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Arquivo da Categoria Porque o Tênis.

quinta-feira, 11 de julho de 2013 Light, Porque o Tênis. | 14:17

Sem lenço nem documento

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 Os tempos são outros e eles não deixam de nos surpreender. E como tudo, o esporte mudou de várias maneiras. Os atletas de vários esportes são regiamente recompensados pelos seus esforços e até mesmo esportes que nunca deram carreira para ninguém remuneram bem seus atletas. Não custa lembrar que uma tenista como Maria Esther Bueno, que venceu seu primeiro Wimbledon em 1959, ganhou um sweater, um quarto de hotel, um vale Bride de 15 Libras e um “thank you very much” dos velhinhos do All England para vencer Wimbledon. Este ano a vencedora, Marion Bartoli, depositou cerca de R$5.4 milhões na conta. Dá para ficar frustrada com a data de nascimento.

Na época não existiam os dólares de Nike, Adidas, Correios e de todos outros patrocinadores que hoje alimentam as contas dos atletas. Era um Deus nos acuda para pagar a passagem aérea – não vou nem entrar no assunto. Quando muito, tenistas como Maria Esther ganhavam uniformes, pelo menos para Wimbledon, do designer Ted Tinling, uma figuraça sobre o qual um dia tenho que escrever, e que vestiu diferentes campeãs de Wimbledon por 30 anos. Ele criou o maior bafafá em Wimbledon 1949 quando colocou rendinhas nas calcinhas da tenista americana Gussie Moran. O tênis feminino nunca mais foi o mesmo.

 

Mas foi só nos últimos anos, coincidindo com TV a cabo, internet, Anna Kournikova, David Beckham etc que o marketing atingiu em cheio o esporte em geral e o tênis especificamente. Se Agassi dizia que “imagem é tudo” e muitos não acreditaram ou criticaram, hoje se a imagem não é tudo, ajuda muito, especialmente no tênis feminino, e engorda bastante as contas paralelas dos atletas.

 

Cinco anos atrás a revista ESPN, publicada nos EUA, lançou um numero especial chamado The Body Issue. Convidaram cerca de 30 atletas a se despirem e posarem para seus fotógrafos. Só não mostram a genitália, o resto está lá. A capa foi Serena Williams e o sucesso tão grande que lançam um numero a cada ano. Sempre misturando atletas dos mais variados esportes. Não é a primeira vez – já vi de livros a calendários de atletas pelados – mas a revista tem um impacto gigantesco. Até por isso não devem ter muitas dificuldades em arregimentar modelos. Não divulgam, mas fico pensando quem foi convidado e não aceitou.

 

Uma eu aposto foi Sharapova, ou vocês acreditam que um o convite não passaria pela cabeça de qualquer editor. Mas a russa não está lá – essa está mais nas revistas de moda. Aninha também deve estar na lista. Nadal e Federer com certeza. Então há jogadas e jogadas de marketing e nem todas são para todos. Apesar de que Federer é extremamente ligado a um conceito de marketing – o cara é mesmo um case – mas não na linha peladão – a dele é mais um blazer com suas iniciais.

 

Os tenistas convidados da Body Issue 2013 são Agniezka Radwanska e John Isner. Duas surpresas pelos perfis. Isner faz mais o estilo All American tradicional, com boné, calçãozão e conservador. Radwanska é uma menina católica, e por isso está sendo criticada na Polônia, e nunca foi das mais “aparecidas”. Mas estão lá, sem nenhuma peça Lacoste ou Lotto.

 

As fotos são quase sempre de bom gosto e o resultado aprazível, já que o corpo de um atleta é, na maioria das vezes, algo bonito de ver. No mínimo interessante. E em tempos de macho, fêmea e coluna do meio não é só as mulheres atletas que tiram a roupa.

 

Mas, para mim, o ponto principal é o fato dos atletas, que sempre foram conservadores, até por receio de desagradarem patrocinadores, times e fãs, começam a colocar até mais do que as manguinhas de fora, exatamente para agradar e atrair os mesmos. Mudaram os atletas, mas primeiro mudaram todos os outros.

Moran e seus lacinhos cor de rosa

Moran e seus lacinhos cor de rosa

 

radwanska e suas bolinhas

radwanska e suas bolinhas

 

Isner - 2 metros de peladão.

Isner – 2 metros de peladão.

 

 

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quarta-feira, 26 de junho de 2013 Porque o Tênis., Wimbledon | 13:14

Gasparzão(ões)

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Hoje deve dar certinho; quando terminar os jogos de Wimbledon começa a semifinal Brasil x Uruguai.

Fiquei pensando sobre a vitória do Gasparzão Dustin Brown pra cima do MalaHewitt. Pontos interessantes a se avaliar. Hewitt bate Wawrinka, que virou top 10 e está na sua melhor fase, sem dó nem piedade. Mas leva um tranco do rastabrown que é #189 do ranking.

O Gasparzão tem um estilo, hoje peculiar, que se encaixa como uma luva na grama. Tanto que o mano sofre em outros pisos – o cara não deve gostar de sujar os tênis de barro.

Alto, 1.96, é sacador e sabe usar o saque slice, uma arma esquecida nas épocas atuais, como poucos. Além disso, tem muita mão junto à rede. Entre os top10 só Federer tem habilidades semelhantes no quesito. No fundo da quadra é outro cenário – é ruim mesmo e arrisca para não se alongar. O que, per si, não explica seu ranking de #189. Credito isso mais à personalidade viajandona do rapaz. Mas, hoje na Quadra 2 de Wimbledon, mais conhecida como Cemitério dos Campeões, o rapaz se inspirou e enfiou a mão. Saiu chorando de emoção da quadra e nem autógrafos distribuiu – vai ter tempo para isso.

Mas, o que essa vitória me desperta é a ideia de que o tênis de saque e voleio ainda tem chances neste mundo. Afinal, Hewitt é um mestre jedi do contra-ataque, mesmo aos 31 anos. O Gasparzão simplesmente foi pra cima, com excelentes serviços, devoluções chip and charge e muita tranquilidade e habilidade dentro do retângulo, abafando o australiano que chegou a ter sonhos maiores para a semana.

Sim, o mundo precisa de um grandalhão habilidoso, atlético e que domine os fundamentos, tanto os da rede como os do fundo de quadra. Se um dia o circuito pertenceu aos sacadores e voleadores, especialmente nas quadras mais rápidas e nas cobertas, a maioria durante décadas, hoje, época de quadras mais lentas, pertence aos sólidos tenistas de fundo de quadra. O fato vem fazendo que os atuais, e a geração que vem por aí, se pelem de medo de ir à rede e passar vergonha.

Por isso, fica lançada a ideia para técnicos e jovens. Que se aprenda o tênis em todo o seu espectro e que venha, em um futuro breve, tenistas mais completos, que voltem a nos encantar com todas as possibilidades e habilidades. Roger Federer, aos 31 anos e 1.85m de altura não é exatamante o que tenho em mente. Mas o Bonitão Federer, um talento que sempre soube volear e abandonou a tática quase que de vez.  Talvez não tão engessado – sacando e voleando a toda hora. Mas, variando, saque e subidas, surpreendendo com chip and charges, slices de esquerda, enfim, que use o repertório que Deus lhe deu. Bem que podia se lembrar de sua maravilhosa vitória sobre Pete Sampras, quando os dois fizeram o ultimo confronto digno de nota sacando e voleando em 2001, doze anos atrás. O fantasmão mostrou que é possível.

Bem, aí está também o Stakhovsky que não me deixa mentir! Afinal, ele mostrou ao Bonitão como faz.

Gasparzão Brown sacou e voleou eliminando Hewitt.

E falando em Gaspar……

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terça-feira, 25 de junho de 2013 História, Porque o Tênis., Wimbledon | 18:11

Rus

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Logo após sua derrota em Wimbledon, Nadal disse que o tênis é um esporte de vitórias, não de derrotas. Fácil para ele falar. A imensa maioria dos profissionais passa a carreira pedendo toda semana, a não ser que ganhe torneios. Não é o lado mais agradável da profisssão.

Mas se Nadal é uma exceção e a regra é do tenista que boa parte do tempo vence algum jogo, mas perde toda semana, existe uma outra exceção à regra – esta bem negativa e de chorar.

Qualquer sofasista que conseguiu desviar seus olhos um pouco além FedererNadal conhece a saga do malamór Spadea. Se não conhece, é porque além de sofasista não conhece muito do tênis profissional.

Agora uma tenista, a gracinha magrelinha holandesa Rus, vive seu inferno astral e caminha a largos passos atrás do recorde do malamór Spadea. A moça, derrotada hoje em Londres, atingiu a vergonhosa marca de 17 derrotas seguidas no circuito. A moça não sabe o que é celebrar desde 19 de Agosto 2012.

Rus, atual #156 – já foi #61 – foi a #1 do mundo como juvenil em 2008, o que nos lembra o que pode acontecer com a confiança de uma hora para a outra. No ano passado ela foi à 4ª rodada de Roland Garros, eliminando Clijsters no caminho.

Nesses meses ela chegou a jogar torneios menores e conseguiu três vitórias, o que, pelo jeito, não ajudou muito. Só uma outra tenista teve tantas derrotas consecutivas; Sandy Collins, nos anos oitenta. Não, você não é um sofasita se nunca ouviu falar dela.

Aliás, o malamór Spadea perdeu 21 partidas consecutivas na AP Tour e não desistiu. Só de curiosidade; o cara que perdeu para ele, imaginem a vergonha, foi outro conhecido malaman, o canadense-britanico Rusedski, jogando na quadra central de Wimbledon com todo mundo vendo. Por 9/7 no 5º set. Se vocês querem saber o que é gozação, e celebração, deveriam ter estado no vestiário aquele dia.

Rus, 17 vezes consecutivas de joelhos. Dói.

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domingo, 23 de junho de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 19:16

Segredos da grama

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Sempre fui um pouco incomodado com a proximidade das datas entre Roland Garros. Eu e a torcida do mengão, que já nem sei se é tão grande quanto foi. Já se tentou mudar essas datas, mas nenhum dos dois eventos mexeu um dedo para fazê-lo, porque não lhes interessava. Essas datas são sacramentadas e tradicionais nos calendários dos respectivos países e dos grandes eventos mundiais, sendo muito difícil mexer.

Alguns dizem que os ingleses estão considerando uma mudança – só se lhes for interessante. Se Wimbledon passar uma que seja semana para frente, automaticamente a temporada de grama aumentaria. E quem quer isso? Bem, alguns devem querer, muitos não. O pessoal do tênis é mais conservador do que o pessoal da TFP e não muito chegado a mudanças.

Atualmente essas duas semanas para se adaptar, entre o saibro e a grama, já não são tão cruéis quanto um dia foram. O jogo mudou e a grama mudou. As adaptações continuam existindo, mas são menos críticas. O cara vai sacar e ficar atrás mesmo. E, melhor do que isso, não vai ter alguem invadindo a rede a toda hora como era antes. Hoje já tem caras que conseguem vencer na grama praticamente só indo à rede para trocar de lado. Mas, definitivamente, se vai muito mais à rede do que em qualquer outro piso – por isso o Bonitão acha que pode ganhar lá.

Têm alguns que sabem usar melhor do que outros os pequenos segredos da relva. Sacar melhor o slice. Reagir e abrir o golpe mais cedo. Ficar um pouco mais agachado sem tantas dificuldades. Como diz o jardineiro de Wimbledon, a questão não é que a grama ficou mais lenta e sim que a bola está quicando mais alta. Segue quicando mais baixa do que em qualquer outro piso, mas não é mais aquele inferno que dava dores horríveis nas nádegas e nos músculos posteriores da coxa e fazia com que a passada fosse de uma dificuldade bem maior.

Atualmente, tirando aqueles dias em que o ar está mais úmido e a grama idem, e por isso escorregadia, a quadra fica mais dura e a diferença não é mais tão cruel.

Em um estudo, realizado pela Escola de Esportes de Cardiff, que analisou 528 jogos de Grand Slams em 2008 e 2009, encontrei, entre outros, um dado bem interessante, de mais de uma maneira.

Em Roland Garros, no saibro, 41,5% dos break points foram convertidos, enquanto, e atenção ao detalhe, somente 38.5% dos pontos normais o recebedor teve sucesso.

Em Wimbledon, os recebedores quebraram em 41% das oportunidades, uma diferença insignificante de Roland Garros, enquanto que venceram 35% dos pontos normais. Esse dado atual, contraria o que era um fato até 10/15 anos atrás, quando a vantagem do sacador era gritante na grama. A não ser em partidas do Isner…

Apesar de não ser o assunto deste post, não deixa de ser também interessante descobrir que em um ponto tão chave das partidas, apesar do sacador continuar tendo a vantagem de quase 10%, os recebedores terem mais sucesso em conseguir levantar seus padrões nesses pontos, sendo que, teoricamente, o sacador também está querendo levantar seu padrão para não ver o seu saque e, possivelmente, especialmente na grama, o set indo para o brejo.

Melhorou tanto que já dá para comer.

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domingo, 2 de junho de 2013 Porque o Tênis. | 13:51

Elementar

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Bet@, sobre o assunto do radar e a velocidade medida do serviço, o fato tem menos a ver com o radar, q é burro, do que com a geometria, q não é.

Os radares são colocados no fundo das quadras. Eles lêem a velocidade da bola entre um aparelho e seu par No outro fundo de quadra. Como em linha reta a distancia é mais curta – nos saques fechados – do que na linha em diagonal – nos saques abertos, o radar, que é “burro”, entende q o serviço foi mais lento. Isso aconTece mesmo qdo o serviço é mais rápido, porém “aberto”. Elementar, meu caro Watson.

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domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

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É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

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segunda-feira, 1 de abril de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 12:30

Espelho meu

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Desde jovem tenho essa coisa de torcer pelo mais fraco, algo que faz parte da natureza humana, pelo menos parte dela. Puxei dos meus pais, apesar de cada um ter contribuído de maneira distinta e opostas para a característica. É o meu lado sofasista.

Não por outra razão, abracei a causa operária na final de ontem em Miami. Afinal não existe fã do tênis, por mais duro que tenha o coração, que não reserve um cantinho para esse espanhol que nunca ganhou um GS e venceu só um Master Series (Paris 2012), e caracteriza tão bem o homem que enfrenta todas as dificuldades por um lugar ao sol.

Já tive o meu momento Romy Isetta, quando era o único por aqui que afirmava que Andy Murray ainda seria um dos melhores tenistas do mundo, enquanto hangares de sofasistas destilavam seus conhecimentos do Tênis afirmando que o rapaz jamais seria um tenista top – hoje fazem parte da síndrome de São Pedro não precisando de nenhum galo para renegar a crença – aliás, sequer mencionam o fato. O fato concreto é que o escocês é novamente o #2 do mundo, desta vez com um título de GS na bagagem.

Assim como muitos outros no passado, David Ferrer vai perder algumas noites de sono assistindo o vídeo tape mental do match point que teve contra Murray, quando decidiu, em fração de momento, que poderia ganhar um Master Series no “Olho de Gavião” – o popular desafio. Marditahora, resmunga o espanhol a cada menção do fato.

O que prova que o tal Desafio veio para ficar, já que agrega muito em termos de dramaticidade e justiça em uma partida de tênis. Dramas sempre tivemos, justiça até que faltou em inúmeras ocasiões. Imaginem o Gustavo Kuerten desafiando a torto e a direito na mesma quadra central de Miami, enquanto os americanos lhe surrupiaram várias bolas na dramática final contra Pete Sampras, quando três dos quatro sets foram decididos em TB e várias bolas foram cantadas “erradas”, sempre a favor do da casa. Por outro lado, imagino o sono dos justos do juizão de linha que NÃO cantou a bola fora, já que ela raspou a linha. O que prova também que os tenistas em ação não deveriam ter a ultima palavra sobre as mudanças nas regras do tênis, já que são contra todas elas. Lembram-se do Federer dizendo que o Desafio era um absurdo e que se recusaria a usar? Hoje usa, e erra, tanto quanto os outros.

Apesar de estar ganhando cada vez mais, não está ficando mais fácil torcer pelo Murray. Carisma zero. Fora a postura em quadra, algo que melhorou bastante, mas longe de ser a de alguém por quem se quer torcer. O cara é complicado. Ontem se arrastava em quadra e dava a impressão que iria morrer no próximo ponto, só para correr como sempre, uma característica sobre a qual Haas falou alto e grosso.

Aliás, neste Domingo, o jornal The Times tem uma matéria longa sobre o escocês, onde ele conta, entre outras confidências, sobre um momento privado na final do US Open que bateu El Djoko. Entre o 4º e o 5º set, Murray abandonou a quadra por nenhuma outra razão além de querer ter um momento particular longe dos olhos do mundo e se recompor emocionalmente. Ali, em um cubículo a poucos passos da quadra, o rapaz confessa ter tido uma séria conversa com um ser de cabelos e idéias emaranhadas que via no espelho. “Espelho, espelho meu, tem alguém mais maluco do que eu”, teria pensado, mas não confessa. O que diz ter pensado é porque chegava ali (era sua quarta final de GS e até então só vencera um set) e não ganhava o maldito título de Grand Slam? Chegara a liderar a partida por 2×0, só para deixar as minhocas invadirem sua cabeça e ver o Djoko crescer para cima dele.

“Eu andava pelo mundo com a cabeça enfiada nos ombros e olhando o chão e pensando que eu só seria um campeão se vencesse um GS”. Diz ter ficado tão negativo que tinha certeza que se voltasse à quadra da mesma maneira era derrota na certa. A solução que encontrou foi começar um dialogo com o espelho, em voz alta, algo que confessa saber que é o primeiro passo rumo ao hospício. Tudo por uma boa causa. Aos berros, começou a perguntar o que lhe faltava, como podia ter perdido uma vantagem de dois sets.

Decidiu que desta vez seria diferente. “Você não vai perder este jogo!” repetia. Este se tornou o mantra que deve ter levado os seguranças a se entreolharem do lado de fora. “Não vai deixar escapar!” “De tudo o que tem!” E assim, com este jactância de motivação o escocês confessa que de fato se sentiu melhor e mais confiante e voltou à quadra para fazer história.

Ontem não precisou do espelho. O espanhol deu o tiro no próprio pé. Após o tal desafio, no match point, Ferrer perdeu 10 dos 11 pontos jogados. Mas que não passe sem menção; no match point contra, Murray foi agressivo em cada bola que bateu, e foram várias, inclusive, a penúltima, quando teve a perspicácia de mudar a altura e o ritmo, “cavando” a bola curta que lhe possibilitou o ataque que limpou a linha e iludiu o operário.

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sábado, 30 de março de 2013 Masters, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 00:37

A tática

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BINGO!!!! Eu sei lá quem é esse Zaca Zaca Mulungu, que de vez em quando por aqui aparece, só espero que nao seja nome dele, porque aí é sacanagem, mas o cara mostrou que conhece.

Bolas direcionadas ao centro da quadra, tirando o angulo do Berdich era a estratégia principal do Gasquet. O tcheco é um tenista que precisa atacar o tempo inteiro e não lhe é interessante pontos longos. Com bolas no centro, alternando alturas e velocidades, o francês o obrigava criar angulos e aumentar o risco, fazendo com errasse precocemente ao exagerar os angulos.

O resto, como contra atacar de revés na paralela, como elemento de surpresa, e sacar praticamente 100% dos primeiros serviços, no lado da vantagem, em direção ao centro, e devolver longa e alta ou slice e rasante no centro, também alternando alturas e velocidades, era o início da estratégia.

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quarta-feira, 27 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:39

Dodô

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Foi uma das melhores e mais interessantes apresentações no tênis profissional dos últimos tempos – e coloquem tempo nisso. Tommy Haas, que um dia foi #2 do mundo, antes de enfrentar alguns problemas que derrubariam os menos fortes, nos brindou com um espetáculo onde não seria uma sacanagem se na saída cobrassem outro ingresso. Se cobram um ingresso para assistirmos certa mesmice com pitadas de desinteresse de alguns tenistas – e Tsonga ontem foi um exemplo disso – mais do que aceitável cobrarem dois para assistirmos o que o Haas nos brindou.

Posso ficar aqui tecendo elogios mil sobre a classe, categoria, finesse, variações, precisão, criatividade, imprevisibilidade do jogo do alemão, mas a esta altura estaria sendo redundante e repetindo comentários já feitos.

Poderia também me estender sobre porque um tenista de 34 anos de repente faz come back como o de Haas. Ou, mais intrigante, os porquês de Haas não ter sido mais consistente na carreira – até para apaziguar os desejos sofasistas que acham que um tem que ganhar todas senão passa a ser um nada – na sua carreira. Óbvio, consistente em vitórias, e vitórias nos grandes e nos importantes momentos que são os que marcam a carreira de um atleta. E, nestes, Haas não foi o campeão que ele poderia e gostaria de ter sido.

No entanto, esse mero, e crucial, detalhe não apaga o enorme talento e tudo mais que ele já fez em quadra e menos ainda é o foco deste Post.

O que eu quero salientar é que a apresentação do alemão tem a tênue possibilidade de criar um novo interesse por um Tênis que caiu no esquecimento e, infelizmente, está mais para ter o destino do Dodô do que se tornar padrão nas academias mundo afora. Até porque muita coisa que Haas faz não se ensina e sim se burila e se aprimora. Mas, seria deveras interessante mais tenistas capazes de “sair da caixa” e fazer o que esse alemão sabe fazer.

Ontem, Tommy nos ofereceu um flashback de mais de uma coisa que foi para o ralo da história. Um slice bem dado, para tirar o ritmo do adversário e da zona de conforto. Idas à rede, como variação, como ameaça, como tática. A arte de se jogar em cima da linha, tirando o tempo do adversário e, mais importante, sempre o ameaçando com idas à rede e assim forçando erros precoces, algo que um dia Federer soube fazer e esqueceu, talvez pelo medo das passadas. Além do que o suíço não tem nem metade do slice do alemão e quem acha que seu slice é mais do que razoável cresceu assistindo futebol ou ainda não cresceu.

Haas nos lembrou, e com sorte talvez tenha ensinado seus colegas, como se posiciona na rede, sem falar de como se voleia, especialmente de revés. É só ver o posicionamento de um Djokovic quando na rede para se ter vontade de chorar. Clássico exemplo foi no ultimo game, quando o alemão invadiu a rede com golpe de direita na paralela, chegou na zona do agrião e fechou o ângulo na diagonal, voleando quase em cima da rede, ao invés de ficar parado três metros atrás da rede, tentando advinhar o lado e terminar passando vergonha.

Haas esteve à vontade do começo ao fim. Se Djokovic não jogou o seu melhor foi porque o alemão não deixou. “Quer ficar ai no fundo correndo atrás de tudo e contra atacando e quando quiser tomar conta da quadra e me colocar pra correr? Nananinanão”. Hass se impôs, tirou o outro de sua zona de conforto, com variações e ameaças e deu de chicote – 6/2 6/4. Alouuuu Federer, bom preparo tático ganha jogo – e ainda acham o Anaconne um bom técnico; não o viram jogar. Pelo menos, sabia volear, e muito.

Dois fatos complementam o Post. A elegância, com pitada de resignação, de Djokovic ao reconhecer a derrota e apertar a mão do adversário como se deve. Campeões também são campeões quando perdem.

Aa cameras bem que poderiam ter completado o espetáculo com mais imagens de Sara Foster, esposa de Haas e um exagero de mulher. Além de ser, de longe, a mais bonita é a melhor esposa/torcedora do circuito, longe de ser uma estrela apagada/retraída ou de ser uma mera viciada em sms. A mulher sabe aplaudir, incentivar e, se necessário, se descabelar e cobrar o maridão. Ontem deve ter feito a festa. Na arquibancada e, espero, depois.

Dodô – ja extinto.

Sara, nas arquibancadas.

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quinta-feira, 14 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:17

Game, set e match

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Assisti a mais um derretimento mental de Wawrinka, na hora da onça beber água, frente a seu algoz e parceiro El Roger, acompanhado da minha querida mulher, enteado, trancinhas de mel e um pote de sorvete La Basque.

Patricia passou o jogo torcendo pelo suíço errado e falando sobre seu sentimento ambíguo com Federer – coisas de amor e ódio femininos. É lógico que, sempre propenso em ver o circo pegar fogo, eu também torcia pelo Wawrinka. Primeiro porque existe o tema de torcer pelo mais fraco, segundo variações são bem vindas, depois há a minha quase incondicional parceria com a parceira, aliás atenta leitora deste Blog.

Wawrinka jogou como quase nunca e perdeu como quase sempre frente a Federer. O pior é que durante uma boa parte da partida foi disciplinado táticamente, colocando seu maravilhoso revés no revés adversário – literalmente fugindo da direita alheia. Não todo o tempo, e quando não o foi eu aproveitava para apontar o deslize mental à tenista ao meu lado.

O ultimo game foi uma piada – antes disso tenho que dizer que a qualidade do jogo foi altíssima, com dois tenistas de muito talento encantando os admiradores do tênis-arte, algo valioso em dias de Conans armados de raquetes.

Depois de muita briga e bolas maravilhosas (veja o 1o video abaixo), Federer não conseguiu fechar a partida sacando em 5×4 no 2º set. Após uma série de mágicas e vencer o 2º set no TB, Wawrinka tinha que fazer seu serviço, o que vinha fazendo com certa facilidade, e levar a partida para o TB do 3º set. Começou com 0x30 e flertando com erros táticos. No 13×30 deu uma encolhida no braço que me constrangeu a milhares de quilômetros do estádio. No 15×40 pirou. Espera aí, não acabou o jogo e você tá sacando – lute! O rapaz deu uma bola no meio da quadra, quase no centro e na direita do topetudo e foi à rede – imagino que para apertar a mão do Roger! Este ficou tão surpreso com que devolveu na mão, só para Wawrinka volear de volta na direita do bonitão – aí dançou mesmo. Crau, game, set e match!

Mas foi um ponto solto no início do 3º set que causou a polêmica e a irritação do melhor do mundo. Federer sacou aberto no iguais e, raridade, foi à rede, quando foi assaltado pela duvida se o serviço havia sido bom, apesar de nada ter sido chamado.

Com certa displicência voleou a bola na rede, virou para o juiz de cadeira e pediu o desafio de seu próprio saque, algo permitido – desde que dentro dos parâmetros do Desafio. O juizão negou, alegando que ele não interrompera o ponto, fazendo o voleio. Federer alegou que foi tudo muito rápido e o voleio instintivo. O juiz insistiu que fora um golpe a mais do que o permitido. Federer pediu o Supervisor, que só pode regular sobre regras, nunca sobre fatos.

Federer ainda tentou pegar o Supervisor em um contra pé verbal (veja o 20 video abaixo). Ao ser informado que a decisão era de fato e não de regra. Roger disse: quer dizer que você concorda com a decisão?

O Supervisor, com tremenda categoria, respondeu seco que ele não havia dito aquilo que o tenista insinuava, virou as costas e partiu, já que nada mais tinha a fazer por ali e não fica bem em atrasar o jogo. Ponto e jogo para os dois oficiais e quem não entendeu se perdeu.

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