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Arquivo da Categoria Masters 1000

domingo, 13 de outubro de 2013 Masters 1000, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:31

Troca Troca

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Rafael Nadal nunca mudou de técnico – e duvido que um dia o fará. Novak Djokovic tem o mesmo desde os tempos de juvenil – e mesmo quando quis uma segunda opiniao manteve Vajda por perto. Gustavo Kuerten só foi trocar de técnico quando sua carreira havia se esgotado. Murray vivia trocando e duvido que mantenha Lendl até o fim. Thomas Belluci muda tanto quanto time de futebol. Roger Federer também faz parte deste time.

Sim, temos tenistas que nao mudam de técnico, ponto final, e aqueles que gostam de acreditar que a razao de seus fracassos, mas nao necessariamente de seus sucessos, estao sempre nas arquibancadas. Por outro lado, acredito também que chega um momento o tenista pode/deve trocar de técnico – especialmente quando traz o mesmo desde os tempos de juvenil e, por vezes, este nao tem o perfil e o know how para levá-lo adiante. E as vezes é preciso uma troca para dar próximo passo. Mas é uma decisao delicada.

Roger faz parte dos mais voláteis. Teve um técnico como juvenil, um australiano originalmente contratado pela sua federaçao. O rapaz morreu precocemente. Daí pra frente tentou sueco, flertou com australiano, experimentou ficar sem nenhum, uma época sem lustro, tentou convencer um que nao queria viajar e outro que nao quis abandonar a TV. Finalmente ficou com o Annaconne porque este foi técnico Sampras. Nunca percebi o que este mudou/acrescentou a seu jogo. Assisti a alguns poucos treinos de ambos e o cara era mais um refinado pegador de bolas do que um técnico e quando falava nao é que o outro prestava muita atençao – assim fica difícil. Nao acredito que Federer quisesse algo muito diferente disso. O bonitao nunca mostrou querer acrescentar algo a seu jogo e única mudança que fez, realmente, foi deixar de ir tanto à rede como no início, até porque o jogo, e os tenistas, mudaram.

Fico pensando o quanto um cara com seu arsenal poderia ter acrescentado de variaçoes a seu estilo – mas nao. Parece que ele acredita que seu destino era impor seu estilo e os outros que se virem. Deu bastante certo, é mais do que verdade. Mas o Rafa deve acender uma vela à Santo Alonso toda semana por conta da teimosia helvética.

A decisao de agora nao foi intempestiva, já que Paul sequer viajou à China. Como ali é todo mundo gentleman, e também por ser a praxe do circuito, Roger e Paul só tiveram elogios um para o outro. Mas ficou na entrelinhas que a decisao foi do tenista. Imagino que a temporada nao caiu muito bem com o Bonitao, que se nao der uma guinada logo sai dos top10, o que seria uma agressao ao ego do suíço. Duvido que Federer anuncie alguem novo ainda esta temporada. Mas, quando trouxer alguém, a escolha mostrará suas intençoes para o resto da carreira. Escolherá alguém de personalidade, que poderá acrescentar algo a um tenista que nao tem mais a mesma virtude física em um esporte cada vez mais físico, ou trará alguém só para chamar de seu?

Aliás, Thomaz Bellucci também decidiu trocar, mais uma vez, de técnico. Foi-se o tranquilo argentino Daniel Orsanic e entra o experiente Pato Clavet. O espanhol foi um tenista interessante, já que sem nenhum golpe incisivo conseguiu, depois de um bom tempo, chegar a 15 finais, vencendo oito delas, sete no saibro e, a ultima, na dura. Mas é um bom cara, mostrou inteligência ao conquistar o que conquistou com seu resumido arsenal, treinou o Feliciano Lopes e sempre se mostrou tranquilo, uma qualidade que vai precisar para seu atual desafio.

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sábado, 18 de maio de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 18:26

Mau humor

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Os sofasista se assanham – é hora do maior clássico da ultima década, e um dos maiores da história, entre dois tenistas excepcionais, estilos e personalidades distintas. Está de ótimo tamanho para mais uma final.

Não assisti o jogo do Nadal com freguês Berdich, vencido em dois sets pelo espanhol. Não sai jogo. Já jogo do Federer foi um tédio. Não sei se me abraçou um sono porque foi durante e pós uma bela massa, com um molho de tomate e especiarias que nem sob tortura eu abro, mas tenho o maior prazer em fazer para amigos, se foi pela cara de sonso do francês Paire ou pelo mau humor do suíço. O fato é que tinham várias coisas melhores para se fazer.

O Federer deu, mais uma vez, de Federer. Jogou na birra, na teimosia. O adversário tem um tremendo revés e uma direita cega. Onde ele joga? No revés. Só ia na direita quando o negócio pegava fogo. Ganhou o primeiro set no TB e o segundo com uma mínima quebra, após flertar com o perigo a toda hora – poderia ter saído Foro Itálico mais cedo.

Tenho uma razoável certeza de seu mau humor. Primeiro, óbvio, o incomodo das costas. Dava para ver a cinta que ele está usando, o que parecia ser uma barriguinha à primeira vista. Com dor é muito chato. Além disso, o colocaram, pelo segundo dia seguido, que eu saiba, para fazer a ultima partida do dia. Ontem saiu de quadra mais de meia-noite. Hoje umas 22h. Ficar o dia inteiro esperando jogo é um tédio, além da tensão maior. Ir dormir tarde, pior ainda. Enfrentar Nadal no dia seguinte, sem preço.

Ele, melhor do que eu e você, sabe que amanhã, na final, às 11h de Brasilia, enfrentará seu maior carrasco, que foi descansar mais cedo, não está com dores nas costas, está fazendo misérias no saibro, exatamente o piso onde ele, Federer, é mais frágil e o oponente mais forte, e deve estar babando para aumentar a freguesia (19×10). E dá-lhe mau humor.

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quarta-feira, 15 de maio de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 13:52

Assim não..

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Naves em chamas nas fronteiras de Orion, raios-c brilhando nos portais de Tannhause, são poucas as coisas que não vi, pelo menos em quadra. Mas o que o bibi Andy Murray fez hoje algo eu não tinha visto.

Já vi tenista abandonar partida por tudo quanto é razão e de tudo quanto é jeito – mas o escocês tinha que inovar!

Ele perdeu o primeiro set, para o espanhol Granollers, por 6/3. Um passeio para o espanhol. Havia muito vento em quadra, algo que irrita os tenistas – uns mais do que os outros. Imagino que Murray, conforme o dia e hora, encaixe entre os outros.

No começo do 2º set, Murray teve o serviço quebrado e chamou o fisio, indicando problemas na região lombar – um negócio que irrita e restringe barbaridades. Vai começar a catimba, pensei.

Logo o espanhol abria 4/1, 30×15, após vencer 10 pontos seguidos. Um passeio para o espanhol, enquanto o escocês continuava com aquela cara de paisagem como quem está mais pensando num belo prato do Alfredo’s do que em correr atrás das bolinhas. E aí?

Bem, daí o espanhol, com uma daquelas ideias que só espanhol tem, resolver tirar uma com a carinha linda do filhote de Dona Judy. Péssima ideia. O espanhol deu uma tremenda zigzira de revés que a bola quicou a 30 cm da rede e ainda pegou efeito lateral. O escocês saiu como uma besta do fundo, como a pensar “assim também não”. Ele chegou na bola, mas errou o golpe, mas deve ter fervido por dentro. Acredito que menos o vento batendo no seu rosto por conta da corrida e mais o orgulho ferido mexeram com seu intimo.

Pois é, de ponto e ponto o orgulho da Rainha Elizabeth começou a voltar ao jogo. Igualou em 4×4. Aí como ele é ele, permitiu o outro fazer 5×4 e saque. Já nem pensávamos mais em abandono. Foi lá e quebrou de volta. De repente tínhamos um tie-break.

E a briga foi feia no TB. Até porque a essa hora o espanhol já devia estar amaldiçoando o sutil sarrinho pra cima do mau humorado adversário. De repente, Murray faz uma e outra mágica e mais uns dois erros crassos do espanhol que já apresentava sinais de estresse emocional, e Murray vence o TB.

Com a vitória do 2º set e o cenário pronto para mais uma daquelas reviravoltas inesperadas, Murray então dá o toque mórbido à coisa toda. Avisa que não jogará a negra. Deu pra ele. Aquele 2º set foi só para o folgado do Granoller aprender quem é quem naquela quadra.

Ele só avisa, após o jogo, que as dores nas costas estão lhe atrapalhando desde 2011 e alguns dias são piores do que outros. Deixou no suspense se jogará ou não em Paris, o que é uma decisão bem mais abrangente do que a sua participação. Se ele avisar antes de fazerem a chave, Federer passa para cabeça #2 e não fica na chave de Djoko. Sabe quanto eu acho que o Murray está preocupado com isso??

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domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

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É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

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quinta-feira, 9 de maio de 2013 Masters 1000 | 13:18

Caixa Mágica?

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Este é dos curtos. Estou assistindo a partida Federer x Nishikori. Essa tal de Caixa Mágica é uma verdadeira piada. Neste momento – final do 2o set – é simplesmente um martírio, para não dizer ridiculo, jogar tênis com a divisão de sol e sombra que a quadra apresenta. De um lado da rede, sol, do outro, sombra. Sem contar que lá vem sombra pela lateral. Quem joga sabe que é impossível a retina se adaptar – na velocidade da dos cachorrões então. Como se ve, não é só por aqui que acontecem essas barbaridades arquitetonicas..

E agora, no intervalo para o 3o set, o juiz pede para que seja feita uma regação diferenciada de cada lado e que passem “um poquito la escovita”, porque um lado está mais rápido do que outro, exatamente por conta de sol e sombra. Então, além de não dar para vez “zica”, um lado a quadra é rápida e do outro é lenta. E o cara de pau do espanhol técnico do Fognini vem aqui e reclama barbaridades como se lá fosse tudo rosas. Sei…

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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 11:44

Pelas beiradas

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Comendo pelas beiradas, e me refiro unicamente pelos feitos em quadra, Grigor Dimitrov vai se tornando um cachorrão, gratificando os fãs de seu tênis elegante e, aos poucos, mais eficiente.

A vitória de ontem sobre Novak Djokovic foi mais um passo em sua carreira. Afinal, o jogo foi pegado e dramático e um teste e tanto que passou o búlgaro que, até agora, não mostrava na força mental um de seus diferenciais. Ontem, porém, ele segurou sua cabeça através dos momentos mais cruéis e difíceis da partida, um feito gigantesco considerando a qualidade do adversário nesse quesito. Dada a abundância de talento do rapaz, com essa nova força mental e confiança, fica a pergunta do quanto esse baby-federer (apelido que ele odeia e não mais usarei) poderá conquistar no circuito.

Fica também a doce duvida de quanto o seu recente namoro com a mega estrela Sharapova está alimentando sua confiança. Afinal, se estar amando faz bem para qualquer um, desfilar com a Maria deve trazer um pouco mais de intima felicidade. Aliás, o rapaz gosta de seus contrastes, já que andou saindo com Serena Williams. Alguma coisa ele deve ter aprendido sobre força mental dividindo espaço com essas duas.

Além da derrota surpreendente do atual #1 e as excelentes disputas da partida, chamou atenção a participação do público. Os espanhóis torceram descaradamente pelo búlgaro – bem mais do que seria o normal de uma torcida por uma zebra. Fica a duvida do porquê. Porque Novak é o atual algoz de Nadal? Porque Grigor lembra o adorado estilo Federer, que nunca foi vaiado em quadra em lugar algum contra quem quer que seja? Porque o sérvio andou fazendo mais uma de suas milongas ao final do segundo set?

O sérvio é hoje bem diferente daquele tenista das papagaiadas no início de carreira e que andou levando uns puxões de orelha de seus colegas. Poucos são tão simpáticos e afáveis. É espirituoso e mesmo gozado, atributos que caem bem em qualquer #1 e em alguém que tão bem sabe o valor da entrega e da batalha. Melhorou uma barbaride sua postura em quadra. Mas, ainda carece daquele algo a mais que os carismáticos possuem e, talvez aí o caso, ainda insiste nas teatrilidades em quadra, como as do fim do 2º set de ontem, e a declarações tipo de que ficou 12 dias sem pegar na raquete antes de Madrid, algo na linha do que declarara em Monte Carlo, onde chorou e mamou. Acho que os espanhóis preferem outro estilo.

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terça-feira, 7 de maio de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 14:34

Malaman

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Já escrevi, e escreveram, tantas vezes que os pais são a câncer do tênis – uma verdade com boas exceções que só confirmam a regra – que chegou a ser uma lamúria e não uma notícia. A agressão do pai de Bernard Tomic ao rapaz contratado para bater bolas com o filho nos torneios é a nova história de terror do circuito.

Essas histórias acontecem mais no circuito feminino. Normalmente os rapazes logo dão um chega pra lá nos pais/malas quando tem idade para tomar uma cerveja. Mas família Tomic parece ser única de mais de uma maneira. Eles sempre criaram problemas, desde os tempos de infanto-juvenis, quando começou a ficar clara a facilidade do filho em bater na bola. O pai sempre criou confusões e brigas lá pela Austrália. O fato do filho não estar jogando o que ele pai esperava – ele acha que tem o novo Federer nas mãos – só deve fazer as coisas piores.

Vale lembrar que quase sempre que temos um pai dessa natureza o perfil é semelhante. Um homem de pouca educação/formação – o Tomic era chofer de taxi ou caminhoneiro – ignorante metido a violento, e totalmente incapaz de trazer para casa valores nem de longe próximos aos de um tenista. Pierce, Dokic, Capriati, Tomic são espelhos.

Ao que se sabe, o pai Tomic já tinha metido a mão no filho em Monte Carlo, o que criou um clima. No avião para Madrid a coisa continuou feia. No hotel seguiu e acabou na rua, com ameaças de não pagar o que deve, uma cusparada na cara e uma cabeçada no nariz que deixou desacordado na rua o tenista francês Thomas Drouet, rebatedor contratado do filho. O fato de terem um rebatedor, algo normal entre as cachorronas e mais raro entre os cachorrões, pelo menos nos torneios, mostra a personalidade da família. Eles não querem muita sociabilidade, que é o que as mulheres odeiam descaradamente – em quadra só adversárias.

Tomic-Pai foi preso, deu suas declarações, parece que passou uma noite na cadeia, foi solto, foi para o Monaco e a polícia está fazendo novas investigações, já que o pai disputa as acusações. Tomic terá que comparecer à corte em Madrid no dia 14 de maio.

O filho pouco tem dito, dizem que admitiu à agressão do pai. Parece que Dolgolopov e Tipsarevic também presenciaram. Em Miami do ano passado eu já havia presenciado, e escrito aqui, um estranho incidente onde Bernard pediu ao juiz que ordenasse ao pai que abandonasse as arquibancadas, já que o estava ofendendo e atrapalhando – algo que se vê aos montes nos torneios juvenis, lá e por aqui.

A ATP também fará investigações e o agredido tem pedido publicamente que o agressor seja proibido de comparecer aos eventos, algo que já aconteceu com os mencionados acima. Enquanto isso, Bernard tem sua carreira prejudicada, óbvio. Veremos se acaba em pizza. Minha aposta é que a justiça espanhola lavará as mãos e a ATP, se muito pressionada, dê uma leve suspensão ao malaman.

ATUALIZAÇÃO – A ATP não dará mais credenciais a John Tomic até segunda ordem. Não foi divulgado até quando vale a decisão. Como Roland Garros está chegando em breve saberemos se a FIT acompanhará a decisão. Não foi um banimento, pelo menos por enquanto, sendo assim, teoricamente o pai pode comprar ingresso e entrar no local.

Drouet saindo da justiça.

O mau encarado Tomic pai.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 11:42

Novo sócio

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Novak Djokovic matou a cobra e mostrou o pau. Ele bem avisou antes que entraria em quadra pressionando desde o início e que não estaria ali para “jogar bem” e sim vencer. Ele assumiu que queria o título, até para não ter que entrar mais no clube “de favor”, já que o Mônaco é sua residência. Foi uma das poucas vezes que o milongueiro assumiu a responsabilidade prematura e publicamente, já que ele, como seu oponente de ontem, geralmente gostam de jogar a responsa para longe de si. Foi uma interessante troca de estratégia pré-jogo e deu resultado porque, além de falar, executou. Soube, entre outras coisas, usar a vantagem de treinar no local mais do que qualquer outro.

O sérvio começou abandonando ainda mais o estilo de contra-ataque que por tanto tempo foi o seu e que, nos últimos anos substituiu por um estilo mais agressivo que lhe possibilitou bater seus principais adversários e “donos” do pedaço e se instalar no topo do ranking. Ontem, foi um passo adiante. Achou a medida certa de intensidade sem entrar na faixa de risco, uma arte que o tenista adquire com a experiência, quando adquire.

Começou indo pra dentro da quadra, pressionando o revés de Nadal, não permitindo o outro usar o ganchão de forehand. Ficou em cima, com a faca no pescoço do touro, algo que este não está acostumado e não gosta. A coisa foi tão gritante que o sérvio esteve a uma bola de fechar em 6/0, algo que deixou o estádio estupefato e o espanhol incomodado. O rapaz lutou o que pode e fez tudo que sabe para fugir do vexame. Conseguiu defender seu serviço e ainda aproveitou o embalo para quebrar o oponente em seguida, só para ver seus esforços morrerem com terra à vista.

O segundo set foi mais batalhado e decidido na bacia das almas do tie-break, o que mostra que muito mudou no 2º round.

Achei estranho Nadal voltar a dar ângulos ao sérvio, algo que vinha evitando nos últimos confrontos. Assim como achei estranho Nadal ter algum sucesso com a mudança de ritmo graças ao slice, só para imediatamente abandonar a tática. De qualquer maneira, passado o elemento surpresa, que tão bem funcionou de início, o confronto entrou no padrão habitual de ambos.

Com todas as variações de táticas e estratégias por parte de ambos, e por conta das alterações emocionais que uma partida dessas impõe, algo prevaleceu na hora da onça beber água. Hoje o macho-alfa do pedaço é Novak Djokovic. Quando os cornos se chocam, o que mantêm melhor seu solo é o sérvio. Na hora de sacar os revolveres não é mais ele quem pisca, como por um bom tempo aconteceu. Hoje, ele tem o respeito, adquirido por tudo que mostrou em quadra nas últimas temporadas, deixando claro que se alguém quiser levar, vai ter que passar por cima dele – nada será de graça, como tanto acontece para os cachorrões, que muitas vezes vencem partidas por conta de cara feia, rugidos, fama e cardeneta.

Muita coisa aconteceu no 2º set, mas tudo foi decidido no tie-break – que diferença de um quase pneu para um TB! Mas, nessa hora, a confiança de Novak falou bem alto. Enquanto Nadal queria alongar os pontos, acabou por se frustrar em erros. Ao contrário do outro, que teve a frieza para cortar tanto os erros, como as chances dadas ao adversário e ir para a vencedora, como no 6/1 e match-point. Agora muita água vai rolar e em Roland Garros esses dois vão poder decidir quem é que manda na Philipe Chartrier. Até por isso, os franceses já começaram testar a água sobre uma possível mudança no fazer da chave do evento, para evitar um confronto prematuro de ambos. Mas isso é uma outra história.

Djoko – beija que é o MCCC.

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sábado, 20 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 12:07

Natureza humana

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Sob extrema pressão o ser humano volta a sua zona de conforto – o tenista não é diferente.

O Mascara Fognini quando descobriu que ainda não tem cacife para enfrentar o Djoko simplesmente abandonou a luta, o que deve ter deixado seu técnico espanhol irado e a sua torcida italiana decepcionada. O cara ainda não descobriu que para ganhar de jogadores como Nadal e Djokovic o tenista tem que estar pronto para colocar a alma no jogo e o sangue pela quadra. E o tal do Fognini, com suas habilidades e facilidade de bater na bola, ainda prefere, nessas ocasiões, se refugiar naquele andar displicente, no ar de enfado e na aparência de quem não está assim tão a fim. Essa fuga emocional e camuflada é mais velha do que andar pra frente nas quadras de tênis, pelo menos para quem já empunhou a raquete em cenário competitivo, mas ainda convence o emocional do italiano.

Não é algo tããão distinto, mesmo sendo diferente, com o Tsonga. O cenário da semifinal de hoje em Monte Carlo me lembrou o de Miami 2012 quando ele também enfrentou Rafa Nadal. Naquela ocasião, o espanhol tinha 6/1 5/2 quando eu decidi sair à francesa para evitar o caótico transito de fim de jornada. Só para descobrir que o francês começou a arriscar tudo, o espanhol vacilou e quando cheguei ao hotel a partida estava no início do 3º set. Minha mulher, fã do “tão fofo” chegou a pedir o divórcio.

Hoje, o touro de Majorca enfiou 6/3 5/1, até Tsonga decidir que era a hora de botar fogo no principado, indo para o tudo ou nada, tática mais velha do que o Simca Chambord quando o tenista percebe que a vaca foi pro brejo e que mais nada tem a perder. Como o francês tem golpes para incomodar qualquer um, desde que entrem, como o saque e a direita, conseguiu quase virar o jogo. Êta “quase” maldito. Levou para o tie-break.

Mas aí, como também é da natureza humana, Tsonga viu que tinha um pássaro nas mãos e queria outro. Esse outro era ir para o 3º set e ter a possibilidade de vencer a partida. Para tal, abriu mão da tática suicida, só para, mais uma vez, ver o espanhol ir para a final de Monte Carlo. Sei.

Amanhã os dois tarados decidem que é o rei da cocada monegasca.

Tsonga e o bicão…

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segunda-feira, 15 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 09:06

Sócio do MCCC

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Diz a lenda que o vencedor do Aberto de Monte Carlo recebe, à parte do prêmio em Euros, um título do charmoso Monte Carlo Country Club, um dos mais fechados e desejados da Europa. Como Rafa Nadal já venceu oito títulos consecutivos, fico imaginando se ele pode distribuir seus direitos para outros membros da família, e também amigos, porque não sei se a família é tão grande.

O fato é que o espanhol segue vivendo na Ilha de Majorca e, presumo, só põe os pés no Mônaco durante o torneio – assim os títulos do MCCC não lhe trazem grande benefício. Ao contrário, por exemplo, de Novak Djokovic, que adotou residência no principado, porque a vista é legal, e treina bastante no clube, sempre como convidado, afinal é o #1 do planeta, mas sem as regalias, ou o prestigio, de um sócio, já que nunca conquistou o torneio, nem o direito ao título do clube. Isso é uma das dificuldades de ser contemporâneo do Animal.

Apesar de Nadal ser “só” cabeça-de-chave #3 do torneio e estar passando por um momento delicado na carreira, por conta de seu joelho, as bolsas de apostas devem estar bombando o nome do espanhol como favorito. Ele é o homem a ser batido. Resta saber por quem. Federer jogou a toalha e nem apareceu. Está escolhendo a dedo seus eventos e o quintal do Nadal não faz parte da lista. Djokovic, o eterno milongueiro, faz um doce danado para confirmar, ou não, sua presença e já estamos no segundo dia do torneio, por conta da torção que sofreu no primeiro set, na ultima partida da Copa Davis, quando venceu em três sets. Pelo menos já tem uma boa desculpa preparada em caso de ficar, mais uma vez, sem o título do MCCC.

Murray anda dizendo que nunca chegou tão bem preparado para o saibro como desta vez. Não sei dizer por que, já que até outro dia só estava jogando sobre quadras duras, mas será interessante ver se o escocês vai “tentar” se dar melhor nesse piso nesta temporada.

Nadal tem oito títulos consecutivos e só perdeu na sua primeira participação no evento, em 2003, na 3ª rodada, para o argentino Coria, que foi ouvido dizer em uma bar de Buenos Aires que do Nadal, em Monte Carlo, nunca perdeu.

As quadras principais do MCCC, que no torneio viram uma.

Vestiário do MCCC, banho à porta fechada.

Enquanto isso Federer treina na terra em algum lugar desconhecido. Pelas rochas, na Suíça, e em local sem o glamour de Monte Carlo. Como se ve, não é preciso muito para um bom treino, apsar que o local transmite altas vibrações.


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