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Arquivo da Categoria Porque o Tênis.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

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Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

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quarta-feira, 7 de maio de 2014 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 15:30

Thiem

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Para quem gosta de assistir um tênis vistoso, clássico e competitivo existe mais um jogador no circuito que nos faz levantar as sobrancelhas e salivar de boas expectativas.

O austríaco Dominic Thiem, de apenas 20 anos, tem todas as qualidades acima. Aos poucos ele vai fazendo impactos no circuito – um ano atrás ele jogava Futures e Challengers, hoje está entre os cachorroes.

Ontem ele bateu Wawrinka, um tenista com estilo bem semelhante, em especial a esquerda com uma mao, e mais em especial ainda a tal esquerda na paralela. Só que o serviço e a direita do austríaco sao ainda mais vistosos. Foi sua primeira vitória sobre um Top10 – nao será a ultima. Vamos ver onde vai parar, e nao me refiro a Madrid, e sim à carreira.

Agora, imagino que amanha, ele enfrenta o “mágico” Feliciano Lopes, um tenista fora da caixa, com ótimo saque, bons voleios e uma mistureba dos diabos com slices de esquerda e baloes de direita, sendo ele canhoto. Um enrolador de primeirissima.  Vai ser interessante o confronto e deve ser na Central, o que deve ir para a SporTV. Imperdível.

 

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domingo, 5 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Porque o Tênis. | 20:31

Midiaticos

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O mundo do entretenimento, do qual o esporte faz parte, virou um espetáculo mediático. E nesse espetáculo nao basta ser bom, talentoso, dedicado, é necessário também cultivar a imagem; mesmo que ela seja uma farsa. Isso porque as pessoas nao estao interessadas em enxergar farsas, nem as pequenas, nem as grandes, a nao ser que elas sejam jogadas em seus colos; na maioria das vezes sendo necessário jogar na cara mesmo. Desse ultimo exemplo, temos o cara de pau Lance Armstrong que, antes de ser exposto pelo o que realmente é, faturou títulos e milhoes e tornou-se um ícone do esporte apresentando a imagem de um super-homem, dedicado, diferenciado e charmoso. Sei! No tênis, essa tendência, a da “imagem” publica, foi inaugurada, de maneira mais óbvia, até porque o perfil sempre existiu, embora atenuado, por Andre Agassi e seu lema “imagem é tudo”. Esse nao teve ninguém a desmascará-lo, ele mesmo se incumbiu do fato em sua autobiografia, típico exemplo de tal espetáculo mediático.

O “pacote” tem que ser amplo para saciar o ego da estrela e a demanda dos ávidos. Nesse tsunami de “imagens ideais” nem tudo é negativo, pelo contrário. De mais de uma maneira, o esporte tornou-se mais interessante, transparente, correto. Os tenistas, nosso foco, desenvolveram outros talentos e fizeram a vida do fa mais interessante. Sao atletas mais profissionais, inclusive na maneira de se portarem, na quadra e fora delas, do que seus antecessores – e nisso, lembre-se, Gustavo Kuerten teve influência positiva.

Federer tem mais de 13 milhoes de seguidores no Facebook. Nadal pouco mais de 12m. Djoko mais de 3m e Murray de 2m – detalhe que dá uma boa foto da realidade da paixão dos fas perante os Fab4 e do impacto que causam quando mencionam o que seja na internet ou à midia. O comportamento desses, e outros, tenistas é, de algumas maneiras mais positivo do que, por exemplo, malas do passado como McEnroe e Connors, Nastase, Pancho Gonzales, entre outros, personalidades que fizeram o Tênis trafegar por caminhos que ficaria bem melhor se longe deles, apesar de terem sido um sucesso pelo talento indiscutível, a força interior e, nao menos, pelo caráter dúbio em quadra.

Mas, nao esqueçamos que no passado tivemos abundância de tenistas com perfil distinto deles, e ainda com toneladas de carisma, como Laver, Borg, Ashe, Von Cramm, Edberg, Hoad, Ivanisevic, Kramer, Becker, Lacoste, Larsen, Noah, Pietrangeli, Santana, Segura Cano, Vilas. Todos esses teriam um impacto ainda maior, e mais positivo, do que tiveram se existissem as ferramentas disponíveis na atualidade – das transmissoes televisivas mundiais, internet, redes sociais, press agents, e os milhoes em premiaçoes que os tornaram personalidades milionárias. Convenhamos, Nadal, Djoko (nao me arrisco a dizer o mesmo do MalaMurray) sao esportistas carismáticos, mas nao chegam aos pés dos acima mencionados.

Delirando por essa avenida acompanhei a ultima tendência dos Fab4. Contratar superstars como técnico. A tendência começou com Murray que, alias, teria muito mais sucesso no quesito do Post se tivesse a personalidade da mae, alguem que nao foi generosa na distribuiçao de bom humor e charme para seus descendentes. No entanto, tenho a certeza que a escolha nao passou pelo quesito “imagem” e sim extrema necessidade. Para aguentar um mala só um outro mala, e um mala em necessidade. Ou alguém acredita que Edberg aceitaria um convite de Murray – ou, por outro lado, McEnroe, um cara que nao precisa da grana e muito menos de aparecer e faturar como técnico de alguém. Lembrando, Lendl ganhou muito dinheiro em quadra, mas zero fora delas. O cara tinha zero de carisma e zero de contratos de imagem.

Já a decisao de Djoko é mais um movimento do sérvio em chamar a atençao. O que dúvido vá funcionar a seu favor. Ali quem vai chamar a atençao é Boris Becker, que sempre soube manipular a midia, é um charmant nato e com poucas papas na língua. O quanto vai acrescentar à carreira de Djoko é algo discutível, já que seu estilo era totalmente distinto do pupilo na técnica e seu forte o instinto natural para o jogo e a personalidade mercurial, que sabia usar a seu favor em quadra. Quero ver o quanto disso é possível passar à frente. De qualquer maneira vai, definitivamente, e aí o tema do Post, acrescentar no quesito espetáculo.

A escolha de Roger Federer surpreendeu por acontecer, apesar de nao surpreender pelo nome. Dos ídolos anteriores era dos poucos com perfil para trabalhar com o topetudo. Além de Sampras, que, nao duvido, foi sondado. Mas se eu fosse seu agente teria sugerido outro nome; Patrick Rafter. Um tenista mais cerebral, com estilo algo semelhante, pelo menos ao de Edberg, e com a personalidade mais light que o sueco. Os jantares de Federer e Edberg serao bem mais borings do que se Rafter estivesse à mesa. Fora que o australiano teria mais a dizer e a acrescentar. Porém, mais uma vez, Federer priorizou a imagem. Nao quis ficar atrás no assunto.

Dessas jogadas marketeiras ficou fora o espanhol Nadal. Óbvio. Até porque seu técnico é o Tio Toni e Rafa nao tem nada de mediático. Puro sal da terra. Alias, semana passada, ótimo timing, Toni deu entrevista sobre tenistas e técnicos. Disse que, mesmo que nas entrelinhas, os jogadores atuais sao uns folgados e mau educados e que os técnicos aceitam humilhaçoes de seus pupilos por conta do $$. Conta histórias de tenistas que fazem seus técnicos carregarem suas raquetes e malas – algo que o Tio nao faz. Toni diz que quando o sobrinho perde é culpa dele, Rafa. E quando ganha também. E que os tenistas mudam demais de técnicos porque, provavelmente, se cansam de ouvir a mesma coisa da mesma pessoa – já que é para isso que, teoricamente, contratam. Faz voces pensarem em alguém? Conta que atualmente os tenistas jogam bem, mas erram demais. Rafa, que garante nao irá acompanhar seus colegas na troca de técnicos, diz que conversou no aviao com o tio a respeito – “Nao é um problema de técnico, é um problema meu. Eu vou tentar melhorar – essa é a minha responsabilidade”. Esse cara nao entende nada de marketing e imagem.

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Feminino | 14:08

Na final.

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O handball pouco tem a ver com o tênis. Talvez em outras partes, mas no Brasil, no meu ponto de vista, tem algo sim e que me é bem claro.

O time brasileiro está em Belgrado disputando o Mundial e nesta última quarta-feira passou, pela primeira vez na história, para as semifinais do evento, ao bater a Hungria após duas prorrogaçoes. Sao sete vitórias em sete jogos. Hoje elas jogam a semifinal contra a Dinamarca – uma potência que inclusive nos fornece o técnico da equipe, aliás uma figura. O jogo acontece às 17.45h e será mostrado pelo canal Esporte Interativo, do qual sei pouco, porque tanto a NET como a Sky nao reproduzem o sinal, o que é uma pena. (se alguém tiver notícia diferente a respeito me informe).

Os jogos sao eletrizantes e tremendamente emocionais. O handball é um jogo ágil e rápido, exige bastante de destreza, atleticismo e força – fora a coletividade. Para quem gosta de assistir esporte é um prato cheio e de qualidade. Com o Brasil em quadra fica ainda mais emocionante. Com os nossas meninas fica ainda mais tocante.

E é isso que o handball tem, ou deveria ter, em comum com o tênis – especialmente para o Brasil. Nao conheço a história das meninas a fundo, mas dá para supor que a maioria nao saiu de classes mais abastadas, teve contato com o esporte nas escolas, tem o necessário porte físico, ralaram bastante para subir no esporte, tem comprometimento total com o esporte, a ponto de todas, menos uma, que foram às Olimpíadas de 2012 jogarem no exterior. Entre elas Alexandra Nascimento, uma linda e diabólica canhoteira eleita a melhor do mundo em 2012.

Com isso, volto à tecla que o tênis feminino brasileiro deveria buscar seus talentos na periferia das cidades, em áreas mais carentes, assim como acontece com o futebol e volei feminino. Lá está um universo de talentos e material humano com o necessário requisitos físico e temperamento, esperando ser descoberto, ofertado uma oportunidade, trabalhado, incentivado. O handball, como o volei, detectou isso, trabalhou e investiu, vem conquistando resultados, algo que o Mundial está espelhando. Nao é só uma coincidência que a nossa atual #1, Teliana Pereira, tenha bastante dos requisitos mencionados.

E se o leitor tiver a oportunidade nao deixe de acompanhar o jogo das meninas no Mundial – nao vai se arrepender.

O Brasil bateu a Dinamarca na semifinal e joga a final contra dona da casa, a Sérvia, no Domingo às 14.30h.

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 Light, Porque o Tênis. | 16:08

Gazirada

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Vocês sabem o que é uma “gazirada”? Talvez saibam o que é uma “madeirada”, denominaçao que caiu em desuso por conta do material, mas nao o fato. Pifada lembra alguma coisa? Geralmente vem acompanhado de exclamaçoes do tipo; “que tremenda sorte” – na verdade é mais para palavras de baixo calao. O fato é um dos mais irritantes em uma quadra de tênis, especialmente para a vítima, mesmo porque o culpado geralmente fica, ou deveria, com uma vergonha danada do crime, ao mesmo tempo que, em silencio, agradece aos céus.

Nao é nenhum segredo que o tênis é um esporte de grande precisao. Nao é fácil bater uma bolinha que vem na sua direçao a mais de 100km por hora, devolver na mesma moeda, tentando colocá-la o mais longe possível do adversário, de preferencia o mais próximo, ou em cima, de uma linha que tem 5cm de largura e está a uns bons 20m de distância. As açoes neurológicas envolvidas e necessárias para tal sao bem além dos meus conhecimentos da área. Mas, posso garantir de expêriencia própria, nao se trata de feito fácil, nao importa quanto tempo a gente tenha investido na técnica envolvida.

Além da técnica, usamos para isso raquetes encordoadas com diversos tipos de cordas, que obedecem a também diversos tramas e padroes, de acordo com o tamanho da cabeça da raquete e, posso afirmar, da cabeça de quem desenhou a raquete.

Existem raquetes com 20 cordas na horizontal e 18 na vertical, que sao as tramas mais “fechadas”, oferecem mais controle e um pouco menos de “conforto”, spin e velocidade em quase sempre uma menor área de impacto. É uma raquete de cachorroes.

O outro lado do espectro sao raquetes com tramas maiores e menos cordas (até 16×19), normalmente em uma área de maior impacto, oferecendo menos controle e mais “conforto”, spin e velocidade à bola. É claro que essas características podem ser alteradas pelo peso da raquete, especialmente aonde esse peso é colocado – se na cabeça, no centro ou no cabo – pelas cordas usadas e pela tensao nelas colocadas. Mas aí já estou ficando mais técnico do que gostaria e a idéia aqui é outra.

O fato é que se é difícil colocar a bola na linha é um pouco mais fácil, nao muito, acertar o tal do sweet spot, designaçao dada ao local ideal de impacto da bola na raquete. Aliás, esse tal de sweet spot é um tanto efêmero e variável. Variável porque nao em todas raquetes ele fica no mesmo exato local – varia. É só o leitor pegar uma bola, segurar a bola pelo cabo com a face na horizontal e bater a bolinha a uns 15cm que, com um pouco de sensibilidade, dá para perceber o sweet spot de sua raquete.

Eu acho o Tênis um dos esportes mais justo que existe. É impossível sair da quadra nao tendo sido melhor do que o oponente. Talvez se possa dizer que um jogo foi parelho e decidido nos detalhes, o que só prova a afirmaçao. Mas nada daquelas papagaiadas que o pessoal do futebol adora, dizendo que um time jogou melhor mas perdeu, ou “verdades” como “campeao moral” após uma derrota.

Mas com toda essa justiça ainda há um breve componente de injustiça, e por isso irritante. Sendo que o mais colérico, de longe, quando o oponente erra, mas acerta. Uma contradiçao horrível. E é exatamente isso a gazirada, ou pifada.

E o que vem a ser isso?

Sabe quando o adversário abre o braçao, mira na paralela, pega na quina da raquete e acerta uma bola indefensável na cruzada? Ou quando a gente está na rede, pronto para matar o ponto, o cara de pau vai para aquela passada sem vergonha, você se adianta, cobre a paralela, ele pega errado na raquete e sai aquele lob perfeito? Você fica P da vida e o adversário, dependendo da intimidade, levanta maozinha, pede desculpa, e morre de rir por dentro, já sobre apupos de todos na quadra e arredores.

Pois é, lá no clube temos um mestre nesse anti-golpe. E pela denominaçao “Gazirada” dá para se ter uma idéia do nome da fera. O rapaz tem pegadas radicais, tanto para a direita como pelo revés, e vem com a raquete um tanto mais inclinada do que seria o certo, o que faz com que volta e meia atinja a bolinha com a quina da raquete. Quando vai direto nas arquibancadas, nada mais justo, quando cai em cima da linha que é de chorar

Hoje, meu companheiro de quadra nao tem mais nenhum constrangimento, mas continua sendo “homenageado” a cada uma dessas bolas leprosas. A ultima “homenagem” foi a entrega do troféu “Gazirada” ao elemento, que nao teve nenhuma hesitaçao e dar uma de Nadal e meter os dentes no dito cujo. Pelo menos lá no clube é o homem que mais ganha pontos indevidamente, sempre com um sorriso no rosto. Mas o mundo está cheio deles e precisamos sempre estar atentos. E nao deixar passar uma injustiça sequer sem uma vaia, um comentário, algo que os faça entender que tal abominaçao nao é bem vinda em um local onde a perfeiçao é uma meta, nao um desdenho.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013 Light, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:26

Ética

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Desde a época de Aristoteles a Ética é uma questao. Nas colinas de Assos, olhando o Egeu e a Ilha de Lesbos, a nao muitas braçadas de distância, o grego já tentava chegar a termos com a maneira correta de viver para poder chegar à felicidade.

Uma amiga me liga, aflita, por conta da ética tenistica para poder manter sua felicidade dentro e fora das quadras. Assunto tao simples quanto complexo. Se lermos as regras do Tênis nao existe lá uma frase sobre como se proceder, ou nao, em quadra, em termos de ética. No entanto, seria interessante lembrar que, à época do Major Wingfield, o cavalheirismo era um padrao razoavelmente rígido, especialmente para aqueles que praticavam o Tênis, entao sim um esporte da elite.

Foi quando a grana, sempre ela, entrou no cenário, assim como a chamada democratizaçao do esporte, que os oficiais dos circuitos, tanto os profissionais como os nível federaçoes, tiveram que começar a escrever uma série de sub regras para manter o assunto toda sob controle, o que, convenhamos, acontece com razoável sucesso, mas ainda permite brechas, especialmente as éticas. Nem tudo pode ser colocado preto no branco e sempre existirá ocasioes que exigem um bom fundo de cavalheirismo, mesmo quando as participantes usam saias, quem muitas vezes sao mais problemáticas do que os dos calçoes.

Hoje, o livro das “regras” que orientam os árbitros mais parecem apostilas, com inúmeros exemplos de casos acontecidos para ilustrar problemas e soluçoes. Juízes de cadeira e árbitros participam de reunioes onde assistem vídeos com situaçoes de partidas oficiais e mesmo assim as circunstâncias e tenistas sempre apresentam surpresas e novidades.

Mas essas regras escritas nao serviriam de nada sem a existência das regras nao escritas do cavalheirismo que norteiam o Tênis desde a época das Gardens Parties nos jardins dos castelos britânicos. O Tênis é um esporte onde o confronto mental individual é inigualável no mundo dos esportes – só posso pensar no boxe onde há tanto confronto, mas este já é mais uma selvajaria controlada do que um esporte, e nao me tragam MCA à conversa que eu vomito – e por conta disso o cavalheirismo é uma exigência para que o jogo se desenrole em um clima civilizado. Entendam que os oponentes entram em quadra com uma agenda bem clara. Fazer com que os oponentes cometam erros, se desmoralizem, percam sua auto estima, queiram correr para os vestiários, odeiem o que estao fazendo, em uma palavra, se explodam. Convenhamos, nada que você deseje a seus amigos. No entanto, tirando o cenário profissional, sao com eles, amigos, que jogamos a maior parte do tempo. Aja, elegância e atitude.

Minha amiga está preocupada porque em seu ambiente surgiu uma situaçao e uma duvida assaz cruel. Em partida feminina de interclubes, suas amigas teriam sido vítimas de adversárias que tinham, talvez, abusado das bolas direcionadas ao corpo das tenistas quando na rede. As amigas estavam inconformadas com a falta de respeito e educaçao das oponentes, enquanto minha amiga tentava explicar que bolas ao corpo fazem parte do jogo de tênis, especialmente o de duplas. Algumas bolas passaram perigosamente perto de cabeças e uma chegou a atingir o pé de uma delas. E é exatamente aí que a subjetividade, sempre ela, contamina a discussao.

Uma bola direcionada à cabeça de um adversário e uma bola que atinge o pé sao coisas tao distintas quanto Mozart e um sertanejo. Jogar uma bola na cara de alguém, propositadamente, deixemos claro, é tao selvagem quanto o boxe, enquanto atingir o pé de quem está na rede é um dos mais elogiáveis golpes do tênis. Mais do que o produto final há de se avaliar a intençao de quem jogou, algo nao muito difícil de se avaliar – a nao ser por quem se deixa levar pelas emoçoes, histerismo barato ou conhece pouco de tênis e menos ainda da competiçao.

É comum quando dois tenistas se confrontam junto rede e a bola nao está com muito altura, quando entao possibilita ser colocada em qualquer lugar para se ganhar o ponto, que ela seja direcionada ao corpo do adversário, já que tira o angulo e dificulta a devoluçao. Novamente, aos olhos treinado dá para dizer se foi “do jogo” ou “pra intimidar” ou pior, “pra machucar”. O certo é que a avaliaçao correta da intençao é o mais importante. Mas nao custa lembrar que em partidas de duplas, especialmente entre pangas, que nao tem lá muita idéia de onde vao suas próprias bolas, nem sempre bolas que acertam sao intencionais. E, tao importante; quando se joga duplas, e se fica com a carinha grudada na rede, como se fora um poste, nao se pode esperar que os adversários joguem todas as bolas longe desse tenista ou somente bolinhas “chocolates” para serem “matadas” – aí é querer demais.

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013 Curtinhas, Porque o Tênis. | 20:43

A visão do arquiteto

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Precisou de um arquiteto, um artista, o Becker, um dos nossos leitores, para chamar a atenção de um detalhe crucial sobre os torneios da semana passada. Os três vencedores dos eventos da ATP fazem parte de um clubinho que não é o mais prestigiado do circuito na atualidade. Além de baterem a esquerda com uma única mão, são tenistas habilidosos, praticantes do Tênis Arte.

Richard Gasquet, Grigor Dimitrov e Tommy Haas são tenistas que enchem os olhos dos fãs do tênis, especialmente os que jogam e conhecem as dificuldades, e se maravilham com a facilidade que esses talentos executam seu tênis.

É fato que os tops descansaram esta semana, o que abriu as portas para esses tenistas e seus fãs. Esta semana Federer, que definitivamente é do mesmo clube, volta às quadras, na sua cidade Natal, Basiléia. Del Potro, Berdich e outros marteleiros estarão presentes. Haas e Ferrer lideram a chave em Valencia. Djoko continua descansando enquanto Rafa Nadal saiu da Basiléia no ultimo momento por dores e Murray só o ano que vem. Não duvido que teremos uma dobradinha dos talentosos novamente. Federer é uma boa aposta, enquanto Haas pode ter a ajuda de Fognini e Almagro. Sei, é forçar um pouco, mas não custa imaginar e torcer.

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terça-feira, 1 de outubro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:17

Retomando a arte

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Uma arte perdida? Uma duplinha, algo quase que desprezado no circuito profissional – é só olhar as arquibancadas agora que temos a possibilidade de acompanhar algumas dessas finais com presença brasileira nos Slams – segue sendo o jogo das multidões nos Clubes. Vai entender. Bem, eu entendo e já escrevi sobre o assunto mais de uma vez.

Mas a pergunta é se é uma arte perdida, ou no processo de se perder.

Tenho jogado mais duplas nos últimos anos. Tanto a idade e restrições físicas como a sociabilidade ajudou na decisão. O Jogo, pra mim, ainda é o mano a mano, a simples, mas a duplas é uma ótima opção para se passar um tempo agradável batendo na bolinha.

Boa parte das duplas que jogo é com tenistas mais jovens, sendo que vários deles aprenderam o Tênis nas ultimas décadas. Ou seja, carecem da cultura tenistica de então e abraçaram a cultura mais contemporânea.

O que isso quer dizer? Que não são poucos os que fazem dos jogos de duplas uma adaptação de um jogo de simples com dois de cada lado. Vários, assim como ocorre no circuito profissional, sacam e ficam atrás, o que alguns anos atrás era uma heresia que causava espanto quando não gargalhadas. Hoje, o campeão do US Open, Rafael Nadal, só fica na rede quando seu parceiro saca, o resto do tempo fica plantado atrás. Assim sendo, não é nenhum sacrilégio que os pangas clubísticos sejam um tanto “analfas” junto à rede.

Mas, felizmente, o mundo do tênis ainda tem seus fiéis depositários, encarregados de preservar a cultura tenistica. A semana passada, estive no Rio de Janeiro e tive o privilégio de acertar uma duplinha com parceiros das antigas em um clube para lá das antigas – Paissandu Atlético Clube, um oásis com sete quadras de tênis no Leblon, ao lado da Lagoa. Os parceiros, Gugu Pucheau e os irmãos Filipe e Breno Mascarenhas, não eram tão mais novos, no máximo uns quatro anos, quando não menos.

O jogo foi decidido em três sets, sendo que o último não foi no formato tiebreakão, como é padrão no circuito ATP e nos interclubes. Quando coloquei a questão, após o 2º set, um deles retrucou que “o jogo está bom, vamos pro set”.

Mas foram uns poucos, e importantes detalhes, que me chamaram a atenção. Todos eles sacavam e voleavam, primeiro e segundo saque, quase que em tempo integral. E, se colocavam a raquete, raramente erravam o crucial primeiro voleio.

Meu parceiro era a Rocha de Gibraltar – não errava um sequer. Outro detalhe me chamou a atenção. Poucos “poaches”, ou cruzadas nas bolas do parceiro, especialmente após o primeiro voleio do adversário. Primeiro porque os caras tinham a visão e a habilidade de mudar a direção do voleio ao perceber o “poach”. E o mais impressionante; os primeiros voleios dos sacadores eram, como devem ser, rentes à fita da rede, oferecendo pouquíssima margem para o poach de quem estava na rede. Detalhes de uma cultura que não pode, ou deve, ser perdida.

Quando Bruno Soares esteve no Clube Pinheiros, Edu Eche, Técnico Chefe do competitivo juvenil, o alertou, quase que apologético, que o parceiro de Bruno, Tom Fasano, atual campeão brasileiro de duplas até 16 anos, não sacaria e volearia com fraquencia, já que não era seu hábito. Ao que retruquei que ele o faria sim. Até porque Tom é um dos jovens com maior talento e habilidades que temos atualmente e que ir à rede é algo que nesta fase da carreira deve lhe ser incentivado.

Os caras tem medo de ir, levar uma passada e ficar com cara de tacho, o que é um pena e um sacrilégio. Tom não só foi à rede como se virou muito bem uma vez por lá. Agora só precisa incentivado e aprender a cultura do bom voleio, algo que sempre fez com que o tênis fosse um esporte admirado e amado e que hoje se perde no limbo restrito da linha de base. Os duplistas do futuro agradecem.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:47

E a pimenta?

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O assunto já foi tema de mais de um dos meus Posts. Nos comentários na TV eram ainda mais frequentes. Imagino que qualquer pessoa que acompanhou o tênis nas ultimas décadas deve pensar da mesma forma.

O tema virou assunto novamente por conta de recente artigo escrito por Pat Cash para um jornal. Cash, australiano que venceu Wimbledom era um tenista quase que exclusivamente de saque/voleio. Sempre flertou com a contra mão – dentro e fora das quadras, durante e após a carreira. Sempre foi visto como um crítico. Às vezes sem razão, às vezes com.

Com todo o tato que os anos lhe concederam, ele agora critica a homogeneização do tênis, salientando que jogadores como Nadal e Djokovic têm, no entanto, inúmeros méritos – físicos, técnicos e mentais. Porém, apresentam um tênis unidimensional, sem nuances, colado no fundo da quadra.

Não sei mais onde as palavras de Cash terminam e onde começam as minhas, já que vemos a mesma coisa, sem que o assunto me incomode tanto quanto a ele.

O tênis mudou muito nos últimos anos. Essa mudança maior começou, como já escrevi e falei inúmeras vezes, com a parceria de Mark Miles, como presidente executivo da ATP e o tenista Alex Corretja, como presidente da ATP.

Na época, o tênis beirava o precipício do ponto decidido em uma ou duas bolas. O saque era o grande diferencial e o Tênis era um jogo de muito saque, muitas devoluções, certas ou erradas, poucos voleios e quase nada mais, durante boa parte da temporada, com exceção da temporada sobre o saibro. Era a dominância da cultura tenistica americana. Corretja foi o primeiro presidente fora da área de influencia dos americanos e o pessoal de fora tinha suas próprias ideias sobre o circuito há anos.

A partir dessa parceria o tênis toma outra forma. Os pisos são equalizados para serem mais lentos. As quadras de carpete começam a sumir do circuito. São substituídas, quando no circuito indoors, que ia de Setembro a Abril na Europa e EUA, por pisos semelhantes aos já mais lentos pisos duros. Isso foi minando o reinado dos sacadores/voleadores e homogeneizando o tênis.

Ao mesmo tempo, os tenistas ficam mais fortes e, principalmente, mais rápidos, cobrindo melhor o fundo da quadra. Os golpes de fundo vão ficando mais técnicos e muito melhores, a esquerda com as duas mãos vira quase que padrão, dá qualidade ao contra ataque, dificultando a vida do voleador.  As raquetes e os encordoamentos facilitam a vida dos tenistas desse estilo. Isso faz com os tenistas que estão sendo formados foquem seus arsenais no jogo de fundo, sacrificando o de rede. Tornam-se “cegos” junto à rede. Os singlistas jogam menos e menos duplas e tem cada vez menos contato com a rede e os voleios. E, quando jogam, vários, como, por exemplo, Nadal, sacam e ficam atrás. Em pouco mais que uma década o tênis mudou radicalmente.

Hoje o padrão são Nadal, Djokovic, Murray etc. Federer, por outro lado, era um verdadeiro “all around”, sem dúvida a razão maior de ser tão querido por quem acompanha o tênis a mais tempo. No entanto, para sobreviver, teve que se adaptar. É só entrar no You Tube e assistir a vitória dele sobre Sampras em Wimbledon, o canto do cisne do Tênis multifacetado. Nadal, Djoko etc nem em sonhos podem ter uma vitória como aquela.

Ficou chato? Eu não diria isso. Ficou menos interessante? Não necessáriamente. Ficou menos emocionante. Não.

Mas, eu digo, sem pestanejar, falta algo. Falta alma. Falta variação, a pimenta.  Falta a essência do tênis, que é o que o voleio sempre foi, até porque foi criado para jogar na grama, onde o quique é péssimo. O melhor cenário seria a volta da cultura do voleio, sem perder o que se melhorou e se ganhou no fundo da quadra. Um tenista mais completo, que pudesse ir à rede com mais frequência e sem temores. Até porque seria melhor voleador do que se vê por aí. Imaginem os confrontos de estilos dentro de uma mesma partida.

Tenistas que investissem e, consequentemente, melhorassem o jogo de rede, para chegar aos padrões atuais do fundo de quadra. Tenistas que desenvolvessem o instinto de para aonde vai a passada e desenvolvessem a “mão” para acariciar uma bola junto à rede, com um Stepanek, um dos últimos moicanos, sabe fazer – talvez a razão de seu sucesso com as tenistas(atualmente está namorando a Kvitova).

Hoje os caras deixam passar bolas que a minha avó não deixaria passar, simplesmente porque não acreditam que possam colocar a raquete. Talvez pior; tenham receio de colocar e não saber o que fazer. Ao primeiro erro se acovardam e só voltam naquela direção para trocar de lado.  Aquele Isner é um aborto da natureza; tem mais de 2m, não sabe volear e as bolas passam por ele como se não tivesse envergadura ou reflexo junto à rede. Imaginem se soubesse.

Deixo aqui a mensagem. O tenista do futuro, se Deus for benevolente com os fãs do esporte dos reis, será rápido, veloz e ágil junto à rede, como hoje o são no fundo da quadra. Poderá até ser alto, mas não um poste. Terá voleios na mesma qualidade dos atuais golpes de fundo – e eles nunca foram tão bons na história do tênis. Saberá equilibrar o uso de ambas as qualidades para formar um atleta mais denso, rico, empolgante, surpreendente, emocionante. Eu mereço ser feliz.

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terça-feira, 16 de julho de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino, Wimbledon | 11:33

Trocando a raquete

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Às vezes falho na percepção do que os meus leitores gotariam de ler no Blog. Na verdade, tenho pensado seriamente em mudar o direcionamento e as pautas, o que talvez tenha sido a razão inconsciente em passar em branco uma informção que recebi duas semanas atrás.

Estava em um preguiçoso bate papo, após um nada preguiçoso bate bola com um amigo ex-tenista com acesso direto ao suíço, quando este mencionou que o “bonitão” iria mudar de raquete. Não dei maior atenção ao fato, até porque tinha outras coisas mais importantes na cabeça, inclusive as referentes ao suíço. Para minha surpresa, todos os sites de tênis transformaram o assunto em notícia.

Federer não teve muitas raquetes na carreira. Geralmente quem troca de raquete é quem começa a perder. Quando o cara está ganhando ele troca de mulher, de técnico, de casa, de manager, mas não de raquete. Aí comecei a pensar naquele fatídico dia de Wimbledon quando as zebras invadiram a grama do local. Sharapova mandou o treinador embora. Federer decidiu que era a hora de trocar a raquete.

O rapaz não teve muitas raquetes na carreira profissional. De fato teve duas, o resto foi maquiagem e frescuritas. Entrou no circuito jogando com a Pro Staff 85 6.0, a mesma que Sampras nunca quis trocar e quando parou de jogar disse que deveria ter trocado antes por algo mais moderno. Em Roland Garros 2002 Roger jogou pela primeira vez com a Hyper Pro Staff 6.0, a primeira vez que usou o aro de 90 polegadas. A partir daí foi sempre razoavelmente a mesma coisa, com diferenças de maquiagem; 90 polegadas e peso entre 352 e 360gramas.

Como tudo, e ele próprio, a raquete ficou “velha” – uma raquete que não consegue gerar a mesma força/velocidade de outras que estão por aí. O que, de maneira alguma, significa “pior”. Tanto é que Roger relutou muito tempo com a mudança. O aumento da cabeca da raquete deve ajudá-lo a gerar mais força sem perder precisao. A tecnologia das raquetes tem mudado, assim como a dos encordoamentos, algo que Federer também está testando. O progresso dos encordoamentos tem sido até mais radical do que o das raquetes.

Roger considerou no passado fazer uma mudança mais radical, do tipo que está considerando agora. Chegou até testar alguns modelos. Mas sempre arquivou a ideia, culpando a falta de tempo para a transição – algo que pode levar semanas e mesmo assim não dar certo. Geralmente dá certo em um primeiro momento e depois dá uma encrencada, no jogo e na cabeça. É preciso calma e saber o que se busca – não se mexe com 20 anos de hábito sem consequências.

A derrota para Stakhovsky foi a gota dágua, especialmente após não conseguir fazer frente às bolas pesadas de Tsonga em Paris. Não é só a raquete, Federer também, não deve conseguir gerar a mesma força de antes, assim uma raquete e encordoamentos mais modernos podem deixá-lo mais competitivo – daqui para frente o tempo nunca será seu aliado.

Isso também explica a mudança de calendário – sendo que ele, e a Wilson, não falaram ainda sobre a mudança da raquete. Hamburgo e Gstaad não serão torneios para vencer e sim torneios para testar o equipamento e mudanças que deverá fazer em consequência, que podem ajudá-lo tecnicamente a recuperar a confiança chamuscada após Roland Garros e Wimbledon, visando as quadras duras da América do Norte e o que pode vir a ser a sua last chance em vencer um Grand Slam – U.S.Open 2013 em Agosto.

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Roger, a raquete pintada de preta, no AM Rothenbaum de Hamburgo. Há boatos que se trata da Wilson Blade 98 pol ou similar.

 

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