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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

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Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

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domingo, 8 de junho de 2014 Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 10:57

No vestiário nao

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Andy Murray sempre foi fora da caixa. Enquanto outros contratam ex grandes jogadores, ele contrata uma ex grande jogadorA – a francesa Amelie Mauresmo. As reaçoes de seus companheiros/adversários será de, no mínimo espanto.

Desde que Andrei Chesnokov apareceu no circuito com Tatiana Naumko que eu nao me lembro de outro tenista ter uma técnica. A nao ser que vocês contem com o supermala Jeff Tarango e sua mae.

Os rumores já existiam, já que a moça andava assistindo os jogos dele em Paris.

Uma das prováveis razoes da escolha é ele ser uma tarada por preparfo físico, assim como Andy. Em 2011 ela correu a maratona de New York em 3.40h.

Mas, talvez, a principal razao é ela ser muito bem considerada no circuito pelo seu jeito, seu posicionamento e sua cultura.

Ela já teve uma pequena experiencia como técnica, ajudando Marion Bartoli vencer seu único Grand Slam em Wimbledon no ano passado.

Amelie adora um bom vinho, é um amor de pessoa e tem uma cultura bem acima da média das tenistas profissionais.

Mesmo sendo lésbica assumida, duvido que Amelie vá conseguir ter conversas de vestiário com seu pupilo.

 

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sexta-feira, 11 de abril de 2014 Juvenis, Light | 16:32

Fantasie

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Freud dizia que as fantasias sexuais nos levavam às cenas mais primitivas. O doutor vienense explorou, com certa controvérsia, esse aspecto humano, sendo por vezes massacrado pelos seus contemporâneos, pela audácia na abordagem. Porém, convenhamos, o tema exige uma boa dose de audácia, pois é raramente lidado de maneira aberta e transparente no dia a dia e investiga nossas mais secretos pensamentos e fantasias.

Como nao podia deixar de ser, os elementos ofertados por Freud para pensarmos as fantasias nos leva a um universo de questionamentos. Freud flertou por um tempo, nao vou entrar em detalhes, com a teoria que as fantasias estariam ligadas às nossas lembranças, mais precisamente à nossa percepçao de acontecimentos passados e até antepassados. E aí sabemos que nao existem regras. Se cada um enxerga o presente da maneira que mais lhe convêm, ou talvez nao, já que os neuróticos sao cada vez mais numerosos, considerem a flexibilidade existente sobre a imaginaçao do que aconteceu no passado muitas vezes distante.

Freud “brincou” com a idéia de que as fantasies/teoria da seduçao teriam dois momentos distintos. O primeiro seria na chamada cena de seduçao, onde haveria uma certa inocência por parte do afetado (criança) e uma açao mais ativa por parte do adulto. Na ocasiao, o pai da psiquiatria foi pressionado por vários críticos. Pouco tempo depois mudou a teoria – uns dizem que por conta da pressao exterior, outros que por conta de uma profunda auto-análise. A mudança sugeria que a tal cena de seduçao seria de fato inexistente, sendo sexual unicamente por parte do adulto e nao da criança já que o jovem nao teria entao condiçoes de entender o evento como sexual.

Só quando surge a segunda cena, anos mais tarde, quando a criança faz a associaçoes que remontam à lembrança da primeira cena, causando o recalque, que a explosao sexual, no já adulto, é deflagrada. Como veem, o assunto, além de fascinante, abre inúmeras portas, algumas que Freud, e outros, tanto abriram como fecharam.

E onde quero chegar com essa elucubrações sexuais. A origem foi uma foto, que publico abaixo, de um garoto Dimitrov com uma jovem Sharapova. Todos os atletas até se cansam de assinar autógrafos e tirar fotos com fas. Faz parte do dia a dia. Alguns fazem com prazer, outros nem tanto. Já ouvi várias pessoas reclamarem da postura da Sharapova. Talvez tenha sido o dia, as circuntâncias ou mesmo a pessoa?

Em ambas as fotos ela me parece bem alegrinha, assim como o garoto, afinal ao seu lado uma campea e bela loira. A questao é de como ela o via. Eu diria que na primeira foto ele tem uns 13/14 anos e ela uns 17/18 aninhos. Eles tem quatro anos de diferença. É óbvio que nessa idade a diferença era gritante e jogava com interessantes discrepâncias amenizadas nos anos seguintes.

Na primeira foto, será que o Grigor era tao inocente quanto demonstrava seu sorriso juvenil? E a Maria, nao me pareceu nem um pouco amuada ou mesmo constrangida em se inclinar carinhosamente para o garoto. Na segunda foto, quase dez anos depois, ele se inclina, felizinho, orgulhoso, quase deslumbrado. Maria, retraída, contente, tranquila, fêmea, segura. Como será que eles olham  para esse foto de anos atrás. Que fantasias podem tais lembranças causar?

Ou pode, como toda a psicologia permite, somente ser devaneios meus.

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 Esta está ligada à lembrança, à percepção de acontecimentos passados reais,

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013 Curtinhas, Light | 20:11

Lavando a égua

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Inúmeros blogs tem noticiado que Rafael Nadal faturou U$10 milhoes na semana que jogou na América do Sul. Isso foi o que noticiou a agência suíça Blick. Nao compro nada dos suíços de olhos fechados. Mas fica a dúvida: será que chegou a isso os números do espanhol?

Antes que alguém grite que Rafa passa a temporada gritando sobre o calendário cheio e que os tenistas sao obrigados a jogar demais, e que na hora do descanso o rapaz vem para cá atrás mucha plata, o que é um pouco conflitante, é bom fazer uma continha.

Nadal ganhou tudo e mais um pouco em 2013. Foram 10 títulos, 82 jogos e isso somou U$14.5 milhoes em prêmios. E em uma semaninha e quatro jogos pra lá de sem vergonhas ele lavou a égua e faturou esse numero redondo e maravilhoso, o bastante para qualquer mortal se aposentar em uma ótima. Como dizer nao a esses numeros?

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 Light, Porque o Tênis. | 16:08

Gazirada

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Vocês sabem o que é uma “gazirada”? Talvez saibam o que é uma “madeirada”, denominaçao que caiu em desuso por conta do material, mas nao o fato. Pifada lembra alguma coisa? Geralmente vem acompanhado de exclamaçoes do tipo; “que tremenda sorte” – na verdade é mais para palavras de baixo calao. O fato é um dos mais irritantes em uma quadra de tênis, especialmente para a vítima, mesmo porque o culpado geralmente fica, ou deveria, com uma vergonha danada do crime, ao mesmo tempo que, em silencio, agradece aos céus.

Nao é nenhum segredo que o tênis é um esporte de grande precisao. Nao é fácil bater uma bolinha que vem na sua direçao a mais de 100km por hora, devolver na mesma moeda, tentando colocá-la o mais longe possível do adversário, de preferencia o mais próximo, ou em cima, de uma linha que tem 5cm de largura e está a uns bons 20m de distância. As açoes neurológicas envolvidas e necessárias para tal sao bem além dos meus conhecimentos da área. Mas, posso garantir de expêriencia própria, nao se trata de feito fácil, nao importa quanto tempo a gente tenha investido na técnica envolvida.

Além da técnica, usamos para isso raquetes encordoadas com diversos tipos de cordas, que obedecem a também diversos tramas e padroes, de acordo com o tamanho da cabeça da raquete e, posso afirmar, da cabeça de quem desenhou a raquete.

Existem raquetes com 20 cordas na horizontal e 18 na vertical, que sao as tramas mais “fechadas”, oferecem mais controle e um pouco menos de “conforto”, spin e velocidade em quase sempre uma menor área de impacto. É uma raquete de cachorroes.

O outro lado do espectro sao raquetes com tramas maiores e menos cordas (até 16×19), normalmente em uma área de maior impacto, oferecendo menos controle e mais “conforto”, spin e velocidade à bola. É claro que essas características podem ser alteradas pelo peso da raquete, especialmente aonde esse peso é colocado – se na cabeça, no centro ou no cabo – pelas cordas usadas e pela tensao nelas colocadas. Mas aí já estou ficando mais técnico do que gostaria e a idéia aqui é outra.

O fato é que se é difícil colocar a bola na linha é um pouco mais fácil, nao muito, acertar o tal do sweet spot, designaçao dada ao local ideal de impacto da bola na raquete. Aliás, esse tal de sweet spot é um tanto efêmero e variável. Variável porque nao em todas raquetes ele fica no mesmo exato local – varia. É só o leitor pegar uma bola, segurar a bola pelo cabo com a face na horizontal e bater a bolinha a uns 15cm que, com um pouco de sensibilidade, dá para perceber o sweet spot de sua raquete.

Eu acho o Tênis um dos esportes mais justo que existe. É impossível sair da quadra nao tendo sido melhor do que o oponente. Talvez se possa dizer que um jogo foi parelho e decidido nos detalhes, o que só prova a afirmaçao. Mas nada daquelas papagaiadas que o pessoal do futebol adora, dizendo que um time jogou melhor mas perdeu, ou “verdades” como “campeao moral” após uma derrota.

Mas com toda essa justiça ainda há um breve componente de injustiça, e por isso irritante. Sendo que o mais colérico, de longe, quando o oponente erra, mas acerta. Uma contradiçao horrível. E é exatamente isso a gazirada, ou pifada.

E o que vem a ser isso?

Sabe quando o adversário abre o braçao, mira na paralela, pega na quina da raquete e acerta uma bola indefensável na cruzada? Ou quando a gente está na rede, pronto para matar o ponto, o cara de pau vai para aquela passada sem vergonha, você se adianta, cobre a paralela, ele pega errado na raquete e sai aquele lob perfeito? Você fica P da vida e o adversário, dependendo da intimidade, levanta maozinha, pede desculpa, e morre de rir por dentro, já sobre apupos de todos na quadra e arredores.

Pois é, lá no clube temos um mestre nesse anti-golpe. E pela denominaçao “Gazirada” dá para se ter uma idéia do nome da fera. O rapaz tem pegadas radicais, tanto para a direita como pelo revés, e vem com a raquete um tanto mais inclinada do que seria o certo, o que faz com que volta e meia atinja a bolinha com a quina da raquete. Quando vai direto nas arquibancadas, nada mais justo, quando cai em cima da linha que é de chorar

Hoje, meu companheiro de quadra nao tem mais nenhum constrangimento, mas continua sendo “homenageado” a cada uma dessas bolas leprosas. A ultima “homenagem” foi a entrega do troféu “Gazirada” ao elemento, que nao teve nenhuma hesitaçao e dar uma de Nadal e meter os dentes no dito cujo. Pelo menos lá no clube é o homem que mais ganha pontos indevidamente, sempre com um sorriso no rosto. Mas o mundo está cheio deles e precisamos sempre estar atentos. E nao deixar passar uma injustiça sequer sem uma vaia, um comentário, algo que os faça entender que tal abominaçao nao é bem vinda em um local onde a perfeiçao é uma meta, nao um desdenho.

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sábado, 9 de novembro de 2013 Light, Tênis Feminino | 10:48

Chocolate

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Sei que nao tem nada a ver com o Masters, que é onde está o foco dos fas atualmente, mas chegaremos lá. Porém, hoje venho com uma curiosidade. E se é sobre algo curioso nada mais apropriado do que Marion Bartoli, atual campea de Wimbledon que abandonou a carreira logo após o título, uma história que nao engoli direito até hoje. Muito mais fácil de comer é o que veste a Marion. Cumé??

O francesa vem aproveitando a aposentadoria e o sucesso à sua maneira. Já disse que queria voltar a dançar ballet clássico, algo ao qual se dedicou durante oito anos, quando decidiu se concentrar no tênis. Ainda nao voltou às sapatilhas, mas chegou perto. Vem se dedicando ao “figure skating“, ou “patinaçao artistica no gelo”, algo extremamente popular lá fora – lembrem-se que fiz um post dizendo que uma das 10 atletas mais bem pagas no mundo é campea disso? Nao sei aonde Marion vai com isso, mas a moça está realizando seus sonhos e isso está bom demais.

Agora, nao sei se por seu “porte atlético”, ou porque a moça é apaixonada pelo produto, Marion foi convidade para o 19o Salon du Chocolat, evento parisiense de quem entende para quem gosta de chocolate. Se lá estivesse estaria presente, bien sur. Pois um famoso chocolatier de Lyon, Philippe Bernachon, e uma desenhista de moda, Florencia Soerencen, fizeram um vestido de chocolate!, pesando seis kilos do melhor chocolate, e convidaram Marion para desfilar com o dito cujo pelas passarelas do salao.

Os franceses sempre foram um tanto quando entendidos tanto na arte de comer bem como na arte do amor libertino. Olhando as fotos fiquei pensando que a Marion e seu vestido nas maos de um connaisseur de ambas as artes um tanto pervertido poderia ser um prato cheio.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013 Light, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:26

Ética

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Desde a época de Aristoteles a Ética é uma questao. Nas colinas de Assos, olhando o Egeu e a Ilha de Lesbos, a nao muitas braçadas de distância, o grego já tentava chegar a termos com a maneira correta de viver para poder chegar à felicidade.

Uma amiga me liga, aflita, por conta da ética tenistica para poder manter sua felicidade dentro e fora das quadras. Assunto tao simples quanto complexo. Se lermos as regras do Tênis nao existe lá uma frase sobre como se proceder, ou nao, em quadra, em termos de ética. No entanto, seria interessante lembrar que, à época do Major Wingfield, o cavalheirismo era um padrao razoavelmente rígido, especialmente para aqueles que praticavam o Tênis, entao sim um esporte da elite.

Foi quando a grana, sempre ela, entrou no cenário, assim como a chamada democratizaçao do esporte, que os oficiais dos circuitos, tanto os profissionais como os nível federaçoes, tiveram que começar a escrever uma série de sub regras para manter o assunto toda sob controle, o que, convenhamos, acontece com razoável sucesso, mas ainda permite brechas, especialmente as éticas. Nem tudo pode ser colocado preto no branco e sempre existirá ocasioes que exigem um bom fundo de cavalheirismo, mesmo quando as participantes usam saias, quem muitas vezes sao mais problemáticas do que os dos calçoes.

Hoje, o livro das “regras” que orientam os árbitros mais parecem apostilas, com inúmeros exemplos de casos acontecidos para ilustrar problemas e soluçoes. Juízes de cadeira e árbitros participam de reunioes onde assistem vídeos com situaçoes de partidas oficiais e mesmo assim as circunstâncias e tenistas sempre apresentam surpresas e novidades.

Mas essas regras escritas nao serviriam de nada sem a existência das regras nao escritas do cavalheirismo que norteiam o Tênis desde a época das Gardens Parties nos jardins dos castelos britânicos. O Tênis é um esporte onde o confronto mental individual é inigualável no mundo dos esportes – só posso pensar no boxe onde há tanto confronto, mas este já é mais uma selvajaria controlada do que um esporte, e nao me tragam MCA à conversa que eu vomito – e por conta disso o cavalheirismo é uma exigência para que o jogo se desenrole em um clima civilizado. Entendam que os oponentes entram em quadra com uma agenda bem clara. Fazer com que os oponentes cometam erros, se desmoralizem, percam sua auto estima, queiram correr para os vestiários, odeiem o que estao fazendo, em uma palavra, se explodam. Convenhamos, nada que você deseje a seus amigos. No entanto, tirando o cenário profissional, sao com eles, amigos, que jogamos a maior parte do tempo. Aja, elegância e atitude.

Minha amiga está preocupada porque em seu ambiente surgiu uma situaçao e uma duvida assaz cruel. Em partida feminina de interclubes, suas amigas teriam sido vítimas de adversárias que tinham, talvez, abusado das bolas direcionadas ao corpo das tenistas quando na rede. As amigas estavam inconformadas com a falta de respeito e educaçao das oponentes, enquanto minha amiga tentava explicar que bolas ao corpo fazem parte do jogo de tênis, especialmente o de duplas. Algumas bolas passaram perigosamente perto de cabeças e uma chegou a atingir o pé de uma delas. E é exatamente aí que a subjetividade, sempre ela, contamina a discussao.

Uma bola direcionada à cabeça de um adversário e uma bola que atinge o pé sao coisas tao distintas quanto Mozart e um sertanejo. Jogar uma bola na cara de alguém, propositadamente, deixemos claro, é tao selvagem quanto o boxe, enquanto atingir o pé de quem está na rede é um dos mais elogiáveis golpes do tênis. Mais do que o produto final há de se avaliar a intençao de quem jogou, algo nao muito difícil de se avaliar – a nao ser por quem se deixa levar pelas emoçoes, histerismo barato ou conhece pouco de tênis e menos ainda da competiçao.

É comum quando dois tenistas se confrontam junto rede e a bola nao está com muito altura, quando entao possibilita ser colocada em qualquer lugar para se ganhar o ponto, que ela seja direcionada ao corpo do adversário, já que tira o angulo e dificulta a devoluçao. Novamente, aos olhos treinado dá para dizer se foi “do jogo” ou “pra intimidar” ou pior, “pra machucar”. O certo é que a avaliaçao correta da intençao é o mais importante. Mas nao custa lembrar que em partidas de duplas, especialmente entre pangas, que nao tem lá muita idéia de onde vao suas próprias bolas, nem sempre bolas que acertam sao intencionais. E, tao importante; quando se joga duplas, e se fica com a carinha grudada na rede, como se fora um poste, nao se pode esperar que os adversários joguem todas as bolas longe desse tenista ou somente bolinhas “chocolates” para serem “matadas” – aí é querer demais.

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quinta-feira, 11 de julho de 2013 Light, Porque o Tênis. | 14:17

Sem lenço nem documento

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 Os tempos são outros e eles não deixam de nos surpreender. E como tudo, o esporte mudou de várias maneiras. Os atletas de vários esportes são regiamente recompensados pelos seus esforços e até mesmo esportes que nunca deram carreira para ninguém remuneram bem seus atletas. Não custa lembrar que uma tenista como Maria Esther Bueno, que venceu seu primeiro Wimbledon em 1959, ganhou um sweater, um quarto de hotel, um vale Bride de 15 Libras e um “thank you very much” dos velhinhos do All England para vencer Wimbledon. Este ano a vencedora, Marion Bartoli, depositou cerca de R$5.4 milhões na conta. Dá para ficar frustrada com a data de nascimento.

Na época não existiam os dólares de Nike, Adidas, Correios e de todos outros patrocinadores que hoje alimentam as contas dos atletas. Era um Deus nos acuda para pagar a passagem aérea – não vou nem entrar no assunto. Quando muito, tenistas como Maria Esther ganhavam uniformes, pelo menos para Wimbledon, do designer Ted Tinling, uma figuraça sobre o qual um dia tenho que escrever, e que vestiu diferentes campeãs de Wimbledon por 30 anos. Ele criou o maior bafafá em Wimbledon 1949 quando colocou rendinhas nas calcinhas da tenista americana Gussie Moran. O tênis feminino nunca mais foi o mesmo.

 

Mas foi só nos últimos anos, coincidindo com TV a cabo, internet, Anna Kournikova, David Beckham etc que o marketing atingiu em cheio o esporte em geral e o tênis especificamente. Se Agassi dizia que “imagem é tudo” e muitos não acreditaram ou criticaram, hoje se a imagem não é tudo, ajuda muito, especialmente no tênis feminino, e engorda bastante as contas paralelas dos atletas.

 

Cinco anos atrás a revista ESPN, publicada nos EUA, lançou um numero especial chamado The Body Issue. Convidaram cerca de 30 atletas a se despirem e posarem para seus fotógrafos. Só não mostram a genitália, o resto está lá. A capa foi Serena Williams e o sucesso tão grande que lançam um numero a cada ano. Sempre misturando atletas dos mais variados esportes. Não é a primeira vez – já vi de livros a calendários de atletas pelados – mas a revista tem um impacto gigantesco. Até por isso não devem ter muitas dificuldades em arregimentar modelos. Não divulgam, mas fico pensando quem foi convidado e não aceitou.

 

Uma eu aposto foi Sharapova, ou vocês acreditam que um o convite não passaria pela cabeça de qualquer editor. Mas a russa não está lá – essa está mais nas revistas de moda. Aninha também deve estar na lista. Nadal e Federer com certeza. Então há jogadas e jogadas de marketing e nem todas são para todos. Apesar de que Federer é extremamente ligado a um conceito de marketing – o cara é mesmo um case – mas não na linha peladão – a dele é mais um blazer com suas iniciais.

 

Os tenistas convidados da Body Issue 2013 são Agniezka Radwanska e John Isner. Duas surpresas pelos perfis. Isner faz mais o estilo All American tradicional, com boné, calçãozão e conservador. Radwanska é uma menina católica, e por isso está sendo criticada na Polônia, e nunca foi das mais “aparecidas”. Mas estão lá, sem nenhuma peça Lacoste ou Lotto.

 

As fotos são quase sempre de bom gosto e o resultado aprazível, já que o corpo de um atleta é, na maioria das vezes, algo bonito de ver. No mínimo interessante. E em tempos de macho, fêmea e coluna do meio não é só as mulheres atletas que tiram a roupa.

 

Mas, para mim, o ponto principal é o fato dos atletas, que sempre foram conservadores, até por receio de desagradarem patrocinadores, times e fãs, começam a colocar até mais do que as manguinhas de fora, exatamente para agradar e atrair os mesmos. Mudaram os atletas, mas primeiro mudaram todos os outros.

Moran e seus lacinhos cor de rosa

Moran e seus lacinhos cor de rosa

 

radwanska e suas bolinhas

radwanska e suas bolinhas

 

Isner - 2 metros de peladão.

Isner – 2 metros de peladão.

 

 

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 Light, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:21

De bom tamanho

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Teve gente que gostou outras que nem tanto. Nenhuma novidade. Mas o primeiro dia de exibições foi de primeira linha, pelo o que se propõe.

A dupla entre os mineiros Melo/Soares x Bryan Bros seguiu o roteiro; um set para cada dupla e vamos decidir no 3º set. Como havia tempo de sobra até as 21.30h, horário do jogo principal, deu para jogar um set normal e não um tiebreacão, padrão da ATP. Os Bryan ganharam. Tivemos algumas boas trocas de bolas, deu para ver aquilo que não se vê nos clubes, e nem nas TVs, excelentes voleios de reflexos, muita movimentação, intervenção, lobs, devoluções nos pés etc. Para quem gosta de tênis, um bom prato.

A simples veio logo a seguir, anunciada em quadra pelo mestre de cerimônias, o meu colega de transmissões Marco A. Rodrigues. Havia um frisson no estádio, que se encheu após as duplas, quando Marco Antonio chamou os tenistas. Alguns leitores escrevem que não estava cheio. Estava. Praticamente lotado. Existem locais que não são vendidos por conta da localização e a falta de vista para a quadra; como atrás das câmeras de TV fica um retângulo amarelo de assentos livres. Nas primeiras filas dos assentos laterais também não dá para ver nada e por isso não são vendidas. A área do governo, aquelas poltronas escuras em um recinto fechado na lateral tinha muito lugar sobrando. Fora disso só mesmo um ou outro que não foi apesar de ter os bilhetes nas mãos, por conta dos imprevistos – conheço alguns.

A simples foi acima das minhas expectativas. Um set para cada um e vamos decidir na negra. O Federer sentiu o calor e perdeu o foco uns 3 games no set decisivo. O Belo ainda vacilou, mas administrou e levou. Por trás disso, o fato que ainda acho que essa partida deveria ter sido deixada para o domingo. Ontem o jogo foi mais frio do que eu esperava e com certeza do que o Federer esperava. Acho que ele ficou surpreso com o publico frio, apesar do Ibira ester um forno em uma noite de pleno verão.

Mas o que poderia o publico fazer? Torcer para o suíço contra o brasileiro? Não vai rolar. Atrás de mim um sofasista insano e agitado profetizava antes do jogo que o brasileiro levaria uma entubada e apostava que não fazia quatro games. Me senti tentado em tirar uma grana dele. Torcer para o brasileiro contra o Mestre? Também não iria rolar. Imaginou a Ibira lotado torcendo insanamente pelo Belo? O suíço iria embora no primeiro avião. O público mostrou educação e respeitou. Só foi ao delírio em uma ocasião, após longuíssima troca de bola, o que não é o padrão de nenhum dos dois. O resto do tempo foi de aplausos tranquilos, gritos abafados e um clima de respeito que se traduziu mais em um clima de um espetáculo de mestres da música do que um show de madonas.

Os dois tenistas nos brindaram com um jogo disputado e sério na medida correta. Thomaz parecia deixar claro que sua postura seria de “você ganha o milhão que eu vou atrás da vitória”. Federer entendeu e manteve as brincadeiras ao mínimo, tentou uma homenagem ao nosso futebol com umas embaixadas fracassadas, e nos brindou com alguns toques e contra pés. Mas abusou, para nosso prazer, de direitas de ataques magistrais, o que serviu de aula para quem se ligou, muitas mais idas à rede do que normalmente faz, esbanjando seus voleios vorazes.

Ficou claro que se nas exibições falta o elemento competitivo, o que tira aquele ansiedade do ar, enquanto possibilita certas firulas técnicas que não vemos nos torneios. Quem souber aproveitar uma e não sentir falta da outra ficou feliz, porque ,em termos de exibições, foi um belo espetáculo e os tenistas souberam fazer a sua parte e, muito importante, respeitar o público. E este soube fazer, e muito bem, a sua parte.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Light, Tênis Masculino | 10:39

Federer brasileiro

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Dizem por aí que Roger Federer vai ganhar Euro 1.5 milhão por partida na sua tour da América do Sul. Só no Brasil serão uns R$8 milhões. Imaginem o quanto vai custar aquela festa com todas aquelas estrelas, que incluem Serena Williams, Maria Sharapova e Vic Azarenka (#1 do rankig). Será o maior evento tenistico do país por muito tempo, algo que vai agitar não só o mundo do tênis, mas a cidade como um todo.

Pelos 8 milhões o Federer tem que fazer muito – espero que tambem dentro da quadra, sem as frescuras que por vezes cercam as exibições – e com muita intensidade. Um espetáculo de técnica, plástica e qualidade, sua marca registrada e o que aprendemos a respeitar e amar. Até porque essa é a nossa grande e única chance de ver o Mestre ao vivo. A não ser que ele dure até o Rio olímpico.

Fora da quadra o comprometimento comercial com o evento, e o patrocinador, está sendo enorme, condizente com a grana envolvida, o tamanho do espetáculo e a expectativa brasileira. Chequem só o video abaixo realizado pela Gillete, patrocinador dele e do evento. Fizeram até o cara falar português. Com um sotaque estranhíssimo, misturando uma ginga brasileira, com a qual ele não tem problema, e uma sonoridade estranha, e um humor federesco. Melhor ainda foram as cortadas e os gols, tudo de voleio. Adorei a idéia e o conjunto da obra.

PS: para quem não sabe, David Ferrer não vem mais e no seu lugar entra Tommy Hass, uma opção interessante.

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