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domingo, 3 de junho de 2012 O leitor escreve | 22:38

O domingo do producteur

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O domingo é sempre um dia diferenciado nos torneios. O público que comparece não é exatamente o mesmo da semana, o “dressing code” muda e a atmosfera em geral se modifica. Nem por isso o nosso producteur deixou de comparecer e nos enviar como foi o seu dia. Ahh, o enrolão não enviou a tal foto da Maria. Acho que é história..

 

Roland Garros – Deuxième Jour

                Hoje o dia amanheceu frio, nublado e sombrio em Paris, digno de um cobertor. Bem diferente do dia com céu claro, sol e calor como ontem, digno do protetor solar. Mas vamos a Roland Garros…

*Antes, uma dica: se vc for a RG com amigo(s), o ideal é que um compre ingressos para Phillipe Chatrier e o outro para Suzanne Lenglen. Como os ingressos são comprados com 3 meses de antecedência e a programação dos jogos só sai na véspera, dobram suas chances de ver seus jogadores preferidos, ou pelo menos partes dos jogos. Isso foi de grande valia hoje, pois eu tinha ingressos na PC e o amigo na SL.

Comecei o dia na quadra 2 com o jogo de duplas do Bruno Soares e Eric Butorac x Harrisson e Ebden, pelas oitavas de final. Assisti a este jogo na primeira fileira, logo atrás do banco dos caras, para tentar ouvir o que eles falam nas viradas, mas pra surpresa minha eles praticamente não falam nada. Já eu dei meus pitacos…

Bruno e Eric começaram o jogo atropelando, e logo fecharam o 1º set com duas quebras. Mas no 2º set foram quebrados logo de cara e acredito que o ponto da quebra influenciou negativamente o Bruno, pois ele cantou “deixa” uma bola que tava na mão do Eric, que tirou a raquete e a bola acabou caindo dentro. Depois daí, a coisa desandou. Ainda tiveram a chance de devolver a quebra em 2 games seguintes, mas não conseguiram e perderam o set. Antes do início do 3º set, todos os jogadores, a exceção do Bruno, foram ao banheiro. Aproveitei a pausa e falei com Bruno que era a hora da onça beber água, para entrar ligado (vou tentar postar o vídeo no face) mas hoje não deu. Com uma quebra logo no 1º game, a exemplo do set anterior, Harrison e Ebden levaram essa. Uma pena.

O primeiro jogo da Phillipe Chatrier era Kuznetsova (que está cada dia mais feia!) x Errani. Não, obrigado. Emprestei meu ingresso que assistiria a esta partida e também ao 1º set do jogo do Djokovic, enquanto eu estava nas duplas. Em troca depois eu iria assistir ao 1º set do jogo do Federer. Incrível pois o set que ele assistiu cá, o Djoko perdeu, e o que eu assisti lá o Federer também perdeu pro Goffin (quem?) – Nasce uma estrela ou sorte de principiante?

Assim quando cheguei na PC o Seppi já havia ganho o 1º set e continuou jogando bem no 2º. Lembrei-me de um post recente do Paulo Cleto onde ele colocou uma foto do Seppi e disse: escolhi uma dele pois não sei se vou ter outra oportunidade de colocar novamente! Pois é, acho que hoje é um bom dia!

Após o 2º set, também vencido pelo Seppi no tie-break, fui lá assistir ao jogo do Federer. E o tal do Golfinho me apronta uma dessas, e bem na hora da onça beber água, quebra o Mestre e ainda ganha o set? Eu hein…

Voltando ao jogo na PC, dessa vez só deu Djokovic – o favorito! O sol resolveu aparecer um pouquinho. Terá sido coincidência? Uma coisa que observei foi que o Seppi usou e abusou da bola funda, no meio, tirando qualquer ângulo do Djokovic, até sobrar uma pra ele matar o ponto, ou vir um erro não forçado sérvio. E quase deu!

Depois desse jogo, para a noooossa alegria, digo, dos franceses, foi a vez de Tsonga x Wawrinka. Assisti o 1º set, mas como falei ontem, prefiro um jogo que eu possa torcer. Aí resolvi ir dar uma força pro cearense Thiago Monteiro lá na quadra 17, pela chave juvenil de RG. Ele me pareceu um garoto bem focado, esforçado, que agüentou bem a pressão dos franceses gritando Jo-Jo (Johan Tatlot) que parece metade Tsonga/metade Monfils, para vencer por 2 x 1. Tem bons golpes de fundo de quadra, mas acredito que lhe falte um golpe definidor. Não fez muitos winners no jogo e precisa melhora os voleios, nas raras vezes que subiu a rede perdeu o ponto.

Na volta, passando pela Suzanne Lenglen, consegui ingressos para entrar no jogo Del Potro x Berdych (o velho e bom: vous partez!?). Pena que só vi um set deste jogo, pois assim que o Delpo fechou o 3º set, fazendo 2 x 1, o jogo foi interrompido por falta de iluminação adequada. A torcida argentina, fantástica por sinal, só faltou entrar em quadra e matar o supervisor.

O interessante é que o jogo do Tsonga e Wawrinka na PC continuava, e a organização resolveu liberar a quadra pra todo mundo. Os próprios fiscais das tribunas convidavam o povo a entrar.

Interessante observar que a imagem que vemos pela TV é muita mais clara do que ao vivo. Talvez, pela TV, passe a impressão que o jogo tinha total condições de continuar, mas ao vivo é bem diferente. Acho que depois do que aconteceu com aquele jogo do Monfils nos tempos idos, a organização está mais prudente, e este jogo acabou por ser suspenso também depois de um tempo.

E amanhã chega de RG, porque Paris é muito mais do que tênis. Na quarta-feira talvez…

Ahh… bati uma foto com a Sharipova. Achei um pouco mais bronzeada. Deve ter sido o sol de sábado!

Au revoir…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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sábado, 2 de junho de 2012 O leitor escreve | 22:57

Le producteur à Paris

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Os parisienses não sabem o que lhes espera. O nosso produtor-mestre desceu na Charles de Gaulle e já foi atrás da sua paixão – o tênis. Foi para o hotel e cumpriu com o dever de sua segunda paixão – escrever no Blog. Deeve ter dormido já na madrugada – e amanhã estará em Roland Garros mais uma vez. O que ele aprontou no seu primeiro dia está aí abaixo.

Roland Garros – Premier Jour

Ao pegar o metrô em Dupleix, contei quantas estações seriam até Roland Garros: exatamente 7. E ainda uma longa caminhada… Durante o trajeto, fiquei imaginando como é o mundo de um tenista. Se inscrevem 128, mas apenas 1 sai vencedor após 7 jogos. Não sei se ali no Metro estavam 128 pessoas, mas todos nós chegaríamos ao nosso destino, ninguém ficaria pelo caminho. Acho que a vida é melhor aqui fora.

Comecei o sábado na quadra 6, onde Marcelo Melo e Ivan Dodig liquidaram sem dó e sem piedade – 6 x 3 e 6 x 1 – a dupla atual campeã do US Open  e campeã de Wimbledon em 2010, o austríaco Jurgen Melzer e o alemão Philipp Petzschner.

Ao final do jogo, na saída da quadra, não poderia perder a chance de testar a simpatia do Mala Melzer (by Cleto): dei 2 tapinhas no ombro dele e mandei:

– Good match!

Não que eu esperava resposta, mas o cara se virou e disse:

– Are you kidding?

É aquele velho ditado: eu perco o amigo, mas não perco a piada!

Já o Girafa é um sujeito simpaticíssimo, ainda mais ganhando, passou um tempo falando com a galera ao fim do jogo e posando pra fotos.

Após um rolé no Complexo, fui dar uma olhada lá na Philippe Chatrier em Tipsarevic x Benetteau que ia começar. Descobri, instantaneamente, que ali do meu bem localizado sofá, seria impossível assistir a um jogo onde não se tem interesse nenhum. Só vi 3 games porque fui obrigado, mas na primeira pausa me mandei. Esse tipo de jogo deveria ser em quadra secundária, só pra francês ver. E ainda inventaram de colocar o Murray na quadra 1. Muito desprestigiado o cara por lá. Acho que em Wimbledon vão colocar os franceses pra jogar na Hemman Hill!

Assim, dei uma olhada num jogo de duplas do Leander Paes, e depois não sei porque resolvi assistir o jogo de duplas da Kirilenko e mais três. Estava ali de bobeira quando eis que entra pra treinar na quadra ao lado, nada mais, nada menos, do que Sir Roger Federer.

Imediatamente, todos que ali estavam, ficaram em pé na cadeira e viraram pra quadra ao lado, pra desespero dos fiscais, que não conseguiram conter o frenesi. Pois ali, de camarote, assisti 50 minutos de treino do mestre, praticamente dentro da quadra. Óbvio que também não iria perder a oportunidade de dar meu recado ao “cara”. Esse o pessoal da savana do Leão no facebook já viu em vídeo. Matts é phoda!

Depois assisti ao jogo do Bruno Soares e Eric Butorac contra o italiano Filippo Volandri e o israelense Dudi Sela. Mais um chocolate brasileiro por 6 x 3 e 6 x 2. Agora fica a questão: num mesmo dia dois brasileiros (que não jogam juntos!) ganharam seus jogos (de tênis!) em RG e avançaram às quartas de final – só pode ter sido eu que dei sorte pra eles! É ou não é!?

Depois encontrei um motivo para enfim voltar a Phillipe Chatrier: Maria Sharapova em quadra. Fiz questão de ouvir seus gemidos ao vivo e a cores, e em Paris! Eu bem! Ainda bem que pensamento não fala… Maria liquidou a fatura contra a Peng rapidinho e deu lugar a Rafael Nadal e Eduardo Schwank.

Voltando ao meu pensamento do metrô, deve ser estranho pros tenistas quando um entra em quadra já sabendo que vai ganhar e o outro tem certeza que vai perder. Schwank até que tentou curtinhas (tem muita munheca este cara), saque e voleio, chamou muito o Nadal pra rede, mas provavelmente deve ter jogado como nunca e perdido como sempre.

Mas me pareceu um cara bem simpático, brincou com a torcida, tirou sua onda, se divertiu em quadra, e depois disse que agora tem uma camisa autografada do Nadal, que ganhou o jogo sem ter seu saque quebrado uma única vez sequer. Nadal segue fazendo seus treinos de luxo, esperando a definição de seu adversário da final.

Ao vivo, eu não sei a opinião dês vocês aí, mas a quadra e/ou bolas me pereceram mais lentas do que ano passado. Essas longas batalhas que já tiveram por aqui este ano demonstram isso.

Por falar em batalha, terminei o dia na Praça dos Mosqueteiros, completamente lotada de franceses empurrando Paul-Henri Mathieu em mais uma batalha, dessa vez contra Granollers. Entrei no clima e também torci por Mathieu, uma cara por quem tenho simpatia por ter sido o adversário do Guga em 2008, em sua despedia, na Phillipe Chatrier, jogo que também assisti ao vivo e a cores.

Mas não deu, esgotado em mais um jogo de 5 sets, Mathieu sucumbiu no último set, mas acredito que já escreveu seu nome nesse Roland Garros.

Amanhã tem Federer e Djokovic.

Au revoir…

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sexta-feira, 1 de junho de 2012 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:17

Fred em Paris

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Mais um leitor tem a felicidade de estar presente em um grande torneio e a gentileza de nos enviar um pouco de sua experiencia in loco. Desta vez é o Frederico Magalhães que nos envia seu relato e fotos.

Cleto,

As fotos do evento seguem em anexo que somente agora são postadas graças a instabilidade das conexões de internet. Nesse aspecto o primeiro mundo não é tão primeiro assim, bem igualzinho ao Brasil, e a provedora de acesso, inclusive uma das patrocinadoras de Roland Garros deveria ficar “laranja” de vergonha com a qualidade do serviço prestado.

Quanto ao torneio em si, ter a oportunidade de acompanhar um torneio do porte de RG in loco é uma oportunidade única para todo amante do tênis, toda a atmosfera do evento, a grandiosidade e beleza das quadras principais, bem como a participação de um público que se envolve e entende o esporte como poucos é algo que contagia o público e deve ou deveria motivar todo tenista em quadra.

Combustível melhor que este não há.

Na segunda feira, segundo dia do torneio, cheguei ao complexo de RG bem cedo, por volta das 10:00, horário local, para poder desfrutar de todo o complexo antes do show em si e pude constatar o grande envolvimento dos franceses com o evento e o respeito com que tratam a sua cereja do bolo tenistico, tudo muito bem organizado, voltado à facilidade do público ao acesso às quadras, e, também, como não poderia deixar de ser, ao business, com lojinhas alusivas ao torneio por todos os lados.

É impressionante a quantidade de gente que vai a RG nos primeiros do torneio, parece que nestes dias, em Paris, todos os caminhos levam a RG tamanha a quantidade de pessoas e idiomas.

Logo ao chegar em RG plantei-me nas proximidades da quadra Phillipe Chatrier em frente ao local por onde chegam todos os tenistas trazidos pela organização do evento a espera de ver de perto alguns tenistas e, quem sabe, algum dos tops. É curioso notar que todos, favoritos ou não, tops ou não, homens e mulheres chegam pelo mesmo caminho e, muito embora, não passem pelo público em si, passam muito perto do público que se acotovelam a fim de obter uma foto, ou um aceno que seja dos atletas.

Por este local, passaram anônimos, e alguns poucos conhecidos como o Kolschreiber, o Dolgopolov, a Wickmayer, o brasileiro Marcelo Melo, e também Djokovic e Rafael Nadal. A chegada dos atletas é interessante porque também nos dá uma primeira impressão da personalidade dos atletas.  O Djokovic, por exemplo, parece ser uma cara bem simpático, chegou ao complexo juntamente com sua comitiva e foi bastante simpático com o público que berrava o seu nome, distribuindo sorrisos e acenos. Rafael Nadal, por outro lado, demonstra, antes de mais nada ser um cara extremamente compenetrado e focado, parece que o cara ao abrir os olhos liga o botão da concentração e pode cair o mundo mas nada o tira do seu planejamento, uma virtude, sem dúvida. Nadal chegou e, por mais que o público gritasse por seu nome o espanhol sequer olhava de lado, somente quando já estava descendo para os vestiários, acredito eu, é que o espanhol deu uma leve acenada para o público e desapereceu. E olha que nem era dia de jogo para o espanhol, ele estava no complexo apenas para “suar”.

O Djokovic chegou no torneio e de imediato se dirigiu a uma das quadras livres para treinar, juntamente com o Troicki que também jogaria naquele dia e ganharia do Bellucci. O treino é apenas para relaxar e esquentar as turbinas para o jogo. O treino é leve, sem muito compromisso e novamente acompanhado por um sem número de pessoas que disputavam espaço para tirar fotos do sérvio e quem sabe conseguir um aceno do n. 01, que neste momento, não deu muiro espaço para o público e conversava bastante com seu técnico M. Vajda. acho apenas que o sérvio não contava que a Azarenka iria se enrolar com a Brianti e atrasar o início de seu jogo.

O jogo da Azarenka com a Brianti terminou quando a Bielorrussa fez seu 1 game no segundo set, após salvar dois ou três breaks. Ali, naquele momento, a n. 01 botou a cabecinha no lugar, percebeu a tática da italiana que consistia em eslaciar a bola com a esquerda, abaixando ao máximo a bolinha, tirando peso e velocidade, correr muito e esperar o erro da Azarenka, para controlar a partida e escapar da derrota que passou perto. Acredito que se a italiana tivesse consumado a quebra e feito 5×0, dificilmente a Bielorrussa espantaria a zebra. Enfim, não conseguiu, a n. 01 conseguiu controlar seus ímpetos espancadores de bola, variou um pouquinho o jogo, ganhou confiança e destruiu a Brianti, que estava em seu limite.

Depois desse jogo teve o jogo da Na Li, na quadra central mas que não teve muita graça, a chinesa não deu sopa para o azar e, para minha infelicidade acabou logo o trabalho. digo infelicidade porque o Jogo do Djokovic começou praticamente ao mesmo tempo em que o jogo do Bellucci começava lá na quadra 03, no cantinho do complexo de RG, dividindo as atenções do público com a quadra 02 a qual a mesma divide, digamos assim, suas estruturas.

Escolhi assistir ao jogo do Djokovic até porque apostava que o jogo do Bello, ao contrário do jogo do sérvio, seria longo…

Do jogo do Djokovic não há muito o que falar visto que jogo mesmo só houve no 1 set quando o italiano, não sei porque, acreditou que poderia ganhar do sérvio e jogou em altíssimo padrão, para os seus padrões e, de fato, incomodou Djokovic que venceu apenas porque procurou se manter no jogo, ficar focado e esperar a chance. Quando esta apareceu, babau, game, set e match.

O fato é que o jogo do sérvio não me surpreendeu e nem encheu os olhos, foi um jogo burocrático e sem grandes lances de emoção ou grandes bolas por parte do sérvio. De toda forma, acho que o sérvio jogou apenas o básico, o suficiente para ganhar a partida em três sets, mas por essa primeira rodada não me pareceu jogo de um favorito ao título. Aliás favoritismo esse que é bem pequeno em Paris. No torneio, não há quem não aposte em Rafael Nadal, sejam torcedores ou até mesmo os jovens que trabalham no torneio. Um deles inclusive me disse que não há nada nem ninguém que possa tirar o título de Rafael Nadal, no qual eu retruquei e lhe disse na lata, e na cara de pau também: “vc está enganado, observe um brasileiro, o nome dele é Thomaz Bellucci e este pode derrubar Nadal em RG (deveria ter ficado calado, eu sei)”.

No jogo do Djokovic o que me chamou atenção porém foi o final, o momento das entrevistas do vencedor, quando o Djokovic, tentou ganhar o prúblico respondendo as perguntas em um franco-sérvio de dar dó, o público francês, porém, apaixonado por sua língua e por suas “coisas” foi a loucura e aplaudiu bastante a tentativa do sérvio em se expressar em francês. Caso pensado e ponto para o sérvio, ganhou ainda mais a simpatia dos franceses. Para ele que pretende ir longe, ter o apoio do público é sempre uma boa estratégia.

Terminado o jogo do Djoko corri para pegar a partida do Bellucci sem muitas expectativas até porque a última informação que eu tinha era que o brasileiro estava perdendo o 3 set por 5×2. Entretanto, na fila para entrar na quadra fui informado por outros brasileiros que o Bello tinha virado e vencido o 3 set por 7×5 e estava começando o 4 set. Pensei: “O cara que vira um terceiro set perdido como o Bellucci virou, inicia o 4 com a confiança nas alturas, não perde esse jogo”. Passei cerca de meia hora na fila e quando subi para ver o jogo o 4 set estava 4×0 para o Troicki, sinceramente não acreditei, achei demais, até para os padrões Bellucci. Resolvi então ficar quietinho, não me aventurar muito em torcer e apenas assistir o jogo e, realmente não dá para acreditar. Vendo o jogo do Bellucci é nítido que ele tinha muito mais bola para ganhar o jogo, suas bolas são muito pesadas, a direita é firme e a esquerda, apesar de não estar no mesmo padrão, não é de passar fome, então sinceramente não vejo justificativas para perder um jogo daquele.

O Troicki não é bobo, faz tudo certinho, mas não faz nada demais, talvez faça o óbvio que o Bellucci não faz: Não erra e, ao contrário do brasileiro, luta mais e é mais concentrado em quadra, não se desvia com bobagens.

Ouvi alguns dizerem que não faltou luta ao brasileira e que a derrota deve ficar na conta dos erros e do cansaço do brasileiro. Desculpem não foi o que eu vi, pelo menos a parte que vi. Minha mulher que estava comigo e que não é exatamente uma entendida de tênis, para vcs terem uma noção do seu nível de entendimento ela me perguntou se o Nadal já ganhou alguma vez RG, percebeu que o Bellucci simplesmente desistia dos pontos no meio deles, bastava o sérvio alongar um pouquinho mais a bola ou angulá-la um pouquinho mais. Mas eram bolas, nitidamente defensáveis, alcançáveis. O brasileiro alegou cansaço, após os jogos. Não sei, não quero fazer tal julgamento até porque Paris estava, de fato muito quente nestes dias, mas o fato é que alguns aspectos do Bellucci, mereceriam uma melhor reflexão. Não foram poucos os pontos em que o brasileiro perdia e voltava sorrindo para o outro lado da quadra, olhando para o seu técnico que estava bem na minha frente e muito próximo do brasileiro (a quadra é bastante pequena). Para mim tal comportamento não é condizente com o comportamento de um profissional e eu se fosse seu técnico perguntaria qual o motivo da graça? A parte do jogo que assisti foi de baixo nível técnico, inclusive com alguns erros bisonhos, a maioria a cargo do brasileiro e que levaram risos para a platéia como em um smash fácil, em sua mão que o brasileiro, simplesmente deu um “balão” na bola ou em uma deixadinha que caiu lindamente no quadrado da quadra, dá própria quadra do Bellucci.

Ao final, deu para perceber o Orsanic sentado na arquibancada olhando para frente com as mãos segurando o queixo e o olhar perdido, enquanto todos os presentes deixavam a quadra. O Bellucci? saiu rapidinho, enquanto o Troicki fazia sua festa.

Este, Cleto foram as minhas impressões de RG. Abços e até mais.


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segunda-feira, 28 de maio de 2012 O leitor escreve, Porque o Tênis. | 22:06

Eterno Retorno

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Como vários leitores e amigos tiveram a cortesia de postar e enviar seu suporte sobre o término de minha parceria com a ESPN, tomo a liberdade de postar abaixo, com a devida autorização,  o email enviado pelo leitor Martin H, já conhecido e admirado nestas paragens, sobre o assunto. Achei que com sua sempre afinada escrita traduz bem o que tanto eu como meus leitores vem colocando sobre assunto.

Cleto,

das poucas coisas que ouso dizer, sem ter minha boca azedada em falsa modéstia ou presunção (dois males capiciosos de mesma raiz), é que sou um bom leitor. Já li bem e bastante. Dentre as coisas que li, lembro de ter fulgorado um pouco mais minha puberdade – por definição, já cheia de suas próprias agitações – com o romance “A Insustentável Leveza do Ser”, especialmente nas suas primerias páginas, nas quais Kundera fala do mito do eterno retorno. Já li coisas melhores, inclusive sobre o tal mito. Mas não lembro de nada que tenha lido cujas primeiras páginas tenham prendido tanto minha atenção como aquelas primeiras páginas desse romance, motivo pelo qual as digitei e guardei comigo.

Há tempo não lembrava daquelas palavras. Teu post “Círculos”, que li há pouco, me fez retornar, com velocidade, a elas, o que foi retornar um pouco àquela minha puberdade também.

De fato, há qualquer coisa de incomum nesse mito, que é a encruzilhada a que eles nos leva: tomamos partido do passado e do futuro – pois o círculo, nunca a linha!, do ontem e do amanhã irá sempre nos deter em seu raio –, ou tomarmos partido do agora – o que não deixa de ser um grito clamando por liberdade?

Hoje, nessa tal encruzilhada, fico com o agora. A certa tristeza do agora. A tristeza do agora de um Roland Garros calado da voz com que lhe costumei ouvir. Um Roland Garros triste porque dimensionado em quatro linhas. É que eu, naquela voz de Roland Garros, o ouvia sem dimensões.

E é por isso, na esperança de encontrar a voz que não ouvirei, tal como num protesto gandhiano, farei uma greve. Em satisfação que sequer lhe conviria, Cleto, digo-te que, nesta minha casa, Roland Garros será transmitido, a partir deste triste agora, mudo.

Um grande abraço,

Mártin

P.S.: deixo-te com aquelas primeiras páginas que digitei daquele romance, às quais fui remetido, de imediato, pelo teu post:

Kundera, Milan. A insustentável leveza do ser. Tradução de Tereza Bulhões Carvalho da Fonseca. 68ª Impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983, p. 09-12:

1

O eterno retorno é uma idéia misteriosa, e Nietzsche, com essa idéia, colocou muitos filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir tal com foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato?

O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida que vai desaparecer, de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não têm o menor sentido. Essa vida não deve ser considerada mais importante do que uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte através de indescritíveis suplícios.

Será que essa guerra entre dois reinos africanos do século XIV se modifica pelo fato de se repetir um número incalculável de vezes no eterno retorno?

Sim, certamente: ela se tornará um bloco que se forma e perdura, e sua tolice será sem remissão.

Se a Revolução Francesa devesse repetir-se eternamente, a historiografia francesa se mostraria menos orgulhosa de Robespierre. Mas, como ela trata de uma coisa que não mais voltará, os anos sangrentos não são mais que palavras, teorias, discussões – são mais leves que uma pluma, já não provocam medo. Existe uma enorme diferença entre um Robespierre que não aparece senão uma vez na história e um Robespierre que voltasse eternamente cortando a cabeça dos franceses.

Digamos, portanto, que a idéia do eterno retorno designa uma perspectiva na qual as coisas não parecem ser como nós as conhecemos: elas nos aparecem sem a circunstância atenuante de sua fugacidade.

Essa circunstância atenuante nos impede, com efeito, de pronunciar qualquer veredicto. Como condenar o que é efêmero? As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina.

Não há muito tempo, eu mesmo fui dominado por este fato: parecia-me incrível, mas, folheando um livro sobre Hitler, fiquei emocionado diante de algumas de suas fotos; elas me lembravam o tempo de minha infância; eu a vivi durante a guerra; diversos membros de minha família foram mortos nos campos de concentração nazistas; mas o que era a morte deles diante dessa fotografia de Hitler que me lembrava um tempo passado da minha vida, um tempo que não voltaria mais?

Essa reconciliação com Hitler trai a perversão moral inerente a um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente perdido.

2

Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um número infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Que idéia atroz! No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Isso é o que faria com que Nietzsche dissesse que a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).

Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, nossas vidas, sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda a sua esplêndida leveza.

Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza?

O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.

Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes.

Então, o que escolher? O peso ou a leveza?

Foi a pergunta que Parmênides fez a si mesmo no século VI antes de Cristo. Segundo ele, o universo está dividido em duplas de contrários: a luz e a obscuridade, o grosso e o fino, o quente e o frio, o ser e o não-ser. Ele considerava que um dos pólos da contradição é positivo (o claro, o quente, o fino, o ser), o outro, negativo. Essa divisão em pólos positivo e negativo pode nos parecer de uma facilidade pueril. Menos em um dos casos: o que é positivo, o peso ou a leveza?

Parmênides respondia: o leve é positivo, o pesado negativo. Teria ou não razão? Essa é a questão. Uma coisa é certa. A contradição pesado-leve é a mais misteriosa e a mais ambígua de todas as contradições.

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sábado, 7 de abril de 2012 Copa Davis, O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:24

Direto do local

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O leitor, que se denomina O Bruxo, é claramente um tenista, não um sofasista, e residente de Rio Preto, local do confronto Brasil x Colômbia. Para nossa sorte está nos fornecendo notícias diratas do local do crime. Para nossa facilidade, transponho dos Comentários para cá.

Assuntos extra-quadra e aleatórios:

– Logo no início do jogo do Bellucci, e não sei se na transmissão da TV deu pra ouvir, um aviso curioso foi dado no sistema de som da quadra. Agentes de trânsito estavam multando e guinchando o carro de todo mundo que estacionou na entrada do clube. Não houve sinalização prévia nenhuma, nem aviso de nenhum tipo de que seria proibido parar ali. Rio Preto é uma cidade conhecida de longa data por presentear seus visitantes com uma variedade incrível de multas sacanas. Talvez seja a isso que a imprensa daqui tenha se referido ao comentar sobre a movimentação da economia local provocada pelo evento… Como consequência disso, a quadra ficou bem esvaziada nos primeiros games do jogo, pois boa parte da torcida foi acudir seus carros. Difícil dizer se isso contribuiu para o começo lento do Thomaz, mas é inegável que nesse momento do jogo tinha menos gente pra apoiá-lo.

– Em termos de alimentação, a coisa foi um tanto precária para torcedores comuns e não-privilegiados (leia-se: sem acesso aos recônditos chiques do clube). Entre os dois jogos, acabaram momentaneamente os salgados sem carne, algo um tanto incômodo em sexta-feira santa. Eu conheço os salgados, eram os mesmos que eu comia há 10 anos, quando treinei no clube por um tempo… Em compensação, sobrou cerveja (não farei jabá gratuito da marca, mas é das boas!), e teve gente que sofreu pra ir embora por conta do porre… (antes de mais nada deixo claro que saí sem maiores problemas de lá, hehehehehe)

– Provavelmente isso já aconteceu com o Paulo Cleto em alguma transmissão de um jogo tenso, mas o comentarista do Sportv foi uma atração a parte na cabine. No jogo do Feijão ele estava escondidinho, amuado, no cantinho da cabine. Assim ficou até o Bellucci começar a voltar no seu jogo. De repente, o cara levantou, vibrava, fazia sinal pro Thomaz e mandava a galera agitar de dentro da cabine. Mesmo o narrador e a produtora, mais contidos, se agitaram bastante e levantaram diversas vezes lá dentro. É extremamente interessante esse balanço entre o controle que é necessário para comentar em televisão e o lado torcedor que todo mundo que se envolve com o esporte deve ter.

– Os boleiros estavam meio lerdos e o rapaz do placar manual estava perdidão. A orelha deles vai esquentar…

– A torcida de Rio Preto, carente de eventos, e triste com o rebaixamento recente dos dois times de futebol da cidade para a terceira divisão de São Paulo, participou de forma muito ativa e até educada (já estive em duas outras Davis, então tenho algum padrão de comparação). Várias musiquinhas foram inventadas por alguns meninos, que treinam em clubes da cidade, e algumas delas embalaram a torcida toda. Ao contrário do animador de torcida oficial do Brasil, o cara do trompete, cujo nome esqueci, que participou no primeiro jogo e deu umas 3 sopradinhas só na batalha do Bellucci.

Acho que é só isso, abraços!


Enviado em 07/04/2012 às 1:07

De volta do Harmonia Tênis Clube, com o que foi esse primeiro dia de confrontos da Davis:

Primeiramente, hoje foi um dos raros dias de temperatura agradável e vento em Rio Preto. São Pedro resolveu não submeter nenhum dos times ao massacre térmico habitual nessa terra calorenta.

A quadra (originalmente a quadra 7 do clube), estava de fato mais rápida do que o normal. É uma quadra bem pequena, então bolas anguladas farão estrago (fica a dica para nossos jogadores, que batem mais enroscado que os deles).

No primeiro jogo o Giraldo me impressionou muito. Vendo-o pela tv, dá a impressão de que ele é um jogador travado, meio robotizado até. Nada disso. É impressionante o que o cara bate limpo na bola. Reto, fundo, sempre incomodando. Ele saca com bastante facilidade. É jogador pra ficar no top 50 por um bom tempo, se tiver cabeça (pelo jeito não tem… um cara que se afeta por ser chamado carinhosamente de “maricón”… lembro de uma Davis em Floripa, Brasil x Austrália, que a galera xingou o Hewitt de coisa infinitamente pior; mas o cara usou isso pra bater na gente… essa é a diferença). Com certeza o Giraldo vai incomodar muito o Bellucci no quarto jogo. Caberá ao Thomaz e à galera que está em Rio Preto tirá-lo do sério, isso pode funcionar.

Já o Feijão é um jogador carismático, envolvente pra caramba, que chama a torcida, tira força dela e interage com ela (olhando nos olhos dos torcedores quando recebe apoio), mas vai ter que trabalhar duro na carreira, e seu estilo merece uma análise mais detalhada:
Ao contrário do Giraldo, o Feijão faz uma força tremenda pra bater na bola, e a bola dele anda bem menos do que poderia andar. A mecânica dele, em TODOS os golpes, é excessivamente elaborada. No saque isso não faz tanta diferença, porém, há um detalhe que merece atenção. Como eu estava bem no rumo da linha de fundo, no setor coberto, pude ver aonde cada jogador coloca o arremesso pra sacar. O do Feijão é o que menos invade a quadra. Mesmo assim, ele chegou a sacar a 226km/h (o mais rápido de todo o dia). Com pequenos ajustes no toss, ele pode virar um sacador espetacular.
No forehand, dois detalhes: o movimento dele é muito grande, o que faz com que ele muitas vezes perca o tempo da bola; e ele gera velocidade demais na cabeça da raquete, e na vertical. Seria interessante uma abreviação da armação no forehand e um ajuste de raquete para que ele possa transferir melhor essa velocidade da cabeça da raquete para a bola (ou colocando peso na cabeça da raquete, ou até usando uma raquete de cabeça maior, para que ele tenha maiores chances de pegar bem na bola). Esses “defeitos” fazem com que ele espalhe muitos forehands e deixe-os curtos na maioria das vezes.
O backhand é um pouco mais curto, mas ainda não o suficiente para aguentar jogos mais rápidos. Também achei que ele não consegue puxar spin o suficiente para se defender, tendendo a bater bem reto quando está na corrida ou quando é empurrado para trás. Outra coisa que notei é que ele tende a bater o backhand bem mais “em pé” do que o forehand. Bolas baixas na esquerda o machucam.
O que talvez mais mereça atenção, uma vez que é bastante complicado mexer com a mecânica de um jogador formado, é a movimentação do Feijão. E aí está a maior deficiência dele (e, felizmente, a mais fácil de corrigir com treinamento). Ele se locomove lateralmente sempre com passadas grandes, e raramente dá aqueles pequenos passos laterais para ajustar sua distância à bola. Isso o deixa em dificuldade com bolas mais rápidas, fazendo com que ele atrase algumas batidas. Porém, com treino específico, isso pode melhorar bastante.
Depois dessa autópsia do jogo dele, é preciso ressaltar que mesmo com todos esses detalhes, ele está batendo na porta do top 100. Isso inegavelmente é prova de grande potencial. Um Feijão bem trabalhado pode nos dar muitas alegrias futuras, especialmente na Davis, pois hoje, interagindo com a galera, ele mostrou que tem DNA pra essa competição.

O jogo do Bellucci com o Falla foi uma montanha-russa muito louca. No primeiro set, o Bellucci começou devagar o jogo, errando forehands seguidos. Nisso o Falla foi ganhando confiança até que, entre o meio do primeiro set e o final do segundo, ele jogou um tênis de altíssimo nível. O Bellucci estava enterrando saques a mais de 200km/h o tempo todo, e o cara simplesmente metia tudo de volta no pé do Thomaz. Não é a toa que esse cara quase tirou o Federer de Wimbledon. Nos dois primeiros sets, o Falla foi um MONSTRO devolvendo. Ele não errava devolução de PRIMEIRO saque, e um respeitável primeiro saque. Não tenho os números, mas dá pra contar na mão manca do Lula os erros não-forçados do colombiano nos dois primeiros sets. E tudo com bola funda, reta, pesada, limpa.

Porém, não dá pra jogar a noite inteira desse jeito. Se desse, o Falla tinha tirado o Federer de Wimbledon… O jogo do colombiano desmontou no terceiro set, e o Bellucci aproveitou esse set pra fazer 6×1, voltar a acreditar, fazer a torcida tirar a viola que já tinha enfiado no saco e, principalmente, deixar o Falla menos à vontade no jogo. Daí pra frente, o jogo foi bem equilibrado, o Falla melhorou em relação ao terceiro set, e o Thomaz ganhou o resto no coração. Ele teve várias dificuldades, começou mal a imensa maioria dos games. Teve game de saque que ele encaixou 1 primeiro saque em 10. Muitas vezes o Thomaz insistiu em paralelas de backhand que quase nunca entraram (e, coincidentemente ou taticamente, a maioria dessas paralelas veio no primeiro ponto de seus games de saque, por isso, muitas vezes, ele teve de erguer de 0-15). Mas ele teve culhão de ir para algumas bolas em momentos delicados, e isso deixou o Falla retraído e sem opções.

Sim, a galera foi junto com o Bellucci e ajudou a fazer essa vitória acontecer. Mas o mérito disso é sempre do jogador que se coloca em posições de poder voltar nos braços da torcida. Então, resta ao pessoal que gosta de bater gratuitamente no Thomaz respeitar o que o segundo melhor ranqueado da história do tênis masculino do Brasil faz em quadra. Ele virou um jogo que estava PÉSSIMO pra ele.

Então respeitemos mais uma vitória do Bellucci com a torcida! Tenho certeza que a superlotação da quadra se repetirá no sábado e no domingo, e ajudará nossos jogadores a tentar ganhar um confronto que certamente é mais duro do que muitos de nós imaginávamos, pois os colombianos jogaram demais nessa sexta. Porém nossa galera jogou muito também!

Amanhã tem a dupla, estarei lá, com o pouco de voz que me resta! Vou encerrando, pois o resumo do dia ficou grande demais. Mas foi um grande dia pra quem adora tênis!

Abração e boa noite!


Cheguei das duplas!

Primeiramente, os assuntos aleatórios:

– Quem pagou mais barato se deu melhor! A arquibancada não pega sol na cara, toma um ventinho e não cozinha, não pega fila pra entrar (seguraram o pessoal do camarote uma meia hora antes de entrar), e não senta em cadeira menor que a bunda; fora o fato de que a galera é mais animada e não tem bêbado chato que pensa que pode gritar o que quiser só porque tem uma pulseirinha VIP e é sócio do clube sede. Hoje teve gente querendo aparecer mais que os jogadores na quadra…

– Surpreendente o número de camisas de times de futebol do interior de SP nas arquibancadas, vi gente com camisas do Paulista de Jundiaí, Grêmio Catanduvense, Rio Preto E.C., e teve até uma bandeira do Botafogo de Ribeirão (sem contar as que eu não consegui identificar). Isso é para aqueles que desejam a morte dos times caipiras! (PS: fiz minha parte futebolística ontem, com uma camisa verde e amarela com o escudo do meu querido Santos; na cidade, sou Rio Preto, e há simpatia também pelo Catanduvense, de minha cidade natal, e que tem uma bruxinha de mascote, e pelo Guarani de Campinas, cidade aonde estudei e vivi os melhores anos de minha vida).

– Festinha social da Davis: 150 pila a entrada, seco (nada de open-bar). Vai encarar?

– Presenciei um milagre musical hoje: Na cidade onde vigora uma ditadura do sertanejo em todas as suas vertentes (moda de viola, música raiz, sertanejo universitário, breganejo e cornomusic), o hit nas arquibancadas foi “Elas estão descontroladas”. Graças ao arremesso de raquete do Farah e aos chiliques do Cabal! Meus ouvidos agradecem a variação!

– Sim, eu vi. O comentarista do Sportv rebolou até as calças quase caírem. Figuraça! Taí um cara feliz!

– Thiago Alves, Feijão e Thiago Monteiro puxaram a galera pra fazer barulho o tempo todo. Agitaram pra caramba!

Sobre o jogo em si:

Eu adoro ver jogo de dupla. É tênis instintivo, de toque, de VOLEIOS (quando eu jogava eu adorava enfiar a cara na rede o tempo todo, não tenho saco e nem físico pra correr e passar bolinha). É tênis de reflexos. É tênis diversão. Nada de ralis intermináveis, maratonas ou vitórias no físico. Ganha a dupla que reune os melhores tenistas, e pronto!

Nossa dupla entrou ligada no 220 e não desligou nunca! O Marcelo Melo não errou um voleio até o game no qual teve seu saque quebrado. E foi inteligente ao aproveitar o fato de que a quadra 7 do Harmonia Tênis Clube é pequena e estreita. Isso te dá duas opções nos voleios altos: ou você crava pra baixo e encobre a quadra, ou você crava pros cantos, angulando bem. Inclusive teve um ponto onde rolou uma polêmica, pois a bola foi na direção de alguém da nossa delegação, lá fora da quadra e ele desviou a bola, já fora dos limites da quadra. Os colombianos chiaram, mas o Cabal não chegaria naquela bola, mesmo se não tivesse nada para impedi-lo. Quanto à técnica, o saque dele tem um defeito, que tira muito da eficiência esperada nesse fundamento em um cara de mais de 2 metros. O arremesso dele fica longe demais do corpo, o que faz com que ele busque demais a bola na frente. Quando você pega a bola muito na frente, aparecem duas tendências: a de sacar muito pra baixo e mandar na rede, ou a de não conseguir escovar a bola o suficiente para pegar efeito no segundo saque, então você fica com um segundo serviço mais flat (e lento o suficiente para ser atacado) e mais errático, pela falta de efeito. Quem viu Jaime Oncins sacando nota uma certa semelhança. Apesar de uma pequena queda de nível no segundo set, o mais alto de nossos duplistas manteve as devoluções afiadas o tempo todo, e se recuperou a tempo do passeio no terceiro set.

O Bruno Soares foi a personificação da categoria. Saques bem colocados, devoluções precisas, dobrando e esticando os colombianos igual sanfona. Voleios limpos e um lob melhor que o outro. O pessoal tinha que ir embora, comprar outra entrada, e voltar. Uma entrada para o jogo e outra para a aula de duplas que o Bruno deu. Ganhou até homenagem especial, com o grito de “Au au au, o Bruno é animal”.

Robert Farah é sacador. Meteu um a 224km/h. Tem uma mecânica muito boa para sacador e voleador, com arremesso lá na frente, inclinação do tronco lá pra frente e movimento abreviado de cabeça de raquete. Só que na rede, ele deixou seu parceiro vendido muitas vezes ao se adiantar e cruzar antes da hora, o que arreganhava a paralela para os brazucas socarem as devoluções. Teve um incidente com ele, que ao tomar um voleio por cima da cabeça, atirou a raquete, que foi na direção dos brasileiros e bateu na rede. Apesar de ser complicado julgar intenções, o negócio foi bem na minha frente e pareceu deliberado. Quando a bola passa por cima da sua cabeça, você joga a raquete pra cima, não para a rede e na direção de um oponente (se eu não me engando, foi na do Bruno).

O Cabal sacou fraquinho, com movimento grande e sem profundidade. Somado ao parceiro que telegrafava as intenções na rede, isso resultou em apenas 1 game de saque confirmado por ele. O resto ele faz direitinho: devolve legal, voleia decentemente, antecipa bem. Até sabe jogar, mas perdeu a cabeça em alguns momentos, e a galera pegou no pé sem dó.

Mesmo com o placar folgado, o jogo foi intenso e muito veloz. Tão rápido que exigiu muitas vezes voleios de duas mãos, uma blasfêmia para os puristas do tênis e uma necessidade, tamanha a rapidez das bolas e a qualidade dos voleadores. Nenhum dos quatro voleou mal e nenhum dos quatro alisou a bolinha. Foi hardcore o negócio!

2X1 pra gente. Mas amanhã tudo pode acontecer. Pode acontecer de o Bellucci jogar o que pode e ganhar. Pode acontecer do Giraldo perder a cabeça e o jogo. Pode acontecer do Giraldo continuar espancando a bolinha e ganhar do Thomaz. Pode acontecer do Thomaz não estar um um bom dia…

Caso não fechemos no quarto jogo, o Feijão tem condições de ganhar do Falla. Não esperem que o colombiano deslanche. Se o Feijão jogar bem, ele subirá o nível. Se o Feijão jogar mal, ele não vai dominá-lo. Acho que se o Feijão se manter positivo, envolver a torcida como sabe fazer, ficar sempre perto dele no placar, e dar corda, errando pouco e sustentando os ralis, o Falla não capitaliza. Foi assim com o Federer em Wimbledon. Foi assim com o Bellucci ontem. Tomara que, se necessário, seja assim amanhã também, contra o Feijão. As evidências estão contra o Falla, não contra o Feijão, que é relativamente virgem em momentos de decisão como um jogo importante ou um último jogo de confronto de Davis, o que ele faz com que ele não tenha fantasmas do passado a assombrá-lo…

Aula de tênis hoje, emoções a vista amanhã. QUE FINAL DE SEMANA!!!!

Abraço a todos!


Boa noite amigos do blog!

Não fiquei para o quinto jogo pois tenho viagem amanhã cedinho e quero aproveitar esse tempo pra fazer as malas!

Outros assuntos aleatórios:

– Algo que me deixou um pouco chateado. Cheguei com meus pais (ambos idosos) cerca de 70 minutos antes do confronto. Na portaria do clube, nós e outros torcedores que vieram de lugares distantes como Campinas e Londrina fomos barrados por meia hora (na porta do clube, não na porta da quadra, ou seja, na rua). Fui o primeiro a entrar no clube para ter acesso aos camarotes.Ao chegar lá, estavam sócios do clube já ocupando lugares nos camarotes comuns e, pior, vários abanadores de uma das patrocinadoras da Davis marcando lugares para outros sócios que chegariam depois do público geral. Quando os outros torcedores dos camarotes chegaram e foram aos assentos marcados, os mesmos sócios que estavam lá repreenderam esses torcedores, de forma não muito gentil. Apesar de concordar com alguns privilégios aos sócios do clube-sede (que puderam comprar suas entradas antes de todo mundo), que fosse feito um setor específico para que eles tenham seu lugar garantido, e não levando vantagem em cima de gente que viajou e fez esforço pra estar lá. Para mim é chato falar mal dessa organização, uma vez que conheço gente muito boa do Harmonia, mas errado é errado em qualquer circunstância.

– Sim, consegui ir à baladinha da Davis! Meu ingresso me dava direito, então enfiei a cara e fui. Cheguei por volta das 10 da noite e presenciei a saída dos jogadores colombianos de lá, nesse mesmo momento. A equipe do Brasil já tinha saído. Foi beleza! Muita mulher bonita, a fina flor da cidade. Tudo muito bom (exceto pelo som, alto demais e com microfonia). Terminei muito bem a noite de sábado ;)

– Certamente houve superlotação. Foi possível ver cambistas vendendo entrada nos arredores do clube. E mesmo assim sobrou gente na arena. Não adiantava pedir para não sentar em escada, pois não cabia mais ninguém em lugar nenhum. Simplesmente gente demais e arquibancada de menos.

– Os times do interior voltaram com tudo! Apareceu bandeira do América de Rio Preto e do Guarani. Inclusive haviam dois torcedores do Rio Preto sentados ao lado do torcedor do América, e fazendo barulho juntos, e em paz (não conheço nenhum caso de briga entre torcedores do diabo e do jacaré aqui, apesar da rivalidade entre os dois clubes, o que é exemplo para o país).

– O tempo assustou no começo da tarde, mas melhorou maravilhosamente até a hora da competição!

– Hoje quem comandou o agito da galera foi o Augusto Laranja.

– Durante todo o confronto a circulação de pessoas nos intervalos foi mal coordenada. Muita gente entrava na virada de quadra (que não é intervalo) entre o primeiro e segundo games dos sets, o que causou alguns contratempos aos jogadores no começo dos segundos games.

– O interesse pela Davis em Rio Preto não foi só dos ratos de quadra que lotam os clubes da cidade (Harmonia, Monte Líbano, Palestra, Automóvel Clube e AABB). Muita gente que sequer sabia as regras ou a contagem do tênis foi lá prestigiar e apoiar. O que eu tive que explicar de coisa de tênis para várias pessoas foi uma grandeza. O povo de Rio Preto merece os parabéns e também merece novas chances de sediar a Davis em eventos futuros! Para quem conhecia o clube, foi impressionante o trabalho feito para botar a arena naquele lugar, naquelas condições, e também para deixar a quadra melhor para o estilo de nossos jogadores. Valeu Rio Preto! Não foi perfeito, mas foi bem melhor do que o esperado!

Bellucci x Giraldo:

Sei que muita gente vai falar depois desse comentário: “Falar depois que aconteceu é fácil”. Mas depois do primeiro bate-bola do aquecimento eu tive a absoluta certeza de que o jogo seria do Thomaz. Por uma razão simples: o Giraldo desde a primeira batida não estava sentindo bem a bola. O Thomaz, por outro lado, estava soltíssimo no aquecimento em quadra. E isso foi muito claro e nítido. Provavelmente o Thomaz, que já entrou focadíssimo no jogo, percebeu isso.

Existe uma alternativa para aqueles dias no qual você não sente direito a bola, ou tá sentindo que a coisa tá estranha. Use o começo do jogo para trocar um monte de bolas até voltar a ter confiança nos golpes. Foi o que aconteceu com o Guga na final de Roland Garros contra o Corretja. Ele trocou bolas até o terceiro set, de onde ele deslanchou para o tri.

Não sei se isso foi intuitivo ou se foi estratégia prévia do Thomaz, mas ele começou o jogo a milhão, acertando tudo o que tentava, enquanto o Giraldo fechava com o inferno. Foi um primeiro set quase irretocável do Thomaz, onde ele não deu chance pro Giraldo pegar qualquer ritmo.

No segundo set, o Giraldo teve a chance de tentar trocar bolas para buscar timing e um feeling melhor da bola. Mas não é a dele ter paciência e controle emocional para investir nisso. O Thomaz foi firme quando precisava, e o Giraldo sucumbiu ao seu mau dia e à sua péssima cabeça lá no tie-break. A essa altura, o Giraldo já tinha batido várias vezes nas cordas da raquete, o que confirmou minha percepção inicial de que ele não sentia bem a bola.

Era questão de tempo para o colombiano cair. Só seria necessária uma quebra para a cabeça dele ir de vez pra cucuia. A quebra veio, e daí em diante o Thomaz jamais olhou pra trás. Depois da quebra, saí dos chatos camarotes e fui lá pro meio da arquibancada fazer a festa! E a festa não demorou pra começar!

A equipe toda se virou para o povo das arquibancadas, que foi quem fez a diferença na torcida, e celebrou virado para eles com uma bandeira enorme do Brasil! Justo! Coisa linda!

Páscoa é época de chocolate, que foi doce como o Thomaz e o Brasil mereciam e amargo para os colombianos! Que jogos do Bellucci! Que belíssima dupla temos! E quanto ao Feijão, três coisas boas: sobra potencial no garoto, ele tem cara de Davis e o que precisa ser corrigido nele está muito claro e é corrigível.

Que vitória do tênis brasileiro! E isso não é pachequice! Sejamos um pouco mais justos e vamos dar um pouco de valor aos tenistas que temos, que derrotaram uma equipe cujos singlistas estão entre os 60 do mundo, e cujos duplistas estão entre os 70. Não batemos em time pequeno! A Colômbia em breve estará no grupo mundial.

E o Brasil tem tudo pra conseguir. Que tenhamos um sorteio favorável na quarta-feira!

Agradeço a confiança do Paulo Cleto nas minhas informações daqui de Rio Preto! E, puxando a sardinha pro meu lado, até que minha cobertura deu sorte!

Um abração a todos e até a próxima!




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segunda-feira, 19 de março de 2012 O leitor escreve | 17:44

Nada de nada

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Sim, invisto parte de meu tempo construindo e escrevendo Posts que pretendem, acima de tudo, mostrar um caminho, sugerir ideias, antes de forjar verdades. Alguns leitores aquiescem, outros contra propõe e ainda outros esperneiam. E aí vem o tal do Glads entornar todas suas dúvidas cartesianas, adornadas pelo mais singelo delírio marqueziano, lançando sua pitada de caos, talvez com a camuflada ou inconsciente intenção de nos confundir e iludir. Com alguma preocupação de conteúdo e o aparente descaso pela forma ele me deixou, para o meu deleite, o comentário logo abaixo na caixa.

Eis ai no cabeçalho mais um ser que sucumbe à impaciência na proporção que o tempo passa.

Esta semana tirei para analisar se os saberes alheios estão vindo aos borbotões e como nunca, se os meus se foram, ou se nunca existiram.
Também pairou na reflexão uma controversa certeza se o saber é coisa a revelia no vento, e poder pega-lo ser uma questão de nascer com a agilidade de um esquilo.
Estou confuso, sinceramente!
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A cada dia de tênis as analises desfilam por aqui. Equações extensas garantem que o resultado de alguma partida foi culpa do quatro a quatro, do dois três afetando o set, do set que azedou o outro, do slice abandonado a própria sorte, da rede ser do peixe, a bola do boleiro e a concentração do médium.
Também leio que o saque do João poderia ter matado o Pedro, o drive do Chico ter matado o Zé, e que o Bastião não matou o Serjão no seu revés suicida.
E leio ainda o vento que sopra, o Diabo que conspira ou o Deus que abandona.
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E meio través na prosa, outra questão na semana:
Onde e quando o Karlovic sacou sendo o primeiro, segundo, terceiro, quarto ou mesmo quinto do mundo? Onde e quando o drive fulminante do Gonzalez ou do Baghdatis lhes conferiu a chancela de top cinco, pelo menos?
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E noutro través, em que momento do ultimo confronto, o Federer (isso é só um exempl-ôôôô!) sentiu a cócega da derrota tendo de aturar as virtudes extraordinárias e bombásticas do Bellucci? Ou mesmo ontem, em qual centelha de segundo o mesmo Federer percebeu perigo no saque Deus-me-Acuda do Isner?
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Sonhar é bom, mas com um extintor ABC por perto!
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Meu santo Phósforo! Pratico este esporte a vida toda, e se consideradas as minhas prioridades e pretensões em outros afazeres, garanto jogar muito bem.
E por faz-lo bem é que afirmo, assim quem também o pratica com um mínimo de tutano pode afirmar, que entrar na quadra pensando em explorar essa ou aquela falha do adversário, até o boleiro sabe fazer o e faz.
Ver a coisa é fácil. Analisá-la, mais ainda, mas entendê-la é outro pulo.
Como exemplo, citemos o revés falho do outro estando lá, escancarado e pedinte, e de cá na quadra estarmos prontinhos enquanto a bola vem chegando, o nosso posicionamento preciso feito bússola, o nosso corpo em base plantada, assim como a preparação do golpe estilingada.

E daí? Nada de nada!

Lá no fundo dos intestinos mora um zumbi mandão que vem, e justo nessa hora, nos dizer que ainda não é o momento, ou de lá mesmo um outro nos buzinando errar a bola, um terceiro nos garantindo que a maldita vai voltar no dedão, ou até um quarto atravessa as tripas e vem exigir adiar a intenção, simplesmente.
E se nenhum desses malditos der conta de nos abalar, vem ainda um quinto zumbizão e nos trava os braços.

E nisso tudo, ontem a coisa piorou. Assistindo ao jogo, enquanto a profundidade era imputada ao simples, esperei ser derramado pelos alto-falantes da tv um panorama tênis e arte onde Van Gogh seria censurado por não ter dado ao amarelo um espaço ao vermelho-obscuro de Goya, que Goya fora incapaz do azul de Picasso, e que Picasso fora um boçal ao desfilar todas as cores.
Mas ouvi doído foi uma analise tosca e sobre o tênis-tenis mesmo! Uma bola, na minha opinião a mais perigosa à um tenista imaturo, pingou no T de saque, vinda das mãos do Federer. O coitado do Isner teve a leitura de uma bola lenta mas não de uma bola morta, o que realmente era. Atacou e encheu a rede.
E então, o Comentarista: “ Há nãoooooo! O Isner errou uma bola fácil demais! .”
Surpreendentemente, naquele momento não fora contestado o talento do tenista como sendo um Goya, Picasso ou Van Gogh. Foi profundamente pior.
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Percebi que nem mesmo um bunker impede que um fio de Tv exalte, promova e fomente a futilidade que me lembrou iniciar essa escrita.

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quinta-feira, 15 de março de 2012 O leitor escreve, Tênis Masculino | 23:42

Vai lá

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Mais uma do Gabriel, direto de Indian Wells. Bom dia pessoal,

Hoje, mais um vez eu aqui em Indian Wells. O lugar é fantastico, ja falei isso ne? OK.

Ta certo que o Bellucci perdeu para o Federer, mas a bola continua por aqui. Vi o jogo deles na primeira fileira do lado de uma senhora, que por sinal, muito simpática e que segunda ela senta naquele assento há 15 anos. O Bellucci sem sombra de dúvidas sacou muito bem. É impressionante como o Federer não demonstra nenhuma expressão quando joga, independente de estar perdendo ou ganhando a partida. A não ser uns vamos ali e aqui que ele solta de vez em quando. A razão pela qual eu falo isso é porque o Federer perdeu o primeiro set 6×3 para o Thomaz e tava lá com aquela cara de paisagem, que ta tudo sob controle. Realmente o cara tem um controle emocional ímpar. Confesso que depois que o Bellucci ganhou o primeiro set eu pensei – Será? Mas depois logo no começo do segundo set o Federer se esforçou um pouquinho e o Bellucci titubiou ali e o Federer quebrou o Thomaz para dar mais ênfase naquela cara dele de ta tudo sob controle. Outra coisa interessante que eu achei foi o Federer sacando quando o sinal ficou amarelo, 0x30 4-4 no terceiro set, ele deve ter pensado, bom agora eu preciso sacar, foi lá e pá, deu 3 saques sem retorno do brasileiro. Não sei se pela tv deu para perceber, mas a torcida tava toda para o Federer, inclusive, por razoes obvias, os organizadores do torneio também. O Charles Passarel e o milionario da Oracle tambem estavam na primeira fileira perto de mim e estavam torcendo para o Federer assim como todos da quadra central. Tirando os brasuca marcando presença.

O jogo da polonesa que eu mais admiro foi digamos que interessante, coloquemos assim. Radwanska levou um chega pra lá. Tava difícil para ela. Não sei se foi a tal da virose que atrapalhou ela ou coisa do tipo, mas se não for tambem, fica a dica pra desculpa. Porque levar uma escovada dessa na frente de tantos assim deve ser vergonhoso, principalmente partindo de uma top 10. Dessa experiência, quem tem algo para contar para os netos é o Gaudio que tomou uma leva de 6-0 6-0 do Federer num desses final Masters.

Outro jogo legal de ver foi as duplas do Paes/Stephanek X Nadal/Lopez. Os quatro se divertindo em quadra e jogando serio ao mesmo tempo. Muito bom. A torcida estava meio dividida nesse jogo. Deve ter sido a simpatia e a beleza interior do Stephanek. Como eu vi o jogo na cadeira de traz do Nadal/Lopez, no final do jogo eu levantei e falei em espanhol para o Nadal antes dele ir embora que jogasse a toalha para o torcedor brasileiro, ai ele que estava uns 5 metros de mim pegou e jogou a toalha dele. Agradeci e depois quando ele ia embora falei que em 2014 quem vai ganhar é o Brasil e que ja basta para a Espanha, tudo em tom de brincadeira; ele riu e falou, vamos ver.

Uma coisa interessantíssima que eu achei e que muitos vão gostar de saber, é que enquanto o Nadal pedia sua pasta antes de jogar essa dupla que falei acima, estavam sentados nas mesas do restaurante a esposa do federer e as gemeas. Que ja estao bem grandinhas por sinal. E tem outra coisa, quem acha que ela é feia ou gordinha esta redondamente enganado, ela é muito bonita e tem sua beleza particular. Mas enfim, vamos ao que interessa e o que eu achei muito legal, o Nadal saiu com seu prato de macarronada feito na hora junto com um cara que desconheco e passando pela esposa de Federer e suas filhas com mais um pessoal que tava la, passando por ela, ele parou rapidamente e falou, oi Mirka, tudo bem? e deu tchau pras meninas, e a esposa do federer falou, oi rafa, tudo bem e falou mais alguma coisa la so que eu tambem nao vou ficar igual trouxa prestando atencao né? Mas achei super legal essa relacao deles, ele sorrindo e ela tambem, na maior descontracao junto com as pessoas que tavam sentadas la. Para a infelicidade de poucos, a richa mesmo só deve ser dentro de quadra mesmo.

Ontem o ultimo jogo da noite foi do Del Potro, depois que terminou o jogo de duplas do Nadal/Lopez no Stadium 2 fomos para a quadra central ver o segundo set do del potro, quando estavamos chegando nos portões a gente ia mostrando o cracha o senhor da portão falou que tinham liberado para todo mundo. Ou seja, festa generalizada. Eu particularmente, não sabia que isso poderia acontecer, mas liberaram para a galera ir na quadra central e sentar nas primeiras fileiras mesmo não tendo ingresso para tal. Para mim não fez diferença, mas teve gente que sentiu o ”drama” de sentar pertinho.

O Del potro tem uma direita que é muito rapida. Na televisao nao da para ver com clareza, mas ao vivo e de perto voce presencia como a direita dele anda, e anda muito.

Hoje teve Aninha, que coisa linda de se ver. E ainda voltando a jogar bem, muito bom. E só quem ganha somos nos, que testemunharemos com mais frequencia do seu sorriso encantador. Falando em coisa linda de se ver, hoje tem Sharapova tambem.

Mudando de assunto e nao tem nada a ver com coisa linda de se ver, hoje tem o Nadal nas duplas de novo, e os poloneses nas duplas tambem, nas simples tem tambem o isner e simon.

Espero que voces compreendam que nao fico revisando o que escrevo procurando a perfeicao da lingua portuguesa e muito menos tentando conectar ideias. Vou escrevendo na medida que vou lembrando. E tambem tem jogo rolando agora né? Mas espero que entendam e curtem as minhas aventuras. A intencao é eu me divertir e diverti-los tambem ao tentar passar um pouquinho do que acontece atras das cameras.

Vou la continuar a ver o Djokovic.

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O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:37

Direto de IW

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Mais uma vez o Gabriel nos envia suas aventuras direto da sala de imprensa de Indian Wells. É bom lembrar que o rapaz escreve em computador sem a nossa acentuação. Divirtam-se.

Oi pessoal,

Estou eu aqui em Indian Wells mais uma vez. Estou em aula normal, mas resolvi tirar essa semana de férias por conta própria. Já falei com meus professores e ta tudo tranquilo para eu curti o resto dessa semana aqui em Palm Springs.

Hoje o dia comecou bem, acabei de ver o Djokovic ganhar do Andujar. O jogo foi ótimo, especialmente porque o Andujar ganhou no tiebreak o segundo set para colocar um pouco mais de adrenalina nos fãns e um ‘‘Será?’’ na mente do público. Longe disso, terceiro set o Djokovic despachou mais um para Miami.

Esta quarta-feira é bem diferente de sexta, sabado e domingo passados. Menos pessoas na grama, nos bares e lojinhas. No restaurante dos jogadores nem fila tem mais. Uma boa parte do pessoal do torneio ja foi embora. Mas nao pensem que o lugar ta vazio nao, tem gente que nao acaba mais aqui. So que comparando com o ultimo final de semana, é visivel o menor numero de pessoas que tem aqui em Indian Wells. Ate porque estamos no meio da semana e muitos trabalham. Porem, os organizadores esperam um aumento de publico significativo amanha e no resto do final de semana.

Nunca vi um grandslam ao vivo, mas a estrutura de Indian Wells é coisa de outro mundo para mim. A quadra central é enorme, 16 mil lugares. As suites sao bastante luxuosas, com banheiros, sala, bar, servico de suite e tudo mais. Os magnatas fazem a festa e estao praticamente em casa aqui, o servico é de primeira. Esse lugar é magico, parece ate um parque tematico de tenis. Um tempo muito bom, varios bares com teloes mostrando os jogos em todos os lugares, quiosques oferecendo bebidas e comidas em todas as partes tambem. E o mais legal e interessante que eu achei foi um telao em que fala o numero da quadra de tenis e quem esta treinando nela. E falando em quadras de treino, quem nao tem os tickets que sentam pertinho das quadras, vale a pena conferir para ver os jogadores de pertinho.

Na suite da imprensa outra estrutura de ficar impressionado. Dezenas de cabines com tomadas para carregar laptops, televisoes de plasma com imagens de todas as quadras individualmente, ou ate mesmo todas na mesma tela. Me impressionou tambem o fato dos jornalistas terem a sua disposicao as estatisticas de todos os jogos e muitas outras informacoes sobre o torneio. Tem tambem frutas, bebidas e os famosos donuts americanos a disposicao tambem.

Hoje o dia tem Nadal logo depois do jogo da Radwanska (minha preferida) contra Azarenka, que estao aquecendo enquanto escrevo para voces. Depois nosso Bellucci contra o recordista de grandslam Mr senhor o cara Federer. No jogo do bellucci é so proucurar uma bandeira do Brasil que la estarei torcendo para o brasileiro.

Outro jogo bom que acontece no Statium 2 é o Tsonga e Nalbandian, mas é no mesmo horario que o Nadal. Acho que fico com o Tsonga e Nalbandian. Ambos que ja estao no aquecimento.

Nas duplas, o melhor jogo vai ser os Bryan, que por sinal fizeram um show com sua banda aqui em indian wells no palco que tem perto dos restaurantes e bares contra os Poloneses duplistas.

Otima semana, bons jogos e lembrando que hoje é o dia da Corona. Ano passado nao pude participar, mas esse ano tenho 21 anos recentemente completados, quem sabe nao degusto de um copo de uma cervejinha gelada assistindo o Tsonga e Nalbandian nas primeiras fileiras. Acho que estou merecendo.

Bom, vou dar mais atencao no jogo da Radwanska com a Azarenka.

Abracos a voces que ficam pois o dia promete aqui para mim.

Gabriel Dias

Ele dentro e os outros fora.

Maria. Vista privilegiada.

Invadindo as malvinas.


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segunda-feira, 12 de março de 2012 O leitor escreve | 00:40

Direto de IW

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Mais uma vez o leitor Gabriel Dias nos brinda com sua participação, enviando notícias e fotos direto de Indian Wells. Como já é tarde e cheguei de minha viagem agora, vou postar o Gabriel, dormir e amanhã estarei de volta. Divirtam-se

Bom dia pessoal do Blog,

Bom, para voces que ja acompanham o blog do paulo cleto há um bom tempo, ja devem me conhecer. Moro nos Estados Unidos, California desde agosto de 2009 e venho acompanhando Indian Wells desde entao. E sempre mandando minhas aventuras aqui no torneio de Indian wells, e sempre me divirto ao compartilhar minhas emocoes com voces.

Para voces que nao conhecem bem, Indian Wells é basicamente o destino certo para os milionarios americanos quando aposentam. Um lugar onde o clima é super favoravel, ceu aberto, muito luxo e nunca neve. Um paraiso assim, entítulamos.

Hoje o dia foi super produtivo e interessante. Assiti varios jogos na companhia de mais seis brasileiros amigos meus. Nesta sexta feira assistimos o jogo do Baghdatis, do Nalbandian, Bellucci e Azarenka de simples. Nas duplas eu vi o Fish/Roddick contra o Gronollers/Mayer e o Nadal/Lopez contra o Zimonic/Llodra.

O jogo do Bellucci foi o mais legal. Acho que pelo fato de termos a mesma nacionalidade sobe um pouco a adrenalina e acabamos nos envolvendo um pouco mais na partida. O bellucci dominou o jogo o tempo inteiro. Sacando bem e colocou o grandao do tcheco pra correr. Quando o Rosol nao encaixava um servico eficiente pra comandar os pontos, ele nao aguentava o tranco. Bellucci tava focado e vibrando nos pontos, sempre ali no vamos. Na verdade, ele poderia ter fechado o segundo set mais facilmente mas o tcheco tava ligado quando ele deu umas titubiadas boas ali e aqui. No tiebreak ele nao quis saber de nhe nhe nhem, game, set and match bellucci cantou o arbitro. Estamos sempre torcendo pra ele, e gritando palavras de apoio; e como estavamos sentados na segunda fileira atras da cadeira do Bellucci, logo que acabou o jogo, eu vi ele guardando as munhequeiras e bandana. E como um fã e admirador do nosso representante brasileiro e numero 1, gritei, Ohhhh Thomaz… Joga a bandana ai pow!!! Repeti umas 3 vezes ai ele olhou pra mim e falou – A bandana nao porque eu só tenho essa, pega a munhequeira. Ai eu gritei – Nao, pera ae, esse cara vai pegar (me referindo ao gringo ligado querendo a munhequeira do brasileiro). Ai ele deu risada e jogou mais alto a munhequeira e eu peguei. Super gente fina.

E eu que achava, inocentemente, que só jogando torneios brasileiros da CBT que isso acontecia. Pelo Brasil afora a gente costumava a chegar no hotel depois de um dia inteiro no clube e lavava a bandana no hotel e pendurava pra secar para poder usar no dia seguinte. Mas pelo jeito, acho que essas coisas acontecem nos Masters 1000 tambem. Engracado demais, com certeza a Adidas deve ta economizando ou ele miguelando a bandana. O Thomaz mandou muito, jogou focado e representou super bem o Brasil despachando o tcheco para miami em dois sets.

Outro jogo bom que voces paulistas devem conhecer e apreciar, é o Nalbandian jogando. O talento que o argentino tem é de se admirar. Muda a direcao da bola com tanta facilidade quanto eu para errar bola facil. Ganhou decentemente do italiano Starace. Muito controle os dois tinham. Sem muita potencia, mas muita colocacao e spin no fundo. Realmente o cara tem condicoes para voltar a elite apesar da idade.

Outro jogo tensissimo de ver foi o jogo da cabeca 1, azarenka contra a Mona, uma alema que ate entao desconhecida por mim. Ganhou a azarenka no tiebreak da negra para a alegria dos organizadores do evento. Mas a alema mostrou a que veio. Fez bonito e foi muito bem aplaudida por todos, inclusive aplausos de todos de pé, uma maneira que o publico achou para agradece-la pelo espetaculo que ela nos forneceu, realmente exigiu bastante da azarenka. E um detalhe interessante que eu achei foi o alivio quando a Mona mandou a bola pra fora no match point, ela olhou pro tecnico e deu aquela respirada de alivio. Foi por pouco que a alema nao faz historia, vai demorar um poucquinho pra durmir hoje a noite.

Fish com o Roddick foi outro jogo de duplas legal de assistir. Eu particulamente adoro jogar e assistir duplas. Muita tatica, rapidez e divertimento envolvidos. O jogo foi decidido no tiebreakão. O Mayer/Gronollers ganharam de 10-8 no tiebreak. Depois do jogo, na sala de entrevistas depois do jogo de duplas, o Roddick tava tranquilo e rindo e fazendo piadas com as perguntas ‘‘bobas’’ dos jornalistas que la estavam. Muito extrovertido e educado o americano que contou com a torcida o jogo inteiro.

O jogo do Nadal com o Lopez de duplas foi bom tambem, mas só vi o comeco, e nem sei quem ganhou na verdade. O dia foi cansativo e com muitas emocoes. Amanha promete demais.

Sao 11 e meia da noite aqui. Amanha vou cedo para Indian Wells. Tirarei bem mais fotos e se possivel com jogadores tambem.

Lembrando que no ano anterior antes das semi-finais do ano passado eu tentei tirar foto com varios jogadores que ali ainda estavam, pois ja era quase no final do torneio, dai consegui tirar foto com o Djokovic que depois ganhou do federer na semi-final, e depois o torneio. O mesmo aconteceu com a Wozniack, que por sua sorte tirou foto comigo e ganhou da Sharapova na semi-final e o torneio depois.

Vamos ver quem sera o sortudo de tirar foto comigo esse ano. Ate porque, tirou foto comigo, é garantia de trofeu na mao!

Vai que amanha eu acho o Bellucci. Vamos ver né…

Bom entao vou nessa que ta tarde e amanha eu mando mais noticias pela parte da tarde na sala de imprensa. Que tambem darei mais datalhes sobre tamanha estrutura que Indian Wells fornece, nao so para os jogadores e fans de tenis, mas tambem para a imprensa que nao é nem perto de ser menos importante.

Grande Abraco e fiquem a vontade para mandar dicas, perguntas e criticas construtivas. Amanha irei tirar bem mais fotos e testemunhar maiores emocoes.

Gabriel Dias




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sexta-feira, 2 de março de 2012 O leitor escreve, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:52

Lua em St Michael

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A minha cara Lu Linhares, cara querida, nem que fosse só pela paixão mútua por Neil Young, mas por muito mais do que só isso, reclama que não conseguiu comentar nos comentários. Porque, sei lá, se entendesse tudo que essa tecnologia faz, assim como tudo que meus leitores escrevem, seria um homem mais feliz. Sendo assim, e por gostar da moça e do texto, o publico abaixo, tal qual me chegou.

Ufa! Entrei na Ilha Certa!! Estou agora na Saint-Michel-Notre-Dame!!!

Deve ser uma (des).graça ser TOP neste mundão mesmo.

Alço no cantinho. Com licença…

Há algum tempo disse que admiro quem resolve sair de casa, em dia de tempestade, a fim de dançar na chuva. Admiro e apoio. A escolha do calendário desvario ou não é do eu. E cada um que escolha seu caminhar. E cada outro que entenda seus próprios passos antes de calçar os meus. Ou os dele. Como encontrar nosso confim se nunca nos permitimos buscá-lo?

Nunca houve dúvidas de que a meta era desafiadora. Por isso, ela já vem sendo impugnada desde os primórdios da escolha. Aliás, apenas um assunto remexeu mais com Alzheimer no túmulo do que este em questão: Fedal. Bom, não se pode dizer que tenha sido de todo o mal. Falem mal, mas falem deles. Falem bem, mas falem de nós.

Hoje eu estava participando de uma partida de truco durante o horário de almoço na labuta. Era mão de 10. Estava 10 a 8 para os adversários. Eu embaralhei as cartas (era “o pé”), distribuí-as e fiquei aguardando a dupla adversária decidir-se se iria ou não. Eles responderam animados que sim. O adversário à minha direita disse ao seu parceiro: “O primeiro vai ao c.ulto”. Jogou o Zap. “Beleza, eu continuo pé” (pensei). Eu joguei um 6 maldito, óbvio, na primeira. Quem faz a primeira, além de ir ao c.ulto vai para o descarrego. O adversário da direita então volta e joga um 3. Fiz a segunda com o 7 ouros. Tchan tchan tchan tchan… Eu tinha um espadilha para a terceira e apenas o 7 copas para salvar meu amigo da direita e o outro desesperado da minha esquerda. Eles não tinham. Fim de jogo. Meu parceiro enlouquecida a mente não acreditava. A torcida de fora não se conteve: “perdeu de Zap e dois três!!”, “b.urrice demais!!”, “por que não deixaram o Zap para a terceira?” e por aí vai, pois os outros comentários não podem ser editados. Casmurrice solta.

Imediatamente, mas rindo, expliquei para a galera de fora, os Profetas do Acontecido, que era fácil falar de fora da mesa. O problema não foram as cartas, as decisões. Foi o posicionamento dos jogadores e das cartas. Para quem está na de fora é sempre fácil avaliar. Se meu amigo da direita fosse “o pé”, teria vencido. Quem joga truco, pode matutar aí todas as possibilidades de vitória e derrota de uma e de outra equipe.

.Quem joga tênis, não pode matutar. Matutou, olhou para o trovão e escorregou na poça. Não dança como Gene Kelly. Quem joga sabe bem como é escolher as cartas certas na hora certa. Sabe pior ainda como é escolher as cartas erradas na hora certa.

Muito bem lembrado pela Joana as vitórias perdidas pelo Bellucci, bem como as derrotas vencidas. Ela se diz sofasista. Uma sofasista que anda jogando bem a psique do tênis.

Uma prova de que quando se fala em sofasista se fala antes de tudo de um estado de espírito retorcido. Tem c.aceteiro matando qualquer vaga lume piscando, inclusive vaga lume de sua própria probidade: dentro e fora da quadra. E da vida.

Não estou aqui dizendo que minha opinião é assertiva. Tampouco dizer que concordar com um ponto me exija concordar com outros. Quero apenas não me deixar enganar pelo extremismo:

1º) Ser a favor ou não do calendário não significa que sou ou não a favor das atitudes do tenista em quadra. Da preparação física, mental, etc e tal.

2º) A escolha de um ou outro calendário não é certeza de êxito em aproveitamento por maiores que sejam as probabilidades. Por isso, a pílula não é 100% eficaz.

3º) Estar em destaque como um dos melhores do tênis profissional, independentemente do ranking, já é motivo para o exame atento e moderado. Pontuar falhas, todavia sem ridicularizar. A comédia flerta com a depreciação. É preciso estar com os olhos atentos para não cometer tal injustiça.

Outro Abraço,

Luciana Linhares

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