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Arquivo da Categoria Olimpíadas

terça-feira, 4 de setembro de 2012 Light, Olimpíadas | 23:41

Inspiração

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Como não tivemos jogos à noite em New York, por conta das chuvas e a inexistencia de uma quadra coberta no local, coloco um video sobre tênis de mesa – de uma partida recém disputada no Paralimpicos em Londres – que necessariamente é jogado indoors. Talvez até sirva de inspiração para alguns.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:04

Descanso

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Pode ser a mudança de uma semana para a outra do piso, pode ser a mudança de continente e o consequente fuso horário, pode ser o corpo acusando o cansaço. Todas essas possibilidades, em um cenário onde a competitividade é tão grande que detalhes fazem a diferença, podem explicar as surpresas no primeiro Masters Series da temporada de quadras duras na América do Norte.

As derrotas precoces de Del Potro, para Stepanek, Tsonga, para Chardy são claros exemplos de tenistas que não conseguiram “entrar” no torneio, perdendo logo na primeira partida, após a temporada na grama. Aliás, não foi muito diferente que Sharapova saiu de Montreal.

Por outro lado, Murray administrou bem a euforia dourada e passou com facilidade pelo Cipolla, que não é tão perigoso, mas vamos ver contra Raonic e daqui para frente se o emocional e o físico se sustentam.

Djokovic deve estar tão contente de estar de volta ao seu piso favorito que não acusou nenhuma das dificuldades listadas na vitória sobre Tomic, um tenista mais perigoso do que Cipolla. Deu uma vacilada no início, mas logo encurralou o australiano que ainda não conseguiu cumprir as expectativas. Ainda não se ouviu maiores detalhes sobre a inconfidência do ex-técnico do sérvio, que disse que o tenista vem passando por dificuldades pessoais que explicariam seus recentes fracassos e uma certa dose de apatia para quem chegou ao topo sendo extremamente combativo.

Já Federer, que completou 31 anos ontem, decidiu que o descanso lhe faria muito bem ficou em casa curtindo a família e que pouco teria a ganhar em Toronto. Porém é certo que estará em Cincinnati. Quanto a Nadal, que não esteve nas Olimpíadas, também não esteve presente no Canadá e, oficialmente, não se sabe quando o espanhol volta ao circuito.

Delpo – sem pernas e esquerda com uma mão.

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terça-feira, 7 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino | 11:48

Crip Walk

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Não seria Serena Williams se não houvesse uma controvérsia envolvida. Logo após conquistar o título olímpico, Williams foi para o seu canto da quadra, deixou a raquete, olhou para seu camarote, onde estava sua irmã e mãe, e saiu dando alguns passos de dança que chegaram a empolgar os que desconhecem o histórico da esperta dancinha.

Por conta de sua escolha de coreografia uma grande controversa invadiu a imprensa eletrônica americana. A acusação é de a americana ter, mais uma vez, um comportamento impróprio dentro de uma quadra de tênis, especialmente em uma Olimpíada, onde está defendendo seu país.

E por que tamanha confusão por conta de uma dancinha? Aqueles passos fazem parte de uma dança chamada Crip Walk, que tem grande reverberação negativa na cultura americana, por estar associada a uma das piores gangs de Los Angeles e dos EUA – o crips – e seus atos de bandidismo.

A dança, existente desde os anos 70, é a assinatura dessa gangue de bandidos do bairro de Compton, Los Angeles, vizinhança onde cresceram as irmãs Williams. É usada para desafiar seus rivais, em especial os Bloods, a outra grande gangue de LA, e para marcar seus crimes, inclusive assassinatos. Ela é usada, em algumas raras vezes, pelos rappers gangsters em shows ao vivo, sendo que a MTV proibe qualquer vídeo com seus passos, o que dá a medida de seu simbolismo.

Quando perguntada sobre a dança e se esta teria um nome – wimbledon ou serena, arriscou o repórter – a americana respondeu que “a dança tem um nome mas é inapropriado”. O nome sim, a dança não.

Quando assisti a dança de Serena, fiquei impressionado pela ginga e o trabalho de pés da moça, sendo que eu desconhecia a coreografia e sua tradição. Porém, em tempos onde certas ações podem ter o peso de uma “declaração política”, talvez o Tênis pudesse ter ficado sem a crip dance. Mas, ao que parece, foi mais fácil tirar Serena de Compton do que Compton da Serena.

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domingo, 5 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:52

O que aconteceu?

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Quem assistiu a final feminina deve ter ficado, como eu fiquei, curioso com a cerimônia de entrega de medalhas. As tenistas perfiladas, ouvindo o hino americano, de repente começaram a rir enquanto um tremendo burburio vinha das arquibancadas. O que aconteceu?

Lógico que a cameras inglesas não mostraram, mas aqui vocês vão descobrir a cena inédita que pertubou a cerimônia. Fiquem de olho nas bandeiras, ao fundo e à esquerda da quadra.

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Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:24

As medalhas no Tênis

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Abaixo os resultados finais de medalhas no Tênis. Os vencedores das simples também estiveram envolvidos em finais de duplas. Serena venceu, mais uma vez, com a irmã e Murray fez mágica de ser vice com a inexperiente Laura Robson. Os dois quase batem Azarenka e Mirnyi. Parabens ao Del Potro, que encontrou forças para bater o Djoko pelo bronze, acho que a 1ª medalha da Argentina. E também à bonitinakirilenko, que disputou dois bronzes e venceu uma

Homens – Ouro e Prata

(3) Andy Murray (GBR) d. (1) Roger Federer (SUI) 62 61 64

Homens – Bronze

(8) Juan Martin del Potro (ARG) d. (2) Novak Djokovic (SRB) 75 64

Mulheres – Ouro e Prata

Serena Willams d. Maria Sharapova 60 61

Mulheres – Bronze

V. Azarenka d. M. Kirilenko

Duplas Mulheres – Ouro e Prata

Serena Williams / Venus Williams (USA) d. (4) Andrea Hlavackova / Lucie Hradecka (CZE) 64 64

Duplas Mulheres Bronze

Maria Kirilenko / Nadia Petrova (RUS) d. (1) Liezel Huber / Lisa Raymond (USA) 46 64 61

Mistas Ouro e Prata

Victoria Azarenka / Max Mirnyi (BLR) d. Laura Robson / Andy Murray (GBR) 26 63 [10-8]

Duplas Mistas Bronze

Lisa Raymond / Mike Bryan (USA) d. Sabine Lisicki / Christopher Kas (ALE)  63 46 [10-4]

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O leitor escreve, Olimpíadas, Tênis Masculino | 18:47

O leitor olímpico

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Bati os olhos e vi que esta seria mais um daqueles comentários fisgados para vir para a Home Page. O leitor, que não lembro de ter visto antes, é Inácio de Freitas, a quem agradeço pelo tempo e pela escrita.

ROGER FEDERER, AQUILES E SIEGFRIED.

Homero escreve a Ilíada para mostrar, principalmente , a mudança na alma de Aquiles, ao longo da Guerra de Tróia. É o motivo principal da obra.
A tradição germânica conta a lenda do tesouro dos Nibelungos, onde o principal motivo pode ser a ascendência e posterior decadência de Siegfried.
Os dois heróis são agraciados pelo destino, pelos deuses; o grego é filho de uma destes e o alemão recebe-lhes os vaticínios/conselhos, após apropriar-se do Anel dos Nibelungos e de todo o seu tesouro.
Ambos os personagens conhecem a dor e a morte, após aparentemente haverem conquistado praticamente tudo. Aquiles morre por seu calcanhar, o mesmo que sua mãe segurara, quando o banhou nas águas do Estige . Siegfried morre pelo único ponto de seu corpo que não foi banhado , quando mergulhou na poça formada pelo sangue do dragão que matou…
O herói grego e o herói germânico tinham seus defeitos, suas fraquezas. Lendo-lhes as estórias, quase desejamos que, em algum ponto, percam o que conquistaram, sofram, caiam, falhem. Com Roger Federer, dá-se o oposto. Tudo o que conquistou, foi através de uma ética e virtudes raramente vistas, no tênis, no esporte em geral, na vida pública, no mundo.
Até onde se pode saber, Federer é bom filho, bom pai, bom esposo, excelente amigo (este ano, abriu mão de ser, pela terceira vez em sequência, o porta-bandeira da Suíça, nas Olimpíadas de Londres 2012 e cedeu a vez para seu colega Stanislav Wawrinka , com quem joga em dupla e com quem foi campeão olímpico, em Pequim 2008). É insofismavelmente paciente com a imprensa, nunca rude, nunca destemperado, nunca descortês. Dos colegas de profissão, todos o admiram, alguns o idolatram; de tal modo que, seguidamente, é eleito e reeleito para compor (e, na maioria das vezes, presidir) o Conselho de Jogadores da ATP . Seus maiores rivais (destaque para Rafael Nadal, Novak Djokovic, os “Andys” Murray e Roddick, os argentinos Del Potro e Nalbandian, Nicolay Davydenko, J. Tsonga, Pete Sampras, Leyton Hewit, Marat Safin, Gustavo Kuerten …) costumam apontá-lo como o melhor de todos os tempos e, dos mais antigos, Bjorn Borg, Rod Laver, Martina Navratilova e Maria Ester Bueno (para citar só estes) seguem a mesma linha de pensamento (com pequenas variações ). Mesmo em outros esportes, os ícones o procuram e assistem . É difícil achar defeitos, menos ainda desvios de caráter em Roger Federer…
E é difícil não torcer por ele.
Mas os deuses, ah, os deuses… Têm suas peripécias, suas artimanhas, suas tramas e sua própria visão do mundo e da vida (talvez nada de errado, com isto: vida e mundo vieram deles, afinal…).
E assim, parece que, hoje, Roger Federer foi definitivamente alijado da conquista do ouro olímpico individual. Olímpico… Ouro dos deuses e apenas deles, talvez. Como os nibelungos avisaram a Siegfried: este ouro não te pertence. É nosso por direito. E colocaram, mais uma vez, Juan Martin Del Potro, no caminho de Roger Federer. Na semifinal, o platino lutou com o europeu, por quatro horas e tantos minutos… O suíço terminou por vencer (19-17, no set de desempate), mas os trinta, quase trinta e um anos cobraram sua alta tarifa e hoje, dois dias depois, na final de Olimpíada, quadra central do All England Club, Federer não teve energia física e teve pouca energia mental para enfrentar, mais uma vez, o herói local, Andy Murray, na mesma grama onde este último sofrera em suas mãos uma das mais tristes derrotas da vida.
Murray campeão, em três sets inatacáveis.
Um Federer desolado deixou a quadra, cabisbaixo, de olhos marejados, certamente. O metal dos deuses, nunca será somente seu…
Caso nos possa – aos que torcemos e sofremos por ele e com ele – servir de consolo: Pelé não teve o ouro olímpico; nem Lance Armstrong. E alguns outros semideuses ficaram separados desta singular conquista, até o fim de suas carreiras.
O tempo, contudo, ainda poderá nos surpreender e, quem sabe, gerar o que seria talvez o maior prodígio da história do tênis: o ouro olímpico individual de RF, aos trinta e quatro anos, numa Olimpíada no hemisfério sul, num país sem muita tradição no tênis, numa quadra que não seja de grama…

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sexta-feira, 3 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:30

Para quem?

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Não sou muito de torcer, especialmente no tênis. Fico muito compenetrado em curtir e analisar o jogo para me envolver emocionalmente. Mas, Olimpíadas é um pouco diferente. Para eles tenistas e para mim apreciador.

A semifinal entre Federer e Delpo foi tão emocionante que exigiu um envolvimento emocional. O problema foi decidir para quem torcer. Tinha hora que o coração batia pelo Delpo, tinha hora que ele amolecia pelo suíço. Afinal, Roger, o melhor da história, quer muito colocar o ouro das simples no peito e, ao mesmo tempo, prefiro torcer por um hermano do que por um europeu.

Nunca vi Federer tão pressionado em quadra. Oscilou demais. Mas não aquela oscilação a que estamos acostumados. Foi o inverso. Ele parecia querer tanto ficar atento, jogar bem e ganhar, que fazia erros abaixo de seu padrão. Vários por falta de mexer os pés, primeiro sinal de nervosismo, muitos simplesmente por errar o golpe, algo fora de seu habitual.

Delpo pareceu não acreditar que dava para levar. Quando soltava o braço e ia para as bolas, que sempre foi o cenário onde é mais perigoso, incomodava barbaridades e acuava o adversário. No fim das contas, faltou ser um pouco mais audaz nos games de devolução do suíço no interminável 3º set. Afinal, o cara tem 2m de altura e é um inferno ter que passar alguém desse tamanho e envergadura quando se está sob pressão, que é o cenário de quem saca atrás no set final que se alonga.

Quanto ao suíço, podem tirar o cavalinho da chuva que o soberbo não vai mudar – não nesta encarnação. Quando ele usava o slice para atacar o adversário, desestabilizava e atrofiava o oponente. Mas era um aqui e outro lá a perder de vista. Quem disse que o bonitão do topete vai usar isso para ganhar jogo? Para quebrar, e fechar a partida, teve que aplicar um slice no revés, mesmo a contragosto, já que estava totalmente deslocado, após um net do oponente. Não deu outra – Delpo enfiou a bola no meio da rede, algo que teria acontecido muito mais, e abreviado a partida, se o tal melhor do mundo fosse também um grande estrategista, além de um grande intuitivo e um magistral talento.

Debaixo de que pedra a Azarenka, #1 do ranking, vai se esconder depois da surra (6/1 6/2) que ela tomou da Serena? A americana está um padrão acima das outras tenistas, graças a sua enorme confiança, e será difícil alguém tirar o ouro dela. Nas simples e nas duplas com a irmanzinha Venus. Só não irá à final das mistas porque não quis jogar – apesar de que o Roddick bem que queria. A final das simples é contra Maria Sharapova, o que será uma pancadaria dos infernos.

Não posso deixar de mandar os parabéns ao Rafael Silva, um atleta do Clube Pinheiros, e ao judô brasileiro em geral. Antes dos Jogos vi uma entrevista com o rapaz e fiquei impressionado com sua tranquilidade, em especial para um cara daquele tamanho e periculosidade.

O tênis plástico de Federer está na final Olímpica.

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:35

Com a torcida

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Não deu para a dupla mineirinha. Após perderem o 1º set sentiram e os franceses Tsonga/Llodra cresceram.

Poucas vezes vi Federer tão compenetrado. Hoje passou pelo Isner sem sustos. O cara quer a medalha de ouro. Além disso, não tem jeito – as Olimpíadas são disputadas em um padrão mais light do que o do circuito e neste padrão Federer fica mais à vontade do que o resto. Amanhã ele enfrentar Del Potro, que passou pelo Nishikori, na primeira das semifinais.

O Tsonga não aguentou e abriu o bico contra o Djoko, em dois sets. O sérvio enfrenta Murray, tbm amanhã, pela segunda semifinal – aí o bicho vai pegar! Imaginem a final.

Maria passou fácil pela matrona Cljisters. A russa está no embalo enquanto que a outra está ladeira abaixo – ou seria acima?! A gatinha Kirilenko passou pela gordinha Kvitova e está nas semifinais, de simples, contra Sharapova, o que garante uma russa na final, e duplas, com Petrova, contra as irmãs Williams. Tudo amanhã.

O povão britânico está torcendo barbaridades por qualquer conterrâneo em qualquer esporte, no que fazem muito bem. Eles levaram o marrento Murray e sua parceira Robson, que por vezes flertou com a catástrofe, pelas mãos para vencerem Stepanek/Hradecka. É emocionante torcer junto com a torcida. Não tem sentimento igual ao de ver as pessoas felizes.

O hindus Paes e a Mirza encontraram um jeito de bater a Aninha e o Zimonjic. Alias, os tais Buphatha/Buphani já eram faz tempo. O Zimo também entrou pelo cano com o parceiro Tipsarevic, perdendo para Gasquet/Benneteau.

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Olimpíadas, Tênis Masculino | 10:39

A grama

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Acompanhando a partida entre Tsonga e Djokovic, ficou evidente que a grama na linha de base já era. Não durou cinco dias e não sei como vai ficar daqui para a frente. Mas como o resto da quadra continua verdinho, mostrando o que é o tênis atual, o problema é minimizado, já que aonde poderia interferir mais seria na área onde a bolinha cai. Mas, o que as bolinhas vem desviando na grama “boa” é uma brincadeira, se comparado com as semanas de Wimbledon.

Ainda não me acostumei com o novo narrador de tênis da SporTV. O rapaz se empolga até com troca de lados. Mas estou achando surpreendentemente boa a dedicação do espaço ao tênis. Enquanto isso, o Jaime Oncins segue comentando no espaço Terra.

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012 O Leitor no Torneio, Olimpíadas, Tênis Masculino | 23:24

Tarde-Noite

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Mais um dia/tarde/noite do leitor João Paulo Couy em Wimbledon olímpico. Aliás, ótimo texto!


E como se decide quais ingressos adquirir para o torneio? Claro, não é essa uma preocupação aristocrática, mas o proletariado aqui, de imposto retido na fonte, não tem tanta margem para os melhores lugares de quadra central quando bem lhe convier. Quando comprei os ingressos há quase dois anos, minha lógica foi de garantir um espaço, mesmo que ruim, na quadra central para presenciar os cachorrões ao menos uma vez, e lançar mão das quadras secundárias para ficar ali, de onde se ouve o menor grunhido de esforço do tenista e o cantar do tênis na grama. A tática pareceu genial no primeiro dia, quando fiquei no nível 300 (intermediário), mas comecei a questioná-la ao entrar na Central para ver o mestre-blazé contra o Benneteau — sentado onde os pombos escolheriam se acomodar não fosse o tal falcão, pensava “valeu a pena economizar essas 30 libras?”. Me consolava pensando que aquele possivelmente seria o único jogo que me interessaria na Central por aquele dia — o que de fato ocorreu. E convenhamos, é de 30 em 30 que a rainha enche o papo na mesma proporção que meu cofre esvazia. Qual o quê, a proporção é na verdade 3,5 — num câmbio muito bem feito. O jogo foi somente interessante pelo histórico recente da quase eliminação em Wimbledon 2012. Hoje as bolas suicidas do francês não entravam, e o seu pezinho dolorido não colaborava com o saque — tampouco na busca dos drops do mestre. Jogo foi rápido, mas a torcida não arreda o pé enquanto o maestro não sai da quadra — fiquei pensando se o encanto que faz o povo esperar o cara terminar a entrevista ,da qual não se escuta um “a”, só para ver seu último tchauzinho vem todo daquele plástico backhand… (no meu caso explica boa parte) Vejam, já não tenho tanta dúvida que fiz um bom negócio com os ingressos ao ver o calendário do dia mostrando que Roger/Stan vão iniciar a defesa do título na quadra 2. Uau, são os assentos de fundo de quadra mais próximos da linha de base em todo complexo! E com trintinha no bolso, mano! O jogo estava agendado para ser o quinto do dia e como a quadra é pequena, sabia que a disputa por assento ia ser grande — ainda mas pelo jogo anterior ser das irmãs Williams. Levando a sério o conselho de aproveitar-enquanto-por-aí-está, demarquei cedo o território — sei lá quando vou ter a chance de ver aquele movimento de saque de tão de perto assim novamente… Do meu lugar de espera, pude ver que os slices do Petzschner não conseguem segurar o rojão por muito tempo — eles foram ficando menos rasantes e mais curtos, e o jogo linear e forte do Janko prevaleceu já com tranquilidade no terceiro set. “Up next” eram as Williams, e a essa altura já não tinha lugar para viv’alma nos assentos. Fiquei imaginando se tudo aquilo era torcida estadunidense, mas o desconforto que os patrióticos e insistentes gritos de U-S-A geravam nas pessoas ao meu redor mostrava que a maioria estava ali era guardando lugar para o que vinha. E enquanto ele não chegava, mais constrangimentos para gente: a visão daqui de trás da Serena na rede esperando a irmã sacar enrubesce muito frequentador de baile funk que balança o popozão por aí. O único atrativo do jogo sonolento — ganhado por quem sacava até 50 km/h a mais que as adversárias — eram as incursões da Cirstea no nosso lado da quadra — e não exatamente pela qualidade do seu tênis. Finalizada a tortura, ainda passaram-se alguns bons minutos até a juíza anunciar que o próximo jogo não era o inicialmente programado: vai jogar a dupla feminina britânica. A chiadeira que se ouviu foi pra deixar claro que nesse lawn súdito reverencia rei antes de rainha. Então corre que a dupla suíça já está na Quadra 1. A essa altura do campeonato, penso, os caras já abriram os portões e é só correr antes da “munchedumbre” e pegar o melhor lugar. Isso só para dar com os burros n’água porque yes, indeed sir: you still need to be a ticket holder to entry. Mas e meu ingresso da Central, não me dá nenhuma vantagem a essa hora da noite?! Não, brasileiro, aqui não tem jeitinho, corre para Henmann Hill no guichê de re-sale tickets e compre o seu. (Parêntesis para dizer que o esquema de revenda de ingressos aqui em Wimbledon deve ser conhecido pelo pessoal que acompanha o blog, então não me alongarei) As garotas que trabalham ali estavam em clima de fechar as portas quando o furacão bateu na porta — em cinco minutos formou-se a fila de dar volta na quadra 18. Os europeus, com espírito contestador mais aguçado, começaram com um burburinho civilizado — se é que isso existe. Um senhor com inglês de quem fala alemão exigia a presença do supervisor, porque era um absurdo a quadra com meia dúzia de testemunhas e um caminhão de gente fazendo fila para comprar um ingresso que nem se sabe se estará disponível. Não adianta, meu senhor, é política do comitê já tivemos esse problema ontem e não há o que fazer – a não ser entrar na fila e tentar comprar o ticket. Nisso uma inglesa atrás de mim na fila — devidamente paramentada com todos os acessórios “RF” disponíveis na Inglaterra — sugere, de forma very unpolite para suas origens, que os primeiros da fila pagassem os cinco pounds em dinheiro, no cartão demora e ela quer chegar na quadra a tempo de ver jogo, oras!! Em meio a toda manifestação, preferi guardar saliva para, na minha vez do guichê, sugerir à moça que me desse um ingresso bem perto da linha de base. Risadinhas da parte dela, satisfação por ter o ingresso na mão de meu lado, corri para o jogo. Não achei que a ela tinha me levado a sério, mas chegando na quadra me arrependi por não ter sido mais enfático no thank you: o assento era na segunda fileira, bem na frente da Dona Mirka & Cia — coisa de aristocracia, sabe?! Mas só me senti verdadeiramente em uma coluna de futilidades, digo, de celebridades quando se acomodaram atrás de mim ninguém menos que Mary Jo Fernandez e suas crianças. Não tive coragem nem de fazer a foto disfarçada que tirei da Ms Federer e meu instinto de que aquilo não era hora para tietagem provou-se certo pela cara de poucos amigos que a campeã fez para as japonesas sem o mesmo tato que pediram autógrafo naquelas bolonas de tênis. E já que é para fofocar, o acompanhante dela parecia fazer parte do “team” suíço e os pimpolhos torciam descaradamente com gritos de incentivo em alemão! Para que esse relato não vire um texto da Caras, voltemos ao jogo, que visto daquela distância é uma experiência totalmente distinta. Deu para ouvir vários resmungos entre as ajeitadas de topete (coisa baixa, porque o rapaz não pode perder a pose) e ver que o Stanislas busca muito apoio visual de seu pessoal no box. E foi um jogaço. Quanto mais forte o Wawrinka sacava, mais rápida a devolução dos japas, que não estavam nem aí com favoritismos e preferências do público. Fecharam a porta com autoridade em todos os breaks contra, e levaram o primeiro no tie break. A essa altura, se eu fizesse parte da comissão organizadora, já estaria com os primeiros cabelos em pé, porque o deus sol já não tinha muito mais a oferecer depois de um dia fantástico de verão. Mesmo com o segundo set sendo definido de forma mais rápida que o primeiro, a negra começou de forma literal — já no breu, mesmo!! Para sorte dos suíços, eles quebraram logo no começo. Sorte porque já antes do terceiro game, o Nishikori foi chiar com o juiz de cadeira — realmente tava ruim de enxergar. Juizão apontou por telefoninho como quem diz quem-manda-não-sou-eu e os suíços só nos ouvidos moucos versão alpina. Ninguém deu muita bola pro japonês, e eu fiquei discutindo lá com meus botões o que aconteceria se fosse o homem de topetes a reclamar… O fato é que o jogo continuou, num ambiente absurdamente escuro. Nos últimos games, quem sacava levava sem maiores problemas pois os adversários só devolviam se fosse no susto. Mas o peso extra na raquete de quem saca para fechar o jogo acontece desde muito antes de Thomas Edison sair inventando moda e naquela escuridão, o maestro foi se enrolando par
a fechar a coisa, é break contra, iguais, madeirada, gaiato gritando “come on guys, I’m freezing here”, rally absurdo para o nível de luz, com vários voleios curtos até que finalmente o homem saiu do buraco e fechou o jogo. Quem aguentou o vento gelado até aquela hora da noite saiu com a certeza de que aquilo foi das melhores tardes-noites dos últimos dias — no meu caso, meses.

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