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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 O leitor escreve, Sem categoria | 10:25

Apologia à Linda

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Nao é de hoje que o tal Glads confunde minha cabeça. E nao é reclamaçao. Quando muito constataçao. Mais certo     . Desta vez ele nos brinda com um dos conceitos a mim mais bem querido. O de escrever o que quer, sobre o assunto que lhe inspira, criando uma tangente, pequena que seja, no caso bem pequena, com o tênis. Senhoras e senhores, Glads, o (nao) operário.

 

Pois é.
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Ontem venci mais um dia de operário que sou. Lembrei coisas daquelas que vem no cheiro da marmita abandonada numa estufa, das sete ao meio dia, quando ninguém controla a temperatura. O cheiro, dizem, nos remete a mais verdades passadas que a visão ou imagem encarcerada nos labirintos do cérebro. Mastiguei o almoço já vindo cozido de casa, e, então, agora, assado; azar o meu, sina dos mortais, quando tive um tico de tempo a pensar, já enojado da meia bóia.
O cheiro talvez me remetesse nos idos tempos — acho que sim — nos médios tempos pé-lá e pé-cá desse mundo doido, e nós de agora; quanto mais rápido o globo gira, mais pingentes das birutices se agarram na cauda dele. Resumindo, nada me remeteu ao romantismo, ou seja lá, romantismo só meu.
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Ali no cheiro, não me detive nas imagens das mulheres que marcaram época no cinema e cena. Pouco citadas no desempenho, muito pouco no dia a dia, a lembrança da semana me enlodou. Não sei por quais diabos, na ultima em que acessei a internet, lá estavam e estão, ainda, batalhões remexendo e fazendo apologia à Linda Lovelace.
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Nada contra, à época ela me apimentou por uma noite no recurso que pude, mas só. Seria interessante, a cada dia, estamparem, mesmo que uma de cada vez, Scarlett Johansson se dando em “Moça com Brinco de Pérolas”, Grace Kelly em “Ladrão de Casaca”, Rooney Mara em “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, Dominique Swain em “Lolita”, Mary Streep em “Kramer vs. Kramer”, Mia Farrow em “A Rosa Púrpura do Cairo”, entre milhares de jóias outras.
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Ficamos como? Creditamos arte nas performances de becos, que sem palavras, quase, aliviam instintos desgarrados da genialidade e saber? Creditamos arte ao desafogo do instinto nas penumbras?
Pior, daremos créditos ao instinto machadeiro e vazio do Bellucci em prol do tênis, quando?
Estamos, como sempre, perdidos. O tempo cede aos jovens serem de corpo o que puderem. Depois, cumprem compromissos de lendas. E lendas, por favor, nunca favor.
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Lovelace, Belucci…
Ele — Lovelace conseguiu — poderá alcançar a ponta da cauda?

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sexta-feira, 15 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:40

Eu não

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Normalmente, trago para os Posts um Comentário diferenciado de alguma forma; na maneira que se apresenta e se expressa, no ineditismo da idéia, no lirismo, que acrescente ou inicie um debate. Pretendo fazer isso com mais frequencia, sempre dependendo do que é apresentado. Alias, ontem, tive tremenda surpresa agradável, quando no meio de uma conversa importante no Clube Pinheiros, foi brevemente interrompido por alguem que se apresentou como o Becker, nosso arquiteto preferido, e que, como ele mesmo confessou, está afastado dos comentários do Blog. Eu havia saído da quadra e ele estava indo para uma – quase cai de surpresa e espero vê-lo novamente por lá.

Voltando ao assunto inicial. Hoje escolhi este texto do Bet@  porque é um texto que se resume a reportar o que aconteceu ontem à noite na partida Nadal x Federer (acho que a primeira vez que inverto a ordem dos dois). Isso, porque simplesmente eu me recuso a escrever sobre um confronto que não aconteceu e que beirou o desrespeito. O mínimo que se espera em um espetáculo pago e envolvendo prêmios em dinheiro é que os participantes se entreguem de corpo e alma ao confronto, algo que ontem simplesmente não aconteceu por parte do Sr. Federer.

Bastaram dois games para se saber o que iria rolar no jogo da dupla dinâmica. No primeiro, serviço do suíço, dificuldade para cacifar e só fechou porque o saque entrou bem várias vezes. No segundo, serviço do espanhol, as devoluções mal voltavam para sua quadra, fechou sem a menor dificuldade. Daí pra frente, era questão de apostas:

– Em qual game Federer será quebrado?
– Quantos games ele conseguirá fazer na partida?

A primeira pergunta escapou por pouco no quinto game, mas no sétimo não teve jeito. Isso ainda porque o suíço sacou bem no começo desse game e fez 40×15. Dali pra frente, tudo errado e quebra. Fazer 4 games no primeiro set foi lucro, como escreveu o Querubim lá pra cima.

A segunda, pelo início do segundo set, apontava para chance de um pneu ou algo próximo. Porém, durante dois games, o quarto e o quinto, Federer jogou um pouco mais de tênis e Nadal um pouco menos. Foram as últimas oportunidades de se ver algo de bom saindo da raquete do Federico. Final: 6/4 e 6/2.

Não há dúvidas que Nadal tem a receita básica para derrotar o suíço, mas há algumas condições mínimas para isso ocorrer. Ontem, parecia que Nadal jogava em Cincinatti e Federer em Monte Carlo, tal a diferença de velocidade da bola de cada um.

O radar do placar mostrava que a velocidade dos saques do suíço eram bem inferiores a sua média, confirmando em números o que se via na quadra. Nas trocas, enquanto Nadal fazia a bolinha voar, Roger parecia estar empurrando as bolas. E quando vinha alta então, parecia um jogador com reumatismo, tamanha a dificuldade em bater de forma decente na peluda.

Nadal tem um revés muito potente e que sempre andou muito, desde que ele chegue inteiro na bola e se posicione bem. Aí, gera uma potência significativa. Quando ele não consegue chegar nessas condições, seu revés é bem mais comum e deixa de ser incisivo. Ontem, com a bola do Federico andando em terceira marcha, foi um prato cheio para o espanhol, que fez aquela festa toda.

Outra coisa que finalmente o Rafa resolveu fazer (e nunca entendi porque levou tantos anos para isso) é usar aquele seu monstruoso forehand como arma de ataque e não só de contra-ataque. Além dessa batida poder variar facilmente entre uma veloz e uma cheia de spin estratosférico, encurta os pontos e mostra quem manda no jogo.

Federer teve um mérito ontem a ser reconhecido: mesmo estando visivelmente torto, foi lá, apanhou calado e permaneceu em quadra mesmo sabendo que ia ser feio. Não houve nenhum c’mon, não vibrou em nenhum ponto e aceitou passivamente sua condição de inferioridade. Morte anunciada. A Mirka até que acreditou um pouco no começo, mas depois relaxou e ficou lá brincando no seu celular, esperando o apito final.

A dificuldade que ele estava em se movimentar lateralmente era evidente, tanto que ele não chegava em algumas bolas que até um manco chegaria sem problemas. Comparando com sua movimentação no AO, por exemplo, a diferença era gritante. Não havia movimentação de pés, mal conseguia fugir da esquerda para bater de direita (tática que usou e resultou em vitória nesse mesmo IW ano passado) e as suas batidas de esquerda nunca completavam o movimento, parava o braço no meio do caminho.

Junto à rede estava duro, não conseguia se posicionar corretamente, não vergava o tronco, tudo que não se deve fazer para um voleio. Fora que as subidas eram quase todas com aproaches curtos, sem velocidade e mal colocados. Seus melhores voleios vieram em cima das poucas bolas que voltaram flutuando e altas, sendo que seu último voleio foi algo patético de se ver.

O único momento em que conseguiu fazer algo decente foi nos dois games que cacifou no segundo set, pois os do primeiro set foram ganhos principalmente por ter conseguido fazer bons saques. Nos games do segundo set que ele ganhou, uma quebra e um serviço seu, jogou dentro da quadra, conseguiu pegar as bolas na subida (só nessas ocasiões sua bola andou um pouco) e devolvê-las fundas, baixas e no pé do espanhol, tanto que foram os dois únicos games em que Nadal errou bastante.

O resto do jogo foi um disparate a favor do espanhol, que foi disciplinado taticamente (como sempre) e não tinha nada a ver com os problemas de movimentação do seu oponente. Jogou muito bem, fora aqueles dois games já citados, atacou muito, sacou bem e fez o seu.

Nas devoluções, Nadal ficou lá atrás, como de costume, e contou ainda a falta de velocidade de muitos serviços do suíço, principalmente o aberto no iguais. A bola vinha tão lenta que, mesmo angulada, dava todo o tempo do mundo para o espanhol chegar nela, se posicionar e meter aquele revés com spin alto lá no fundo, complicando a segunda batida do suíço.

O forehand do espanhol está andando muito e, aproveitando a espantosa velocidade de braço que ele tem, tá conseguindo jogar mais dentro da quadra. A mistura de antecipação na batida com a velocidade gerada está fazendo estragos em cima dos adversários. A movimentação ruim que foi vista no Chile e no Brasil desapareceu e, se não é exatamente a mesma dos bons tempos, está muito próxima disso.

Resumindo: ganhou quem já vinha fazendo um torneio melhor e está jogando bem. O outro, apesar de alguns problemas físicos evidentes, perdeu porque está jogando pior e isso é incontestável.

Derrota da semi do ano passado devolvida, Nadal segue firme para a final, pois é mais fácil o Federer ganhar dele no saibro do que o Berdych fazer isso em qualquer ocasião. Agora, do outro lado da chave, vai sair faísca hoje …

Não foi só eu que não gostei…….

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sexta-feira, 8 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:36

Osmose

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Alguem fugir de suas características é algo que não se pode classificar como fácil ou mesmo normal. Exige uma motivação maior, um despreendimento libertador, uma dose de audácia pessoal, uma consciência das vantagens da humildade construtiva e uma generosa pitada de disciplina.

Por isso, me chamou a atenção o meu leitor e nosso personagem Flávio Bet@, o popular Barão, figura consagrada por aqui, sair um tantinho da sua característica para comentar sobre Thomaz Bellucci – confesso que só não entendi aquele drill, espero que inexistente, já que todas as bolas vão para o mesmo lugar e o tenista-batedor se move!?

Mas, especialmente por deixar claro nas entrelinhas a necessidade de mudanças, porque não dizer providencial fuga de suas características não tão positivas, para uma mudança de rumo na carreira do tenista, algo que ele mesmo se propos dois ou três anos atrás, sonhando com glórias maiores e alegrias enormes a seus fãs que, na verdade, são todos os brasileiros. E, of course, não estou a falar de mudanças na terceirizada área de gerencia de sua carreira.

Abaixo o texto do Bet@:

Eu fico triste de ter acertado (assim como vários aqui) meu pitaco que o Bello não decolaria. Falta a ele os demais ingredientes para transformar seus golpes em um bolo chamado jogador. A tristeza é porque, mais do que o prazer em acertar pitacos, bom mesmo seria ter um brazuka brigando lá na linha de frente.

A questão da contusão preocupa porque, no meio desse dilema se para e vai pra faca ou continua e fica no chazinho milagroso, a carreira não deslancha, seja pra que lado for.

Tenho lido muitos colegas escreverem sobre o Thomaz começar de novo, como o fez o Dumont, ou procurar focar somente no saibro, que é o seu piso preferido. O problema é que ele não ganha quase nada seja onde for.

Alguém aí queria um cenário melhor do que um saibro rápido como o do BR Open para ele cacifar? Pois é, só que ele não usou as vantagens da quadra e bolinha para angariar pontos com seu saque e drive e ainda se enrolou todo na hora de devoluções e rebatidas.

Há algo meio estranho no jogo desse garoto, porque parece que do nada ele desaprende o que já sabia. O guri faz uma partida daquelas contra o Isner (ainda que o Isner não tivesse no seu melhor dia) e depois sofre feito um condenado na gira latina de saibro.

A dificuldade em lidar com a responsabilidade de ser o protagonista quando enfrenta adversários mais fracos já beira o absurdo, pois ele não tem mais 20 anos de idade. Porém, o que sempre me chamou mais a atenção no Bello é a aparente incapacidade de aprender a jogar tênis e não ser apenas um golpeador de peludas.

Pelo tempo de estrada, já era para ele ter absorvido, nem que fose por osmose, diversos conceitos que compõem uma partida de tênis e vão além do famoso drill “duas cruzadas de forehand e uma paralela de esquerda”!

Esse pra mim sempre foi o ponto principal de entrave na carreira do menino e fica escancarado quando se vê o rapaz ao vivo, estampado na expressão dele: não lê o jogo, não escolhe os melhores golpes na hora certa e inventa moda sempre na hora errada.

Com um bom drive e o serviço que sabe fazer ele poderia ir bem mais longe do que vai, tanto que já ganhou seus canecos. Mas como o resto joga contra, a conta de créditos e débitos normalmente fecha no preju.

Trabalhar, pelo que dizem, ele trabalha até mais do que se espera. Porém, para certas atividades, só suor não resolve. O duro é saber se um dia ele vai se libertar das amarras que ele próprio se impõe para poder jogar, como disse o Aviador, leve e sem culpa.

Em todo caso, quando entrar em quadra, estarei por aqui torcendo pelo seu sucesso. É o nosso melhor brazuka e, ainda que menos do que se deseja, consegue um caneco vez ou outra. Então, na falta de tu, vai tu mesmo …

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terça-feira, 5 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Masculino | 09:11

O tempo

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Não é de hoje que a leitora LuA nos brinda com seus textos. Este uma reverberação do meu texto anterior. Divirtam-se

Boa Noite!
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Tenho um tiquinho de embaraço ao tentar entender esta relação tatuada entre pai e filho. Uma conjunção entre Catavento e Girassol. Quando há.
Ao justo, melhor mesmo separar o coração: o pisar lento do piso rápido e mortal. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Isto eu não sei. Só sei que estes dois aí são dois lugares num raio só. Não caem.
Se raio, lembrança. Rememorada como outras, mas não como as outras. Veio.
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O televisionamento dos principais torneios foi, realmente, uma lenha na alma dos fãs do Tênis e no coração dos Fedalmaníacos. Estes ardem de modo diferente daqueles, todavia com enlevo igual. Também no tempero a internet, o marketing, a beleza física (a outra é subjetiva e deixo para os fãs) e o carisma de ambos, com a marca de O Melhor de Todos os Tempos (já vistos) e o Rei do Saibro (até então).
Impossível mais!
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O velhinho tem mesmo que arriscar se preservando. A manhã será triste quando Mirka resolver que o pai precisa levar as filhas para a escola e sossegar o facho em casa. Quando chegar o anoitecer dele, meu choro de gratidão e saudade escorrerá, tem jeito não, é assim. Sempre foi.
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O novinho, dizem, sempre conviveu com a dor. O mal de todo atleta. E a terra vermelha com o pó beirando a rótula sempre foram um santo remédio. Não duvido que o novinho fique mais por aí. Mais na terra que no ar. Há muito mistério ainda nesta volta . Ele já mostrou outras vezes uma capacidade enorme de se reinventar.
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Nunca tive medo do novo que virá. Que já veio! Ortodoxo e fazendo o sinal da cruz para espantar os maus olhados. Como se dissesse “está repreendido” para os olhares cansados que se miram contra ele. Sinal da direita para a esquerda. Tanto faz! Vou com ele. O moreno queixudo me atrai e “pra mim não é qualquer notícia que abala o coração”. Se o Tênis não fosse também um constante Renoir, digo, Renovar, não teria o mesmo charme. Negócio seguinte. É entrar no barco e descobrir outras paisagens.
Levo também o mala com a mala tentando tirar uma roupa diferente da bagagem. Não resisto a uma novidade e não dispenso roupas com estações e formas diferentes. Fico sempre na esperança de sair de lá uma combinação boa que fuja do cotidiano. Chega de “me sorri um sorriso pontual “. Déjà vu com gosto de hortelã é bom, mas todo dia e toda hora enjoa.
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Fazer o que? Novos tempos. Aliás, o Tempo. O Tênis – a girar e a pulsar como a vida de quem está sempre entrando na quadra.
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Minhas aventuras, O leitor escreve | 10:57

Presentes

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Ganhei um presente de natal. Na verdade, três presentes, todos da mesma pessoa. Chegaram ontem pelo correio. A razão para escrever a respeito no Blog é que são todos da mesma pessoa, uma leitora. Sempre admirei pessoas que sabem escolher e dar presentes. Presentes pensados, com personalidade, su misura. Um saber diferenciado, que demonstra atenção, sensibilidade, carinho e objetividade. Confesso, sempre tentei dominar essa arte e sempre me frustrei quando comparado a essas pessoas.

Os presentes me foram dados pela Lua, a nossa conhecida leitora e mais do que querida comentarista/escritora. Ela tinha me alertado a respeito durante o ultimo ATPanga, mas de alguma forma a mensagem falada me chegou nebulosa. Quando chegaram os presentes e com eles as notas escritas, balancei. Abismei. Como diziam na minha época de universidade, freaked out.

A caixa amarela do correios continha três livros. E não três livros qualquer. O primeiro é um livro de fotos, uma das minhas paixões, de Paris, outra paixão. A fotografia é uma paixão de juventude, da época de universidade, que são arrebatadoras e longevas. Paris é uma paixão de mais de 30 anos, daquelas que se enraizam com o tempo, se modificando com a idade, oferecendo novos prazeres e satisfazendo antigos, dos materiais aos emocionais. Com fotos de mestres, também apaixonados pela cidade, o livro Paris, Mon Amour junta ambas as paixões com elegância. O detalhe é que Lú avisa que esse é um presente para minha mulher.

O segundo livro, Tesouros dos Beatles, é um capa dura sobre os Fab4, outra de minhas paixões de juventude. Começou, como para muitos na minha idade – não todos, pois não poucos achavam o rock uma afronta e só aceitavam a MPB – com os primeiros sucessos dos rapazes. A partir de Rubber Soul adquiriu outra tonalidade e com Sgt Pepper outra conotação.

O terceiro livro foi o mais surpreendente. É uma edição comemorativa de O Pasquim, o jornal que separava o joio do trigo e publicava o joio, segundo ele mesmo. Surpreendente porque, eu imaginava, pouquíssimos sabiam de minha história com o Pasquim. Minha mulher garante que eu já escrevi a respeito dela e dele aqui no Blog. Talvez a Lua seja uma leitora atenta, talvez a moça seja meio bruja. De qualquer maneira, quando estudei nos EUA não existia internet, os telefonemas internacionais eram mais raros do que políticos honestos e os jornais de lá não publicavam uma linha sobre o Brasil. Os JTs de 2ª feira e O Pasquim semanal eram minha ponte com o país que passava pelos seus anos pós golpe militar.

Os textos de Paulo Francis, Millor, Luis C. Maciel, Tarso, Sergio Augusto, e os escrachos do Henfil, Jaguar, Fortuna, Ziraldo era o que não me deixava esquecer minhas raízes e me colocava a par do que acontecia por aqui. Diariamente, durante anos, eu chegava em casa e olhava a caixa do correio na esperança do jornal enroladinho que meu tio enviava religiosamente. Porém, mais de quarenta anos depois foi o texto da carta da Lú, mais uma obra prima, que me pegou pelo cangote e deu o sabor final a esse presente de Natal que tão cedo esquecerei. Beijos moça.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012 O leitor escreve, Tênis Masculino | 17:28

Photoshop

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O Comentário do leitor Marcão encaixa perfeitamente como adendo ao Post anterior, além de escrito de forma interessante – leiam abaixo:

Tenho para mim que 2012 ficará marcado como o ano da consolidação de Andy Murray no circuito. Até então, sofasistas e entendidos eram unânimes em nele reconhecer um tenista talentoso, mas ainda instável emocionalmente. A vitória nos Jogos Olímpicos, ganhando em sets diretos de Roger Federer e, sobretudo, o primeiro Grand Slam sobre Djokovic, num jogo em que poucos apostariam em vitória após o sérvio levar o jogo para o quinto set, serviram para apagar o falso estigma de amarelão que alguns secadores de plantão insistiam em lhe atribuir (como se perder três finais de Slam para o maior tenista de todos os tempos fosse sintoma de frouxidão).

No entanto, é preciso adentrar pelo lirismo para melhor compreender o universo particular de Andy Murray. Não se pode perder de vista (e nesse ponto sou obsessivo) que Andy Murray é um sobrevivente. Para alguns isso pode parecer um singelo detalhe. Enganam-se. Um sobrevivente enxerga a vida com os olhos da efemeridade, da nostalgia, da transitoriedade. Para o sobrevivente cada novo dia é uma bênção, uma glória, uma dádiva. Que importa o resultado de uma partida de tênis? Para qualquer um, ganhar uma medalha de ouro olímpica seria motivo de inaudita euforia. Mas não para Andy Murray. Venceu e foi tuitar. Qualquer um que vencesse o primeiro Slam após quatro tentativas frustradas daria cambalhotas na quadra, cobriria de bitocas adversário, juiz de cadeira e o escambau, mas não Andy Murray. Venceu e as primeiras palavras que lhe vieram foram sobre o sumiço do relógio. Para Andy Murray, o resultado de um jogo de tênis, melhor se grotesco, pior se sublime, é encarado com a mesma naturalidade com que Edward Hopper imortalizava o cotidiano.

Amigos, quando houve o massacre, Andy Murray tinha apenas oito anos de idade, e traz esta idade até os dias de hoje. Tudo o que há de adulto em Andy Murray é photoshop. A definitiva verdade é que um menino de oito anos ficou congelado em suas entranhas desde aquele fatídico 13 de março de 1996.

Por isso, acredito que mesmo com a idade cronológica de vinte e cinco anos, Andy Murray ainda é um tenista em formação. Isso mesmo, Andy Murray ainda está moldando seu tênis. Sinto que há nele tanto a se explorar nos aspectos técnico, tático e mental que uma séria dúvida me sobrevem quanto ao resultado final desta transformação. Pode ser que o recente auxílio com psicólogo, o trabalho com Lendl, as recentes consagrações, acabem por desaguar num exemplar único de tenista, que seja o amálgama das qualidades positivas dos seus atuais adversários, mas pode ser também que se impinjam em Andy Murray a neura da competividade, a ambição desenfreada pela vitória, que findariam por lhe retirar o que ele tem de mais peculiar, a naturalidade com que encara o jogo, pueril brincadeira à semelhança da vida.

O que sinceramente espero é que a consolidação de Andy Murray se dê suavemente, sem que se lhe subtraiam os contornos e a essência do humano, que ele resista à tentação de tornar-se um autômato, que continue xingando e quebrando raquetes, que continue empinando pipas, que permaneça transformando as quadras de tênis em palco de experimentação. Se isso acontecer, não tenho dúvidas que teremos o privilégio de testemunhar algo de grandioso em 2013.

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domingo, 5 de agosto de 2012 O leitor escreve, Olimpíadas, Tênis Masculino | 18:47

O leitor olímpico

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Bati os olhos e vi que esta seria mais um daqueles comentários fisgados para vir para a Home Page. O leitor, que não lembro de ter visto antes, é Inácio de Freitas, a quem agradeço pelo tempo e pela escrita.

ROGER FEDERER, AQUILES E SIEGFRIED.

Homero escreve a Ilíada para mostrar, principalmente , a mudança na alma de Aquiles, ao longo da Guerra de Tróia. É o motivo principal da obra.
A tradição germânica conta a lenda do tesouro dos Nibelungos, onde o principal motivo pode ser a ascendência e posterior decadência de Siegfried.
Os dois heróis são agraciados pelo destino, pelos deuses; o grego é filho de uma destes e o alemão recebe-lhes os vaticínios/conselhos, após apropriar-se do Anel dos Nibelungos e de todo o seu tesouro.
Ambos os personagens conhecem a dor e a morte, após aparentemente haverem conquistado praticamente tudo. Aquiles morre por seu calcanhar, o mesmo que sua mãe segurara, quando o banhou nas águas do Estige . Siegfried morre pelo único ponto de seu corpo que não foi banhado , quando mergulhou na poça formada pelo sangue do dragão que matou…
O herói grego e o herói germânico tinham seus defeitos, suas fraquezas. Lendo-lhes as estórias, quase desejamos que, em algum ponto, percam o que conquistaram, sofram, caiam, falhem. Com Roger Federer, dá-se o oposto. Tudo o que conquistou, foi através de uma ética e virtudes raramente vistas, no tênis, no esporte em geral, na vida pública, no mundo.
Até onde se pode saber, Federer é bom filho, bom pai, bom esposo, excelente amigo (este ano, abriu mão de ser, pela terceira vez em sequência, o porta-bandeira da Suíça, nas Olimpíadas de Londres 2012 e cedeu a vez para seu colega Stanislav Wawrinka , com quem joga em dupla e com quem foi campeão olímpico, em Pequim 2008). É insofismavelmente paciente com a imprensa, nunca rude, nunca destemperado, nunca descortês. Dos colegas de profissão, todos o admiram, alguns o idolatram; de tal modo que, seguidamente, é eleito e reeleito para compor (e, na maioria das vezes, presidir) o Conselho de Jogadores da ATP . Seus maiores rivais (destaque para Rafael Nadal, Novak Djokovic, os “Andys” Murray e Roddick, os argentinos Del Potro e Nalbandian, Nicolay Davydenko, J. Tsonga, Pete Sampras, Leyton Hewit, Marat Safin, Gustavo Kuerten …) costumam apontá-lo como o melhor de todos os tempos e, dos mais antigos, Bjorn Borg, Rod Laver, Martina Navratilova e Maria Ester Bueno (para citar só estes) seguem a mesma linha de pensamento (com pequenas variações ). Mesmo em outros esportes, os ícones o procuram e assistem . É difícil achar defeitos, menos ainda desvios de caráter em Roger Federer…
E é difícil não torcer por ele.
Mas os deuses, ah, os deuses… Têm suas peripécias, suas artimanhas, suas tramas e sua própria visão do mundo e da vida (talvez nada de errado, com isto: vida e mundo vieram deles, afinal…).
E assim, parece que, hoje, Roger Federer foi definitivamente alijado da conquista do ouro olímpico individual. Olímpico… Ouro dos deuses e apenas deles, talvez. Como os nibelungos avisaram a Siegfried: este ouro não te pertence. É nosso por direito. E colocaram, mais uma vez, Juan Martin Del Potro, no caminho de Roger Federer. Na semifinal, o platino lutou com o europeu, por quatro horas e tantos minutos… O suíço terminou por vencer (19-17, no set de desempate), mas os trinta, quase trinta e um anos cobraram sua alta tarifa e hoje, dois dias depois, na final de Olimpíada, quadra central do All England Club, Federer não teve energia física e teve pouca energia mental para enfrentar, mais uma vez, o herói local, Andy Murray, na mesma grama onde este último sofrera em suas mãos uma das mais tristes derrotas da vida.
Murray campeão, em três sets inatacáveis.
Um Federer desolado deixou a quadra, cabisbaixo, de olhos marejados, certamente. O metal dos deuses, nunca será somente seu…
Caso nos possa – aos que torcemos e sofremos por ele e com ele – servir de consolo: Pelé não teve o ouro olímpico; nem Lance Armstrong. E alguns outros semideuses ficaram separados desta singular conquista, até o fim de suas carreiras.
O tempo, contudo, ainda poderá nos surpreender e, quem sabe, gerar o que seria talvez o maior prodígio da história do tênis: o ouro olímpico individual de RF, aos trinta e quatro anos, numa Olimpíada no hemisfério sul, num país sem muita tradição no tênis, numa quadra que não seja de grama…

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012 O leitor escreve, Olimpíadas, Tênis Masculino | 00:23

O leitor nas Olimpíadas

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Mais uma vez um leitor tem a cortesia de nos enviar notícias e fotos de um evento – desta vez as Olimpíadas. O nome dele é João Paulo Couy, com um bom texto é ótimas fotos. Aliás, que é a tenista executando o backhand na última foto?

Cleto, apesar de nunca ter me manifestado nos comentários — por pura ausência de tempo –, acompanho o blog há vários anos. É disparado a melhor fonte sobre o esporte na internet. Desde o início achei interessante os relatos que os fãs fazem “in loco” nas quadras do mundo, e julguei que valeria tentar enviar um relato desse torneio olímpico, particular por ser em Wimbledon.

Dia 01

Já não é de hoje que tento evitar o pessimismo, mas o esquema de transporte público armado pela organização destes Jogos Olímpicos já me deixa o sabor da vergonha por 2016. Para começar, junto com o ingresso, já se recebe o “Travel Card” — que basicamente te dá o direito utilizar qualquer modal necessário por toda a região metropolitana de Londres com validade por todo o dia do ingresso. Das estações de metrô mais próximas, há um muito bem organizado esquema de ônibus que nos deixa à porta do All England Club. Ao entrar no lugar onde ocorre o evento esportivo mais antigo do planeta, julguei que era improdutivo tentar comparações com as próximas olimpíadas, cujos organizadores mal sabem onde irão construir as quadras de tênis.

O primeiro dia do evento é um deleite para quem ama o tênis. Ver as moças e rapazes no tete-a-tete, batendo bola daquele jeito que você nunca vai fazer (pelo menos eu que comecei há apenas quatro anos) é de dar água na boca. Aliás, é de acabar com toda saliva disponível quando além da ver os efeitos, velocidades, movimentação e “spins”, nos é possível ver as curvas, o sorriso e, porque não?, até o cheiro da Kirilenko e suas amigas do time russo.

Deixando os devaneios de lado, fui circular pelos jogos das quadras secundárias, que se iniciam 30 minutos antes dos da Quadra Central e Quadra 01. Tempo suficiente para ver “Aninha”, mama Clijsters dentre outras. Nesse passeio cruzo com os resultados e vejo que o Berdych já tinha um set abaixo na Central. Corri a tempo de ver todo o segundo set, e entender que não era zebra o que ocorria: o tal de Darcis tem um slice tão rasante, profundo e multidirecionado, que não havia pernas que bastassem ao grandalhão. Que coisa linda ver o jeito se impor à força!

Terminado o primeiro da Central, resolvi dispensar a Serena — que dispensou a Jankovic com o mesmo pouco caso — para voltar às secundárias que estavam lotadas de feras treinando. Aliás é de fato uma disputa intensa pelas quadras de treino. Nego já vai se aquecendo dentro de quadra, “empurrando” quem está treinando para fora. Dessa vez deu para ver o Bellucci sentando a mão com o Sá e a toda a vez deu para ver o Bellucci sentando a mão com o Sá e a toda a transpiração da Maria — cujos gemidos não são tão escandalosos quando treina. Ali do lado me chama atenção aquele bronzeado e o rabo-de-cavalo em total harmonia com o vestidinho justo. Bonitinha mas ordinária essa Cornet: brigou com o juiz de cadeira, chutou raquete, fez cera, cara feia pra platéia e ainda deu um jeito de ganhar o jogo. No final, a gota d’água, beijinho para um metido a gentlement blazé. E depois ainda fica de chamego com o cara! Sou muito mais eu, “mano”.

Corre-corre que o mestre tá entrando na Quadra Central. E a confusão é generalizada, a quadra fica lotada, todo mundo quer ver enquanto-ele-ainda-baila-nas-gramas-por-aí. “Aproveitem enquanto puder” — sábio conselho das antigas transmissões dos canais Espn no Brasil.

E se no primeiro jogo já deu para perceber que os ingleses adoram um “underdog”, agora as coisas se escancaram. Desde o início do segundo set, o Falla era o tenista “da casa”. O Federer perdendo aqueles match-points foi um auê de alegria. E vivas, terceiro set! Tá bom, gostam de zebra mas nesse caso é só para curtir o mestre passear na grama, sei como é! Finalizado o jogo sem eu ter a mínima noção de como ele dá aquelas esquerdas de bate-pronto só com a munheca que vão na profundidade certa, é correr para ver nossa dupla contra os gêmeos-sobrinhos do Tio Sam.

Chego no início do segundo, tendo notícia que no tie break do primeiro perdemos chegando a estar 5-2 Brasil. Acontece. O jogo foi muito bom e divertido: quadra 14, miúda, fica-se do lado dos caras. O Bellucci até uma hora virou pra gente e perguntou: “essa bola foi boa?!” Foi sim, Sid. Vamobora, não viaja, que tamo jogando bem. E os brazucas jogavam muito bem, de fato. Tiveram várias chances de quebra, mas não aproveitam. Também salvaram alguns breaks e partimos por segundo tie break. Brasil 5-2. Acontece que dessa vez foi pro nosso lado. No terceiro a torcida entrou no jogo. Tudo na santa paz, mas disputando o grito mais alto. E assim, num detalhe aqui outro acolá, nossa dupla que jogava melhor foi quebrada. E por detalhes que esses caras já ganharam tanto nas duplas.

Fim do banquete. Ainda com sol às 20:30h, hora de tentar acabar com o jetlag. Amanhã tem mais — mas não para mim, que cai na besteira de comprar de última hora um ingresso para o futebol do Brasil. Em Manchester.

Dia 2

O futebol foi pior que imaginava, não merece nem detalhes. Pelo menos choveu em Londres, e praticamente não teve rodada.

Dia 3

Tempo maravilhoso, ótimos jogos e grandes curiosidades sobre as mudanças polêmicas no “schedule”. Mas só amanhã, porque acabei de chegar e essas 6 horas ainda fazem diferença no meu sono.

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segunda-feira, 9 de julho de 2012 O leitor escreve, Tênis Masculino | 15:36

Comentando a final

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Grandes finais inspiram os leitores. Abaixo três comentário que tocaram os outros leitores. Divirtam-se. 

Tenho 16 anos, acompanho tênis desde do Us Open de 2009, e de verdade, uma das minhas maiores lamentações é não ter acompanhado o auge desse gênio chamado Roger Federer. Coisas que só algumas emoções podem explicar me fazem torcer para outro monstro, Novak Djokovic. No entanto, sempre considerei o suíço como meu segundo tenista favorito. Lamentei um pouco ter visto a conquista de apenas um dos 16 majors que ele tinha até então, e hoje, enfim, assisti a coroação deste tenista que não tem como definir, está muito acima da nossa compreensão.

Mas, hoje, quero falar sobre o outro. O outro, mas não só porque perdeu hoje. No contexto do grande top 4 que os amantes do tênis têm a honra de acompanhar, ele muitas vezes é esquecido, o que é compreensível. Roger e Rafa alcançaram status de lendas do esporte, Nole caminha para isso. E Murray, onde fica nisso? Como foi bem destacado aqui anteriormente, esse é o melhor dos humanos. E isso ficou evidente hoje. Contrariando a visão que por muito tempo foi sustentada sobre ele, e acredito, deve ter durado até hoje, Andy, além de ter evoluido dentro de quadra, foi extremamente intenso fora. Visceralmente humano, cheio de curvas e reviravoltas. Mas não só hoje… sua comentada “bipolaridade”, exemplificada através de atitudes que talvez não estejam de acordo com a postura de um campeão, como em momentos de autoflagelação e as tais milongas, tudo isso, sim, mostra o quanto esse ser, dotado de um talento incrível, é humano. Em duas de suas quatro derrotas em finais de GS ele não se conteve, nas cerimônias de premiação. A tristeza que transbordou no AO 2010 e dessa vez, evidenciaram o quanto ele ainda é emocional, e humano. Os outros três, muitas vezes, se transformam em hérois, exemplos, merecidamente é claro, pela grandeza de suas conquistas. Mas o escocês não é herói. Não no sentido que estamos acostumados. Não é uma fortaleza mental como Nadal, frio como Federer ou lutador como Nole. Ele falha em momentos decisivos, e é difícil afirmar que vai deixar de falhar, talvez esse seja um traço da própria personalidade dele. Daqueles que estão destinados a sentir a glória de chorar. Apesar dessa ao mesmo tempo triste e fascinante característica, o escocês certamente terá ainda várias chances ainda de realizar o objetivo de vencer um Slam, se continuar evoluindo, e o principal, se deixar seu talento e recursos falarem mais alto. Viva ao tênis. Viva ao mito, Roger Federer. E viva ao humano, Andy Murray.

Rodrigo Figueiredo

Estava por aqui lendo os coments do post anterior, esperando chegar a hora de virar abóbora após as doze badaladas, contando que o post do Patrão chegaria antes. Palpite certo, felizmente.

Do jogo, nada mais a declarar, a análise do Patrão já veio com couvert, tempero e sobremesa. Talvez, resumiria isso tudo que foi muito bem escrito aí acima por uma frase: Murray joga muito tênis, mas Federer joga um pouco mais que muito …

Aos amigos que cobraram minha presença nos coments, agradeço a lembrança. Assisti o jogo todo, a maior parte ao lado da Frau. Tava difícil saber para quem torcer, sendo ao mesmo tempo um federista de carteirinha, mas também sócio fundador da galharda Torcida Raça Escocesa.

Como bom engenheiro, tentei ser prático: aquele que me parecesse estar jogando melhor teria minha torcida pela sua vitória, em reconhecimento a sua atuação. Assim, desejei a vitória de Murray até aquele 5×6 do segundo set. Depois daquela quebra, não pela quebra em si, mas pelos pontos jogados pelo suíço, fiquei na dúvida.

Com o desenrolar do terceiro e quarto sets, me pareceu que Roger fazia por merecer o triunfo, o que não deixava de ser uma sensação estranha por não poder ter os dois vencendo a mesma partida. É que aqueles que um dia entram na Romi, jamais saem dela.

Creio que não precisa se falar mais nada sobre o suíço, mas acho que hoje grande parte dos narizes torcidos para Andy Murray, seu jeito Hardy de ser, o estilo cozinheiro de jogar, acho que a partir desse domingo novos olhares surgirão.

Hoje, mais do que nunca, na hora do seu discurso, vi estampada na tevê a realidade de uma frase que uso há tempos: o primeiro ser humano do ranking é o Murray, pois os outros três são de outro planeta!

Como já havia adiantado antes, eu ia terminar de assistir esse jogo feliz e triste ao mesmo tempo. A Frau, ao ver a cena dele tentando balbuciar algumas palavras ao microfone, foi mais feliz na descrição: ele é um meninão! Depois, olhou pra mim e perguntou: Você está triste que o Murray perdeu, né?

Acho que ela acertou muito bem no termo meninão … rsss. O resto … bem, deixa pra lá, um dos dois ia ter que perder, mesmo.

Ao suíço, eternos aplausos, acho que esses últimos recordes batidos são argumentos mais fortes que a maioria dos contra-argumentos que vierem a surgir. E, em caso de dúvida, que se revejam alguns lances mágicos que ele fez na partida, como aquele drop shot cruzado de fundo da quadra, de colherada, andando para trás. Só aquilo ali já valeu o ingresso!

Ao escocês, muitos aplausos também, por tudo o que conseguiu fazer na quadra hoje contra alguém que parece ter nascido para jogar na grama sagrada. Algumas jogadas sensacionais e a certeza que, dessa vez, ainda que com alguns poucos baixos, os altos foram muito maiores.

A Romi vai seguir, como sempre segue. A minha torcida para o suíço sempre existirá, mas nas Olimpíadas e nos próximos GS, ela virá em segundo lugar. Se antes eu já tinha dado pitaco que torceria para um ganhar o GS e o outro os Jogos Olímpicos, depois da cerimônia de hoje, mais do que nunca o grito será um só:

Scooooooooooooooooooooootchland !!!

Bet@

Reação triste, mas bonita na espontaneidade. Esse choro falou muito ao mundo e a mim.

Lágrimas em geral me comovem, sobretudo se forem de homens barbados, marmanjões, e em competições esportivas de alto nível. O desmontar de um marmanjo desses bota fora os estereótipos de que “homem não chora” e atletas são seres especiais.

Somos iguais a eles. Estão sujeitos às mesmas paixões e anseios que eu e você.

O pranto denota a esfera humana, sempre. No caso de Murray, representa a vontade de ganhar, sobretudo diante de sua mãe-técnica, do seu público, do seu novo treinador, que disse, certa vez, que trocaria seus Roland Garros por um simples Wimbledon, enfim, pela dimensão do que seria ganhar lá. Dentro daquele louco existe um ser humano.

O choro me mostrou também um conformismo e uma atitude de dignidade. Perder para quem perdeu, mesmo que não, consola o peito. Roger não é o que é á toa. Seu encantador talento juntou-se a melhor preparação física já feita em um tenista, aliada a uma mudança de um garoto quebra-raquetes para uma estátua sem feições. Ingredientes que formam um mito. Sim, ele é um mito.

O placar em si foi incontestável. Roger, esteve mais sólido e resolveu subir à rede. E dos dois foi o que atacou.

Murray levou para casa um troféu inestimável: lágrimas de dignidade. Esse troféu supera todos os títulos de Roger. Torço para que alcance o visível e o palpável. O choro e a presença na final mostraram que ele está no caminho. Murray merece chegar lá.

A Roger, palmas ao mito.

Beijo no coração de todos.

Vou pegar meu 14-bis e dar um voo, e se cair chuva em vossas cabeças, serão minhas lágrimas

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quinta-feira, 7 de junho de 2012 O leitor escreve | 13:25

Au rain voir

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Mais um, e infelizmente ultimo, post do nosso leitor Matteoni, que exerceu a sua paixão indo À Europa para acompanhar Roland Garros. Para o temos dos ingleses ele agora atravessa o Mancha e segue para Londres. Mas antes, seus ultimos pereceres de Paris.

Roland Garros – Dernier Jour

                Pois é ! Chegou ao fim hoje minha jornada em RG.

                Inicialmente vi uma parte da partida de duplas na Quadra 1 entre J. McEnroe & P. McEnroe x A. Gomez x E. Sanchez – ele ainda é conselheiro da CBT??? You can not be serious!

                Depois, seguindo nossa política aqui de dividir os jogos irmanamente, fui assistir Kvitova x Shvedova na Suzanne Lenglen, enquanto o amigo se deliciava com Maria Shut up ova. Acho que nessa troca saí perdendo. Eu nem…

                O fato é que a Shvedova mandou no 1o set, e parecia manter o ritmo no 2o, quando quebrou a Kvitova logo no 1o game, mas… Kvitova devolveu a quebra em seguida e daí em diante dominou e virou o jogo. Mas não pude ver K vitória da Petra, pois o jogo da Maria acabou antes e eu fui lá assistir Nadal x Almagro.

                Eu já falei aqui e vou repetir : o Almagro é ao meu ver o tenista mais consciente de suas possibilidades e limitações no circuito, ou, em outras palavras, ganha de quem tem que ganhar, e perde de quem tem que perder. Sem afetações. E hoje era seu dia de perder. E ficou de bom tamanho : título em Nice, emendando com quartas de final em RG. E tem gente por aí descansando. Eu hein…

                Almagro fez um excelente 1o set, encarou Nadal de igual pra igual (será ?) até onde deu. Aí, na hora da onça beber água, no tie-break do 1o set, cometeu ao meu ver, sentado no sofá da Phillipe Chatrier, um grande erro na escolha do golpe : tentou uma curtinha (que só tinha tentado 1 vez no set todo e tinha errado) que ficou no meio da rede. O cara passa o set todo sólido, aguentando a pressão no fundo de quadra, e vai querer inventar logo no 1o ponto do tie-break ? Levou o mini break e aí com Nadal largando com 3 x 0 no tie é só acender a vela. O resto, foi o de sempre : baixou a guarda e Nadal sacramentou sua 50o vitória em RG. E Tá difícil dele perder lá. Eu when ?

                Entre um dos intervalos do jogo, tirei um tempinho para assistir alguns games de outra partida divertidíssima de duplas, entre Ivanicevic & Stich x Krajicek & Bruguera. O Ivanicevic é uma figuraça ! Ainda tive a audácia de perguntar se ele ainda sonhava com aquele final de Wimbledon, e ele sorrindo (e surpreso !) falou :

–          It’s my best dream !

Quando acabou o jogo do Nadal, fui para frente dos telões da Suzanne Lenglen, assistir o jogo do Murray x Ferrer, que estava empatado em 1 x 1 com 1 x 0 pro Ferrer no início do 3o set. Em pouco tempo começou a chover e o jogo foi suspenso. Os telões mostravam « Match Canceled » ou algo assim. Achei muito estranho a mensagem, mas realmente muita gente foi embora.  Não foi difícil conseguir um ingresso, no bom e velho « Vous Partez » ? Eu rain… !

Depois de um tempo a chuva passou, o sol abriu e o jogo foi reiniciado. Murray alisou as costas, de um lado, do outro, mais outra vez, e deve ter pensado que o próximo jogo seria contra Nadal, e uma surra do lombo que estava por vir só iria piorar sua lombalgia. Sacou pessimamente e perdeu por 3 x 1. E o Ferrer atinge uma semi de RG pela 1a vez.

E nas semi-finais : Djokovic x Federer e Ferrer x Nadal (tou ruim de bolão !?) Eu bem !

Au revoir…

See you in Queens !

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