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Arquivo da Categoria Minhas aventuras

sábado, 24 de março de 2012 Light, Minhas aventuras | 14:56

Parking Permit

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Se eu não recebesse, junto com a credencial, uma permissão de estacionamento, eu juro que não viria ao Torneio de Miami. Eles tratam bem a imprensa, pelo menos na maior parte do tempo, porém não tão bem quanto em um Grand Slam. Em compensação nestes é quase impossível conseguir um “Parking Permit”. Em ambos, os organizadores oferecem vans para transportar a imprensa dos hoteis indicados ao local do evento.

É preciso a compreensão, de quem já veio acompanhar o evento, que parar o carro lá onde o Judas perdeu as botas, como acontece com o público em geral, é um programa de índio inconcebível. Escrevo a frase e fico imaginando se tal expressão já caiu no hall do politicamente incorreto. E olhem que o estacionamento não é nem tão longe como pode acontecer em nossos estádios, e eles disponibilizam vans para fazer o transporte dos mais longínquos. E se alguém tentar nos achacar com a história de “guardar o carro” vai em cana. No Brasil se eu quisesse, como membro da imprensa, parar meu carro dentro do complexo do Ibirapuera, tinha que pagar R$30,00 – moto pagava o mesmo valor, o que acho um absurdo, pagar para trabalhar e R$30,00.

É um fato de que na região do Ibirapuera o espaço para o estacionamento é muito menor e essa é a vantagem de se construir novos e modernos locais para entretenimento. Mas tinha muito amigo de político que não pagava nada e ainda é chamado de Doutor, já que o Ibirapuera é do Estado, o que no Brasil se traduz que é de políticos e não do povo – sei não.

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Light, Minhas aventuras, Tênis Masculino | 14:18

Desolado

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Fui ontem para a Quarda 1 cheio de expectativas – nunca algo positivo, dizem os zen budistas, repletos de razão – para acompanhar a partida de Tommy Haas e o Galã de Praga Stepanek. E expectativa era de uma partida com um formato que não existe mais. Dois voleadores de mão cheia, habilidosos de primeira grandeza, talentos que não conseguiram brilhar como outros menos favorecidos nos primeiros quesitos.

A partida foi um deleite, especialmente no 1º set, decidido no TB. O jogo foi decidido nos dois primeiros games do 2º set. No primeiro Haas teve quatro chances de quebra sem conseguir cacifar – méritos do oponente. No segundo game, Haas teve 40×15, deixou o Galã voltar no game e, após várias vantagens de ambos os lados, ter o saque quebrado.

Após esses dois games o espírito do alemão foi aleijado. Mas, até ali, o que apresentaram foi para assistir de joelhos, especialmente no meu lugar, a um metro da quadra e ao lado do frustrado técnico do alemão. Foram voleios magníficos, bolas surpreendentes, inventivo uso do contra pé, a esquerda maravilhosa de Haas, a antecipação magistral de Stepanek e todo um repertório cada vez mais ausente das quadras, para minha completa desolação. Para completar, só faltou mesmo as respectivas esposas, que não estavam no reservado, mas duvido que estivesse longe.

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sexta-feira, 23 de março de 2012 Minhas aventuras | 12:49

Dr. Pardal

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Hoje será o primeiro dia que irei ao Clube. Na verdade saio em minutos, logo após publicar este. É estranho não ter chances de assistir nenhum brasileiro em quadra – essa história já foi melhor. Mas existem muitas alternativas em quadra para um fã do tênis. Vou lá dar uma olhada e depois conta a vocês algumas coisinhas. Enquanto isso, publico abaixo um texto de alguns anos trás. Não mudaram muito certas coisas. Pelo menos as filas da Emigração melhoraram bastante, o que é um certo alívio. Além disso, minha memória melhorou, o que é um grande alívio, e os computadores, apesar de imprevisíveis, são mais confiáveis. Divirtam-se com a máquina do tempo.

Nesta terça-feira começou o outono no Brasil. Você notou? Se vive em S. Paulo aposto que não. As folhas vermelhas não começaram a cair nos emocionando com o show de cores. Mas também é difícil encontrar árvores onde folhas, troncos e galhos não estejam cobertos de fuligem. O clima também não ajuda a distinguir muito as estações. O padre Vivaldi não encontraria muita inspiração em nossa cidade.

Uma das coisas que sempre me fascinou nas viagens à Europa ou à América é o contraste das estações. Nos primeiros dias de uma nova estação as diferenças já são bem visíveis e com elas o estado de espírito que as acompanha. Aqui em Miami todos sabem que começou a primavera no país. As pessoas celebram a promessa de tempo bom, sol pleno, natureza desabrochando. O clima desta época em Miami é o melhor. Muito parecido com o nossos meses de Abril e especialmente Maio. Sol brilhando e aquecendo gostoso, céu azul e noites frescas.

Esse é o clima com que somos recebidos para o Aberto de Miami. Dificilmente chove, o que garante um evento sem sobressaltos, como acontece com muitos jogados ao ar livre. Os jogadores adoram. Não é aquele sol da Austrália ou do Rio de Janeiro, onde eles cansam só de pensar em entrar na quadra. Mas dá para pegar uma cor. O único senão é o vento. Todos odeiam jogar com vento. Até quem gosta. É ruim para sacar, ficar no fundo e volear. Mas é uma arte que alguns dominam melhor do que outros.

Tem outro detalhe que nos leva à loucura. O frio do ar condicionado. Eles insistem em gelar os ambientes. É sinal de “status”. Quanto mais gelado for o ambiente mais chique. Só que para se pegar uma gripe é um pulinho. Lá fora um calorão, dentro uma geladeira. Com o entra e sai natural de um dia a dia a saúde acaba vacilando. Os tenistas vão de camisetas para a quadra, em um calor de 30 graus e colocam um agasalho na sacola para poder entrar no vestiário ou no restaurante. Se não é WO no dia seguinte.

Tem dias que é realmente melhor não tirar os pés da cama. No meu caso não havia nem a cama para tirar os pés. De qualquer jeito pouco antes das 5 hs da manhã fui acordado pela aeromoça, essas meninas que supostamente tomam conta de nossos sonhos a dez mil metros de altura.

Como tive problemas com minha passagem no embarque, tive que ficar para trás na fila. Quando cheguei nos balcões da Emigração a fila era de sentar e chorar. Eu já devia ter suspeitado do que viria pela frente. Saí do aeroporto em direção ao lugar onde alugaria um carro, pensando na panqueca com morangos que comeria de café da manhã. Evito o “breakfast” do avião pensando na panqueca. É um habito de mais de vinte anos.

O cubano que me atendeu já nem pergunta se falamos inglês. Vai em espanhol mesmo. Quando ele pronuncia a frase pronta “carteira de motorista e cartão de crédito válido” (como se existisse cartão inválido), gelei. No instante percebi que a tinha esquecido na carteira que uso em São Paulo. De taxi fui para o hotel amaldiçoando meu esquecimento.

Logo cedo estava no clube para começar meu trabalho. Assim que tentei ligar meu computador um raio caiu sobre minha cabeça. O desgraçado não funcionava. Durante duas horas tentei falar com o fabricante e seus representantes. Uma coisa eu confesso ao meu leitor. Se eu pudesse matar o cara que inventou aquelas maquininhas que respondem meus telefonemas, ao invés de algum ser humano, eu matava. Na melhor das hipóteses eu fazia ele tentar entrar no céu através de uma delas. O filho da mãe iria direto para o inferno.

Assim eu me vi no meu primeiro dia em Miami a pé sem computador; desespero!! Juro que considerei pegar um avião de volta. Tomei um refrigerante pensando nas consequências.

Depois de alguns telefonemas para São Paulo, a minha carteira estará aqui em um ou dois dias. Jaime Oncins me deu uma carona até o fim do mundo, aqui na cidade, onde um colombiano com cara de Dr. Pardal arrumou meu computador em minutos. O disco rígido estava solto. Bastou o “know how” e uma chave de fenda. Isso porque o desgraçado que encontrei no labirinto das linhas telefônicas queria que eu mandasse o computador para a Califórnia. “Volta em uma ou duas semanas” disse. Uma ou duas, perguntei. Não sei, disse ele. Ele ouviu uma expressão em português que se encaixa como uma luva para a ocasião.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012 Light, Minhas aventuras | 17:43

Super Bowl

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Hoje é dia de Super Bowl XLVI, mega espetáculo do esporte americano que, entre outras coisas, serve para me lembrar que o tempo é, ao mesmo tempo, um carrasco e amigo.

Assisti ao primeiro deles, no início de 1967, com vitória dos Packers de Vince Lombardi, pouco depois de chegar aos Estados Unidos para estudar. No ano seguinte já sofria por ver um dos meus times (Oakland Raiders) derrotado na final pelos mesmos Packers.

Ao contrário da maioria, nunca fui fã de um único time, muito pouco pela minha paixão pelo esporte. San Francisco e Minnesota também fazem parte da lista, todos por razões distintas.

Minnesota eu me apaixonei em uma partida disputada debaixo de neve, em 1967, contra os Cowboys (o único que eu não gosto mesmo) e pelo estilo de então de correr com a bola e ganhar, quando ganhavam, na marra. Nunca deixei de torcer por eles, especialmente nos anos 70, quando foram “O Time” perdendo quatro vezes no Super Bowl, por conta de alguma praga rogada pelo pessoal de Chicago.

San Francisco porque morei lá, uma razão tão boa quanto a melhor do mundo – e eles foram os “melhores do mundo” nos anos 80. Liderados por Joe Montana (The Quaterback) e Jerry Rice e Ronnie Lott ( O Xerifão).

Os Raiders, os grandes rivais do outro lado da Bay Bridge, porque era o time mais politicamente incorreto da época – de qualquer época. Uma diversão impagável liderada por John Madden – técnico que virou o melhor comentarista da história, o que prova que o cara tem que conhecer o metier – Jim Biletnokoff ( o melhor receiver da história, junto com Rice, Jim Otto, Dave Casper, Ted Hendricks (e cujo quarto eu dormia na Univ de Miami quando ia por lá), Willie Brown e Howie Long.

Colocaria aí também, por uma razão ainda mais distinta, New Orleans (porque eles nunca ganhavam nada, a cidade é charmosa e diferente das outras americanas e o uniforme o mais bonito).

Desta vez não tenho favoritos. Patriots e Giants. New England e New York. Uma rivalidade da costa leste, que nunca foi a minha. Mas para quem conhece a área, sabe que ali o bicho pega tanto quanto São Paulo e Rio, uma rivalidade já não é mais tão grande.

Jogo por jogo, vou decidir na hora para quem torço, como sempre faço. Vou deixar a emoção me levar. E geralmente ela me leva para quem estiver perdendo, o que sempre causa um certo desconforto, e uma emoção ainda mais forte, no finalzinho. Porque hoje não haverá empate.

Como diz o meu enteado sobre Tom Brady – o cara é o melhor do jogo, milionário, bonitão, dorme com a Gisele e ainda vou torcer pra ele?

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sábado, 24 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras | 20:23

Feliz Natal

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O dia de Natal está associado, há séculos com a celebração do nascimento. O do Sol, em uma época que a nossa estrela-mãe tinha status de deus, e há muitos séculos com o nascimento do Cristo.

Como por aqui vivemos sob a influência total da data, que recebe uma relevância ainda maior pela proximidade com o fim do ano, torna-se uma data de celebração familiar, ao mesmo tempo em que induz, ou deveria, à consciência e temas ligados à religiosidade, que é a origem real de toda essa comoção.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos que por este Blog passam e prestigiam com a leitura e, por vezes, os comentários. É deveras interessante e prazeroso ter um rol de amigos dos quais pouquíssimos tive o prazer de conhecer.

Assim sendo, aproveito o local e a leitura para desejar a todos sinceros e fervorosos desejos de um Feliz Natal e tudo que essa data possa representar para cada um de vocês. Tenham uma ótima, feliz e farta ceia com seus queridos e amados, esta uma das melhores e mais felizes maneiras de se passar uma noite, de Natal ou outra qualquer.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:54

Karma tenístico

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Outro dia, aproveitando uma dessas tardes maravilhosas que vem se repetindo, nestes tempos em que o verão ameaça, ainda sem sucesso, se instalar, me alojei em uma cadeira, à mesa, debaixo da jaqueira que orna e sombreia a seção de tênis do melhor clube do país – E.C. Pinheiros.

Estava a ter uma conversa um pouco mais séria do que o cenário exigia quando fui interrompido por um amigo, ansioso por me contar uma história. História que é a alma deste Post, história que o meu leitor que não seja um sofasista de almofada cheia conhece várias e que, com a mais absoluta certeza, viveu e sentiu na pele. De um jeito e do outro.

Estava o amigo a enfrentar um de seus maiores rivais – e atentem, são tenistas de categoria, 2ª classes, na pior das hipóteses, dos mais encardidos. O adversário abriu, no set decisivo, um 5×1 que, para quase todos os efeitos, davam as favas como contadas. Como todos, incluindo os amigos do sofá, sabem, o jogo só acaba quando termina. Mas 5×1 é 5×1, pelo amor dos meus filhinhos, como diria o endiabrado Silvio.

A essa altura, o amigo – deixarei os nomes de fora, até porque, como já disse, a história é universal – começou a desviar o assunto pelas mudanças táticas que executou, lembrando; nada acontece de graça. Mas as suas táticas não são o ponto da história, por conta disso privarei os leitores de uma aulinha tática. Só vale lembrar que a não mudança de uma tática claramente perdedora só é uma alternativa para os mais teimosos, burros, ou se preferirem sem imaginação; ou se seu nome for Roger Federer, que não cai em nenhuma das alternativas anteriores, seria o que me faltava, mas tem uma só sua.

Pois é. O amigo foi lá, mudou o jogo e começou a cacifar. Esqueci de dizer; era 5×1 40×0, o que não é mole não. E, no game seguinte, 2×5, 15×40. Pois é. O amigo escapou de ambas sinucas. E aos poucos, que nem a galinha enche o papo, foi vencendos os pontos, adquirindo a água benta dos tenistas, a santa confiança, e virou o jogo. Sim, 7×5.

O amigo babava enquanto nos contava seu feito nos mínimos detalhes. Dava para ver o prazer saltando de seus olhos, sorvido como saliva pré churrasco em reunião de peão. Como é linda a vitória, especialmente uma tão arduamente conquistada, uma tão improvável.

O amigo se despediu, sem muita vontade, é fato, já que a conversa lhe era prazerosa nas últimas, com um sorriso nos lábios evidenciando que o karma tenistico o acompanharia por mais alguns dias, pelo menos até que um novo infortúnio o atropelasse em quadra, como sempre, mesmo para os Djokovics, acontece.

E não é que não deu 5 minutos, nem dando tempo para eu embalar a conversa interrompida, chega o amigo protagonista, ou seria coadjuvante, da história acima.

O rapaz chegou com aquela cara de quem não sabe ao certo se cumprimenta e passa reto ou se arrisca uma estadia mais prolongada. Pois é, Kurosawa já nos mostrava que os dois lados de uma história quase sempre nos apresenta uma terceira tão ou mais interessante.

Sem nenhuma intenção masoquista, não pude deixar de mencionar o fatídico. E aí, como foi? Ele me contou o seu lado da história, onde ele era muito mais o vilão do que o amigo mútuo o herói. Não importa, até porque não é essa a questão também. Naquele dia, com o céu azul, o conforto do calor aliado às delicias da sombra de uma frondosa árvore, complementados pelo prazer de uma bebida refrescante, a minha mente tinha uma única curiosidade, que não vi porque não a satisfazer.

De sopetão, sem o menor perdão ou cerimônia, perguntei. Quando você pirou?

Sem pestanejar, até porque não se trata de safasista ou mesmo panga, ele voleou de volta – “no 5×3!!”. Alí já comecei pensar muita merda.

Pensei com meus botões – “um pouco cedo, talvez”. Mas lembrei de 40×0, do 15×40 e aquiesci com a cabeça sabendo que nesses affairs melhor se passa sem o julgamento alheio. São cruéis esses percalços mentais. Como lidar com eles? Como os cachorrões conseguem escapar delas – se é que escapam?

Já no fim de sua história, o segundo amigo menciona que um terceiro – adversário de ambos – estava sentado na cadeira do juiz, por conta de uma daquelas recorrentes e danosas contusões, nada mais podendo fazer em uma quadra. Os três saíram da quadra ao mesmo tempo e caminharam para aquela mesma jaqueira que eu então aproveitava. Chegando à mesa, já pedindo e pensando nos prazeres de uma Norteña gelada, o terceiro vira para o segundo e diz: “agora que você nunca mais meta o pau no Bellucci quando ele fizer das dele”. Quanta verdade dita em frase tão curta. E não somente por conta do nosso melhor tenista.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 Copa Davis, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:36

Métodos, estilos e personalidades

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O leitor Edu, ele não oferece mais informação do que isso, me pergunta como um técnico de Copa Davis consegue implementar uma metodologia ou estilo para um jogador que já possui um técnico, onde muitas vezes este possui um estilo distinto do seu? Uma pergunta interessante, cuja resposta daria um livro. Sendo assim, vamos a uma mais breve.

Antes, uma informação. Esta semana os dois capitães dos times finalistas da Davis saíram de seus times. Por razões distintas. Tito Vasquez saiu porque a federação argentina quer um rodízio e, principalmente, porque seu relacionamento com os tenistas não é totalmente harmonioso. Vamos deixar algo claro: dificilmente é totalmente harmonioso esse relacionamento. Ele sobrevive se uma série de variáveis funcionarem.

Se o relacionamento entre as partes for de respeito mutuo e, principalmente, de respeito à hierarquia, se os tenistas forem comprometidos com o evento acima de seus interesses pessoais, as chances são maiores. No caso dos argentinos, eles têm uma situação entre os dois principais tenistas e não é de hoje. Além disso, Nalbandian é um personagem de personalidade muito forte e não necessariamente um agregador. Tito Vasquez declarou que ele é um líder negativo, o que é um problemaço.

No entanto, Nalbandian tem o espírito da competição, enquanto que Del Potro ainda está devendo mostrá-lo, para o time e para ele mesmo. Alguém aqui no Blog disse que Delpo foi o protagonista do confronto. Acho que foi mais no de coadjuvante de luxo. Na Davis, ou no tênis, a diferença está em vencer e não em jogar bem. Uma coisa é lutar, jogar bem, fazer um bom papel, perder no quarto ou quinto set e voltar para o vestiário, que fica pior do que velório nessa hora, com cara de bunda. O pessoal pensa – “é fo.., a coisa vai mal e vai ficar pior porque sobrou pra mim”.

Outra coisa é o cara que encontra um jeito de vencer em quadra, contra adversários melhores ou piores, o que nunca é fácil, volta para o vestiário, olha todo mundo na cara e diz – “pessoal, eu fiz o meu ponto, bola pra frente!”  Os carinhas olham pra ele e pensam – “ele é o cara, a nossa inspiração, vamos atrás!” O Delpo já é um jogadorzasso e ainda vai aprender a lidar com a pressão sobre o cachorrão, que é diferente da sobre o tenista mediano que não tem a responsa de decidir. O duro mesmo é o cara que não ganha um jogo que faça a diferença, só dá menos desculpas do que entrevistas se auto-elogiando, quando não está jogando a culpa de seus fracassos em outros.

A saída de Carlos Costa tem outro perfil. Uma dica foi a imediata recusa de Carlos Moya sobre a possibilidade de aceitar um convite. A razão fica escancarada com a notícia de que Nadal, Ferrer, Verdasco e Feliciano não jogarão a Davis em 2012 – a razão alegada é o desgaste e por ser um ano de Olimpíadas. Esse time é um dos mais fortes da história porque tem liderança. E essa liderança chama-se Rafael Nadal, esteja em quadra ou não. O cara é uma inspiração e não tem o menor receio de abraçar a responsabilidade de ser o líder. Ele foi o primeiro a avisar que estaria fora. Os outros seguiram.

O que me lembra uma história pessoal na Davis. Em um momento pontual de transição o time estava sem um #1 contundente e, consequentemente, sem um líder. Como o próximo confronto seria em casa contra um grande time e estávamos a uma década sem perder em casa, tive uma conversa com o então #1 brasileiro no ranking sobre a necessidade de termos um líder que pudesse inspirar. O cara quase morreu. Pirou! Começou a falar pelos cotovelos, balançando os braços e arrumando os cabelos e a dar todo tipo de desculpa, culminando com a que estava ali para ser mais um e não para ser responsável por nada. Foi a primeira e única vez que vi um tenista agindo daquela maneira, até porque das outras vezes não tive a urgência de fazer uma escolha vergonhosa como aquela. Foi um dos maiores banhos de água fria que tomei na carreira. O tenista, óbvio, fixou-se no papel de coadjuvante, mas sempre tentando se vender como protagonista.

Quanto aos espanhóis, o cargo de capitão/técnico torna-se agora a maior batata quente do país. Quem vai querer herdar um cargo que do time campeão ninguém vai aparecer para jogar? Costa pediu para sair; óbvio que não oferecendo estas razões.

Um técnico de Copa Davis não traz, ou não deveria trazer, uma metodologia de estilo para cada tenista para a Davis. Não há tempo para isso e nem é a exigência. O que é necessário é o técnico trazer uma filosofia de trabalho, responsabilidades e comprometimentos com o esforço coletivo que deve ser abraçada por todos. Vale lembrar que tenista é um ser extremamente individualista e, às vezes, com certa dificuldade para se adaptar ao coletivismo.

Talvez uma das melhores coisas que deixei no time brasileiro foi a cultura do time acima do individuo, algo que sempre foi regra enquanto estive lá e que, mesmo depois de minha saída, continuaram mantendo a tradição, segundo tenistas que permaneceram no time se apressaram em me dizer. A coisa foi sendo passada de geração para geração e, pelo menos até onde sei, segue sendo uma verdade, talvez diluída pelo tempo.

No entanto, o cargo exige uma personalidade que lidere os tenistas fora das quadras – que é bem distinta da liderança dentro da quadra, que é sempre exercida por um ou mais dos atletas – e que, por vezes, demanda também bater de frente com atletas que atentam mais para seus interesses pessoais do que para os do time.

O trabalho final do técnico é saber, e conseguir, inspirar os atletas a apresentarem um desempenho acima de seu padrão, por conta de tudo que está envolvido – a oportunidade, única no tênis, de competir por um grupo e o país. Essa responsabilidade é a verdadeira diferença entre a Copa Davis e as outras competições do tênis, a razão da emoção e da pressão que toca os atletas. Sob essa luz, uns crescem, outros encolhem. C’est la vie.

O ESPÍRITO DA COPA DAVIS


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras, O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:35

ATPanga

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Para quem está pensando em assumir menos e menos compromissos eu devo estar fazendo algo errado. Na sexta-feira, estava fora de São Paulo, tentando acertar os compromissos do fim de semana. No Domingo eu tinha um em São Paulo e outro fora. No sábado em tinha o ATPanga em São Paulo, mas estava fora da cidade. Sim, confuso, e é isso que aqui menciono.

No fim, como sempre, uma decisão se toma. No Sábado parti em direção a São Paulo. O céu estava desencorajador, a viagem é mais do que curta, mas os Ipods resolvem a questão – som de estrada nas caixas e lá vamos nós. Só uma coisa me incomodava. Para alguém do meu status e responsabilidade eu estava a ponto de dar uma bela pisada na bola. Eu ia encontrar meus caros leitores em um evento tenistico e estava sem um sequer dos meus tacos (raquetes) na mala. Sim, eu os esquecera ao sair de São Paulo e o caminho para o YCP é totalmente fora de mão. Iria, literalmente, chegar de mãos abanando.

Apesar da garoa fina e forte que caia sobre a cidade, descobri que o pessoal, todos tenistas e nenhum sofasista, se adapta. Chove? É hora do almoço! Parou, é hora de jogar.

Quando cheguei o pessoal estava terminando de pedir seus pratos. Logo inseri meu linguado na história e sentei no local indicado pela eterna e irreparável anfitriã Maysa e seu assessor O Barão.

Antes cumprimentei a todos; os que conhecia pessoalmente e os que conhecia virtualmente. Sentado no meio da longa mesa me senti, mesmo que por um átimo de segundo, como o Senhor cercado por seus apóstolos. Por favor, não há comparação e nem me atrevo a me alongar, mas, confesso, senti, em um flash, uma aureola sobre a cabeça enquanto já pensava na sobremesa – um bolo de chocolate, verdadeiro manjar dos deuses.

A Maysa foi gentil e prestativa o bastante para agendar um rodízio de assentos durante e após o almoço. As pessoas vinham e conversavam, trocávamos ideias, debatíamos de tudo e mais um pouco que fosse relevante à nossa paixão – de Federer e Nadal a leitores mais controversos. Não vou aqui reproduzir as conversas, que, confesso, foram do maior interesse tenistico, quando não filosófico – até porque se a curiosidade é grande, o Barão me garante que o próximo ATPanda não tardará.

Mesmo sem que a conversa caísse um tantinho sequer, algum tenista impaciente olhou pela janela, viu que há algum tempo a chuva não caia e logo soltou o verbo; “nós viemos aqui para jogar ou conversar?” Não me pareceu haver alguma resistência em contrariá-lo. O Giulianno, dono da direita sinistra, logo me emprestou um de seus tacos. Em breve estavam todos com suas raquetes em punho marchando em direção às quadras, que, por conta das insistentes garoas, estavam com aquela cor berrante de saibro vermelho, o que sempre é um convite – pelo menos para o tenistas – para o pecado mais contundente que o mais reduzido dos bem preenchidos biquínis.

As duplas logo se emparceiraram, sem maiores delongas com categorias ou sexos. Não se preocupem os de tênis mais ou menos modesto que análises individuais não serão feitas. O importante, como sempre o é em quadra, é que a paixão pelo tênis derruba qualquer preconceito.

Ainda fomos interrompidos, mais uma vez, pela garoa. Nos refugiamos e, até com certa pressa, voltamos à quadra, aí já com os holofotes acesos. As quadras, apesar de pesadas pelo excesso d’águas, como adoram os espanhóis, estavam ótimas. Todos aguentaram até o fim, mesmo aqueles que tinham compromissos com voos, como o elegante casal Martin H, que não só nos honrou com sua presença – eles vieram dos arredores de Porto Alegre – como nos brindaram com bonés vermelhos celebrando a suíça, ofertados pelo Consul helvético que, por acaso, é pai do rapaz. Ontem mesmo já inaugurei o tal.

Saí do YPC já noite e carregando um outro presente; um exemplar do livro de contos “Mar de Hitórias” gentilmente ofertado e dedicado pelo caro Marcos Pessoa. De lá pegamos a estrada e voltamos para o interior. No caminho eu a esposa repassamos detalhes do encontro. Entre as várias lembranças, um detalhe foi ficando claro. Não posso abrir mão de tais encontros e, prometo, da próxima vez tirar um pouco do ônus da anfitriã e do organizador e tratarei de incrementar ainda mais o nosso ATPanga.

Para completar, peço que os presentes nos brindem com suas histórias e fotos do ATPanga.

Os pangas.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011 Curtinhas, Minhas aventuras, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:47

Curiosidades e sagacidades

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Com a vitória da Espanha na Copa Davis chega, oficialmente, o fim da temporada 2011. É hora de fazer algumas avaliações e pensar para frente.

Estarei nesta época explorando assuntos alternativos, coisas que fujam do dia a dia do circuito.

Nos próximos dias atenderei perguntas, sugestões e pautas, dentro do possível, e isso inclui a relevância das mesmas. Quem tiver alguma pergunta interessante que possa agregar ao Blog e seus leitores – mande ver. Surpreendam-me com suas curiosidades, sagacidades e capacidades.  Quem quiser enviar direto no meu email, para evitar a caixa de Mensagens: maisduas@terra.com.br. Use a palavra Tenisnet no local do Assunto.

Darei, óbvio, preferência a perguntas de tenistas sobre a de sofasistas.

Estarei também explorando alternativas e mudanças que venho cozinhando em minha mente para o site. No decorrer dos próximos dias vocês saberão mais sobre elas. Talvez, espero, mudando um pouco, e muito para melhor, o perfil do Blog.

Enquanto isso, para os fãs do suíço Federer e do tênis em geral, e em homenagem ao Martin H que, eu soube, estará em São Paulo para o ATPanga, posto um vídeo para lá de legal do rapaz que jogou muito tênis neste fim de ano – assim como nos últimos 10 anos.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011 Light, Minhas aventuras, Tênis Masculino | 12:02

Tarja preta

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No sábado, logo após acompanhar as semifinais de Paris, estava sentado à mesa ao ar livre com amigos, quando senti um incomodo nas costas. Levantei para dar uma esticada quando um estalo atravessou meu corpo. Algo nas costas fugira do lugar e não me pareceu bom.

O que não estava bom ficou bem pior e acabei por ter as costas totalmente travadas de uma maneira que nunca senti. E olhem que tenho problemas nas costas a muito tempo. Por mais que me medicasse nada adiantava – com o tempo estava ficando mais drogado que o pessoal da Cracolandia.

É simplesmente inacreditável as limitações que surgem com o travamento das costas. Se você nunca teve, primeiro nunca queira ter. Mas tendo, fica sem condições de tentar ficar em pé, sentar, girar o corpo para pegar uma caneta – nulo! A única posição sem dor constante á a deitada e imóvel.

Por conta disso peço a compreensão de vocês, já que escrever no computado é inviável. Como estamos todos voltando dos feriados, ainda hoje vejo um médico. Pelo jeito a droga terá que ser dupla tarja preta para me ajeitar.

Enquanto isso, tentem se comportar e manter o padrão elevado. Em São Paulo temos as Finais dos Challengers, estaos às portas de Londres e a dois passos da final da Davis. Eu logo estarei batendo umas bolinhas com vocês.

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