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Arquivo da Categoria Minhas aventuras

segunda-feira, 16 de novembro de 2009 Light, Minhas aventuras, Porque o Tênis. | 17:56

Adoramos

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Como tudo, para a primeira vez não existe uma ficha de informações. Assim sendo entrei no Yacht Club Paulista com a alma e a mente aberta e esperando pelo melhor. Escrever um blog é uma experiência relativamente nova e a improvisação tem sido uma constante na busca do acerto. Como o pessoal do IG me assegura que o blog é um “case” de sucesso, por razões que um dia discutirei por aqui, levo o assunto adiante na base da intuição.

O que estava claro na minha cabeça era o que havia motivado o pessoal da base organizar o encontro: a paixão pelo tênis, pela escrita e pela leitura. Como o blog não é literário, apesar da capacidade de um e outro leitor, a mim não assaltava a dúvida do que seria o amálgama do nosso encontro.
Já fui uniformizado. A raquete na sacola, assim como boné, munhequeira, toalha etc. Alguns deles já estavam em quadra, deixando claro que pensavam como eu. Chegando fui logo perguntando quem havia marcado jogo para as 9hs de sábado, horário proibitivo para um notívago e para qualquer tenista sério sobre seu jogo – a não ser os tarados.

Mal cumprimentei as pessoas e o Flávio B. colocou um livro de crônicas de sua autoria em minhas mãos. Cinco minutos depois Maysa nos levou para conhecer as simpáticas e surpreendentes instalações do clube. Em seguida fui para a quadra, onde fiquei até às 14:30h, quando Maysa nos convocou para a chuveirada que, por conta do calor, foi um nirvana molhado, seguido do almoço, simplesmente divino.

Sentados à beira da janela, com a represa ao fundo e a brisa amenizando o calor, a feijoada era o prato do dia da casa. O filho do Giuliano preferiu um filet e teve que defender com unhas e dentes suas fritas que, juro, me chamavam. Eu fui de peixe e salada – divinos. Após horas debaixo do sol se comesse carne só levantaria no dia seguinte. A cozinheira está no clube há 32 anos e agora sabe-se bem porque a senhora mantêm seu emprego. O cremoso bolo de chocolate estava dos deuses.

Flávio B como tenista é um ótimo escritor e talvez o mais desinibido do grupo. Tem opinião sobre tudo, estórias mil, não deixa a peteca cair e não tremeu na hora de ganhar o jogo. Seu livro já está na minha cabeceira.

Adriana surpreendeu pela qualidade de seu jogo, considerando o pouco tempo que joga. Como se trata de uma corredora de fundo, usa bem as pernas para chegar nas bolas, é competitiva e entende, intuitivamente, o tênis porcentagem. Seu maridão leva o jogo na maciota e sem erros. Ela confessou que foi parar no blog para descobrir quem era aquele chato que comentava os jogos na ESPN. Jura que mudou de opinião.

Marcos é um canhoto que sabe aproveitar a velocidade e a facilidade para golpear as bolas. Seu drive é excelente, tanto o cruzado como o paralelo, no entanto seu saque está abaixo do resto de seu padrão. É competitivo, adora conversar, é contador de estórias e me presenteou com um vinho que trouxe de sua recente viagem pelas vinhas gaúchas. Teve que ir embora na hora do almoço pois era aniversário da mulher.

Giuliano é um bom 2ª classe e, de longe, o melhor tenista do grupo. Seu irmão também joga direitinho e uma partida sua com Marcos seria equilibrada, assim como foi nossa dupla. Giuliano chegou armado da cabeça aos pés e pronto para a luta. Como saiu do Rio às 4h da manhã, e ainda foi pegar o irmão em Itapecerica da Serra, chegou depois do meio dia. Infelizmente não deu para jogar mais do que dois sets de duplas. Muito afável, como o resto da família, será desafiado em minha próxima passagem pela cidade maravilhosa. Estava acompanhado da esposa, de quem minha mulher falou muito bem, de um casal de filhos e do irmão, simpaticíssimo, e família.

Martin A. veio de Campinas, não se uniformizou e, consequentemente, não entrou em quadra. Como eu passei a maior parte do tempo em quadra só tive chance de conversar, brevemente, com ele no almoço. É uma figura sossegada, educada, claramente bem informado, com agudo sotaque hermano e sapatos Guido nos pés.

Alexandre veio de Niterói e aparentou ser o mais inibido, apesar do sorriso largo e gostoso. É polido, de uma educação ímpar e adquiriu seu mestrado, em exatas, em Coimbra, de onde recém voltou. Ele que foi à Wimbledon este ano. No entanto, talvez por ser retraído, acabou não entrando em quadra comigo, algo que me fez sentir deveras mal quando me dei conta.

O almoço correu na maior alegria e descontração, com as pessoas mudando de lugar para conversar com as outras. Terminou logo após a magra vitória do Brasil sobre a Inglaterra, só acompanhada pelos berros na sala ao lado. Marisa me garantiu que durante as finais de GS o pessoal acompanha as transmissões pela ESPN naquela sala que me lembrou um castelo germânico.

O café foi tomado no salão, já na companhia do Comodoro Bruno, maridão da Maysa e nosso co-anfitrião. Os homens ficaram conversando sobre esportes em geral. As mulheres, acompanhadas do Flávio, sentaram outdoors, que estava mais convidativo. O ambiente foi descontraído, amigável e confessadamente gostoso. Não posso imaginar um sabadão mais atraente.

Se os comentaristas – incluindo familiares, fato que acrescentou na nota – foram os protagonistas desse sucesso, a estrela foi a nossa anfitriã.
Além de apaixonada pelo tênis, Maysa passa a inquestionável impressão de ser apaixonada pelas pessoas e pela vida. Recebeu a todos como se fossemos família e nos fez sentir totalmente à vontade. Fomos tratados a pão de ló. Adoramos.

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Minhas aventuras | 00:20

Sábado na represa.

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Pegar o carro e sair pela periferia de São Paulo é sempre uma aventura, quase sempre surpreendente. Fazia alguns anos que não me aventurava pelos lados da Represa de Guarapiranga, um lago incrustado dentro da cidade que, com seus 28 km de margens, poderia, em países outros, ser um detalhe geográfico tão maravilhoso como os que marcam cidades como Chicago, Minneapolis ou Berlin.

No século passado, o local, a uns 25 km do centro da cidade, foi procurado por estrangeiros que sabem apreciar o valor da natureza em nossas vidas. Alemães construíram suas casas e clubes ao redor da represa. A história do iatismo brasileiro vem sendo construída por nomes nas águas de Guarapiranga. Foi ali que boa parte de nossos medalhistas aprendeu a velejar, assim como foi ali que, em uma lancha puxada pelo patriarca Kirmayr aprendi, as duras penas e tombos, a esquiar.

Nos anos sessenta e setenta eu ia muito por lá, em casas de amigos e festas maravilhosas, quase sempre protagonizadas por brotinhos de traços, perfis e hábitos europeus de uma primeira geração paulista.

Voltar nos tempos atuais é como se voltasse a um lugar nunca dantes ido. A periferia de São Paulo cercou a represa com um cinturão de pobreza e um infindável mar de casas que nada lembra o que um dia foi Guarapiranga. No entanto, ilhas de beleza iluminam o local, entre elas o Yacht Clube Paulista, um clube náutico fundado em 1932.

Foi nesse local que Maysa, a impecável anfitriã do nosso grupo, nos recepcionou. Uma vez passada a portaria, um ar interiorano do meio do século passado toma conta. As árvores são antigas e frondosas, a sede espelha as características germânicas, os hangares dos barcos são enormes e custariam um dinheirão para construí-los atualmente, a piscina azul e as quadras de saibro um convite às raquetadas.

Quase perco a oportunidade. Se não fosse minha troca de emails com Maysa, pedindo direções, permaneceria com a certeza de que o encontro aconteceria no Domingo, o que seria um desastre.

Com a informação correta pude viver essa experiência única e passar um dia maravilhoso com amigos que só conhecia através do blog. Esse negócio de internet pode ser uma aventura, às vezes surpreendente.

Não se preocupem, os detalhes vem amanhã.

Nas fotos abaixo: O YCP, a Maysa com uma amostra das frutas com que nos recepcionou. Marcos P., Flavio B, PC com sede e Maysa acenando. Marcos P. na rede e Maysa ao fundo em foto artistica. Giuliano, o da direita sinistra, e PC.

O grupo, já extenuado, após os jogos: Martin A, Marcos P, Giuliano, Adriana, Silvio, o namorido, PC, Silvio, irmão de Giuliano, Flávio B e senhora, Maysa e Alexandre.

PC e Bruno, maridão da Maysa e nosso anfitrião. Alexandre, PC, Martin H e Flávio B. A última e magnífica ceia.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009 Minhas aventuras | 20:33

En efectivo, claro!!

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Muito mudou em Buenos Aires nos últimos anos. Em especial os argentinos. Provavelmente por mais de uma razão, os hermanos baixaram a bola e estão mais afáveis e simpáticos, para não escrever agradáveis e educados. Não vou entrar na sociologia do fato, fico na constatação – talvez o Martin H., que tem mais ferramentas para tal se anime.

Alguns detalhes chamam a atenção, não por ser importantes, simplesmente por eu estar nas ruas. A economia deles ainda está no início do processo da incorporação do cartão de crédito. Contas de restaurantes podem ser pagas em cartão, boa parte das vezes, mas nem sempre – é bom perguntar antes. O serviço, que nunca vem embutido na conta – como o Brasil, que assumiu de vez esse péssimo e rude hábito, pois induz ao serviço mal feito – só pode ser pago “en efectivo”.

Argentinos são extremamente prolixos. É uma viagem ouvir rabos de conversas deles ou mesmo conversar com eles. Não tão rao parece conversa de doido. Eles vão por caminhos que parece não encontrar nexo ou um fim. No final acabam concordando com um sempre presente “claro!!!”

O que pode nos levar à loucura, ou pelo menos nos fazer colocar, literalmente, o pé na merda são os cachorros. O que o pessoal gosta de um cão é brincadeira. Até aí, tudo bem. O duro, o mole seria o mais correto escrever, é que eles não têm o civilizado hábito de carregar aqueles saquinhos plásticos e recolher os rejeitos caninos. Não mesmo. Sem a menor cerimônia, a cachorrada vai se aliviando e os argentinos se quedam com aquela cara de paisagem, como se não fosse com eles. Para não voltar para casa carimbado há que se caminhar com um olho na paisagem e outro no chão.

Como não podia deixar de ser, as mulheres me chamam a atenção. Só que, agora, por razão distinta. Eu sempre vim à Argentina com a expectativa de encontrar, ou pelo menos ver, lindas mulheres pelas ruas. Bem, se elas continuam por aqui, na mesma proporção de antes, devem estar saindo de casa em horário distinto do meu.

Onde estão as mulheres esguias, com calças jeans apertadas, botas, cabelos soltos e bem tratados, rostos interessantes, olhar de “soy más jo”? As argentinas deixaram de ser patricinhas e se tornaram mulheres. Talvez aquelas outras fosse um engodo. Se pensar bem no assunto, o que não faço, os homens também mudaram. Aqueles cabeludos, de eternos blazers” azuis e pintas de galãs de filme argentino, “por supuesto”, também não se vê mais.

Hoje se vê mais os “negros” pelas ruas. Óbvio que não me refiro a negros – só vi dois até agora – e sim aqueles descendentes dos índios, tipo Maradona, que recheiavam as areas menos favorecidas no país e a quem eles se referem, carinhosamente, eu suponho, como “negro”. Pelo sotaque, também parece haver mais latino-americanos por aqui do que antes.

Os argentinos continuam se indignando muito mais do que nós, o que nos deveria servir de exemplo e inspiração. Odeio essa coisa do brasileiro virar a outra face para tudo de errado que fazem conosco – de políticos sem vergonha a imbecis que param os carros na calçada como se os pedestres fossem lixo. Por isso não entendo como por aqui o pedestre segue sendo invisível. Você que tente entrar na frente de um carro ou, pior, de um ônibus, para atravessar a rua.

Fora isso, a cidade continua extremamente interessante de se passear. Pela diversidade, pela arquitetura, pelo verde, pela dramaticidade, pelo equilíbrio da provincia com a metrópole, assim como das pequenas ruas arborizadas com as enormes avenidas, todas repletas de plátanos, pela hospitalidade de se caminhar, pelas livrarias e os cafés. Pelos argentinos nas ruas, menos pesado e, apesar das eternas dificuldades que de maneira perene assolam o país, mais de bem com a vida.

Mas o que salta aos olhos é a simpatia ou, no mínimo, a ausência de antipatia que eles mostram com os hermanos do norte. O que me deixa contente, pois sempre fui fã dos argentinos e incomodava a maneira como se comportavam conosco. Gosto daqui e gosto, agora ainda mais, deles. E cá entre nós, que bela cidade é Buenos Aires.

DSC02694 Buenos Aires aos meus pés.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009 Minhas aventuras | 00:32

Panterinhas

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Uma das razões pela qual eu sonhava em terminar minha carreira de técnico eram as viagens de avião. E os aeroportos. Dois infernos que pensei me acompanhariam pelo resto dos meus dias.

Cheguei a voar cerca de 80 vôos anuais, o que eu considero acima de qualquer medida de bom senso. E se eu estava voando isso, os tenistas profissionais não estão muito longe. Podem acreditar, essa é a principal razão, ouvida da boca de inúmeros deles, para abreviarem o dia da aposentadoria.

Com os anos, cheguei a estressar de vez a só poder entrar em avião após tomar uma “panterinha”, apelido dado à pílula mágica, por um amigo tenista, pela sua cor rosa. Sorte que não tive que encarar exames antidoping e não passar pela vergonha que o careca deve estar passando, para aliviar a consciência e aumentar a conta no banco. Mas eu, que não sou bobo, louco ou viciado sempre tive a supervisão de um médico.

Aliás, li algumas outras partes do livro da careca de Las Vegas e adianto que serei um dos que irão morrer com os U$29,99, ou o que seja, a não ser que uma alma generosa me ofereça um de presente. O livro promete, e não estou me referindo às partes que falam se suas aventuras com drogas. Deve ter muita coisa interessante por lá.

No entanto, duvido que a minha pastilhinha estivesse na lista negra, já que jogar tênis naquelas condições não é exatamente adequado. Era como se uma mão invisível invadisse minhas entranhas e tirasse aquela ansiedade torturante, amainando a angustia da percepção da mortalidade eminente, ao mesmo tempo que me deixava com zero espírito competitivo, faceta obrigatórias em um jogador.

Conheci vários tenistas que começaram a carreira indo para o aeroporto cheios de energias, sonhos e boas expectativas. Com as infindáveis horas passadas a 10.000m, os intermináveis momentos de ansiedade causados pela incerteza de se conseguiriam vôo para a próxima cidade, já que o tenista não fica um dia sequer na cidade após perder, filas, check-in, turbulências, noites mal dormidas, refeições horríveis, bagagens extraviadas, vôos lotados e sem lugar e um universo de imponderáveis que inferizam a vida, os tenistas literalmente sonham com o dia em que só viajarão a passeio. Isso para não mencionar quartos de hotéis, clubes, e eternidades longe da família e amigos.

Como técnico, passei quase duas décadas nesse turismo forçado. Por conta disso, atualmente só me comprometo com viagens onde o passeio e a descobertas de novos lugares sejam as prioridades. Podem até ser lugares já conhecidos, só que agora apreciados sob um novo ponto de vista.

Este fim-de-semana subi em um avião em Guarulhos sem sequer saber se ainda tenho alguma “panterinha” na gaveta do banheiro. O vôo longo foi longo o bastante para assistir The taking of Pelham 123 – um filme que adorei ver o original no início dos anos 70 e me deixou então na beirada do assento, algo que o atual, mais fraco, não conseguiu fazer.

O destino, Buenos Aires, onde, como não poderia deixar de ser, tive inúmeras experiências dentro e fora do tênis. Isso fica para outra hora. O foco hoje é outro, apesar de que pretendo bater minhas bolinhas em um clube no Parque de Palermo. Enquanto isso, se os leitores tiverem algumas dicas da hora, o espaço dos comentários está aí para isso.

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O filme melhor então, os vôos melhor agora.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009 Light, Minhas aventuras | 16:08

Comentarista de TV

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Os jogos do Torneio de Estocolmo, mostrados pela ESPN-BRASIL, que estarei comentando a partir de hoje, não devem ser mostrados ao vivo, com exceção de uma semifinal, sábado às 9h da manhã. Fora essa, o melhor é confirmar na programação da TV: http://espnbrasil.terra.com.br/programacao. (Acreditem ou não, acabo de descobrir que deu problemas na transmissão, lá na Suécia, e não mostramos o jogo de hoje – de quinta para sexta. A ESPN-BRASIL está tentando convencer os suecos em enviar as imagens do jogo do Thomas Bellucci – só saberemos amanhã).

Novamente, as transmissões serão feitas pelo Osvaldo Maraucci, que deve voltar todo falante de sua lua de mel, e este bloguista. Espero que se divirtam, apesar dos horários e malabarismos da TV.

Um dos meus leitores, o caro leitor/tenista Giuliano, pergunta quais os critérios para a escolha de comentaristas de TV, já que não há um curso específico para tal. Não sei, porque nunca me disseram. Suponho que seja um pouco como você diz: indicação, network de conhecidos etc. Sei que a ESPN não é fã de escolher ex-atletas, pelo menos no futebol. Nos outros esportes escolhem pessoas que sejam, acima de tudo, entendidas do assunto; atletas e técnicos.

No meu caso, comecei na ESPN-BRASIL na sua inauguração, vinte anos atrás, a convite do Jose Trajano, com quem havia tido a experiência em editar uma revista – “Tênis Esporte”, no início dos anos oitenta. Durante sete anos produzi o Jornal do Tênis, o único programa de tênis semanal de ½ hora cada um na TV brasileira. Na época, pré-Guga, também tínhamos os Masters Series e eu os comentava com a narração de diferentes locutores. É uma época anterior ao interesse no tênis por boa parte dos meus atuais leitores.

Deixei de produzir o Jornal do Tênis, que foi enterrado, assim como priorizei, por dez anos, as viagens aos Grand Slams, onde escrevia para o Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, IG e outros.

Com um novo convite, uns quatro anos atrás, de comentar os GS em estúdio, não indo aos locais, alinhei com meu novo ritmo e prioridades, como a de só viajar a lazer. Eventualmente, quando possível, aceito comentar os eventos menores como o Torneio de Estocolmo. É uma boa maneira de acompanhar o circuito e seus progressos, diverti-me e ainda sendo pago. Quanto, respondendo a outro leitor, escolho não divulgar. Mas está de bom tamanho.

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My name is Bond, bond bola.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009 História, Minhas aventuras, Porque o Tênis. | 20:42

43 minutos.

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Meu pai se apaixonou pelo tênis pouco antes de completar 30 anos. Aprendeu sozinho e ensinou um grande número de pessoas, inclusive seus cinco filhos, mulher, genros, netos, além de inúmeras outras pessoas, já que passou seus últimos anos se dedicando à sua paixão – jogar e ensinar tênis.

Talvez essa paixão explique o seu gosto por jogos longos. Provavelmente não. Adorava deixar seus adversários abrir 4×1, 5×2 e aí avisava, com um sorriso, que iria buscar. Até hoje, a última vez foi neste fim de semana, ouço amigos e desconhecidos lembrarem suas peripécias. A esmagadora maioria adorou fazer parte dessa história, mesmo quando estiveram no lado errado da rede.

Ele adorava jogar torneios e chegou à 1ª classe, dos razoáveis. Mais do que tudo, adorava se divertir em quadra – tênis foi sua terapia, mesmo que nem sempre quem estivesse do outro lado da quadra conseguisse permanecer são.

Outro dia, li no New York Times uma história que me lembrou de uma sua. Não me exijam detalhes desta, porque eu era muito jovem e muito daquela época só revive graças a uma memória afetiva, não tão exata e confiável.

O que lembro foi que aconteceu ali na antiga Quadra 8 do Clube Pinheiros, hoje Quadra 10, não sei por que tinham que mudar o número! Era uma noite, isso eu me lembro claramente. O jogo foi um daqueles encardidos, algo que ele adorava mais do que assistir faroeste na TV comendo mexericas ou caminhar de alpargatas.

O adversário eu não me lembro, mas recordo que havia algumas pessoas acompanhando, até porque os jogos dele atraiam um certo público. Curiosos e masoquistas, eu diria.

O fato é que, já próximos do fim do segundo set, eles entraram em uma longa troca de bola. Como sei que muitos aqui jogam pouco – ou estou errado? –  e os que jogam devem estar mais acostumados com a força dos golpes atuais e a decisão dos pontos pela via rápida, tenho receio que vão pensar que sou um mentiroso ou, na melhor das hipóteses, um delirante.

O fato é que o Sr. Edson e seu adversário disputaram um ponto por 43 minutos! Quarenta e três minutos! Só me arrisco a contar essa história por ter lido a outra.

Esta, documentada, aconteceu em 23 de Setembro de 1984, em torneio profissional feminino em Richmond, Virgínia, entre Jean Hapner e Vicky Nelson-Dunbar. As tenistas disputaram um ponto durante 29 minutos, o recorde em torneios profissionais. O jogo estava 11×10 no tie-break para Hapner, que perdeu o ponto, o set e o jogo (6/4 7/6 (11)) em 6.31 h minutos. Se alguém tem a curiosidade, as duas trocaram 643 bolas, já que um jornalista, com um bom faro para histórias, fez a contagem à beira da quadra.

Após o ponto, Vicky caiu na quadra, teve câimbras, levou uma penalidade e assim mesmo venceu os dois pontos seguintes para vencer o tie-braek, que só ele levou 1.47h.  A partida entre as duas manteve o recorde da mais longa do tênis profissional por quase 20 anos, até que Santoro e Clement, em RG 2004, quebraram o recorde por 2 minutos, só que em partida jogada em cinco sets.

Duvido que alguém tenha batido o recorde do Sr. Cleto, que foi devidamente cronometrado pelo Sr. Zé Leiteiro, gerente das quadras do Pinheiros, que, como aquele jornalista de Richmond, viu que a o momento levava àquilo.

A grande questão aqui não é o tempo. É a batalha mental envolvida, a força emocional necessária para ficar ali, no mano a mano, com seu adversário, decidindo quem quer mais, quem pode mais. É um teste de vontade único. Tenho a certeza que era isso que cativava o Sr. Edson. Não lembro com certeza quem ganhou o ponto – suspeito que o Sr. Cleto, e tenho a quase absoluta certeza que meu pai venceu a partida. Não importa. Como eu disse, a memória que vale, a afetiva, me diz que ele venceu ambos. Mas sua conquista, a de fazer com um sem número de pessoas se apaixonassem pelo tênis sobreviveu e fala bem alto até hoje. A história acima oferece um razão do por que.

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Edson Cleto, (primeiro à dir.) pronto para se divertir.

dunbar.190Vicky Dunbar – uma mulher paciente.

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terça-feira, 11 de agosto de 2009 Minhas aventuras, Tênis Brasileiro | 20:07

Escolha do coração.

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Com o retorno de Rafael Nadal às competições, o assunto das contusões na carreira de um tenista e o pedido de um dos leitores, me veio à mente dois casos de contusões na minha carreira de técnico

Vou contar o primeiro, já que teve também um final feliz, o que é sempre bom. Em 1988, já no final da temporada, meus tenistas na época, Cássio Motta e Luiz Mattar foram jogar um Challenger na Academia de Tênis de Brasília. Era uma época de ouro no tênis brasileiro, com muitos eventos, incluindo alguns Torneios da ATP – como lembrou um dos leitores, chegamos a ter quatro ATP Tour em uma temporada.

O evento, jogado em Novembro, era a penúltima semana de torneios dos tenistas brasileiros, que terminaria na semana seguinte em Itaparica, um ATP Tour. Como eram jogados no mesmo piso, praticamente os mesmos tenistas compareciam, deixando a chave forte para um torneio Challenger.

Como era costume, e minha exigência, meus tenistas faziam um esforço a mais em jogar em casa, já que sempre fui fiel à estratégia de que tenista precisa jogar bem perante seu público. Mattar e Motta se enfrentaram nas semifinais com vitória do primeiro, que não perdeu um set sequer até chegar à final.

O problema foi que na partida contra Motta, Mattar sentiu uma contusão nas costas e ficou completamente travado, doído e sem movimentação. Falamos bastante com o médico do evento e com a fisioterapeuta, que se dispôs nos ajudar no que fosse necessário.

Mattar tomou uma injeção de antiinflamatório e começou a fazer o que terminou sendo uma sessão de fisioterapia de 24 horas. Foram horas de alternância de calor e gelo, com os intervalos monitorados, seções de jacuzzis, e um verdadeiro atendimento a pão-de-ló pela fisioterapeuta gaúcha Silviane, que tomou conta dos tenistas da equipe de Copa Davis durante anos. Até mesmo à noite ela entrava no quarto do Mattar, para continuar as sessões de fisioterapia enquanto ele dormia.

Na manhã seguinte a duvida se ele poderia entrar em quadra persistia mais do que nunca. Como Mattar nunca foi homem de pular fora de suas responsabilidades, ele decidiu entrar em quadra e jogar. E como nunca foi tenista só de jogar, entrou para ganhar.

Como não poderia deixar de ser, vivi toda a tensão da contusão e a dúvida sobre e final. Cada minuto daquelas 24 horas eu passei ao lado do tenista, fazendo o possível para que ele tivesse uma chance na final. Jogar bem, e em especial vencer um torneio, é sempre um grande fator de motivação para as férias e a duríssima pré-temporada que vem logo a seguir.

O estádio estava lotado e a torcida era toda brasileira contra o espanhol Javier Sanchez, um arqui-rival do brasileiro. Mattar perdeu o primeiro set por 6/3, reagiu e venceu o segundo por 6/4. No terceiro o efeito do antiinflamatório começou a passar. Como o juiz, o adversário e o árbitro sabiam do caso, algo quase inédito aconteceu. Já conversado anteriormente, se fosse necessário, o médico entrou em quadra e aplicou outra injeção de antiinflamatório – no bumbum de Mattar, atrás da cadeira do juiz, com um pegador de bola segurando uma toalha como biombo. Naquela noite o Jornal Nacional mostrou a cena no horário nobre da TV Globo, assim como no dia seguinte a foto estampou as primeiras páginas dos jornais brasileiros.

Sabe-se lá de onde, com certeza também da vibração que vinha das arquibancadas, Mattar encontrou força para virar e ganhar a partida por 7/5 no terceiro, em uma das partidas mais emocionantes que aconteceu no Brasil.

Respondendo ao leitor sobre qual foi a minha vitória mais emocionante como técnico, respondo que foram tantas que fica impossível escolher uma única. Mas aquele dia em Brasília estava fadado a ser um dia de acontecimentos inéditos. Imediatamente após apertar a mão do adversário, Mattar caminhou para a lateral da quadra e vi em seu olhar algo que nunca tinha visto antes. Pulei dentro da quadra – ta aí mais uma inédita – nos abraçamos e, pela primeira vez em minha carreira de técnico, chorei, abraçado no tenista que tinha feito das tripas coração e acabou por chorar também.

Se minha cabeça não consegue determinar a mais emocionante das vitórias, naquele dia o coração o fez.    

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sexta-feira, 19 de junho de 2009 Minhas aventuras | 21:59

Tumbleweed

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Estou triste. Longe de casa, à beira mar, o vento sul que vem na direção da casa impede que eu fique lá fora. Apesar de linda, a noite está fria e sou obrigado a vestir mais roupas do que estou acostumado. O melhor lugar da casa torna-se a cozinha, a não ser que eu vá para baixo das cobertas e esqueça que existe um mundo além do colchão. Abri um Bourgogne feito com uvas Pinot Noir – li em algum lugar que os médicos afirmam que essa uva ajuda a manter o câncer longe. Ele desce bem mais leve dos que um Bourdeaux, o que acho ótimo. Como estou na idade em que meu pai morreu dessa doença dos infernos, toda ajuda é bem vinda. Um cálice já me aquece, o corpo e o coração. Começo a dançar pela cozinha. Ouço Michael Brecker, que não tem a menor cerimônia em improvisar e barbarizar com seu sax. Não posso dizer que minha mulher seja fã de jazz – seu único comentário foi que a música parece a abertura do Jô Soares, o que, tenho certeza, não foi um elogio. Não harmoniza, como dizem os sommeliers da vida.

No caminho para a praia paramos no Mercado dos Peixes em Ubatuba e escolhemos um polvo. Quando cheguei em casa, caminhei para uma pedra enorme a beira do mar e, como fazem os italianos do sul, dei uma coça no polvo. Jogava o coitado contra a pedra enquanto mantinha, no coração e mente, os melhores pensamentos sobre como ele proveria uma ótima refeição. Por via das dúvidas, já na cozinha, dei umas poucas porradas nele com o martelo.

Cozinhamos o bichinho na panela de pressão. Conforme nos foi dito, esperávamos o silvo da panela para então marcarmos 12 minutos. Depois de ½ hora nada de apitos e sim um delicioso odor escapando da panela. Minha mulher insistiu que abandonássemos a idéia original e abrissimos a panela. Foi a conta. O pedaço do tentáculo que cortamos estava no ponto. Já havíamos preparado uns tomates cerejas com cebola, cheiro verde, balsâmico e muito azeite para fazer companhia. Patrícia experimentou e aprovou – ela já estava mais calma após eu tirar Brecker do ipod e colocar “Bare Bones” da Madeleine Peyroux. Agora, toda orgulhosa e tranquila foi ver o Jornal Nacional. Brecker, tocando “Tumbleweed”, de volta no ipod.

Estava escrevendo que estou triste. É lógico, Rafael Nadal desistiu de Wimbledon por conta das dores nos joelhos. Não existe nada pior na vida de um esportista do que contusões e dores. As minhas costas estão me matando enquanto escrevo isto. Dá vontade de jogar o laptop longe e deitar curtindo o efeito do Bourgogne aliado ao sax de Brecker.

Desde há muito tempo, anterior ao blog, escrevo sobre a falta que fazia um grande rival para a carreira de Federer. Tivemos que ter um monstro como o espanhol para ver do que era realmente feito o suíço – e não sei ainda muito bem o que penso a respeito. Pelo menos não sei se quero dividir isso com o mundo.

Rafael Nadal é um tremendo campeão. Um dos poucos para quem tiro o chapéu ou, no caso, brindo com meu cálice do ótimo Bouchard Père e Fils, safra 2006, que alias está maravilhoso e desce macio como um slice bem dado. Não se enervem os fãs do Federer, porque a esse já brindei enquanto o polvo ainda estava na panela de pressão. A ausência do maiorquino – será que isso existe? – dará um “downgrade” no torneio, especialmente se Federer conseguir confirmar o favoritismo e bater o recorde de Pete Sampras. Sei – azar de um, no caso dois, e sorte do outro – mas seria mais interessante se o cara batesse o recorde do americano vencendo seu rival maior, no local onde perdeu a coroa no ano passado e tendo sua almejada revanche; ou não. Fica para uma outra vez. Porém, não sei se teremos o mesmo enredo, no mesmo cenário, com os mesmos personagens e o mesmo em jogo em uma outra oportunidade.

Bem, that’s life. Nadal vai para casa, Federer abre mais um champagne e eu vou domar minha tristeza – passageira tristeza – com minha mulher, o polvo e o Bourgnone. Ah, estou bem! 

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terça-feira, 5 de maio de 2009 Copa Davis, Minhas aventuras, Tênis Masculino | 00:22

Garfos no mundo da lua

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Hoje, como acontece quase todas as segundas-feiras na hora do almoço e meu parceiro/adversário não me dá o cano, fui jogar. Ele é leitor participativo deste blog, então é melhor não ficar cutucando a onça. De qualquer maneira, eu estava um tantinho no mundo da lua; e nada por conta de Nadal e seus colegas ou mesmo a intempestiva e bem vinda subida da bolsa de hoje.

Talvez estivesse um pouco mais avoado/concentrado por conta de problemas/soluções da vida que corre fora das quadras, como acontece com todos nós. Quadra de tênis não é lugar para pensar, muito menos em assuntos mais penetrantes do que o saque adversário ou mais profundos do que suas direitas. Mas às vezes escapa.

Fui lutando para quebrar e não ser quebrado, correndo o possível, lidando com os erros e vibrando com os acertos. Confesso que são duas horas de emoções altíssimas, um dos pontos altos do dia. Não sei se estava pensando na morte da bezerra ou na caída do dólar, o fato é que a certa altura, depois de confirmar meu serviço, em game tenso e difícil, já que sacava para fechar o set em 7/5, dirigi-me à cadeira para o descanso merecido.

Percebi que meu adversário ficou meu olhando com aquela cara que os tenistas lançam quando vêem seus oponentes dando uma de milongueiro tentando aprontar alguma. Caminhei para a troca de lado e percebi que o adversário não tinha a menor intenção de fazer o mesmo. Devo ter feito uma cara de bobo bem convincente quando afirmei/indagando; “set, não é?” De bate-pronto ele respondeu: “não, 2×2”. Tremi. – “E o primeiro?” “Você ganhou 6/4”. Rapidamente recuperei minha confiança, pois já estava a prever o pior. Após algumas contas e replays mentais, chegamos juntos à convicção que ele estava certo e eu vencendo. Fiquei tentando lembrar como fechei o set. Fiquei pensando o quanto me havia estressado com um reles 1×2. Fui para o fundo da quadra para receber quando algo me bateu como se fosse um Serviço/Roddick. Levantei o braço e gritei para o adversário do outro lado da rede. “Frustrei. Nem pude gozar quando fechei o set!”

O incidente me lembrou de uma história que meu pupilo Cassio Motta adorava contar. Certa vez, ainda garoto, foi jogar o “Noturno do Tietê”. Quem dos meus leitores jogou esse tradicionalíssimo evento? Cássio jogaria contra um dos maiores catimbeiros do tênis de então, um tenista bem mais velho, cheio das manhas, “paparra” de primeira e conhecido por ser um bom garfo dentro da quadra.

Antes de sair, Milton Motta, pai e presidente da FPT, chamou o filho. “Fique de olho aberto, pois o fulano tem a fama de roubar bolas!” Cássio foi para o jogo atento para o que viesse. O jogo foi acontecendo e Cássio, como era seu costume, enfiando a mão no que aparecia pela frente. O adversário, que gostava de bolas altas e lentas, só podia assistir as bolas passando ao seu lado. Cássio confiante, já nem lembrava a advertência do pai, já que o oponente não havia puxado nem um coringa da manga e nem tentado uma garfada até o momento. E o momento era próximo do fim do jogo.

Motta vencera o primeiro set e liderava o segundo por 4×3. Foi então que, pela primeira vez, na virada, cantou a contagem: 4×3! O adversário então se virou para ele e disse: “Não; 5×2”! Cássio ficou confuso por um instante, pensando se sua vantagem era mesmo mais ampla, mas disse: “não, você se enganado, está 4×3 para mim”. O outro então vai até ele, olho no olho e diz: “acorda garoto, eu ganhei o primeiro e está 5×2 para mim. E dá as bolinhas que eu vou fechar o jogo”!

Garfão, um problema em jogos sem juiz.

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