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Arquivo da Categoria Rio Open

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:29

Bernstein

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É difícil ter brasileiro em quadra e nao ter emoçao nas arquibancadas. Porém, há emoçoes e emoçoes. Ontem, pela 2a rodada, Teliana Pereira fez um jogo emocionante com a chatinha da austríaca Mayr. Apesar de decidido em dois sets – 6/2 7/6 – a partida foi equilibrada do começo ao fim.

Teliana entrou mais à vontade na Central, já que sua adversária deve preferir quadras menores e afastadas, onde ela e seus acompanhantes podem intimidar e barbarizar com as adversárias, como foi com a Secretária Schvedova. Ontem, ela e os rapazes ficaram pianinhos, até porque o tiro sairia pela culatra se se metessem a besta com a torcida. O máximo foram alguns chiliques da austríaca, que viu seu favoritismo naufragar.

Teliana é uma tenista disciplinada taticamente. Entrou em quadra sabendo que teria que focar seu jogo no revés da adversária e de lá só saiu quando o desenho tático urgia e para dar as necessária variadas. Fora isso, ficou na estratégia “agua mole em pedra dura”, esperando a Mayr cometer o erro primeiro, já que esta joga mais plano e arrisca mais – e fica toda nervosinha quando erra. Vai ficar muito nervosinha vida afora.

Tao bom quanto ser disciplinada, Teliana soube manter a tranquilidade e intensidade quando precisou. Ao estar perdendo por 2×5 no 2o set, e ficar no jogo para vira-lo, e no tie break, a hora da onça beber água no jogo. No topo de tudo isso a moça soube elevar seu padrao ao jogar em casa, sempre uma oportunidade única, e momento de se mostrar do que se é feito. Teliana abraçou todas.

O público ainda nao pegou o jeito e nem abraçou o tenista Dolgolopov. Ontem ele, publico, preferiu torcer para o argentino Facundo, um belo tenista também. Dog é um tenista totalmente fora da caixa e um dos meus favoritos de se assistir. O cara faz de tudo e mais um pouco. Dá porrada, dá balao, dá curtinhas encardidas, dá top spin, dá um slice com freio de mao, tem um saque maluco e ele mesmo é um maluco beleza. Tem tudo de um showman. Para curtir.

Já o Fognini é um brincalhao. Ele é tao lento para caminhar – algo que os italianos enxergam como sua marca registrada – que às vezes, nas trocas de lado, parece que vai chegar na sua cadeira na hora de levantar. Isso sem contar que fica com aquela cara de paisagem como se tivesse em quadra fazendo um favor à humanidade. Fora a habilidade e o talento! Hoje tem Fognini e Dog, partidaça imperdível – os caras vao se matar no calor.

O jogo de ontem do Rafa Nadal é sem comentários. O adversário joga solto, faz tudo e mais um pouco e mais consegue fazer game no homem. Parece que só dando um tiro.

Ontem voltou a fazer calor no Rio. Hoje continua. Vai fazer uns 35o e no Domingo chega a 38o. Isso vai fazer suas vítimas em quadra. Vai ter gente no meio da partida amaldiçoando o dia que pegou na raquete. À noite é uma delícia, na hora do almoço e início da tarde um inferno, hora que a Teliana, moreninha jambo, enfrenta Begu, a romena da Transilvania.

Façam suas apostas. Esta noite, em pleno horário nobre, na delícia da noite, Thomaz Bellucci tem um dos principais jogos de sua carreira. Enfrenta, em casa, o “operário” Ferrer, um dos cachorroes do circuito, neguinho que nao dá nada pra ninguém em quadra e por isso tem o respeito de todos. A torcida vai estar babando e pronta para o que der e vier. Só precisará de um regente. Espero que Bellucci tenha sua noite de Bernstein.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:40

Shazan

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Lá pelos lados do Rio Grande do Norte tem umas dunas onde você pode fazer um passeio de buggy – é um dos programas “obrigatórios” da cidade de Natal – onde a primeira coisa que o motorista te pergunta é: com ou sem emoçao? Pois é, eu sempre peço sem, como se precisasse de mais emoçao ao entrar em um buggy no perigoso sobe e desce das areias finas que invadem a cidade. Mas imagino que o Thomaz Bellucci deve pedir com emoçao. Nao existe torcer para o rapaz e achar que vai tudo ser na tranquilidade. Nananinhanao.

Ontem, contra o argentino Monaco, foi mais uma partida montanha russa. Após uma hesitaçao no início, Thomaz foi se soltando, cortando os erros e até aparecendo na rede. A partir do 5×2 no 2o set gritou “shazan” e tornou-se um super tenista. Começou a acelerar as bolas, dos dois lados, alugou o revés do argentino com propriedade e largou a mao na paralela quando surgiu a oportunidade. Essa maravilhosa viagem da “confiatrix” durou uns bons games, o bastante para abrir uma margem de dois breaks no set final. Na hora da onça beber água vacilou barbaridades e tentou, de algumas maneiras, colocar um hermano capenga de volta na partida. Graças a Deus seus esforços foram infrutíferos. Sendo assim, saiu da Central com uma bela vitória sobre um tenista perigoso no saibro.

Bem, agora que o técnico espanhol Clavet o convenceu a usar o “slice” – Aleluia!! – poderia também tentar convence-lo daquilo que seus fas mais pedem. Abandona a curtinha, Thomas, abandona. Pelo menos nas horas importantes, onde ele sempre erra, já que ir pra curtinha nessas horas é mais sinal de nervos do que de opçao tática. Nas horas nao importantes é mais fácil, ele acerta e acha que é legal.

Acompanhei o bate bola da checa Klara Zakopalova. A #1 do torneio tem um revés com as duas maos interessante. Nao faz a mínima força e a bola anda barbaridades. Isso é talento, é entender o conceito que é jeito e nao força. Algo como o Phil Mickelson no golfe. Uma aula de tênis ambulante a moça.

Já que é para aprender algo, a garotada, ao invés de só querer acompanhar jogo do Nadal, podia acompanhar o do Robredo. Iriam aprender mais de como jogar tênis. O cara é um ser pensante, tem técnica limitada e exatamente por isso tem que pensar mais para poder sobreviver entre os cachorroes. Mas, eu sei, a massa coletiva nao é o ser mais pensante do planeta. Todo mundo no Nadal e poucos no Robredo. Deixemos claro: deveria ser todo mundo no Nadal e todo mundo no Robredo, já que a maioria presente nos jogos é, claramente, tenista.

O que tenho visto pouco no Rio Open é a molecada. Cade os tenistas infantis do Rio de Janeiro? Um torneio destes deveria trazer centenas, se nao milhares, de jovens, especialmente à tarde e noite, para as quadras do Jockey. Nao entendi.

Continuo me divertindo mais nas quadras secundárias do que na Central. Até fica a sugestao de a organizaçao dar uma melhorada nessas quadras para o ano que vem. A quadra 4 e 6 nao tem arquibancadas e o pau corre solto nessas quadras, assim como em outras. Na 6 ainda pode-se encostar na grade, na 4 se é obrigado a ficar mais longe ainda. A 2, 3 e 4 têm arquibancadas em cima, local que ainda precisa ser administrado a entrada do publico. Ali o problema é quase insolúvel, pois só existem as entradas laterais e sao para três quadras. Eles tentaram resolver colocando só treinos na do meio, o que ajuda se o publico ajudasse. Ficaria mais legal colocando mini arquibancadas laterais. Nao se pode esquecer que sao dois torneios concomitantes e só tem jogao!

Na quadra 6, eu acompanhei, sem pestanejar, a vitória da polonesa Piter sobre a alema Pfizenmayer. Parecia vingança da II Guerra. A polonesa é super leve, com pernas delgadas e sem musculatura. Corre como uma coelha. A alema, mais troncuda e com mais peso de bola. Só que mais temperamental, enquanto a adversária corria atrás de tudo, nao largava nada, vibrava barbaridades, batendo no peito e apontando o dedo aos céus. Foi um belíssimo confronto, acompanhado por poucas pessoa de pé com o sol na cabeça. Eu me coloquei, estrategicamente, debaixo de uma árvore e, grudado na grade lateral, me diverti barbaridades.

Se eu já acho legal assistir as duplas na TV, quando tem, acompanha-las praticamente dentro da quadra é imbativel. Nao entendo como nao tem mais gente ainda acompanhando. Moçada, eventos como esse é uma vez por ano, quando nao menos. Se gosta de tênis deveria estar lá com a cara enfiada na tela babando e vibrando.

Hoje já tem menos simples nas quadras secundárias, mas ainda tem muitas duplas. O interessante da chamada de hoje é que o Rafa Nadal deve ter “pedido” para nao o colocarem no ultimo jogo da noite e sim no primeiro, às 19h. Como o Belo e o Ferrer jogaram ontem, o ultimo jogo ficou entre o espanhol Albert Ramos e o português Joao Souza, o que nao deve dar muito ibope. Nao entendi. Nao dava para colocar a Teliana, que joga às 16h, um bom horário também, ou o Fognini ou mesmo o Dog, tenistas com mais appeal? Ou o segundo horário da noite deixou de ser uma prioridade?

Mas nao se enganem, o evento é um must, para tenistas e nao tenistas. Estou no Rio e nao fui à praia. Nao saio do Jockey.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 Rio Open, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:54

Milho pra bode

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Surpresas sempre há. Agora há surpresas e surpresas. Na 2a feira vi o Nicolas Almagro batendo bolas com um qualy. Uma piada. O Almagro foi aquilo que se chama de corta-físico. Se estivesse em quadra com alguém melhor rankeado o cara mandava ele às favas e o deixava falando sozinho. Ele simplesmente ia para winner todas as bolas. O set foi uma piada – ele nao queria trocar duas bolas. Até que estava legal de assistir, porque o cara é muuuito talentoso e pega na bola como poucos. A maneira como usa o pulso é fenomenal.

Ontem quando ele o Dolgopolov entraram em quadra eu sabia que podia acontecer qualquer coisa. E aconteceu. No primeiro set o Almagro jogou como no treino. Entrou tudo e foi 6/2 para ele. No 2o set ele também jogou igual, pelo menos no começo. Aí ele perdeu um game, o foco, se irritou, e como ele gosta de se irritar, começou a errar tudo e colocou o outro no jogo. No 3o o Almagro simplesmente mandou o jogo para o saco – 6/0. Entregou legal. Eu sempre achei que falta um parafuso na cabeça do espanhol. E agora, ele fica a semana inteira para jogar em Sao Paulo? Ou fica doente, toma um aviao para a Espanha e zuzu bem?

Outra surpresa, esta mais agradável, foi a vitória da Teliana Pereira. Ele ficou no jogo, brigou o tempo todo e conseguiu um belo upset, a chamada zebra. Bater a 60 do mundo, a romena Cadantu, com ranking bem melhor do que o seu, de maneira categórica, em dois sets, é um feito a ser guardado e aproveitado com carinho. Pode fazer maravilhas pela confiança, que é o grande diferencial de quem está no seu estágio, na carreira e no ranking. Na próxima rodada ele enfrenta a austríaca Achleitner (ver abaixo).

Apesar de ser a cabeça #2 do torneio nao chega a ser grande surpresa a derrota da Schiavone, um dia campea de Roland Garros. O tempo dela vem passando e suas adversárias sabem e nao perdoam. A espanhola Dominguez Lino, uma baixinha ranheta, nao tomou conhecimento da idade e experiência da adversária.

A Secretária Shvedova continua sendo um mistério para mim, assim como a alma russa, algo que só Tolstoi ou Dostoievski para tentar decifrar. A moça, que abandonou a cidadania russa para, segundo ela, jogar Fed Cup e Olimpíadas, por conta da competição local. A grana, suspeito, deve ter ajudado. Nos treinos ele usa aqueles calçaozoes e camisas características das tenistas de opçao homosexual. Nos jogos ele se veste como mocinha, toda elegante e sensual. Desde 2012 que ela vem jogando abaixo do padrao que eu tenho para ela – atualmente é #79 no ranking. Ontem ela foi eliminada em dois sets pela austríaca Achleitner em dois sets quase apertados. Na arquibancada, o técnico da austríaco tinha, claramente, a agenda de azucrinar a adversária, batendo palmas em TODOS os pontos, incluindo os erros da Secretária – algo para se ficar atento no jogo com Teliana. Schvedova, visivelmente importunada, olhava com carinha de cachorrinho para o algoz – mas em nenhum instante disse uma palavra ou reclamou. E foi uma lady ao cumprimentar a juiza e adversária no final. Há tenistas e tenistas.

Rafael Nadal lotou a Quadra Central logo no 1o confronto. Ninguém quis dar sopa para o azar e perder a chance; como se o Animal tomasse dessa sopa. Com ele nao tem conversa. O oponente pode jogar o quanto quiser que ele acha uma maneira de vencer. Ontem foi assim. O conterrâneo Gimeno Traver jogou muito, levantou a galera e a fez acreditar valer a pena o ingresso. Por mais que as arquibancadas desse uma maozinha, querendo um 3o set, nao teve acerto. Nadal, que está muito veloz – uma brincadeira – brigou, correu, barbarizou, mas nao deixou ter 3o set. Ali nao tem milho pra bode.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro | 11:45

Jogando em casa

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Ontem, 2a feira, foi um dia de brasileiros no Rio Open. Dos cinco jogos realizados na Central quatro envolveram brasileiros. De todos somente Thomaz Bellucci saiu de quadra vitorioso. O rapaz deve ter ido dormir contente. Esteve no perigo, soube aproveitar a força da torcida e aguentou o rojao na hora da onça beber água.

Laura Pigossi, primeira a entrar em quadra, ainda está longe do padrao das cavalonas e foi presa fácil da espanhola Espinosa. Bia Maia ainda está, como nao poderia deixar de estar, fora de jogo após meses contundida. Mas deu para ver que vontade de acertar e vencer nao falta após uma cena inusitada. Depois de dominar um ponto, quando tinha uma vantagem no 2o set, e terminar por perde-lo, Bia se auto deu alguns tapas no próprio rosto, deixando claro a frustraçao de quem deixa uma oportunidade escapar.

Joao Feijao Sousa fez jogo disputado com o qualy argentino Facundo Bagnis mas nao conseguiu se impor. Depois de muita luta, Feijao deixou a partida escapar ao errar três bolas em seu próprio serviço no set final.

Bellucci flertou com o perigo. Errou bastante no início, mostrando estar nervoso. Aos poucos se acalmou, entrou no jogo e passou o nervosismo para o outro lado da rede. A torcida fez sua parte, nao desistindo de seu conterrâneo que agora enfrenta o vencedor de Juan Monaco e Zeballos, dois argentinos. Em uma das quadras secundárias Guilherme Clezar foi eliminado por outro hermano, Delbonis, com facilidade.

Bruno Soares queria jogar na Quadra Central, mas jogou na Quadra 1. Chegou a reclamar no twitter de nao ser valorizado em seu país. Os organizadores explicam que o contrato com a ATP exige quatro simples diárias na Central e com a WTA duas simples. Nao cabem as duplas, que vem para a Central na final.

A emenda saiu melhor do que o soneto. A Quadra 1 é uma quadra menor, com arquibancadas nos quatro lados e o publico fica muito próximo e um pouco acima da altura dos tenistas. Maravilha! O publico lotou o local, sem tumultos ou filas. O ambiente foi formado.

Os fas participaram, que é sempre o cenário ideal no tênis, se entusiasmou com a qualidade mostrada em quadra e se divertiu barbaridades. Dava para ver que a esmagadora maioria nas arquibancadas era de “tenistas” apreciando o jogo. No fim, ficou um gosto de quero mais e um cenário melhor do que se o jogo acontecesse na Central, sem sua capacidade tomada, como aconteceu na Quadra 1.

Vale mencionar que apesar da categoria de Bruno e seu parceiro Peya, o melhor em quadra foi Andre Sá que fez até chover – o jogo foi interrompido no 3×0 do tiebreacao. O mineiro teve que carregar uma mala sem alça, já que seu parceiro, Juan Monaco, joga tanto duplas como eu jogo curling. Andre esteve lépido, empolgado, arrojado, preciso e deve ter saído contente da quadra com sua performance. Mas nao se enganem, Bruno também fez um jogao e mostrou que quer jogar bem para seu publico, sempre algo especial para aqueles que entendem um das mais fascinantes aspectos do tênis. A oportunidade de jogar em casa.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014 Rio Open | 10:54

Bem vindo

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O cenário é majestoso. O background, com as pistas do Jockey Clube e as montanhas subindo até o Cristo Redentor deslumbra qualquer um. Torneios outdoors sao quase sempre mais interessantes do que os indoors; um no Rio de Janeiro é sacanagem.

O evento será na sede do Jockey Clube até 2016, quando, a principio, será transferido para as quadras do complexo olímpico lá pelos lados de Jacarepagua. Por isso é bom aproveitar. Afinal o local agora é de um privilégio sem fim, vizinho ao Leblon e o Jardim Botânico.

Ainda há certas confusoes, especialmente na entrada, onde o pessoal nao estava se entendendo muito bem no estacionamento – imagino que também por conta de todos os sócios do clube que continuam com o direito de frequentar o Jockey e de ontem ser Domingo. E nao podemos deixar de lembrar que estamos no Rio de Janeiro. Mas lá dentro as dependências impressionam de maneira positiva. Dá para ver que os organizadores buscaram os mínimos detalhes para deixar o evento interessante e hospitaleiro. Nao houve economias tolas, especialmente para quem quer fazer um evento deste calibre e para quem paga para frequenta-lo.

As dependências, enormes, foram divididas por seçoes, como todos os eventos, onde se tem acesso parcial conforme seu ingresso ou crachá. Ontem havia muita gente pelas alamedas, até por ser Domingo e sem grandes jogos na Central. Mas estava gostoso de se passear pelas quadras. Assim que cheguei, lá pelas 11hs, Nadal estava em uma das quadras de treino, onde o publico lotava as escassas arquibancadas e, principalmente, seus arredores. Uma festa!

Essas quadras de treino sao um espetáculo à parte e bem à vista de todos que chegam – geralmente elas sao escondidas, de mais difícil acesso. Como ali sao na cara de todos, os treinos ficam uma festa e eu passei um bom tempo por ali assistindo, conversando e me divertindo. O publico pode ficar na lateral, mas acaba ficando atrás das quadras, onde existe uma calçada de muito trafico e espaço, e é ali que me posicionei, junto com outros.

O pessoal conversava como se estivessem em suas casas – nada daquele silencio respeitoso do tênis – sem os excessos da bagunça. Na verdade há uma acomodaçao sutil do publico e dos tenistas. Geralmente o barulho que atrapalha e irrita no jogo é aquele de uma pessoa, ou poucos, que quebra o padrao. Como ali os decibéis estavam mais altos com constância, houve a acomodaçao dos tenistas que nao pareciam estar minimamente incomodados.

Acompanhei, entre outros, o Animal, Belluci, Teliana, a Secretária Schvedova, que é uma cavala de forte e gosta de usar calçao largao, argentinos, espanhois, ambos nao faltam, e várias mulheres que nao sei o nome e adoram sapecar as bolinhas. Como acontece nao tao raro, mais interessante do que muitos jogos.

Assisti um bocado de um jogo da ultima rodada do qualy feminino entre a russa Panova e a montenegrina Kovinic. A russa é um robot padrao, sem nenhum encanto para os olhos. Já a montenegrina é um caso à parte. Muito talentosa, tem uma tremenda direita, e insisto na direita, e um maravilhoso movimento de saque, algo mais raro no tênis feminino do que honestidade lá em Brasília. Até entre os homens nao há muitos iguais o dela. O problema é que a moça nao é tao alta quanto outras e tem um bundao maior do que as exigências da boa movimentaçao suplicam. Mas o talento… Será interessante acompanhar, mesmo que à distância, como essa moça de 19 anos, administrará esse conflito de qualidades e o quanto poderá progredir no circuito.

Como ontem o calor que vinha fustigando o Rio amenizou, e hoje parece que vamos pelo mesmo caminho, graças a Deus, estou ansioso pelo primeiro dia, vamos dizer oficial, do torneio. Pelo o que vi ontem será uma festa. Ontem quando voltava para o carro de minha carona, algo que pode, como já disse, ser um pequeno estresse pela distância, me perdi em algo muito mais interessante. A vista deslumbrante, os cavalos passando lentamente com sua majestade animal a menos de 5 metros de distância, imediatamente atrás o enorme gramado do Jockey e ao fundo a imponente moldura das montanhas abstrairam minha mente e me colocaram em um formidável conforto emocional. Bem vindo ao Rio Open, pensei.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro | 11:10

De olhos abertos

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O passeio até o Recreio dos Bandeirantes é longe. Passo pelo Sheraton, onde estao os tenistas do Rio Open, onde já fiquei algumas vezes, onde já se realizaram alguns torneios, inclusive uma Copa Davis, contra o Uruguai, em suas quadras com vista deslumbrante de toda orla de Ipanema. Depois passa-se por Miami, a chamada Barra, onde vi o Barrashopping, onde tivemos uma das vitórias de Copa Davis mais emocionantes, batendo Boris Becker e amigos – o local está irreconhecível, confesso que para melhor. Passei tambem por um mastodonte de concreto, que meu cicerone explica ser alguma coisa da musica, algo que foi usado só quatro ou cinco vezes e onde, diz ele, foi despejado montanhas de dinheiro como outros lugares por aqui que ninguem sabe explicar.

O clube onde Walter “Gringo” Priedkman construiu sua academia de tênis, aproveitando um local que estava abandonado, é em frente a uma praia de surfistas. O gaúcho Marcos Daniel, que estava no carro conosco, fica surpreso. Achava que nao conhecia o Recreio, mas tem certeza que já veio surfar naquela praia anos atrás.

Somos todos convidados para conhecer o projeto. Vários tenistas estao envolvidos, entre eles Fabiano de Paula e Marcelo Demoliner e muitos jovens em crescimento. O atual capitao da Davis, Joao Zwetsch, também veio para lá recentemente. O projeto é bancado pela Unimed e pela Estácio, cujo presidente Rogerio Melzi ajuda a anos o projeto de Gringo. Eles trabalham para que o know-how de gestao do mundo empresarial chegue ao mundo do ensinamento do tênis competitivo.

O evento foi para mostrar o projeto a alguns e reunir outros que já o conhecem. Marcos Daniel, amigo de longa data, me contou bastante de sua nova fase de vida. Bruno Soares, seu parceiro Peya e respectivas famílias estavam acompanhados de amigos mineirinhos que também jogam. Bruno foi treinar no Country, já que as quadras do Jockey estao disputadas, e chegou no fim da tarde. Joao Zwetsch chegou para o jantar. Bruno Rosa, que passou anos em universidade nos EUA e trabalhando na Faria Lima agora está na Estácio, levado por Melzi, entrou na quadra e segue dando legal na bolinha. Edu Faria, preparador físico do time da Davis, e que vejo sempre no Pinheiros, também presente.

Outros empresários, tenistas, professores ajudaram a fazer do churrasco a céu aberto um belo programa do meu primeiro dia de Rio Open. Tudo ornamentado pelo som de um exímio guitarrista e os vocais do impagável Domingo “Stewart” Venancio, que vocês conhecem porque de vez em quando comenta na SporTv, e eu conheço de 35 anos atrás. Na volta, no carro, quase dormi o sono dos justos, dos contentes. Só faltou fechar os olhos.

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