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Arquivo da Categoria História

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 23:42

Elegância que se vai

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Termina a temporada e os tenistas têm as férias para repensar a carreira e o futuro. Não é muito diferente do resto de nós, que aproveita o final do ano para repensar os erros, sonhar com melhoras, planejar o que vai nos levar às próximas metas.

Apesar das férias e a oportunidade relaxar junto à família e amigos é uma época mais difícil do que se imagina para os tenistas. A maioria engata uma quarta na temporada, e corre atrás dos torneios e faz aquilo para o qual se esforçaram e se prepararam por tanto tempo. Não se iluda, um tenista que chegou a qualquer nível de profissionalismo vem agindo como tal desde seus 8 a 10 anos, enquanto maioria de vocês não tinha grandes exigências de responsabilidades, a maior situação de estresse que enfrentava era saber se professor tinha visto você colando do nerd ao lado e se sua mãe ia lhe passar uma graninha a mais do que seu velho lhe dava.

No fim da temporada o tenista pesa, mais uma vez, se vale a pena continuar a seguir vivendo como um acrobata de circo, sem saber em que país está acordando a cada manhã, tendo que lutar diariamente com alguém que tem sérias intenções em enfiar a mão no seu bolso tirando valores que serviriam para pagar as contas anuais de muitas famílias. Não que muitos cheguem à conclusão que é melhor abandonar tudo e ir trabalhar no Banco do Brasil, como sugeriu o Felipão logo na primeira vez que deu uma coletiva na sua volta à seleção para logo depois se desculpar – se pegar o costume vai fazer um rosário de desculpas porque sempre falou o que lhe vem à cabeça como se fosse sempre uma pérola de brilhantismo e, convenhamos, isso é mais distante do que a mais longínqua das nebulosas.

A maioria só descobre a maravilha que era sua carreira, tempos depois de abandoná-la e ter que encarar a realidade do dia a dia e as frustrações de ganhar em seis meses de muito trabalho e estresse o bastante para lhe tirar o sono várias noites e, pior, sem ninguém lhe bater palmas, aquilo que poderia ter ganhado, várias vezes, em um dia de mais esforço do que colocou em treinos que não se esforçou e partidas que preferiu reclamar a se esforçar.

Alguns vêm planejando as mudanças há meses, outros deixam todo o pensar para quando se recuperarem da ressaca das férias e a cabeça ficar mais leve após mais um ano de labuta. O fato é que o que pensam e decidem agora terá consequências e reverberações no próximo ano e na próxima temporada de suas carreiras. Se fizerem mais boas decisões do que ruins, as vitórias podem continuar lhes sorrindo e não existe nada mais afrodisíaco e entusiasmante do que bater adversários e passar ás próximas rodadas – são essas emoções que os vem motivando desde a mais tenra idade e essa é uma das mais cruciais respostas que eles vão procurar em suas almas nesta época do ano. Eu ainda quero isso a bastante para encarar os sacrifícios e na hora da onça beber água ser melhor do que meu oponente.

Hoje mais um deles anunciou que para ele deu. O argentino Juan Chela, 33 anos, 15 como profissional, ex top 15, um tenista de estilo elegante que não batia na bola e sim a sugeria aonde ir. E quem por acaso pense que não foi lá grande coisa, como vários sofasistas já pecaram por aqui, informo que conquistou seis títulos de simples, o dobro que Bellucci ganhou até agora ou Fernando Meligeni ganhou em toda carreira.

Chela foi o melhor dos tuiteros a carregar uma raquete mundo afora, levando essa recente arte a um novo nível, anunciou através de alguns tuiters sua decisão: “não há mal que dure 100 anos”, “El Gran Torino fundiu o motor”, “play no more”, “em toda minha carreira tive só um erro não forçado – ser tenista”.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012 História, Juvenis, Tênis Masculino | 12:51

Introdução

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Na semana passada, o ubber campeão Boris Becker esteve presente na conferencia Hindustam Times Leadership, na Índia. Na ocasião, conversou longamente com um jornalista local, que mais de uma vez tentou encurralá-lo, o que resultou em uma entrevista imperdível para os fãs do tênis; divertida, direta, interessante e autoindulgente, tudo condizente com a personalidade do tenista.

Tenho várias histórias de Becker, mas confirmo uma que um leitor postou por aqui tempos atrás. Logo após o time brasileiro da Copa Davis ter vencido a Alemanha pelo Grupo Mundial na Copa Davis, o alemão, um dos maiores tenistas da história, estava arregaçado por conta do massacrante confronto, debaixo do infernal sol carioca de fevereiro, quando derrotou Luiz Mattar em cinco sets, após defender 5 match-points, e da dupla, quando foi derrotado em três sets por Motta e Roese. Mesmo com a depressão de uma derrota tão doída, em vários sentidos, Becker mostrou sua personalidade e cavalheirismo indo, imediatamente após a partida decisiva, ao vestiário brasileiro, insano com as celebrações, congratulando e apertando as mãos de cada um dos integrantes da equipe, dos reservas ao capitão.

No vídeo da conferencia, que considero um achado, Becker conta inúmeras histórias. O publico logo abaixo para que vocês possam curti-lo – infelizmente está em inglês, língua amplamente falada na Índia e que Becker domina, apesar do carregado sotaque.

Ali ouvimos o relato de como conquistou seu primeiro Wimbledon, aos 17 anos – vocês tem ideia do que é isso? O mais novo (até hoje), mais novo que o campeão juvenil daquele ano (o mexicano Leonardo Lavalle), o primeiro alemão, e sem ser cabeça de chave. Conta como esteve prestes a perder nas primeiras rodadas quando o adversário (Joachim Nystrom) sacou duas vezes para jogo, e como chegou a caminhar em direção à rede para cumprimentar o oponente, após sentir uma contusão, e foi impedido pelos gritos de seu técnico Gunther Bosch.

Em outra história ele conta como foi introduzido ao “cavalheirismo” de muitos tenistas de então, na primeira vez que enfrentou McEnroe, nos EUA, ainda com 17 anos. Após o primeiro game da partida, já sentado em sua cadeira, o americano veio até ele e vociferou: “i am going to beat the shit out of you”, algo que ele não entendeu na hora e depois nos vestiários foi pedir para McEnroe repetir. O alemão ganhou aquela partida, teve quatro match points contra, assim como ganhou oito das dez que disputaram, uma delas em uma das partidas mais emocionantes de Copa Davis .

Boris Becker In Conversation with Vir Sanghvi from Hindustan Times on FORA.tv

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 00:36

O adeus de Ferrero

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Na semifinal de Roland Garros em 2000 Gustavo Kuerten e Juan Carlos Ferrero realizaram o que foi um dos jogos de maior nível tenístico que eu tive a oportunidade de acompanhar até então – e olhem que acompanhei muitos. O jogo foi vencido por Kuerten por 7/5 4/6 2/6 6/4 6/3. Naquela partida o sonho do 2º título do brasileiro esteve seriamente ameaçado.

Os dois tinham uma paixão em comum; enfiar a mão na bola. Até então não se batia com aquela força e desprendimento. Eles já tinham dado uma prévia do que vinha pela frente na apertadíssima vitória do espanhol na final de Roma, também em 5 sets.

O brasileiro sacava mais, tinha melhor revés e mais experiência. O espanhol era mais rápido e tinha uma direita devastadora. Usava da velocidade para fugir a manter o ataque de direita – na época, a melhor do mundo. Após a partida escrevi uma coluna para o Jornal da Tarde afirmando que um novo estilo de tênis surgia com aquele jogo. O que aqueles dois apresentaram deixaram as arquibancadas abismadas, os outros tenistas estarrecidos e os técnicos coçando a cabeça, pensando como seria o tênis dali para frente. No meio da década já sabíamos.

Ferrero tinha então 20 anos e ainda perderia mais uma semifinal de Roland Garros para o brasileiro em 2001. Mas em 2003 não deixou escapar a oportunidade e venceu o seu único Grand Slam e se tornou o #1 do mundo.

Era interessante ver Ferrero jogar por conta de sua direita devastadora, em especial nesses anos quando ele estava super-confiante. O cara não tinha a menor hesitação de ir para bolas vencedoras de qualquer canto da quadra, algo muito difícil de se ver. Hoje não se vê mais isso. Fernando Gonzalez – para quem perdeu a final de Roland Garros juvenil em 1998 – foi o ultimo a fazê-lo. Os caras agora chegam nessas bolas.

Infelizmente seu bonde não percorreu uma longa estrada. Logo no ano seguinte teve problemas de contusão e perdeu na 2ª rodada de RG e terminou o ano fora dos 30 melhores. Jogou os próximos três anos bem o bastante para ser top 25, mas não mais top 10 – foi top 30 em 30 em nove anos de sua carreira. Além disso, seu tênis caducou durante a década, assim como, por exemplo, o de Lleyton Hewitt – mas isso é uma outra história. Assim mesmo, conquistou 16 torneios e liderou o time em uma das vitórias espanhola na Davis.

Dono de uma personalidade afável, não fazia parte da panelinha de Barcelona e nunca treinou por lá – mas era querido por todos os espanhóis. Construiu uma academia de muito sucesso em Valencia, ao lado de sua terra natal, Villena, onde construiu também um hotel butique, o Ferrero Hotel, de muito sucesso – são somente 15 quartos, um luxo elegante e um restaurante premiado.

Seus técnicos atravessaram sua carreira com ele, o que, no meu caderno, diz muito sobre a personalidade dos envolvidos, especialmente a do tenista. Já tinha ameaçado abandonar a carreira mais de uma vez, desde 2009, inclusive com um caso bem interessante (leia no link http://paulocleto.ig.com.br//2009/04/12/vai-entender/ ).

Desta vez, para valer, aos 32 anos e 14 de carreira profissional, escolheu como seu ultimo torneio o de Valencia, onde é um dos donos do evento junto com os técnicos. Para deixar a coisa mais intima, apesar de que ele confessa não foi exatamente como ele gostaria, perdeu na 1ª rodada para Nicolas Almagro, (está nas duplas com Ferrer) um de seus melhores amigos do circuito e a quem deve treinar a partir da próxima temporada. Eu acho que ficou de ótimo tamanho – entre amigos e simbólico, uma passagem do bastão que parece feita sob medida.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012 História, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:33

Et tu…?

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A minha mulher adora contar uma história quando estamos com amigos do tênis. Ela, que tem pouca quilometragem nos grandes torneios internacionais, diz que eu faço pouco proveito dos eventos que hoje acompanho. Por isso gosta de contar da nossa experiência na partida entre Nadal e Tsonga em Miami este ano.

Após Nadal vencer fácil o 1º set por 6/3 e no 2º set quebrar o saque de um apático Tsonga fazendo 3×2, eu virei para ela falei que era hora de ir embora. Era a ultima partida da noite, o estádio estava lotado e o transito seria infernal no fim do jogo. Ela aquiesceu à contra gosto – queria mais Nadal. Quando chegamos ao hotel o jogo estava no 3º set, após Nadal não conseguir fechar no 5×4, algo raro – a mulher abriu um bicão. No final, Nadal deu um jeito e bateu o francês no 3º set em um jogo que saiu do sonolento para o dramático por conta de um game mal jogado pelo espanhol – até tu, Nadal? .

Mais do que para me encher, ela usa o exemplo para divagar sobre as dificuldades de sacar para fechar o jogo, um momento mágico que ela, ainda uma 4ª classe, acha difícil de entender do porque. Já chegou a falar em não jogar mais depois de deixar escapar uma dessas oportunidades. Eu tento falar, explicar, convencê-la da universalidade da dificuldade, sem grande sucesso. Suspeito que ela, grade fã do Nadal, queria ter visto seu ídolo pisar no tomate pelo menos uma vez ao vivo – São Tomé!.

Quem joga, especialmente torneios, uma realidade bem distinta de quando é treino, onde já é difícil o bastante, conhece o sentimento que invade a mente do sacador nesses ocasiões. É uma das armadilhas mentais mais conhecidas dos tenistas, algo que ele enfrenta desde os seus tempos de infanto-juvenil. Por mais que o tempo passe, a duvida sempre dança pela cabeça do tenista nessa hora. Não importa quantos anos e títulos tenha nas suas costas.

De um lado existe a pressão por fechar o jogo, algo que faz com que o tenista se cobre o seu melhor. A arte, que às vezes o tenista parece adquirir, só para de repente perder, é encontrar o equilíbrio entre jogar em um padrão bom o bastante para levá-lo a vitória, sem invadir o limite dos erros não forçados, enquanto fica longe do outro limite, onde permite o adversário neutralizar a vantagem do saque e começar a barbarizar. Parece simples, mas não é.

Especialmente porque o espírito do adversário muda completamente nessa hora. Lógico que não me refiro àqueles tenistas sem garra, coração e autoestima. Aqueles que nessa hora abaixam a cabeça e viram menininhas, independentes de serem homens ou mulheres. A maioria, mesmo entre os amadores, entra nesse game sabendo que está contra parede e com pouco a perder. O resultado é que instintivamente assume maiores riscos. Não esqueçamos que no outro lado da quadra o adversário tem vantagem do saque – especialmente se for o primeiro – ao mesmo tempo em que está mais conservador do que o normal. Esse choque de emoções diferenciadas produz algumas surpresas e emoções.

Se os golpes do recebedor começam a entrar, enquanto os do sacador, intuitivamente, começam a encurtar, ou pior, errar, é um deus nos acuda na cabeça do sacador, enquanto o outro vai adquirindo a repentina confiança para meter a mão na bola como se não tivesse amanhã, o que, convenhamos, é bem real.

Para fechar a conta do sacador, que tem uma grande vantagem nas suas mãos, ele tem que saber utilizar a vantagem – o saque. Se conseguir colocar bons primeiros serviços em quadra facilita bastante sua tarefa. Tudo isso é facilitado se vencer o primeiro ponto desse game, que tem uma importância desmesurada para não abrir uma janela de esperança para o inimigo. Não fazer erros na primeira bola é o próximo passo. Manter a agressividade e o adversário acuado é mais do que necessário. O resto fica bastante por conta da afinação emocional nesse momento chave da partida, algo que inevitavelmente distingue o vencedor do perdedor.

E foi exatamente isso que roubou a grande chance de Thomaz Bellucci vencer seu primeiro torneio indoors em Moscou – contra o italiano Seppi, que passa pelo melhor momento de sua carreira – algo que lhe daria uma grande confiança neste fim de temporada. Dizer que amarelou, como alguns fãs insinuam e afirmam, é um pecado – até por tudo que escrevi acima. Porém, ele mesmo confessou, o que também é um crescimento d sua parte, que esteve nervoso na hora de fechar e jogou abaixo do padrão do que até então apresentara. Pior, em duas oportunidades, no 5×4 e no 6×5 do 2º set. Infelizmente vai passar uns dias revendo o videomental, se cobrando os erros de 1º saque, os erros não forçados do seu melhor golpe (o forehand) e a dupla falta que expos o seu martírio. Só espero, alias tenho certeza, que isso não lhe roubará o brilho do que conquistou durante a semana.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:11

Desmembramentos

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Os desmembramentos do caso Lance Armstrong ainda são difíceis de prever e talvez imaginar – inclusive no tênis. A Nike, uma das maiores empresas de material esportivo do mundo, patrocinadora de inúmeros tenistas, notificou hoje que não renovará contrato do ciclista a partir de 2013, se dizendo traída pelo atleta por uma década.

Isso quer dizer que durante uma década o Armstrong ganhou o que disputou, se injetou com o que quis e ninguém nunca provou nada, apesar das insistentes insinuações. A Nike, por exemplo,ficou ao lado do atleta até as insinuações serem provadas.

E o que isso tem a ver com o tênis? Talvez alguma coisa. O quanto não se sabe. O personagem por detrás das injeções milagrosas de Lance Armstrong é o médico espanhol Luiz Garcia del Moral. Ele era o responsável pelas transfusões sanguíneas que caracterizavam o doping do americano, que fez com que sua equipe contratasse o espanhol. Vale lembrar que esse tipo de doping (ABI) atualmente não é detectado pelos testes executados nos tenistas profissionais.

Desde julho o médico espanhol foi banido perpetuamente pela USADA – agencia americana antidoping – de todos os eventos em solo americano. Na ocasião a FIT (federação internacional de tênis) enviou um alerta a todos os tenistas “sugerindo” que era bom ficar longe do doutor mágico.

Por quê? Porque alguns tenistas, direta ou indiretamente, trabalharam ou trabalhavam com Dr. Moral que desde Julho também foi está proibido pela FIT de entrar em qualquer evento tenístico oficial. O médico tem também um passado com o tênis. Ele é baseado em Valencia, onde é o responsável médico na academia de TenisVal, onde treinam ou treinaram, entre outros, os irmãos Dinara e Marat Safin, dois tenistas que abandonaram prematuramente o circuito, David Ferrer, Igor Andreev e sua ex Maria Kirylenko e Sara Errani. No último US Open, Errani foi muito perguntada sobre seu relacionamento com Moral, quando afirmou que sua escolha foi por ele ser um médico muito conhecido em Valencia, mas afirmou que não mais trabalhará com o médico. Desconheço qualquer questionamento feito à Ferrer sobre o assunto.

Enquanto isso, Noah voltou a falar sobre o assunto, no Rio de Janeiro, quando disse que não se arrepende de nada do que falou no ano passado (leia em http://paulocleto.ig.com.br//2012/10/11/inocencia-presumida/ ). Ele acha que a situação hoje é mais drástica do que quando fez a declaração. Ele lembrou, se lamentando, que levou 10 anos para se expor Armstrong. É bom dizer que a primeira vez que Noah colocou o assunto doping na mesa ele ainda era jogador e conhecia bem os vestiários – só que na época não havia exames. O que me faz lembrar que nos anos noventa havia um espanhol que todos nos vestiários suspeitavam fortemente que se dopava pelas mãos do próprio técnico.

O tenista francês Nicolas Escude também fez as mesmas acusações enquanto estava na ativa, acrescentando a conhecida história que a ATP abafou o caso de nove tenistas pegos com nandralona no início dos anos 2000. Assim como Boris Becker fez, apontando o dedo na direção de Thomaz Muster, pelo qual levou um puxão de orelhas oficial. Bem recentemente James Blake afirmou que “no tênis alguns estão se dopando e conseguindo escapar punição”, todos transparecendo a eterna indignação de quem compete limpo, contra quem abusa. Nos anos 90 Steffi Graf, durante Roland Garros, declarou, sem ser perguntada, que suspeitava que algumas tenistas usavam substâncias proibidas.

O fundador e atual chairman da WADA Eichar Pound tem opiniões interessantes sobre o antidoping em tênis. Diz que o numero de testes no tênis em 2011 foram muito pequenos (195urinas e 21 de sangue). Eu não sei exatamente como funcionam esses testes, mas sua próxima declaração foi ainda mais interessante: “alguém que não passe em um teste em um evento como um Grand Slam não passara em um teste de QI”, deixando claro que se sabendo quando serão os testes não é difícil camuflar. Segundo ele, atletas que usam EPO podem apagar os traços em oito horas, tal como Armstrong fazia nas competições. O curioso caso de Rusedski, pego em 2003 e mais curiosamente ainda absolvido pela ATP, que junto com o checo Ulirach foram os únicos flagrados com drogas que melhoravam a performance, também é lembrado pelo dirigente como “um absurdo”.

Outro dado interessante e que, segundo as estatísticas da autoridade antidoping espanhola, somente 30 exames antidoping foram realizados por eles em tenistas em 2011. Como comparação, no tênis de mesa, esporte bem menos relevante e com bem menor premiação, foram 68 exames, mais do que o dobro.

Também segundo a USADA, ela não testou Venus Williams nenhuma vez nas temporadas 2010 e 2011. E não deixa de ser curioso o incidente com sua irmã Serena que, este ano, quando um agente da WADA chegou a sua casa para realizar exames, ela se trancou no quarto do pânico, não atendeu a porta, chamou a polícia, fez o maior auê e acabou não recebendo o enviado. Stuart Miller, responsável pelo antidoping na FIT, admite que havia um exame agendado pela agencia, que não avisa os atletas, para aquele manhã na casa de Serena, mas diz que não lhe é permitido mais informações.

O caso de repercussão mais recente no tênis não foi descoberto pelos exames e sim por uma casual revista na alfândega australiana, quando o tenista americano Wayne Odesnik foi pego com hormônio de crescimento em sua bagagem ao chegar para o Aberto da Austrália.

Que fique bem claro que desde insinuações de Noah e Blake, até as possíveis associações com o Dr. Moral, até hoje nenhum tenista importante foi flagrado no antidoping com intenção de melhorar seu desempenho. Os mais famosos, quando pegos, como Wilander, Gasquet e Hingis, tinham cocaína no corpo que não é uma droga para se vencer jogo e sim para se divertir. Algo que remete ao tênis dos tempos do onça quando, por exemplo e entre outros, Suzane Lenglen e o nosso querido Arnaldo “Anão” Moreira tomavam um gole de cognac nas viradas dos games para aquecer os motores. Korda foi pego com algo para acelerar a cura de uma contusão, assim como Canas. No entanto, exames pegaram os argentinos Chela, Puerta, este sim fez o que não devia, duas vezes, e Coria, que culpou uma empresa americana de suplementos . Por conta disso, temos que seguir acreditando que os testes funcionam, pelo menos dentro de certos limites bem extensos, e que nossos melhores tenistas são atletas íntegros e não tiram proveito do que péssimos médicos disponibilizam a maus atletas. Só espero não ser surpreendido nos próximos 10 anos.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012 História, Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:48

O medão

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E o Yannick Noah acaba sendo protagonista de dois Posts seguidos. Desta vez pelas suas aventuras aéreas. O francês e seu colega Guy Forget embarcaram em Paris na quarta-feira, mas só chegaram no Rio de Janeiro na manhã de sexta-feira para jogar um evento-exibição. Trinta segundos depois de levantar voo o avião perdeu uma de suas turbinas e o piloto teve que fazer muita arte para pousar o bichão de volta na pista do Charles de Gaulle. Leia mais aqui: http://odia.ig.com.br/portal/rio/passageiros-de-voo-da-tam-elogiam-ast%C3%BAcia-de-piloto-em-desembarque-no-rio-1.501671

Eu diria que uma das duas ou três maiores razões para um tenista abandonar a carreira tem a ver com aeroportos e aviões. Os caras começam a viajar seriamente quando têm uns quinze anos e não param mais. Lembro que teve um ano que fiz um diário de bordo, quando peguei 84 voos em uma única temporada.

Ao contrário da maioria das pessoas, tenistas não tem voo marcado com antecedência, o que é uma ótima maneira de se ter aborrecimentos. Marca o primeiro voo para sair de casa. Daí para frente depende de seus resultados, que são uma incógnita. Se for confiante, marca um após a final, se estiver mal marca para 3ª feira – dá para descobrir muito da cabeça dos caras pela sua reserva. De qualquer maneira, perdeu começa a procurar voo. Com isso, aprende, ou dança, uma série de malabarismo para marcar múltiplas reserva, a lidar com atendentes sem coração das companhias aéreas, dar carteirada pelos aeroportos do mundo e outros macetes. Não vou entrar em detalhes.

O certo é que tenista odeia aeroportos – ainda mais do que voar. A espera, os aborrecimentos com atrasos, as filas, a segurança, aquele mar de gente, assentos apertados – os caras são grandes – a comida horrível e, o mais crítico, o medão. Mala e roupa perdidas não são novidades, apesar de ser algo odioso.  A toda hora tem jogador pedindo roupa e tênis emprestado – tenista esperto sabe quem são os colegas que usam tênis igual. Raquete não é problema, pois eles são capazes de enfrentar os seguranças mais cascudos para embarcar no avião com suas raquetes – lá no porão é que não vai!

O que aconteceu com Noah, apesar de alguém lá dizer que é raro, o deixa de ser quando a frequência em voos é grande e a probabilidade aumenta. Aconteceu comigo, mais de uma vez. Esse negócio de turbina estourar e ficar circulando para jogar combustível fora, avião remeter e outras coisas que nunca são devidamente explicadas, acabam penetrando nos nervos e instalando ali um sentimento ruim que só muito pé no chão resolve.

Certa vez, eu treinava um tenista de Brasília, Carlos Chabalogoity, que era campeão mundial juvenil e íamos para Roland Garros. Treinávamos em São Paulo e ele decidiu visitar os pais imediatamente antes de embarcarmos. O avião dele se espatifou na pista de Brasília. O garoto tirou o cinto, levantou, deu dois passos e pisou no cimento, sem um arranhão aparente. Mas o estrago emocional foi enorme. Ele, que já odiava as alturas ficou em cacarecos. Dois dias pegou um avião de volta para São Paulo e imediatamente para Paris, onde sentei ao seu lado. Ele já era quieto, mas nessa viagem não deu um pio.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012 História, Tênis Masculino | 10:48

Inocência presumida

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A partir de amanhã, Yannick Noah, o último francês a vencer Roland Garros, uma espécie em extinção, participa de um evento-exibição no Rio de Janeiro na companhia de outros veteranos, incluindo seu antigo parceiro Guy Forget e os brasileiros Oncins e Meligeni.

Noah vem se dedicando à carreira musical, de bastante sucesso e não tão perto do tênis. Sua presença nesses eventos de Masters não é frequente como a de outros tantos. Até mesmo nos eventos franceses não tem sido tão visível, apesar de ser o ídolo máximo do tênis na França e um dos maiores na história do esporte francês. Afinal, ganhou Roland Garros em 1983, algo cada dia mais precioso pela raridade aos franceses, além de ter sido um tenista de muito carisma.

Apesar da distância da bolinha, no final de 2011 Noah voltou a ser notícia, quando ele mesmo a criou, escrevendo um artigo no Le Monde, um jornal mais focado do que a maioria deles em opiniões do que em notícias. Nele, Noah acusou os tenistas espanhóis em geral de se doparem para jogar, sendo esse o diferencial deles no circuito. O fundamento da acusação e insinuações não foi nada além da opinião do tenista francês, que não ofereceu nenhuma prova para o que dizia.

Apesar de certas áreas da mídia francesa adorar fazer essas insinuações – já mostramos aqui uma animação da TV francesa – os tenistas franceses repudiaram as acusações, enquanto que os espanhóis caíram de pau em Noah, liderados por Nadal e Ferrer. No fim do dia, o assunto ficou pior para Noah do que para os espanhóis. Afinal, apesar das insinuações ao contrário até pelos condenados do Mensalão, boa parte do mundo ainda vive uma realidade onde provas devem ser oferecidas para acusações desse porte. Mas, que eu saiba, o assunto ficou por isso mesmo, Noah não ofereceu desculpas e os espanhóis não levaram adiante a indignação. E duvido que alguém irá perguntar, e mais ainda de que Noah irá responder, na entrevista coletiva de hoje no Rio.

Enquanto isso, o caso de Lance Amstrong não para de crescer nos EUA. Parece que alguém lá decidiu levar o caso até o fim.  Após tirarem todos os títulos do ciclista – eram 7 só na Tour de France – dias atrás a agencia americana de antidoping enviou um relatório de mais de 1000 páginas à UCI (União Ciclista Internacional) demonstrando e documentando a trama por detrás da conspiração de doping por parte de Amstrong. A entidade afirma que foi caso de doping mais sofisticado, profissional e bem sucedido que o esporte já viu.

É uma história de arrepiar, pois envolve muita gente, de médicos a outros ciclistas, que fizeram declarações juramentadas sobre o assunto, inclusive sobre ameaças recebidas.  “A conspiração foi arquitetada para pressionar os atletas a usarem drogas perigosas, evitar a descoberta dessas substâncias, garantir o sigilo das atividades ilegais e, por fim, resultar em uma vantagem competitiva injusta provocada unicamente por meio de práticas avançadas de doping. Foi um programa organizado por pessoas que pensavam estar acima das regras, e que continuam a desempenhar um papel importante e ativo no esporte atualmente. Lance Armstrong exerceu um papel-chave em tudo isso”, relata parte do dossiê publicado no IG.

Essa história do Amstrong, o maior ciclista da história, demorou anos a ser exposta. Muito tempo depois de o rapaz vencer seus sete Tour de France consecutivos (1999-2005)um feito inédito.  Imediatamente antes disso, Lance havia passado por câncer no testículo (por vezes presente no uso excessivo de esteroides anabolizantes) e no cérebro e sobrevivido, o que ajudou a criar uma áurea ainda maior sobre ele.

Ao que parece decidiram fazer de Amstrong um exemplo, considerando o esforço realizado para cercá-lo, expô-lo e puni-lo. Assim mesmo ele alega inocência, sugerindo que as acusações são tendenciosas e baseadas em depoimentos de pessoas vingativas, apesar de ter desistido publicamente de responder às acusações em corte.

Não sei quais eram os testes feitos em Amstrong durante sua carreira, assim como não sei detalhes da sofisticação de seu alegado doping. Mas agora as conversas de bastidores e insinuações sem provas foram deixadas de lado e apresentaram provas de fato.

O que fica muito chato são as insinuações sobre o tênis espanhol como um todo, e sobre Nadal, seu maior nome, em especial, sem maiores provas do que insinuações inconsequentes, movidas por razões mesquinhas. O tênis masculino é supervisionado pela WADA, a maior e mais responsável organização no tema do mundo. Ela deve ser, junto à ATP e FIT, responsáveis por manter o esporte limpo e nos mantendo informados a respeito, preenchendo uma lacuna de anos atrás. Eu particularmente acredito muito mais na determinação de tenistas como Nadal e Ferrer sendo o diferencial em suas carreiras, características herdadas da cultura espanhola que pela história afora demonstrou ter uma altíssima carga de agressividade e fibra nas suas veias, agora direcionada para algo valoroso.

Enquanto algo não é provado devemos presumir a inocência de todos, o que é o melhor cenário para se viver civilizadamente. Até hoje nunca de provou uma vírgula que macule a carreira desse fenômeno Nadal e de seus atuais colegas.

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domingo, 7 de outubro de 2012 História, Juvenis, Tênis Masculino | 20:34

Amém

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Franqueza a um ponto de rudeza, não rispidez, seria uma descrição de Toni Nadal. É uma figura sem maiores preocupações com a sofisticação e não raro surpreende seus interlocutores com suas afirmações.

Uma das palestras que deu em São Paulo foi para técnicos brasileiros, imensa maioria formada nas diretrizes na FIT e agora disseminadas pela CBT. Como a palestra foi, do começo ao fim, perguntas e respostas, técnicos perguntaram o que quiseram, e praticamente todas as perguntas foram relevantes e interessantes, e nem sempre ouviram o que imaginavam.

Toni é formado – em certas coisas, porém não tudo – na mesma escola das quadras de Larri Passos, e com certa semelhança à minha própria, onde uma parte das doutrinações da FIT passa ao largo. Foram algumas as tentativas dos técnicos em pedirem respaldo para o que lhes é doutrinado, porém nem sempre ouviram um amém.

É lógico que nem tudo era confrontante com os padrões aceitos em toda a parte, mas houve alguns conflitos e diferenças interessantes.

Recentemente, em reunião no Clube Pinheiros, onde sou diretor da área infanto-juvenil, representantes de pais pediram para que o Clube investisse em um psicólogo para os jovens competidores. Expliquei que estávamos avaliando alguns, mas que a ideia seria de um trabalho junto aos técnicos, e não com os jovens tenistas, para aprimorar o trabalho daqueles. Senti que nem todos aceitaram o argumento.

Pior seria se ouvissem a opinião de Toni Nadal, tio/técnico do jogador mais forte mentalmente que já vi em quadra. Toni admitiu verdadeira ojeriza de psicólogos esportivos, e nem um deles chega perto de seu sobrinho ou dele. Para ele mais atrapalham do que ajudam. Bateu de frente com o padrão da imensa maioria dos centros de treinamento atuais que propagam psicólogos como um must de seu trabalho.

Se no quesito acima ele tem semelhança com Passos, em outro não poderia estar mais distante.

Perguntado sobre detalhes do trabalho físico de Nadal, mencionou algumas coisas, mas que não podia dar detalhes – não acompanha os trabalhos. Rafa tem seu preparador físico e não vai ser ele que vai dar opinião a respeito. Seu trabalho é técnico e em quadra. O preparador físico até pediu para que ele desse uma olhada nos trabalhos – Toni descartou, afirmando ter confiança no trabalho do outro. Sobre o assunto deu mais uma interessante declaração. Para ele Rafa não é o tenista com melhor físico do circuito. Mencionou Djokovic e Ferrer que eu me lembre. Disse que o diferencial de seu sobrinho não é o físico e sim a entrega, a determinação. Amém.

E há várias outras histórias interessantes.

PS: Em breve haverá mudanças no Blog do Paulo Cleto, inclusive com a possível mudança de Portal e endereço. Para tal, fiquem atentos a mais notícias e, se necessário, recorram ao endereço: www. tenisnet.com. br  ou à página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012 História, Tênis Masculino | 15:56

Simpatia

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Confesso que tinha meus receios quanto a entrevista de hoje com Tio Toni Nadal, técnico e tio vocês imaginam de quem. O espanhol é bem mais simpático, humilde, no bom sentido, conversador e transparente do que eu esperava.

Nas entrevistas não se omitiu em responder as diferentes perguntas – a rodada da manhã foi totalmente dedicada a jornalistas, cada dia mais entendidos no esporte-tênis, porque no passado era de chorar. Pelo contrário. Muitas vezes, a maioria dos esportistas são monossilábicos, tanto pela dificuldade de se expressar como pela ausência do que dizer. Não chega a ser um Gustavo Kuerten, que você pergunta como ele vai, depois esquece. O fato de ser em um país que não é o dele, onde amanhã ele toma um avião, volta pra casa e talvez nunca retorne, faz com que sua maneira de atender a todos com simpatia e transparência seja ainda mais elegante.

Diversos assuntos foram cobertos, desde os profissionais de Rafa, e dele Toni, até alguns pessoais, mais dele do que de Rafa, mas, como não poderia deixar de ser, as histórias se tangenciam a muitos anos.

Toni, que era professor de tênis em um pequeno clube em Majorca, desde o início, na mais tenra idade, foi o técnico tutor de Rafa e a origem da história de ambos é a origem da história tenistica de Rafael Nadal.

Pretendo ir repassando diferentes tópicos nos próximos dias, assim como quando me referir a ambos no futuro, pelos vários detalhes revelados. Por enquanto, esclareço um detalhe e uma curiosidade que sempre foi pauta nos comentários e nas conversas dos fãs de Nadal.

Rafael é destro para tudo, menos para jogar futebol. Ou seja; come, escreve, etc, tudo com a mão direita. Para todos os efeitos, um destro. Mas, como tinha muita habilidade com a perna esquerda – imagino que na Espanha, e na casa de um cara que disputou três Copas do Mundo pela Espanha (irmão do Toni), também se chuta uma bola bem antes de se pegar em uma raquete. Por conta disso, Toni determinou que o sobrinho jogaria com a mão esquerda. Diz, com um sorriso maroto nos lábios, que aparece com frequência, hoje se arrepender do fato. Acha que Rafa estaria melhor servido jogando com a direita.

Para encerrar, por hoje, uma curiosidade. Sim, Rafael é torcedor do Real Madrid, enquanto que ele é torcedor do Barcelona. O que dá igual a ter um corinthiano e um palmeirense ou um cruzeirense e um atleticano etc, convivendo intimamente. A confissão foi por conta de uma pergunta em cima de um comentário que Rafa é muito bom de bola; “dava para ele jogar no Real Madrid?”. “Sim”, foi a resposta, logo complementada – “mas não no Barcelona, onde o padrão é bem superior”. Pimba!!!

Tio Toni e seu sorriso.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 10:57

O2 de Praga

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Os checos têm tambem a sua Arena O2 e será lá a final da Copa Davis 2012, a FIT confirmou hoje. O local é uma arena multi uso maravilhosa e, certamente, estará lotada nos três dias de confronto. A Davis é a maior competição anual de todos os esportes e jogando em casa os checos têm boas chances de interromper a hegemonia espanhola, que venceu em quatro dos últimos cinco anos, e voltar a escrever seu nome entre os vencedores.

Para isso, os checos devem colocar o piso mais rápido que encontrarem, e aprovarem, além de contar com a torcida da quase totalidade dos 13 mil que estarão presentes. Eles não são conhecidos por intimidar os adversários, mas acredito que vão arregaçar as mangas e torcer como poucas vezes.

A única vez que os donos da casa venceram a competição foi em 1980, um momento mágico do tênis checo. Jan Kodes, vencedor de Wimbledon – no ano do boicote – e tenista que mais defendeu o país na Davis, estava com 34 anos e Ivan Lendl acabara de 20 anos – duas grandes gerações se sobrepunham.

Os tchecos haviam vencido os favoritos argentinos em BA, liderados por Vilas e Clerc, dois maestros do saibro, em confronto histórico, com Lendl vencendo os três jogos e perdendo um único set, confirmando a vitória checa por 3×2. Na semana anterior à competição ele estivera em São Paulo jogando um torneio exibição no Ginásio do Ibirapuera que eu organizara e ele vencera, batendo Ilie Nastase na final. Ele jogava à noite no carpete do Ibirapuera e nas manhãs treinávamos no saibro das quadras do CPT.

A final foi sobre a Itália de Panatta e Barazzutti, o rei dos paparras. Os checos abriram 3×0 e venceram 4×1, sendo que a grande partida foi as duplas – Lendl/Smid x Panatta/Bertolucci, duas excelentes duplas, com a vitória checa por 6/4 no 5º set, sacramentando um momento único do tradicional tênis checo.

Em Novembro os jogos acontecerão em uma nova arena, construída em 2004 para o mundial de hockey sobre o gelo, esporte tradicionalíssimo por lá. A obra atrasou e os checos perderam o evento. Uma empresa de apostas esportivas bancou o término, mas acabou quebrando por conta das dívidas. Hoje é O2 e a casa de inúmeros shows de música e eventos esportivos.

O ultimo confronto entre os dois países foi em 2009, em Barcelona e no saibro. Os espanhóis deram de cinta nos checos (5×0) que, imagino, querem vingança. Os atletas eram os mesmos, com a exceção de Nadal, que não deve, imagino, jogar. Mas na quadra rápida e com a nova fase de Berdych, que precisará administrar os nervos, a história poderá/deverá ser outra.

Só duvido que em Novembro o piso será o saibro como na foto.

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