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segunda-feira, 6 de setembro de 2010 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:36

Fidelidade x Submissão

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Mais um Comentário é importado para o corpo do Blog. Desta vez de um dos mais fiéis e frequentes leitores, que atravessa uma certa crise de identidade, por conta de sua personalidade, dividida e misteriosa, já que insiste em pseudonimos, o que desprezo, mesmo na internet, apesar da criatividade diariamente demonstrada. Da minha parte, não concordo com algumas de suas colocações, especialmente as mais agressivas e das quais parece mesmo carregar alguma vergonha. Mas gosto muito da maioria de suas intevenções e gostei da linha de pensamento deste comentário, mesmo que com certa frequencia ultimamente ele tenha insistido em certas falácias para garantir seus argumentos. Boa leitura.

A derrota de Andy Murray para Stanislas Wawrinka na 3ª rodada do US Open, frustrando mais uma vez suas próprias, e de muitos outros, expectativas, de, enfim, ganhar seu tão almejado e desejado 1º GS, corrobora com uma tese que venho elaborando em meu atual momento dialético, sob o título:
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– A Destruição Gradativa de um Tenista como Produto de sua Submissão ao seu Próprio Estilo de Jogo –
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Andy Murray, assim como todo bom tenista que se preze, tem seu próprio, pessoal e característico estilo de jogar tênis. E foi exatamente com este estilo que ele chegou onde está agora, e ganhou “tudo” que ganhou.
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Não vou destrinchar o seu já tão destrinchado estilo “cozinhando o galo” de jogar tênis, mas, está mais do que claro, que seu jogo, pelo menos no nível de GS, bateu no teto e parou. E para o potencial dele, este teto foi baixo demais. Dois vices campeonatos e nada mais?
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Até que ponto, um tenista bater a cara na parede, várias e repetidas vezes, e continuar batendo, jogando sempre do mesmo jeito, é ser fiel ou é ser submisso à sua técnica?
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Segundo o Aurélio, fidelidade é o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel (do latim fidelis), para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que mantém-se fiel à referência.
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Submissão seria obediência voluntária, sujeição, humilhação, passividade e subserviência.
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E é exatamente isso – submissão – que penso do Murray. Um sujeito passivo dentro de quadra, subserviente ao seu estilo de jogo. Quando está dando certo – ele ganha, quando algo foge ao seu controle, ele é incapaz de se insurgir contra si mesmo e contra aquela situação, e reverter o rumo daquele jogo que se encaminha para a derrota.
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Em outras palavras: falta-lhe ganhar jogos jogando mal. E em GS isso é fundamental. Em RG 2009, quantos jogos Federer teve que sair, aos trancos e barrancos, de 0 x 2 abaixo para a vitória e para o título?
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Nessa Wimbledon 2010, quantos jogos, ainda na 1ª semana, Nadal teve que virar de 1 x 2 para a vitória?
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Esses dois citados, são tenistas que crescem durante uma competição, encontram uma forma de ganhar, de um jeito ou de outro. Insurgem-se contra a derrota e mesmo sendo fiéis ao seus estilos de jogar (bem diferentes um do outro) não se submetem, apenas, ao que deveriam fazer, mas sim, ao que poderiam fazer para reverter uma derrota iminente. E usando uma palavra bastante usada pelo Cleto, esta não é, definitivamente, uma característica de Andy Murray.
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O mesmo raciocínio da submissão a um estilo de jogo pode ser aplicado ao Bellucci. Thomaz já ganhou 2 ATPs, Gstaad e Santiago, encontrando em ambos as CNTP ideais para seu estilo de jogo: altitude e saibro.
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Bellucci em ambos os torneios, usou muito bem da maior velocidade da bola na altitude, para sacar como nunca, e quando necessário, ganhar os pontos com seu poderoso drive.
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Mas quando um ou outro não funciona, o que ele faz? Nada. Pelo menos não faz nada diferente, mantém-se submisso a dar pancada de drive a torto e a direito, sem procurar alternativas que o levassem a vitória.
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A última derrota do Bellucci pro sul africano Kevin Anderson é emblemática: Thomaz foi incapaz de usar slices para abaixar a bola e fazer o grandalhão de 2m se abaixar em quadra, foi incapaz de tentar subir mais a rede e volear, preferindo mais uma vez ser submisso a ficar dando pancada lá do fundo da quadra, que não lhe renderam mais uma vez a vitória.
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Por último, gostaria de registrar um dos motivos que me levaram a escrever este post, que foge um pouco das minhas características, mas que não me furto de fazer, quando necessário, pois não sou submisso a elas.
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Um colega, que muito estimo aqui no blog, preocupado com algumas posturas que ando tomando aqui ultimamente, segundo ele, indo de encontro às idéias do Paulo Cleto, perguntava-me se eu não estava sendo infiel ao blog que há dois anos contribuo diuturnamente.
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Foi aí que me veio nitidamente à cabeça o abismo que existe entre ser fiel ou ser submisso. Não posso crer que esteja sendo infiel ao Blog do Cleto por discordar textual e pontualmente do blogueiro, sobre sua postura em relação aos dois supracitados tenistas – Murray e Bellucci.
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Eu apenas não sou submisso

Um comentario interessante merece um outro a altura de mais um leitor. Aqui abaixo.

Gostei do argumento do Matts, e achei o comentário muito bem escrito e coeso, apesar de não concordar com a conclusão final.
– Sobre o Bellucci:
Creio que valia mais, para ele, seguir a escrita do planejado mesmo (trocar bolas no fundo e procurar variar ângulo e velocidade, mexendo o oponente). Ao menos na teoria, o plano tático era bom, a considerar que o Bellucci é mais regular que o Anderson.
Talvez se fossem buscadas uma dessas variações citadas pelo Matts, como o slice (que não é um golpe que o Bellucci demonstrade executar com propriedade) e os voleios (que é um golpe que deixa muito a desejar no paulista), o Bellucci teria tomado um 3×0.
Só que esse é o terreno do imponderável. Então, entre fazer o que sabe ou o que não sabe, a primeira opção parece a mais segura. Até porque esse não era um jogo em que o Bellucci estava tomando uma surra e, pois, tinha que lançar mão de “novidades”. Era um jogo pau-a-pau, como planejado e, infelizmente, a derrota apareceu como contingência.
– Sobre o Murray:
Eu sou do time que acredita que ele joga demais, é muito habilidoso e a variação dele é tão grande que dizer que ele é submisso à própria tática é quase um oxímoro.
É algo como dizer que o Al Pacino está preso ao jeito dele de atuar.
Agora, que apostar no Murray em Grand Slam parece o “golpe do bilhete premiado”, isto parece.
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Agora, sobre essa “rebeldia” do Matts…
Acho salutar essa “libertação”, essa busca de não “rezar a cartilha” do Cleto.
Só vale cuidar para que não se queria, com isso, que o Cleto passe a rezar a nossa própria.
Quer dizer… se ele tem uma opinião diferente sobre o Bellucci, ou sobre o Murray, paciência.
Vai ser uma gastura se, a cada derrota do Bellucci, alguém ficar chuleando para que o Cleto desanque o rapaz, principalmente depois que o próprio Cleto já disse, redisse e sobredisse que este não será o seu método de trabalho.

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domingo, 22 de agosto de 2010 O leitor escreve | 00:00

Perhaps love

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Como prometi anteriormente, publico abaixo um cometário de um de meus leitores que virou Post. Os mais assíduos já conhecem o estilo e o personagem. Para quem não o conhece, trata-se do Glads, um atormentado e talentosíssimo escritor e comentarista da tênis e, em especial, da vida como ela é e não é.

O Nadal caiu.
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Outra vez, aconteceu de não acontecer o nosso sonho, e será cada vez mais difícil. É uma pena!
Que privilegio raríssimo tivemos e não demos conta disso!
Que pena a vida voar no que há de bom e se arrastar no cotidiano agarrado.
Que pena!
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Nos idos anos oitenta, o cantor country americano John Denver, do Novo México, fazia um estrondo com Sunshine on my Shoulders, composta e engavetada dez anos antes. Ali ele azeitava as travas das mulheres com promessas banhadas de sol. Sua voz era doce, terna e envolvente, e sempre suave. Foi assim até noventa e sete, quando morreu pilotando um Rutan que, ironicamente, foi batizado por ele de Bland. Ironicamente!

E na Espanha desse tempo, Plácido Domingo fazia contraponto ao tanino poderoso do tenor Pavarotti, que naquele ano de oitenta e um, vinha de uma tournée extenuante e havia falhado, sutilmente, no agudo, deixando o alla Scala e toda Milão em polvorosa. De maneira inversa, o também tenor Domingo cantava pouco e se cuidava. Não era dado a excessos e riscos, como não o é até hoje.

Mas na exceção rompante da regra, decidiu um ensaio de alto risco a convite do americano Denver. Isso lhe colou as pechas de leviano e camponês, alem de populista da voz. Tachou-se o preço do vexame vindouro. Gritou-se aos sete cantos e sete ventos, que sua voz tempranillo destoava em tal duo, e Denver, um sabido brega doce da fronteira da tequila, lá na outra margem do atlântico iria tombá-lo morto.

Mas houve insistência na empreitada, a hecatombe agourada passou longe e fez-se então o registro maravilhoso de Perhaps Love.

Tivemos ali o mais espetacular contraste harmônico que já se viu entre a seda voz de um com o peso suave da voz do outro. Muitos de nós, então, bufávamos ditos de estarmos perante a mais brutal heresia, jurávamos vomitar ao ouvir o nome de Denver, enquanto corríamos em surdina a tirar o vinil da toca e ouvi-lo a exaustão.

Inclusive veio disso, vale um tico, a malfadada empreitada dos três tenores, onde o também divino José Carreras foi a cisão incontornável das três vozes, e não seria nunca em duo com Domingo ou Pavarotti. Coisas de produtores malucos, coisas da arte, coisas da vida.

Plácido e John Denver foram únicos ate hoje desde aquele sonho, e serão sempre, queiramos ou não, pois esses dois pólos da arte, tão distintos e tão parentes ao mesmo tempo, travaram um embate no único momento do tempo em que houve uma fresta para que a arte nos brindasse de forma tão fugaz e intensa. E essa mesma arte deu marca de que sumiu no universo em busca de nova janela.
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Pois é exato por isso isso que dói a queda do Nadal. A cada ponto do tempo fica mais raro uma fresta com o Rafa e Federer, em mais um maravilhoso embate.
Falamos toda desordem de coisas sobre um confronto dos dois, falamos em rotina e falta disso ou daquilo quando os vemos frente a frente, falamos o diabo e matamos os anjos. Mas o certo é que, quando isso tudo passar, ficaremos no vazio com nossas lembranças sobre o mais espetacular contraste harmônico que já se viu entre a seda arte de um com o peso suave da arte do outro.

Mais a frente nossa orfandade nos trará a certeza de que os dois eram tal e qual Denver e Plácido, mel e pêra, seda e pele, e nós pudemos nos abrigar no calor desse contato.
Pena que a vida é curta, e nesse caso, curta demais.


Para completar, após assistir o vídeo, sigam também o link abaixo, uma cortesia do nosso Producer Matts, o Carcará do serrado.

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