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Arquivo da Categoria Rafael Nadal

terça-feira, 27 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Rafael Nadal | 18:16

Mudou?

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Assistir jogo no meio da madrugada ninguém merece. O Maraucci me diz que chegou às 5h da manha na ESPN para render seja lá quem for e que o jogo entre Nadal e Berdich já era. Naquela hora eu estava tendo todos os tipos de sonhos maravilhosos que um homem pode desejar – e posso garantir que Nadal e Berdich nao fazem parte de nenhum deles. Quando muito alguma bobagem com a Ester Satorova, atrás de seus óculos escuros e fazendo carinha de desamparada.

Entao? Bem, entao o Berdich ganhou do Nadal, algo que nao estava no radar de ninguém, a nao ser de um dos dois. Sim, porque de bobeira tamanha freguesia nao iria para o ralo. Eram 17 derrotas seguidas. Isso é um massacre para a auto estima de qualquer um. E uma injeçao de confiatrix para quem está na outra ponta.

Ou o Rafa entrou duvidando ou o Berdich estava viajando. Como milagres nao existem, é mais fácil acreditar que Nadal piscou e o outro aproveitou. O que nao seria de surpreender pelo tempo que o espanhol ficou longe das quadras.

O jeito que vou acreditar que o Berdich mudou – uma das alternativas acima – é se ele ir lá e ganhar o seu primeiro Grand Slam, algo que ele já deveria ter feito antes. Porque volume de jogo ele tem, mas sempre lhe faltou o que lhe faltava para bater Nadal (tem nome pra isso?). Aí sim eu vou começar a acreditar em papai noel. Mas, por enquanto, me contento se ele bater o MalaMalucoMurray. Esse confronto promete, pois um dos dois terá que vencer. Curiosidade: o checo lidera 6×4, inclusive as duas ultimas, em 2013. A Esterzinha pode ganhar horas extras nas tvs do mundo.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 Copa Davis, Olimpíadas, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:18

Gala

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Thomaz Bellucci nao deve ser um cara muito bem quisto lá pelas terras tenisticas ibéricas. Gostado nao, respeitado sim. Suspeito que ele deva preferir o respeito, que dentro e fora de uma quadra é bom e faz bem.

A surpreendente derrota do time espanhol na Copa Davis, muito pelas maos de Bellucci (assim como dos mineiros) causou um terremoto por lá. E a conseqüência mais visível, e imprevisível, foi que o presidente da federaçao local, Jose Escanuela, decidiu indicar uma mulher como capita do time da Davis. Um brincalhao falando sério.

O presidente nao esteve presente em Sao Paulo. Segundo suas palavras “foi a primeira vez que nao esteve presente como presidente”. Eu diria que escolheu uma má hora, assim como outros tenistas que recusaram a convocaçao de Carlos Moya.

Após a derrota Escanuela tentou convencer Moya a ficar, mas o rapaz disse “no gracias”. Mostrou vergonha na cara, já que seus “amigos” lhe deixaram na mao.

E o que Escanuela fez? Convocou para seu lugar uma mulher – Gala Leon. O cara devia estar muito bravo com os tenistas. Eu diria que chamar alguém totalmente fora do cenário do tênis masculino, e ainda mais uma mulher, sem ter consultado um tenista sequer – pelo menos entre os possíveis convocados – foi uma atitude temerária dele, assim como ambiciosa dela em aceitar.

Começaram o ouvir imediatamente. O primeiro a chutar a porta, e aí nenhuma novidade, foi Tio Nadal que fala pelo lado “dark” de seu sobrinho. Totalmente contra. Alguns tentam dar a pecha de machismo à sua recusa, o que nao passa de mais uma idiotice politicamente correta. Se fosse um homem qualquer sem as devidas credenciais e ele reclamasse seria normal, sendo uma mulher, é machismo. Sei.

Só que a Gala nao tem mesmo as credenciais para o cargo. Afinal nao treina nenhum homem, nao conhece pessoalmente a maioria deles, nunca jogou Copa Davis e nao é uma técnica reconhecida e com lastro técnico e moral para sentar na cadeira e falar com Rafa Nadal no intervalo dos games. Por que entao?

Isso só o Sr. Escanuela sabe dizer. O fato é que a moça, que foi tenista top50, vem fazendo carreira como técnica na federaçao, o que muitas vezes é mais uma cargo político do que meritocrático. Ela esteve em Sao Paulo acompanhando o time como assistente técnico, indicada pela federaçao, nao pelo Moya, e, que eu me lembre, era a única mulher no enorme camarote do time espanhol – e sentada na ultima fileira e na ponta extrema do box. Chegou à janelinha rapidinho.

Fico imaginando se foi uma puniçao ao time de machos espanhois. Parece que assim que Moya recusou ele convocou Gala, mudou de idéia e quando as reclamaçoes apareceram confirmou a convocaçao como que por birra.

Lembrando, o cargo de Capitao do time é um de aglutinador, líder, comandante, de experiência e, nao menos importante, o de alguém a quem os tenistas respeitem e possam confiar. Afinal, eles sao os únicos interlocutores dos tenistas durante os jogos. É verdade que servem também de interlocutores entre os tenistas e os cartolas das federaçoes, algo importante. Mas, no caso, o tal presidente parece ter muito mais sua própria agenda, do que com a agenda que possa unir e motivar e unir novamente um time que já ganhou muito e nao parece mais tao interessado – duvido que vá ser a Gala, a moça da federaçao, que vá ter esse papel, que ela mesmo diz ser sua meta agora.

Gala já defendia anteriormente a puniçao a quem nao aceitasse uma convocaçao e agora defende que o contrato entre federaçao e os tenistas deva incluir uma cláusula de obrigatoriedade de participaçao na Davis e Fed quando convocados, por conta de todos os benefício, financeiros e outros, recebidos durante a carreira, que na Espanha nao sao poucos. Provavelmente nao colocaram antes porque nao acharam necessário, contando com a boa vontade e patriotismo dos tenistas, o real combustível da Copa Davis. Gala afirma que a federaçao já está trabalhando no novo contrato, algo que deve ser a nova política do presidente. De qualquer maneira, será uma experiência quase única – só três times tiveram mulheres no posto, todos irrelevante (Siria, San Marino, Moldávia e Panamá). Por outro lado, os tenistas podem tomar vergonha na cara e correr para defender a pátria – lembrando que quem nao o fizer em 2015 fica fora das Olimpíadas no Rio.

O fato é que o time espanhol envelheceu e nao apareceram tenistas do mesmo calibre para repor. Verdasco, Feliciano, Ferrer todos sao balzacas e Almagro, o incerto, padece de longa contusao, assim como Nadal, o pai de todos. A “nova” geraçao nao aguentou o tranco beluciano. No fim das contas, esse parece ser a real origem dos problemas que se tornaram visíveis graças às patadas de Thomaz Bellucci.

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Gala e o time no hotel em Sao Paulo antes da derrota.

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domingo, 14 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:38

Bode bravo

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Os espanhóis tiveram o que mereciam. A arrogância em abrir mao de seus melhores tenistas, em confronto na casa de um adversário que, aos olhos de quem joga e de quem manda no tênis ibérico nao exigia time melhor do que por aqui se apresentou, foi fator determinante na derrota deles e na vitória do Brasil. Porque este soube, fazendo a leitura do que os outros iam colocando na mesa, ter a humildade de reconhecer a sua pseudo desvantagem e a grandeza de acreditar que, a cada dia que passava, a vitória se tornava mais possível.

Eles começaram avisando que viriam de Nadal e mais três. No final das contas, ao ficar evidente que o Animal era carta fora do baralho, Carlos Moya e a federaçao espanhola nao tiveram a musculatura para trazer as estrelas de primeira grandeza como Ferrer, Verdasco ou Robredo, tenistas já sazonados e escolados na Davis, e acreditaram que a estrela em ascensão, Roberto Agut, já #15 do mundo, o que já faz dele um cachorrao, seguraria a peteca com a ajuda da “dupla de fundo de quadra” Marc Lopez e Granollers. Quando este acusou uma contusao e saiu de fininho a gravata apertou ainda mais no pescoço espanhol com a entrada do Marrero, uma mae em quadra. Estao pensando que isso aqui é a Venezuela?

Qualquer um, brasileiro ou espanhol, que sabe contar até três, sabia que a conta era apertada para o time brasileiro. Nao tinha negociaçao; os mineirinhos tinham que ganhar as duplas e Bellucci tinha que vencer suas duas partidas. Para quem acompanhou Belo nos últimos anos na Davis, a conta nao fechava bem.

Bellucci teve que se provar nos dois dias porque moleza nao existia. No primeiro conseguiu a proeza de, precisando vencer de qualquer maneira, sair perdendo por 2×0. Pablo Andujar teve até um match point para vencer em três sets. Nao o fez e deve estar sem dormir até agora. Mas os três sets seguidos foram todos méritos do Belo que jogou o seu melhor.

No sábado, a dupla brasileira fechou a porta na cara dos espanhóis sem dó – e ainda pegou na nariz de alguém. Marcelo Melo jogou muuuito tênis – no fundo e na rede – sendo o homem-chave em quadra. Devolveu como um Lord e soube impor sua envergadura em quadra. Nao fraquejou em um momento o que é de se tirar o chapéu. Bruno, o carismático líder do grupo, sacou muito – algo que melhorou bastante – e voleou barbaridades. Foi uma tunda.

O tal Agut achou. Achou mas nao levou. Deve estar buscando uma resposta de como pode abrir 4×1 no primeiro set e permitir que o outro fizesse cinco games seguidos. Também nao vai dormir bem esta semana pensando no game que tinha 40×0 no 4×3 do 30 set e permitiu Belo virar o game e o set. Aliás, esse game – quando Belo sacou nao sei quantos aces e salvou uns oito break points – junto com os dois primeiros games do 3o set, quando foi mais avassalador que uma arma de destruiçao em massa, foram coisas para assistir de joelhos e aplaudir de pé.

Tudo aconteceu pela mao e obra de Thomaz Bellucci que, aos 26 anos, começa a afinar e equilibrar seu emocional em quadra – mesmo que ainda distribuindo razoes para nos dar enfartes – abrindo uma série de portas para quartos ainda nao por ele desbravados, que podem modificar drasticamente sua carreira daqui para a frente. Na Davis e fora dela. Vamos deixar uma coisa clara: o paulista jogou muuuito tênis, assumiu a responsabilidade que lhe era imposta e se portou como o líder desse time. Nao é pouco. Aliás é bastante para lhe colocar em outro patamar.

Nao menos importante o capitao Joao Zwetsch, que só faltou pegar a raquete e entrar em quadra, soube segurar e amarrar todas as pontas, apesar de ataque de gente que tem agenda própria e egoista, Rogerio Dutra que sabe o que é espirito de Copa Davis e é reconhecido pelo resto do time como companheiro para o que der e vier, e o resto da equipe que sabe o valor e a importância da uniao e da força de quem senta atrás da cadeira do capitao. Ninguém, ou nenhum time, perde ou ganha na véspera. E este fim de semana a equipe brasileira soube ser o bode bravo que acabou com o milho que a soberba ibérica jogou no seu caminho.

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terça-feira, 2 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:56

Times de Brasil x Espanha

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Foram divulgadas as equipes de Brasil e Espanha que se enfrentarao pela repescagem da Copa Davis em Sao Paulo, logo após o US Open. Quem leu aqui lembrará que eu tinha sérias dúvidas da presença de Rafael Nadal no confronto. Quem foi mais cético nao ficou surpreso com a ausência de David Ferrer. Mas acho que os espanhois estao forçando um pouco sua sorte ao enviar um time composto por Agut, Granollers, Marrero e Marc Lopez.

O Brasil vai de mineirinhos Soares e Melo nas duplas e Bellucci e Rogerio Silva nas simples.

Ambos os times engessados com dois singlistas e dois duplistas. Se alguém se contunde é um problemaço, especialmente se for um singlista.

Se com Nadal, Ferrer e Verdasco tinha que ser muito otimista para acreditar em uma vitória brasileira, com o time escolhido pelo capitao Moya, provavelmente dentro do que se disponibilizou – porque tirando Nadal, os outros dois escolheram nao vir – ficou mais viável uma vitória brasileira.

A dupla deles é boa, bem boa, aliás eles tem mais de uma boa dupla por conta do Granollers, mas a nossa também – deve ser a partida mais emocionante do confronto.

Agut e Granolers nao sao nenhum terror, mas talvez os espanhóis tenham se baseado no fato de que ambos tem um recorde positivo contra Belo. Agut 1×0, no US Open do ano passado e Granollers nas três vezes que se enfrentaram no saibro.

A conta pra nós é simples: a dupla tem que ganhar, de preferência após um 1×1 no primeiro dia, quando se enfrentam Bellucci e Granollers e Rogerio x Agut. Belo TEM que ganhar esse jogo. Por isso seria melhor que jogasse a 1a partida para nao sentir a pressao de estar 0x1 (com a provável derrota de Rogerio), mas, talvez fosse ainda melhor jogar a segunda partida, quando o Ibirapuera já deve estar lotado pelo público e lhe desse um belo empurrao.

No terceiro dia, Belo jogará a primeira partida contra Agut, quando terá que vencer novamente. Isso é ser o líder do time, o que para alguns é motivaçao e para outros pressao.

Mas seria bem interessante em ver um possível jogo decisivo entre Rogerio e Granollers no ultimo confronto, dois tenistas com caracteristicas semelhantes. E Rogerio é de todos os singlistas o mais acanhado técnicamente, nao fica devendo no quesito coraçao de leao, o que se encaixa bem em um confronto de Copa Davis.

A minha maior preocupaçao é que o publico nao se desmotive com a ausência dos gran perros, compareça e prestigie o time brasileiro, já que o público faz enorme diferença nesses eventos.

PS: Apesar de ter enviado à FIT os quatro nomes que menciono acima, o capitao brasileiro, Joao Swetsch convocou cinco jogadores para o time. O quinto é Guilherme Clezar, que é seu pupilo pessoal. A provável idéia de Joao é colocar os caras para treinar e decidir entre os dois – Clezer e Silva – quem ficará na equipe. Isso porque nao existe time de cinco e sim de quatro. E apesar do nome enviado ser o de Rogerio, o capitao pode mudar um unico nome até a hora do sorteio, que acontece na 5a feira anterior aos jogos.

Sobre a pseudo polêmica da ausencia de Joao Feijao Souza em breve escreverei a respeito. Como eu bem sei, após anos de capitao do time da Davis, nem tudo que reluz é ouro e nem sempre as coisas, ou pessoas, sao como aparentam. E tem mais de um por aí que me confirma a certeza.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014 Copa Davis, Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, US Open | 12:06

Ausente em Nova York

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Sombreando o feito de Roger Federer em Cincinnati, Rafa Nadal divulgou hoje, logo na primeira hora, que nao jogará o US Open. Mais uma vez o espanhol sofre com suas contusoes, originadas pelo seu estilo de tênis, onde a brutalidade, a intensidade, a entrega, a falta de fluidez exigem de seu corpo algo que mesmo o Animal nao está preparado para dar.

Desta vez nao foram seus joelhos, as juntas que primeiro cedem por conta de sua principal característica, e sim o punho direito. Nao o esquerdo, mas o direito, aquele que usa para complementar o golpe de backhand. O problema apareceu semanas atrás, quando ele abandonou todos os torneios preparatórios para o US Open. Mas deixando a porta aberta, Rafa vinha postando fotos de seus treinamentos até a semana passada.

É um tanto estranho. Se vinha treinando é porque estava liberado. Talvez tenha decidido que das duas uma: o pulso nao resistiria ao esforço de uma quinzena extremamente exigente ou nao teria tempo de estar em condiçoes técnicas e/ou físicas que seu padrao de qualidade exige. De qualquer maneira, qualquer que fosse a razao me parece correta, já que um tenista nao deve entrar em quadra para competir sem suas condiçoes ideais, especialmente um tenista como Nadal em um torneio como o US Open.

Rafa e seu pessoal sabe as as mais imediatas consequencias desse abandono. Ele perde 2000 pontos no ranking, já que nao defenderá seu título, o que por si já é uma depressao. Isso em um momento em que seu arqui rival chegará a Nova York com a pior das intençoes, vendo ali uma das suas ultimas chances de aumentar o hiato entre ambos em títulos de Grand Slams. Sua ausencia nao dá ao suíco a 2a colocaçao no ranking de bandeja. Federer terá que brigar por isso nas quadras já que ainda existirao 1180 pontos de diferença entre ambos.

Para os brasileiros aumenta a duvida que nao quer calar. Será que Rafa Nadal virá a Sao Paulo jogar a Copa Davis, que acontece na semana seguinte ao torneio de Nova York? Façam suas apostas.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:28

Um passo de cada vez.

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Os canadenses realizam um dos mais significativos Masters1000 do circuito, espelhado por um tal qual evento feminino. Sao realizados em duas cidades – Toronto e Montreal – apaziguando assim “franceses” e “ingleses”. Para melhorar ainda mais a dinâmica, homens e mulheres alternam as cidades a cada temporada.

Este ano, o masculino acontece em Toronto e os fas locais estao correndo às bilheterias com disposição ímpar. Isso porque, pela primeira vez na história, dois canadenses se enfrentaram em uma final de torneio da ATP – em Washington e exatamente na semana passada. Melhor timing nao haveria.

Milos Raonic vem batendo pelas traves do circuito a pouco mais de uma temporada – acho que tudo tem seu tempo. Agora o rapaz, de origem iugoslava, já é o #6 do ranking. Para vocês verem o que um grande serviço pode oferecer a uma carreira.

Seu oponente foi Vasek Pospsil (#27), um grande talento de origem tcheca, ainda em busca do eterno fugidio equilíbrio. Os dois nasceram no mesmo ano (1990), sendo Vasek poucos meses mais velho. Algo que a personalidade em quadra nao espelha.

Raonic está um bom passo à frente – emocionalmente, estratégicamente e, consequentemente, técnicamente de seu conterrâneio.

Um sinal disso, à parte do ranking e a vitória na final, foi sua declaraçao, consciente, de quem sabe que no circuito é necessário assumir riscos calculados e, o principal, fazerem eles funcionarem.

Milos declarou que enquanto jogava e focava em vencer o Torneio de Washington, evento que teve Berdish, Nishokori, Gasquet, Isner entre outros, ele mantinha um olho bem aberto na semana seguinte. Nao só porque seria um Masters1000, mas por ser em casa. E tenista que vale seus calçoes sabe da importância de jogar muuuito bem em casa. E sabe, melhor ainda, ama, a pressao que isso traz.

Por isso tentou minimizar o dispêndio de energia, conseguindo vencer o evento sem perder um set. Ele venceu 52 dos 53 games de serviço e salvou 7 dos 8 break pointos que teve que encarar. Isso é ter consciência estratégica e saber coloca-la em prática. Tênis é bem mais do que dar na bolinha.

Agora vamos ver como ele lida com o fator “jogar em casa”, em torneio que todos os cachorroes – menos El Rafa que ainda esá contundido e é duvida até para o US Open – estarao presentes. Um passo de cada vez.

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quarta-feira, 18 de junho de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Wimbledon | 20:38

Os cabeças em Wimbledon

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Os ingleses anunciaram hoje os cabeças de chave em Wimbledon. Eles continuam se auto autorizando a fazer essa escolha conforme seus próprios parâmetros. Sao os únicos a fazê-lo, já que os americanos arquivaram o assunto após muitos protestos.

E qual esse critério dos ingleses? Seguinte:

1-Pegam os pontos do ranking ATP de 16 de junho
2-Acrescentam 100% dos pontos ganhos em todos os torneios sobre grama nos últimos 12 meses.
3-Acrescentam 75% ganhos no melhor resultado sobre grama nos últimos 12 meses anteriores aos 12 meses acima.

O interessante é que essa fórmula só vale para a chave masculina. A feminina obedece o ranking da WTA.

É justo? Sobre justo sabedoria popular tem um ditado grosseiro. É injusto? Nao – nem tanto, a nao ser por aquele último quesito. Mas é como é.

Vejam como sao os top13 da ATP:
1-Nadal
2-Djoko
3-Wawrinka
4-Federer
5-Murray
6-Berdich
7-Ferrer
8-Del Potro
9-Raonic
10-Gulbis
11-Isner
12-Nihokori
13-Dimitrov
14-Gasquet
15-Fognini
16-Youzhny

Vejam como ficou em Wimbledon:
1-Djoko
2-Nadal
3-Murray
4-Federer
5-Wawrinka
6-Berdich
7-Ferrer
8-Raonic
9-Isner
10-Nishikori
11-Dimitrov
12-Gulbis
13-Gasquet
14-Tsonga
15-Janowicz
16-Fognini

E quais as consequências disso? Esse ano até que muita. Andy Murray, o atual #5 do ranking da ATP, é o mais favorecido – nao esquecer que é o atual campeao. Em Wimbledon será #3. Poderia, pelo ranking ATP, cair contra um dos quatro primeiros ainda nas 4as de final. Agora só pegará um dos top dois nas semifinais. Ajuda.

Wawrinka o que leva a pior. Vai cair na rede.

Para Nadal e Djoko nao importa – é mais uma questao de status.

Bom também para Tsonga e Janowicz que estao entre os 16 cabeças. Ruim para Youzhny, único que dançou nessa.

As mulheres nao entram nessa história, provavelmente porque os organizadores acreditam que nao faz nenhuma diferença os estilos femininos de jogar na terra ou na grama. Aliás, no tênis feminino só tem praticamente um estilo, onde, entre outras coisas, o saque, cam rarissimas exceçoes, nao é um diferencial. Mas nenhuma delas vai ganhar a vida sacando e voleando.

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terça-feira, 10 de junho de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roland Garros | 19:01

Aquém e além

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O que posso escrever sobre a final masculina de Roland Garros?

O jogo era histórico, por tudo que já foi detalhado, e importava demais para ambos tenistas. Um que deve chegar a inéditos e impressionantes 10 títulos (até os 30 anos, apesar de cada ano daqui pra frente ser mais difícil e de sua corrida particular com Federer no total de títulos de GS – 14×17) em um GS, e outro que tentava seu primeiro título em Paris e fechar o circulo de títulos em todos eles (6 no total).

O jogo ficou aquém das minhas expectativas, especialmente após aquela magnífica semifinal no ano passado no mesmo palco. Os dois jogaram abaixo. E como um precisa exigir do outro – como os campeos fazem – a coisa nao decolou. Mesmo sendo uma final, onde existe mais em jogo e os nervos impedem, geralmente, a mesma qualidade, nao decolou.

Até pensei que pudesse ir por esse caminho após Novak vencer o 1o set, administrando a vantagem de ter vencido as ultimas quatro partidas entre ambos, nao conseguiu manter a qualidade na hora que Rafa alongou as bolas, aumentos o spin e brigou por sua vida. Afinal, ambos sabiam que uma vantagem de dois 2×0 em sets e a memória dos 4 jogos acabaria com o jogo. Entao, aquele final de set foi decisivo na partida. E Rafa foi mais jogador, enquanto Djoko vacilou ao perder o saque no 5×6 e nao cacifar a chance de levar para o TB, onde teria a vantagem emocional. Ali o confronto se definiu.

Djoko acusou o golpe. E sua mente enviou uma mensagem nao muito legal para seu emocional. Começou a sentir problemas estomacais, que culminaram com o vômito, o que, para quem conhece, é um claro sinal de problemas de nervos. O desejo de Djokovic pegava o caminho errado e lhe atrapalhava.

A coisa se sacramentou com a facilidade que Rafa venceu (6-2) o 3o set. A partir de entao a correnteza ficou do lado do espanhol.

Novak se acalmou, até porque o momento passou a ser do outro e nao mais seu, e procurou ficar no jogo, pagando para ver. Afinal, ele sabia, deve ter sido conversado com seu time, que Rafa vinha de sua pior temporada de saibro em anos, e a sua confiança nao era aquela princesa de olhos azuis.

Alí, naquele meio e fim do quarto set a briga ficou feia e foi o melhor momento do jogo em termos de emoçao. Até porque ambos deviam saber que Rafa estava mais esgotado do que Novak e, com tudo igual no placar, a pressao voltaria para Rafa. Alí foi a hora da onça beber água. E ali, mais uma vez, Novak sentiu. Fez 30×0 e tremeu. E com Rafa nao se treme, muito menos mais de uma vez, nao importa quantas qualidades se tenha.

Curiosidades:
1-Após vencer, Rafa abandonou a quadra e subiu ao seu camarote para encontrar seu pessoal. Passou pelo pai com breve abraço e, com pressa chegou ao tio. Alé cochicou que precisava que o fisioterapeuta descesse à quadra urgente. Quem acompanhou a premiaçao viu que o espanhol estava se acalambrando todo.
2-As estatisticas do jogo foram estranhas, bem estranhas, especialmente com o placar de 3×1 (2 sets de diferença) para Nadal.
O numero de bolas vencedoras quase identicos: 44×43 pra Nadal.
Na rede a mesma porcentagem 69%x68% Rafa
Pontos ganhos com 1o serviço. 73%x72% Nadal
Média de velocidade 1o saque: 182kmhx175 Novak / 2o saque: 145×136 Novak
As diferenças?:
Erros nao forçados: Novak:48 x Rafa 38
Break Points vencidos: Rafa 6 em 10 enquanto Novak 3 em 9. Aí …..
3-Novak realmente acreditava, após tudo o que aconteceu na temporada de saibro e nos 14 dias de RG até a final, que esta era sua chance de vencer Roland Garros. O cara foi simpaticissimo com o publico, e a imprensa francesa, toda a quinzena e até poliu bem seu francês, um must para ganhar a torcida local. Minha mulher até chorou.

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terça-feira, 3 de junho de 2014 Juvenis, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:35

O confronto

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O Ernst Gulbis decidiu que este seria o seu Grand Slam. Depois de anos aprontando pelo circuito e pela vida decidiu jogar tênis. Perigoso sempre foi. Bater Federer deve ter lhe dado uma boa injeçao do Confiatrix, porque ele castigou o Berdich sem dó. A pergunta é; ele pode bater o Djoko? A resposta positiva exige dois cenários. Primeiro que jogue bem cinco sets. E quando digo bem, quero dizer muito bem! E que mantenha o emocional até a hora de apertar a mao do adversário. Porque senao o outro morde. Cabeça mesmo o letao nao tem para bater o sérvio, que é uma das maiores forças mentais do circuito, atrás só do Animal Rafa. Entao Gulbis terá que jogar muito e Djoko abaixo de seu padrao de semifinal de Grand Slam. Senao dá Djoko, que está babando para vencer RG pela primeira vez.

Nadal deve varrer Ferrer, a final do ano passado está na cabeça de ambos, com certeza. O fato de ser jogada na SL e nao na Central, que é o quintal do Animal, ajuda Ferrer. Mas ele vai precisar mais do que isso. E esse mais terá que vir de alguma bobeira do Animal.

O jogo, que tem tudo para ser “O Confronto” de RG 2014 será na Quadra Central – ManoMonfils e MalaMurray. Este torneio está fraquinho de grandes jogos. Só me lembro de Federer x Gulbis, e mesmo assim Federer pisou na bola muito cedo no quinto. Nao deu aquele friozinha na barriga.

Esses dois contra atacadores e dois físicos privilegiados adoooram pontos longos. Podem bater o recorde de tempo de jogo em RG. Se nao me falha a memória, um confronto entre os franceses Santoro e Clement – 6 1/2hrs de empurraçao de bola em 2004. Como os dois sao malucos de dar dó, é melhor nao se apostar no jogo. E ganha quem tiver coragem de atacar na hora da onça beber água.

Se já era bom torcer pelo mineirinho Bruno Soares, ficou melhor ao ele escolher a Secretária Schvedova como parceira. Gosto dela e ainda me é uma incógnita o porque da moça nao se dar melhor nas simples. Mas é boa duplista, com ótimas devoluçoes, um bom saque e se vira na rede. Os dois deram um cascudo na dupla do coroa Nestor e a cavala Mladenovic e jogam a semifinal contra uma duplinha fantasma; Groenefeld/Rojer. Verdade seja dita, se chegaram à semis nao podem ser ruins. Mas sou mais a “nossa” dupla.

O juvenil Orlando Luz está socando os adversários. Bateu o russo Medvedev, um tenista que, com certeza, vai fazer carreira nem que seja só pelo serviço. Orlando nem piscou. Enfiou dois sets rapidinhos (1 e 3) no russo e está nas quartas. O garoto é muito forte mentalmente, o que é uma grande qualidade em um juvenil – veio para Paris para ganhar. O outro brasileiro, Marcelo Zormann, joga hoje contra outro russo, Khachanov, cabeça 3.

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domingo, 18 de maio de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 16:44

Recursos

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Rafael Nadal vai ter que fazer das tripas coraçao para vencer o Aberto da França que se aproxima. Apesar de ser um verdadeiro mágico, um guerreiro inigualável, eu tenho minhas dúvidas se ele conseguirá ficar com aquele título. Se conseguir será o seu mais respeitado título em Paris por conta das atuais circuntâncias.

Ele vem vencendo jogos na bacia das almas, mais por conta de seu espirito indômito do que qualquer outra de suas qualidades. Mas fazer isso em sete partidas consecutivas de cinco sets em uma quinzena nao será tarefa fácil, mesmo para quem conhece o caminho das pedras como ele.

O maior favorito será mesmo Novak Djokovic, que para ficar com o título terá de assumir a responsabilidade de vencer um evento onde Nadal reinou toda sua carreira e onde cada vez mais tenistas querem meter a mao. Só que le, Novak, é o que ainda tem mais condiçoes de realizar a tarefa. Se tem cabeça para isso é o que resta se descobrir.

Fica cada vez mais claro que, atualmente, Novak é um tenista mais completo do que Nadal – só nao é ainda mais jogador. Mas está cheio de caras mais tenistas do que Nadal, só que nenhum mais jogador. O que está, cada dia mais, perto desse perfil é El Djoko. Já esteve mais perto, dois anos atrás, mas nao conseguiu manter o padrao. O título que sempre lhe escapou, ou que Rafa nunca lhe permitiu por a mao, pode ser o seu próximo grande passo na carreira. Se vencer em Paris vai se consolidar como #1.

A final de Roma deixou duas coisas claras. Novak tem mais recursos que Rafa, mas o espanhol tem mais raça e ainda consegue ser mais estável. Hoje Novak harmonizou melhor as forças.

Na parte técnica tem um fundamento que é um enorme diferencial – a devoluçao. A devoluçao de Novak é mais consistentemente agressiva do que a de Nadal. A única vantagem que o espanhol leva é que ele, e o mundo, sabem que o 1o saque adversário vai sempre no seu revés, bem mais frágil. Já Novak tem ambos os lados tao bons que os caras sao obrigados a variarem o serviço. O resultado é que o sérvio consegue muito rapidamente neutralizar a vantagem do sacador, enquanto Nadal tem que se castigar durante algumas bolas para “entrar” no ponto.

A estatística espelha o raciocínio. Nadal venceu somente 55% dos pontos em seu 1o saque, enquanto que Novak venceu 71%. Ou seja, Rafa nao tem nenhuma vantagem quando saca, até porque com o 2o serviço venceu 43% dos pontos. Já o sérvio, venceu 55% dos pontos no seu 2o serviço, até mais do que Rafa ganhou com o 1o serviço. Desse jeito a conta nao fecha para o espanhol.

Olhando para trás, o jogo nao foi mais fácil para o sérvio porque o espanhol ainda tem mais moral do que ele e começou se impondo. Os caras já jogaram mais de 40 vezes o sérvio ainda entra nessa roubada. A partir do momento – início do 2o set – em que Djokovic começou a fazer o seu jogo, tomando a quadra e tirando o tempo e o espaço do adversário, teve a partida sob seu controle. E ela só saia de seu controle quando ele permitia e Nadal partia para o risco total, algo que ele começa a ter dificuldades onde nao tinha um ano atrás.

Mas foi um lapso mental, tao nao Nadal, que selou o destino da partida, quando o espanhol, perdendo por 3×4, se permitiu perder nove de dez pontos ( Novak teve muito a ver com isso, indo para suas bolas sem entrar em alta faixa de risco, uma arte dificílima) para deixar o adversário a duas bolas de vencer a partida. Novak nao se fez de rogado.

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