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terça-feira, 8 de abril de 2014 O Leitor no Torneio, Sem categoria, Tênis Brasileiro | 00:23

A leitora em Indian Wells

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Recebi um email da leitora Denise, que compartilho com vocês, onde ela conta sobre sua visita a Indian Wells. Está um pouco fora do prazo, mas vale pelo carinho e o esforço. E por ela ter pego a Highway 1 no caminho para San Francisco.

Olá Paulo, como vai ?

Gostaria de dividir com você e com os amigos do Blog minha experiência no torneio de Indian Wells, no entanto, como este já terminou faz algum tempo e minha viagem incluiu também conhecer o Grand Canyon e ir de Los Angeles a São Francisco pela Highway 1 só retornei a São Paulo neste último final de semana. Se você achar que ainda vale a pena…

Abraços e Obrigada.

Denise.

 

Olá pessoal,

Estive no torneio de Indian Wells nos dias  7, 8 e 9 de março e gostaria de dividir com vocês minha experiência. Prefiro sempre as primeiras rodadas pois além de preços mais acessíveis, tenho a oportunidade de ver em ação todos os cachorrões e também os jogos nas quadras menores, apreciando tudo bem de pertinho. Nelas é que se tem a verdadeira noção de como os caras batem na bola e o quanto ela anda.

É um torneio incrível, disparado o que eu mais gostei (já estive em Miami e Roland Garros).

O lugar é lindo, adorável, proporcionando uma linda vista das montanhas ao fundo, infraestrutura e organização irretocáveis, alamedas muito amplas para circulação do público (isto foi  justamente o que me fez não gostar tanto de Roland Garros, tudo lá é muito apertado pra tanta gente), opções de alimentação pra todos os gostos e bolsos, sem contar que vivenciar o dia a dia, o clima destes grandes torneios é indescritível.

Quando cheguei na sexta ao Indian Wells Tennis Garden fui diretamente às quadras de treinos – você pode verificar no telão não só a Ordem de Jogos do dia mas também a programação detalhada das quadras de treinos com horários e jogadores que estarão em cada uma delas. É uma oportunidade incrível de ver diversos jogadores bem de perto, algumas inclusive são mais disputadas que várias quadras onde jogos estão rolando. Ficamos (eu e meu marido Gui) zanzando por lá umas duas horas.

O primeiro jogo que vimos foi Roger/Stan x Bopanna/Qureshi. Quadra 2 lotada, e o Gabashvilli, que ganhou o confronto anterior ao inicío deste jogo,  brincou dizendo que agradecia a todos por estarem lá para prestigiá-lo… Foi muito engraçado.

A seguir vimos o segundo set da vitória do Marcelo/Dodig x Mirnyi/Youzhny .

Quem me conhece sabe que eu não poderia deixar de ver o meu ADORADO ANDY. Assisti  a 3 jogos dele (2 de duplas e 1 de simples) e foi o máximo poder apreciar, ao vivo, toda sua habilidade e mais do que isto, toda sua complexa personalidade. AMEI!

O primeiro jogo dele que assisti foi o de duplas Mar/Mur x Mon/Mon (traduzindo – Marray/Murray x a inusitada dupla Monfils/Monaco). Jogo cheio de lances geniais, o Monfils é diversão garantida.

Além das duplas assisti a Azarenka levar um pneu e perder seu jogo, um pouco do jogo da Carol e também o da Jankovic.

Se na sexta vimos muitas duplas, no sábado apenas o jogo do Bruno/Peya x Butorac/Klassen. Jogo bastante difícil e muito bem disputado. Vitória nos detalhes. O Marcelo, o Cris (preparador físico do Bruno e do Marcelo) e o Scott Davidoff (técnico do Peya e do Bruno) sentaram bem na nossa frente. Aliás o Cris, super gente boa, me emprestou uma toalha para que eu me protegesse do sol.

Nas simples vimos um set do jogo da Maria, Anderson x Hewitt, Federer x Mathieu, Murray x Rosol e finalmente Nadal x Galã de Praga. Os jogos na Central são quase sempre mornos, só deu uma esquentadinha porque o Andy e o Nadal nos fizeram o favor de perder o primeiro set de seus jogos. No geral, nas quadras secundárias é que você encontra emoção. A propósito, por lá também existem pessoas que não respeitam os assentos marcados. Neste caso o pessoal da organização resolvia tudo com muita simpatia e eficiência.

No Domingo fomos direto para a quadra 5, onde aconteceu o jogo entre Marray/Murray x Bruno/Peya.  Aí sim, vi o Andy bem de perto, seu talento, suas belas jogadas, suas caras e bocas, suas lamentações (Bad Day!!!) e rabugices. Valeu cada minuto.

É claro que torci muito pela vitória do Bruno e ela veio de forma super merecida pois ele e o Peya jogaram demais.

E o Bruno, como sempre, é o máximo…

Vimos também um pouco da Carol x Secretária, Djoko x Hanescu, Benneteau x Tsonga. No restante do dia ficamos passeando pelas quadras e curtindo o ambiente agradável e super bem cuidado das alamedas, jardins e áreas de alimentação, onde nos finais de tarde sempre havia um show musical. Vale ressaltar que o número de brasileiros por lá não chega a um décimo se comparado a Miami. Não ouvi ninguém gritar “Vai Curintia”!

Foram 3 dias sensacionais e muito intensos, os quais não consigo traduzir em palavras. Fiquei exausta e imensamente feliz. É também viciante; já estou pensando em qual será o próximo …      Abraços. Denise.

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sexta-feira, 7 de março de 2014 Brasil Open, O Leitor no Torneio | 16:11

O leitor no Brasil Open

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Faz algum tempo que nao recebo uma visita de um leitor a um evento de alguem tao interessado como a abaixo. Aqui vai o relato do leitor Gabriel Vellutini a um dia do qualy em Sao Paulo. Isso sim é ser fa e aproveitar uma visita a um torneio. Gabriel, que tal enviar umas fotos?

 

Normalmente só costumo ler o blog e em raríssimas vezes comento. Mas vou abrir uma exceção dessa vez e contar a minha impressão deste Brasil Open 2014.

Meu nome é Gabriel Vellutini, sou nascido e criado em Taubaté-SP (cidade do interior de SP conhecida por grandes nomes da música e literatura e infelizmente nos últimos anos por escândalos políticos e falsa gravidez), tenho 25 anos e sou professor de História na rede estadual de ensino. Jogo tênis faz pelo menos 15 anos em um dos clubes da cidade chamado Taubaté Country Club mais conhecido como TCC. Pela proximidade geográfica é muito fácil para o taubateano que tem dinheiro acompanhar torneios de tênis pois ir para São Paulo, Campos do Jordão ou até mesmo Rio de Janeiro é tranquilo porém este NÃO é o meu caso.

O primeiro torneio de tênis profissional chancelado pela ITF e ATP que acompanhei foi o challenger de Campos do Jordão em 2009 já que torneios de grana no meu clube vi vários mas não gosto de ter como base para estudo torneios de grana. Sempre procurei ler muito sobre tênis seja nos sites da ITF,ATP,WTA,CBT e até mesmo a porcaria de site da COSAT mas normalmente leio a página da UOL sobre Tênis e blogs especializados como o seu.

Como apaixonado por história e por tênis obviamente li o livro O Tênis no Brasil (de Maria Esther Bueno a Gustavo Kuerten) de Gianni Carta e Roberto Marcher que conta com dois textos sem ser dos autores, um texto do pai de Gianni Carta, Mino Carta e outro do autor deste blog. Sempre quando tenho chance procuro ver jogos de tênis quando passam na tv seja ela aberta ou fechada e até mesmo vejo eles pela internet, não me considero sofasista e por ser franciscano não me considero não-sofasista então fico em cima do muro nesta parte. Vi pela tv e li todo o fiasco do Brasil Open 2013 e quando fiquei sabendo que o Paulo Pereira seria o diretor do Brasil Open 2014 decidi ir pra SP ver o torneio mas como diria a letra de mamonas assassinas “MONEY QUE É GOOD NÓS NÃO HAVE” então fui ver o torneio mas fui no domingo quando acontece o qualy e a entrada é franca (um dos motivos de assistir torneio em Campos do Jordão é porque a entrada é franca) o que me faria apenas pagar transporte e alimentação (moleza pois bus e metro é relativamente barato e meu cartão sodexo que ganho por ser prof ainda tinha grana então o pão de açucar que fica relativamente próximo ao Ibira resolveu a parada).

No dia 23 fui pra SP realizar meu sonho de ver um torneio ATP pela 1ª vez , tudo bem que me digam q vi o qualy, mas cheguei muito cedo pra poder ver os treinos de quem estava na chave principal e vi o Delbonis treinando por exemplo. Na minha inocente cabeça tinha duas metas: uma conseguir que o Roberto Marcher autografasse meu exemplar do seu livro e a segunda conseguir uma credencial pra fazer uma graça no clube (muito inocente da minha parte achar que um ATP 250 é tão fácil conseguir credencial quanto em Campos mas tudo bem…). Saí de Taubaté muito cedo e cheguei no Ibirapuera por volta das 8:30 e consegui ver o fim do treino do Delbonis com o também argentino Mayer e já me impressionei com o tênis do canhoto argentino. Fui para o Mauro Pinheiro trocar de roupa e quando estou voltando para o ambiente do torneio vejo o Tommy Haas passar e o mané aqui trava e nem consegui pedir uma foto com o alemão tamanha a timidez momentânea mas percebi que ele ia treinar com o Zeballos (esse joga muito mas muito mesmo já o acompanhei em Campos duas vezes tanto nos jogos como nos treinos e seu ranking não reflete seu tênis), como gosto tanto de jogar como assistir vi muitos duplistas no torneio dentre eles Monroe e Stadler, vi e me impressionei como o jogo do alemão Kas tanto no seu aquecimento com o Philip Oswald quanto no seu jogo contra Pere Riba pelo qualy.

Encontrei o sempre simpático Jaime Oncins e pedi para que ele autografasse na página que é dedicada a ele no livro de Marcher e Carta, e ele o fez para minha grande alegria (pude ver de novo aquele slice maravilhoso ao ver ele aquecendo seu pupilo Gastão Elias na quadra 1), vi o aquecimento e depois o jogo do Lajovic contra o Thiago Monteiro e não me impressionei tanto com o sérvio porque peguei uma birra danada do técnico dele mas me impressionou a facilidade com o que o Lajovic bate o backhand de uma mão, bate muito fácil todo tipo de bola seja ela alta, baixa, sem peso, com peso não importa de que jeito ela venha ele não erra no backhand e se erra é porque tentou fazer demais com a bola. Ele aqueceu com o Pere Riba um espanhol não tão típico pq não é de enroscar muito a bola como é comum se ver por ai mas que bate uma direita violenta e saca muito forte não tinha radar na quadra que o vi mas com certeza saca fácil 200 km/h. O jogo do Riba com o Kas foi o melhor que vi naquele dia junto com o jogo do argentino Máximo Gonzalez contra o Philip Oswald. Antes do seu jogo cheguei a desejar buena sorte a Macchi como é conhecido o argentino em seu país natal.

Fui almoçar e quando volto vejo o final do jogo do Gastão Elias e do pupilo do Marcos Daniel que agora não me lembro o nome. Quando saio da central e estou no caminho da quadra 1 encontro dois senhores no caminho próximo a uma das lixeiras do complexo sendo que um deles é só um dos autores do livro já mencionado (que é um dos meus referenciais bibliográficos e teóricos para uma gama de artigos científicos ainda não publicados que escrevi e principalmente para meu projeto de mestrado), encontro com Roberto Marcher e me apresento tremendo porque a emoção era muito grande e peço encarecidamente para que ele autografe meu livro o que ele não só o faz como também faz um pequena e linda dedicatória. Agradeço ao Carlos Rossi, que era o outro senhor, por tirar uma foto minha com o Marcher. Depois dessa dedicatória pensei dane-se a credencial o objetivo primário está cumprido vamos curtir o torneio. Tanto que conheci uma galera q treina no CT da Koch bem legal, já tinha conhecido uma holandesa juiza de linha chamada Jackie com a qual conversei em inglês e foi bacana o papo, tirei fotos com o Kas e com seu parceiro de duplas Haase (puts como fiquei feliz do Feijão ganhar dele não por ele mas por causa do seu técnico/preparador físico que é um careca metido demais), vi o jogo do Rogerinho contra o maluco beleza do Zampieri (aliás não pegou bem a garfada que o Zampieri deu no Little Roger nem eu nem a galera do CT da Koch gostou).

Deu pra ver e principalmente sentir toda a estrutura que foi montada para o evento tanto na área de telecomunicação porque vi parte da montagem dos ao vivos tanto da band quanto do Sportv, vi as opções de alimentação (muito caras para mim), visitei todos os stands q estavam montados e achei um absurdo o aumento de preço de um dia para o outro dos tubos de bolas vendido no stand da Wilson.

Voltei pra Taubaté sem ver o jogo do Starace o que foi uma pena mas mesmo assim fiquei muito feliz de ter realizado meu sonho e ver tantos bons jogadores profissionais de perto e ter conhecido parte de uma grande estrutura que é um ATP 250.

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O nosso leitor abordando Roberto Marcher.

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sábado, 15 de setembro de 2012 Copa Davis, O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:52

O leitor in loco

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Nada como ter um representante inloco como teve este Blog com a presença, mais uma vez, em São José, do Pirata, pseudônimo de um leitor que de sofasista nada tem. Vejamos o que ele nos conta, primeiro após as partidas de simples de sexta-feira e então após a partida das duplas, no sábado, que colocou o Brasil de volta no Grupo Mundial.

Enviado em 14/09/2012 às 23:22

Galera, cheguei de um tranquilo navegar pelo primeiro dia de jogos da Davis, com aquele resumaço de costume:

Logo ao chegar, percebi que seria um dia seguro: O famigerado acesso da BR-153 estava razoavelmente tranquilo e, logo ao passar na frente do clube, vejo policiais militares detendo cambistas que atuavam na frente do clube. Foram 3 algemados.

Como é sexta-feira e este Pirata trabalha fora de Rio Preto, cheguei pouco antes da hora do jogo do Rogerinho. Nesse momento, a entrada de torcedores tanto para as arquibancadas (onde fui dessa vez), quanto para os setores VIPs era bem lenta. Organizada, mas lenta…

Sobre o local do evento, mesmo indo com o povão percebi uma organização mais cuidadosa. As acomodações nas arquibancadas eram basicamente as mesmas. Já nos outros dois setores a coisa foi bem mais estóica que no último confronto: Não houve uma área com bancos e mesinhas. Todos os assentos eram iguais e numerados.

No dia de hoje não faltou líquido, nem água, nem cerveja…

E ventou um pouco mais do que o normal principalmente durante o jogo do Rogerinho. Esse vento não influenciou o jogo em si, mas deu uma amenizada leve no calorão. Porém, tal brisa não teve só seu lado bom. A quadra 7 do Harmonia Tênis Clube está a metros de um trevo rodoviário. Como a direção do vento era da rodovia para a quadra, o cheiro de fumaça de caminhão se fez presente durante a totalidade dos dois jogos…

Para uma sexta-feira, o público foi bom. Estiveram presentes as figurinhas carimbadas do tênis da cidade, além de seres importantes pelo que fizeram pelo tênis brasileiro, como o nosso eterno gênio de Roland Garros e seu treinador (muitas vezes homenageado por nossa torcida durante esse dia, e também um militante do golfe, esporte pelo qual também sou apaixonado). Outros seres importantes pelos cargos que ocupam também compareceram. Em ano eleitoral, os políticos tambem foram. Inclusive um partido identificado pela cor de suas idéias teve alguns candidatos com camisas políticas no setor das arquibancadas.

Falando em camisa, como este é um confronto decisivo, os grandes clubes apareceram. Fluminense, Vasco, Guarani, Palmeiras e meu Santástico estiveram abundantemente representados. Bandeiras vascaínas, bugrinas, e do América de Rio Preto também estiveram em meio às camisas amarelas e bandeiras do Brasil.

Muita gente vinda de fora, principalmente de outras cidades do interior paulista, como Bauru, Batatais, Araraquara, Ribeirão Preto, Catanduva e Campinas, até a presença maciça de sul-matogrossenses de Campo Grande e Cassilândia. E, voltando a falar de bandeiras, foram exibidas orgulhosamente bandeiras de Rondônia por lá (sim, duas, no plural!) Isso prova o quanto o tênis pode ser ampliado nesse país de tão poucas quadras públicas. Espero que os políticos que estiveram em seus camarotes tenham visto essas manifestações de locais que hoje não fazem parte do Brasil tenístico….

O saibro, considerando o fato de que a quadra 7 é uma das quadras usadas para treinamento no clube, estava bem cuidado e razoavelmente lento. Havia um ponto ruim na quadra, onde o Bellucci chegou a tropeçar. Esse ponto é velho conhecido do pessoal do clube e já tive alguns dividendos sacando naquele buraco nos meus bons (ok, não tão bons assim) tempos de tênis.

Ok, chega de descrição. Vamos aos jogos:

Quem vê o Rogerinho jogar de perto tem uma impressão diferente do jogo dele: Muita gente taxa o Rogerinho como um mero lutador. Não é só isso. O saque dele tem progredido e por diversas vezes passou de 200km/h, atingindo até 213km/h. Apesar da velocidade, pode ter ficado a aparência de que o saque dele não foi tão decisivo. Isso é explicado por devoluções consistentes por parte do Andreev e pela falta de uma variedade maior de efeitos e colocações.

Existe um contraste grande entre a mecânica de seus golpes de fundo. A direita dele tem armação até abreviada e terminação bastante curta, com muito uso do punho. Isso faz com que ele tenha um bom tempo de bola (pela armação menor), mas com bolas enroscadas e não muito profundas, justamente por ele não alongar a terminação. Contra jogadores do top 100 isso costuma ser um problema. Hoje, foi a solução. Nitidamente percebi que o Andreev gosta de jogo mais pesado. As bolas anguladas, curtas e altas do Rogério exigiram que ele fizesse força pra jogar. E, pela mecânica dele, que detalharei mais adiante, isso é um tremendo fator de desgaste.

O que a direita dele tem de curta, a esquerda tem de exagerada (e por isso é um golpe lindíssimo de ver). Armação grande e alta, terminação lá na frente. Muita amplitude, plástica e profundidade de bola. Porém isso traz algumas dificuldades. Por armar demais, o Rogério tem tendência a atrasar a batida, perdendo o ponto de contato e tornando o golpe atacável por batedores mais pesados. Isso também o prejudica nas devoluções. Percebe-se que ele confia bem na esquerda, até por termos visto ele tentar algumas “voadoras” em devoluções de esquerda, mesmo tendo pouco sucesso com isso.

Certamente, com as melhoras já visíveis no saque, alguns ajustes na terminação da direita e um pouco de simplificação no backhand, é um jogador para figurar constantemente no top 100. Pernas e coração ele já tem de sobra!

O Andreev me deu dor só de ver… As empunhaduras extremas dele para sacar e bater direita destroem qualquer braço e ombro. Saca com um toss alto, não consegue gerar potência pela empunhadura que usa, mas usa bem colocações e efeitos (esses favorecidos pela pegada extrema) O trabalho de pernas dele no saque lembra o do David Nalbandian, só que se projetando de forma mais vertical. A direita dele é um enigma. Você pode soltar 10 bolas no forehand dele e vê-lo bater 10 vezes da mesma forma. Chegarão 10 bolas diferentes para você. A mecânica explica: Um movimento exclusivamente de baixo para cima, abrupto, sem loop, o que faz com que toda a batida comece pelo ombro direito, e com a empunhadura muito virada, velocidade vertical em excesso na cabeça da raquete e pouca transferência de peso para a frente. Se derem a ele uma raquete de cabeça pequena, como era a do Pete Sampras, não duvido que ele fure algumas bolas e dê madeiradas em outras tantas.
Resumindo, um golpe que tende a ser inconsistente e que vai cobrar caro de braço e ombro um dia. E mesmo com tanto defeito ele pegava a Maria Kirilenko… Oh mundo cruel!

Seu backhand de duas mãos não tem grandes problemas, a não ser uma tendência a fazê-lo de forma bem abrupta, como o forehand. Isso também tira um pouco da regularidade.

Só que essa maneira abrupta dele bater na bola o ajuda contra batedores fortes. Ele tem velocidade de braço suficiente para se adaptar a um jogo veloz e, com bolas pesadas, não precisará fazer mais força do que já faz. Seu braço rápido também o faz um devolvedor competente.

Pode ser que realmente o abandono tenha sido pelo ombro, mas isso me lembrou muito o migué que o Rafter deu na gente uma vez em Floripa para se preservar para as duplas. Como o Andreev não é o Rafter…

Sobre Bellucci e Gabashvili: Não é a primeira vez que elogio o Thomaz por algo que ele faz em quadra. Hoje não será diferente. Ele conseguiu colocar em prática um plano de jogo elaborado previamente: ele falou antes do jogo alguma coisa no sentido de que o Gabashvili pega firme na bola e seria perigoso. É verdade. E, para lidar com ele, seria necessário manter bolas profundas por todo o tempo. Foi o que ele fez.

De cara reparei que o Gabashvili gosta de jogar montando na bola. Sua mecânica de golpes é simples, limpa e eficiente, o que o permite botar a peludinha pra andar com bastante facilidade. Contra esses caras que gostam de ficar dentro da quadra socando a mão em tudo, você deve tentar o máximo possível jogá-lo para trás, com bolas altas e fundas. Isso o Bellucci faz muito bem de forehand. E foi de 3 a 4 metros atrás da linha de fundo que o russo-georgiano jogou a maior parte do jogo.

A mecânica do Thomaz já foi muito discutida e não vou falar dela aqui. De pontos negativos vi um número enorme de erros de devolução de segundo saque (principalmente no segundo set, que ele perdeu, e também mencionando que o saque do Gabashvili está bem abaixo do resto de seu jogo). Também algumas tentativas inoportunas de winners em horas que o Gabashvili estava nitidamente com o braço preso. Em alguns pontos em que o erro viria naturalmente, o Bellucci tentava um winner difícil e aliviava a barra do cara com o erro.

Podem até falar que o Thomaz errou demais nesse jogo. Mas precisa-se falar que ele foi obrigado a bater forte, fundo e com muito efeito por mais de três horas contra um cara potencialmente perigoso. A vitória prova o sucesso que ele teve em executar esse plano, e foi conseguida em um tiebreak muito bem jogado por nosso tenista número 1. Sem falar no massacre da serra elétrica que foi o terceiro set, onde o Gabashvili não teve um respiro sequer sob a artilharia pesadíssima do canhoto de Tietê.

A confiança na nossa dupla é total, mas, se confirmados Andreev e Bogomolov Jr. do lado de lá, os mineiros deverão cuidar muito bem dos seus games de saque. Os dois russos são muito bons devolvedores. Caso o improvável aconteça e percamos as duplas, o confronto vai embaçar. Bellucci terá dificuldades contra Bogomolov e as bolas mais curtas e menos pesadas do Rogerinho serão um prato cheio para o normalmente agressivo (e um tanto esquentadinho) Gabashvili.

Porém, se tudo der certo, será uma linda festa de retorno ao Grupo Mundial!

Peço desculpas pelo tamanho do texto e se eu tiver repetido algo que alguém já citou aqui. Cheguei um pouco tarde do jogo e vim direto escrever aqui.

QUE VENHAM AS DUPLAS! Até amanhã! Hora de botar o navio no estaleiro e molhar a garganta pra torcer e, espero, comemorar!

De volta de um jogo histórico para o tênis do Brasil!

Resumão:

Hoje não foi feito aquele pente-fino nos cambistas: eles trabalharam livremente, incluindo um dos algemados de ontem.

Muita gente tentou levar comida e bebida para as quadras por conta dos preços cobrados no clube (garrafinha de 300ml de água: R$3; latinha de cerveja nacional de menos de 300ml: R$5, Hot Dog: R$6). Os seguranças obviamente barraram o que puderam (alguns com uma má educação ainda maior do que a costumeira em seguranças) e também barraram a entrada de qualquer garrafa ou lata, coisa que não haviam feito ontem. Todos tinham que colocar suas bebidas em copos plásticos para entrar na quadra. No confronto anterior ocorreu exatamente a mesma proibição do primeiro para o segundo dia de confrontos. Em nenhuma das duas vezes houve qualquer aviso aos torcedores. Essa é uma falha a ser corrigida para as próximas vezes.

A torcida compareceu em número maior do que ontem, mas em nenhum momento todos os lugares estiveram ocupados. Até nas arquibancadas haviam vários espaços vagos. Talvez pela falta de emoções fortes nos jogos (e pelo preço da cerveja), a torcida esteve um pouco menos ativa do que contra a Colômbia.

Outra bola MUITO fora da organização foi quanto ao som. Em momentos onde a torcida deveria se manifestar muito, como na homenagem ao Guga antes do jogo e durante o aquecimento, o DJ do lugar metia música altíssima para abafar as vozes dos que pagaram caro para estarem lá e que tinham o direito de homenagear também seus ídolos. Isso tolheu um pouco da liberdade da torcida e diminuiu a empolgação do público, além de ter judiado daqueles que estavam perto das caixas de som. Sem contar com aquele barulho de “windows dando erro” que saiu das caixas de som durante um saque do Bogomolov, no primeiro set, e a horrível barulheira de música rebobinando que fomos obrigados a escutar durante um dos intervalos.

Outra fonte de barulho, dessa vez muito positiva, foram as buzinadas dos motoristas de caminhão que passavam no trevo atrás do clube. Certamente eles perceberam que tinha Brasil naquela arena que era completamente visível da estrada, e, na imensa maioria das vezes que buzinaram, foi em momentos onde os russos sacavam na pressão. Boas coincidências?

Falando em Guga, o carinho dele com o público que esteve em Rio Preto fala muito sobre a pessoa que ele é e o carisma sensacional que ele tem: Intermináveis sessões de autógrafos, fotos, cumprimentos, abraços e beijos, sempre com aquele sorriso de manezinho que o mundo todo ama. Teve um momento de autógrafos com o Thomaz também. Um tanto tímido, mas de muita polidez e atenção.

lém dos clubes mencionados ontem, tinha gente com camisas de Grêmio, São Paulo, Atlético Mineiro, Rio Preto e Paysandu. Das bandeiras, apareceram umas do próprio Rio Preto, do Atlético-MG, do São Paulo e, obviamente, do meu Santos

A galera de apoio da equipe brasileira chamou muito mais a torcida do que ontem. A torcida nas arquibancadas foi com eles. Nos outros setores a galera tava numa moleza…

O calorão de Rio Preto veio com força total hoje. Certamente beirou os 40 graus no início do jogo, e a secura do ar era extrema. Talvez isso também tenha abaixado um pouco a bola do povo.

Sobre o que cada jogador apresentou:

Marcelo Melo foi o melhor em quadra: começou com algumas dificuldades no saque, com o toss um pouco fora do lugar, mas depois de fechar o primeiro set, engrenou de vez sacando. Não foi seu melhor dia de devoluções, mas quando as fez, trabalhou muito bem sua chegada à rede. Foi praticamente impecável voleando, e fazendo algumas bolas que tomou no pé voltarem aos pés dos russos lá na linha de base.

Bruno Soares não sacou bem hoje, principalmente em momentos decisivos, onde seu primeiro saque teimou em não entrar. Por outro lado, as suas devoluções de saque contra o Bogomolov deixaram o russo doidão, a ponto de isolar uma bola em direção a um pontilhão próximo. Foi sólido como sempre nos voleios, apesar de ter cruzado em horas erradas e ter vendido o parceiro em algumas poucas ocasiões. Possivelmente sentiu o fato de ser o campeão em quadra numa situação decisiva. Se ele sentiu isso, não é demérito, pois só campeões podem ter contato com essa (auto)cobrança.

Bogomolov não se sentiu nada à vontade no jogo de duplas: Saca decentemente, com boa mecânica, fluência e usando muito bem as pernas, o que o dá um saque melhor do que sua estatura permite. O problema é que variou pouco e o Bruno Soares, que pegou rapidamente o timing do saque do russo-americano, fez a feira devolvendo contra ele. Voltava tudo no pé. Também não tem cacoete de voleador e não foi decisivo nas devoluções quanto se esperava que ele fosse.

Gabashvili, a surpresa na escalação, fez o que pode: Sacou melhor do que ontem, se virou na rede, tomou bolada de todos os outros jogadores da quadra (inclusive do companheiro) em um único game e botou pressão no Bruno Soares com suas devoluções cruzadas e anguladas.

Foi um típico jogo onde a dupla favorita estava tensa e a dupla azarona foi inferior: No primeiro set, um começo razoável nosso e um começo horrível deles, que pouco conseguiam devolver ou volear. Após aberta uma boa vantagem, os russos se soltaram e nós relaxamos demais. Aí o set enrolou. Na famosa e apropriadamente nomeada “hora da onça beber água”, o melhor jogo nosso prevaleceu.

O segundo set foi praticamente impecável. Melo trabalhou melhor com as devoluções, Bruno sacou com consistência e não me lembro de um erro sequer no famoso primeiro-voleio (aquele que você faz logo após sacar), tão fundamental para qualquer jogador que tenha a pretensão de jogar duplas ou sacar e volear. Isso bota uma pressão infernal em qualquer devolvedor.

O terceiro foi equilibrado pela elevação do nível dos russos e teve poucas chances de quebra para ambos os lados. Bruno e Bogomolov sairam bem de suas encrencas. O tiebreak foi muito bem jogado e tenso, até o final….

O voleio atrasado do Gabashvili encerrou um ciclo: Foi uma década de críticas, merecidas e imerecidas, de duras derrotas, mas foram 10 anos onde ninguém deixou de lutar. O Brasil voltou!

A festa foi bonita, com uma característica de festas esportivas e que é também uma marca registrada de São José do Rio Preto: a queima de fogos no final (o reveillon riopretense proporciona a maior queima de fogos de todo o interior de SP).

E, para finalizar, deixo aqui algumas declarações e questões sobre as quais devemos refletir:

Shamil Tarpischev (capitão da Davis, FedCup e dirigente maior do tênis russo): “Exatamente um ano atrás nossos jogadores se confrontaram nos playoffs em Kazan. Naquela época os russos defenderam o direito de jogar o Grupo Mundial da Copa Davis. Então agora nosso destino no torneio colocou ambas as equipes juntas novamente. Desta vez a equipe russa vai encontrar um desafio muito maior e jogaremos fora de casa nas quadras de um time forte e respeitável que está ansioso para conseguir a revanche de sua derrota no ano passado. O resultado da equipe brasileira que alcançou os playoffs do Grupo Mundial pelo segundo ano consecutivo merece respeito.”

Palavras de um campeão de Davis sobre o time brasileiro. Espero que nós, tenistas ou sofasistas que amamos o tênis, não caiamos na tentação de nos comportarmos como torcedores de futebol ou automobilismo, que vivem a cuspir no país e em seus atletas quando eles não conseguem títulos. Kazan era longe, o confronto era difícil e quase conseguimos. Só isso já era prova de valor. Hoje nos garantimos em um lugar onde temos todo o direito de estar. Se descermos de novo, encaremos essa realidade, mas nunca deixemos de valorizar esse espírito de luta que todos aqueles que atuam ou atuaram nesses anos de zonal demonstraram.

Tal espírito de luta é confirmado pelas palavras de João Zwetsch depois do confronto: “Nossos jogadores sempre vieram jogar a Copa Davis. O Guga se sacrificava para representar o país e às vezes jogava baelado, igual uma vez na Áustria. Estava falando com o Tarpischev e ele disse que o Davydenko e o Youzhny não vieram porque é muito longe, cansativo, prejudicaria o calendário deles.”

Podemos criticar técnica de um ou postura em quadra de outro, mas em termos de serem, quando perdem jogos no circuito, “uma vergonha para o Brasil”, como muito torcedor que cai de paraquedas no tênis gosta de falar, não cabe nenhuma crítica a ninguém.

E Guga Kuerten: “O local já é abençoado por uma vitória recente. Deu para sentir pela televisão o quanto as pessoas daqui abraçaram a ideia de receber a Copa Davis, de apoiar nosso time. Tudo isso acho que tem muito valor.”

Tomara que o primeiro confronto do grupo mundial seja no Brasil e, puxando a sardinha para o meu lado, acho que Rio Preto merece uma chance de sediá-lo. A cidade toda abraçou a Davis como Floripa abraçava nos tempos de Guga e semifinal de Grupo Mundial. Só que aqui foi em realidade de zonal e playoff. A comunidade tenística da cidade é grande, engajada, e tenistas bons tem saído daqui. Agora que chegou o filé, muitas cidades que não quiseram esses confrontos menores vão querer o confronto da mesma forma que Rio Preto quis o osso do zonal e a carne de pescoço do playoff.

Para mim esse ano de confrontos na cidade foi espetacular e reacendeu minha paixão bandida por esse esporte que me deu amigos e dores. Foi maravilhoso ver algo importante para o tênis acontecer numa quadra onde eu fazia drills exaustivos e era obrigado a ficar um tempão cruzando esquerdas. Valeu a pena cada ensacada que tomei naquela quadra 7…

Foi com esse espírito que vim aqui deixar tudo o que vi nesses dois confrontos. Provavelmente não vou nos jogos extras de amanhã, mas volto pro blog pra colocar uma coisinha de vez em quando!

Vamos que a noite é longa e a bebida, como para todo Pirata, não deve acabar, hehehehe!

Abraço!


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quarta-feira, 1 de agosto de 2012 O Leitor no Torneio, Olimpíadas, Tênis Masculino | 23:24

Tarde-Noite

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Mais um dia/tarde/noite do leitor João Paulo Couy em Wimbledon olímpico. Aliás, ótimo texto!


E como se decide quais ingressos adquirir para o torneio? Claro, não é essa uma preocupação aristocrática, mas o proletariado aqui, de imposto retido na fonte, não tem tanta margem para os melhores lugares de quadra central quando bem lhe convier. Quando comprei os ingressos há quase dois anos, minha lógica foi de garantir um espaço, mesmo que ruim, na quadra central para presenciar os cachorrões ao menos uma vez, e lançar mão das quadras secundárias para ficar ali, de onde se ouve o menor grunhido de esforço do tenista e o cantar do tênis na grama. A tática pareceu genial no primeiro dia, quando fiquei no nível 300 (intermediário), mas comecei a questioná-la ao entrar na Central para ver o mestre-blazé contra o Benneteau — sentado onde os pombos escolheriam se acomodar não fosse o tal falcão, pensava “valeu a pena economizar essas 30 libras?”. Me consolava pensando que aquele possivelmente seria o único jogo que me interessaria na Central por aquele dia — o que de fato ocorreu. E convenhamos, é de 30 em 30 que a rainha enche o papo na mesma proporção que meu cofre esvazia. Qual o quê, a proporção é na verdade 3,5 — num câmbio muito bem feito. O jogo foi somente interessante pelo histórico recente da quase eliminação em Wimbledon 2012. Hoje as bolas suicidas do francês não entravam, e o seu pezinho dolorido não colaborava com o saque — tampouco na busca dos drops do mestre. Jogo foi rápido, mas a torcida não arreda o pé enquanto o maestro não sai da quadra — fiquei pensando se o encanto que faz o povo esperar o cara terminar a entrevista ,da qual não se escuta um “a”, só para ver seu último tchauzinho vem todo daquele plástico backhand… (no meu caso explica boa parte) Vejam, já não tenho tanta dúvida que fiz um bom negócio com os ingressos ao ver o calendário do dia mostrando que Roger/Stan vão iniciar a defesa do título na quadra 2. Uau, são os assentos de fundo de quadra mais próximos da linha de base em todo complexo! E com trintinha no bolso, mano! O jogo estava agendado para ser o quinto do dia e como a quadra é pequena, sabia que a disputa por assento ia ser grande — ainda mas pelo jogo anterior ser das irmãs Williams. Levando a sério o conselho de aproveitar-enquanto-por-aí-está, demarquei cedo o território — sei lá quando vou ter a chance de ver aquele movimento de saque de tão de perto assim novamente… Do meu lugar de espera, pude ver que os slices do Petzschner não conseguem segurar o rojão por muito tempo — eles foram ficando menos rasantes e mais curtos, e o jogo linear e forte do Janko prevaleceu já com tranquilidade no terceiro set. “Up next” eram as Williams, e a essa altura já não tinha lugar para viv’alma nos assentos. Fiquei imaginando se tudo aquilo era torcida estadunidense, mas o desconforto que os patrióticos e insistentes gritos de U-S-A geravam nas pessoas ao meu redor mostrava que a maioria estava ali era guardando lugar para o que vinha. E enquanto ele não chegava, mais constrangimentos para gente: a visão daqui de trás da Serena na rede esperando a irmã sacar enrubesce muito frequentador de baile funk que balança o popozão por aí. O único atrativo do jogo sonolento — ganhado por quem sacava até 50 km/h a mais que as adversárias — eram as incursões da Cirstea no nosso lado da quadra — e não exatamente pela qualidade do seu tênis. Finalizada a tortura, ainda passaram-se alguns bons minutos até a juíza anunciar que o próximo jogo não era o inicialmente programado: vai jogar a dupla feminina britânica. A chiadeira que se ouviu foi pra deixar claro que nesse lawn súdito reverencia rei antes de rainha. Então corre que a dupla suíça já está na Quadra 1. A essa altura do campeonato, penso, os caras já abriram os portões e é só correr antes da “munchedumbre” e pegar o melhor lugar. Isso só para dar com os burros n’água porque yes, indeed sir: you still need to be a ticket holder to entry. Mas e meu ingresso da Central, não me dá nenhuma vantagem a essa hora da noite?! Não, brasileiro, aqui não tem jeitinho, corre para Henmann Hill no guichê de re-sale tickets e compre o seu. (Parêntesis para dizer que o esquema de revenda de ingressos aqui em Wimbledon deve ser conhecido pelo pessoal que acompanha o blog, então não me alongarei) As garotas que trabalham ali estavam em clima de fechar as portas quando o furacão bateu na porta — em cinco minutos formou-se a fila de dar volta na quadra 18. Os europeus, com espírito contestador mais aguçado, começaram com um burburinho civilizado — se é que isso existe. Um senhor com inglês de quem fala alemão exigia a presença do supervisor, porque era um absurdo a quadra com meia dúzia de testemunhas e um caminhão de gente fazendo fila para comprar um ingresso que nem se sabe se estará disponível. Não adianta, meu senhor, é política do comitê já tivemos esse problema ontem e não há o que fazer – a não ser entrar na fila e tentar comprar o ticket. Nisso uma inglesa atrás de mim na fila — devidamente paramentada com todos os acessórios “RF” disponíveis na Inglaterra — sugere, de forma very unpolite para suas origens, que os primeiros da fila pagassem os cinco pounds em dinheiro, no cartão demora e ela quer chegar na quadra a tempo de ver jogo, oras!! Em meio a toda manifestação, preferi guardar saliva para, na minha vez do guichê, sugerir à moça que me desse um ingresso bem perto da linha de base. Risadinhas da parte dela, satisfação por ter o ingresso na mão de meu lado, corri para o jogo. Não achei que a ela tinha me levado a sério, mas chegando na quadra me arrependi por não ter sido mais enfático no thank you: o assento era na segunda fileira, bem na frente da Dona Mirka & Cia — coisa de aristocracia, sabe?! Mas só me senti verdadeiramente em uma coluna de futilidades, digo, de celebridades quando se acomodaram atrás de mim ninguém menos que Mary Jo Fernandez e suas crianças. Não tive coragem nem de fazer a foto disfarçada que tirei da Ms Federer e meu instinto de que aquilo não era hora para tietagem provou-se certo pela cara de poucos amigos que a campeã fez para as japonesas sem o mesmo tato que pediram autógrafo naquelas bolonas de tênis. E já que é para fofocar, o acompanhante dela parecia fazer parte do “team” suíço e os pimpolhos torciam descaradamente com gritos de incentivo em alemão! Para que esse relato não vire um texto da Caras, voltemos ao jogo, que visto daquela distância é uma experiência totalmente distinta. Deu para ouvir vários resmungos entre as ajeitadas de topete (coisa baixa, porque o rapaz não pode perder a pose) e ver que o Stanislas busca muito apoio visual de seu pessoal no box. E foi um jogaço. Quanto mais forte o Wawrinka sacava, mais rápida a devolução dos japas, que não estavam nem aí com favoritismos e preferências do público. Fecharam a porta com autoridade em todos os breaks contra, e levaram o primeiro no tie break. A essa altura, se eu fizesse parte da comissão organizadora, já estaria com os primeiros cabelos em pé, porque o deus sol já não tinha muito mais a oferecer depois de um dia fantástico de verão. Mesmo com o segundo set sendo definido de forma mais rápida que o primeiro, a negra começou de forma literal — já no breu, mesmo!! Para sorte dos suíços, eles quebraram logo no começo. Sorte porque já antes do terceiro game, o Nishikori foi chiar com o juiz de cadeira — realmente tava ruim de enxergar. Juizão apontou por telefoninho como quem diz quem-manda-não-sou-eu e os suíços só nos ouvidos moucos versão alpina. Ninguém deu muita bola pro japonês, e eu fiquei discutindo lá com meus botões o que aconteceria se fosse o homem de topetes a reclamar… O fato é que o jogo continuou, num ambiente absurdamente escuro. Nos últimos games, quem sacava levava sem maiores problemas pois os adversários só devolviam se fosse no susto. Mas o peso extra na raquete de quem saca para fechar o jogo acontece desde muito antes de Thomas Edison sair inventando moda e naquela escuridão, o maestro foi se enrolando par
a fechar a coisa, é break contra, iguais, madeirada, gaiato gritando “come on guys, I’m freezing here”, rally absurdo para o nível de luz, com vários voleios curtos até que finalmente o homem saiu do buraco e fechou o jogo. Quem aguentou o vento gelado até aquela hora da noite saiu com a certeza de que aquilo foi das melhores tardes-noites dos últimos dias — no meu caso, meses.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:57

Pipocas

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Cheguei mais cedo ontem no Ibirapuera. Aproveitei que o dia foi interrompido por um almoço com o amigo Carlos Kirmayr para enforcar o resto da tarde. Em São Paulo o público diurno ainda é menor do que o noturno. Sempre me questionei em como os franceses enchiam as arquibancadas de Roland Garros às 3h da tarde. Os meus primeiros pensamentos eram que é um povo rico, e pode se dar ao luxo, acrescentado ao fato que sabem colocar suas prioridades em ordem. É incrível como as pessoas permitem que o trabalho atrapalhe o seu tênis.

Aproveitei para dar uma volta nos stands externos, onde vi o pessoal deixando o braço para ver quem saca mais rápido – parece que cada um dos patrocinadores colocou uma dessas gaiolas com um radar para o pessoal se comparar ao Karlovic. A falta de imaginação continua assolando o planeta. Vários deles uniformizados, o que me faz pensar que são tenistas fanáticos, algo que o Ibira está cheio, o que é ótimo para o evento – “more power to tennis players end less to sofasistas!”

Orientado pelo inconfundível cheiro de pipoca entrei no stand do Banco do Brasil, onde, dentro de uma gaiola de vidro, vi uma moça, uma mesa e as pipocas. Enquanto marchava para lá, outra moça, atrás de um balcão, se desesperava me perguntando “posso ajudar, posso ajudar?” Eu sabia o que ela queria e ela não tinha nada do que eu precisava. Perguntei para a de dentro se podia pegar um saquinho, enquanto esticava a mão cheia de dedos e desejo, ao que ela me respondeu que a pipoca era para quem se habilitava para um cartão de crédito. Enquanto saboreava as primeiras, que nem tão quentinhas estavam, instiguei a nissei que me questionava a falar sobre a oferta. Ela começou a me dar aquele malho treinado, enquanto eu fazia comentários interesados e divagava o meu olhar para fora em busca de novos interesses. Com toda a simpatia, perguntei se poderia ir lá fora dar uns saques, enquanto engolia mais alguns milhos explodidos e deixava a claustrofóbica salinha. Já desarmada e provavelmente contemplando a iminente possibilidade de se encontrar mais uma vez a sós na gaiola, ainda tentou me lançar com o pedido de uma doação ao Instituto Kuerten, o que achei generoso da parte dela, para com ele, mas a minha atenção já fora desviada pela curiosidade do preço de um saquinho de pipoca e os esforços necessários por consegui-lo.

Logo depois encontrei o leitor Flávio “Barão”, acompanhando de sua fraunlein, que me avisa que no sábado será o proprietário de um camarote junto com a musa Maysa. Conversamos um pouco enquanto eu aguardava o Pedra, pai de Andre Sá para rápida conversa, que me contou sobre as vantagens e desvantagens de morar em uma fazendo sem internet. Em seguida fiz rápida visita à área reservada da organização e dos tenistas. A conversa mais longa foi com Dani Orsanic, treinador argentino de Thomaz Bellucci. Conversamos sobre o jogo maluco do dia anterior e sobre o que vem pela frente no seu trabalho. Na devida hora falarei mais sobre o assunto.

Ainda eram quase 5 da tarde e David Nalbandian estava sentado, uniformizado, comendo uma manga, conversando com amigos argentinos – mal sabia ele que ainda teria que esperar mais de 6h para entrar em quadra. Não foi à toa que poucas vezes vi o ex-pança – ele me pareceu bem mais magro, inclusive no rosto, o que ressalta a sua riqueza nasal – tão focado em partida. Ele acabou com o francês Simon, cujo técnico, o ex-top 10 Tulasne foi um dos meus interlocutores no local, antes que entrássemos irremediavelmente pela madrugada, que era o que se temia. Mesmo assim, um bom público ficou acordado para ver o talentoso Hermano eliminar o cabeça #2 por 6/2 6/3 fora o baile.

Fui questionado pela ordem dos jogos por algumas pessoas, que assumem que o Diretor do Torneio é algum idiota. Conversei com ele, Luiz Felipe Tavares, e lembramos que 40 anos atrás realizamos os primeiros grandes torneios de tênis no Brasil, o WCT, naquele mesmo ginásio, onde estiveram, entre muitos outros, Laver, Emerson, Borg, Ashe.

O organizador me contou que a feitura da ordem dos jogos é um cabo de guerra diário. Desde sempre, a ATP cede para alguns diretores de torneios que tem força e influencia nas Américas e Europa e desconta para cima dos outros. Para cá a força da lei, para lá o olhar condescendente dos pares geográficos. Só para se ter uma ideia, a realização da ordem de hoje exigiu toda a habilidade de negociação por parte do diretor do torneio, para podermos ter Bellucci no horário nobre, o segundo jogo da noite. Mesmo assim, corre-se o risco de termos o cenário de ontem, quando o horário nobre foi dominado pelo sonolento confronto entre Chardi e Mayer após o Verdasco alongar seu jogo ao extremo. Mas, pelo menos, amanhã é sabadão e o publico não tem que acordar cedo.

Tavares também me contou que para ontem alugou containers para amenizar o problema das bilheterias, algo que os leitores aqui no Blog alertaram e que foi levado a ele. A infraestrutura do Ibirapuera é extremamente carente e precária em vários pontos, a maioria longe dos olhos do público. Mas um deles, o das bilheterias, atinge o publico pagante em cheio. É mesmo desagradável, e desrespeitoso, ficar um tempão para se comprar o direito de se acompanhar um espetáculo. Ele me assegurou que isso já foi amenizado. É algo também que o governo do Estado, dono do complexo e parceiro do evento, deve ser priorizar em eventos que buscam acolher um público numeroso e bem pagante.

Nalba – correndo para não entrar na madrugada.

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quarta-feira, 23 de março de 2011 O Leitor no Torneio, Tênis Masculino | 01:10

Encerrando Indian Wells

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Para encerrar o Torneio de Indian Wells, o relato do leitor Gabriel Dias que voltou para o segundo fim de semana do torneio para viver e nos contar como foi.

Bom dia Paulo,
 
Segue as fotos em anexo dos ultimos dias em Indian Wells.
 
Segue tambem o texto;
 
Saudacoes galera,
 
Eu, Gabriel Dias, sou mais um estudante aqui nos Estados Unidos. Fazendo o chamado tenis universitario nos Estados Unidos, e como tambem sou apaixonado por tenis nao poderia perder a oportunidade de assistir as quartas de finais, semi finais e finais masculina e feminina do torneio de Indian Wells aqui no sul da California, ainda mais de graca e com os previlegios que eu estava tendo. E como voces podem ver pelas fotos, tive grandes emocoes e presenciei momentos incriveis. E vou tentar com palavras, transmitir para voces como foram os ultimos 3 dias de torneio.
 
Pois bem, como falei, moro a mais ou menos 2 horas de carro da onde o torneio esta sendo realizado, na cidade de Indian Wells, que e uma cidade conhecida por ser o habitat natural dos milionarios aposentados americanos. Um lugar muito bonito e rico. Bem legal de visitar, mas acredito que caro para morar. Enfim, como ir na sexta e voltar na sexta a noite, depois ir no sabado e voltar no sabado e depois ir no domingo e voltar no domingo iria ficar muito cansativo e caro, entao acabamos ficando, eu e meu amigo Victor, no apartamento de brasileiros que sao nossos amigos e que moram em Palm Desert (cidade 10 minutos de Indian Wells) e que tambem fazem tenis universitario nos Estados Unidos. Que por sinal, estudam em uma das Colleges que curiosamente jogamos um contra o outro. São basicamente nossos rivais.
 
O que eu percebi na sexta, sabado e domingo e que o torneio ja nao tem tanta gente, nem tantos jogadores, coaches, preparadores fisicos e pessoas na area reservada para os jogadores. Com certeza qualquer torneio acredito ser muito mais interessante assistir os primeiros dias pois tem mais jogos para ver e sempre jogos rolando em todas as quadras. A sala dos jogadores estava praticamente vazia, pouquissimas pessoas, no restaurante muito menos.
Na sexta assistimos todos os jogos, vimos o Federer ganhar do compatriota Wawrinka, e do Djokovic acabar com a festa do Gasquet. Dois jogos bons apesar dos placares nao indicar tanto equilibrio. Assim mesmo, foi bem legal. Assistimos os dois jogos em lugares privilegiados. Uma visao incrivel. Tiramos varias fotos e fizemos varios videos tambem. Claro que na sexta nao poderiamos deixar tambem de ver a Wozniack jogar contra a Sharapova ne?! Por razoes que acredito serem obvias, fomos la assisti-las na primeira fileira. Um jogao apesar da aula de spins alto e de defesa que a Wozniack deu na Sharapova. O jogo foi administrado pela Wozniack o tempo todo, a dinamarquesa manda muito na movimentacao, mexe muito bem as pernas e esta sempre em equilibrio para bater na bola. Corre muito. Nao e atoa que foi campea. Cada vez mais acredito que tenis e um jogo que ganha quem erra menos. Nao e questao de quao forte voce bate na bolinha, mas quanto tempo voce aguenta devolver a bolinha. Com certeza tirei deste torneio muitas informacoes, e cada vez mais consigo entender melhor de tenis e das coisas que acontecem nos bastidores. Na sexta tambem assistimos o jogo de duplas do Nadal/Lopez vs Federer/Wawrinka. Assistimos 2 fileiras para cima dessa vez, ja achei meio longe, mas tudo bem. Os primeiros lugares estavam reservados para o Charlie Pasarell e um milionario que se eu nao me engano comprou o Indian Wells inteiro. Algo assim.
A dupla foi demais. Muito divertida, os jogadores digamos que descontraidos mas querendo ganhar. Torci para o Federer que e o meu idolo, e ele foi la e fez o dever de casa junto com o Wawrinka e derrubaram os campeoes do ano anterior. Foi um dia de torneio bem legal.
Eu depois do jogo de duplas do Federer, fui comer algo la no Players Lounge e quem eu vi brincando na grama, as filhas do Federer. Estavam elas e mais duas mulheres, uma delas a esposa do Federer e uma loirissima e cantora famosa que agora me fugiu o nome. Foi muito legal ve-las pessoalmente, e tambem perceber que elas ja conseguem andar sozinhas. Logico que nao fui acabar com o momento familia delas e tambem achei muita invasao de privacidade tirar foto com a esposa do Federer naquele momento. Totalmente inapropriado.
 
No sabado vimos todos os jogos tambem, o Nadal contra o Del Potro, o Djokovic contra o Federer e a final de duplas masculina. A final de duplas feminina eu pulei. Enfim, as simples foram demais. Jogao mesmo. O Nadal virar pra cima do Del potro no primeiro set perdendo de 4-1 foi demais. O Nadal realmente e o cara. Uma intensidade que da pra ver ainda mais ao vivo. Impressionante, nao para um segundo sequer. Ate nas trocas de lado, o cara fica mexendo as pernas. Estava torcendo para o Nadal por duas razoes, uma eu queria ver uma final dos sonhos de qualquer organizacao de um torneio entre o Federer e Nadal e outra razao e que o Del Potro apesar de ser super simpatico e Argentino ne?! ai o futebol fala mais alto. Enfim, vitoria do Nadal. Faltava so o Federer ganhar do Djokovic que domingo seria um espetaculo. Mas que infelizmente nao aconteceu. O djokovic jogou demais. Um primeiro set perfeito. Deu pra perceber que ele estava jogando tudo na esquerda do federer e atacando sempre que dava. Jogou demais. Mas como o Federer e o Federer deu um jeito de ganhar o segundo set mas nao conseguiu aguentar o motivado e invicto Djokovic no terceiro. Com autoridade ganhou do Federer e de brinde ganhou tambem o titulo de novo numero 2 do mundo.

Depois foi a vez do Federer tentar o titulo de duplas ao lado do Wawrinka contra o Dolgopolov e Malisse. Os suicos jogaram muito bem mas nao aguentaram as pancadas do Dolgopolov e Malisse. Uns erros nao forcados do Federer no match tiebreak deu a vitoria para o Dolgopolov e Malisse.
 
Foi no sabado que tirei as fotos com os finalistas Djokovic e Wozniack. E por sinal sou muito dos pe quente porque no dia anterior eu tentei achar o Nadal para tirar foto com ele mas ele sumiu, e tentei tambem achar a Bartoli que tambem nao deu o ar da graca, entao tirei com os dois, Novak e Caroline. Que por terem tirado foto comigo foram campeoes. Afinal, meu good luck que eu falei para eles depois de tirar a foto nao e qualquer um que ganha.
 
A foto com o Djokovic foi depois dele ter ganho a semi do federer, foi um espetaculo. Apos o jogo fomos almocar, e quem estava no restaurante se servindo tambem, ele o Novak. Nao sabiamos se pediamos para tirar foto com ele naquela hora ou nao. Ficamos meio na duvida, ai vimos que ele tinha parado para pegar talheres e copo na mesa que tinha la, aproveitamos que ele nao tinha seu prato na mao fomos la pedir pra tirar foto, na hora que falamos – Novak, pode tirar uma… ai na hora ele virou com a bandeja com o seu almoco, ai antes de terminar a frase soltei um – Ahh, deixa pra la, depois… Ai ele meio que viu eu com a camera na mao e um sorrisao enorme e me interrompeu e falou – Nao, nao, vamos tirar agora, nao tem problema. Largou a bandeja de volta na mesa e fomos tirar a foto. Conversamos rapidamente e ele foi sentar na mesa com o seu tecnico que ja estava comendo e agente foi sentar na mesa ao lado. Ai depois, vendo a foto, percebi que a lentizinha que fica na frente da camera nao abriu inteira. A maquina ta meio quebrada, acho que deve ser porque ja derrubei ela inumeras vezes. Dai na hora de irmos embora falei – Boa Sorte amanha Novak. Ai ele falou Obrigado. Nao deu outra, o cara foi campeao.
 
A foto com a Wozniack foi ainda mais legal. Depois dela ter ganho da Sharapova no ultimo jogo da noite, fomos la na saida dos jogadores esperar para que elas fossem embora e tentar tirar uma foto com as beldades. Depois de esperar elas terminarem com as entrevistas, a Sharapova saiu primeiro com 2 segurancas e o coach. Chegamos perto e pedimos se ela poderia tirar uma foto com agente, e dai os segurancas ja falaram nao e ela meio que olhou para agente e nao falou nada. Dava pra ver que ela nao tava com cara de muitos amigos. Dai nao conseguimos tirar foto com ela. So faltava a Wozniack sair. Nao sei se eu falei, mas morei com 2 poloneses no semestre passado e um deles que conhece a Radwanska. Enfim, a Wozniack nasceu na Dinamarca mas seu pai e polones, ou seja ela fala polones, dinamarques e ingles. Por morar com 2 poloneses, eu aprendi algumas palavras em polones. Como, oi, tudo bem? Boa noite, essas coisas assim. Enfim, quando ela apareceu, falei pro meu amigo – Olha e ela saindo, ai pegamos a camera e deixamos no ponto, quando ela apareceu falei em ingles – Caroline, podemos tirar uma ultima foto com vc? Dai ele falou que sim – ai na hora que fui tirar a foto com ela, falei – Oi, tudo bem? em polones. Dai ela meio surpresa me olhou, deu um sorriso encantador e respondeu em polones que estava tudo bem e depois falou uma outra coisa que eu nao tenho ideia do que foi. Pensei comigo mesmo que ela devia ta perguntando e vc. Dai respondi que estava tudo bem comigo. Ai pronto, acabou meu repertorio em polones. E fim de conversa, depois falei em ingles, obrigado e boa sorte amanha na final. Nao deu outra, campea tambem. Simpatissima a Caroline e muito bonita tambem.
 
No domingo, vi a final. Um jogasso. Guerrido e lutado. Novak jogou muito e continua invicto este ano. Belissimo jogo para um belissimo torneio. Tentei achar o Nadal, mas nao o vi fora das quadras de jeito nenhum. O cara sumiu mesmo. Fica esse objevito para o proximo ano. A foto com o Nadal.
 
Acho que e isso, nao da para escrever tudo, mas basicamente foram essas minhas aventuras em Indian Wells.
 
Grande Abraco,
Gabriel Dias

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quinta-feira, 30 de julho de 2009 O Leitor no Torneio | 10:43

O leitor em Hamburgo

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Como em outras ocasiões, publico a visita de um leitor a um torneio internacional, desta vez em Hamburgo e o leitor Thiago Gaspar que, como vemos nas fotos abaixo, veste a camisa e não hesita em deixar os alemães saberem de onde vem. O rapaz não enviou um texto contando estórias – fica devendo – mas mandou boas fotos. Deu até para matar umas saudadezinhas que tenho do local – uma hora preciso contar umas histórias do lugar, só preciso ser lembrado. Abaixo o email do Thiago, a quem, em nome de todos, agradeço o trabalho e a cortesia.

Cleto, boa tarde.
Dê uma olhada nas fotos.

Como eu havia dito o campeonato não foi o mesmo de antigamente, de qualquer forma é sempre bom estar presente em um campeonato de alto nível. Ahh, e depois dos jogos eu estava voltando para Stuttgart e parei para comer alguma coisa na estrada. E adivinha quem sentou na mesa do meu lado? O Davidenko!!! hahaha

Parabens pelo blog mais uma vez
Um abracao,

Thiago Gaspar


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domingo, 28 de junho de 2009 O Leitor no Torneio | 22:18

Alexandre na Henman's Hill

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Mais um leitor mata a cobra e mostra o pau, desta vez no Torneio de Wimbledon. O Alexandre Rodrigues acaba de me enviar o relato e as fotos abaixo. O rapaz está de parabens porque teve o amor pelo esporte e a paciencia para exercê-lo. Leiam.

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Nesta sexta-feira parti do Porto rumo a Londres na tentativa de conseguir um ingresso para o Sábado, da cota diária que eles vendem para as quadras secundárias. Na sexta-feira a tarde ainda deu um tempo de dar um giro pela cidade, por alguns dos pontos turísticos outdoors, como o Big Ben, Picaddilly Circus e o Palácio de Buckingham.

A temperatura estava bem agradável, o que é garantia de parques cheios, todos “lagarteando” e fazendo pic-nics nos gramados. Também é interessante a quantidade de pessoas que andam de bicicleta e o respeito dos motoristas pelos ciclistas, independente da existência ou não de uma faixa reservada para ciclistas.

Assim como sabemos que o inverno londrino é tenebroso, quando chega o verão, principalmente à noite, a mulherada sai toda produzida e com muito pouco tecido, por sinal, e a juventude como um todo bebe e bebe pesado, mas isso eram apenas 2 detalhes.

No sábado lá fui pra batalha propriamente dita. Fui para o Wimbledon Park para entrar na fila tentar conseguir entrar. Confesso que não cheguei muito cedo, somente às 10h da manhã. Como o Paulo Cleto mostrou, o Wimbledon Park é um imenso gramado e estava praticamente todo tomado, mas pelo menos posso dizer que estava bem organizado.
Recebi minha senha, que tinha o singelo número: 12265, ou seja, já tinham 12264 pessoas à frente. Estava um belo dia de sol e só restava sentar e torcer por um milagre.
E assim foi. Depois de 7h15 na fila, que sai do Wimbledon Park pra rua e depois retorna novamente pro Wimbledon Park, às 17h15 consegui o bilhete das quadras secundárias para entrar no complexo de Wimbledon, propriamente dito.

A fila.

Nesta altura o sol já tinha ido embora e nuvens ameaçadoras pairavam por ali, o que não gerava uma sensação agradável, a espera toda e correr o risco de entrar e não ver pelo menos um jogo.

Como era minha primeira vez, fiquei mais perdido que cego em tiroteio. Como disse o Paulo Cleto, as quadras são muito bonitas, o tapete verde em si perfeito e com um realce bonito. Rodei por diferentes quadras, em uma delas estava tendo o jogo de duplas mistas da dupla indiana Bhupathi/Mirza contra a dupla britânica Fleming/Borwell (Quadra 4), que por acaso tem uma arquibancada lateral. Estava tomada, mas tomada de torcedores indianos, que torciam fervorosamente. Um quadro que retrata uma das características da cidade londrina.

Alguns jogos dos torneios de juvenis rolando, um jogo de duplas masculinas do Clement/Gicquel contra Blake/Fish, mas que foi impossível de ver, pois a quadra estava bem cheia ao redor. Tive a sorte de pegar o inicio do jogo de duplas mistas do Bruno/Kleybanova contra Huss/Ruano Pascal, mas infelizmente, apesar do jogo parelho, a dupla adversária ganhou nos momentos cruciais da partida. Nesses jogos, realmente não há muitas trocas, pelo que percebi no máximo 5 a 7 trocas.

Durante este jogo, o Marcelo Melo apareceu por lá, infelizmente ele não teve sorte e está fora do torneio, em ambos os torneios de duplas.

Logo após o jogo do Bruno, acompanhei o final do jogo de duplas mistas do André, na quadra 14. Estava bem cheio, principalmente com a presença de muitos japoneses prestigiando a parceira do André. Boa vitória e vaga nas quartas-de-final do torneio. Aproveitei pra tirar uma foto com o André e desejar boa continuação do torneio.


Em outra quadra, uma bela dupla ou uma dupla bela, como queiram; Cirstea/Wozniacki, mas que não tiveram sorte e foram eliminadas. Também dei uma passada na Henman Hill, enquanto rolava o jogo do Murray. Completamente lotado e a galera vibrando com cada ponto do, por enquanto britânico, Andy Murray.

Alexandre na Henman’s Hill

Pra finalizar acompanhei os 2 últimos games da partida do Ferrero contra Gonzalez pelo telão. Depois disso finalizei meu dia em Wimbledon, um dia curto dentro do complexo de tênis em si, mas feliz por ter passado por toda aquela jornada de horas e ainda assim poder dizer que valeu a pena a experiência.

Grande abraço Paulo Cleto e companheiros do Blog

Alexandre Rodrigues.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009 Copa Davis, Light, O Leitor no Torneio, Tênis Masculino | 23:12

O Jardineiro

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Já que temos comentado bastante sobre o personagem recentemente, em função de toda a conversa sobre quem foi o melhor da história, vejam abaixo o comercial onde quatro coleguinhas das raquetes mostram seu respeito pelo “jardineiro”. Alias, quem é o quarto?

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segunda-feira, 8 de junho de 2009 Copa Davis, Juvenis, Masters, O Leitor no Torneio, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:04

Premonição.

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Federer x Sampras, Wimbledon 2001.

Existem momentos mágicos em nossa história que, não raro, só realizamos sua importância e magia mais tarde. Durante onze anos seguidos fui a Wimbledon, escrevendo para o Jornal da Tarde e O Estadão onde contava minhas aventuras e desventuras no torneio e na cidade de Londres.

Com o tempo consegui algo que, infelizmente, com o tempo decidi abrir mão; uma cadeira cativa na Quadra Central, o palco mais restrito e famoso do mundo esportivo. Posso garantir que essa cadeira, que tem um número limitado, é imensamente difícil de merecer e conseguir e que todo mês de Julho tenho saudades dela.

Em 2001, Pete Sampras, então com 30 anos incompletos, defendia seu título do ano anterior, assim como os sete conquistados anteriormente no All England. Nas oitavas de final, quis o destino que ele enfrentasse Roger Federer, 20 anos incompletos, dono de um único título no ATP Tour, em Milão, em Fevereiro daquele ano.

Eu já tivera a oportunidade de ver o suíço jogar, como juvenil e como profissional, em algumas oportunidades anteriores. Conhecia seu talento natural, suas habilidades e tinha curiosidade em ver aonde suas qualidades poderiam levá-lo. Achei que assisti-lo enfrentar o hepta-campeão na Quadra Central seria um bom programa.

Fiz um lanche rápido, escrevi minha coluna do dia e fui ao templo sagrado do tênis completar o programão do dia – acompanhar o jogo que começou no meio da tarde. O que presenciei naquele dia foi História.

A partida, vencida por Federer por 7/6 5/7 6/4 6/7 7/5, foi a única entre esses dois tenistas que marcaram a história do tênis. Até ontem, com a vitória de Federer em Paris, havia a dúvida sobre o “Melhor da História”. Talvez ainda exista. Mas se o leitor quiser um tira-teima, um divisor de águas, um símbolo, esse é o confronto.

De um lado da quadra, onde conquistara o mais reconhecido sucesso de sua magistral carreira, o experiente Sampras começava a contemplar o crepúsculo de sua carreira – só venceria mais um Grand Slam, em Nova York no ano seguinte. Do outro lado da rede, um jovem talentoso, habilidoso e desinibido como poucos em palco tão exigente, no qual pisava pela primeira vez, só conquistaria seu 1º GS naquela mesma quadra dois anos depois.
Sampras era, claramente, o favorito – do jogo e do público. Federer a auspiciosa promessa. O confronto foi inesquecível, pela qualidade, pela surpresa, pela circunstância. Como uma premonição do por vir, Federer saiu vitorioso, na que foi a melhor partida do torneio, derrotando um campeão que estava a 31 partidas consecutivas invicto no torneio. Naquele dia, Roger mostrou todas as qualidades, técnicas, emocionais e mentais, que o levaram a bater o então campeão e o levariam a um dia desbancar o então melhor da história.

O jogo foi um dos últimos e inesquecíveis confrontos do mais purista e clássico saque-voleio do tênis. Uma exibição para fazer sonhar todos aqueles que cresceram admirando o tênis original praticado sobre a grama e que hoje, por N razões, começa a pertencer a um passado tão distante quanto o das cartas de amor e viagens de trem. E, com certeza, são as essas imagens, das quais apresento breve amostra no vídeo abaixo, mais uma das razões pela qual o mundo se curva e cede, com tranqüilo desprendimento, aos encantos do tênis praticado por esse terrivelmente “cool” tenista dos Alpes.

Como curiosidade, coloco abaixo trechos pinçados da minha coluna do Jornal da Tarde da época, onde menciono o garoto Roger Federer. Eles estão exatamente como foram escritos, pouco mais do que oito anos atrás.

“ Na segunda semana de Wimbledon as partidas concentra-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos juvenis e os veteranos. O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites. Entre as garotas tivemos uma semi-finalista na figura de Vera Lúcia Cleto em 1968. Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes – brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete – em 1959. Quem me lembra o seu estilo é o suíço Roger Federer, tenista que é um prazer assistir.”

“O suiço Roger Federer, de 19 anos, é, junto com o russo Marat Safin, o maior talento da nova geração. O seu, além de ser um tênis de resultados, é também o mais vistoso das quadras. Elegante, do instante em que entra na quadra, ao momento que cumprimenta o adversário, é um “gentleman” também fora delas. Durante as partidas mantém uma postura raramente vista em tenistas da sua idade. Às vezes parece carecer uma pitada de garra. Talvez o tênis lhe seja tão fácil que nos parece sem esforço. Sua vitória sobre Pete Sampras veio como uma surpresa somente para aqueles que não tem tido a oportunidade de acompanhar a sua breve carreira.”

“ Somente as agruras de Sampras não seriam o suficiente para causar sua derrota em Wimbledon. Ele precisaria encontrar um adversário a altura. E foi isso que aconteceu ao enfrentar o maravilhoso tenista Roger Federer. O amigo leitor pode ficar sossegado. Ainda vai ver muito esse “young gentleman” suíço. Isso porque, insisto, o rapaz tem o tênis mais bonito que freqüenta as quadras do tênis profissional.”

Confesso, sem maiores inibições, uma pitada de orgulho em ter escrito essas linhas, assim como uma alegria interior em ter presenciado essa premonição da história oito anos atrás.

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