Publicidade

Arquivo da Categoria Novak Djokovic

segunda-feira, 6 de abril de 2015 Masters 1000, Novak Djokovic | 20:01

A distância

Compartilhe: Twitter

A distancia entre o céu e o inferno na vida de um indivíduo é medida pela diferença entre aquilo de melhor que ele poderia ser e o que de fato foi. O único abrandamento a essa perspectiva é se o indivíduo fizer de caso pensado a decisao de nao explorar seus limites, cedendo à prerrogativas pessoais, algo que requer ou coragem ou inconsequência, sendo difícil julgar à distância qual das duas prevaleceu.

Quem segue há tempos meu Blog sabe como enalteci o tênishabilidoso e tático de Andy Murray, sendo tal louvação criado certa ferrenha oposiçao por parte de uma pequena leva de sofasistas que mal podiam distinguir um slice de um top spin. Nos idos tempos, o mundo ainda se dividia entre o bem e o mal e Federer e Nadal. Hoje está cada dia mais difícil para as pessoas distinguir os primeiros, para mim nunca houve duvidas, e a nada temperada rivalidade FeDal está cada dia mais próxima de ter seus dias contados.

A rivalidade entre Djokovic e Murray vem tentando se firmar e substituir aquela que deve passar para a história como a maior de todas. Pelo menos por parte de Novak Djokovic. Porque, ao contrário do que muitos, pelo menos os que cabiam dentro de uma Romi Isetta, podiam imaginar, Murray está perdendo sua carona na história. Ele tornou-se um grande jogador, um tenista tecnicamente gostoso de assistir, mas quase impossível de se torcer por ele por conta de quase esquizofrenia em quadra. Ainda está longe de encontrar o caminho da grandeza, algo que Djoko vem buscando incessantemente, mesmo com suas limitaçaoes que, para ele, um grande guerreiro, só servem de motivaçao, nunca de empecilho.

Murray, por outro lado, se entregou á pequenez. Investiu como nenhum no preparo físico e se tornou o maior buscador de bolinhas do circuito. Corre como um cavalo para os lados, para a frente e para trás, dura mais do que qualquer um em um ponto. Mas quando tem que mexer os pés, para dar dois ou três passos de ajustes para definir pontos importantes, prefere a letargia. Consequentemente se posiciona com erro e perde pontos ridículos de fáceis para sua capacidade. Ele joga de igual, técnica e fisicamente, com os melhores do mundo, mas carece de uma mentalidade que faça face aos cachorroes. Se permite alternâncias de qualidade que um jogador com mais altas ambiçoes nao pode se permitir. Por isso morre na praia da magnificência.

Na final de Miami, do outro lado da rede, seu adversário, que conhece seu jogo e estilo melhor do que a palma da própria mao, entra em quadra com o jogo ganho. Para isso, carrega tao somente a certeza de que deve jogar o seu melhor, com disciplina e constância, que o MalaMurray entrega a rapadura na hora da onça beber água.

Nao custa lembrar os dois se conhecem desde os tempos de infanto-juvenil e formam uma das mais longevas rivalidades. Além disso, tem somente uma semana de diferença de idade (Murray sendo o mais velho) entre eles. Do total de confrontos com profissionais, Djoko tem 18 vitórias e 8 derrotas, tendo vencido as ultimas sete; das ultimas onze venceu dez, sendo a exceçao a final de Wimbledon2013 – onde Murray tinha uma motivaçao extra – o que deixa ainda mais evidente o meu ponto.

Murray melhorou consideravelmente quando sob a tutela de Lendl, mas nem tanto sob Mauresmo, mais uma “decisao Murray” no seu caminho. A única coisa nova que apareceu recente foi a direita angulada, que cria um buraco na quadra adversária mas, por outro lado, perdeu a direita paralela, que é o complemento da jogada.

Já Novak fez mais uma de suas cartadas na busca do topo do ranking e da história, ao contratar Boris Becker. Duvido que Becker acrescentou muita coisa no aspecto técnico, e nem acho que foi para isso que veio. Talvez o saque – com certeza nao o smash! Que vergonha esse golpe do servio, parece um 3a classe em mau dia.

Mas Djokovic compensa essa e outras carências – como o saque, os voleios e a dificuldade de lidar com bolas sem peso – com outras importantes qualidades. O cara é uma Rocha de Gibraltar nos golpes de fundo, tem um preparo físico impecável, uma mobilidade e elasticidade de bailarino, uma vontade de ganhar ímpar (e aí acaba com seu PatinhoMurray) e entende a capacidade, e necessidade, de manter o padrao de qualidade durante um jogo e um torneio.

Considerando o conjunto da obra, Novak Djokovic segue sendo o melhor tenista da atualidade, especialmente quando colocado dentro do contexto de um campeonato. Sua maior qualidade é que entendeu, muito cedo na carreira, a importância que todo o aspecto mental acrescenta à carreira e ao jogo. É um tenista de limitadas habilidades, mas soube, melhor do que qualquer outro, colocar diferentes peças do quebra-cabeça no lugar e se tornar um magnífico atleta-tenista. Esse vai dormir tranquilo quando ao encerrar a carreira e enxergar o que poderia ter sido e o que foi. Enquanto isso, fica de exemplo para um universo de maricotes que por ter um pingo de talento/habilidade se acham os reis das cocadas pretas – uma das minhas delícias favoritas.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 23 de março de 2015 História, Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino | 13:27

Semi deuses

Compartilhe: Twitter

Nao vou dizer que Roger Federer é burro porque eu nao sou louco nem é verdade. Mas posso, sem muito risco, dizer que ele sub utiliza o importante quesito tática em uma quadra de tênis. O suíço é totalmente intuitivo, o que é compreensível, esperado e frequente em um tenista, e soberbo, o que, em certas circunstâncias pode até ser uma qualidade para um tenista e, em outras, uma massacrante falha.

Esse casamento faz com que ele feche a porta para explorar um melhor aproveitamento das magníficas armas técnicas que possui, um dom dos deuses que ele soube, através dos tempos de sua carreira, aprimorar. Sim ele progrediu muito, porque ali o campo era fértil como nunca dantes visto em uma quadra de tênis. Mas ele escolheu onde queria progredir e onde nao queria nem saber. Infelizmente, com essa segunda opçao deixou de fora opçoes que poderiam ter feito dele um tenista ainda mais magistral do que é, e o é muito pelo que Deus lhe deu.

Temos no circuito tudo quanto é tipo de tenista. Uma gama tao ampla como as impressoes digitais. Nao temos dois iguais. O leitor já parou para pensar o que nao temos dois que batem os golpes, inclusive o saque, da exata mesma maneira? Quantos “estilos” voces já identificaram na maneira de chutar uma bola, arremessar uma bola de basquete ou cortar uma bola de volei?

E nao só temos as diferenças das técnicas e plasticidade dos golpes, como temos as diferenças de físico e seu preparo, disciplina, tática, mental e emocional, e aí entramos em um cenário extenso como o universo, que é extenso pra chuchu, e por aí vamos.

Tem jogador por aí que é tao carente em talento quanto um zagueirao à Felipao, mas que compensa com seu emocional. Outros compensam ligando o computador para pensar cada vez que entram em quadra (e nao sao tantos) ou mesmo os que entendem a importância da paixao pela disputa, a entrega pela vitória (alouuu Nadal) para poderem tirar leite de pedra.

Federer leva seus oponentes às portas da insânia com a facilidade, e quase displicência, com que faz o que os outros só conseguem nos seus melhores sonhos. Ele nos ilumina a todos ao nos deixar crer que tudo é possível dentro de uma quadra, com uma raquete na mao e uma bolinha vindo em nossa direçao. É uma decepçao, mas, como tantas, tao agradável e necessária para enfrentarmos a massacrante e cruel realidade. E de tanto acreditar nessa fantasia-realidade, Fededer deixou de investiu em ferramentas que pudessem trazer esse mundo paralelo mais próximo da suja realidade e assim se tornar no tenista completo. Se satisfez em se tornar um semi-deus, quando teve, e nao me lembro que tenha visto antes, a oportunidade de ser um deus.

Se Djokvic tem planos de se tornar também um semi-deus nao será da mesma turma de Federer. Mas o cara está próximo do objetivo na área da excelência física e da técnica adquirida, assim como Nadal já é o semi-deus do mental-emocional.

Novak é um tenista a ser colocado em um pedestal por técnicos e juvenis que tem aspiraçoes em se tornar um grande jogador. Os deuses foram um tanto pao duros com eles nos talentos, mas extremamente generosos na disciplina e na entrega. O rapaz é uma inspiração e vem crescendo a cada temporada. É o atual melhor jogador do mundo – por uma boa raquete. Ele está extremamente sólido em seus golpes – talvez nao tanto no serviço! – e muuuito forte mentalmente. Sabem lá o que é, a cada vez que entra em quadra para enfrentar essa mala suíça, o estádio inteiro torcer pelo adversário? Por que nao se dá o crédito devido a esse fenômeno que atualmente é o #1 do planeta?!

Federer tem o arsenal para perturbar essa fortaleza técnica/emocional, mas nao usa. Ou melhor – usa, mas assim que adquire alguma vantagem, cessa de usar porque deve achar que é feio. Sei, o rapaz deve odiar o Dunga (bem, aí é sacanagem a comparaçao) e amar o Tele Santana, mesmo o da Copa82; jogando bonito, mas perdendo.

Atualmente Federer nao pode nem pensar em um jogo franco com Djoko. Sao velocidades diferentes e golpes discrepantes quando batidos na corrida e a conta nao fecha pra ele. Variaçoes de ritmo – bolas menos pesadas, ou mais altas, sem intençao de “atravessar” o Djoko, e slices, um ou dois, seguidos de ataques de direita, já que ElDjoko precisa da força alheia para fazer sua bola andar – quando vem sem peso ele totalmente tira a mao, “oferecendo” a bola ao adversário – seriam, e foram, sua melhor opçao. Mas, pelas barbas do profeta, cada vez que o Boniton abria uma vantagem nos games voltava para o “showtime” e possibilitava o Djoko escapar da armadilha. Essa insistência, por fim lhe fechou a porta à mais um título que seu talento, enganosamente, já toma como certo.

Como dizem os que nao querem esperar pelo próximo mundo, aqui se faz e aqui se paga. Sem esquecer Oscar Wilde: nao há pecado, exceto a burrice.

Autor: Tags:

segunda-feira, 10 de novembro de 2014 Masters, Novak Djokovic, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 16:48

O Masters em Londres

Compartilhe: Twitter

O Masters sempre foi um evento diferenciado e interessante. Estive presente em vários, nos anos que eram disputados em N. York e Hannover. Aliás, se você nunca foi a Hannover, nao vá. A cidade é um zero à esquerda, especialmente no frio. Dá para entender porque o tal Hitler queria estender seu Lebensraum para outras paragens. Mas Nova York compensava.

Londres é uma cidade intensa e cosmopolita e a recente ocupaçao do outro lado do rio Tamisa, da qual o O2 faz parte, tornou-a ainda mais interessante. E que belíssimo local é essa arena londrina, apesar de que nao chegar aos pés do Ibirapuera, verdadeiro orgulho nacional. Ironia nao é o meu forte, fazer o que ?!

E que bicho vai sair desta ediçao do Masters? Uns esperam a confirmaçao de Novak Djokovic como El #1 do ranking. Outros esperam que Roger Federer vire o barco no apagar das luzes, algo que Gustavo Kuerten fez em 2000, em Lisboa, onde também estive. Torço mais pelo Boniton, mas acho que está mais para o Djoko – o cara está sólido e só perde a coroa se jogar abaixo de seu padrao. O que acontece.

Na minha entrevista, na CBN, mencionei que Andy Murray seria uma possível terceira via, por jogar em casa(casa??) e ter jogado bem as ultimas semanas. Eu devia estar ainda de ressaca eleitoral. Até parece que eu nao conheço o bipolar. Aquela partida com o Nishikori foi séria? Sim, o japa jogou muito bem depois de engrenar no meio do 1o set. Mas o Andy Murray ficou no vestiário e o que vimos em quadra foi seu alter ego.

O Boniton nem piscou. Deu mais uma aulinha para o canadense sacador. Aliás, figura estranha o rapaz Milos. O com esse corte de cabelo estilo reco fica ainda mais estranho. As câmeras mostraram seu pai e deu para entender de onde vieram aquelas costas curvadas. Mas saca muito o Milos. Mas com 2m de altura nao é um grande feito. Mesmo sem suar Roger venceu rapidinho.

Legal o Stan Wawrinka ter jogado bem. Gosto de seu tênis e acho que um tenista como ele vivo deixa o evento mais rico. Já que começou muito bem o ano que termine no mesmo tom, porque o que fez do Aberto da Austrália para cá nao foi no padrao que ele, e nós, esperávamos.

Quanto aos brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares, ambos venceram o importante jogo de estréia, o que dá confiança e conforto. Bruno e parceiro tiveram que salvar um MP no 3o set. E Marcelo, está tao confiante e melhor que na partida foi uma das primeiras vezes que vi ele assumir a responsabilidade da devoluçao no NO-AD, lembrando que esse fundamento é o ponto forte do seu parceiro. Seria um bom final de ano para o nosso tênis sem um deles vencesse o Masters, batendo o outro na final. E melhor ficará quando voltarem a jogar juntos.

 

Autor: Tags:

segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Roger Federer, US Open | 12:53

Quinzena recheada

Compartilhe: Twitter

Quinzena recheada de tênis, com dois grandes eventos, feminino e masculina, seguidos. Após a passagem pelo Canadá a festa segue para Cincinnati, local do torneio mais antigo dos EUA jogado em sua cidade original. Começou em 1899, quando as raquetes eram pouco mais do que um tacape, homens e mulheres usavam calças e vestidos longos e o golpe padrao, dos dois lados, era o slice salame. O piso original era uma derivaçao das quadras de terra e o local original hoje é uma universidade. O piso mudou algumas vezes e o local muitas; sempre na cidade. Chegou a ser propriedade da ATP, quando estava no perigo, e sobreviveu graças aos esforços de um abnegado, Paul Flory, falecido em 2013. Agora é propriedade da USTA, federaçao americana de tênis.

Três brasileiros já se deram bem por lá. Gustavo Kuerten ganhou as simples em 2001, batendo Rafter na final, em jogo estranhissimo, e Carlos Kirmayr e Cassio Motta foram vices de duplas em 1983, época em que os cachorroes jogavam simples e duplas.

Hoje, com os cachorroes ficando quase que só nas simples, os irmaos Bryan vao tentar vencer o 99o torneio de suas carreiras. E podem apostar que vao tentar ao máximo, o que pode ser mais um estorvo pela pressao, porque adorariam chegar a New York com a possibilidade de lá ganhar o 100o. Imaginem o que eles nao iriam agitar na Big Apple – esse pessoal das duplas sao marketeiros nas “úrtima”, até pela necessidade.

Mas serao os dois primeiros favoritos – Djoko e Federer – que estarao nos cabeçalhos da semana, por razoes bem compreensíveis. O servio nunca ganhou em Cincinnati – perdeu em quatro finais – e completaria o Slam dos Masters1000 com o título. Nao existe outro tenista no circuito com essa conquista – um feito e tanto.

O Boniton, que já ganhou cinco vezes vezes por lá, imaginem seu olhar de desprezo no vestiário, deve chegar à sua 300a vitória em Masters1000, já na 1a rodada, feito único também no circuito.

Murray, que já ganhou duas vezes é outro que deve ter bons sonhos com Cincinnati. Faz tempo que o escocês busca um bom resultado. Tsonga chega confiante após socar geral em Toronto – mas esperar duas conquistas seguidas do francês é esperar demais.

Tsonga passou por cima de todos no Canadá; Djoko, Murray, Dimitrov e Federer. Tá bom ou querem mais? Dois compadres; Vasselin na 1a e Chardy na 2a rodada! Na final abafou Federer que, aos 33 anos, está em ótima fase técnica e física, mas continua pecando no quesito tática. Precisando vencer o TB para ir à negra, o suíço saca no 3×3 e, na 1a bola, com sua direita, seu golpe de ataque, passou uma bolinha sem vergonha na direita do francês, de longe seu melhor golpe, só para levar um cascudo para deixar de ser indisciplinado. É muita bobagem na hora da onça. Nao fez mais nenhum ponto.

Os brasileiros lavaram a alma na final das duplas. Marcelo Melo continua entre a cruz e a espada com seu parceiro Ivan Dodig. O cara, um dos poucos duplistas full time que é singlista full time e excelente duplista quando está disposto, volta e meia joga uma partida bem meia boca. A final foi uma delas.

Em compensação, Bruno Soares e seu parceiro Peya estavam a 1000 por hora. Aliás, Bruno mudou seu saque e pra bem melhor. Está alavancando melhor. Com isso está mais agressivo e deixando menos espaço para ataques. Ainda mete umas duplas faltas ingratas, mas no médio e longo prazo a mudança é um grande avanço. O rapaz já tinha melhorado bem sua devoluçao de revés, uma das razoes de sua melhora técnica nos últimos dois anos. Os manos Bryans que se cuidem.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 7 de julho de 2014 Novak Djokovic, Wimbledon | 15:41

Na final, um lanchinho

Compartilhe: Twitter

Novak Djokovic vinha morrendo nas praias dos Grand Slams desde o Aberto da Austrália em Janeiro de 2013. Pouco para um tenista de sua qualidade, de quem passamos a esperar mais desde a sua incrível temporada em 2011 e que agora volta ao topo do ranking. A vitória em Wimbledon deve lhe dar a confiança necessária para almejar ainda maiores vôos, inclusive no próximo GS, o US Open, onde tem um único título, quando bateu Federer em memorável semifinal, em 2011, que teve entao dois match points e nao conseguiu cacifar.

Quem diria que Djokovic entraria na cabeça do maior do mundo? Pois é, entrou e anda brincando com ela. Com um apertado H2H de 18×17 para o suíço, pode-se afirmar que nao é de hoje que a rivalidade de ambos mudou muito de quando chegou a ser 6×1 para o El Bonitao. Pior, nas três ultimas finais o sérvio saiu vencedor. É um a um longo caminho de respeito do dia em que o gentleman suíço mandou os pais do sérvio calarem a boca durante uma partida entre ambos.

A final foi interessante e emocionante como poucas. Quase 5 horas de confronto entre dois tenistas de características e momentos distintos. Assisti praticamente toda, mais do que nada porque acreditava estar assistindo história, já que nao vejo Federer vencendo muitos GS, se é que algum, daqui para frente. Pois é, ontem ele chegou perto, muito perto. E nao levou porque apesar de ser o maior ganhador da história dos GS demonstrou que é suscetível a uma tremida como qualquer outro tenista. Sim, eu tremo, você treme e ele tremeu no final do quinto set, onde, como afirmava o alemao treinador do Novak, o jogo é mais emocional do que técnico.

Convenhamos, o jogo todo foi interessante, mas o quarto e o quinto foram um abuso. Esses sets foram emocionante, pela alternância de possibilidades, de serviços quebrados e de tremidas. Sim, Novak também tremeu, no 4o set. Sim, nós trememos, vós tremeis e eles tremeram. Quem tremeu menos, of course, levou. A coisa emocional foi tao séria que nao houve reaçao de Djoko após o ultimo ponto – tipo cair de joelhos, apontar aos céus, berrar aos deuses etc. Comemoraçao só após o aperto de maos. Talvez se deve ao respeito que Novak ainda tem pelo GOAT. Talvez o servio ainda se recuperasse do susto que passou.

Afinal o rapaz teve 5×2 no 4o set e 2×1 em sets. Estava no bolso. E deixou escapar. Em um dos MP Roger Federer deve ter agradecido aos céus ter perdido a discussao da utilizaçao do desafio – o Topetudo era contra o uso do programa, afirmando que nao era uma boa idéia. Ficou melhor após alguns desafios a seu favor, incluindo um no match point contra, quando teve um ace cantado fora que o “olho de gaviao” reverteu. O placar era de 2×5 naquele momento. O servio pirou, momentaneamente, e perdeu cinco games seguidos, enquanto Federer se enchia de confiança.

No início do quinto tudo indicava que Roger conquistaria se oitavo Wimbledom e 18 GS. Era uma situaçao muito difícil para o sérvio após ver a vitória escapar por seus dedos no 4o set. Ele até deixou alguns de seus conhecidos demônios entrarem, mas no final teve a maozinha do oponente.

O set foi estranho, para se dizer mínimo. Até o ultimo game tudo indicava uma vitória de Federer. Ele fechou dois games seguidos em 40×0 enquanto Novak insistia na estratégia do atendimento médico e consequente retardamento do jogo. O servio penava para ganhar seu serviço enquanto que o outro navegava. Federer chegou a ter um BP no 3×3, o que, naquela altura, espelhava um MP. Mas Novak encontrou a coragem para acelerar uma direita cruzada que cauiu no cal.

Até a hora da onça beber água. No 3×4 Federer começa a pensar e engasgar. Tem dois BP contra que salva com milagres. Um deles com um voleio bate pronto digno de Carlos Kirmayr. Outro uma bola de Djoko bate na fita e fica.

Djoko mantem o serviço com facilidade e, no 4×5, para minha total surpresa, Federer desmonta emocionalmente. Perde o serviço em 15×40 em um game que nao serviu as expectativas do resto da partida, uma das grandes finais de Wimbledon. Djoko nao só nao morre na praia, como conquista seu sétimo título de Grand Slams e, com muita categoria, primeiro cumprimenta seu adversário para depois agradecer aos céus e, mais uma vez, caindo de joelhos, fazer um lanchinho à base de grama.

Autor: Tags:

sábado, 5 de julho de 2014 Novak Djokovic, Roger Federer, Wimbledon | 22:39

Final de Wimbledon imperdível.

Compartilhe: Twitter

Para aqueles que amam o Tênis nao percam amanha, a partir das 10h da manha, a possível ultima chance de Roger, El Topete, Federer de conquistar um título de Grand Slam. Isso porque acho muito difícil que o suíço, que faz 33 anos em Agosto, consiga tal feito em torneios de quadras duras – nao vou nem falar do saibro. As duras sao bem mais exigentes no físico, algo que, como nao podia deixar de ser, o rapaz tem cada dia menos. Lá o bicho pega bem mais a cada partida, além de ser bem mais difícil de conseguir os resultados que conseguiu na grama de Wimbledon nesta ultima quinzena.

Na grama o desgaste nas duas semanas é bem menor, o que aumenta suas chances comparativamente. Eu até diria que se vencer em Londres suas chances aumentam em New York, mas acho beeem difícil. A maior preocupaçao física do rapaz sao as dores nas costas, que o tapete de grama ameniza barbaridades e as duras punem.

Pode-se comprovar esse raciocínio com a preocupaçao do rapaz em passar o tempo mínimo em quadra, evitando suas famosas “viajadas”. A única partida em que ficou mais de três sets em quadra foi contra seu colega Stan, onde jogou 4 sets. O resto foi rapidinho. Isso fez com que chegasse à final fresquinho e nas pontas dos cascos, uma exigencia para quem enfrenta Djokovic em finais de GS, já que o sérvio é sempre o melhor físico em quadra.

Só para completar, os números que importam. Roger tem a vantagem de 18 x16 vitórias. Em Wimbledon jogaram uma única vez!, nas semis de 2012, com vitória do suíço em 4 sets.

Nao que Roger Federer seja o favorito, a situaçao é equilibrada com ambos tendo vantagens e desvantagens, mas será muito interessante ver esse conflito, nesse palco, nessas circunstâncias. Aliás, imperdível.

 

Autor: Tags:

quarta-feira, 18 de junho de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Wimbledon | 20:38

Os cabeças em Wimbledon

Compartilhe: Twitter

Os ingleses anunciaram hoje os cabeças de chave em Wimbledon. Eles continuam se auto autorizando a fazer essa escolha conforme seus próprios parâmetros. Sao os únicos a fazê-lo, já que os americanos arquivaram o assunto após muitos protestos.

E qual esse critério dos ingleses? Seguinte:

1-Pegam os pontos do ranking ATP de 16 de junho
2-Acrescentam 100% dos pontos ganhos em todos os torneios sobre grama nos últimos 12 meses.
3-Acrescentam 75% ganhos no melhor resultado sobre grama nos últimos 12 meses anteriores aos 12 meses acima.

O interessante é que essa fórmula só vale para a chave masculina. A feminina obedece o ranking da WTA.

É justo? Sobre justo sabedoria popular tem um ditado grosseiro. É injusto? Nao – nem tanto, a nao ser por aquele último quesito. Mas é como é.

Vejam como sao os top13 da ATP:
1-Nadal
2-Djoko
3-Wawrinka
4-Federer
5-Murray
6-Berdich
7-Ferrer
8-Del Potro
9-Raonic
10-Gulbis
11-Isner
12-Nihokori
13-Dimitrov
14-Gasquet
15-Fognini
16-Youzhny

Vejam como ficou em Wimbledon:
1-Djoko
2-Nadal
3-Murray
4-Federer
5-Wawrinka
6-Berdich
7-Ferrer
8-Raonic
9-Isner
10-Nishikori
11-Dimitrov
12-Gulbis
13-Gasquet
14-Tsonga
15-Janowicz
16-Fognini

E quais as consequências disso? Esse ano até que muita. Andy Murray, o atual #5 do ranking da ATP, é o mais favorecido – nao esquecer que é o atual campeao. Em Wimbledon será #3. Poderia, pelo ranking ATP, cair contra um dos quatro primeiros ainda nas 4as de final. Agora só pegará um dos top dois nas semifinais. Ajuda.

Wawrinka o que leva a pior. Vai cair na rede.

Para Nadal e Djoko nao importa – é mais uma questao de status.

Bom também para Tsonga e Janowicz que estao entre os 16 cabeças. Ruim para Youzhny, único que dançou nessa.

As mulheres nao entram nessa história, provavelmente porque os organizadores acreditam que nao faz nenhuma diferença os estilos femininos de jogar na terra ou na grama. Aliás, no tênis feminino só tem praticamente um estilo, onde, entre outras coisas, o saque, cam rarissimas exceçoes, nao é um diferencial. Mas nenhuma delas vai ganhar a vida sacando e voleando.

Autor: Tags: ,

terça-feira, 10 de junho de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roland Garros | 19:01

Aquém e além

Compartilhe: Twitter

O que posso escrever sobre a final masculina de Roland Garros?

O jogo era histórico, por tudo que já foi detalhado, e importava demais para ambos tenistas. Um que deve chegar a inéditos e impressionantes 10 títulos (até os 30 anos, apesar de cada ano daqui pra frente ser mais difícil e de sua corrida particular com Federer no total de títulos de GS – 14×17) em um GS, e outro que tentava seu primeiro título em Paris e fechar o circulo de títulos em todos eles (6 no total).

O jogo ficou aquém das minhas expectativas, especialmente após aquela magnífica semifinal no ano passado no mesmo palco. Os dois jogaram abaixo. E como um precisa exigir do outro – como os campeos fazem – a coisa nao decolou. Mesmo sendo uma final, onde existe mais em jogo e os nervos impedem, geralmente, a mesma qualidade, nao decolou.

Até pensei que pudesse ir por esse caminho após Novak vencer o 1o set, administrando a vantagem de ter vencido as ultimas quatro partidas entre ambos, nao conseguiu manter a qualidade na hora que Rafa alongou as bolas, aumentos o spin e brigou por sua vida. Afinal, ambos sabiam que uma vantagem de dois 2×0 em sets e a memória dos 4 jogos acabaria com o jogo. Entao, aquele final de set foi decisivo na partida. E Rafa foi mais jogador, enquanto Djoko vacilou ao perder o saque no 5×6 e nao cacifar a chance de levar para o TB, onde teria a vantagem emocional. Ali o confronto se definiu.

Djoko acusou o golpe. E sua mente enviou uma mensagem nao muito legal para seu emocional. Começou a sentir problemas estomacais, que culminaram com o vômito, o que, para quem conhece, é um claro sinal de problemas de nervos. O desejo de Djokovic pegava o caminho errado e lhe atrapalhava.

A coisa se sacramentou com a facilidade que Rafa venceu (6-2) o 3o set. A partir de entao a correnteza ficou do lado do espanhol.

Novak se acalmou, até porque o momento passou a ser do outro e nao mais seu, e procurou ficar no jogo, pagando para ver. Afinal, ele sabia, deve ter sido conversado com seu time, que Rafa vinha de sua pior temporada de saibro em anos, e a sua confiança nao era aquela princesa de olhos azuis.

Alí, naquele meio e fim do quarto set a briga ficou feia e foi o melhor momento do jogo em termos de emoçao. Até porque ambos deviam saber que Rafa estava mais esgotado do que Novak e, com tudo igual no placar, a pressao voltaria para Rafa. Alí foi a hora da onça beber água. E ali, mais uma vez, Novak sentiu. Fez 30×0 e tremeu. E com Rafa nao se treme, muito menos mais de uma vez, nao importa quantas qualidades se tenha.

Curiosidades:
1-Após vencer, Rafa abandonou a quadra e subiu ao seu camarote para encontrar seu pessoal. Passou pelo pai com breve abraço e, com pressa chegou ao tio. Alé cochicou que precisava que o fisioterapeuta descesse à quadra urgente. Quem acompanhou a premiaçao viu que o espanhol estava se acalambrando todo.
2-As estatisticas do jogo foram estranhas, bem estranhas, especialmente com o placar de 3×1 (2 sets de diferença) para Nadal.
O numero de bolas vencedoras quase identicos: 44×43 pra Nadal.
Na rede a mesma porcentagem 69%x68% Rafa
Pontos ganhos com 1o serviço. 73%x72% Nadal
Média de velocidade 1o saque: 182kmhx175 Novak / 2o saque: 145×136 Novak
As diferenças?:
Erros nao forçados: Novak:48 x Rafa 38
Break Points vencidos: Rafa 6 em 10 enquanto Novak 3 em 9. Aí …..
3-Novak realmente acreditava, após tudo o que aconteceu na temporada de saibro e nos 14 dias de RG até a final, que esta era sua chance de vencer Roland Garros. O cara foi simpaticissimo com o publico, e a imprensa francesa, toda a quinzena e até poliu bem seu francês, um must para ganhar a torcida local. Minha mulher até chorou.

Autor: Tags:

terça-feira, 3 de junho de 2014 Juvenis, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:35

O confronto

Compartilhe: Twitter

O Ernst Gulbis decidiu que este seria o seu Grand Slam. Depois de anos aprontando pelo circuito e pela vida decidiu jogar tênis. Perigoso sempre foi. Bater Federer deve ter lhe dado uma boa injeçao do Confiatrix, porque ele castigou o Berdich sem dó. A pergunta é; ele pode bater o Djoko? A resposta positiva exige dois cenários. Primeiro que jogue bem cinco sets. E quando digo bem, quero dizer muito bem! E que mantenha o emocional até a hora de apertar a mao do adversário. Porque senao o outro morde. Cabeça mesmo o letao nao tem para bater o sérvio, que é uma das maiores forças mentais do circuito, atrás só do Animal Rafa. Entao Gulbis terá que jogar muito e Djoko abaixo de seu padrao de semifinal de Grand Slam. Senao dá Djoko, que está babando para vencer RG pela primeira vez.

Nadal deve varrer Ferrer, a final do ano passado está na cabeça de ambos, com certeza. O fato de ser jogada na SL e nao na Central, que é o quintal do Animal, ajuda Ferrer. Mas ele vai precisar mais do que isso. E esse mais terá que vir de alguma bobeira do Animal.

O jogo, que tem tudo para ser “O Confronto” de RG 2014 será na Quadra Central – ManoMonfils e MalaMurray. Este torneio está fraquinho de grandes jogos. Só me lembro de Federer x Gulbis, e mesmo assim Federer pisou na bola muito cedo no quinto. Nao deu aquele friozinha na barriga.

Esses dois contra atacadores e dois físicos privilegiados adoooram pontos longos. Podem bater o recorde de tempo de jogo em RG. Se nao me falha a memória, um confronto entre os franceses Santoro e Clement – 6 1/2hrs de empurraçao de bola em 2004. Como os dois sao malucos de dar dó, é melhor nao se apostar no jogo. E ganha quem tiver coragem de atacar na hora da onça beber água.

Se já era bom torcer pelo mineirinho Bruno Soares, ficou melhor ao ele escolher a Secretária Schvedova como parceira. Gosto dela e ainda me é uma incógnita o porque da moça nao se dar melhor nas simples. Mas é boa duplista, com ótimas devoluçoes, um bom saque e se vira na rede. Os dois deram um cascudo na dupla do coroa Nestor e a cavala Mladenovic e jogam a semifinal contra uma duplinha fantasma; Groenefeld/Rojer. Verdade seja dita, se chegaram à semis nao podem ser ruins. Mas sou mais a “nossa” dupla.

O juvenil Orlando Luz está socando os adversários. Bateu o russo Medvedev, um tenista que, com certeza, vai fazer carreira nem que seja só pelo serviço. Orlando nem piscou. Enfiou dois sets rapidinhos (1 e 3) no russo e está nas quartas. O garoto é muito forte mentalmente, o que é uma grande qualidade em um juvenil – veio para Paris para ganhar. O outro brasileiro, Marcelo Zormann, joga hoje contra outro russo, Khachanov, cabeça 3.

Autor: Tags:

sábado, 31 de maio de 2014 Juvenis, Novak Djokovic, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:00

Domingao

Compartilhe: Twitter

Foi o dia de melhor tempo da semana, com um sol que por vezes brilhou, por vezes se acanhou. Mas foi um dia que deixou rabo para trás com dois jogos por terminar, o horror dos tenistas. Murray, que adora uma enrrolation, está na bacia das almas com o alemao Kohlschreiber, um encardido tenista sobre o saibro, donos de uma das grandes esquerdas com uma mao do circuito. Com ela faz tudo e mais um pouco. Já o MalaMurray, sobre quem escrevi esta semana, nao consegue ficar distante desses jogos enrolados. Os dois vao dormir pouco, já que o estresse é grande, acordar cedo e jogar a segunda partida da SL, após Berdich e Isner jogarem alguns tie-breakers.

Quem nao terminou também foram Verdasco e Gasquet. O francês faz seus conterrâneos sofrerem com sua personalidade – ou seria a falta dela? Jogar, na quadra principal de seu país, e nao conseguir jogar deve ser um sofrimento ainda maior para esse tenista que foi a maior promessa dos franceses nos últimos anos. E promessa nao cumprida. Verdasco tem 2×0 em sets e só perde se pirar.

Vai ser um Domingao em RG. A quadra central será invadida pela nova sensaçao feminina, a canadense Eugenie Bouchard enfrentando a alema Kerber que há tempos ronda um grande resultado nos GS. Em seguida entram Verdasco e Gasquet.

Depois entram Federer e Gulbis, o que deve ser, no mínimo, interessante. Como o letao gosta de um palco, duvido que ele vá fazer um papelao e nao aproveitar a oportunidade de pegar o veterano na principal quadra de um GS.

Logo depois El Djoko enfrentar Tsonga e a torcida francesa. Tsonga declarou no início da semana que seu palco favorito é a quadra central do Aberto da França com a torcida ao seu lado, o que nao é nada mal. Sao dois tenistas que adorariam o título em Paris. Tsonga porque seria o maior feito que poderá ter em sua carreira, o que o faria o novo deus do tenis frances, e Djoko porque é o único título dos Slams que lhe falta. Um vai manter o sonho vivo. O outro sequer estará na segunda semana do torneio.

Ainda teremos a partida entre a égua Muguruza e a fraquinha Parmentier. Se nao tremer a vezuelana/espanhola passa mais uma rodada com facilidade. Mas a essa hora estarei longe da QC.

Até porque deve ser na hora da Maria enfrentar a Stosur na SL – muito mais interessante, pelo tênis. Antes delas teremos o Isner e Berdich, o final do jogo do Murray, depois a Navarro x a croata Tomijanovic.

Em seguida Raonic, que começa a querer dar um novo e maior passo na carreira, vencendo partidas que antes nao vencia em torneios que nao ia tao bem, contra o mágico Granollers. Poucos fazem tanto quanto esse espanhol. Esse cara merece uma medalha pelo o que faz com aquela esquerdinha sem vergonha. Um lutador e um jogador.

Pelo jeito vou ficar mais tempo na Central do que na SL, a nao ser para ver o Mala terminar o que nao terminou, de um jeito ou de outro. Com passeios pelas quadras secundárias, repletas de jogos como a dupla do Bruno Soares e sua parceira, a Secretaria Shvedova, e o início do torneio juvenil, com as partidas do jovem Orlando Luz, Rafael Matos, Leticia Vidal e Luisa Stefani, todos amanha.

Domingao dos bons!

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. Última