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Arquivo da Categoria Roger Federer

terça-feira, 24 de novembro de 2015 Aberto da Austrália, História, Masters, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 10:29

O melhor

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Nao teve choro nem vela em Londres. Novak Djokovic engoliu seus adversários como se fosse a baleia branca e nao ofereceu chances a ninguém. Alias, ainda se deu ao luxo de colocar um gostinho na boca de muita gente, ao perder, em dois sets, para Roger Federer na fase de qualificaçao. A conversa naquele dia foi se Roger havia jogado muito ou Novak jogado nada. O fato é que na hora da onça beber água o servio mostrou que atualmente ele é o cara sem muitas discussoes.

Djokovic tornou-se o primeiro tenista na história a vencer o Masters quatro vezes seguidas, um feito a se aplaudir em Londres ou qualquer outro lugar. O rapaz se concretizou como o melhor jogador do mundo e ficou a um passo de conquistar o seu Grand Slam particular ao vencer o Aberto da Austrália, Wimbledon e US Open, deixando escapar Roland Garros na ultima partida do torneio, quando era o favorito. A rapaziada deve estar aliviada que o suíço tenha conseguido a surpresa, porque nem Federer nem Rafa nem outro por aí vao conquistar os quatro maiores eventos na mesma temporada nos próximos anos. A nao ser que Novak o faça.

Outro feito importante para Novak é que nessa semana ele igualou o seu H2H com ambos rivais. Com Federer 22×22 e com Rafa 23×23. No futuro as chances sao que ele terá um H2H positivo com ambos, que sao considerados os “maiores”. E aí, como ficará essa história? Nadal nunca teve a pretensão, só mantinha seu H2H positivo contra o suíço GOAT e ficava na longe dessa conversa. Federer, mesmo sutilmente e silenciosamente, sempre encorajou. Agora vem o servio também para pousar na sua sopa. Por outro lado, aos 34 anos é um assombro tenistico e nao existe jogador que chegue aos seus pés junto ao coração dos torcedores em todo o planeta.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Curtinhas, História, Novak Djokovic, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 15:47

O US OPEN em três atos

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ATO 1 – A final masculina e seus contrastantes protagonistas

Assisti na internet uma entrevista de Boris Becker, que sempre foi um falastrão e ao mesmo tempo dono de enorme carisma, afirmando que se fosse na sua época enfiaria um saque “medalha” em Roger Federer, se o Boniton insistisse, após aviso, em receber o saque de perto da linha do serviço. Como seu pupilo nao tem esse perfil, nem o saque para tal, confidenciou ao rapaz o valor do saque no corpo quando o oponente começa a se adiantar e presionar.

A tática funcionou bem e segurou a onda do Topetudo, que assim mesmo insistiu em faze-lo. Eu, como nao tenho nada com isso e gosto mesmo é de Tênis e nao necessariamente de um tenista, vibrei e adorei as invasões suíças. E o cara está ficando melhor no golpe e mais carudo a respeito. No começo, semanas atrás, invadia uns três a quatro passos e respondia um pouco mais de slice. Contra Djoko era quase em cima da linha (acho que estava enviando alguma mensagem ao Kaiser Becker) e reto com uma pitada de spin – lindo de ver. Tao lindo quanto foi ver o servio encaixar lobs milimetricamente perfeitos como contra ataque.

Normalmente alguém é mais prejudicado do que outro quando uma partida é postergada várias vezes por conta do clima. Na final de domingo, o prejudicado foi Federer; e nao por conta do “aluguel” no vestiário. A diferença esteve no jogo ser realizado à noite e nao debaixo do sol. No calor, o jogo, por conta das bolas e do piso, fica mais rápido, o que ajudaria o suíço, que precisava de qualquer ajuda para vencer. Sabendo disso, o Boniton acabou enfiando um pouco os pés pelas maos na sua ânsia de chegar à rede, fator primordial na sua estratégia, correta diga-se. O problema é que faz tempo que Roger nao joga dessa forma, pelo menos no quesito quantidade, e acabou nao sendo determinante nos seus ataques junto à rede como gostaria e esperaria ser. Sem contar que, por ser uma final, ele nao conseguiu manter a mesma confiança e tranquilidade das rodadas anteriores.

A vaquinha suíça começou seu trajeto ao brejo quando o rapaz perdeu o primeiro set – ali notifiquei minha mulher, e meus seguidores no Twitter, que a sorte estava lançada. Roger precisava do 1o set. Tanto para mexer na admirável confiança do Djoko, como para poupar seu longevo corpo de quatro ou cinco sets.

Mas se Roger nao cacifou como gostaria, o crédito deve ir mesmo para Novak Djokovic, que jogou como um campeão. Soube executar seu plano de jogo e seus golpes com excepcional qualidade. Soube administra seu emocional, mesmo com a esmagadora torcida contra, o talento do adversário que é imenso e a eventual perda do segundo set. Nada disso o abalou a ponta de tirar o seu foco. Ao contrário, como um campeão, aprendeu a usar as dificuldades e contrariedades para ampliar sua motivação e aprofundar seu foco. E sempre que foi necessário, nos momentos chaves que definem uma partida, soube usar e abusar da Confiatrix, o elixir máximo dos campeões.

 

ATO 2 – O nao controle das massas. 

Às vezes chega a dar pena de Novak Djokovic – se é que se pode ter pena de alguém que é o melhor do mundo no seu esporte e ganha milhões por temporada por conta. Mas o rapaz gosta tanto de ser gostado que causa certo constrangimento em observar, repetidamente, que o publico mundo afora simplesmente nao o ama como se ama o melhor em qualquer esporte. Nao é o caso de ser odiado, como acontece com alguns malas ou maus caráter que permeiam o esporte em geral. Longe disso. O caso é que o público simplesmente nao compra seu peixe. É certo que ele mudou bastante, daquele que, no princípio da carreira, gostava de fazer graça às custas de colegas, de sair da quadra quando começava a perder jogos alegando dores e milonguices outras. Temos que reconhecer; mudou, mas parece que o público em geral ainda nao se deu conta. Uma pena, poque ele está cada vez melhor – dentro e fora das quadras.

Que o publico torceria pelo Federer todos sabíamos. Nao importa quem estivesse do outro lado da rede as arquibancadas sao de Roger. Rafa Nadal teve que suar muita camisa para ter alguma torcida ao enfrentar Roger – sem mencionar que passou anos anotando o nome do suíço na sua caderneta. Mas O Cara tem o Tênis mais bonito do circuito e ponto final – algo fácil de ser reconhecido – ainda mais por qualquer um que tenha empunhado uma raquete, a maioria em qualquer final de torneios de tênis.

Talvez Djoko pudesse ter outra estratégia para seu marketing pessoal, algo com o qual se esforça mais do que o Topetudo. Ao invés de tentar ser tao Politicamente Correto – tenho uma séria aversão a isso e a esses – Djoko beirou o ridículo ao ficar se desculpando em quadra por ter derrotado o favorito do público. Disse que seguirá tentando ganhar coraçoes e mentes do público. Talvez devesse ter uma conversinha com Roberta Vinci sobre os benefícios da transparência e da sinceridade.

 

ATO 3 – O bálsamo da humanidade e do humor.

E qual foi o melhor jogo do US Open 2015? À parte daqueles que nao assisti, e daqueles que nunca sairão da mente e o coração dos envolvidos, como a vitória de Fognini sobre Nadal, e a própria final masculina, principalmente pela qualidade técnica apresentada, “A Partida” do torneio tem que ser a vitória da italiana Roberta Vinci sobre Serena Williams, por tudo que envolveu e aconteceu em quadra.

Serena estava a duas partidas de gravar seu nome no panteão das inesquecíveis, algo que já conquistou por conta de seus 21 títulos de Grand Slams em simples. No entanto, o fato de conquistar o chamado “Grand Slam” – vencer os quatro GS no mesmo ano-calendário – aos 32 anos, algo já conseguido anteriormente por tenistas menos abrasivas do que ela, como Maureen Conolly, Margareth Court e Steffi Graf, faria muito bem à sua história. Até porque é considerada por muitos como a “melhor da história”, algo que nao abraço com a mesma desenvoltura. Todos os campeões, quando comparados com outros, devem ser olhados pela ótica das circunstâncias e das épocas. Serena bateria todas as campeãs do passado, se estas viessem para o presente com o exato mesmo tenis de entao. Mas é mais justo considerarmos as circunstâncias e a época. Além disso, um campeão se justifica por muito mais do que como batia na bolinha. Devem marcar suas épocas por suas posturas, dentro e fora das quadras, como lidaram com adversárias e adversidade, e como administraram todas as facetas de suas carreiras.

Talvez, por saber tudo isso, Serena foi transpirando a pressão que sentia, especialmente desde o jogo com sua irma, Venus, quando quase chorou em quadra mais de uma vez denunciando a perda do controle das emoçoes. Na semifinal nao conseguiu administrar a situação, o que lhe custou caro. E, para seu azar e desespero, enfrentou uma tenista única: Roberta Vinci. A italiana, uma veterana, é a mais “italiana” das tenistas italianas. Enquanto Serena babava de um lado da quadra, indo à loucura de até dirigir, mais uma vez, impropérios à oponente, esta nao só manteve a tranquilidade, como foi vários passos adiante. Aproveitou a “força” das arquibancadas e a tentativa de intimidação e o desespero da adversária para alimentar sua confiança e sua determinação em vencer. E conseguiu isso com uma categoria e alegria que Serena, que se recusou a confessar a pressão que sentiu, nem saberia como buscar.

O discurso de Roberta após a vitória entrará para os anais da história e foi “o momento” do torneio. Deveria é ser mostrado para todas as tenistas, especialmente as jovens, que ainda tem chances de serem “salvas”. A italiana jogou o “Politicamente Correto”, o “Discurso Marketeiro” no lixo e deixou o coração falar sem restrições e censuras. Como tem um bom coração, foi uma maravilha – quem nao ouviu procure na internet que vale a pena.

O jogo foi, mais do que nada, repleto de emoções, como deve ser um espetáculo esportivo. O final do 3o set foi para se ver de pé, andando de uma lado para o outro, como faria o Tio Patinhas se vivesse sob a tutela da presidenta Dilma. Se cobrassem dobrado aquela partida ainda seria barato. Nem Hitchcock escreveria um roteiro daqueles, especialmente pelo epilogo.

A final, contra outra italiana, Flavia Penetta, acabou sendo um desapontamento, considerando a semifinal. O gás de Roberta acabara no dia anterior e no TB do 1o set. Mas valeu por ter oferecido algo que nem o mais macarronico dos italianos teria a coragem de sonhar; duas italianas na final do US Open, disputada em quadras duras (na Itália praticamente só se joga sobre o saibro). A cereja do bolo foi Flavia, dona de um par de pernas e golpes de altíssima qualidade, mas nao da mesmo descontração de sua companheira, conseguir seu único Grand Slam no apagar das luzes de sua carreira e anunciar o fim desta.

Assistir as duas amigas conversarem, sentadinhas esperando a premiaçao, nao teve preço. Nunca aconteceu antes e, apesar de duvidar que acontecerá novamente, é o que espero ver no futuro. Como escreveu no Twitter o meu amigo jornalista Sergio Xavier: “E o que essas italininhas, Pennetta e Vinci, fizeram pelo tênis em dois dias? Injetaram humanidade, humildade, emoção e, de quebra, humor”. Em tempos onde o Marketing Pessoal é considerado artigo da mais alta importância para atletas nao é pouco como é um alívio.

 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015 Roger Federer, Tênis Masculino, US Open | 18:12

Saiu da caixa

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O tênis mudou muito e ninguém percebeu. Ou perceberam e o fato é que mudou em tantas maneiras que algumas seguiram desapercebidas. Hoje temos dois balzaquianos arrasando no circuito, independente de Serena e Roger serem ou nao os líderes do ranking. Ambos sao os tenistas com mais títulos, entre mulheres e homens, e ambos farão uma firme marca na história. E digo isso nao pelo fato de ainda jogarem competitivamente aos 34 anos (Serena completa em Setembro). Uma década atrás, nessa idade tenistas estavam em casa pensando qual seria sua próxima atividade ou profissão. Agora ambos estão jogando o melhor tenis de suas vidas, independente de nao estarem em seus respetivos auges físicos.

Uma das razoes para tal feito, a mais óbvia, é que os tenistas cuidam de seus corpos com muito mais know-how e a mais tempo do que antes. Imaginem se Gustavo Kuerten tivesse tido esse tipo de know-how a sua disposição quando iniciou sua carreira profissional. Além disso, Serena e Federer foram os tenistas mais dominantes de suas épocas. As consequências disso é que jogaram mais jogos importantes, adquiriram mais experiência em momentos determinantes, testaram seus golpes em situações de estresse mental/emocional e foram descobrindo com mais alcance o que funciona ou nao. Isso os fez melhores, compensando o que foram perdendo de vigor. Como fazem parte da primeira geração que investiu dessa maneira diferenciada no preparo físico, estão conseguindo alongar suas carreiras com extrema qualidade, usufruindo das descritas vantagens dessa longevidade.

Ambos tiveram picos e vales em suas carreiras, mais ou menos severos – Serena sendo bem mais radical nisso. Roger foi bem mais uniforme, o que acrescenta a sua grandeza. Seus maiores problemas foram uma certa acomodação técnica por ter siso considerado, prematuramente, como o GOAT, e Rafael Nadal. E ultimamente Novak Djokovic. Mas, para mim, seu maior adversário sempre foi os limites que se impôs.

Rafa Nadal deixou de ser sua pedra no sapato por razoes recentes bem conhecidas e as quais lamentamos muito. Sobre Novak, que vem jogando um tênis soberbo dentro de seus horizontes, os quais nao cansa de explorar, temos a surpreendente “aula” de ontem em Cincinnati. Sobre Serena já escrevi em outras ocasiões e escrevei mais no futuro.

Hoje o assunto é o notável torneio que Roger jogou em Ohio e a acachapante vitória na final.

Federer venceu Cincinnati sem perder um game de serviço. Uma conquista dessas em um evento desse nível e com os Oponentes do quilate disponíveis é algo para a história. Nao só pela extrema qualidade técnica necessária para tal feito, como pela exigência mental/emocional de se fechar a porta na cara de cada adversário a cada game de serviço.

Sim, me chamou a atenção Roger Federer conseguir manter a concentração a cada jogo, cada dia, cada game. Especialmente ele, que sempre teve a tendência a entregar uma ou duas rapaduras nos momentos de conforto. O cara jogou com o Tezao daqueles que chegam ao circuito e a confiança daqueles que estão se despedindo; um equilíbrio tanto raro como fenomenal e mortal.

Mas, o que mais me encantou, foi que, finalmente, aos 34 anos, o suíço saiu da caixa – o que, convenhamos, deve ser difícil para um helvético, mesmo Roger Federer.

Nunca o vi jogar assim. E sempre “cobrei” isso dele. Por que ele nao trazia para os jogos exatamente aquilo de mais surpreendente o seu talento pode oferecer? Um tênis incalculado, inaudito, imprevisível, impremeditado. Porque somente os gênios sao capazes de manter a qualidade, enquanto incorporam os adjetivos do instinto, algo que foge da equação da repetição, da lógica, do acervo construído dos reles mortais. No entanto, desconsiderando lampejos esporádicos e insuficientes, Roger se recusava a adotar uma estratégia onde os ingredientes excepcionais de seu repertório nao ficassem ocultos. Parecia ter pudor em apresentar o que pudesse ser visto como um avilte ao adversário; como se muito do normalmente fazia nao o fosse.

Quem viu a final, ou mesmo os outros jogos de Cincinnati, sabe do que falo. Quem nao viu perdeu o Cara respondendo serviço do #1 do mundo quase na linha do saque, chip and charge como há muito nao se vê, esquerdas de bate pronto, de slices, com top ou chapadas, voleios esticado no máximo da tensao corporal e acertando, direitas de ataque que viravam deixadinhas com uma sutil munhecada, forehands a la squash, serviços à punhalada e outras cositas más. O Homem saiu da caixa. Agora quero ver quem o coloca lá de novo antes do final do US Open. Acho que só ele mesmo.

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segunda-feira, 13 de julho de 2015 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, Wimbledon | 15:23

Determinaçao de ouro

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A final masculina de Wimbledon pode ser dividida em dois atos. Antes e depois da chuva. Nao é a primeira vez que uma interrupção tem influencia no resultado de uma partida e nao será a última. O perigo é conhecido por todos e, lógico, a vantagem fica para aquele que se preparar melhor para tirar mais vantagem do imprevisto. E nao foi uma surpresa que nesse quesito mental Novak Djokovic também fosse melhor do que Roger Federer.

Quando dois oponentes se enfrentam em uma quadra de tenis uma série de qualidades, e deficiências, farao a diferença no resultado. Nem sempre basta uma ou outra característica. Quando os cachorroes se enfrentam tudo que está à mesa faz diferença. Todos conhecemos as qualidades de Federer. Infelizmente, para os apreciadores do tenis-arte, aprendemos a conhecer também suas deficiências. Se um dia o mundo afirmou que O Boniton era o melhor da história, a insistência de suas dificuldades ao enfrentar, e bater, seus maiores rivais – Nadal e Djokovic – pode um dia levar a essa idéia ser revisitada. É óbvio que Roger tem muuuito para mostrar a seu favor na sua carreira, mas ele nao é mais dominante no circuito, como um dia foi; desde de que Rafa surgiu. Com Rafa tem um H2H bem negativo (10×23) e com Djoko agora tem um H2H empatado(20×20) e a história segue. E convenhamos, mesmo aos 33 anos, Roger nao perde jogos por fator físico – o cara está impressionantemente bem fisicamente, para o que se deve tirar o chapéu – e sim por sutis fatores técnicos e, especialmente, mais claros fatores mentais, sendo estes dois os principais quesitos (junto com o físico) em um tenista.

Novak é o melhor jogador da atualidade, e já faz algum tempinho. O cara se preparou para chegar, e ficar, lá. É um atleta de A a Z. Investiu na carreira, em múltiplos quesitos. Nao teve receio de inovar, buscar, errar e acertar, ao contrário de seus rivais, que escolheram se acomodar em seus círculos de conforto. Cresceu com Marian Vajda, mas buscou alternativas de caminhos, desde lá trás com Todd Martin, que nao trouxe à mesa o resultado esperado. Recentemente buscou a companhia de Boris Becker, mesmo ao risco de prejudicar seu relacionamento com Vajda. Boris e Vajda tem diferentes histórias, visoes e posturas. Novak bancou a mudança. Assim como bancou, na hora certa, o afastamento de seus pais do seu circulo profissional imediato. Hoje ainda vemos a família de Roger, Nadal (que misturou com certo sucesso família e profissao) e Murray nos boxes. A de Novak, que era a mais participativa, e talvez por isso, assiste pela TV.

Novak buscou melhoras em cada aspecto de seu jogo, novamente ao contrário de seus rivais. O backhand de Rafa melhorou bastante, mas também tinha um universo para melhorar. Seu saque é bem pouco melhor do que quando tinha 20 anos. Pouca coisa melhorou drasticamente no jogo de Federer – até porque ele nao buscou essas melhoras, e nem eram tantas porque o cara já veio quase perfeito. O que melhorou, tanto nele como no Rafa, foi a progressão normal dos tenistas que ficam anos jogando e vencendo no circuito, algo que todos eles fizeram. Djoko buscou mais. Nao vou nem mencionar a revolução que fez em seu corpo, sua dieta, sua câmera hiperbárica. Mas ele melhorou barbaridades o seu serviço, algo de se tirar o chapéu, já que nao tinha um movimento clássico como Federer. Melhorou, e muito, seu forehand. Nao só a técnica, como seu approach mental ao golpe, sendo mais agressivo e decisivo com ele – acho que este seu verdadeiro pulo do gato. Seu revés foi progressivamente melhorando, sendo atualmente o golpe mais temido do circuito, tamanha a confiabilidade e a força de seu contra ataque. É duríssimo para um adversário ver seu principal golpe de ataque – a direita na diagonal – ser neutralizado e, pior, virar contra si próprio, já que Djoko é um mestre em usar a força do golpe adversário.

Novak é um tenista que pensou e se preparou para ser o melhor. Fez tudo isso tendo como sua principal qualidade a perseverança, algo que ressalto desde que o vi jogar mais amiúde no US Open anos atrás ainda como sessenta e pouco do ranking. Foi imaginando, e realizando, tudo que poderia para melhorar cada dia mais. Um campeao construído de A a Z. Um tenista que ainda hesita e entrega a rapadura em certas horas porque é bem humano, mas um tenista que tem como meta maior melhorar a cada temporada, a cada torneio. E nisso, podemos afirmar, tem sido um sucesso.

Assim sendo, mais uma vez o título de Wimbledon está em ótimas maos. Djoko veio à final de Londres sob pressão, por ser #1 do mundo e por ter deixado escapar a final em Paris. Com certeza nao queria repetir a dose. Além disso, a vitória era uma maneira de nao deixar seu mega rival Federer vencer mais um GS e, mui importante, igualar os números da rivalidade. Pressão é o nome do jogo. Venceu o 1o set no TB e perdeu o 2o também no emocionante TB, o que o deixou bem irritado, inclusive pela insana torcida das arquibancadas pelo adversário.

Mas Roger, sendo Roger, deu aquela conhecida colher de chá no início do 3o set, perdendo bobamente o serviço no 1×3, após ter ficado mais de 150 games sem perde-lo até as 4as ( nao sei como o cara se permite essa bobeada em um momento crucial de sua carreira, no que talvez tenha sido sua derradeira chance de vencer um GS e após ter virado a partida vencendo o 2o set) – o que decidiu a partida. Imagino que após a interrupção pela chuva – no meio do 3o set – Becker o pegou no vestiário e colocou a pergunta de U$1 milhao de dólares. “Quem vai tirar vantagem dessa interrupção? Você ou o suíço ali ao lado?” Talvez nao exatamente com essas palavras. Lembrando que Boris nao teve nenhuma inibição em afirmar, em seu recentemente lançado livro, que Roger e Novak nao só nao sao amigos como nao se gostam. Novak voltou à quadra focado – bem mais focado do que o adversário – e soube administra a vantagem. No quarto set, mais uma vez fez o mesmo, enquanto o adversário, que nao vence um GS há três anos, atirou a toalha emocional. Para ser campeão há que se ter nervos de aço e uma determinação de ouro. Novak teve.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino, Wimbledon | 15:45

Oportunidades

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Pelo menos para nós, o jogo mais interessante da primeira rodada de Wimbledon será entre Thomaz Bellucci e Rafael Nadal. Falando em uma oportunidade de ouro…

A primeira rodada de Wimbledon é sempre um incentivo às zebras. Mas tem que se aproveita-la. Nadal ganhou um torneio preparatório, perdeu na 1a rodada de outro e passou esta semana jogando partidas-exibiçoes. Ou seja, foi para o pau porque sabe que a coisa está feia para ele. Bellucci nao jogou nas duas primeiras semanas e perdeu para um (ótimo) juvenil nesta. Apesar da oportunidade da zebra, o espanhol parece mais preparado para a primeira rodada do que o brasileiro. Bellucci tem um tremendo serviço, a grama deve estar rápida no início e o espanhol sentindo um urubuzinho no ombro. Vamos ver quem lida melhor com as circunstâncias – mas é uma oportunidade.

Na mesma linha de oportunidades de 1a rodada, o atual campeão, Novak Djokovic, terá pela frente o Philip Kholschreiber, que nao é nenhuma flor que se cheire e tem uma esquerda venenosa na grama e para o estilo do Djoko. O alemão gosta de engrossar jogos e atrapalhar adversários-cachorroes. Infelizmente nao tem o mesmo gosto por vencer essas partidas na hora da onça beber água. Mas será uma partida para lá de interessante e que, aposto, o Djoko nao gostou.

Lleyton Hewitt joga seu ultimo Wimbledon, torneio que, por mais incrível que pareça, um dia venceu. Pode passar pelo Niemenem, mas aí pega o vencedor do jogo acima.

O Joao Feijao pega o Giraldo. O colombiano tem um jogo plano, bom para a grama, mas ruim para quem está sem confiança. Mas está em péssima fase. Uma oportunidade para o brasileiro, que também está em fase de chorar. Alguém vai ficar muito feliz.

O Klizan e o Verdasco, jogo equlibrado, devem jogar cinco sets para ver qual canhoto passa à 2a rodada de Wimbledon.

O Kirgyos e Schwartzmann se enfrentam. Pode existir dois adversários mais opostos? Um saca demais. O outro de menos. Um grandao e o outro minúsculo. Mas eu sou fa do argentino. Esse cara faz das tripas coraçao e tiro meu chapéu para ele a qualquer hora. Será um jogo curioso.

Berdich e Chardy será outro jogo que pode acontecer coisas. O checo deve ganhar, mas a francês, seu saque e o tanto que abre o braço para bater sao um tanto fantasmas.

Gulbis e Rosol se enfrentam. Está aí um confronto que pode acontecer qualquer coisa. Pode sair até pernadas. Será que vao mostrar?

Muitos jogos equilibrados e muita diversão garantida na 1a rodada. Mas o pessoal só fala que Djoko, Wawrinka, Cilic, Nishikori, Kirgyos e Raonic estao no mesmo lado da chave. E do outro tem Federer, Murray, Tsonga, Berdich e Ferrer. Fica claro que a de cima ficou mais competitiva, por conta do estilo dos jogadores – mais gramistas para incomodar os favoritos. Mas jogo é na quadra.

Voces podem ver mais notícias, fatos e fotos no Facebook no “Tenisnet-Blog do Paulo Cleto”.

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domingo, 14 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, US Open | 19:49

E a reciclagem?

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Sentado nos ótimos assentos da imprensa escrita na Quadra Central de Roland Garros, acompanhando um jogo de Andy Murray que só ficava interessante nas horas da onça beber água, eu trocava figurinhas com um ex tenista brasileiro. Em certo momento, a conversa foi para o futuro imediato do tênis, após por ele ser colocada a consideração, entre outras, de que Roger Federer está mais para um fim de carreira de luxo e qualidade e Rafa Nadal tem um futuro tao incerto, considerando sua carreira, quanto a nossa economia.

A colocação do amigo era que os organizadores do tênis masculino profissional estão preocupados com o que vai fazer o publico sair de casa e, principalmente, ligar a TV no tênis, ao invés de surfar no mar de alternativas esportivas atualmente disponível. O rapaz olhava para a quadra e, levantando as sobrancelhas, lançava; vai ser esse cara? – enquanto sua carinha entregava que nao colocava nenhuma fé em estar ali a resposta. No Djokovic?, perguntava entao, levantando a velha questão de que o servio – provavelmente o tenista mais completo na atualidade – nao consegue encantar o publico em geral, apesar de ser o que mais tenta.

O azar de Djoko talvez seja conviver com aquela que deve ser considerada a maior rivalidade da história do tênis, estando ele sempre um passo atrás, até que ambos estivessem prontos, mesmo a contragosto, para lhe entregar o bastão. De qualquer maneira, também nao será um Nishikori que salvará a pátria, a nao ser a asiática, onde é um fator. Ou seja, a pergunta de 1 milhão que começa a afligir o pessoal é que acontecerá após a época Fedal. O que enxergam, pelo menos é que se ouve pelos corredores, nao é tao óbvio. Quem serão os protagonistas do próximo “Fedal” ou algo parecido? Uma boa rivalidade é a melhor coisa para revitalizar um esporte, especialmente o tênis, com sua forte característica individual. E uma grande rivalidade exige excelentes qualidades técnicas e carisma pessoal dos envolvidos.

Uma outra coisa que conversamos foi sobre o fator idade no tênis atual. Na verdade, um tema um tanto mais complexo, e que derivou, e complementa, o primeiro. Parece que, concomitante, os novos tenistas estão tendo dificuldades em “estourar” com a mesma prodigalidade de antes, enquanto os tenistas mais velhos estão durando mais no circuito. Estes, com a experiência adquirida, junto com suas qualidades técnicas apuradas pelo tempo de competições, estão conseguindo manter os mais jovens à margem do sucesso, o que impede, óbvio, também que a confiança destes aflore com a velocidade esperada. E porque isso é possível? Entre outros fatores, o preparo físico do atleta atual, em especial o do tenista, mudou drasticamente e permite que eles se mantenha competitivos em uma idade que antes já sofriam para acompanhar o vigor dos mais jovens. Nao só o preparo físico, mas também a alimentação mais cuidada e orientada, os suplementos legais disponíveis que ajudam na tao importante recuperação.

E nao é só isso. Hoje os tenistas ganham muuuito mais dinheiro, o que os mantêm ainda mais motivados, já que o dinheiro que entra com um vigor que provavelmente nao virá em nenhuma outra fase, ou atividade, de suas vidas. Além disso, sao muito mais bem tratados nos torneios, tendo suas vontades e necessidades atendidas nos mínimos detalhes. Um dos diretores do Torneio de Roma disse que semanas antes do evento eles recebem uma lista detalhada do que deve ser disponibilizado no restaurante do local para atender a restrita dieta de Novak Djokovic. Atualmente os melhores tenistas viajam com uma comitiva para cuidar de todas suas necessidades; fisio, preparador físico, massagista, manager, aspones, rebatedores etc, para que só lhes reste entrar na quadra e dar nas bolinhas. O resto é a comitiva ou os organizadores que atendem.

Além disso tudo, emocionalmente também ficou mais fácil, em inúmeros aspectos, ficar no circuito anos a mais do que era o padrão. Hoje os tenistas podem conversar com membros de suas famílias, namoradas, casos, agentes, banqueiros, técnicos etc por Skype/Facetime etc. O cara viaja, mas segue próximo de casa. Tem cara que pede o jantar no quarto do hotel, coloca o Ipad na sua frente, com a imagem da família jantando no outro lado do mundo com o Ipad na mesa. Pode parecer maluco – e é – mas tudo isso faz uma enorme diferença na mente e coração do atleta. Nao muito tempo atrás o tenista ligava, quando muito, uma vez por semana para casa, sendo o padrão uma vez a cada duas ou três semanas. Poucos anos atrás eu entrava no lobby do hotel pouco antes da hora do jantar, onde existia free wi-fi, e quase todos estavam lá com seus headphones e computadores falando “sozinhos”. Hoje já ficam no quarto, já que agora é padrão os hotéis oferecerem free wi-fi nos quartos. Tudo isso tem feito a vida do tenista mais fácil, permitindo e incentivando carreiras mais longas e prosperas, o que, novamente, se constitui em uma forte barreira para os mais novos. Nos últimos 10 anos somente um jovem surpreendeu e venceu um Slam – Del Potro, em New York, às vésperas de completar 21 anos. No resto das vezes, foram somente os Fab4, Wawrinka aos 28 anos e Cilic aos 26 anos. É um muito pouco para reciclar campeões.

 

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segunda-feira, 18 de maio de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 16:17

O cara pra Paris

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Após Roma, a pergunta que nao quer calar: tem alguém que possa tirar o título de Roland Garros de Novak Djokovic?

Rafael Nadal terá que fazer sua maior mágica para ganhar mais uma vez. Acho difícil. Além de estar mais vulnerável, perdeu um pouco o respeito dos adversários, que começam a vê-lo como uma boa oportunidade de saírem bem nos jornais. Ele teve algumas oportunidades nos torneios preparatórios, mas nao conseguiu levantar para o patamar necessário.

O Boniton Federer é uma boa maneira de se ganhar uma graninha de um amigo mais desavisado. Federer está naquele ponto em sua carreira que vence muito tenista bom, mas nao ganha a grande final. O cara é #2 do mundo, mas nao vai levar Roland Garros. Sao jogos no saibro e 5 sets, onde o tenista tem que estar disposto a comer o pao que o diabo amassou. Algo que saiu do radar do Boniton. Sua final em Roma foi lastimável. Primeiro falou que o Djoko nao é o Nadal no saibro. Falou pra que??? Lutou o primeiro set e perdeu. Quando nao levou, largou. Feio.

Bem, tem o Ferrer. O cara é encardido, mas empaca quando enfrenta os manjados cachorroes. Pode até chegar à final, mas….

Teve um dia, na semana retrasada, que eu pensei: vou ganhar uma grana apostando no Nacional Kid. Isso pelo perigoso tenis que vinha jogando. Mas aí se encolheu total contra o Murray em Madrid (aquilo foi horrível) e o Novak em Roma. O cara ainda nao tem “nome” pra ganhar dos caras.

E ia falar do Berdich, mas aí achei que iria perder a moral com meus leitores.

Tem o Murray. Mas quem aposta $100,00 no Bibi? Bem, eu aposto. O cara é maluco mesmo, vai que leva. Porque jogo ele tem. Mas a cabecinha…

Tudo isso pra dizer que, após Roma, fica claro que o cara é mesmo o sérvio. Está jogando muito, sólido, confiante e nas pontas dos cascos. Exatamente como deve ser para vencer um torneio complicado como Roland Garros.

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quarta-feira, 6 de maio de 2015 Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino, Wimbledon | 20:45

Circunstâncias

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Seria petulante escrever que Roger Federer perder do sacador Nick Kirgyos é fim de carreira? As circunstâncias, sempre elas. Para Roger perder de um cara quase cego sobre a terra é ruim, bem ruim. No fundo da quadra o australiano é quase um 2a classe. Por outro lado, Roger foi à final de Istambul na semana passada, onde venceu, mesmo sem bater nenhum cachorrao, o que deve ter encostado na cota dele para as 2 semanas. Afinal, ele tem 33 anos, apesar de ainda nao pensar em ir para a cruz.

Outro detalhe a se considerar é que, desta vez, o caçador virou a presa. Madrid sempre foi um lugar que O Boniton gostou de jogar por conta das facilidades que a pequena altitude lhe traz. Madrid tem meros 650 metros, semelhante a Sao Paulo. Em comparação, o resto do circuito europeu é quase todo jogado abaixo de 100 metros. Ali o saque anda mais e o jogador agressivo lava vantagem. Quase sempre isso funciona a favor do suíço, mas quando tem que enfrentar um dos maiores sacadores do circuito o buraco é mais embaixo. Mesmo que ele seja cegueta, é também jovem, carudo e veloz.

Sim, passar por uma primeira rodada – mesmo sendo uma baba – dessas nao é assim tao simples. Mas seria tudo que o Boniton gostaria. Ele vinha de Istambul, na altura do mar e a algumas horas de voo. Precisava pegar o ritmo de Madrid e caiu contra o Kirgyos, que é um tremendo corta-físico. Se fosse até um cara mais sólido no saibro, que colocasse mais bolas em quadra, seria melhor. As circunstâncias!

Além disso, Roger deu, mais uma vez uma de Federer. Tinha o jogo nas maos, quando resolveu balançar o topete e deixar a cobra fumar. Pode isso, Arnaldo? Bem, Roger pode quase tudo, ou pelo menos passou boa parte de sua carreira podendo. Hoje o mundo mudou, os adversários nao sao mais os mesmos, nem as perninhas do Boniton. Por isso há que priorizar para nao dançar.

Mas, Federer resolveu ir a Istambul. Certo ele – eu também iria. Especialmente se me pagassem U$ 2 milhões pra bater umas bolinhas à beira do Bósforo; e sem chamar nenhum daqueles malas que gostam de ganhar de mim. O que vocês prefeririam? Ir lá e agarrar os U$2 milhoes de garantia ou priorizar o torneio em Madrid, onde Tiriac nao abre a mao para dar bom dia?

A esta altura, Roger pegou seu jatinho e foi dormir em casa pensando nas baklavas que comeu em Istambul. Descansa uns dias e vai a Roma, antes de Roland Garros. Tudo isso, na verdade, pensando em Wimbledon, onde ele sabe ter uma das ultimas chances de faturar um Grand Slam. É isso, em termos de grandes conquistas a que ficou acostumado. Lhe resta também fazer uma canjas mundo afora, como foi em Istambul, aonde nunca fora, mostrando aos fas do tênis o que eles vao perder quando ele finalmente aposentar as raquetes. Aí nao haverá circunstâncias que preencham nosso vazio.

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segunda-feira, 23 de março de 2015 História, Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino | 13:27

Semi deuses

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Nao vou dizer que Roger Federer é burro porque eu nao sou louco nem é verdade. Mas posso, sem muito risco, dizer que ele sub utiliza o importante quesito tática em uma quadra de tênis. O suíço é totalmente intuitivo, o que é compreensível, esperado e frequente em um tenista, e soberbo, o que, em certas circunstâncias pode até ser uma qualidade para um tenista e, em outras, uma massacrante falha.

Esse casamento faz com que ele feche a porta para explorar um melhor aproveitamento das magníficas armas técnicas que possui, um dom dos deuses que ele soube, através dos tempos de sua carreira, aprimorar. Sim ele progrediu muito, porque ali o campo era fértil como nunca dantes visto em uma quadra de tênis. Mas ele escolheu onde queria progredir e onde nao queria nem saber. Infelizmente, com essa segunda opçao deixou de fora opçoes que poderiam ter feito dele um tenista ainda mais magistral do que é, e o é muito pelo que Deus lhe deu.

Temos no circuito tudo quanto é tipo de tenista. Uma gama tao ampla como as impressoes digitais. Nao temos dois iguais. O leitor já parou para pensar o que nao temos dois que batem os golpes, inclusive o saque, da exata mesma maneira? Quantos “estilos” voces já identificaram na maneira de chutar uma bola, arremessar uma bola de basquete ou cortar uma bola de volei?

E nao só temos as diferenças das técnicas e plasticidade dos golpes, como temos as diferenças de físico e seu preparo, disciplina, tática, mental e emocional, e aí entramos em um cenário extenso como o universo, que é extenso pra chuchu, e por aí vamos.

Tem jogador por aí que é tao carente em talento quanto um zagueirao à Felipao, mas que compensa com seu emocional. Outros compensam ligando o computador para pensar cada vez que entram em quadra (e nao sao tantos) ou mesmo os que entendem a importância da paixao pela disputa, a entrega pela vitória (alouuu Nadal) para poderem tirar leite de pedra.

Federer leva seus oponentes às portas da insânia com a facilidade, e quase displicência, com que faz o que os outros só conseguem nos seus melhores sonhos. Ele nos ilumina a todos ao nos deixar crer que tudo é possível dentro de uma quadra, com uma raquete na mao e uma bolinha vindo em nossa direçao. É uma decepçao, mas, como tantas, tao agradável e necessária para enfrentarmos a massacrante e cruel realidade. E de tanto acreditar nessa fantasia-realidade, Fededer deixou de investiu em ferramentas que pudessem trazer esse mundo paralelo mais próximo da suja realidade e assim se tornar no tenista completo. Se satisfez em se tornar um semi-deus, quando teve, e nao me lembro que tenha visto antes, a oportunidade de ser um deus.

Se Djokvic tem planos de se tornar também um semi-deus nao será da mesma turma de Federer. Mas o cara está próximo do objetivo na área da excelência física e da técnica adquirida, assim como Nadal já é o semi-deus do mental-emocional.

Novak é um tenista a ser colocado em um pedestal por técnicos e juvenis que tem aspiraçoes em se tornar um grande jogador. Os deuses foram um tanto pao duros com eles nos talentos, mas extremamente generosos na disciplina e na entrega. O rapaz é uma inspiração e vem crescendo a cada temporada. É o atual melhor jogador do mundo – por uma boa raquete. Ele está extremamente sólido em seus golpes – talvez nao tanto no serviço! – e muuuito forte mentalmente. Sabem lá o que é, a cada vez que entra em quadra para enfrentar essa mala suíça, o estádio inteiro torcer pelo adversário? Por que nao se dá o crédito devido a esse fenômeno que atualmente é o #1 do planeta?!

Federer tem o arsenal para perturbar essa fortaleza técnica/emocional, mas nao usa. Ou melhor – usa, mas assim que adquire alguma vantagem, cessa de usar porque deve achar que é feio. Sei, o rapaz deve odiar o Dunga (bem, aí é sacanagem a comparaçao) e amar o Tele Santana, mesmo o da Copa82; jogando bonito, mas perdendo.

Atualmente Federer nao pode nem pensar em um jogo franco com Djoko. Sao velocidades diferentes e golpes discrepantes quando batidos na corrida e a conta nao fecha pra ele. Variaçoes de ritmo – bolas menos pesadas, ou mais altas, sem intençao de “atravessar” o Djoko, e slices, um ou dois, seguidos de ataques de direita, já que ElDjoko precisa da força alheia para fazer sua bola andar – quando vem sem peso ele totalmente tira a mao, “oferecendo” a bola ao adversário – seriam, e foram, sua melhor opçao. Mas, pelas barbas do profeta, cada vez que o Boniton abria uma vantagem nos games voltava para o “showtime” e possibilitava o Djoko escapar da armadilha. Essa insistência, por fim lhe fechou a porta à mais um título que seu talento, enganosamente, já toma como certo.

Como dizem os que nao querem esperar pelo próximo mundo, aqui se faz e aqui se paga. Sem esquecer Oscar Wilde: nao há pecado, exceto a burrice.

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quarta-feira, 18 de março de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer | 14:54

Paixao pela vitória

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O horário, após o jantar, é conveniente para se relaxar frente à TV, escoltado pela parceira de vida, para acompanhar os jogos de tênis, uma das paixoes divididas. Por conta disso, tenho acompanhado Indian Wells com certa frequencia e vibrado com a qualidade das partidas. Nao só a qualidade técnica, que algo que quase que tomo como fato consumado no tênis atual, mas o equilíbrio e, consequentemente, a diferença que a combatividade projeta no resultado.

Para mim, o fascínio do tênis competitivo reside, acima de tudo, na administração do tenista dos aspectos emocionais e mentais que a competiçao apresenta. É lógico que é uma maravilha curtir a técnica domada, a limpeza do golpe bem executado, o atleticismo e o talento natural, assim como o adquirido, algo claro para os olhos treinados, a velocidade das pernas e os jogos de pés, o instinto para o desenho da jogada, assim como o plano pensado. Tudo isso sao facetas interessantes do jogo, mas ainda, pelo menos pra mim, submissas ao “jogar”, aquela qualidade para alguns subjetiva, pelo menos aos olhos dos desavisados e sofasistas, que faz do tenista que a possui um verdadeiro jogador de tênis e nao um mero executador de golpes que fez do tênis uma carreira, mesmo que praticada com empenho e disciplina, mas sem a entrega suprema, regida pela paixao pela vitória e o horror pela derrota.

Dessa maneira, curti a vitória do operário Ferrer, um dos ícones do estilo “jogador”, qualidade sem a qual seria um tenista mediano, sobre o parceiro Dodig. Mas, mesmo essa qualidade nao foi o bastante para derrotar ManoTomic, que começa, finalmente, a entender o que é o Tenis, afinando seu enorme talento (que bela esquerda, tanto a reta como o slice), com o fator “jogo”, algo que salta aos olhos quando se considera, por exemplo, o coitado do Gulbis.

Nishikori é outro tenista que encaixa no quesito. Com golpes redondos e bem trabalhados, mas com pouca estatura, está entre os melhores do mundo porque sabe arrancar a vitória do adversário. O Robredo é outro para quem tiro o chapéu cada vez que o assisto. Com golpes nao mais do que padrao, sabe incomodar e vencer – um belissimo jogador. Será interessante ele enfrentar o “freak” Topetinho Raonic – alias o cara melhorou muito no fundo da quadra, era quase cego – dono do saque mais perigoso do circuito, um golpe que ele aprimora o tempo todo e o executa com maestria. Aiii se eu tivesse 2m de altura.

Nao vou nem falar do Nadal, o ícone máximo no assunto. Mas temos muitos excelentes jogos pelas oitavas de Indian Wells para acompanhar esta noite. E, lógico, vou até curtir o Federer, antes que se aposente, que voltou a ficar “esperto” em ganhar jogos sem se complicar, por conta da necessidade imperativa da idade e numero de jogos para vencer um evento, algo que ele tem feito raramente. Mesmo que para assistir o “mascara” Jack “Meias”, um tenista que se jogasse metade do que ele acha que joga varreria o Federer da quadra. Mas a realidade é cruel.

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