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Arquivo da Categoria Juvenis

quarta-feira, 18 de agosto de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:43

Porta-bandeira

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O jovem tenista brasileiro Tiago Fernandes teve o privilégio de carregar a bandeira brasileira na abertura dos Jogos da Juventude em Cingapura e junto com a bandeira veio o peso da responsabilidade de se dar bem em torneio onde era, como cabeça de chave #3, um dos favoritos.

Logo na estréia teve dificuldades, vencendo apertado no terceiro set. Passou em dois sets para a terceira, quando acabou sendo derrotado pelo jovem russo Victor Baluda nas quartas de final. Todos os competidores têm entre 14 e 18 anos, o que dá ao evento o perfil de um torneio juvenil.

O técnico Larry Passos tem “protegido” o rapaz, chegando ao ponto de não aceitar convite para o Brasil Open para não o expor. Aos poucos Tiago começa a jogar os torneios Challengers, assim como vinha jogando os Futures, ainda misturados com alguns eventos juvenis de porte. Essa mistura é positiva e ninguém melhor do que o técnico para decidir o que é melhor para o seu pupilo.

Mas confesso que fiquei apreensivo ao escolherem, e permitirem, que Tiago portasse a bandeira na abertura, o que o colocou novamente sob os holofotes e aumentou a pressão por um bom resultado. A derrota prematura sinaliza que talvez o rapaz tenha sentido.

Tiago – muito futuro pela frente.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 17:20

Uma realidade.

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O amigo Felipe Fonseca, que mencionei no post anterior, se entregou, junto com sua equipe, liderada por Daniel Gildin, ao trabalho de levantar alguns dados sobre um aspecto do tênis profissional. Tem muito a ver com seu trabalho, mas não deixa de ser interessante como um todo, em especial para os tenistas mais jovens e os pais destes.

 O objetivo do levantamento era identificar padrões de resultados entre tenistas de 18 anos que possam indicar suas chances de chegar ao top 100 do ranking da ATP. O método utilizado foi a pesquisa de resultados que tenistas que alcançaram o top 100 tiveram até 18 anos de idade. A análise foi feita com os 100 melhores tenistas do ranking da ATP em duas datas diferentes: Janeiro de 2008 e Janeiro de 2010, utilizando datas da ATP e a FIT

 Resultados:

 1. 75% dos top 100, quando tinham 18 anos, estavam pelo menos entre os 500 melhores do ranking da ATP e/ou entre os 30 melhores do ranking juvenil da ITF.

 Além disso:

27% deles ganharam pelo menos um jogo na chave principal no Circuito ATP

34% deles chegaram a pelo menos uma semifinal de torneio Challenger

23% deles foram campeões de pelo menos um torneio Challenger

 2. Outros resultados que os tenistas do top 100 alcançaram até 18 anos:

20% deles ganharam no mínimo uma rodada na chave principal de um torneio ATP

17% foram campeões de no mínimo um Challenger.

25% alcançaram no mínimo uma semifinal de Challenger.

 3. 7% dos top 100, quando tinham 18 anos, não tinham os chamados “resultados expressivos”, então “arriscaram” ao entrar no circuito, pois seus resultados até os 18 anos não eram convincentes. Estes resultados que chamamos de “não expressivos” eram:

Estavam ranqueados acima de 800 no ranking da ATP ou acima de 200 no ranking juvenil da ITF

Estes mesmos tenistas precisaram em média 5 anos para alcançar o top 200 do ranking da ATP aos 23 anos de idade, e em média 6 anos para alcançar o top 100 do ranking da ATP aos 24 anos de idade.

 4. 6% dos top 100, quando tinham 18 anos, optaram pelo tênis universitário nos EUA.

Estes tenistas precisaram em média 4 anos para alcançar o top 200 do ranking da ATP, aos 22 anos de idade, e em média 6 anos para alcançar o top 100 do ranking da ATP, aos 23 anos de idade, geralmente com um diploma debaixo do braço.

 5. Comparativo entre tenistas que “arriscaram muito” e os que optaram pelo tênis universitário.

 Tenistas que arriscaram muito:

 Nome                      Ranking ITF aos 18 – Idade entrada no top 200 ATP-Melhor ranking ATP 

Igor Andreev              116                                             19                                                    18

Potito Starace            530                                              20                                                    27

Simon Greul               545                                                23                                                    55

Ivo Karlovic              417                                               23                                                     14

Santiago Ventura      390                                               23                                                    65

Florent Serra             432                                                 24                                                    36

Paolo Lorenzi        Sem ranking                                    24                                                    83

 Tenistas que optaram pelo tênis universitário nos EUA

 Nome                  Ranking ITF aos 18 -Idade que entrou no top 200 ATP-Melhor ranking ATP

Rajeev Ram             37                                             20                                              78

John Isner                93                                             21                                              19

James Blake             92                                             21                                                4

Michael Russel        36                                              21                                              60

Peter Luczak          318                                            22                                                 64

Benjamin Becker   199                                            24                                                 38

 Os “Universitários” chegaram ao top 200 antes que “arriscadores” e atingiram melhores rankings ATP que estes. E todos os primeiros têm diplomas de universidades entre as 50 melhores dos EUA.

 Conclusões do pessoal da “Daquiprafora”.

 1. 75% dos jogadores no top 100 da ATP, aos 18 anos, alcançaram pelo menos os seguintes resultados:

Top 500 do ranking ATP

Top 30 do ranking ITF

Pelo menos uma semifinal de torneio Challenger

 2. Entre os tenistas presentes no top 100 do ranking ATP nas datas pesquisadas, apenas 7% estavam fora do top 800 ATP e do top 200 ITF aos 18 anos. Eles demoraram, em média, cinco anos para chegar ao top 200 após concluir a carreira juvenil.

 3. 6% dos jogadores no top 100 da ATP jogaram tênis universitário. Todos estiveram pelo menos entre os 10 melhores tenistas universitários da NCAA. Chegaram ao top 200 da ATP com 22 anos em média, exatamente 4 anos após iniciar a carreira universitária, o que coincide com o término do curso.

 4. De um modo geral, se com 18 anos o tenista não tem resultados expressivos (top 500 ATP / Top 30 ITF / 1 semifinal de Challenger), ele precisa de pelo menos 4 ou 5 anos para chegar ao top 200.

5. Se o período de desenvolvimento necessário para um tenista que não é um expoente chegar ao top 200 é 4 ou 5 anos, e no top 100 da ATP há 6% de “não expoentes” e 7% de “ex-universitários”, é razoável concluir-se que tanto o caminho “arriscado” quanto o tênis universitário oferecem as mesmas chances de levar o tenista ao top 100.

6. Se tanto o caminho “arriscado” quanto o tênis universitário podem levar ao top 100, porque então não escolher o caminho que:

Garante um diploma, afinal de contas, não são todos os tenistas que chegarão ao top 100

Custa muito menos, pois é a universidade que faz o investimento no desenvolvimento do tenista (técnicos, treinamentos, uniformes, equipamentos, competições).

7. Todos que optaram pelo tênis universitário ficaram entre os 20 melhores da 1ª divisão da NCAA.

Portanto, se um tenista não alcança o top 20 do ranking da NCAA, as chances de chegar ao top 100 são mais remotas.

Finalmente um olhar sobre os tenistas brasileiros que alcançaram o top 100 no ranking da ATP em 2010 para fins de comparação com as estatísticas mencionadas na pesquisa:

                                 Ranking FIT aos 18-               Idade entrada no top 100 ATP-               Melhor ranking ATP

Thomaz Bellucci       15                                                  20                                                                  26

Marcos Daniel           20                                                  27                                                                   56

Thiago Alves             11                                                    27                                                                   88

Ricardo Mello           15                                                       24                                                                50

 Como se vê, todos os brasileiros acima estiveram entre os 20 melhores juvenis do mundo aos 18 anos.

 À parte das conclusões do pessoal do “Daquiprafora”, tomo o levantamento como resposta para aquele sem numero de delirantes que acreditam que ter sucesso no circuito profissional seja de alguma forma fácil e, em especial, como exemplo para os inúmeros pais e jovens que me perguntam quais as chances de seus filhos terem sucesso entre os profissionais, mesmo não se encaixando entre os chamados “expoentes” ou apresentando os chamados “resultados expressivos aos 18 anos”, época em que os jovens geralmente fazem suas opções quanto ao estudo ou profissionalismo no tênis.

 Como escrevi no post anterior, a tênis é um grande “abridor de portas”. No entanto, é uma das responsabilidades do tenista, e seus pais enquanto jovem, reconhecer, priorizar e escolher quais portas irá atravessar vida afora.

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terça-feira, 20 de julho de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:14

Vantagens

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Sempre fui um firme crente que um trabalho bem feito, seja qual for, realizado com entrega e permanente busca pela melhora, trará ao executor satisfação pessoal e financeira, duas boas razões para se levantar da cama e ir à luta.

Por isso, sempre me encantei com trabalhos em empreendimentos que fogem ao padrão e criam algo que acrescente ao indivíduo e, sempre que possível, à coletividade.

Um amigo meu, Felipe Fonseca, foi estudar em Winthrop nos EUA e jogando tênis pela universidade nos campeonatos universitários pagou por seus estudos graças a uma bolsa. Para quem gosta de tênis, assim como de estudar e abrir horizontes em sua vida, um casamento perfeito. Voltou e fundou um negócio que possibilita outros brasileiros com as mesmas paixões, talentos e força de vontade realizar seus sonhos.

Desde 2001, quando fundou a empresa “Daquiprafora”, conseguiu um total de U$45 milhões em bolsas universitárias para cerca de 800 atletas/estudantes brasileiros, sendo $23 milhões e 530 delas para o tênis, sua paixão original. Além do tênis, trabalha com esportes como natação, golfe, futebol, vôlei, atletismo e basquete em universidades como Harvard, Duke, South Carolina, Purdue, Columbia, Cornell, UCLA, Rice, South Florida, Auburn, entre as quase 300 escolas onde tem atletas. Só em 2009 a “Daquiprafora” enviou184 estudantes para os EUA, sendo 92 tenistas. Entre os tenistas brasileiros nos EUA atualmente estão Henrique Cunha, Bruno Rosa, Diego Cubas, Rafael Garcia, Jennifer Widjadja, Nicole Herzog e outros. Os bolsistas recebem – dependendo de seus históricos e das escolas – de 40 a 100% do custo das universidades, que vão das anuidades a moradias e alimentação, além do material esportivo necessário para ser competitivo.

Como fui técnico da Copa Davis por quase duas décadas, além de técnico de inúmeros tenistas e equipes juvenis e profissionais, ouvi, com enorme frequência, perguntas vindas de pais curiosos, ansiosos, aflitos e, não tão raro, delirantes a respeito do futuro tenistico de seus filhos. Apesar de minha história pública estar ligada ao tênis competitivo, só fui nele parar porque minha paixão e história é mais ampla.

Jogo desde os seis anos, minhas quatro irmãs foram campeãs juvenis brasileiras, minha mãe está com 83 anos, joga diariamente desde que se aposentou e era assídua antes disso. Tenho certeza que seu ótimo astral e excelente saúde, física e mental, passam por essa prática. Meu pai madrugava diariamente para estar em quadra às 6h, antes de ir para o trabalho. Jogou até morrer, vítima de câncer, nunca teve um quilo a mais do que deveria e divirtiu-se maravilhas com o tênis, assim como divertiu e ensinou a muitos outros.

Para mim o tênis é muito mais do que a competição esportiva que se acompanha pela mídia, recheada de ídolos e super atletas. Sempre foi “o esporte”, parâmetro de minha formação, bálsamo das atribulações diárias, motivador para a prática esportiva, assim como de uma eterna razão para a incessante busca da auto-melhora e a auto-estima.

Mas, tão importante e marcante, é um “abridor de portas” social na sua melhor concepção. No dia a dia me possibilitou abrir inúmeras, inclusive a da possibilidade de estudar nos EUA, bem antes do Felipe e sua empresa – que veio facilitar a vida de centenas em algo que antes era restrito a poucos – possibilitando a divina simbiose da paixão com a necessidade de “ganhar a vida”. E, por mais que eu me enfiasse mundo afora, sempre encontrei uma quadra e mais de um novo amigo para jogar. E quando estou por aqui, graças ao tênis-social fui criando e mantendo um rol de amigos com os quais muito me divirto.

Por isso, quando perguntado sobre as chances de um jovem se tornar um “campeão profissional”, prefiro oferecer as histórias acima. Muitas vezes não é exatamente o que querem ouvir, mas sempre elegi obedecer às minhas verdades do que ceder a de outros para manter aparências e “amigos”.

Essas “vantagens” do tênis são infinitamente mais reais do que as de um jovem qualquer ter sucesso como profissional. Para deixar isso mais claro em números, que nunca mentem, amanhã publico um post sobre levantamento feito pela “Daquiprafora que considero um “must” de leitura para todo jovem tenista e seus pais.

Se a maioria dos pais fizesse questão de que seus filhos aprendessem o tênis pelas razões outras que mencionei neste post, e outras similares, e não pelo do longínquo e árduo sonho de ver seus filhos se tornarem novos Gugas, algo viável porém com um caminho muito mais sofrido e frustrante que qualquer um deles possa imaginar, a esmagadora maioria desses jovens asseguraria um canal mais viável para a felicidade para o resto de suas vidas, além de criarem oportunidades de crescerem, pessoal, social e profissionalmente. É isso que o Felipe escolheu para si e hoje tenta tornar possível para centenas de outros jovens que souberam escolher suas prioridades e realizar suas opções.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro | 11:42

Pauta

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Recebo um email de uma jornalista com perguntas sobre Thiago Fernandes. A pauta é tão óbvia que achei ser uma oportunidade fazer o post.

Ainda há tempo de se aproveitar os resultados de Kuerten para criar uma nova geração de profissionais com destaque no circuito?

A última conquista de Kuerten foi há seis anos e seu ultimo grande título há nove. Se havia a chance de pegar um empurrão já era. Mas por muitos anos Kuerten será o parâmetro de expectativa de fãs e da imprensa – para o martírio dos tenistas, que ficaram naquela eterna, e verdadeira, mantra de “não quero ser comparado…”, enquanto insistem em “um novo Guga”.

A vitória de Tiago é um fato isolado ou resultado de alguma ingerência da CBT?

Aos 11 anos Tiago começou a treinar com Carlos Chabalgoity em São Paulo, onde o ex-tenista tinha um projeto de desenvolver talentos. Os dois treinavam e viajavam juntos e após a participação de Tiago no Orange Bowl até 14 anos, ele tornou-se o 1º do ranking mundial na categoria, assim como Chapecó havia feito em sua juventude.

Alí a sua personalidade e talentos já davam seus primeiros sinais de existência. O rapaz vinha a São Paulo e ficava na casa do treinador, assim como este ficava em minha casa quando o treinei. Eventualmente, por falta de patrocínio, o projeto de Chabalgoity foi cancelado e Tiago foi para Camburiú na academia de Larry Passos. Onde mesmo entra a CBT?

Caso seja concretizada a negociação entre CBT e a Academia Play Tennis, este CT poderá trazer melhorias para o desenvolvimento para tênis brasileiro?

Um CT é uma renvidicação antiga de tenistas e técnicos brasileiros. Sua realidade deverá abrir uma porta de oportunidades que poderão se tornar realidade, dependendo da maneira e do material humano ali colocado para trabalhar.

Quanto ao fato de Tiago não aceitar o convite do Brasil Open para um lugar na chave principal, e sim no qualy, é uma orientação óbvia de seu treinador. Neste momento foi criada uma enorme expectativa para cima do garoto e sabemos bem como a imprensa é nessas horas. Levanta e, quando o neguinho está todo flutuante, larga.

Um lugar na chave principal pouco acrescentaria à sua carreira e muito poderia atrapalhar. Não é hora, nem necessário o colocar contra os cachorrões. O qualy está de bom tamanho para testar suas armas e lá a pressão será menor, apesar de existente. Se estiver pronto passará pelo qualy, o que trará muito mais à sua carreira do que uma passagem gratuita à chave principal.

A verdadeira questão estratégica é até que momento Tiago disputará os torneios juvenis e como fará a delicada e crucial transição para os torneios profissionais de menor escalão.

tiago_30_04 Tiago – entre opções.

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domingo, 6 de setembro de 2009 Juvenis, Tênis Feminino | 15:43

Mais Valia

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Com a chuva caindo, após mais uma noite em que fui dormir tarde, por conta do trabalho é bom lembrar, torna-se incontornável enxergar o mundo por um prisma um tantinho mais deprimente, senão realista, e começar a pensar um pouco na contra mão. A conclusão de tais elucubrações é que o atual circuito do tênis feminino é o naufrágio das idéias de Adam Smith e o ressurgimentos das teorias do velho Marx.

Não quero menosprezar ninguém, mas se até as próprias mulheres levantam a duvida!? As mulheres devem receber a mesma premiação do que os homens? Se olharmos pelo lado de que o que elas ganham não afeta em nada o que os homens ganham, então tudo bem. Porém, se olharmos pelo lado de uma comparação não deveriam.

Primeiro porque os homens jogam cinco e as mulheres jogam três sets. As horas masculinas de trabalho são mais longas e as condições mais inóspitas. Se isso não é argumento – e a WTA prefere discutir o sexo dos anjos e ouvir a missa em latim do que discutir esse ponto – então se poderia apelar para a “oferta e demanda”, a sábia regra que regula o mercado. Mas isso também é total heresia no ambiente da WTA, suas fundadoras e, óbvio, suas atuais atletas.

Poderíamos trazer à discussão o fator qualidade, sempre um diferencial no mercado onde impera o laissez-faire, e algo totalmente ignorado, ou melhor, desprezado, nos ambientes mais socialistas.

Considerando as partidas que temos acompanhado das melhores tenistas do mundo – e como toda regra, com suas excepcionais exceções – derretendo técnica e mentalmente em quadras, como se fossem meras tenistas 2ª classes (sem ofensas Maysa), cometendo um sem números de duplas-faltas, por conta de óbvia carências, física e emocional e, consequentemente, oferecendo um espetáculo de menor valor para o público, nos faz pensar como as idéias da “Mais Valia” do barbudo se encaixariam nessa discussão.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009 Copa Davis, Juvenis, Masters, O Leitor no Torneio, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:04

Premonição.

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Federer x Sampras, Wimbledon 2001.

Existem momentos mágicos em nossa história que, não raro, só realizamos sua importância e magia mais tarde. Durante onze anos seguidos fui a Wimbledon, escrevendo para o Jornal da Tarde e O Estadão onde contava minhas aventuras e desventuras no torneio e na cidade de Londres.

Com o tempo consegui algo que, infelizmente, com o tempo decidi abrir mão; uma cadeira cativa na Quadra Central, o palco mais restrito e famoso do mundo esportivo. Posso garantir que essa cadeira, que tem um número limitado, é imensamente difícil de merecer e conseguir e que todo mês de Julho tenho saudades dela.

Em 2001, Pete Sampras, então com 30 anos incompletos, defendia seu título do ano anterior, assim como os sete conquistados anteriormente no All England. Nas oitavas de final, quis o destino que ele enfrentasse Roger Federer, 20 anos incompletos, dono de um único título no ATP Tour, em Milão, em Fevereiro daquele ano.

Eu já tivera a oportunidade de ver o suíço jogar, como juvenil e como profissional, em algumas oportunidades anteriores. Conhecia seu talento natural, suas habilidades e tinha curiosidade em ver aonde suas qualidades poderiam levá-lo. Achei que assisti-lo enfrentar o hepta-campeão na Quadra Central seria um bom programa.

Fiz um lanche rápido, escrevi minha coluna do dia e fui ao templo sagrado do tênis completar o programão do dia – acompanhar o jogo que começou no meio da tarde. O que presenciei naquele dia foi História.

A partida, vencida por Federer por 7/6 5/7 6/4 6/7 7/5, foi a única entre esses dois tenistas que marcaram a história do tênis. Até ontem, com a vitória de Federer em Paris, havia a dúvida sobre o “Melhor da História”. Talvez ainda exista. Mas se o leitor quiser um tira-teima, um divisor de águas, um símbolo, esse é o confronto.

De um lado da quadra, onde conquistara o mais reconhecido sucesso de sua magistral carreira, o experiente Sampras começava a contemplar o crepúsculo de sua carreira – só venceria mais um Grand Slam, em Nova York no ano seguinte. Do outro lado da rede, um jovem talentoso, habilidoso e desinibido como poucos em palco tão exigente, no qual pisava pela primeira vez, só conquistaria seu 1º GS naquela mesma quadra dois anos depois.
Sampras era, claramente, o favorito – do jogo e do público. Federer a auspiciosa promessa. O confronto foi inesquecível, pela qualidade, pela surpresa, pela circunstância. Como uma premonição do por vir, Federer saiu vitorioso, na que foi a melhor partida do torneio, derrotando um campeão que estava a 31 partidas consecutivas invicto no torneio. Naquele dia, Roger mostrou todas as qualidades, técnicas, emocionais e mentais, que o levaram a bater o então campeão e o levariam a um dia desbancar o então melhor da história.

O jogo foi um dos últimos e inesquecíveis confrontos do mais purista e clássico saque-voleio do tênis. Uma exibição para fazer sonhar todos aqueles que cresceram admirando o tênis original praticado sobre a grama e que hoje, por N razões, começa a pertencer a um passado tão distante quanto o das cartas de amor e viagens de trem. E, com certeza, são as essas imagens, das quais apresento breve amostra no vídeo abaixo, mais uma das razões pela qual o mundo se curva e cede, com tranqüilo desprendimento, aos encantos do tênis praticado por esse terrivelmente “cool” tenista dos Alpes.

Como curiosidade, coloco abaixo trechos pinçados da minha coluna do Jornal da Tarde da época, onde menciono o garoto Roger Federer. Eles estão exatamente como foram escritos, pouco mais do que oito anos atrás.

“ Na segunda semana de Wimbledon as partidas concentra-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos juvenis e os veteranos. O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites. Entre as garotas tivemos uma semi-finalista na figura de Vera Lúcia Cleto em 1968. Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes – brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete – em 1959. Quem me lembra o seu estilo é o suíço Roger Federer, tenista que é um prazer assistir.”

“O suiço Roger Federer, de 19 anos, é, junto com o russo Marat Safin, o maior talento da nova geração. O seu, além de ser um tênis de resultados, é também o mais vistoso das quadras. Elegante, do instante em que entra na quadra, ao momento que cumprimenta o adversário, é um “gentleman” também fora delas. Durante as partidas mantém uma postura raramente vista em tenistas da sua idade. Às vezes parece carecer uma pitada de garra. Talvez o tênis lhe seja tão fácil que nos parece sem esforço. Sua vitória sobre Pete Sampras veio como uma surpresa somente para aqueles que não tem tido a oportunidade de acompanhar a sua breve carreira.”

“ Somente as agruras de Sampras não seriam o suficiente para causar sua derrota em Wimbledon. Ele precisaria encontrar um adversário a altura. E foi isso que aconteceu ao enfrentar o maravilhoso tenista Roger Federer. O amigo leitor pode ficar sossegado. Ainda vai ver muito esse “young gentleman” suíço. Isso porque, insisto, o rapaz tem o tênis mais bonito que freqüenta as quadras do tênis profissional.”

Confesso, sem maiores inibições, uma pitada de orgulho em ter escrito essas linhas, assim como uma alegria interior em ter presenciado essa premonição da história oito anos atrás.

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sexta-feira, 15 de maio de 2009 Juvenis, Light | 20:10

Vai pular!

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Este video é para os fãs do Rafael Nadal, fanáticos como o Matteoni e Cia. Já que o espanhol chegou lá muito pela força mental e bastante pela força física, vale dar uma olhadinha o que ele fica fazendo no terraço de casa só para dar uma aquecidinha.

Lembro que quando eu treinava juvenis era mandatório carregar cordas na mala. Tá sem o que fazer? Tá ansioso? Tá com energia? Tá começando a encher o saco? Vai pular corda! Fui no Banana Bowl não vi uma alma o fazendo. Talvez até o façam. Mas deveriam fazer muuuuuito mais.

Acompanhem o Animal.

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segunda-feira, 27 de abril de 2009 Juvenis, Tênis Brasileiro | 17:58

Pressão?

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Quem sou eu para colocar pressão em alguém, mas o Thomaz Bellucci deve estar sentindo uma certa ansiedade com a 1ª rodada de Roma. São várias derrotas inesperadas, ou pelo menos não bem vinda, em rodadas iniciais. Teoricamente, ou pelo menos na sua experiência, ele está jogando em seu piso favorito, apesar de que, como já escrevi, eu aposto nas duras para ele no médio prazo. A pressão é por conta dos 300 pontos que caem nas próximas semanas, a Copa Davis no meio da temporada de saibro e a ânsia por melhores resultados.

Ele executou bem a primeira parte da tarefa em Roma ao passar pela qualificação; nunca algo simples. Agora, pega na 1ª rodada o espanhol Feliciano Lopez, que no saibro está mais para Jose Feliciano. O cara é sacador, bom voleador, tem uma direita decente e uma esquerda que só não é cega porque ele usa bem o elice, sempre uma arma na terra. Mas é vulnerável e não muito confiante nesse piso.
O jogo do Thomaz não é muito distinto do adversário, mas seu revés é melhor, além de ser sacador também e ter uma direita mais agressiva. A pergunta, ainda sem resposta, é se ele já conseguiu colocar todas as peças no lugar.

A primeira rodada é sempre tensa. Para os dois tenistas.

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segunda-feira, 23 de março de 2009 Juvenis | 16:14

Sandálias da humildade

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Com a realização do Banana Bowl de 14 e 16 anos, foi difícil para os sócios jogarem nas quadras do Clube Pinheiros na semana passada. Algumas quadras eram reservadas para os sócios, sempre com a marcação cerrada da garotada, ávida por entrar em quadra.

Mesmo assim, mantive meus compromissos anteriores e fui para a alegria. Mais para o fim da semana, estava sentado na lanchonete do clube mexendo em meu novo celular, o qual está dando de 10 x 0 em mim, quando fui abordado por um rapaz de uns trinta e poucos anos, com as inconfundíveis e marcantes feições andinas.

Ele perguntou se eu era Paulo Cleto e explicou que tinha acompanhado meu trabalho como capitão da Copa Davis, especialmente contra o Perú, seu país. Fernando, esse é o seu nome, perguntou se podia interromper por uns instantes e agradeceria se eu dissesse algumas palavras a sua irmã que pudessem ajudar em sua carreira.

Por um instante achei interessante que fosse abordado justamente por um estrangeiro para opinar. Coloquei o celular de lado e concordei. O rapaz então acenou à distância e uma menina, ainda franzina, de pele morena e os olhos atentos se aproximou. Fernando nos introduziu – esta é minha irmã Patricia.

Conversamos durante uns 15 a 20 minutos, onde eles perguntaram algumas coisas, eu coloquei outras, investindo sobre questões, dúvidas e alternativas no tênis feminino. Ela mostrou-se um pouco alarmada sobre o fato de eu mencionar que teria que investir no preparo físico e encorpar, considerando o tênis feminino atual. Perguntou se era “muy flaca” e respondi, diplomaticamente, que não para a idade – ela tem 15 anos, mas sim para o futuro. A conversa correu fácil e ao final os dois agradeceram e partiram para o mar de jovens atletas que habitava a lanchonete.

Enquanto tentava mudar o toque do meu celular, lembrei quando anos atrás uma de nossas maiores revelações femininas me procurou dizendo que seu pai a tinha orientado a conversar comigo sobre sua carreira. Em respeito a seu pai, um conhecido, respondi a verdade – algo que nem sempre se deve dizer a um tenista ou a uma moça.

Àquela altura já havia uma expectativa sobre o futuro da tenista. Ela era bem patrocinada e mais bem amparada do que qualquer outra tenista no país. Seus golpes eram razoáveis, nenhuma brastemp, mas com boa margem de melhoras. Seu físico era trabalhado, boas pernas, forte na parte superior e, assim como os golpes, com espaço para melhoras. Ela tinha então um ou dois anos mais do que a morena peruana.

No entanto, algo me intrigava e importunava no seu jogo. Apesar do esforço nos golpes, e dos gemidos que o acompanhava, sua bola “não andava”. Caiam quase todas no meio e no centro da quadra. A moça não matava um ponto e dependia do erro alheio. Tentei explicar isso a ela e o quanto era vital que ela mudasse isso de imediato, ao risco de ver seu tênis estacionar.

Percebi que não era bem isso que a moça queria ouvir e descobri, com os anos, que ela nunca investiu em mudar essa característica. Hoje, anos mais tarde, está por ali, no mesmo padrão que estava então.

A peruana Patricia Ku venceu o Banana Bowl até 16 anos batendo a argentina Florencia de Biasi na final. Algumas coisas me chamaram a atenção em seu jogo. A menina bate na bola sem medo dos dois lados. Apesar de ser “mas flaca” do que a finalista, e outras adversárias, a bola dela anda que é uma beleza. Além disso, pelo o que vi, que foi pouco, e pelo o que ouvi de outros treinadores, que foi bem mais, Patricia é lutadora e encardida. Em outras palavras, uma vencedora.

Não sei, nunca se sabe, qual será seu futuro. Para mim será interessante acompanhar à distância o progresso dessa tenista, pelo talento e até porque seu irmão e técnico foi o único a vestir as sandália da humildade e procurar, com quem ele imaginou poderia acrescentar, alternativas ao trabalho que está executando.

Os irmãos Patricia e Fernando Ku

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terça-feira, 17 de março de 2009 Juvenis, Tênis Brasileiro | 12:05

No gramado

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Dentro do complexo de Indian Wells existe um gramado onde os tenistas gostam de se alongar, dar suas corridinhas, se aquecer, tomar um sol, uma certeza diária no deserto da Califórnia. Esse é um cenário diferenciado de boa parte dos eventos, como por exemplo, Miami ou U.S Open, onde tudo é cimentado ou totalmente “no friendely outdoors” para os tenistas.

Abaixo coloco duas pequenas curiosidades ou quizzes para vocês.

Primeiro, concorrendo ao grande prêmio, quem é a tenista na foto se alongando e fazendo o dia de seu treinador?

Segundo, esqueçam, se possível, da Aninha mostrando que tem ou mãos de manteiga ou total falta de coordenação nas mesmas, e descubram uma das coisas inexplicáveis no tênis brasileiro.

Isso dói?

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