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sexta-feira, 12 de novembro de 2010 Light, Minhas aventuras | 00:59

Silenciosas sonoras gargalhadas

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Quando eu viajava como técnico de tenistas, a maioria das vezes ficávamos condenados com a companhia um do outro à noite. E boa parte das vezes, quando fora do país, dividia o quarto com um deles.

Vale o parágrafo para explicar que existia uma severa guerra pelo comando do controle remoto, até porque o gosto de rapazes de 20 e poucos anos não batia com o gosto de alguém 15 a 20 anos mais velho, sem contar a formações, ainda mais distinta.

Como eu não hesitava em apelar para a senioridade, quando o sono batia, sempre antes neles, que faziam muito mais esforços físicos do que eu durante o dia, eu conseguia assistir filmes antigos, sempre um dos meus programas favoritos.

Na época, os canais a cabo começavam a proliferar nos EUA, bem menos na Europa, e com a falta de conteúdo específico, não era raro encontrar canais que repetiam “ad nauseum” os antigos filmes em branco e preto do Gordo e o Magro.

Assim, eu me divertia e aliviava qualquer estresse que me acompanhava à cama, dando o que eu imaginava ser silenciosas gargalhadas com Laurel e Hardy, já que era perfeitamente possível acompanhar os filmes com o som desligado e continuar me divertindo.

Inevitavelmente, no café da manhã, tomado junto com outros amigos, eu descobria que minhas sonoras gargalhadas não eram assim tão silenciosas e tinha que ouvir os comentário e brincadeiras sobre “esse maluco ficou rindo sozinho de novo na madrugada”.

Hoje poderia assistir o quanto quisesse do Gordo e o Magro na madruga, até porque minha mulher, depois que se instala no meu ombro, dorme até em filme de terror e não acorda nem quando o assassino da serra elétrica começa a trabalhar. Mas nem a TV Bandeirantes – que antes varava a madrugada com esses filmes – os mostram. Mais temos o “you tube” e, melhor, com novas trilhas sonoras.

Abaixo, para quem não conhece, ou quer matar as saudades, o porque até hoje morro de rir com eles enquanto o mundo dorme.

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010 Minhas aventuras, Tênis Masculino | 00:29

Feitiço contra o feiticeiro

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Fiquei um pouco irritado hoje e tenho minhas razões. Mas nada que um pouco de carinho é um gostoso sanduiche feito com pão quentinho da padaria, queijo de Minas e um excelente presunto cru português não resolvesse. Agora, de banho tomado, estou pronto para a caminha, mas antes um pouco de atenção aos meus caros leitores.

Acordei um pouco torto porque fui dormir tarde, após ficar na TV até 1:30 h da manhã, comentando o Torneio de Los Angeles, deitar lá 2hs e ser acordado na madrugada com um trote telefônico, algo que não ouvia há anos. Como tinha hora marcada para jogar pela manhã, não ajudou nada a paranóia de novos telefonemas e o sono demorar a voltar. Fui para a quadra na hora marcada, com um adversário perigoso e todo lépido, após provavelmente dormir às 9hs, que não teve a menor cerimônia em tirar proveito de minha momentânea fragilidade para me aplicar um infeliz “chocolate”.

Ainda resmungando fui para a TV, comentei a vitória de Nicolas Almagro sobre um ainda inconstante Richard Gasquet em Gstaad – duas semanas atrás comentei a vitória do espanhol em Bastad – e após um breve intervalo fui comentar Andy Murray x Sam Querrey pela final de L.A.

Me recuso a fazer maiores comentários sobre a derrota de Murray. Aos mais desavisado que insistem em pensar que tenho por ele o mesmo sentimento de torcedor que vejo em outros torcedores no Blog, aviso que estão redondamente enganados.

Não é nenhuma novidade que eu, e todos que conheço que entendem e gostam do tênis, achar que o rapaz é um talento nato aliado a um excelente preparo físico, além de um brigador natural, o que o levou a ser um dos melhores do mundo. O que a inteligência intuitiva de boa parte dos torcedores presentes neste Blog não deixou escapar é que o rapaz é um mala sem alça, para não escrever alguém dono de uma personalidade idiótica.

Hoje ele me deu raiva. Entrou em quadra com cara de sono e pouco caso com se tivesse fazendo um favor a todos. Jogou como se tivesse enfrentando um pobre coitado, provavelmente levando em consideração que nas quatro partidas em que enfrento Querry não perdeu um set sequer.

Mas o que se viu do começo ao fim foi um pouco caso com o oponente e consequentemente com o público presente e os que acompanharam pela TV. Eu sei que seu estilo é aquele de maltratar o adversário com bolas sem peso, curtas, paralelas e cruzadas, slices, balões, acelerações inesperadas e toda um “melange” de golpes milimétricos. No entanto, inúmeras vezes ele perde ponto, games e partidas que poderiam ser suas se fosse um pouco mais contundente na hora de fechar os pontos. Parece que só se decide fazer isso quando se encontra contra a parede.

Como muitas vezes acontece com o feitiço e o feiticeiro, o veneno acaba com quem com ele brinca. Murray teve todas as oportunidades para ganhar partida, inclusive com match-points. Infelizmente, durante toda a partida ficou naquela lenga-lenga que está a um milímetro do descaso e o pouco caso com o oponente. E hoje, como em outras oportunidades, na hora em que quis ganhar, a sua confiança não estava mais lá e a do adversário, que passou toda a partida como coadjuvante, na hora que viu que a lambança do mascarado britânico estava consumada, não teve a menor cerimônia em enfiar a mão na bola que nem homem, algo que Murray se omitiu em fazer, e ficar com a vitória e o título pela segunda vez consecutiva.

Hoje, mais uma vez, me ficou claro porque abandonei a carreira de técnico e fui curtir minha vida. Se fosse o técnico do Murray, hoje eu teria ganas de lhe aplicar bem dados e merecidos tapas em seu bumbum após a partida. Aliás, eu não duvido nada que por aí esteja a razão de tantos técnicos terem sidos despedidos ou abandonados pelo Murray. Ele apronta essas palhaçadas e quando alguém tenta enquadrá-lo, como seria necessário, o mimado tenista o despede ou o cara pega as coisas e vai embora.

Enquanto esse talentoso e instável tenista não acertar a cabeça e suas atitudes em quadra, continuará a ser um tenista aquém de suas habilidades e capacidades. Só espero, como admirador do tênis bem jogado, que ele não se auto destrua antes de encontrar seu caminho.

Murray se expressando e aquela insuportável atitude de não olhar na cara do vencedor.

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terça-feira, 13 de julho de 2010 Minhas aventuras | 17:55

Saudades?

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Sei que tem alguns impacientes com a minha distância e elejo enxergar isso como um elogio. No entanto, o tempo ficou curto, até por conta do meu aniversário e mil afazeres – espero que entendam, tenho uma vida, plena, também fora do mundo virtual.

Por conta disso, não será agora, e sim mais tarde, que vou preencher a lacuna atual de posts. Enquanto isso, os que estiverem com muitas saudades puderam acompanhar meus comentários na ESPN-BRASIL do Torneio de Bastad das 14h às 18hs e o repeteco a partir da meia noite. E amanhã, quarta-feira, tem mais, com três partidas do torneio:

10:30: Potito Starace x Andreas Seppi

14:00: David Ferrer x Fabio Fognini

16:00: Robin Soderling x Andreas Vinciguerra

Antes que me esqueça, agradeço a todos que tomaram seu tempo para escreverem algumas linhas por conta de meu aniversário. Um abraço carinhoso e feliz.

Agora vou a minha minha fisioterapia – a segunda do dia – e volto para escrever um post para vocês.

O “bebê”, que era o meu bolinho favorito do padeiro ambulante quando moleque.

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quarta-feira, 7 de julho de 2010 História, Light, Minhas aventuras | 13:32

Federer, Baker e Gilberto

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Para dar o meu pitaco nas discussões dos comentários sobre música, conto duas breves historinhas.
No início de 1967, quando cheguei à universidade nos EUA, eu tinha um probleminha de comunicação agravado por não conhecer ninguém naquelas bandas. Fui parar em um dormitório, onde boa parte eram atletas, mas não todos. Infelizmente, não havia os coeds dorms na época e as meninas, pelo menos oficialmente, ficavam na porta.

Certa noite fui atraído pelo som de um saxofone, vindo do fim do corredor, onde ficavam pequenas salas de estudo. Lá, um afro-americano (na época eram chamados, e disso se orgulhavam, de Blacks e politicamente corretos era uma raça inexistente) assoprava, com muita soul, “Doralice”, música que ainda teria outras implicações em minha vida.

Sob o olhar curioso e amigável do rapaz, sentei e batendo as mãos na mesa marcando o tempo, comecei a matar as saudades de casa – era uma época onde poderia demorar uma semana para se fazer um telefonema para casa, o que fazia com que se acabasse desistindo, já que, invariavelmente, quando a telefonista retornava com a ligação eu não estava no quarto.

Ele tinha um pequeno toca-disco, onde girava o vinil do famoso disco do João Gilberto e Stan Getz, o qual deixou o americano milionário, o brasileiro famoso e, consequentemente, rico e que servia de back-up para seus solos.

Conversamos bastante – éramos dois outsiders no local – e uma amizade floresceu. O ultimo que soube dele, ainda na universidade, nos fins de semana tocava em bares da Maxwell e da State Street in Chicago. Mas naqueles dias de inverno de 66, antes de eu mudar do dormitório, minhas saudades foram amenizadas pelos sussurros de João Gilberto cantando sobre o que disse a Doralice, a banda do pato e me confortando dizendo que chega de saudades.

Quanto ao Chet Baker, que, nem sei se surpreso, descubro também estar no gosto de muitos por aqui. Com certeza já me ouviram falando na TV e escrevendo por aqui, especialmente no início da carreira, que o Federer é o Chet Baker do tênis pelo seu jeito cool de jogar e ser.

Sempre fui fã do trompetista e, também, de sua voz. Aliás, e aí peço um tanto de discrição por parte de todos, Chet sempre foi meu companheiro amoroso. Antes que algum apressadinho se aflija ou se atice, o fato é que tinha o salutar hábito de tocar Baker quando ia fazer amor. Por isso, sempre tive vários discos, fitas e CDs dele para que não faltasse trilha sonora.

O fato é que no verão europeu de 1988 fui a Amsterdã. Havia mais de uma boa razão para tal. Hospedei-me, propositalmente no Hotel L’Europe, por duas únicas noites, desci ao bar do hotel, à beira de um dos canais e pedi ao pianista tocar My Funny Valentine. Dois meses antes, Chet, que várias vezes vivera e tocara no hotel, morrera a poucos metros da minha mesa de maneira estúpida. Naquela noite sonhei com todas as minhas amantes; com as que já amara e as que viria a amar.

Hotel L”Europe em Amsterdan

 

 

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domingo, 13 de junho de 2010 Minhas aventuras, Tênis Masculino | 19:22

Humor vítreo e negro.

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É Domingão, mas meu humor está um tanto negro e depressivo. Voces que jogam, ou pelo menos gostam de tênis, me digam; qual a pior coisa que pode acontecer com quem gosta de jogar um tenizinho para se divertir, manter a forma, se alegrar com vitórias e golpes bem executados, mesmo ao custo de conviver com derrotas inesperadas e golpe errôneos?

Alguns apressadinhos logo pensam – ver o Federer e o Nadal perderem precocemente na mesma semana. Não delirem! Isso é problema deles, eu diria, especialmente agora, até porque não ganho comissão de nenhum dos dois, nem fazem parte da família.

A resposta correta? Contusão, essa sombra negra que assombra o atleta, profissional ou amador esforçado, não importa. A frustração é a mesma. E, nem eu acredito, nesta semana tive duas, como se uma não bastasse. Imagino se fosse com o Gladstone, o que ele não estaria escrevendo a esta altura.

A primeira delas não dá para dizer que seja bem uma contusão esportiva, já que tive um deslocamento parcial da retina do olho esquerdo. Só não pirei porque já havia tido o mesmo no olho direito a pouco mais de um ano atrás. É um temporal de raios e flashes pipocando no canto do olho, acompanhado por um derrame que enche o humor vítreo com bilhões de milimétricas gotas de sangue, o que em épocas psicodélicas até poderia ser o maior barato, mas que hoje não acho nenhuma graça.

Não sabes o que é humor vítreo? Não se preocupe, porque até pouco tempo atrás eu também não sabia. Aliás, imagino que os problemas surgem quando a gente descobre, porque a essa altura estamos sendo afligidos por algo inesperado e, definitivamente, não bem vindo. Alarmante? Isso porque não contei, e não vou contar, sobre as tais “moscas volantes”, que são o verdadeiro pesadelo da estória.

Como se não me bastasse isso, o que não é pouco nem de longe, fui tentar esquecer esse problema, e alguns outros – esses outros não mais do que os do cotidiano que nos afligem em tempo integral – jogando uma partida. Faço um intervalo, para relembrar uma conversa que tive outro dia com minha mulher, onde levantei as mãos aos céus por estar longe de contusões há uns cinco anos, algo próximo do Nirvana esportivo.

Pois após devolver um saque aberto no meu revés, fui obrigado a correr ao lado oposto da quadra. Cheguei escorregando – jogávamos no saibro, alias saibro é uma generosidade descritiva, já que a quadra estava lisa como um sabão – e abri a perna direita para bater uma direita com o “open stance”.

Na correria e na avidez escorreguei além do que o bom senso indicaria, meu pé direito perdeu a aderência, a perna abriu mais do que deveria, recebendo todo o peso do corpo e “ouvi” – e mais uma vez fez total sentido o “sentire” dos italianos – um tremendo baque na parte posterior da minha coxa.

Errei a bola, engoli a dor e fiquei zanzando no fundo da quadra tentando avaliar o dano. Joguei mais um ponto no serviço adversário, onde percebi que boa coisa não era. No ponto seguinte, fui para o saque. Lancei a bola, flexionei os joelhos e saltei para sacar. Foi aí que o mundo caiu, e eu também. Um grito lançado no espaço e aquele frio na espinha, concomitante com uma avalanche de pensamentos da pior espécie – qual a gravidade? O quanto estirou? Onde vou fazer a ressonância? Será que rompeu? Seções de gelo e fisioterapia. Quanto tempo sem jogar? Vou ganhar peso. Vou poder fazer algum tipo de exercício? Como vou dormir? Tudo isso antes de ouvir o próprio grito. Imaginem de lá para cá.

Nadal perdeu de um freguês e deveria descansar? Federer perdeu de outro freguês e não é mais o mesmo? Wimbledon começa em uma semana? A Copa está rolando?

Vamos priorizar. E o meu tênis, como fica?

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quinta-feira, 10 de junho de 2010 Light, Minhas aventuras, Tênis Masculino | 15:04

O Clube da Rainha

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Em um recente jantar familiar, fiquei conversando com um inglês da gema, ou que pelo menos aparenta ser, marido de uma das amigas da dona da casa. Se há uma coisa que inglês gosta é de, pelo menos aparentar, ser da classe alta, onde o esnobismo é uma caracteristica totalmente aceitável, pelo menos entre eles. É uma questão complexa, na qual eu não vou entrar no momento.

Para ficar no ambiente do tênis, explica em parte porque Greg Rusedeski nunca foi bem quisto por lá, aparte de ser canadense (urgh) e tentar, insisto, tentar, falar como um “well educated englishman”. Já o Tim Henman, que veio da classe média, sempre teve sucesso entre o público em geral, por pelo menos falar como um inglês da gema, o que, novamente, conta zilhões, onde um político que fale o equivalente do “menas” não vai ser eleito para síndico de prédio em Londres. Explica tambem, apesar de ser difícil de compreender, porque Fred Perry, o último herói inglês do tênis não era bem aceito entre a elite do All England Club. Divagando…

Voltando ao jantar. O inglês, que é muito simpático, foi avisado que eu jogava tênis e, mais do que depressa, informou que jogava também. Só que, com aquele tom de voz inconfundível e carregando na entonação, me informou que jogava no Queen’s (que traduzido quer dizer “da Rainha”), como se isso o colocasse na elite do tênis mundial, ou pelo menos na elite social local. Nessas horas dá uma vontadinha de tripudiar, mas peguei leve.

Disse que, na verdade, já havia jogado lá, inúmeras vezes, e nas diferentes quadras, inclusive nas de grama, que são restritíssimas. O inglês me olhou com aquela carinha de quem não acreditava em uma palavra do que eu dissera, antes de eu completar que achara as quadras de grama bem mantidas, mas que o resto era abaixo do par.

Na verdade, atualmente o clube tem 45 quadras, sendo 12 de grama, 10 cobertas, 4 duras, 4 de grama artificial (uma droga), 8 de uma espécie de terra (sofríveis), além de 2 quadras de Royal Tennis, 2 de Rackets e 3 de squash, o que faz dele um belo clube sob qualquer prisma. Além disso, o clube hospeda  um dos mais tradicionais eventos do circuito – o Queen’s -, preparatório para Wimbledon, sempre realizado duas semanas antes deste, e jogado esta semana.

Fundado em 1886, proclama ser o mais antigo do mundo em seu gênero. É incrustado dentro de uma área residêncial – me lembra o charmoso Clube Inglês em São Paulo, rodeado de ruas apertadas. Um de seus maiores charmes é o casaril que fica ao fundo do corredor das quadras de grama, cujas portas praticamente adentram a última quadra. A sede, que abriga um excelente restaurante, café, salas de estar e até um museu, é uma construção do século 19, atualizada diversas vezes, que impera sobre o tapete de grama, um cenário que foi usado também pelo West Side Club, em Forest Hills, onde era realizado o U. S. Open, até a construção do atual complexo em Flushing Meadows.

Assistir tênis ali é uma experiência única, assim como em Wimbledon, por conta do ambiente, no qual as quadras de grama predominam e garantem o tom. Era ainda mais interessante e charmoso até o fim dos anos setenta, quando começaram a construir uma enorme arquibancada temporária para abrigar o público crescente do torneio e que impede a vista completa. Antes se podia acompanhar todas as quadras da varanda da sede, tomando um chá ou um vinho do Porto, ou mesmo dos vestiários dos jogadores no andar de cima através de uma das centenárias janelas onde se sentava no beiral. O progresso é quase sempre democrático e nem sempre interessante. Por outro lado, a enorme frescura que imperava antigamente no local, por conta do esnobismo local, deu lugar a um ar menos rançoso, o que torna o ambiente para o público visitante mais respirável.

No fim dos anos setenta, alguns sócios veteranos chegaram a chutar John McEnroe da quadra em que treinava, o que acabou dando uma enorme confusão pública, já que as caneladas sempre existiram, abrindo as portas para o evento se tornar mais profissional e menos um alegado “favor” do clube em ceder as quadras. Hoje o evento movimenta milhões que ajudam o clube a ser o que é durante o resto da temporada e os tenistas são recebidos como estrelas e não mais como intrusos. O progresso nem sempre é interessante, mas quase sempre democrático e conveniente.

Quanto ao simpático inglês, decidiu pagar para ver e convidou-me para jogar a próxima vez que fosse a Londres. Ainda não voltei à cidade, mas como sei que o senhor é mais para um péssimo 3a classe do que um razoável 1a classe, só aceito de for na grama, na quadra do casaril e com direito a um Porto ao entardecer.

Queen’s Club – O Clubhouse, a Quadra Central com sua arquibancada bloqueando a vista que se tem do restaurante e da varanda.

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sábado, 16 de janeiro de 2010 Light, Minhas aventuras | 14:27

Novidades

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Depois de quebrar a cabeça decidi encarar o turno da manhã e não o turno da noite nas transmissões do Aberto da Austrália na ESPN.

Assim como os meus leitores – que deixaram isso claro – a minha preferência era pela faixa noturna. Até a D. Ruth me ligou afirmando que o horário era esse.

O conflito é maior do que vocês imaginam. Nas ultimas três edições do evento fiquei doente, e nada me garante que isso não vá acontecer novamente, independente da escolha.

O horário noturno é mais condizente com meu “way of life” do que o matinal. Sempre notívago, entre outras coisas, à noite sou falante, de manhã sou observador. Apesar de tudo, escolhi a manhã – ou melhor; a madrugada e a manhã, ao invés da noite e da madrugada.

Por quê? Primeiro porque até o ano passado o horário oficial desse turno era das 22hs até às 2hs, com chances de se estender. Este ano o horário oficial é até às 4hs com chances de se estender.

Segundo, tenho considerado certas mudanças na vida e uma delas e passar a dormir e acordar mais cedo. Sei; acordar 5:00 hs é um exagero!

Porém, todos os dias em que tenho o privilégio de admirar um pôr do sol, a primeira coisa que imagino é como foi o nascer do astro-rei. Como tudo na vida, abre-se mão de algo para ter algo mais.

Não vai ser nas próximas duas semanas que vou ver o sol nascer. Mas espero estar abrindo uma janela nesse sentido. Ainda preciso de novidades em minha vida.

sunrise

Quero ver mais destes.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010 Minhas aventuras | 10:35

Entre a cruz e a espada

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Esta semana, a partir de quinta-feira, comento o Torneio de Sidney. Dois jogos na quinta de manhã, as duas semis na manhã de sexta e a final no sábado. Pelo menos é o que me informa a TV.

No Domingo começa o Aberto da Austrália e as transmissões, exclusivas, dos canais ESPN. Vai ter jogos na ESPN, na ESPN-BRASIL e na ESPN HD. Jogos de manhã, a partir das 6hs até lá pelo meio dia, e jogos a partir das 22hs até Deus sabe quando.

É aí que mora o meu atual martírio, na dúvida de escolher o horário de trabalho para os primeiros 10 dias. Se pego pela manhã tenho que acordar às 5h, e com isso tenho que dormir até umas 23hs, o que só faço, se consigo, quando muito doente, e começar a comentar às 6h não sei bem para quem. Me conhecendo vai demorar um tempo para destravar a boca, o que não deve ser um problema para meu colega de horário Everaldo Marques.

Se escolher o horário noturno, serei obrigado, mais uma vez, a invadir a madrugada, junto com o companheiro Marco A. Rodrigues, e posso sair tanto às 2h, na melhor das hipóteses, como as 5 da manhã, quando deveria acordar se fizesse a manhã, algo que sempre me deixa doente de alguma maneira. É coisa de louco.

A partir de quinta-feira da segunda semana tenho que estar lá, de qualquer maneira, às 6:30 da manhã para as semifinais e finais. Mas agora tenho que decidir o que fazer nos primeiros 10 dias. Me sinto, verdadeiramente, entre a cruz e a espada.

sonoespada

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010 Light, Minhas aventuras | 11:13

Boas entradas?

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O pessoal entrou em 2010 cheio de gás e querendo polêmica. Estou fora. Estes dias de final de ano fui pego de calças curtas, literalmente, em área próxima a Parati. Estou parecendo uns cachorros em cima do teto de uma casa em São Luiz de Paraitinga que vi em foto na Folha de São Paulo.

Aliás, no caminho para o litoral, no dia 29, parei em São Luiz, como faço muitas vezes, para almoçar e comprar uns queijos locais divinos. É um ponto alto da viagem. A cidade parecia parada no tempo, no bom sentido, com seu casaril antigo, bonito e bem conservado e uma população de simpatia singular. Para quem não sabe é conhecida como a cidade natal de Oswaldo Cruz e a casa onde o médico nasceu tornou-se um museu em sua homenagem, e pela festa de carnaval de rua que atrai milhares.

Existe ali um restaurante que adoro ir pela comida caseira de primeiríssima linha. Sem contar que o preço é de empolgar qualquer paulistano. Após o almoço saio caminhando para assentar a refeição, olhar as lojinhas de artesanato, que não são nada para se empolgar, e dar um pulo nas duas padarias ao lado, para achar o queijo meia cura e um parmesão interiorano de nos fazer esquecer qualquer delícia do lacticínio francês.

A cereja do bolo são as pessoas. Extremamente simpáticas e conversadoras, sem a pressa e a paranóia que estamos acostumados. Se você faz uma pergunta ou puxa uma conversa com a atendente, ou mesmo alguém na rua, a mulher não lhe olha apreensiva e desconfiada como se esperasse uma cantada ou um assalto. Entra na conversa, mesmo que totalmente fiada, sem poupar sorrisos e simpatia.

No dia 29 parei o carro na última vaga de rua antes do rio, a poucos metros do restaurante e na frente de uma loja que vende bolsas de palha. Na saída, enquanto arrumava o queijo na geladeira no porta malas, o dono, na soleira acompanhando o movimento, puxou conversa com o nosso grupo, dizendo que a água do rio havia subido até a rua naquela semana. Como a outra margem é um bambuzal bonito e continuação da rua é uma charmosa ponte de madeira, andamos até o meio da ponte para acompanhar o galope das águas, descendo das colinas atrás da cidade. Ao lado víamos a marca da água na parede que divide o rio da rua e do casaril. Entramos no carro e seguimos viagem, satisfeitos, mais uma vez, com nossa visita.

Nos últimos dias tenho lidado com os problemas pessoais e de logística, em função do que aconteceu, e ainda pode acontecer, nas redondezas. Ontem consegui um jornal de São Paulo e vi, para meu susto, a cidade totalmente inundada e submersa, a população evacuada e a Igreja, que dominava a grande e simpática praça central, desabada e destruída pela força das águas.

A minha volta pela Rodovia Oswaldo Cruz não deve acontecer, não sei quantas horas a viagem de retorno vai levar e sequer quando vou poder vencer os 12 km de terra que me separam da Rio-Santos. Mas é claro que o drama e a desolação daquelas simpáticas pessoas de São Luiz Paraitinga são mais severos do que as meus. E, por agora, as atribulações federistas e nadalistas me parecem ainda mais distantes do que a minha casa.Este post estava pronto desde o dia dois e só hoje consegui postar. Mas amanhã, até o fim da noite, devemos voltar ao normal.

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domingo, 20 de dezembro de 2009 Light, Minhas aventuras | 15:11

Over and Over

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A viagem entre São Paulo e Campinas é de uma hora – um CD. Há 22 anos essa é a medida. Escolho um, aumento o som e venho cantando, nem que seja só na minha imaginação. Apesar de que, não tão raro, sou capaz de fazer a viagem ouvindo uma única música. Over and over.

Desta vez o CD eleito foi “I´m alive” do Jackson Browne, de quem sou fã também há mais de 30 anos. A primeira vez a gente nunca esquece – foi na casa de um amigo de descendência italiana que fazia uma ótima massa. Meu paladar armazena até hoje aquele molho de tomate com uma pitada de açúcar para tirar a acidez. Ele colocava “The Pretender” nas caixas, servia um Chianti, entrava na cozinha, que era ligada por um balcão com a sala, e a conversa ia longe.

“Im alive” é um CD equilibrado em termos de qualidade. Mas tem uma música que se bobear paro nela. Mas não fiquei apertando o replay durante todo o percurso porque a minha mulher abriria a porta e se jogaria. Ela tem mais paciência do que afinidade musical comigo. Seu pedido musical mais freqüente é “Abaixa um Pouquinho”. O perigo é que depois que descobriu que o Agassi é fã do Barry Manilow ficou toda serelepe. Agora, se tentar colocar esse som no carro eu jogo ela na estrada.

De qualquer maneira, ela me deixa pilotar o som e eu, como sempre, respeito o seu respeito. Assim, nem pensei em ficar ouvindo “My problem is you” over and over. Repeti só umas três vezes e deixei rolar, afinal ela estava quase dormindo.

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