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Arquivo da Categoria Masters

sexta-feira, 20 de novembro de 2009 Masters, Tênis Masculino | 19:37

Os grupos do Masters

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O formato de dois grupos de quatro vem sendo usado no tênis profissional desde os tempos de WCT do arrojado Lamar Hunt. Fico imaginando quantos dos leitores sabem, sem ir correndo para a wikipedia, o que foi o WCT e quem foi Lamar Hunt. Ou quantos tenham ido ao Ibirapuera assistir quando o evento aconteceu por aqui.

O Masters era da FIT desde 1970 até 1990, quando a ATP dos tenistas o surrupiou dos cartolas, que tentaram, por um tempo, fazer outro, paralelo, e com uma montanha de dólares que Boris Becker chamou de obsceno, algo sobre o qual o alemão fala de cátedra. Em 1999 a FIT entrou em um acordo com a ATP, desistiu de seu evento e ambas passaram a administrar o atual Masters. Mas chega de história e vamos dar uma olhada nos grupos.

Grupo A: É o mais forte, inclusive pela presença de Federer. O suíço talvez se motive a jogar bem o último evento do ano que o consagrou como o melhor da história. Seria de se esperar. Como não tem feito nada demais nas últimas semanas, está com o físico intacto. Resta ver a confiança, a qualidade que faz o diferencial no seu estilo.

Andy Murray, que volta de uma contusão no pulso, só pode estar cansado de não fazer nada nas ultimas semanas. Jogar bem em Londres será sempre uma faca de dois legumes para o britânico. Tem a motivação de jogar para seu público e com ela vem o lado escuro do tênis – a pressão. Pelo menos não é Wimbledon. Pode aproveitar para tirar o peso das costas, o que seria bom para seu futuro no All England. Atrofia qualquer um, inclusive o Federer. Mas é uma incógnita.

Alguém precisa avisar o Delpo que a carreira não acabou com a sua conquista no Aberto dos EUA. Pelo contrário – agora é que o bicho pega. De lá para cá o argentino está com a cara de quem passou a noite da gandaia. Acorda!! É perigoso, mas parece estar se guardando para 2010.

Fernando Verdasco está no Masters pelo o que fez no primeiro semestre. É outro que não vem se apresentando no seu padrão. Ou será que esse é seu padrão? Corre por fora e sem pressão.

Se for para adivinhar, o que odeio, passam para as semis o suíço e o escocês.

Grupo B– O mais embalado e o que está jogando melhor, de todos, é o sérvio Djokovic. Venceu dois torneios seguidos e levará essa confiança para Londres e para 2010. Mostra, a cada dia, que, mesmo não sendo o mais técnico, é um grande competidor. Adora vê-lo jogar os pontos importantes.

Rafa Nadal é a incógnita. É o melhor competidor do tênis atual e um dos melhores da história, mas não está em sua melhor fase. O pior, para ele, é que a Espanha está na final da Davis mais uma vez e vai vencer mais uma vez. (Será que a CBT vai contratar o Albert Costa para 2010?) Vem patinando em semis e finais e não vence um torneio desde Roma, o que é muito pouco para seu padrão. Mas quem é macho de apostar contra?

É uma dureza escrever sobre Davydenko. O cara é ótimo tecnicamente, mas não tem coração. Parece um cantor de blues branco nascido em Boston ou sambista de olhos azuis criado nos Jardins. É horrível de torcer, a favor ou contra. Fora que treme na hora da onça beber água.

Soderling. Esse é tão maluco que se eu fosse produtor de Hollywood chamava o Jack Nicholson, quando jovem, para fazer seu papel – “here´robin!”. Até o Norman chegar à sua vida não tinha um único amigo no circuito. Agora tem o Norman. Se a Hingis estivesse por aí casavam e teriam um filho. Já imaginou o que viria? Mas gosto de vê-lo jogar, especialmente quando está motivado, o que não é assim tão comum. Tem que se tirar o chapéu para alguém que bate a direita como ele bate, com aquele bração, e aquela esquerda que eu roubava e não devolvia.

Nas semis devem ir Djoko e Nadal. Mas não perco por nada o jogo entre o sueco e o espanhol.

oitono o 2Os oito galáxicos no O2

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009 Masters, Tênis Masculino | 13:01

State of the art.

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Fui algumas vezes ao Masters quando era realizado em Nova York e Hannover. Na primeira, o evento era ótimo, na segunda uma droga. Na primeira, era realizado no Madison Square Guarden, em Midtown New York, uma cidade que ferve. Na segunda, em um complexo mastodôntico, feito para uma feira mundial, nos arredores de uma cidadezinha fria que era o fim da picada. Não fui a Xangai, onde presumo adoraria a cidade e odiaria o evento.

Nova York era campeã pela cidade, pelo local e pelo público, componentes chave de um evento, além dos os atletas, of course. Enriquece demais o calor do público que sabe como e quando aplaudir e quando silenciar. O tenista intui quando o pessoal das arquibancadas é tenista ou pára-quedista e seu desempenho espelha o fato. Para o público visitante, a cidade onde é realizado o evento é uma enorme diferença, para o bem ou para o mal.

Hannover tinha um bom público, os alemães viviam a febre de Graf e Becker, além de entenderem o tênis, o local era estranho, mas passável – algo como um gigantesco Anhembi – mas a cidade era de chorar. Um frio cão, ninguém nas ruas, nenhum lugar para ir, uma tristeza de cortar os pulsos.

Xangai, eu imagino, seja uma cidade interessante, o local devia ser bom, mas o público era de chorar. O pessoal e o tênis estavam em galáxias distintas. E para nós, que acompanhamos pela TV, evento do outro lado do mundo é de ir à loucura pelo fuso horário. Minha mulher deve pensar seriamente em me largar durante o Aberto da Austrália e as transmissões da madrugada. Eu, se pudesse, me largava.

Por conta disso, a minha expectativa com o Masters em Londres é bem positiva. A cidade é ótima, quanto a isso não há duvidas, apesar de que o local do evento, a Arena O2, ser fora do centro da cidade, lá onde Judas perdeu as botas no lado oeste e do outro lado do rio. Nada que um “tube” ou um taxi não resolva.

A Arena é “state of the art”, um local que nos faz sentir terceiro mundo apesar de sermos a sede da próxima Copa do Mundo e Olimpíadas. Imagino se um dia teremos um lugar daqueles por aqui e com os eventos para acompanhar.

O público inglês é também um dos melhores, tem por quem torcer, e tenho a suspeita será mais participativo do que o que comparece ao All England Club, local que inibe e constrange. Já foram vendidos 250 mil ingressos para os oito dias. Além disso, a imprensa é a melhor do mundo, de longe, e bota longe nisso. Isso ajuda a elevar o padrão do evento, dentro e fora da quadra, de maneiras objetivas e subjetivas.

Grupo A
Roger Federer
Andy Murray
Juan Martin del Potro
Fernando Verdasco

Grupo B
Rafael Nadal
Novak Djokovic
Nikolay Davydenko
Robin Soderling

DUPLAS

Grupo A
Daniel Nestor-Nenad Zimonjic
Mahesh Bhupathi-Mark Knowles
Frantisek Cermak-Michal Mertinak
Mariusz Fyrstenberg-Marcin Matkowski

Grupo B
Bob Bryan-Mike Bryan
Lukas Dlouhy-Leander Paes
Lukasz Kubot-Oliver Marach
Max Mirnyi-Andy Ram

Considerações a respeito dos grupos em post futuro.

o2ink101uploadedimage Bons ingredientes: Londres, Masters, O2 Arena, público, tênis.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009 Copa Davis, Juvenis, Masters, O Leitor no Torneio, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:04

Premonição.

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Federer x Sampras, Wimbledon 2001.

Existem momentos mágicos em nossa história que, não raro, só realizamos sua importância e magia mais tarde. Durante onze anos seguidos fui a Wimbledon, escrevendo para o Jornal da Tarde e O Estadão onde contava minhas aventuras e desventuras no torneio e na cidade de Londres.

Com o tempo consegui algo que, infelizmente, com o tempo decidi abrir mão; uma cadeira cativa na Quadra Central, o palco mais restrito e famoso do mundo esportivo. Posso garantir que essa cadeira, que tem um número limitado, é imensamente difícil de merecer e conseguir e que todo mês de Julho tenho saudades dela.

Em 2001, Pete Sampras, então com 30 anos incompletos, defendia seu título do ano anterior, assim como os sete conquistados anteriormente no All England. Nas oitavas de final, quis o destino que ele enfrentasse Roger Federer, 20 anos incompletos, dono de um único título no ATP Tour, em Milão, em Fevereiro daquele ano.

Eu já tivera a oportunidade de ver o suíço jogar, como juvenil e como profissional, em algumas oportunidades anteriores. Conhecia seu talento natural, suas habilidades e tinha curiosidade em ver aonde suas qualidades poderiam levá-lo. Achei que assisti-lo enfrentar o hepta-campeão na Quadra Central seria um bom programa.

Fiz um lanche rápido, escrevi minha coluna do dia e fui ao templo sagrado do tênis completar o programão do dia – acompanhar o jogo que começou no meio da tarde. O que presenciei naquele dia foi História.

A partida, vencida por Federer por 7/6 5/7 6/4 6/7 7/5, foi a única entre esses dois tenistas que marcaram a história do tênis. Até ontem, com a vitória de Federer em Paris, havia a dúvida sobre o “Melhor da História”. Talvez ainda exista. Mas se o leitor quiser um tira-teima, um divisor de águas, um símbolo, esse é o confronto.

De um lado da quadra, onde conquistara o mais reconhecido sucesso de sua magistral carreira, o experiente Sampras começava a contemplar o crepúsculo de sua carreira – só venceria mais um Grand Slam, em Nova York no ano seguinte. Do outro lado da rede, um jovem talentoso, habilidoso e desinibido como poucos em palco tão exigente, no qual pisava pela primeira vez, só conquistaria seu 1º GS naquela mesma quadra dois anos depois.
Sampras era, claramente, o favorito – do jogo e do público. Federer a auspiciosa promessa. O confronto foi inesquecível, pela qualidade, pela surpresa, pela circunstância. Como uma premonição do por vir, Federer saiu vitorioso, na que foi a melhor partida do torneio, derrotando um campeão que estava a 31 partidas consecutivas invicto no torneio. Naquele dia, Roger mostrou todas as qualidades, técnicas, emocionais e mentais, que o levaram a bater o então campeão e o levariam a um dia desbancar o então melhor da história.

O jogo foi um dos últimos e inesquecíveis confrontos do mais purista e clássico saque-voleio do tênis. Uma exibição para fazer sonhar todos aqueles que cresceram admirando o tênis original praticado sobre a grama e que hoje, por N razões, começa a pertencer a um passado tão distante quanto o das cartas de amor e viagens de trem. E, com certeza, são as essas imagens, das quais apresento breve amostra no vídeo abaixo, mais uma das razões pela qual o mundo se curva e cede, com tranqüilo desprendimento, aos encantos do tênis praticado por esse terrivelmente “cool” tenista dos Alpes.

Como curiosidade, coloco abaixo trechos pinçados da minha coluna do Jornal da Tarde da época, onde menciono o garoto Roger Federer. Eles estão exatamente como foram escritos, pouco mais do que oito anos atrás.

“ Na segunda semana de Wimbledon as partidas concentra-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos juvenis e os veteranos. O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites. Entre as garotas tivemos uma semi-finalista na figura de Vera Lúcia Cleto em 1968. Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes – brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete – em 1959. Quem me lembra o seu estilo é o suíço Roger Federer, tenista que é um prazer assistir.”

“O suiço Roger Federer, de 19 anos, é, junto com o russo Marat Safin, o maior talento da nova geração. O seu, além de ser um tênis de resultados, é também o mais vistoso das quadras. Elegante, do instante em que entra na quadra, ao momento que cumprimenta o adversário, é um “gentleman” também fora delas. Durante as partidas mantém uma postura raramente vista em tenistas da sua idade. Às vezes parece carecer uma pitada de garra. Talvez o tênis lhe seja tão fácil que nos parece sem esforço. Sua vitória sobre Pete Sampras veio como uma surpresa somente para aqueles que não tem tido a oportunidade de acompanhar a sua breve carreira.”

“ Somente as agruras de Sampras não seriam o suficiente para causar sua derrota em Wimbledon. Ele precisaria encontrar um adversário a altura. E foi isso que aconteceu ao enfrentar o maravilhoso tenista Roger Federer. O amigo leitor pode ficar sossegado. Ainda vai ver muito esse “young gentleman” suíço. Isso porque, insisto, o rapaz tem o tênis mais bonito que freqüenta as quadras do tênis profissional.”

Confesso, sem maiores inibições, uma pitada de orgulho em ter escrito essas linhas, assim como uma alegria interior em ter presenciado essa premonição da história oito anos atrás.

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terça-feira, 28 de abril de 2009 Masters | 19:57

Rei de Roma

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A maior razão do tremendo sucesso de Roger Federer com os tenistas – atenção, eu escrevi tenistas e não fãs do tênis – é a maneira clássica como ele joga o nosso esporte. Óbvio que não estou considerando a lista de títulos que o rapaz pode colocar na mesa a qualquer hora.

Existiu uma época que tenistas com esse estilo e plasticidade não eram tão raros como hoje. Isso foi antes do tal tênis-força tomar conta do circuito. Já que esta semana se joga em Roma e um dos leitores pediu, escrevo algumas linhas sobre Adriano Pannata, um dos dois maiores tenistas italianos da história – o outro sendo Pietrangeli, que não por acaso teve a ex-quadra principal do Foro Itálico renomeada com seu nome. Os italianos não têm um bom olho para a beleza só em moda e arte.
E se fosse para escrever só sobre estilo e plasticidade, Pietrangeli apareceria antes do que Panatta.

Adriano era filho do homem que tomava conta das quadras de um clube em Roma, aprendeu olhando e aos 14 anos foi para um centro de treinamento da confederação italiana perto de Nápoli. Isso nos anos sessenta, o que nos coloca 50 anos atrás deles, já que não temos um até hoje.

Além do enorme talento e habilidade, era alto para a época e tinha bastante força e agilidade. Seu jogo era de saque e rede, mesmo no saibro, piso que, ironia, se dava melhor do que nas rápidas. Seus confrontos com tenistas contra-atacadores como Borg e Connors se tornaram históricos e marcantes. Com Borg jogou 15 e venceu 6. As mais memoráveis foram a final de Roma em 78, com o sueco vencendo no quinto set e nas quartas de Roland Garros em 76, ano que o italiano venceu o torneio.

A final de Roma foi épica, com Borg ameaçando se retirar da quadra se o publico não parece de jogar as moedas de 100 Liras na sua cabeça. Ele me disse que cada uma ardia como uma picada de abelha. O sueco foi até o juiz e lhe disse: repita exatamente o que eu lhe falar; “se jogarem mais uma eu vou embora”. Mas foi só depois que Adriano sinalizou que o público parou – com as moedas, porque os apupos, barulhos, xingamentos e roubalheiras continuaram. Borg me disse que ganhou só de marra.

Com Connors a conta foi pior. Sete vitórias do americano contra duas derrotas. A grande partida foi uma terceira rodada no U.S Open, onde Connors jogava muito e Panatta queria muito uma vitória. A partida foi decidida em 7/5 no quinto set para o americano e deixou o italiano famoso nos EUA já que televisionada na integra.

Panatta ainda levou a Itália quatro vezes à final da Copa Davis, o que conta mais para os italianos que qualquer título de Roland Garros. Infelizmente, para ele, só venceu a primeira, em 1976, contra o chilenos, infelizmente para estes.

Panatta abandonou o circuito em 1983. Como ícone do tênis italiano foi capitão da Davis durante 15 anos. Ele era o capitão quando o time por mim capitaneado bateu a Itália em Maceió, uma boa memória. Foi também técnico geral da federação italiana e diretor do Aberto da Itália. Hoje gosta de correr em speedboats e foi campeão mundial da categoria em 2004.

Fora da quadra sempre era muito arrogante e talvez por isso não tenha sido ainda maior – chegou a 4º do mundo, em uma época cheia de Borgs, Connors, Vilas, Nastase etc. Teve lá seus podres na vida, andou com gente errada e só não sujou seu nome de vez porque a Itália, ao contrário de alguns países, sabe cuidar de sua história e ídolos. Mas esse não é o assunto, até porque senão isto ficará longo demais.

Vale dizer que sempre valeu a pena interromper treinos e refeições quando eu estava no circuito para assisti-lo jogar. Tinha uma das esquerdas mais bonitas e eficientes do tênis. Batia flat e com slice – não usava o topspin, e mandava muito com ambas. Sua bola andava barbaridades e ainda usava raquetes de madeira Maxply Dunlop. Na rede era um gato e executava voleios como poucos; tanto com força, como colocados, angulados e acariciados. A ATP devia tornar mandatório à molecada assistir os antigos vídeos de tenistas como ele para ver se os caras de hoje aprendem. É isso.

Isto é uma esquerda bonita.

Isto é um voleio de esquerda.

Isto é um voleador.

Isto é uma final de Roland Garros

Isto é uma final do Aberto de Roma.

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quinta-feira, 12 de março de 2009 Masters | 20:24

Cinco minutos

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Outro dia, logo após eu escrever sobre a Garden Party na Quadra Central de Wimbledon para a inauguração do teto retrátil, alguém mencionou que Tim Henman não era um bom nome. Bem, os organizadores abriram as bilheterias – lembrando, são 16 mil lugares – e os ingressos foram que nem pão quente. Cinco minutos, foi o que demorou para vender tudo.

O que deixa claro o quanto o quarteto -Agassi, Graf, Cljisters e Henman – foi bem escolhido e, especialmente, o quanto o publico inglês aprecia uma boa festa tenistica. Um triste contraste com as arquibancadas vazias – pelo menos nas duas partidas que já aconteceram – da linda Arena que hospeda o Rio Champions. Espero que o cenário mude ainda para a partida de Mc Enroe e também para os outros dias.

Mac, que jogou soccer quando criança, mostra a “categoria” no Maraca. 

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Masters, Tênis Masculino | 01:25

Big Mac

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Começa hoje no Rio de Janeiro o Rio Champions, evento criado pelo tenista Jim Courier, que arregimenta tenistas do passado para jogar mundo afora. É um segundo circuito, paralelo ao criado pela ATP, que teve presença recente em São Paulo.

A estrela maior do torneio carioca é John McEnroe, o tenista de maior sucesso nesses eventos, até porque continua jogando bem e o público adora um “mau caráter”. Faz parte do seu show, arrumar uma “briguinhas” com os juizes de cadeira, algo que alegra tanto as arquibancadas quanto a habilidade de seus voleios.

Esta ultima, talvez seja a maior valia do circuito. Nos lembrar do quanto é gostoso assistir um jogo agressivo mesclado com a habilidade, especialmente junto à rede. McEnroe foi um dos “grandes” nesses quesitos. Mas, apesar de suas habilidades e seu saque, a maior razão de seu sucesso foi sua competitividade.

Lembro de assistir em 1978 uma final do NCAA, o circuito universitário americano, entre ele e John Sadri, um tenista forte, com um tremendo saque, bons voleios e golpes redondos do fundo da quadra. A partida foi vencida por Mac por 7/6 7/6 5/7 7/6, uma partida duríssima decidida nos detalhes. Na ocasião John confirmou seu precoce sucesso de passar pelo quali de Wimbledon em 1977 e chegar às semifinais, algo nunca mais conseguido. Pouco depois da final universitária abandonou Stanford e caiu no profissionalismo.  

Na ocasião ainda era uma incógnita qual seria o futuro dos dois rivais e expoentes do então tênis juvenil e universitário americano. Sadri, um grande tenista, foi 17 do mundo e vice na Austrália, seu melhor resultado. Porém a competitividade de McEnroe o levou a vencer 7 Grand Slams em simples, nove em duplas e ser numero 1 do mundo em ambas, o que, aposto minhas raquetes, nunca mais vai acontecer.

Entre os presentes no Rio temos ainda Pat Cash, exímio sacaor/voleador, vencedor em Wimbledon e que só não teve mais sucesso por conta de um eterno problema nas costas. Cash é dono de um tênis clássico, bonito de ver, especialmente junto à rede – um artista.

Mark Phillippoussis é um tenista que vi jogar nos tempos de juvenil quando era considerado o rei da cocada preta, ofuscando um contemporâneo – Gustavo Kuerten. Já escrevi uma boa coluna sobre ambos, nos tempos de juvenis, em Roland Garros, no jornal O Estado de S.Paulo. Talvez um dia a encontre e publique. Mark é um tremendo sacador e bom voleador, mas teve problemas com a personalidade, o foco e os joelhos.

O que não vi ninguém da imprensa mencionar é que a partida de abertura de McEnroe no torneio, contra Mikael Pernfors, é repetição de uma famosa e marcante partida do circuito profissional. Em 1990, no Aberto da Austrália, McEnroe foi desclassificado após ofender juizes de linha, de cadeira, árbitro, supervisor e quebrar sua raquete. Tudo coisas que ele sempre fez impunemente. Naquele ano mudaram as regras mais do que nada para restringi-lo e no primeiro evento da temporada atiraram o livro de regras na sua cabeça.

Hoje o público comparece aos eventos dos Masters na expectativa que ele atire a raquete na cabeça do juiz. Não chega a tanto, mas ameaça. A diferença é que aqui também a história de repete como farsa.   

Mc Enroe brigando então.

Mc Enroe brigando agora.

 

 

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domingo, 16 de novembro de 2008 Masters | 20:12

Palmas para ele

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Esta semana em Xangai o sérvio Novak Djokovic confessou a um repórter que talvez seja melhor passar desapercebido em um torneio, sendo essa uma maneira de liberar a pressão e poder jogar mais à vontade.

Para quem, durante um bom tempo, fazia todo tipo de papagaiada para chamar a atenção – aquele negócio de imitar colegas de trabalho na quadra central do US Open 07 foi o fim da linha – a declaração é volta de 180º. Foi-se o palhaço e, no circuito, dizem, chegou o presunçoso.

Talvez essa seja a diferença entre o Djokovic do início da temporada, após vencer o AO, e o de agora, calado e compenetrado durante o Masters. Talvez seja consequencia de ter visto suas pretensões de roubar o segundo lugar no ranking de Rafa Nadal, após perder para o espanhol em Hamburgo, RG, Queens, imediatamente antes do “animal” se estabelecer em Wimbledon, e ainda nas Olimpíadas. Só foi vencê-lo em Cincinnatti, pouco para quem queria o lugar do outro e ainda o de Federer. O banho de realidade muitas vezes é um de água gelada.

A sua personalidade ainda está lá; o rapaz é um batalhador, um tremendo competidor, sabe jogar bem quando por baixo no placar e, nos pontos importantes, sabe buscar dentro de si o que tem de melhor emocionalmente.

Gostei muito do torneio jogado pelo sérvio. Jogou bem todas as partidas, inclusive quando perdeu para Tsonga. Nas suas contas não valia nada; jogou um primeiro set impecável, quando deixou escapar o segundo se irritou, momentaneamente, e simplesmente economizou o corpo e a mente para outro dia. Pragmático e realista. Se não fizer isso em outras ocasiões, quando todo jogo conta, tudo bem.

Djoko não é um tenista talentoso como Federer, nem forte como Nadal. Terminar em terceiro, nos calcanhares do suíço, só 10 pontos de diferença, tem que ser considerado um feito. Há muitos tenistas com saques melhores do o seu, golpes mais potentes e maiores envergaduras. Mas Djoko consegue apresentar um pacote muito bem acertado, tendo como amalgama uma força competidora tão boa como a de qualquer outro.

Parece pouco, mas não é. Com sua vontade de vencer, o rapaz traz para a quadra um trabalho bem completo; preparo físico – é muito rápido, atlético e resistente -, um bom emocional que o leva através de jogos difíceis e parelhos, ele não é tão melhor do que vários adversários – e golpes bem montador e regulares.

Alie-se a isso uma coragem para arriscar em pontos importantes, pelo menos quando não enxerga Nadal ou Federer do outro lado da rede, e temos um tênis competitivo e que, fique claro, com a ambição chegar ao topo do ranking mundial. Palmas para ele.

De sapatos dourados, e sempre lutador, Novak é um novo homem.

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sábado, 15 de novembro de 2008 Masters | 18:11

Sólidos, rápidos e motivados

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A vitória do Djokovic até que era esperada, mas o Magro Simon com sua cara de blefador de poker vendeu caro a derrota. O francês é um tenista diferente, um tanto estranho, especialmente na técnica, mas com um emocional excelente e diferenciado – e aí reside a razão de seu recente sucesso. Será interessante acompanhar o desenrolar de sua carreira, a começar pelo início da temporada 2009 quando deve jogar os eventos em quadras duras, suas favoritas.

Djokovic ir à final, ou mesmo vencer o Masters, também não surpreende. Ele começou o evento muito bem e, enquanto outros caem pelas tabelas ou não aparentam estar tão motivados o sérvio fez a conta e chegou à conclusão que a sua marca em 2008 seria começar (Aberto da Austrália) e acabar bem a temporada.

Se está de bom tamanho para ele, para mim também. O rapaz joga muito, mas durante a temporada amargou passar de coadjuvante de Federer e Nadal a ofuscado pelo Murray, o que deve estar pesando no seu coração e no seu ambiente familiar, que tanta expectativa tem no arrimo familiar.

O burocrata Davydenko é uma das incógnitas do circuito. O robozinho joga muito, mas tem zero de carisma. Quantos dos meus leitores pagam um mico pelo rapaz? Não vejo ninguém comprando briga pelo ucraniano/russo/austríaco ou seja lá quem oferecer um passaporte europeu para o rapaz.

Se Davydenko tivesse um tantinho de criatividade e personalidade – tipo o Murray, só para ficar entre os atuais – seria um rival à altura de Nadal, Federer, Djoko, e agora Murray. Será que um dia terá o que é preciso para vencer um Grand Slam e se converter em um dos “cachorros grandes? Duvido, mas não aposto contra.

Vencer o Masters seria bom, mas não é, nem de longe, do que estou falando. O rapaz tem golpes sólidos e pesados no fundo da quadra, é rápido, chega bem nas bolas e pode ser que saiba volear – acho que um dia desses eu o vi ir à rede, acho! Mas tem pouca lucidez tática, não possui um grande saque, não sabe subir seu padrão em pontos importantes, não vibra e, pior, o que o não deixou explodir até hoje, medra nos grandes momentos.

A final de amanhã é entre dois tenistas que precisam ganhar, por razões distintas dos outros três favoritos já eliminados. Não são sacadores, mas são sólidos e rápidos, qualidades que favorecem pontos longos e disputados. Vence o que quiser mais e tremer menos. 

 

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008 Masters | 13:26

O jogo

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Sexta-feira acontece o jogo entre Roger Federer, que hoje bateu o galã de Praga Stepanek, que entrou no lugar de Roddick contundido, e Andy Murray, que, ao vencer o Magro Simon, se classificou antecipadamente para as semifinais do Masters.

 

Federer precisa da vitória para ir às semis. Murray entra na quadra na confortável posição de, se quiser e puder, eliminar o suíço do torneio, e se não quiser se desgastar tanto, deixa ele vivo, correndo o risco de encontrá-lo mais adiante.

 

Será que essa confortável situação tirará, mesmo que um pouquinho, a disposição de luta do escocês? Afinal, suas partidas com o suíço são sempre parelhas e disputadas. Federer confessou que Murray é o tenista em melhor forma no evento – o que Djokovic deve ter engolido a contra gosto. Como escrevi no início do torneio, essa é a partida mais esperada. Veremos o que acontece.

 

   

   Murray tranquilo e esperando Federer

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008 Masters | 11:47

A bonitona da festa

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Não me considero um torcedor – mais um apreciador – e meus gostos vão dos mais óbvios aos mais indescritíveis. Mas hoje não é dia disso. O fato é que fico um tanto chateado quando o Federer perde. E não é só porque D. Ruth, incondicional torcedora, ela sim assumida, ficará chateada, e um bom filho nunca gosta de ver sua mãe triste.

Outra boa razão é que, a cada vez que o suíço perde, me sinto como aquele rapaz que se produziu todo e, com altas expectativas, foi para a festa; ou balada, como dizem hoje. Vejo uma derrota de Federer como quando aquela moça maravilhosa, talvez a mais linda da festa, levanta e vai para casa mais cedo do que o esperado, deixando todos nós, óbvio com algumas mau-humoradas exceções, com aquele gostinho amargo da frustração de perdermos, na melhor das hipóteses, a oportunidade de nos maravilhar.

Por sorte, o Masters oferece uma segunda chance ao tenista, o que por si já é um contra senso tenistico, a esta altura bem vindo. Mas a derrota do suíco só me fez pensar, mais uma vez, nas palavras de sua mãe quando de passagem por São Paulo. “É bom todos irem se acostumando, porque nada dura para sempre”. Triste verdade.


Roger – derrota inesperada e fãs frustrados.

 

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