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Arquivo da Categoria Juvenis

sábado, 31 de maio de 2014 Juvenis, Novak Djokovic, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:00

Domingao

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Foi o dia de melhor tempo da semana, com um sol que por vezes brilhou, por vezes se acanhou. Mas foi um dia que deixou rabo para trás com dois jogos por terminar, o horror dos tenistas. Murray, que adora uma enrrolation, está na bacia das almas com o alemao Kohlschreiber, um encardido tenista sobre o saibro, donos de uma das grandes esquerdas com uma mao do circuito. Com ela faz tudo e mais um pouco. Já o MalaMurray, sobre quem escrevi esta semana, nao consegue ficar distante desses jogos enrolados. Os dois vao dormir pouco, já que o estresse é grande, acordar cedo e jogar a segunda partida da SL, após Berdich e Isner jogarem alguns tie-breakers.

Quem nao terminou também foram Verdasco e Gasquet. O francês faz seus conterrâneos sofrerem com sua personalidade – ou seria a falta dela? Jogar, na quadra principal de seu país, e nao conseguir jogar deve ser um sofrimento ainda maior para esse tenista que foi a maior promessa dos franceses nos últimos anos. E promessa nao cumprida. Verdasco tem 2×0 em sets e só perde se pirar.

Vai ser um Domingao em RG. A quadra central será invadida pela nova sensaçao feminina, a canadense Eugenie Bouchard enfrentando a alema Kerber que há tempos ronda um grande resultado nos GS. Em seguida entram Verdasco e Gasquet.

Depois entram Federer e Gulbis, o que deve ser, no mínimo, interessante. Como o letao gosta de um palco, duvido que ele vá fazer um papelao e nao aproveitar a oportunidade de pegar o veterano na principal quadra de um GS.

Logo depois El Djoko enfrentar Tsonga e a torcida francesa. Tsonga declarou no início da semana que seu palco favorito é a quadra central do Aberto da França com a torcida ao seu lado, o que nao é nada mal. Sao dois tenistas que adorariam o título em Paris. Tsonga porque seria o maior feito que poderá ter em sua carreira, o que o faria o novo deus do tenis frances, e Djoko porque é o único título dos Slams que lhe falta. Um vai manter o sonho vivo. O outro sequer estará na segunda semana do torneio.

Ainda teremos a partida entre a égua Muguruza e a fraquinha Parmentier. Se nao tremer a vezuelana/espanhola passa mais uma rodada com facilidade. Mas a essa hora estarei longe da QC.

Até porque deve ser na hora da Maria enfrentar a Stosur na SL – muito mais interessante, pelo tênis. Antes delas teremos o Isner e Berdich, o final do jogo do Murray, depois a Navarro x a croata Tomijanovic.

Em seguida Raonic, que começa a querer dar um novo e maior passo na carreira, vencendo partidas que antes nao vencia em torneios que nao ia tao bem, contra o mágico Granollers. Poucos fazem tanto quanto esse espanhol. Esse cara merece uma medalha pelo o que faz com aquela esquerdinha sem vergonha. Um lutador e um jogador.

Pelo jeito vou ficar mais tempo na Central do que na SL, a nao ser para ver o Mala terminar o que nao terminou, de um jeito ou de outro. Com passeios pelas quadras secundárias, repletas de jogos como a dupla do Bruno Soares e sua parceira, a Secretaria Shvedova, e o início do torneio juvenil, com as partidas do jovem Orlando Luz, Rafael Matos, Leticia Vidal e Luisa Stefani, todos amanha.

Domingao dos bons!

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segunda-feira, 28 de abril de 2014 Juvenis, Tênis Masculino | 13:42

Chegando lá

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Enquanto tenistas como Roger Federer e Rafael Nadal começam a mostrar algumas dificuldades onde antes nao encontravam, aos poucos uma nova geraçao começa a mostrar serviço com uma frequencia que antes nao existia.

Neste fim de semana passado dois tenistas da nova geraçao venceram mais um título. O japones Kei Nishikori (24 anos) venceu o torneio de Barcelona, o que tem que ser considerado um feito – é o primeiro nao espanhol a faze-lo desde Gaston Gaudio em 2002. O evento é tradicional e os espanhóis tem grande orgulho em vencê-lo, até mais do que o de Madrid, que apesar de maior em premios nao tem, nem de longe, a mesma tradiçao.

Nishikori, que vinha tendo seus melhores resultados nas quadras duras – ele agora tem 5 títulos, sendo Barcelona o primeiro no saibro – era um bom jogador de saibro, foi “criado” no har-thru da Florida, e venceu bastante torneios juvenis europeus no saibro. Mas na passagem para profissional seu tênis rendia mais nas duras, dependendo mais de sua velocidade e golpes de contra ataque. Agora, mais encorpado e confiante, volta a vencer no saibro. É o atual #12 do mundo e será interessante ver como se sai em Madrid e Roma, antes de chegar a Roland Garros. Vale mencionar que Kei bateu na final o colombiano Santiago Giraldo, um tenista que sempre achei interessante, e que se tivesse um pouco mais confiança em si poderia se tornar bem perigoso.

Em Bucareste, o vencedor foi Grigor Dimitrov (22 anos), jogando perto de casa, Huskovo na Bulgaria, algo que faz uma diferença, e com seus pais nas arquibancadas. Dimitrov é um dos tenistas que mais progrediu nos últimos tempos. Pode-se dizer que por conta de ter assumido o linha dura Roger Rasheed como técnico ou talvez por conta do amadurecimento natural de quem, aos 22 anos, está chegando a termos com suas habilidades, assim como o equilíbrio entre estas e outras qualidades necessárias para progredir no circuito. Grigor já passou pelas maos de alguns técnicos, desde seu pai, que lhe ensinou o tênis, à Pato Alvarez (colombiano e renegado “pai” do atual tênis espanhol), Lundgren, Norman e o marqueteiro Mouratouglou.

O bulgaro é outro que se dá bem em todos os pisos e Bucareste foi sua 3a final e 2o título em seis meses – os outros nas duras, indoors em Estocolmo e Acapulco outdoors. Ele também cresceu no saibro, mas até agora acreditava que as duras e a grama eram a melhor maneira de cacifar sua envergadura e seus golpes elásticos. Com o atual ranking #14, ele tem batido na trave com os cachorroes mas, assim como Nishikori, parece pronto para a transiçao para o clube dos cachoroes.

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sexta-feira, 11 de abril de 2014 Juvenis, Light | 16:32

Fantasie

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Freud dizia que as fantasias sexuais nos levavam às cenas mais primitivas. O doutor vienense explorou, com certa controvérsia, esse aspecto humano, sendo por vezes massacrado pelos seus contemporâneos, pela audácia na abordagem. Porém, convenhamos, o tema exige uma boa dose de audácia, pois é raramente lidado de maneira aberta e transparente no dia a dia e investiga nossas mais secretos pensamentos e fantasias.

Como nao podia deixar de ser, os elementos ofertados por Freud para pensarmos as fantasias nos leva a um universo de questionamentos. Freud flertou por um tempo, nao vou entrar em detalhes, com a teoria que as fantasias estariam ligadas às nossas lembranças, mais precisamente à nossa percepçao de acontecimentos passados e até antepassados. E aí sabemos que nao existem regras. Se cada um enxerga o presente da maneira que mais lhe convêm, ou talvez nao, já que os neuróticos sao cada vez mais numerosos, considerem a flexibilidade existente sobre a imaginaçao do que aconteceu no passado muitas vezes distante.

Freud “brincou” com a idéia de que as fantasies/teoria da seduçao teriam dois momentos distintos. O primeiro seria na chamada cena de seduçao, onde haveria uma certa inocência por parte do afetado (criança) e uma açao mais ativa por parte do adulto. Na ocasiao, o pai da psiquiatria foi pressionado por vários críticos. Pouco tempo depois mudou a teoria – uns dizem que por conta da pressao exterior, outros que por conta de uma profunda auto-análise. A mudança sugeria que a tal cena de seduçao seria de fato inexistente, sendo sexual unicamente por parte do adulto e nao da criança já que o jovem nao teria entao condiçoes de entender o evento como sexual.

Só quando surge a segunda cena, anos mais tarde, quando a criança faz a associaçoes que remontam à lembrança da primeira cena, causando o recalque, que a explosao sexual, no já adulto, é deflagrada. Como veem, o assunto, além de fascinante, abre inúmeras portas, algumas que Freud, e outros, tanto abriram como fecharam.

E onde quero chegar com essa elucubrações sexuais. A origem foi uma foto, que publico abaixo, de um garoto Dimitrov com uma jovem Sharapova. Todos os atletas até se cansam de assinar autógrafos e tirar fotos com fas. Faz parte do dia a dia. Alguns fazem com prazer, outros nem tanto. Já ouvi várias pessoas reclamarem da postura da Sharapova. Talvez tenha sido o dia, as circuntâncias ou mesmo a pessoa?

Em ambas as fotos ela me parece bem alegrinha, assim como o garoto, afinal ao seu lado uma campea e bela loira. A questao é de como ela o via. Eu diria que na primeira foto ele tem uns 13/14 anos e ela uns 17/18 aninhos. Eles tem quatro anos de diferença. É óbvio que nessa idade a diferença era gritante e jogava com interessantes discrepâncias amenizadas nos anos seguintes.

Na primeira foto, será que o Grigor era tao inocente quanto demonstrava seu sorriso juvenil? E a Maria, nao me pareceu nem um pouco amuada ou mesmo constrangida em se inclinar carinhosamente para o garoto. Na segunda foto, quase dez anos depois, ele se inclina, felizinho, orgulhoso, quase deslumbrado. Maria, retraída, contente, tranquila, fêmea, segura. Como será que eles olham  para esse foto de anos atrás. Que fantasias podem tais lembranças causar?

Ou pode, como toda a psicologia permite, somente ser devaneios meus.

Maria_Sharapova7613

 

 Esta está ligada à lembrança, à percepção de acontecimentos passados reais,

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quarta-feira, 26 de março de 2014 Juvenis, Masters 1000, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:42

Cabeçada

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“Os pais sao o câncer do tênis”. Esta é uma frase de Billie Jean King, super-campea americana que dá o nome ao complexo onde é jogado o US Open. Mais do que uma verdade é uma frase de efeito, coerente com o perfil marketeiro da autora. A verdade é que os pais tanto fazem como destroem, em especial nos tempos de juvenis. Que fique claro, sem o apoio familiar nao tem tenista que progrida. Com os pais massacrando e cobrando nao tem emocional que resista.

Já escrevi anteriormente sobre o assunto, que é crítico e extenso, provavelmente voltarei a faze-lo, mas hoje é mais sobre uma ramificaçao, uma curiosidade do problema.

Quando eu era garoto nao gostava que meu pai assistisse meus jogos. O cara ficava ali nas arquibancadas com aquele olhar ameaçador, o que nao fazia nem um pouco bem para meu ego, que era impiedosamente massacrado pelo adversário e suas malignas intençoes. Nao pensem que qualquer argumento meu o fazia mudar de opiniao sobre ele estar lá. Se ele quisesse, assistia, se nao quisesse nao assistia.

Assim sendo, entendo tenistas, jovens e nao tao jovens, que tenham um pé atrás com a presença de seus progenitores nas arquibancadas. Normalmente o assunto é uma questao entre os juvenis, quando os atletas ainda estao marcadamente sob a influência paterna. Essas intervençoes acontecem tanto com as meninas como com os meninos. A diferença é que as meninas “aceitam” essa influencia por mais tempo e mais passivamente. Os rapazes sao mais rebeldes, e com a testosterona presente e inflamando, os arrancas rabos com os pais podem ficar punks. Quando sao as maes as envolvidas o negócio é mais tranquilo. Teoricamente esse pesadelo termina quando os rebentos vao para o profissionalismo. Teoricamente.

Miami deve ter alguma coisa no ar que instiga esse conflito. Três anos atrás presenciei, quando na sala da TV do estádio, imagens e audio de uma quadra secundária, onde o australiano Barnard Tomic negociava com o juiz de cadeira a expulsao do pai das arquibancadas. Foi uma conversa surreal e única nos anais do tênis. Tomic chegou a pedir que o juiz mandasse o pai embora. Quando o juiz retrucou que ele deveria fazê-lo, o rapaz retrucou que nao adiantaria. Por fim, o juiz deu, a ele tenista, uma advertência por “coaching”, já que o pai falava com ele, e nao eram instruçoes. Tomic virou para o juiz e agradeceu, sinceramente. A continuaçao dessa novela mórbida entre o tenista e seu pai culminou com o doidao agredindo o técnico do garoto com uma cabeçada e, por isso, sendo suspenso de todo o circuito da ATP.

Esta semana foi a vez do Jonh “Meia” Sock brigar com o pai durante um jogo em Miami. O pai devia estar atormentando a cabecinha já atormentada do Joao Meia e levou um cartao vermelho do filho. Este nem pediu a intervençao do juiz. Foi logo virando para o pai, em uma troca de lados, e dizendo para o progenitor “dar o fora”. Repetiu a ordem duas ou três vezes e as câmeras mostraram que o pai obedeceu rapidinho.

A realidade dos pais problemáticos espirra na personalidade dos filhos. Tomic é um garoto com uma atitude sofrível – passa a mensagem que nao gosta do jogo. Mas seus problemas e atitudes sao muito mais com ele mesmo do que com adversários, árbitros ou publico. Sock carrega o pressao dos EUA nao terem mais um grande tenista e terem nele um tenista, quando muito, mediano, e nas quadras duras – porque no saibro… É um garoto temperamental e mascarado e joga bem menos do que imagina. Sobre seu pai nada sei. Só imagino que nao tem a mesma cabeçada do TomicPai, já que o filho nao tem muito respeito ou medo dele.

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domingo, 23 de março de 2014 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:55

Luz no Banana

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Trinta e três anos atrás o paulistano Eduardo Oncins, irmao mais velho de Jaime, conquistava o Banana Bowl, entao nosso maior evento juvenil e um dos maiores torneios juvenis do mundo, na mesma linha dos Grand Slams juvenis. Foi o último brasileiro a conquistar o Banana. Isso, até hoje, quando o jovem Orlando Luz, uma das nossas melhores promessas, conquistou o título enfrentando outro brasileiro, Joao Menezes, na final.

Luz sequer está na faixa dos 18 anos – ele completou 16 em Fevereiro – mas joga uma categoria acima por força de seu tênis. Apesar da idade, já casou com o tênis de vez e, desde o ano passado, ainda com 15 anos, treina dois períodos, algo que faz uma diferença enorme no progresso nessa idade – e nao estou dizendo que é algo que se deve fazer – já que somente os tenistas que fazem algum acerto escolar tem condiçoes de realizar.

É fato que o Banana Bowl, já há alguns anos nao realizado pela Federaçao Paulista e sim pela CBT, nao é mais o evento que um dia foi, e nem nosso maior torneio é, algo que a Copa Gerdau conquistou por conta de um trabalho sério de muitos anos. Mas é um grande evento, que volta para o estado de Sao Paulo, e arregimenta nao só os nossos melhores tenistas como também da América do Sul, assim como alguns do resto do mundo. Mas nao a elite do tênis mundial, como era o caso durante muitos anos, inclusive em 1981 quando Oncins ficou com o título.

O que nao tira os méritos de Orlando, pelo contrário. Ele assumiu a aposta de jogar uma categoria acima e provou que é do tipo que mata a cobra e mostra o pau, uma característica inequívoca de um campeao. É um para se ficar de olho, assim como outros que vem por aí nessa nova safra.

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domingo, 8 de setembro de 2013 História, Juvenis, Tênis Masculino, US Open | 12:46

Mais do que destino

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Durante décadas os 27 anos eram um padrao do amadurecimento no tênis. Nao só pelo amadurecimento normal que vem com a idade, como tambem pela experiência dos anos de circuito. Nessa idade o tenista parecia, enfim, harmonizar e equilibrar uma série de qualidades de seu arsenal, assim como administrar suas possíveis carências, tanto as técnicas como as emocionais.

O mundo mudou e o mundo do tênis mudou junto. Se antigamente o padrao era o tenista cair na vida após frequentar a universidade, e os casos dos mais precoces eram mais raros, atualmente o circuito abriga tenistas desde a mais tenra idade, nao sendo nenhuma surpresa aqueles que abreviam sua escolaridade para aumentar a dedicaçao exclusiva ao tenis.

Por isso nao me surpreendo com a presença de Gasquet e Wawrinka na semifinais do US Open – ambos deixaram o estudo formal aos 15 anos (ficaram com o estudo à distância). Enquanto meu caro leitor Cambui afirma que suas presenças nas semis é um sinal de fracasso, tanto dos atuais cachorroes que nao confirmam seu favoritismo, como da nova geraçao que nao confirma as expectativas, eu vejo como um caminho natural dentro do esporte.

Wawrinka e Gasquet sao dois tenistas extremamente talentosos que só nos últimos tempos vem confirmando seu potencial. O suíco tem 28 anos e o francês 27. Este, desde a mais tenra idade era um talento enorme e sobre seus ombros foram colocadas enormes expectativas do tênis francês. Eu lembro de ele receber um convite para Roland Garros 2002, ainda com 15 anos, e revista “Tennis” francesa dizendo que ali estava o futuro #1 do mundo – ele era entao o #1 do mundo juvenil.

Wawrinka sempre foi um talento – venceu Roland Garros junior em 2003 – e desde entao compete com seu colega de semifinal quem tem o revés de uma mao mais bonito, e o melhor, do circuito. Gasquet já chegara à semis do um Grand Slam – Wimbledon 2007 – aos 21 anos. Mais a partir dalí, mais uma vez nao conseguiu preencher as expectativas.

Ambos tiveram suas dificuldades emocionais que travaram seu desenvolvimento técnico. O francês sempre sofreu nos momentos importantes de partidas e torneios. Sofria e odiava jogar a Copa Davis, um evento muito emocional. Sua resposta aos estresses a psicologia explica. Assumia o papel do “nao estou nem aí”, assim como vestia a “máscara”, ambas respostas psicológicas de alguém que nao consegue lidar com as expectativas e dar os passos necessários para crescer emocional e tecnicamente.

Wawrinka tinha tambem as questoes dele. Cresceu à sombra do “maior tenista da história”, o que lhe servia tanto de motivaçao e exemplo como de limitaçao. Parecia dizer ao mundo; “até aqui eu vou, a partir daqui é terreno do bonitao”. Nao dá para acreditar que a “decadência” de Federer nao tenha também algo a ver com seu progresso.

Ambos nao caíram de para-quedas nas semifinais. Os resultados dos últimos 12 meses os colocaram entre os top 10, lugar de cachorrao e de gente altamente qualificada para bons resultados nos Grand Slams. O fato de conseguirem “furar” mais uma barreira na atual fase de suas vidas e carreiras só confirma que o amadurecimento do tenista é um fato, especialmente entre os mais talentosos. Os “trabalhadores” tendem a amadurecer antes, ou entao caem no limbo tenistico ou mesmo se frustram e abandonam a carreira. Mas, e essa a beleza do circuito, e da vida, há padroes, mas nao regras incontornáveis. O tênis segue sendo um esporte individualista e o indivíduo segue sendo capaz de escrever e reescrever sua história. E, para esta, nao é o talento que fará a diferença, e sim a sua determinaçao, persistencia e vontade de ser mais forte do que o destino.

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domingo, 24 de março de 2013 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 19:45

Aprendizado

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Pelo segundo ano consecutivo Bia Maia perde na final da Copa Gerdau, o maior evento infanto-juvenil do país e um dos maiores do mundo, razão pela qual arregimenta bons tenistas de todo mundo. Olhando para o copo meio cheio, digo que pelo segundo ano foi à final do torneio.

A não ser que algo sinistro aconteça pelo caminho é natural que Bia venha ser a melhor tenista do país das ultimas décadas. Isso não quer dizer que vá ser, e sim que seria natural. Assim como é natural o talento dela, menina que bate na bola com extrema facilidade desde o início de seu aprendizado. Ela foi formada na Escolinha do Clube Pinheiros e desde os 11 anos impressiona pela naturalidade que golpeia as bolinhas.

É óbvio que o talento e a habilidade natural são muito bem vindos requisitos para um tenista, mas nunca foram ingredientes que assegurassem o sucesso de um campeão. O mar dos esquecidos tem mais ex-talentos do que peixes.

Maia vem conseguindo manter a cabeça acima do nível da água, participando de torneios o ano todo, fazendo um comprometimento total com o tênis. O resto, inclusive estudos, que ela mantêm, é secundário no trajeto de vida que traçou. Mudou de mala e cuia para Balneário Camburiú e lá vem recebendo instrução de quem acredita possa fazer sua carreira vingar.

Como foi incrivelmente precoce, tudo tem sido lucro e não haveria grandes razões para se sentir pressionada com resultados. Mas como o tempo passa e o tênis é um esporte danado, que pressiona a mais lúdica das almas, Bia, que completa 17 anos em Maio, também demonstra que não é fácil viver com as expectativas.

Ela chegou à final da Copa Gerdau, um resultado per si brilhante e totalmente aplaudível, tinha boas chances de ficar com o título, mas ainda falta algo para deixá-la à vontade em um cenário desses.

O saibro das quadras da Leopoldina Juvenil em Porto Alegre tem história, o publico que ali comparece conhece o esporte e sabe que uma arquibancada amigável pode influenciar uma partida. Bia começou solta, animando o público, que adora o enlace de talento e resultados. Do outro lado da rede e do outro lado do mundo, a russa Varvara, moça da mesma idade, sentia a pressão de jogar em lugar estranho, frente a um publico totalmente parcial e uma adversária de talento. Mas, todos os grandes tenistas tiveram que enfrentar e passar por essa situação.

A saída desse labirinto geralmente passa por uma janela de oportunidade que, normalmente, é o adversário que oferece – senão é um caminho sem desvios. O placar da partida, 1/6 6/2 6/1, um placar que já mencionei acontece bem mais no tênis feminino do que no masculino, demonstra algo que hoje deixo para a apreciação de meus leitores. De qualquer maneira, Bia admitiu ao final da partida ter sentido a pressão, admissão que boa parte dos marmanjos tem medo de fazer enquanto elucubram desculpas esfarrapadas – especialmente nos tempos atuais.

Se por um lado vergar à pressão não é o ideal dos sinais, por outro, ter o equilíbrio, a coragem, a sensatez de admitir, exige personalidade e caráter, predicados essenciais aos campeões e pessoas em geral. Se hoje Bia não saiu de quadra com o título que, no fundo de seu coração, sabia, e sabe, ser conquistável, por outro lado talvez tenha aprendido que todo dia é dia de aprendizado e nenhum desses é mais importante que o da final. Pelo andar da carruagem, eu diria que ela viverá muitos outros desses dias para colocar em prática o que espero tenha aprendido hoje.

Bia – A derrota na final dói mais do que qualquer outra. Ensina mais também.

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 13:19

A primeira vez de Bia

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Ontem o tênis feminino nacional deu mais um passo à frente em uma data que o tempo pode marcar como histórica. A primeira vitória de Beatriz Maia, aos 16 anos, em um Torneio do Circuito da WTA, em um dia que ela não deixou por menos – venceu em simples e duplas.

A adversária foi a americana Chieh Yu Hsu, que de americana não tem nem o nome, já que nasceu em Formosa, Taiwan, ou Republica da China, sei lá do que devemos chamar. Hsu veio do qualy e é #280 do mundo, ranking não muito alto, mas isso é problema dela, junto com o fato de ter levado uma aula no 6/1 6/2 que a brasileira lhe aplicou.

Mais importante do que o placar e a adversária é a vitória, que pode, esperamos, ser a primeira de muitas – e por isso histórica. Bia, vinda do Clube Sírio, onde seu pai jogava basquete e a mãe tênis, foi formada, desde pequinininha, no Clube Pinheiros, na Escola de Tênis do Pinheiros, sob a tutela do técnico Eduardo Eche. De lá saiu, aos 14 anos, quando foi determinado que o próximo passo seria a tutela da CBT, que é quem dá as cartas no tênis nacional. E lá foi ela para Camboriú.

Bia sempre impressionou pelo talento, habilidade e a incrível facilidade com que bate na bola. Agora, entra em uma nova fase, onde a disciplina fala mais alto do que esses quesitos. Este é o momento de muito trabalho, menos expectativas, pouca mão na cabeça, menos ainda de arroz mediático e nenhuma acomodação. A vitória de ontem é excelente, porém só um grão de areia no areal que é a carreira de uma tenista. Boa sorte e a nossa torcida.

15.30 Hoje Bia foi derrotada pela hungara Czink. Ela venceu o 1o set por 6/1 e perdeu o 2o set por 6/2. No set final, Bia pediu atendimento, fora da quadra, quando a adversária sacaria no 5/4 para fechar o jogo. Czink perdeu o ritmo, o saque, o game seguinte e chegou a ter 3 MP contra no 5/6. Conseguiu escapar . No TB a brasileira acusou ainda mais a contusão e não conseguiu manter o ritmo e acabou derrotada por 7/3.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012 História, Juvenis, Tênis Masculino | 12:51

Introdução

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Na semana passada, o ubber campeão Boris Becker esteve presente na conferencia Hindustam Times Leadership, na Índia. Na ocasião, conversou longamente com um jornalista local, que mais de uma vez tentou encurralá-lo, o que resultou em uma entrevista imperdível para os fãs do tênis; divertida, direta, interessante e autoindulgente, tudo condizente com a personalidade do tenista.

Tenho várias histórias de Becker, mas confirmo uma que um leitor postou por aqui tempos atrás. Logo após o time brasileiro da Copa Davis ter vencido a Alemanha pelo Grupo Mundial na Copa Davis, o alemão, um dos maiores tenistas da história, estava arregaçado por conta do massacrante confronto, debaixo do infernal sol carioca de fevereiro, quando derrotou Luiz Mattar em cinco sets, após defender 5 match-points, e da dupla, quando foi derrotado em três sets por Motta e Roese. Mesmo com a depressão de uma derrota tão doída, em vários sentidos, Becker mostrou sua personalidade e cavalheirismo indo, imediatamente após a partida decisiva, ao vestiário brasileiro, insano com as celebrações, congratulando e apertando as mãos de cada um dos integrantes da equipe, dos reservas ao capitão.

No vídeo da conferencia, que considero um achado, Becker conta inúmeras histórias. O publico logo abaixo para que vocês possam curti-lo – infelizmente está em inglês, língua amplamente falada na Índia e que Becker domina, apesar do carregado sotaque.

Ali ouvimos o relato de como conquistou seu primeiro Wimbledon, aos 17 anos – vocês tem ideia do que é isso? O mais novo (até hoje), mais novo que o campeão juvenil daquele ano (o mexicano Leonardo Lavalle), o primeiro alemão, e sem ser cabeça de chave. Conta como esteve prestes a perder nas primeiras rodadas quando o adversário (Joachim Nystrom) sacou duas vezes para jogo, e como chegou a caminhar em direção à rede para cumprimentar o oponente, após sentir uma contusão, e foi impedido pelos gritos de seu técnico Gunther Bosch.

Em outra história ele conta como foi introduzido ao “cavalheirismo” de muitos tenistas de então, na primeira vez que enfrentou McEnroe, nos EUA, ainda com 17 anos. Após o primeiro game da partida, já sentado em sua cadeira, o americano veio até ele e vociferou: “i am going to beat the shit out of you”, algo que ele não entendeu na hora e depois nos vestiários foi pedir para McEnroe repetir. O alemão ganhou aquela partida, teve quatro match points contra, assim como ganhou oito das dez que disputaram, uma delas em uma das partidas mais emocionantes de Copa Davis .

Boris Becker In Conversation with Vir Sanghvi from Hindustan Times on FORA.tv

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012 Juvenis, Tênis Masculino | 00:30

O outro lado da moeda

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Toda moeda tem suas duas faces. Outro dia escrevi como Tio Nadal declarou em São Paulo que não tem o menor interesse, e crença, no trabalho de um psicólogo esportivo, pensamento até compreensível pelo pupilo que tem – parece que o cara veio ao mundo com o pacote emocional completo.

Na semana passada, Andy Murray, o tenista mais bipolar do circuito, declarou que desde o início do ano vem trabalhando com um psicólogo.

Murray já havia tentado trabalhar com um psicólogo no passado, mas o relacionamento não funcionou. Posso imaginar. Um cara complicado como o escocês deve ter ido para as seções e travado geral. Como desse jeito não funciona, desistiu.

Em janeiro, Ivan Lendl, técnico, de Murray, despejou a pergunta para cima do pupilo. “Você está aberto para tentar conversar com um psicólogo?”. Murray concordou. “É sempre bom tentar coisas novas e ver como funcionam”. “Na vez anterior, boa parte da conversa era sobre tênis – não funcionou”. “Desta vez conversamos bastante sobre minha vida longe das quadras. Há muito mais coisas acontecendo na minha vida além do tênis”.

Na época de juvenil, na Tchecoslováquia, Lendl via com frequência um psicólogo esportivo. Uma imposição da federação, que lhe pagava todas as despesas. Lembro que em uma conversa com ele, lá pelos seus 19 anos, ele explicava que cada tantas semanas ele tinha que abandonar o circuito, voltar para casa e passar por uma reciclagem com o psicólogo. Mesmo depois de sair de sob as asas da federação Lendl continuou trabalhando com psicólogos. Ou seja, foi educado nessa cultura, acredita nela, descobriu logo o pupilo que tem e sabia que algo nessa linha era necessário. Felizmente o pupilo respeita a história do coach, o que viu facilitou a decisão e lhe fez olhar o trabalho com olhos distintos, e bem mais amigáveis, do que da primeira vez.

Hoje é visível a mudança de postura do tenista em quadra. Pode não ser a melhor delas – afinal não é algo que mude da noite para o dia. Mas se as coisas continuarem a progredir como se antecipa é um caminho em uma direção que só trará benefícios ao talentoso, porém um tanto quanto tenebroso tenista, que, quiçá, aos poucos terá tudo para se tornar o #1 do mundo.

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