo se complicava novamente.

Mas o fato é que fechou e ganhou. E isso que conta. Hoje e pelos próximos 1000 anos. Depois eu não sei.

Mas não vamos esquecer um detalhes très important. O cara venceu, com o título, quatro grand slams seguidos, o que já é um feito de se tirar o boné (alguém ainda tira o chapéu?). Federer e Nadal devem estar aumentando as rezas, vendo o servio se aproximar de seus recordes. Quanto a nós, os mortais, temos é que levantar as mãos aos céus. Temos em atividade três tenistas com mais de 10 títulos de Grand Slam, algo inédito na história. Fica a pergunta. Isso é bom porque temos três atletas diferenciados, ou ruim porque não temos variações e renovações? Vocês escolhem.

A cobertura da Band Sports

Pela primeira vez tive a oportunidade de acompanhar, durante a quinzena, a cobertura da Band Sports. É um grande diferencial para os fãs ter uma TV que abraça o evento com empenho, algo que vem acontecendo mais e mais no Brasil, e a BS fez isso com galhardia. Me senti como se lá estivesse. Existem as restrições de não terem as opções de mais canais, e mostrar mais quadras, e de algumas escolhas por conta de tal restrição. Com certeza fazem as escolhas com as melhores das intenções. A opção de mostrar programas de comentários, ao invés de um jogo em sua integra (ou perto disso), à noite, quando a maioria das pessoas pode acompanhar é algo que tem mais de um ponto de vista. Acho o formato de pelo menos um quadro com comentários de entendidos cobrindo o dia de jogos imprescindível. Mas a noite é longa. Gostei da dupla principal Flávio Saretta e Oliveira Andrade. O Saretta conhece o esporte. Oliveira tem uma voz agradável, cultura e narra com elegância, sem atropelar ou querer ser o dono do pedaço. Sua elegância transpirou para o parceiro que está mais focado em comentar o que conhece do que falar bobagens. A dupla funciona e agrega ao evento para quem acompanha.

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domingo, 5 de junho de 2016 Roland Garros | 17:22

É Paris. É Roland Garros!

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Durante anos pessoas diferentes me perguntavam qual o meu torneio de tênis favorito. Qual o melhor para ir? Durante anos respondi, sem hesitar, Roland Garros. Não mais. Não é algo que mudou este ano. Vem acontecendo, aos poucos, mas indubitavelmente. Agora chegou a um ponto de tristeza. Como ficamos quando perdemos algo que nos é muito querido.

 
Uma parte do encanto do evento sempre foi Paris. A cidade continua lá. Eterna e resplandecente. Talvez um pouco acuada e temerosa. Mas segue a cidade favorita de todos que a conhecem. Mas, não mais Roland Garros.

 
Sei que algumas coisas fogem do controle da federação francesa de tênis, organizadora do evento. Acontece. Mas, como eles têm lidado com os assuntos talvez não seja da melhor forma.
Todos sabemos que os vizinhos do clube não querem saber de novas obras expansionistas no local. A prefeitura de Paris tem hora que aprova e hora que não. Até porque os prefeitos mudam e o problema é antigo. Os conservacionistas bloqueiam as propostas da FFT, porque todas as soluções passam por invadir propriedades da cidade onde existem parques, áreas verdes e tombadas. E ali é Paris, não a casa da mãe Joana.

 

O fato é que as promessas das obras vem e vão, o que não é bom. E não se realizam, o que é pior. A FFT afirma, com razão, que o espaço existente não é mais compatível com o porte do evento para dias atuais. Já escrevi sobre os planos de expansão deles, que foram vários, o que tornaria o evento viável. O último era bem bonito. Mas tinhas minhas dúvidas que seria aprovado. Mas eles apostaram que sim. E os prazos se foram.

 
OK. Tudo isso são contingências. Problemas acontecem. O que importa é como se lida com eles. E aí entra o pecado. Este ano a casa caiu. Caiu porque uma situação de extremos – as chuvas que castigaram a cidade – escancararam as dificuldades e como estão lidando com elas.

 

Nao estou falando dos problemas que os tenistas – que pouca questão fazem de enxergar além do próprio nariz. Resolveram chiar barbaridades porque o evento não tem quadras cobertas, o que fez com que seus horários e interesses fossem virados de ponta cabeça. Li mais de um tendo a cara de pau de dizer que os tenistas são os últimos em quem eles, organizadores, pensam. Vamos falar de mimados…

 

Até pouco tempo atrás, Grand Slams não tinham quadras cobertas, a chuva caia e a fila andava. Se vivia e se lidava com isso. De um jeito ou de outros, sempre com exigências e paciência das partes envolvidas; público, tenistas e organizadores. Não dá para cair tudo só sobre a cabeça de alguns. Aliás, se for para não cair na cabeça de uma dessas partes seria na do público; que é o único que paga. E aí que reside o problema.

 

Roland Garros precisa crescer porque não tem as facilidades para oferecer o conforto necessário ao público que recebe. E que a FFT faz, há algum tempo? Coloca mais gente para dentro do complexo, tornando o local um formigueiro que transformou o prazer de se assistir tênis em um desprazer. Foi-se a época que se podia ir de uma quadra para a outra para acompanhar de perto os jogos nas inúmeras quadras secundárias – talvez o maior prazer para um verdadeiro fã do esporte. Ir só na Quadra Central na primeira semana é para arrivistas. E por isso vem o problema. Os fãs abandonam a Quadra Central e/ou a Suzanne Lenglen, onde jogam as estrelas e existem muitos assentos, e onde acontecem massacres nas primeiras rodadas, para acompanhar as batalhas mais equilibradas e interessantes nas secundárias. Essas quadras e as alamedas ficam mais apinhadas do que Ipanema em sábado de sol rachando.

 
Se você sai de um jogo, esquece, não entra mais. Para entrar então… Isso é algo que vem acontecendo com o público há anos, sem qualquer manifestação dos jogadores. Foi só quando mexeram com eles que reclamaram. É óbvio que eles têm suas razões, como veremos.

 
Desta vez até o publico, que paga quase qualquer coisa para acompanhar o único grand slam no saibro e ainda dá graças a deus, se revoltou. Isso por conta de como a FFT lidou com o assuntos dos ingressos perdidos por conta das chuvas.

 
Sem entrar nos detalhes, Roland Garros, como todos os torneios, tem regras sobre a devolução do dinheiro, ou parte dele, dos ingressos conforme o numero de horas de jogos que acontecem, ou não, em um determinado dia, por conta das chuvas. E teve um dia que a FFT fez os tenistas jogarem debaixo de chuva, em condições nada agradáveis ou seguras, para bater nas duas horas, o prazo mínimo para que eles não tivessem que devolver o dinheiro ao público. As reclamações foram enormes e gerais. E houve outros contratempos por conta das chuvas com todos reclamando.

 

 

Guy Forget, o novo diretor do torneio, explicou que não era bem assim. Colocou tentou colocar a responsabilidade sobre o supervisor da FIT, que manda, mas não tanto. Forget insinuou que se houvesse a devolução o seguro cobriria. Não sei quanto, mas como todos nós que pagamos seguros sabemos, existem carências e quando há um sinistro os preços do seguro aumentam.

 

Vamos deixar claro. Quadras cobertas serão bem vindas. Mas elas vem mais é para resolver o problema das transmissões de TV, que a FFT poderá vender melhor se assegurar a não interrupção dos jogos. O público, pelo menos o que tiver os ingressos para a tal quadra também agradecerá. Mas, por outro lado, se fizerem mais uma quadra/arena e não aumentarem as arquibancadas das quadras secundárias, um problema que não tem sido uma prioridade, o evento ficará ainda mais impossível. Imagino/espero que eles tem isso em mente.

 

Não vou listar aqui, mas, para alguém que frequenta o evento há mais de 30 anos, as mudanças estão em mínimos detalhes. E algumas dessas transparecem um mercantilismo que vem tirando o lustre do evento, tornando-o mais impessoal, cada vez mais corporativo. Um exemplo mínimo, mas que demonstra. Desde sempre adquiro a camiseta do torneio. Tenho inúmeras. Eram de um algodão ótimo, de qualidade. Durmo com uma de 1999 até hoje. A bichinha está lá, valente. As mais recentes são finas – não de elegantes, mas de quase transparentes. Não as uso. O preço? Subiu,enquanto que o padrão caiu. Antes era uma loja de vendas. Hoje são mais de uma dezena com tudo quanto é coisa. Ruim? Não, a oferta é uma coisa ótima, mas os preços e a qualidade mostram onde estão as prioridades.

 

É óbvio que houve melhoras para o público e, especialmente, para os tenistas, nos últimos anos. Mas, insisto, é no conforto oferecido ao público que eles tem pecado mais. Por isso, este ano, ao acrescentar o pecado da não devolução do dinheiro dos ingressos, por conta de dois míseros minutos, enquanto obrigavam os tenistas a jogar debaixo de chuva, eles uniram os dois grupos. E a casa caiu.

 

Meu receio, e que me forçou desta vez a repensar a minha tradicional ida a Paris na última semana de Maio, como fiz dezenas de vezes, é que a gestão atual mexeu com o que sempre considerei um programão. Hoje tornou-se quase uma contrariedade, no mínimo uma dificuldade. Vamos ver para onde irá. Pelo amor de Deus, aquilo é Paris, é Roland Garros, merece o melhor.

 

EM BREVE UM POST SOBRE AS FINAIS.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016 Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Masculino | 13:56

Faltou tesão

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Diz o ditado, e até mesmo o Eduardo Cunha quando se referindo às razões da queda da sua nemesis Dilma, nunca é só por uma única razão. É assim que vejo a vitória de Andy Murray sobre Djokovic, manchando um passado de 13 vitórias do servio nas então últimas 14 partidas entre ambos, um claro sinal de que Murray não progrediu o que poderia ter progredido, a partir de um certo momento recente na carreira de ambos – ambos tem uma semana de diferença de idade.

 

Até a data do aniversário de Murray no dia da final pode ter influenciado a motivação do escocês. O fato de ele ter virado saco de pancadas do servio também deve ter sido uma razão. Mas o que deve ter, de fato, feito uma diferença são dois fatores intimamente ligados.

 
Novak deve estar “cansado”. Não só fisica, como mentalmente. Sabem como é – de saco cheio, sem aquele tezão. E como dizia o escritor/psicólogo Roberto Freire; “Sem tezão na há solução”. Algo que é bem compreensível, considerando a temporada que o rapaz vem tendo.

 
A falta de tezão e cansaço foram ficando evidentes durante a semana de Roma, com vários jogos “engrossando” e três deles indo para o 3o set – algo que não é o padrão atual do #1.Resultado? Chegou à final “pregado”. E o que veio antes, o ovo ou a galinha? Pregou porque engrossou, ou engrossou porque “cansou”?

 

De qualquer jeito, a final foi sem nunca ter sido. Acabou antes de terminar. Nos primeiros games já se via que não iria rolar. Djoko até que tentou recorrer às suas antigas manhas, jogando raquete no chão, tentando interromper a partida e até se auto inflingindo uma raquetada no tornozelo! Mas não era dia.

 

Alias, sinais já tinham aparecido antes. Aquele de ele ir começar o ponto com a corda da raquete quebrada, contra o japa Nishikori, foi inusitada.

 
Murray, que adora uma choradeira, ainda teve a cara de pau de dizer que se sentiu pressionado porque sabia que o outro estava bem mais cansado e ele fresquinho. Talvez ele preferisse o contrário e não sentir pressão? Os caras adoram um drama!

 
No fim das contas foi isso mesmo. Murray aguentou o rojão, até porque logo viu que mesmo que fizesse uma de suas “murradas” poderia ir ganhar o jogo lá onde o judas perdeu as botas que é onde geralmente eles decidem seus jogos. Nem precisou.

 
Para os fãs foi positivo o resultado. Djoko, que terá só uma semana para recarregar as baterias, chega à Paris com sua bola um pouquinho mais baixa, dando um certo alento aos outros mortais – inclusive a Murray, que será o cabeça 2 do torneio. Não há males que não venham para algum bem.

 

PS: Agora perguntar não ofende. De onde tiraram aquela idiota que veio à quadra entrevistar o Murray? A mulher não deixou ele pegar no microfone e não deixou ele fazer o seu discurso – só falou ela – nada com coisa nenhuma. Logo no dia que ele ganha do Djoko jogam aquela assombração na frente dele??!

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segunda-feira, 9 de maio de 2016 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro | 17:39

Roma: o termômetro

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O Aberto de Roma é o melhor termômetro do que pode acontecer em Roland Garros. Melhor do que Madrid, onde a quadra é ligeiramente mais rápida do que será em Paris, por conta da altitude. Mesmo assim, não deu para ver nada que pudesse mudar o prognóstico de este próximo Roland Garros deve ser mesmo de Novak Djokovic. Deve mesmo?

 

 

Acredito que Roma dirá. Os tenistas que têm se dado melhor nas últimas semanas, além de Novak são Nadal, Murray, Nishikori, Monfils e, ali por fora, mas sempre dentro, Fededer. Tem o Wawrinka, mas este é muito mais perigoso correndo por fora, como no ano passado, do que defendendo seu título.

 

 

Tem outros, mas alguém acredita que tenistas como Kirgyos, que está melhorando, e Raonic, que também melhorou, mas ambos são mais material para Wimbledon do que RG. E os dois se enfrentam na 2a rodada!

 

 

Bem, vocês perceberam que não listei Tsonga, #7 do mundo. Desde o Rio Open não o considero mais como um tenista sério.

 

 

E porque Roma é importante?

 

 

Porque é a última chance de alguém adquirir a confiança necessária para vencer um Grand Slam. Além de as condições serem semelhantes a Paris. Na semana seguinte, quando acontecem Nice e Genebra, é só para tenistas que não tem altas pretensões em Paris. Jogar lá em cima durante três semanas não acontece – só em milagres. E eles acontecem cada vez mais raramente.

 

 

Mas se alguém ainda acredita neles, não perca outro jogo da 2a rodada, entre Fededer e o garoto Zverev; um perigo armado de uma raquete.

 

 

Por isso, vamos ficar atentos ao que cada dos cachorrões trás para as quadras no quintal do Papa, que talvez seja bom de milagres.

 

 

Depois disso é tomar conta do corpo, cuidar da confiança adquirida, comer bem e bem acompanhado, curtir curtos passeios para descontrair sem perder o foco.

 

 

Eu deixei para último um outro possível milagre. Este reservado para os amigos franceses, que não conseguem um título em casa desde Noah no início dos anos 80. Monfils tem tênis para ganhar Paris. Mas tem cabeça pra isso? Até hoje tem deixado claro que não. Sua derrota para Thomaz Bellucci hoje o coloca na contra mão de tudo que escrevi acima. Mas o cara é doido! Mas ainda acho que é a melhor aposta para quem quer quebrar a banca em Paris.

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terça-feira, 19 de abril de 2016 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 18:31

Nuances locais

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Rafael Nadal deve estar dando graças a Deus pelo início da temporada européia sobre a terra. Se para ele sempre foi um martírio as partidas sobre as quadras duras, nos últimos tempos isso ficou mais grave; tanto pelos danos ao seu corpo, como pelas dificuldades em vencer partidas com frequencia a que estava acostumado, pela simples razão que ele não tem mais a mesma estâmina física que um dia teve.

 

Nao só pelas razoes acima, ele chegou babando em Monte Carlos. Era mais do que isso. Ele precisava em mandar uma mensagem a seus adversários. Se não ganhasse o torneio no jogo lento do MCCC, com suas quadras a poucos metros do mar, iria perder ainda mais o respeito que vem se definhando. E, acreditem, respeito ganha jogo sim senhor.

 

Rafa ganhou seus jogos sem estresse até as semifinais. Lá teve que lidar com Murray. O primeiro set foi magistral. O segundo muito bom. No terceiro Nadal mostrou, mais uma vez, que tem mais cabeça do que o escocês.

 

A final não foi diferente. Monfils mostrou, mais uma vez, após chegar às semis em Miami, que pode jogar de igual com qualquer um. Por um tempo. Porque chega uma hora entrega a mortadela. E Rafa não entrega. Por isso é o gênio que amamos.

 

Agora o circuito chega a Barcelona, no tradicional e pedante Real Club de Barcelona. Na época de Franco era necessário estar de terno para entrar na sede e no restaurante do clube. Os tenistas eram vistos como intrusos. Imagino que os tempos são outros e costumes também. Sorte deles.

 

O torneio é muito grande na cidade, muito bem frequentado, mas sem mais o mesmo impacto no circuito. Hoje, apesar do enorme time de espanhóis no circuito, os vizinhos franceses tem bem mais torneios do que os furiosos.

 
Os catalães tem o torneio desta semana, que era “mais torneio” por muito tempo. Hoje, depois que o romeno Ion Tiriac comprou Madrid e o transformou em Masters 1000, o evento no Real Club virou coadjuvante. É um calo no sapato dos catalães.

 
Nao sei bem como Rafa se relaciona com as nuances locais. As Ilhas Baleares são muito mais próximas e têm muito mais a ver com Barcelona. Mas, não sei porque, ele torce, descaradamente, pelo Real Madrid – e o tio dele foi zagueiro do Barcelona FC por quase uma década. Por outro lado, está sempre se bicando com o evento de Madrid, enquanto se enche de amores por Barcelona, apesar de, muitas vezes, ser um torneio difícil de encaixar no seu calendário.

 

 

Duvido que jogaria esta semana se não fosse em Barcelona. Os quatro primeiros do ranking; Novak, Roger, Andy e Stan estão em casa se preparando e descansando para coisas mais importantes. Assim, Barcelona se torna mais uma oportunidade de vitória, assim como uma responsabilidade, para Rafa Nadal. Como ele nunca foi cara de fugir do pau….

 

 

Mas que fique claro uma coisa. Seus olhos estão mesmo voltados para Roland Garros, o evento mais importante do calendário para o rei do saibro. Lá ele definirá a sua temporada. O resto dela se acomoda ao redor daquele evento que faz a sua confiança brilhar.

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terça-feira, 12 de abril de 2016 Copa Davis, História, Juvenis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:49

Ganha/Ganha

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Este ultimo fim de semana tivemos, pelo segundo ano, o Rendez-Vous à Roland Garros, uma parceria da FFT e a CBT, onde o vencedor do evento aqui realizado disputa, em Paris, às vésperas de Roland Garros, um torneio para o direito de jogar a chave juvenil do torneio.

 
No ano passado, o brasileiro Gabriel Decamps venceu aqui e em Paris. Ganhou o direito de entrar na chave juvenil, chegou às oitavas e perdeu para Taylor Fritz, que já está fazendo estragos entre os profissionais.

 
Desta vez o vencedor foi o paulista Lucas Koelle, um jovem que tive a oportunidade de presenciar em quadra em algumas oportunidades de treino. Uma jóia rara. É um atleta que o treinador não precisa ficar convencendo a fazer o necessário em quadra. Vem com a cabeça e corações prontos para o trabalho, talvez a principal qualidade que um juvenil pode trazer para os treinamentos. Infelizmente, a maioria acredita que possa ser a “habilidade”, a “esperteza”, a atitude do “sei tudo”, “qualidades” que jovens nessa idade acreditam ter de sobra e que, quase sempre, não passa de um delírio.

 

 

Lucas vem investindo na carreira, procurando maneiras de progredir, talvez nem sempre da maneira ideal. Porém sem alterar sua postura em quadra, o que conta muito. Morou uma época nos EUA. Tem disputado eventos aqui e no exterior. Chegou agora a #50 do ranking mundial juvenil.

 

O que me chamou a atenção, na conquista que lhe carimbou o passaporte para Paris, foi outra coisa. Fiquei sabendo que ele tinha, pouco antes, após muito pensar, aceito o convite para estudar e jogar em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades do mundo.

 

Eu conversara com ele, pouco antes da virada do ano, na casa de amigo comum, sobre o assunto. Então estava intransigente na decisão de não aceitar o convite e se dedicar à carreira tempo integral.

 

Conversou com mais pessoas – o pai é um alto executivo e a mãe fez estudos em Harvard também – e mudou seus planos.

 
Chegou à conclusão que ir para Boston era uma situação de ganha/ganha. O mais difícil é ser aceito em tal universidade. Com eles insistindo no convite fica ainda melhor. Afinal ali poderá a enfrentar adversários competitivos, no circuito profissional, além de poder eventualmente participar de torneios de transiçao, enquanto faz seus progressos acadêmicos. Nesse ambiente de ganha/ganha poderá também, se vier a ser o caso, mudar de idéia e partir para outra.

 
A decisão já lhe trouxe a tranquilidade necessária para vencer o torneio Rendez-Vous à Roland Garros sem perder um set. Sua mãe confessa que nunca o tinha visto tão sereno em quadra.

 
Um dos raciocínios de Koelle foi sobre a idade dos tenistas na atualidade – estão atingindo seus melhores momentos aos 27 anos. Na verdade, não é novidade. Essa é mesmo a idade em que os tenistas equilibram sua parte técnica, emocional, física e flertam com seus ápices.

 
Até os anos 50 eles ficavam um tempo no amadorismo – que incluía os atuais Grand Slams – e depois seguiam para o profissionalismo, que era para poucos, bons e amantes incondicionais do tênis.

 

Nos anos 60 e 70 era padrão os tenistas irem primeiro para as universidades americanas e só depois entrarem no circuito profissional. Mc Enroe foi para Stanford já em 1978, quando ganhou o torneio nacional universitário. Seu irmão Patrick, se graduou 10 anos depois na mesma escola. No final dos anos 80 ainda havia vários bons tenistas que foram à universidade antes de se tornarem profissional. James Blake, quase um contemporâneo, também esteve em Harvard, o que pode ter influenciado Koelle.

 

Mesmo antes do ultimo fim de semana Lucas Koelle admitiu estar tranquilo com a decisão. Nesta 6a feira, vai a Boston, a convite da escola, conhecer melhor o local e as pessoas. Volta de vez em Agosto, quando começa o ano letivo. Até lá vai jogar em Paris e, quem sabe, ampliar ainda mais suas conquistas no tênis.

 

Por enquanto é um tenista que assume uma caminho diferente de muitos que tem como prioridade a carreira profissional. No fim da época juvenil os tenistas se vêem frente a frente à difícil decisão; continuar seus estudos em uma universidade americana, onde é ofertado a oportunidade de seguir competindo e fazer seus estudos, ou abraçar de vez, com bônus ou ônus, a carreira profissional e encarar a famosa e difícil transição, quando raramente, em especial os brasileiros, por força cultural, se tem a parte emocional pronta para o que vem pela frente. Uma ida a uma faculdade lhe compra um tempo que, atualmente, já não é tão crítico.

 
Se nos anos recentes o jovem começava a carreira aos 19 anos e a abandonava aos 30, agora, com o preparo físico no atual patamar, pode pensar em começar aos 22, com um diploma debaixo do braço, e jogar até 34 anos, como Federer, por exemplo, está a fazer com qualidade.

rg taça sp

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domingo, 20 de dezembro de 2015 Copa Davis, História, Juvenis, Masters 1000, Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 19:21

Os melhores do ano

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Com o fim do ano e da temporada surgem as pesquisas dos “melhores do ano” para a apreciação dos fas. Interessante que nem sempre os votos dos “experts” coincidem com o dos fas. Qual vale mais? O que vale mesmo é o que você pensa, até porque se nao for o caso é melhor só usar pra pentear. Pode ser também o que você sente, já que em termos de escolhas esportivas o emocional fala alto. Nao é futebol, mas o Tênis também cria suas paixões.

Recebi dois ou três pedidos de enviar meus votos e o fato me inspirou em deixar aqui no Blog os meus pensamentos a respeito dos “melhores do ano”. Divirtam-se divirjam se forem capazes!

Os fatos marcantes mais mencionados foram: Os 3 Slams do Djoko e da Serena, a vitória da Penetta em Nova York, a conquista da Davis pelos britânicos.

Se Djoko ou Serena, os dois melhores tenistas do ano, tivessem ganho os quatro seria difícil ter outro fato mais marcante, o que nao tira o imenso mérito de ambos em conquistar algo dificílimo e merecedor de muitos aplausos. Mas a Serena foi, em um jogo, do Fato do Ano para a Afinada do Ano, ao perder para a Roberta Vinci nas semis e deixar escapar o Grand Slam que a colocaria como candidata a maior da história.

A vitória de Penetta, no apagar das luzes de sua carreira, foi a maior surpresa da temporada e uma conquista maravilhosa para uma tenista maravilhosa. E eu adoro surpresas em quadra, além de pernas bem torneadas. Alias, o fato é ampliado pela presença de duas italianas na final – na Itália elas vao ganhar todos os votos.

Mas Murray, o tripolar das quadras, liderar uma conquista da maneira como foi feita, e aí o diferencial, para o país que tem Wimbledon e Murray e nada mais em termos de tênis, apesar dos milhões investidos, foi um fato marcante. Eu fico com a vitória na Davis, pelo impacto que terá no país que inventou o tênis e as emoções que causou mundo afora.

As decepções? A Bouchard no feminino. Mais uma tenista que tropeçou na fama e na máscara, achou que era maior e melhor do que realmente é. Além de ainda nao ter conquistado lhufas ainda. Agora perdeu a confiança, perde jogos que nao deveria perder e ainda tem que enfrentar as consequências do tombo que levou – figurativamente e de fato.
Entre os homens, temos o Dimitri que pensou que era o rei da cocada preta, enquanto só foi o plebeu que pegava a rainha. Tem tênis pra ser mais do que apresentou. Eu nao vou falar do Gulbis porque ele nao é mais uma decepção e sim uma certeza.

As esperanças? Temos aí o Zverev que tem golpes e serviço pra incomodar, o Kyrgios que tem o serviço, um pouco de golpes e a personalidade pra incomodar, o Thiem que tem uma bela direita mas precisa achar uma esquerda, o Coric que tem uma bela esquerda mas precisa melhorar a direita, o Kokkinakis que é um fantasmao com um belo serviço e se acertar os golpes vai ser bem perigoso.

Os que mais melhoraram fora dos radares. O Anderson aprendeu tirar o melhor de seu tênis limitado, provavelmente ouvindo sua mulher que é bem mais do que uma digitadora de texto ou uma fazedora de biquinhos. Outra melhora surpreendente, que me pegou de calças curtas, foi o Benoit Paire. O cara tem, de longe, a pior direita do circuito, pior do que os 3a classes lá no clube, além de tropeçar na própria mascara. Mas tem uma tremenda esquerda! Milagres acontecem, amigos. Entre as mulheres, a suíça Bencic, que ano e meio atrás jogava no mesmo nível da Bia Maia – as duas eram rivais no juvenil – e hoje é 12a do mundo.

O idiota do ano? O Kyrgios leva fácil. O cara investe no quesito com frequencia e sem medo, além de ter uma família que aplaude seu esforço. Alias, poderiam dar uma dica para narradores e comentaristas de TV. O nome do cara se pronuncia Kirios e nao Kirgios – meu, é só ouvir o juiz de cadeira falar. O interessante é que a Austrália, que sempre foi celeiro de tenistas extremamente educados e divertidos deu de exportar tenistas idiotas. Harry Hopmann deve estar tendo surtos na cova.

Entre os brasileiros tivemos bons sucessos. Marcelo Melo virou o Tenista do Ano no Brasil por se tornar #1 do mundo em duplas. Tenho minhas reservas em eleger um duplista à frente de um singlista. Mas ser #1 do mundo nao é mole nao. Marcelo soube aproveitar as oportunidades e administrar a temporada lindamente e colocou o tênis nacional na mídia de maneira positiva – parabéns! Bellucci nao foi grandes notícias, mas teve seus momentos – na Davis no Ibirapuera foi um deles. Permanece o 1o de nosso ranking e 30 do mundo, o que nao é nadinha mal. Parabéns também para Teliana Pereira, que soube fazer o necessária para sair das sombras e ir para as luzes do circuito principal. Fecha como 54a do ranking mundial e conseguiu dar seu salto à frente aos 27 anos, idade em que a maioria das tenistas já mostrou o seu melhor. Vale lembrar Orlando Luz, que aos 17 anos se tornou um dos melhores juvenis do mundo e, suponho, encerrou sua carreira entre a garotada, apesar de só completar 18 em 2016. Agora vai buscar o caminho do sucesso naa transição para o profissional, momento que separa os garotos dos homens.

Se vocês tiverem outras categorias que queira explorar, sejam meus convidados. E aproveito para desejar boas festas a todos que com sua leitura, e comentários, fazem deste Blog um local de amor ao tênis.

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domingo, 13 de dezembro de 2015 Aberto da Austrália, Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open, Wimbledon | 22:03

O Tênis brasileiro no Jornal Nacional

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Semana agitada no tênis brasileiro, especialmente fora dos torneios. Em uma semana o Jornal Nacional apresentou duas matérias sobre o tênis no Brasil, ambas bem positivas e sem ter Gustavo Kuerten como tema.

A primeira falou sobre o sucesso de Marcelo Melo, que fechou a temporada como o primeiro da ranking mundial, um feito extremamente positivo para nosso tênis. Marcelo soube aproveitar o declínio natural dos irmaos Brian, que dominaram o circuito nos últimos anos, mas nao venceram nenhum GS na temporada, para se instalar no topo do ranking. Para isso, teve que se preparar ainda melhor do que nas outras temporadas, negociar bem com seu parceiro titular, que teve um ano bem ruim nas simples, o que deve ter lhe causado algum estresse, manter a qualidade quando longe do mesmo e aproveitar as oportunidades que soube criar. Sim, porque uma coisa é criar as oportunidades, outra é ter a confiança e o gabarito de cacifa-las na hora da onça beber água que é quando os games, os sets, as partidas, os títulos e uma temporada sao definidas. Ter esse sucesso reconhecido em rede nacional para todos o Brasil ver deve ter sido bem gratificante para o Girafa.

A segunda, isso sem minha memória nao está a falhar, foi sobre a inauguração do Centro Olímpico de Tênis no Rio de Janeiro, novamente por uma luz positiva. Especialmente quando colocaram lá o caco de que a CBT herdará o complexo, após as Olimpíadas, uma das principais reivindicações da entidade e que faz todo o sentido. Aliás, deveriam, nao só colocar nas maos da entidade, que é quem tem o know-how para tal, como também desponibilizar uma verba para fazer o Centro – que deve, entre outras coisas abrigar o principal centro de treinamento do país – funcionar em seu dia a dia. Com um complexo igual ao de poucos eventos no planeta, a CBT terá a tarefa de nao só formar tenistas, como encontrar o melhor uso para tal local de outras formas, inclusive abrigar torneios, a Fed Cup e Copa Davis. O que me deixou um tanto encanado foi ter lido hoje que a CBT está negociando para se desfazer de seu torneio da WTA – nao sei a razao para tal passo.

O curioso na entrevista do JN, veio por conta da nossa tenista #1, Teliana Pereira, lamentar que o piso duro, o do Centro Olímpico, nao é o que mais lhe convém – ela quase que só joga no saibro. Até aí ela defendia o seu estilo e suas limitações. O que me trouxe um sorriso ao rosto foi a sua afirmação que o piso duro seria positivo aos duplistas Melo e Soares, que nao escolhem piso e, quase caí para trás, à Thomas Bellucci. Que torneios do Belo a nossa melhor tenista tem acompanhado?

Nao pode deixar de ser mencionado, e aplaudido, a decisão de escolherem o nome de Maria Esther Bueno para a Quadra Central do complexo. Afinal a tenista tem vários títulos de Grand Slam a mais do que Gustavo Kuerten ou qualquer outro brasileiro. Mas a minha cabecinha ficou pensando: porque nao fizeram como os americanos, que deram o nome de Billie Jean King ao complexo onde é jogado o Aberto dos EUA e à Quadra Central o de Arthur Ashe? Por aqui poderiam entao dar à Central o nome de Gustavo Kuerten, também um grande ídolo nacional. Ou será que pensam em fazer o inverso dos americanos em algum momento futuro? Vale lembrar que na Austrália nao deram o nome de um tenista ao complexo, e sim às duas quadras principais – Rod Laver e Margareth Court – em Roland Garros deram o nome de um aviador ao complexo e o de um cartola à Quadra Central e em Wimbledon eles nem pensam em uma ou outra idéia – e sendo como sao, dariam a Fred Perry antes de dar a Murray.

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terça-feira, 24 de novembro de 2015 Aberto da Austrália, História, Masters, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 10:29

O melhor

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Nao teve choro nem vela em Londres. Novak Djokovic engoliu seus adversários como se fosse a baleia branca e nao ofereceu chances a ninguém. Alias, ainda se deu ao luxo de colocar um gostinho na boca de muita gente, ao perder, em dois sets, para Roger Federer na fase de qualificaçao. A conversa naquele dia foi se Roger havia jogado muito ou Novak jogado nada. O fato é que na hora da onça beber água o servio mostrou que atualmente ele é o cara sem muitas discussoes.

Djokovic tornou-se o primeiro tenista na história a vencer o Masters quatro vezes seguidas, um feito a se aplaudir em Londres ou qualquer outro lugar. O rapaz se concretizou como o melhor jogador do mundo e ficou a um passo de conquistar o seu Grand Slam particular ao vencer o Aberto da Austrália, Wimbledon e US Open, deixando escapar Roland Garros na ultima partida do torneio, quando era o favorito. A rapaziada deve estar aliviada que o suíço tenha conseguido a surpresa, porque nem Federer nem Rafa nem outro por aí vao conquistar os quatro maiores eventos na mesma temporada nos próximos anos. A nao ser que Novak o faça.

Outro feito importante para Novak é que nessa semana ele igualou o seu H2H com ambos rivais. Com Federer 22×22 e com Rafa 23×23. No futuro as chances sao que ele terá um H2H positivo com ambos, que sao considerados os “maiores”. E aí, como ficará essa história? Nadal nunca teve a pretensão, só mantinha seu H2H positivo contra o suíço GOAT e ficava na longe dessa conversa. Federer, mesmo sutilmente e silenciosamente, sempre encorajou. Agora vem o servio também para pousar na sua sopa. Por outro lado, aos 34 anos é um assombro tenistico e nao existe jogador que chegue aos seus pés junto ao coração dos torcedores em todo o planeta.

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sábado, 30 de maio de 2015 Porque o Tênis., Roland Garros, Sem categoria | 10:54

O manézinho de Paris

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Gustavo Kuerten está em Paris, para variar, sempre voltamos aonde nos tratam bem, para celebrar, oficialmente, os 15 anos de quando se tornou o primeiro do ranking mundial. No fundo criou uma boa oportunidade de lançar seu livro no mercado francês. E nenhum lugar melhor para fazê-lo do que em Roland Garros. E como se deve aproveitar as oportunidades, Gustavo vai entregar o prêmio para o campeão do torneio, enquanto Martina Navratilova entregará às mulheres finalistas.

Ontem à noite a FFT fez uma pequena e concorrida recepção à Guga no Le Club, um local onde o presidente da FFT recebe seus convidados. Teve imprensa brasileira, tenistas e ex tenistas, dirigentes, tudo em pequena e escolhida dose. Teve até quatro rapazes de branco cantando uns gostosos sambinhas. E alguns exemplares do livro do tenista colocados sobre as mesas.

Assim que entrou Gustavo, em ótimos espíritos, parou para conversar. Tivemos alguns minutos a sós antes de ele se entregar aos abraços de todos que o aguardavam. a conversa, depois de algumas amenidades e bobagens, caiu sobre o assunto do porquê da empatia entre ele e o público francês. O assunto surgiu após falarmos sobre a incrível vitória de Monfils sobre Cuevas, quando este teve 4-1 no quinto set e o francês, incentivado fortemente pela torcida, virou o jogo.

Gustavo estava um tanto filosofo a respeito. Disse que não tinha uma razão definitiva sobre o assunto, apesar de que tinha certeza que ela existia. Conjeturou hipóteses, sem se comprometer com uma. O que tinha claro é que chegou a um ponto da história que sabia que essa empatia lhe dava forças em quadra e isso fazia uma diferenç. Sem dizer que fazia isso consciente, disse que sabia que algumas coisas que fazia estreitava essa relação, o que acabou sendo crucial em sua carreira e história pessoal, algo que sua presença em Paris confirma.

perguntei se ele tinha em mente quando foi que sentiu que “ganhou” o público de vez. Ele hesitou e disse não ter certeza, abrindo a porta para minha sugestão. Para mim, e muitos, ele ganhou o coração dos franceses quando, como uma jovem zebra, com uniforme que mais parecia uma bandeira, e que lhe foi “sugerido” pela organização que o trocasse para a final, o que foi ignorado, ele, ao ser chamado para receber seu prêmio, das mãos de Björn Borg e Guilhermos Villas, ele subiu alguns degraus do podium, onde era esperado, e fez a famosa flexão com a cabeça e torso, como os súditos faziam aos reis. Ali os franceses descobriram que aquele campeão trazia para a quadra, ao mesmo tempo, uma ferrenha determinação de vencer, aliada a uma humilde simpatia, características um tanto raras dentro das quadras de tênis. Sua ações em Roland Garros só foram, com o tempo, confirmando ambas, até então talvez contrastantes, e a partir de Kuerten uma tradição. Os dividendos de tal relação pingam até hoje e, com certeza, por tempos que virã.

 

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