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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 11:02

Bem vindo

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Eu tinha cá outras pautas, que terão que esperar sua hora; mas a pauta que salta aos olhos é o retorno de Rafa Nadal ao circuito. Afinal, o tenista está afastado do circuito desde julho do ano passado, mais do que uma boa razão para a depressão de seus milhões de fãs. Aliás, minha mulher me chama a atenção para o fato de que no Facebook Roger Federer tem mais 12 milhões de fãs, Rafa mais de 11 e Djokovic menos de 3 e Murray menos de 1 milhão. Acho que isso fala alto sobre a realidade dos Fabs4, sobre a grande rivalidade da década e sobre a ausência de VamosRafa.

Nadal atualmente viu seu ranking cair para #5, pela ausencia das competições e será um alvo precioso para todos que o enfrentarem. O vestiário inteiro enxerga sua volta imediata como uma oportunidade de ouro para conseguir uma vitória dos sonhos.

Os problemas crônicos do espanhol foi uma bola cantada desde os primórdios de sua carreira por cronistas, fãs e críticos. Imagino que ele tinha consciência dos riscos. Não contemporizou, o que só me fez aumentar o respeito que tenho pelo atleta. Poderia ter feito como uns e outros, fugidos das quadras que lhe mais machucam, onde tinha dificuldades naturais e abreviar a carreira. Seguiu firme. Tentou, de tímida maneira, fazer modificações técnicas e estratégicas para minimizar. Mas não abriu mão de sua mais marcante característica – a entrega. Nunca antes um tenista se entregou à luta em quadra como esse cara – e por isso é adorado, respeitado, temido.

Talvez em sua volta ao circuito tente agregar mais algumas modificações visando o mesmo problema. Encurtar os pontos é uma possibilidade para quem tem seu estilo? O cruzadinha wozniacki tentou mudar o seu e vem se dando mal – mas ela não é Nadal. Quanto mais forte pode ele sacar e conseguir pontos gratuitos? Logo ele que não é um bom sacador. Quantas paralelas de direita irá dar em uma partida no saibro para surpreender o oponente, ele que gosta de ângulos e bolas mais altas? Talvez agora jogue menos em certos pisos.

Para nossa sorte, poderemos checar, no Brasil Open, a quanto anda o mito Nadal a partir da semana que vem, logo após o carnaval, possivelmente após quarta-feira de cinzas, o que dará tempo para os paulistanos voltarem à sua cidade.

Ontem ele fez sua rentrée sem maiores dramas ou estresses. Pegou um panga argentino (Delbonis) e fez um bom treino oficial (3 e 2). Também está jogando duplas em Vina del Mar, algo que ganhou uma importância especial para os envolvidos com a derrota prematura de seu parceiro Monaco, logo de cara, para um panga francês.

Mas a notícia é Rafa e aqui deixo os meus mais sinceros votos de boas vindas, excelente recuperação, felicidades e muito sucesso. Se ele precisa, não tenho receio de dizer que o Tênis precisa mais ainda.

Rafa em Vina del Mar

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:33

O desafio

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Foi-se o Aberto da Austrália e ficaram os números do evento. Alguns interessantes e indicativos de como anda o tênis como um todo. Como o desafio é a grande novidade no mundo do tênis…

Os jogadores aprenderam a usar o desafio. Ou não; só aprenderam a pedir o desafio, algo bem diferente. Sempre achei que um tenista consegue dizer se uma bola é fora ou boa, com razoável segurança, especialmente do seu lado. E também, intuitivamente, logo após o impacto em sua raquete.

Foram pedidos 943 desafios no AO. Somente em 29% dos casos os tenistas estavam certos. Os juízes de linha devem se sentir vingados! Foi uma média de 8.51 por jogo masculino e 4.58 no feminino. Só tem cego ou é algo mais?

Entre os homens – e só vou consideram quem fez mais de 10 desafios no torneio – o que teve a pior porcentagem de acerto foi o Baghdatis. Em 16 desafios só acertou uma vez. O Simon teve 16 e dois acertos. Dois fanfarrões.

O melhor foi James Duckworth, que em 12 desafios acertou 6 – 50%!!! De novo, foi o melhor com mais de 10 desafios. O Tsonga acertou 5 de 21. O Murray 8 de 34. Federer 7 de 16. Djoko 11 de 29.

Entre as mulheres, as brincalhonas foram a Jankovic com um acerto em 16 desafios. É melhor não falar nada! A Azarenka 3 em 17! Ivanovic 3 em 15. As melhores foram Sharapova com 7 em 13 e Radwanska 5 em 10. A Na Li até que desafia pouco – 8 vezes e foi à final. Deve saber que é cegueta, pois só acertou duas. A russa Valeria Savinikh só desafiou seis vezes, em três partidas, mas acertou cinco, um fenomeno. Vale o prêmio de consolação.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:58

Expectativas

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Início de temporada é interessante para ver se alguém voltou ao circuito com uma motivação diferenciada, uma confiança exacerbada, um preparo físico mais pungente, um golpe menos atávico, algo que nos acene com maiores alegrias e possíveis delírios sofasisticos.

O Davydenko dar uma aula ao Ferrer no Quatar e ainda contar prosa não é exatamente o que eu esperava. Mas, o russo afirmar que o espanhol, #5 do ranking, nunca o incomodou, por mudar pouco o ritmo e a forma de jogar, nos oferece uma mensagem sublimar sobre a mesmice que por vezes o tênis atravessa em termos de criatividade e estilo – o que explica o sucesso Federer.

Quando vi o resultado do jovem Harrison, batendo facilmente o Isner, pensei das duas uma: o garoto aprendeu e vai deslanchar, ou o Isner, de quem tenho maiores expectativas que a maioria dos fãs do tênis (em 2012 já ficou uns 4 meses no Top10), vai esvaziar a minha bola. Logo em seguida o Harrison toma um cascudo do Benneteau e o Isner diz que vai se afastar das quadras por conta de uma contusão no joelho, uma má notícia para qualquer um, pior para um tenista de 2m. Tudo se explica, caí do horse e sorte de Bellucci e companheiros.

O tal do australiano Bernard Tomic, outro talento com um jeito Rios de ser – não sei alguns desses talentosos pensam que devem, ou podem, como padrão, serem grandes babacas – começou bem o ano. Ganhou do Djoko em uma exibição – uma exibição sim, mas é melhor do que perder – e agora está na semi em Sidney. O rapaz anda mais sujo que pau de galinheiro em seu país e vem perdendo o respeito no circuito. Levou uma chamada elegante do Federer sobre seu comprometimento, o que mostra que o suíço sabe que ele pode jogar, mas não está jogando.

Esta semana Patrick Rafter, capitão da Davis da Austrália, e sempre visto como bom moço, avisou que o rapaz Tomic está fora de seus planos no curto prazo, por conta das babaquices que vem aprontando, dentro e fora das quadras, inclusive “largando” jogos, na Davis e no circuito. O papelão de Tomic, que largou o jogo em Hamburgo, na Davis, contra Mayer, (se borrou total) jogou a Austrália fora do Grupo Mundial e originou uma grande briga entre ambos – aliás, conheço bem esse fime.

Ninguém se bica com o rapaz, lembram que uma vez ele se recusou a treinar com o malahewitt em Wimbledon, uma roupa suja que acabou sendo lavada em publico, teve problemas com a polícia australiana por conta de suas aventuras automobilísticas, vive em guerra com a federação local e em Miami 2012 pediu ao juiz que expulsasse seu pai, o mala-mór, das arquibancadas.

Levar porrada de tudo quanto é lado mexe com qualquer um. Um tenista pode abaixar a cabeça e entrar mais no buraco ou pode usar o fato para se motivar. Com o perfil de Tomic, a minha expectativa que ele enxergue o mundo todo como errado e habitado por gente da pior espécie e que ele, coitadinho, é um incompreendido e perseguido, e por isso vai assumir missão de provar que é o cara e o resto um bando de idiotas que se exploda. Pode dar certo, afinal o mundo não é politicamente correto e, como dizia o filosofo, o inferno são os outros.

Tomic – por enquanto,  talento sem comprometimento.

Tomic e Rafter – comunicação ruim.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:00

Densos

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Este é mais um daqueles textos pescados do passado, sendo este do Natal de 2006. Poucas alterações foram feitas para adaptá-lo ao presente.

Outro dia me perguntaram se alguma vez  lidei profissionalmente com algum tenista problemático emocionalmente. Dei uma olhada para os lados, coloquei as mãos nos bolsos e tentei me esquivar perguntando o que seria problemático. De bate pronto todos me pareceram, vamos dizer, densos emocionalmente. Senão, teriam escolhido o futebol ou volei, onde teriam companheiros para se apoiar ou culpar. Por um instante pensei sinceramente em excluir Gustavo Kuerten da galeria, mas abandonei a idéia ao considerar os últimos anos de sua carreira. Até considerei que uma contusão pode levar um esportista à loucura. Ou perto dela. Imaginemos como anda o Rafa Nadal atualmente.

Ao contrário de alguns esportes, o tênis não perdoa e é massacrante emocionalmente. Consideremos uma comparação, meio forçada, com o volei, que está na moda. No último mundial (de 2006), os brasileiros perderam uma das primeiras partidas, se recomporam e venceram o campeonato. No tênis, tal derrota na estréia mandaria o atleta para casa pensar na vida, nos erros e em tudo que perdeu. Mais tarde, a uma certa altura do torneio, alguns jogadores tiveram um momento tenso. O levantador Ricardinho, considerado pelo técnico Bernadinho, e alguns de seus colegas, o mais importante jogador do time, teve seu momento de estresse, desentendeu-se com companheiros e ficou no banco o resto da partida. Porém, nos próximos jogos estava de volta à quadra liderando seus companheiros. Um percalço emocional desses seria o bastante para acabar com um time de um homem só como o tenista – o cara que levanta a bola e corre para cortar.

Esse é um dos preços de ser um tenista. Além disso, e não só, deve ser bom nos mais diferentes aspectos técnicos, e ainda melhor emocionalmente. Sua autoestima deve beirar a arrogância, já que deve ter a mais absoluta convicção que é melhor do que o oponente do outro lado da rede. Qualquer dúvida nesse quesito é certeza de derrota.

Deve saber se cobrar tão bem quanto se perdoar. Se não estiver sempre disposto a ampliar seus limites, em treinos e competições, assim como saber lidar com tranquilidade e equilíbrio com suas dúvidas, ansiedades e inseguranças, estará fadado ao inferno esportivo. Deverá, absolutamente, lidar com o triunfo e o desastre, esses dois impostores, da mesma forma – como bem lembra a placa com o poema de Kipling, colocada estratégicamente acima da entrada dos jogadores na Quadra Central de Wimbledon.

Estas são só algumas das exigências emocionais de um tenista, um esportista que conhece a solidão melhor do que qualquer outro. O leitor poderá lembrar o nadador. Ora, este é mais do que nada um administrador do tédio. Não se ve obrigado a lidar com um oponente tentando incessantemente arrasar sua confiança, o fazendo correr de um lado para o outro e a cometer enervantes erros. Em um esporte coletivo, a solidão enfrentada pelo tenista, no momento de jogar a bolinha para efetuar o segundo serviço no break-point, talvez só encontre rival na hora do batedor de penalti colocar a bola na marca do cal, com a obrigação de decidir a partida a favor, ou contra, o seu time. E isso acontece uma vez a cada muitas luas, enquanto no tênis é um estresse constante.

Enquanto curtimos nossos dias de festas, os tenistas enfrentam o estresse dos terríveis dias de treinamento preparatórios para o início da temporada. É o momento quando tem que calibrar golpes, acertar o físico e retomar a motivação, ingredientes básicos para o sucesso da temporada. Isso sem contar com as duvidas que assaltam a todos nesses momentos de reflexões. Depois ainda querem recriminar o atleta por não querer pensar demais. Como se fosse necessário pensar muito para ser denso emocionalmente.

Rodin e o tenista no fim de ano.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 23:42

Elegância que se vai

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Termina a temporada e os tenistas têm as férias para repensar a carreira e o futuro. Não é muito diferente do resto de nós, que aproveita o final do ano para repensar os erros, sonhar com melhoras, planejar o que vai nos levar às próximas metas.

Apesar das férias e a oportunidade relaxar junto à família e amigos é uma época mais difícil do que se imagina para os tenistas. A maioria engata uma quarta na temporada, e corre atrás dos torneios e faz aquilo para o qual se esforçaram e se prepararam por tanto tempo. Não se iluda, um tenista que chegou a qualquer nível de profissionalismo vem agindo como tal desde seus 8 a 10 anos, enquanto maioria de vocês não tinha grandes exigências de responsabilidades, a maior situação de estresse que enfrentava era saber se professor tinha visto você colando do nerd ao lado e se sua mãe ia lhe passar uma graninha a mais do que seu velho lhe dava.

No fim da temporada o tenista pesa, mais uma vez, se vale a pena continuar a seguir vivendo como um acrobata de circo, sem saber em que país está acordando a cada manhã, tendo que lutar diariamente com alguém que tem sérias intenções em enfiar a mão no seu bolso tirando valores que serviriam para pagar as contas anuais de muitas famílias. Não que muitos cheguem à conclusão que é melhor abandonar tudo e ir trabalhar no Banco do Brasil, como sugeriu o Felipão logo na primeira vez que deu uma coletiva na sua volta à seleção para logo depois se desculpar – se pegar o costume vai fazer um rosário de desculpas porque sempre falou o que lhe vem à cabeça como se fosse sempre uma pérola de brilhantismo e, convenhamos, isso é mais distante do que a mais longínqua das nebulosas.

A maioria só descobre a maravilha que era sua carreira, tempos depois de abandoná-la e ter que encarar a realidade do dia a dia e as frustrações de ganhar em seis meses de muito trabalho e estresse o bastante para lhe tirar o sono várias noites e, pior, sem ninguém lhe bater palmas, aquilo que poderia ter ganhado, várias vezes, em um dia de mais esforço do que colocou em treinos que não se esforçou e partidas que preferiu reclamar a se esforçar.

Alguns vêm planejando as mudanças há meses, outros deixam todo o pensar para quando se recuperarem da ressaca das férias e a cabeça ficar mais leve após mais um ano de labuta. O fato é que o que pensam e decidem agora terá consequências e reverberações no próximo ano e na próxima temporada de suas carreiras. Se fizerem mais boas decisões do que ruins, as vitórias podem continuar lhes sorrindo e não existe nada mais afrodisíaco e entusiasmante do que bater adversários e passar ás próximas rodadas – são essas emoções que os vem motivando desde a mais tenra idade e essa é uma das mais cruciais respostas que eles vão procurar em suas almas nesta época do ano. Eu ainda quero isso a bastante para encarar os sacrifícios e na hora da onça beber água ser melhor do que meu oponente.

Hoje mais um deles anunciou que para ele deu. O argentino Juan Chela, 33 anos, 15 como profissional, ex top 15, um tenista de estilo elegante que não batia na bola e sim a sugeria aonde ir. E quem por acaso pense que não foi lá grande coisa, como vários sofasistas já pecaram por aqui, informo que conquistou seis títulos de simples, o dobro que Bellucci ganhou até agora ou Fernando Meligeni ganhou em toda carreira.

Chela foi o melhor dos tuiteros a carregar uma raquete mundo afora, levando essa recente arte a um novo nível, anunciou através de alguns tuiters sua decisão: “não há mal que dure 100 anos”, “El Gran Torino fundiu o motor”, “play no more”, “em toda minha carreira tive só um erro não forçado – ser tenista”.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:48

Imperdível

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A sempre polêmica sem perder a candura e a elegância leitora Maysa, ocupa seu espaço nos comentários para declarar sua ojeriza às chamadas “exibições”. Não é a primeira que me passa essa mensagem, ao mesmo tempo em que outros declaram seu amor pelas mesmas. O que separa as duas vertentes?

Exibição foi algo criado sabe-se lá quando, só posso dizer que há muito tempo, para trazer algo para o qual havia uma demanda. No caso, a presença de estrelas, das mais variadas grandezas, para próximo de seus fãs, em um cenário que não abrigava pelas mais diferentes razões, da tradição à falta de estrutura, torneios compatíveis com a presença de tais tenistas.

Isso são um fato e uma realidade mundo afora, não somente no Brasil. Na verdade, hoje se joga bem menos exibições do que no passado. A demanda do circuito e consequente esgotamento dos atletas, o televisionamento de tudo quanto é torneio tenistico que coloca os ídolos na frente de sofás mundo afora, e, principalmente, o quase obsceno, pelo menos comparado com poucas décadas atrás, dinheiro distribuído em prêmios de torneios oficiais, o que deixa seus bolsos e mentes tranquilos quando não acomodados, são razões pela diminuição da presença das estrelas em exibições.

Por conta disso, as aparições, pelo menos das estrelas, são raras e bem caras – lembrem-se que há demanda no mundo todo. Até mesmo uma cidade como New York, que tem um Grand Slam, demanda e recebe exibições com Federer. Mas imaginem quantas cidades não demandam e aguardam pela oportunidade que provavelmente nunca chegará. Na Europa e na América há a demanda e a oferta por outro tipo de exibições – são os Masters, que atraem o público com seus nomes, mas oferecem pouco mais do que brincadeiras e seções saudades de volta. Não é por menos que a maior estrela dessa troupe é um iraniano naturalizado francês, Mansour Barahmi, que encanta o publico europeu com seus marabalismos em quadra.

A exibição em si é uma arte, muito distinta da competição em si. A personalidade dos envolvidos conta muito para que ela seja um sucesso. Ninguém joga uma exibição como se a vitória fosse a meta. Pelo contrário. É bem mais do que provável que quando dois tenistas se enfrentam, em um treino, longe dos olhos do público, vão procurar a vitória com mais determinação e entrega do que em uma exibição. Por isso, nestas ocasiões é de muito bom tom colocar em quadra somente tenistas que se deem bem – e especialmente se a estrela maior aceita bem o sparring.

Existem algumas regras não escritas, que quase sempre são respeitadas, ainda que por vezes não. Fica “feio” um dos tenistas mostrar que está a fim de ganhar. Tem que saber aliar bons golpes, com uma dose correta de intensidade e um pouco, não muito, de relax e até humor. Se errar a mão em qualquer dos quesitos fica horrível – e, acreditem, poucos dominam essa arte.

O jogador da casa sempre ganha. E aí eu pergunto, com Federer e Bellucci que será o jogador da casa? Afinal, a grande estrela que o publico quer ver e aplaudir é o suíço. Será que Federer obedecerá a regra e fará a gentileza? Ou será que Bellucci esticará o tapete vermelho? Nosso tenista dá suas esticadinhas de tapete, mas raramente contra tenistas mais fortes e as tais estrelas, a quem gosta de fazer sentir sua mão pesada, pelo menos por um tempo. Será interessante ver como se desenvolve essa apresentação que deve ser o ponto alto do espetáculo, até pelo envolvimento do publico. Lembrando, essa será a primeira partida do suíço, do total de três, que jogará em São Paulo. Eu teria colocado como a última. Ele enchia o Tsonga e o Haas de bola nas primeiras, para delírio do público, e o Bellucci ficava para quando a festa já estava assegurada.

Comentando o comentário da Maysa, é preciso entender que na próxima semana não teremos em São Paulo nem um torneio, nem uma exibição. Teremos um espetáculo, uma festa. Uma festa do Tênis. Uma festa exclusiva, já que os ingressos são caros e em boa parte corporativos. Uma festa que todos gostariam de participar. Uma festa para tenistas, sofasistas e até mesmo estrangeiros do tênis, aquele que irão não por conta do Tênis e sim do ser visto.

Vamos ter o creme de la creme do tênis como poucas vezes reunido, em qualquer lugar que seja – o mundo vai babar de inveja. O foco ainda está no Federer, até porque o patrocinador que pagou a conta principal é seu, as chamadas são dele e o cara é adorado. Mas teremos Tsonga e Haas, dois belíssimos tenistas, com estilos distintos e propícios para a festa, até mais do que Ferrer, que é mais “engessado” e que saiu. Os espetaculares irmãos Bryan enfrentando os mineiros Melo/Soares, o que deve vir a ser um espetáculo à parte, em especial para os fãs tenistas.

E as mulheres! Até as Olimpíadas, agradeçam por ela, não vamos ver tal constelação por aqui: Sharapova, Serena, Azarenka, Wozniacki! As meninas mereciam uma festa só para elas e iriam sobrar. Isso sem falar no Roger. Não será um Grand Slam, mas será um espetáculo que lotaria o Madison Square Garden, um local que já acolheu os melhores de todas as áreas, numa cidade onde if you make it there you make it anywhere. Agora é em São Paulo. Esta, Maysa, é imperdível.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012 História, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:33

Et tu…?

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A minha mulher adora contar uma história quando estamos com amigos do tênis. Ela, que tem pouca quilometragem nos grandes torneios internacionais, diz que eu faço pouco proveito dos eventos que hoje acompanho. Por isso gosta de contar da nossa experiência na partida entre Nadal e Tsonga em Miami este ano.

Após Nadal vencer fácil o 1º set por 6/3 e no 2º set quebrar o saque de um apático Tsonga fazendo 3×2, eu virei para ela falei que era hora de ir embora. Era a ultima partida da noite, o estádio estava lotado e o transito seria infernal no fim do jogo. Ela aquiesceu à contra gosto – queria mais Nadal. Quando chegamos ao hotel o jogo estava no 3º set, após Nadal não conseguir fechar no 5×4, algo raro – a mulher abriu um bicão. No final, Nadal deu um jeito e bateu o francês no 3º set em um jogo que saiu do sonolento para o dramático por conta de um game mal jogado pelo espanhol – até tu, Nadal? .

Mais do que para me encher, ela usa o exemplo para divagar sobre as dificuldades de sacar para fechar o jogo, um momento mágico que ela, ainda uma 4ª classe, acha difícil de entender do porque. Já chegou a falar em não jogar mais depois de deixar escapar uma dessas oportunidades. Eu tento falar, explicar, convencê-la da universalidade da dificuldade, sem grande sucesso. Suspeito que ela, grade fã do Nadal, queria ter visto seu ídolo pisar no tomate pelo menos uma vez ao vivo – São Tomé!.

Quem joga, especialmente torneios, uma realidade bem distinta de quando é treino, onde já é difícil o bastante, conhece o sentimento que invade a mente do sacador nesses ocasiões. É uma das armadilhas mentais mais conhecidas dos tenistas, algo que ele enfrenta desde os seus tempos de infanto-juvenil. Por mais que o tempo passe, a duvida sempre dança pela cabeça do tenista nessa hora. Não importa quantos anos e títulos tenha nas suas costas.

De um lado existe a pressão por fechar o jogo, algo que faz com que o tenista se cobre o seu melhor. A arte, que às vezes o tenista parece adquirir, só para de repente perder, é encontrar o equilíbrio entre jogar em um padrão bom o bastante para levá-lo a vitória, sem invadir o limite dos erros não forçados, enquanto fica longe do outro limite, onde permite o adversário neutralizar a vantagem do saque e começar a barbarizar. Parece simples, mas não é.

Especialmente porque o espírito do adversário muda completamente nessa hora. Lógico que não me refiro àqueles tenistas sem garra, coração e autoestima. Aqueles que nessa hora abaixam a cabeça e viram menininhas, independentes de serem homens ou mulheres. A maioria, mesmo entre os amadores, entra nesse game sabendo que está contra parede e com pouco a perder. O resultado é que instintivamente assume maiores riscos. Não esqueçamos que no outro lado da quadra o adversário tem vantagem do saque – especialmente se for o primeiro – ao mesmo tempo em que está mais conservador do que o normal. Esse choque de emoções diferenciadas produz algumas surpresas e emoções.

Se os golpes do recebedor começam a entrar, enquanto os do sacador, intuitivamente, começam a encurtar, ou pior, errar, é um deus nos acuda na cabeça do sacador, enquanto o outro vai adquirindo a repentina confiança para meter a mão na bola como se não tivesse amanhã, o que, convenhamos, é bem real.

Para fechar a conta do sacador, que tem uma grande vantagem nas suas mãos, ele tem que saber utilizar a vantagem – o saque. Se conseguir colocar bons primeiros serviços em quadra facilita bastante sua tarefa. Tudo isso é facilitado se vencer o primeiro ponto desse game, que tem uma importância desmesurada para não abrir uma janela de esperança para o inimigo. Não fazer erros na primeira bola é o próximo passo. Manter a agressividade e o adversário acuado é mais do que necessário. O resto fica bastante por conta da afinação emocional nesse momento chave da partida, algo que inevitavelmente distingue o vencedor do perdedor.

E foi exatamente isso que roubou a grande chance de Thomaz Bellucci vencer seu primeiro torneio indoors em Moscou – contra o italiano Seppi, que passa pelo melhor momento de sua carreira – algo que lhe daria uma grande confiança neste fim de temporada. Dizer que amarelou, como alguns fãs insinuam e afirmam, é um pecado – até por tudo que escrevi acima. Porém, ele mesmo confessou, o que também é um crescimento d sua parte, que esteve nervoso na hora de fechar e jogou abaixo do padrão do que até então apresentara. Pior, em duas oportunidades, no 5×4 e no 6×5 do 2º set. Infelizmente vai passar uns dias revendo o videomental, se cobrando os erros de 1º saque, os erros não forçados do seu melhor golpe (o forehand) e a dupla falta que expos o seu martírio. Só espero, alias tenho certeza, que isso não lhe roubará o brilho do que conquistou durante a semana.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:33

Dá para melhorar?

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Um tenista pode melhorar algo depois de algum tempo e sucesso no circuito? Essa é a dúvida do leitor Marcelo F, tendo ele em mente o caso de Rafael Nadal. A resposta, independente de ser Nadal ou outro profissional qualquer é a mesma. Mais ainda se for o tenista amador que vai jogar o resto de seus dias. Não só dá para melhorar, como seria o caminho a se seguir. Afinal, no esporte, como no resto de nossas atividades, o caminho é a curtição e a meta, segundo Gil, o inatingível.

No entanto, tenistas profissionais, assim como milionários, tendem a ser conservadores com seus ativos. É difícil convencê-los para mudanças com pitadas de radicalismo, até porque na maior parte das vezes não é o caso. Os ajustes são mais nos detalhes e nos adendos possíveis a se acomodar ao arsenal, sempre considerando o estilo do jogador.

Não adianta, e nem funcionará, tentar grandes mudanças na técnica dos golpes, no estilo de jogar. Novamente, a não ser em casos excepcionais, ex; a mudança de Fernando Meligeni, um exemplo próximo, no seu backhand, que era um golpe muito abaixo do resto de seus outros golpes, o que lhe deixava vulnerável, quando decidiu pela mudança das duas mãos, que ele soltava precocemente, para uma única mão, aconselhado por seu técnico. Ele já estava no circuito há anos, existia o risco, a mudança foi para melhor, mas longe de ter resolvido a questão.

Nadal é um tenista que vem no decorrer da carreira fazendo ajustes. Na técnica dos golpes melhorou o backhand, além de ter aprendido a usar o slice, algo que Bellucci precisaria fazer e não faz, tanto para retomar o posicionamento como para mudar o tempo da bola. Mudou também, mais visivelmente, o movimento, a postura e a estratégia no saque. Seu tio/técnico não menciona nem admite publicamente que outras mudanças sejam necessárias por conta da nova fase que o sobrinho viverá por conta da mais grave contusão de sua carreira.

A título de curiosidade, Toni mencionou duas mudanças para o sobrinho lidar com Novak Djokovic e as constantes derrotas para este. Idas mais frequentes, ainda esporádicas, à rede para encurtar os pontos. O detalhe de pedir a Rafael sair do chão para bater o forehand de ataque e com isso conseguir, diz ele, mais força ao golpe. Não disse, mas eu poderia mencionar o fato de ter modificado um pouco a arquitetura do confronto ao sacar mais na direita do sérvio, fugindo da excelente resposta de backhand. E de centrar mais as bolas, assim tirando o ângulo para o ataque aberto do oponente, até o momento que pudesse girar a bater de forehand, seu verdadeiro golpe de ataque, com mais veemência e assim de fato machucar. Antes ele ficava jogando contra Djoko, como, por exemplo, jogava contra Federer, o que na verdade era um tiro no próprio pé, já que o sérvio conseguia agudar ainda mais os ângulos.

As mudanças mais frequentes, mais indicadas, que funcionam melhor, e não por isso as mais realizadas, são as que contemplam o uso do arsenal já existente com ajustes táticos para a melhor utilização do que já se domina – custo/benefício ideal. Essa é uma grande arte, deveria ser a maior qualidade de um técnico de um profissional, e a que mais pode agregar.

Fora isso, fica a menção da enorme curtição que é o tenista não profissional trafegar pela maravilhosa estrada das tentativas e experimentações, na busca da melhoria de uma atividade tão complexa como o tênis, que é exatamente o que o torna tão fascinante – algo que pretendo explorar em maior detalhe.

O set final de Roland Garros 2012

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:11

Tio Toni Nadal

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Tenho minhas dúvidas se Rafael Nadal voltará a competir em 2012. Não vejo muito ganho estratégico, considerando as informações divulgadas, a não ser o de não ficar tanto tempo longe das competições, o que certamente terá um custo. Rafa não é um Federer com seu potencial de habilidades, que facilitam retomar um ritmo satisfatório após um longo tempo longe das quadras. Como ele mesmo não está nos iluminando muito no assunto, fica o espaço para a especulação – mas hoje não temos um cenário para um retorno em breve, enquanto a temporada marcha rapidamente para seu final.

Seu afastamento tem seus desmembramentos, para ele inúmeros e para seu tio/técnico alguns. Alguns que podem nos trazer alguns benefícios. Semana passada, recebi um convite dos representantes da Babolat no Brasil, fabricante das raquetes do espanhol, para uma palestra do Tio Toni em São Paulo. O evento acontecerá no dia 5 próximo e, pelo o que entendi, será restrito a convidados.

É uma boa oportunidade de ouvir algumas histórias sobre o tenista que tem nos abismado com a revolução que trouxe ao tênis competitivo. Para mim é muito claro que há um tênis pré Nadal e outro pós Nadal. As características que marcaram essas mudanças são conhecidas dos fãs do tênis e passam por dois quesitos principais. A exuberância física e a consequente cobertura do espaço da quadra como nunca dantes na história do tênis, e a determinação e a intensidade emocional como diferenciais para atingir novos limites em um confronto tenistico. Talvez o técnico possa jogar alguma luz no que possibilitou o surgimento de tal dínamo humano.

Aproveito para lançar uma tarefa aos leitores. Quais perguntas eu poderia fazer ao Tio Toni durante a palestra? Deixem suas sugestões nos Coments deste Post. Bobagens serão descartadas. Mas as boas tratarei do colocar na minha pauta.

PS: A partir do início de Outubro haverá mudanças no Blog do Paulo Cleto, como a possível mudança de Portal e endereço. Para tal, fiquem atentos a mais notícias e, se necessário, recorram ao endereço: www. tenisnet.com. br  ou à página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet

Tio Toni vem aí….

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012 Minhas aventuras, Porque o Tênis. | 23:54

Match Point, Woody

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A bola bate na faixa da rede, sobe, começa a descer e então a imagem na tela é congelada, deixando no ar a dúvida em qual lado da quadra a sorte a colocará.

É a primeira, e simbólica, cena de Match Point, o filme de Woody Allen. “Eu prefiro ter sorte a ser bom”. A frase, dita por um tenista logo após a cena acima, é o fio condutor do filme. Durante boa parte de Match Point me senti incomodado. Fica difícil dizer o que exatamente me importunava.

Talvez o mau caráter de Chris, característica na qual o personagem principal é campeão. Mas já vi piores personagens e raramente me incomodei. Talvez tenha sido como o elemento sorte é tratado por Allen.

Na verdade, o filme é a respeito da sorte. O cineasta afirma que as pessoas não gostam de confessar a influência da bendita em suas vidas. A questão divide, sem unanimidade, desde a antiguidade. Virgílio afirmava que “cada um é artífice de seu destino”, enquanto Publílio Siro dizia que “para o homem a sorte tem mais valor do que o discernimento” ou ainda Sófocles com “os dados de Zeus caem sempre do lado certo”.

Sempre vivi, dentro e fora da quadra, mais centrado no conceito de Virgílio do que no dos outros. Deve ter a ver com a educação herdada de meu pai. Se ele, ou eu, esperássemos a sorte determinar nossos futuros, morreríamos de fome. Pelo menos sempre acreditei nisso. Meus objetivos e ações foram baseados no livre arbítrio. O determinismo passou longe de casa.

Mas após sair do cinema comecei a pensar. Será que também tive minha dose de sorte, e azar, e nunca dei o devido crédito? No filme, Chris age como um maquiavélico tenista, arquitetando suas ações e manipulando as pessoas. Fica claro – pelo o que mostra nas cenas filmadas no Queen’s Club, exclusivo clube de Londres onde se joga o evento preparatório para Wimbledon – ser mais um estrategista do dono de apurada técnica.

Confesso que sai do cinema odiando o personagem, mas confesso também que vou querer na minha dose de sorte daqui para frente. Mas, como talvez seja um tanto tarde para mudanças radicais de personalidade, ao invés de “eu prefiro ter sorte a ser bom”, como professa o personagem, eu fico com ser bom e ter sorte.

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