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Arquivo da Categoria História

domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

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É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

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quarta-feira, 1 de maio de 2013 História, Tênis Feminino | 22:24

A facada

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No dia 30 de abril fez 20 anos que um incidente mudou a história do tênis em mais de uma maneira. Em 1993 o #1 do mundo era Pete Sampras, sem ninguém em seu cangote o ameaçando, enquanto que entre as mulheres, duas excepcionais tenistas – Steffi Graf e Monica Seles – batalhavam a cada torneio, construindo uma rivalidade que já era uma realidade e ainda prometia ser uma das maiores da história, algo na linha do Federer e Nadal.

Seles vencera seu primeiro Grand Slan aos 16 anos, em Paris, batendo Graf na final em dois sets, partida que tive o privilégio de assistir na 4ª fileira da Quadra Central. Eu era um assumido fã da moça, de seu tênis, de seu pai, uma figuraça e a antítese do “pai de tenista”. Graças a uma aposta, ou algo parecido, comparecera àquela final, algo que provavelmente não faria em circunstâncias normais – mas essa é outra história.

Monica venceu 7 dos 11 GS seguintes, deixando a ubber-campeã Graf, e seus fãs, um tanto quanto preocupados, já que Graf foi uma tenista que venceu um total de 22 títulos de simples em GS, sendo que nove até Seles surgir e começar a dar outro tom à história.

O fato é que as duas moças eram carismáticas, donas de estilos e personalidades distintas e ambas extremamente arrojadas, o que fazia dos confrontos delas algo que agradava o público de mais de uma maneira, inclusive no aspecto passional.

E é desse lado passional, que eu sempre levanto algumas rejeições na hora de apreciar o tênis, que veio a tragédia que mudaria severamente a história da vida de Seles, talvez um pouco da carreira de Graf, e um tanto do tênis em si.

Um maluco, alemão e torcedor de Graf, decidiu que era hora de acabar com a Seles. No Torneio de Hamburgo, o débil mental desceu até a quadra e meteu uma faca de cozinha de 18 cm nas costas da moça enquanto ela estava sentada na troca de lado. Sua cadeira ficava grudada nas arquibancadas. Lógico que houve consequências físicas, mas as piores mesmo foram mentais e emocionais. Seles ficou mais de 2 anos longe das quadras. Dos 10 GSs jogados nesse período Graf venceu 6.

A cabeça de Seles pirou de mais de uma maneira. O torneio continuou sem ele como se nada tivesse acontecido. Graf (que vencera seis anos seguidos perdeu na final para Arantxa Sanches) apareceu no hospital, onde ficou “um ou dois minutos” e depois nunca mais entrou em contato. Um pedido de Seles, para que seu ranking de #1 fosse protegido por um tempo maior, a unanimidade das tenistas recusou – inclusive Graf ( a única abstenção foi Sabatini), o que fala muito sobre o circuito e sua “camaradagem”. O maluco nunca foi condenado pela justiça alemã (Seles nunca mais pisou na Alemanha) e nunca foi para a cadeia. Ainda deitada na cama do hospital em Hamburgo, descobriu que o pai, que estivera ausente em Hamburgo por conta de testes clínicos, estava com câncer e iria falecer em breve. Ele era extremamente próximo e atuava como técnico e confidente. Como tinha somente 19 anos, a moça entrou em parafuso, depressão, medo generalizado, começou a comer demais e, consequentemente, a postergar sua volta às quadras.

Quando voltou, 28 meses depois, ainda venceu o Aberto da Austrália, mas aquela entrega, a coragem, a audácia com que jogava tênis não estavam mais lá. Jogou até Roland Garros 2003, nunca mais como antes.

O pai morreu, a carreira foi embora e somente há poucos anos atrás a moça voltou a fazer as pazes com a vida. Lançou um livro em 2009 – “Getting a grip; on my mind, my body, my self” onde fala mais sobre as batalhas vencidas fora das quadras do que as em quadra. Foi uma maneira de chegar a termos com a vida.

Infelizmente, para o tênis, sua mais visível herança é os guarda-costas que entram a cada troca de lados protegem os tenistas nas viradas.

Seles – dando na bola.

Seles – após acertar suas contas com a balança.


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quarta-feira, 24 de abril de 2013 História, Wimbledon | 12:50

Aumento salarial

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Como em toda negociação que almeja o sucesso, a conversa entre tenistas e federações proprietárias de torneios do Grand Slam ficou, boa parte do tempo, restrita a quatro paredes. Como toda negociação que envolva algum tipo de sindicalismo, elas só começaram e foram adiante após um período de pressão, quando não de ameaças veladas. O que os tenistas aprenderam com o tempo foi usar a maior exposição que têm a seu favor.

Os tenistas boicotaram Wimbledon em 1973, o que, entre outras coisas, solidificou a recém criada ATP. Naquela época quase todos os melhores ficaram de fora (foram 81 boicotando), por conta da eterna briga entre jogadores e cartolas. A FIT suspendera um iugoslavo, Pilic, por não jogar a Copa Davis e os tenistas não queriam mais esse tipo de musculatura pra cima deles. Jogaram os tenistas da cortina de ferro, porque ou jogavam ou não poderiam mais sair de seus países. O tcheco Kodes bateu o russo Metreveli na final. Muitos outros jogaram porque viram uma oportunidade de se dar bem – sempre tem isso também. Foi também a primeira participação de Borg, então com 17 anos.

Na época, a repercussão perante o público foi totalmente negativa, já que a imprensa britânica ficou com os organizadores e taxava os tenistas de mimados. Consequentemente o público ficou contra os tenistas amotinados e abraçou os que compareceram. Mas a ATP segurou a onda e o tênis mudou para sempre. Não dá para comparar as duas épocas, do tênis e do mundo, assim como não se pode comparar tenistas de então e de hoje.

Os torneios, especialmente os GSs, continuam sendo mega eventos, mas em tempos atuais os tenistas tornaram-se também mega importantes e, acima de tudo, aprenderam a utilizar a mídia disponível a eles. Fica mais difícil Wimbledon proclamar que é mais importante que os jogadores, como foi sua postura por mais de um século.

Rod Laver não estava na sala das pessoas a cada evento através de imagens de TV, não tinha sítio na internet, nem todo o universo da internet levando suas imagens e declarações mundo afora, nunca ouviu falar de press manager, não tinha 10 milhões de fãs no facebook e uma multidão de fãs de todas as idades mundo afora. Tudo isso foi utilizado para “vazar” informações que sutilmente sugeriam que os vestiários estavam em indignada revolta, por conta da distribuição de prêmios e o valor de dinheiro que entravam para os cofres das federações, e uma ameaça de boicote contaminava ainda mais o odor de suor dos vestiários.

Muita conversa aconteceu entre os representantes dos GSs e tenistas e seus representantes. Os “donos” dos GS começaram a se mexer e individualmente começaram a apresentar suas propostas de aumento. Cada um que apresentava garantia a presença dos tenistas em suas quadras. Mas todos negando que cederam à pressões. Os aumentos, afirmam, foram de livre e espontânea vontade, mas quem assistiu Indian Wells viu, logo na primeira fileira, o diretor de Wimbledon, presente para conversas com tenistas.

Desde o primeiro momento, os tenistas bateram na tecla que eles procuravam aumento dos valores nas primeiras rodadas, o que garantia que a majoração atingisse a maioria, que é quem agita os vestiários. Um socialismo esportivo. Os cachorrões também gostam de dinheiro e quanto mais, melhor. Mas, no caso deles, já têm bastante e, a um certo ponto da carreira, se joga mais pela glória do que pelo cash.

Foi levando isso em consideração que o Torneio de Wimbledon divulgou esta semana um aumento de 40% no prêmio distribuído, o que dá para afirmar ser um senhor aumento e deve ter deixado os vestiários com o perfume de gardênia.

O total, para homens e mulheres (estas não pressionaram, mas receberam sua parte) passa a ser U$34.4 milhões, o maior de todos os GSs. Os vencedores receberão $2.4M cada. No ano passado receberam U$1.75. Mas a diferença é mesmo para aqueles que naufragam no evento qualicatório e nas três primeiras rodadas da chave principal. Os primeiros terão um aumento de 41% e os outros de 60%! O evento de duplas teve um aumento de 22%, o que deve ter deixado os mineirinhos felizes.

Provando que a grana não é um problema em Wimbledon, os ingleses anunciaram também que vão cobrir a Quadra 1 para o torneio de 2019, quando terão então duas quadras cobertas. Dizem que a decisão foi feita entre piadinhas a respeito da eterna falta de quadra coberta no U.S. Open.

Nic Pilic, pivô do boicote em 73′, mais do que acertou suas contas com a Copa Davis. Jogou pela Iugoslávia, foi capitão da campeã Croácia, técnico da Sérvia e capitão da Alemanha, derrotada pelo Brasil no Rio de Janeiro em 1991.

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segunda-feira, 11 de março de 2013 História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:52

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Gustavo Kuerten radicalizou. Cansado das eternas dores que o afligem desde quando foi obrigado a abandonar a carreira, este fim de semana ele encarou mais uma cirurgia – só que foi para as cabeças. Colocou uma prótese de titânio com as superfícies de atrito feitas em cerâmica. Não tenho os títulos de Roland Garros, mas tenho 30 anos a mais e o mesmo problema que ele, com o desgaste da cartilagem no joelho no meu caso – é o inferno!

A cirurgia é radical, mas, a cada ano mais segura e menos traumática. Ele a fez em Floripa – desta vez não achou necessário ir aos EUA para tal – com um especialista local. Imagino que deva ter total confiança no Dr. Richard Canella.

Kuerten foi um dos primeiros e ter esse tipo de contusão que vem atacando os tenistas, inclusive os mais jovens. O primeiro que chamou a atenção foi o Magnus Norman. Imagino que por conta de suas realidades, os tenistas atuais estão tomando as precauções necessárias para que não desgastem seus quadris – na área da cabeça do fêmur – como seus colegas.

Ficará sempre em nossas memórias a dúvida do quanto Kuerten conseguiu acertar nas decisões feitas antes e depois de sua primeira cirurgia. De qualquer maneira, os resultados estão aí. O importante é que esta cirurgia tenha o sucesso esperado para o tenista de somente 36 anos – se tudo tivesse ido bem na sua carreira, poderia ter estendido seu sucesso por vários anos e nos dado inúmeras outras alegrias.

Deixando de lado esse nosso compreensível egoísmo, o importante – para ele e todos nós que gostamos da pessoa ainda mais do que do tenista – é que ele merece ter uma qualidade de vida que fez mais do que por merecer. E isso passa por, óbvio, poder se locomover sem dificuldades e sem dor.

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terça-feira, 5 de março de 2013 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:15

Cinco no Hall da Fama

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O Hall da Fama aproveitou a Dia Internacional do Tênis, celebrado pela primeira vez ontem, para anunciar novos nomes para sua galeria – no ano passado Gustavo Kuerten foi um deles.

É vendo alguns desses nomes que se separa sofasistas do pessoal que conhece a história do esporte branco. Assim sendo, vocês podem testar seus conhecimentos lendo o nome dos cinco indicados e depois dar uma olhada na curta história que publico de cada um deles.

Thelma Coyne Long é uma australiana, de 94 anos de idade!, que venceu o Grand Slam de casa em duas oportunidades nas simples, além de 13 títulos nas duplas femininas, mais quatro mistas sempre em casa, e uma dupla feminina em Roland Garros. Dá para ver que a moça sabia volear, o que sempre ajuda nas duplas, uma raridade atualmente, pela foto abaixo. A moça foi também uma heroína na 2ª guerra mundial.

Ion Tiriac, 73 anos, também vai para o Hall da Fama. Mais pelo o que fez após encerrar a carreira de tenista do que nela. Ion era um tenista sem nenhuma habilidade e um estilo bizarro – mas um verdadeiro casca de ferida. Fora as intimidações. Esteve aqui no Brasil em mais de uma ocasião, jogando Davis e um circuito internacional no meio dos anos 70. É um amigo desde aquela época. Foi técnico de Borg, por curto tempo, Guillermo Vilas e Boris Becker, o que o levou a agenciar jogadores, realizar eventos, abrir uma rede de academias e um banco, o que o deixou multimilionário. Atualmente é o dono do polêmico Torneio de Madrid, que se lhe der na telha tira de lá.

Cliff Drysdale é um sul africano de 71 anos que também esteve aqui no Brasil no mesmo evento do Tiriac – jogou no estádio de A Hebraica em São Paulo, onde nunca mais vi outro evento. Lembro-me de uma partida dele ali com o Manolo Santana como se fosse ontem. Tinha excelente esquerda com as duas mãos – em uma época que eu arriscaria dizer que era o único homem com tal golpe. Não foi o primeiro, mas foi marcante ali nos anos sessenta e setenta. No ápice foi um top 15, talvez 10, na época não existia o ranking. Foi um dos fundadores da ATP e um dos originais Handsome Eight – alguem aí sabe o que foi? É comentarista de tênis da ESPN, desde o início do canal, sempre com aquele estranho sotaque sul-africano.

Charlie Passarell, 69 anos, é um porto-riquenho que sempre preferiu ser americano. Jogou bem, sempre saque e voleio – do fundo era cego. Tem uma partida histórica dele, com o Pancho Gonzalez, que os ingleses da BBC sempre colocam no ar quando chove, durante Wimbledon. Ficou famosa porque Gonzalez, na época com 41 anos, o bateu na partida mais longa de então: 112 games em 5hrs e 20 em dois dias. 22/24 1/6 16/14 6/3 11/9. O placar diz, mais alto do que quaisquer palavras, quem era Pancho Gonzalez. Passarell foi o fundador do Torneio de Indian Wells com Ray Moore e continua dando as cartas no torneio.

A ultima é Martina Hingis, 32 anos, uma certa surpresa, pela personalidade, pisadas na bola e idade, mas imensamente merecido se analisado somente pelo aspecto técnico. A moça foi a melhor tenista intuitiva que vi jogar. Sempre vou poder dizer que vi a menina ser campeã juvenil de Roland Garros aos 12 anos, algo de outra dimensão! No máximo tinha um outro brasileiro lá naquele dia. Martina venceu 5 títulos de GS e deixou escapar o “Grand Slam” – vencer todos os GS na mesma temporada, em 1997, aos 16 anos – seria algo inédito então e, provavelmente, para sempre. Por pura máscara. Perdeu na final de Paris para a croata Iva Majoli, algo que não aconteceria novamente em 100 tentativas. Ganhou também nove duplas femininas e uma mista nos GSs. Foi #1 do mundo 209 semanas consecutivas – mais de 4 anos. Pirou quando as irmãs Williams chegaram e abandonou as quadras com 22 anos. Fez um comeback, voltou ao top 10, mas naufragou no doping de Wimbledon por cocaína. Mas era uma maravilha vê-la mexer a bola como poucas, sempre intuindo com perfeição onde ir e onde colocar as bolinhas.

Thelma voleando

Drysdale e o backhand com duas mãos.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:47

Regras e exceções

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Nunca se sabe com certeza ao que o leitor vai se apegar em um Post. No ultimo, um detalhe que agarrou a atenção foi a óbvia discrepância na soma publicada dos tenistas que estarão na chave do Aberto do Brasil – lá ia eu novamente escrever Aberto de São Paulo…

São 19 tenistas inscritos e confirmados na chave principal, quatro jogadores que ganharão seus lugares na chave principal passando pelo torneio de qualificação, onde geralmente são obrigados a vencer três partidas em três dias, e três convidados do torneio que podem, teoricamente, ser o rei dos pangas se o diretor do evento quiser – não existem parâmetros escritos para estes e sim parâmetros do bom senso. Faltam dois, alertaram os mais atentos, já que a chave principal do evento é de 28 e não de 32, 48, 64 ou 128 tenistas como estamos habituados a ver.

Antes de atacarmos os dois que faltam, falemos sobre o fato de ser 28 e não 32, como durante anos foi o padrão e uma das trincheiras inegociáveis da ATP. Chaves de 28 só são permitidas, a opção é do dono do evento, em ATP Tours 250. A razão mais óbvia é que há menos tenistas para se distribuir o dinheiro, sobrando mais para quem está dentro, o que torna o evento, o menor do circuito ATP, mais interessante. Outra razão é que dá uma colher de chá aos quatro cabeças de chave principais. Assim eles podem chegar mais tarde e jogar uma partida a menos – um incentivo aos cachorrões em participar de um evento menor. Não chega a ser uma razão, mas um efeito colateral agradável, a diminuição dos custos para o organizador com quartos de hotéis, alimentação e transporte local.

Quanto aos dois lugares que falta na soma de 19+4+3 (26) são os chamados Special Exempts (Exceções Especiais). Isso foi algo que a experiência do circuito mostrou ser uma necessidade para se criar uma exceção. A ATP guarda dois lugares para o caso, raro, mas não tão raro, de um tenista inscrito, que esteja fora da lista dos diretos na chave principal, consequentemente ainda na lista do torneio de qualificação, e para isso sejam obrigados, pela regra, a estar presente no local na 6ª feira à noite.

No entanto, se ele estiver jogando um evento na semana anterior e estiver ainda na chave de simples (nas duplas não vale) no sábado, ele segue jogando esta semana e ganha o acesso à chave principal através de um dos special exempts (Podemos dizer que nesses casos, um tenista que esteja nas 4as de final e no qualy da semana seguinte, tem dupla vitória se consegue vencer a partida – uma pressão a mais para o coitado.) Detalhe: o tenista só pode requisitar um SE para um torneio igual ou de menor premiação ao que está jogando.

Se não houver o acontecimento de nenhum SE, como geralmente não há, esses dois lugares são dados aos dois próximos tenistas a entrarem direto na chave, e que, teoricamente, teriam que jogar o qualy. Assim sendo, na verdade são 21 lugares para tenistas que entram direto, 04 que passam pelo qualy e 03 convidados. Mais uma exceção; são dois SE somente para ATP250 e Challengers, para os outros torneio há somente lugar para SE. Se tiver mais de elegível, entra o com o melhor ranking.

As regras e exceções são sempre inúmeras e não são só os leitores que as desconhecem. Muitas vezes o próprio profissional arruma confusão sem saber as regras e os detalhes, até mesmo dentro da quadra. Mas isso já são outras histórias.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:43

Super Saturday e Stormy Monday

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Como é que vou escrever que logo os americanos estão mais perdidos do que cegos em tiroteio? Difícil, mas um fato. E por mais de uma razão. O assunto, hoje, não é a decadência do seu tênis competitivo, masculino e feminino, assunto para um outro dia. Hoje o assunto é mais ameno; assim mesmo com vários reflexos.

A poderosa USTA, a mais forte de todas as federações de tênis, anunciou esta semana duas notícias sobre o seu evento maior – o U.S. Open. A primeira passou despercebida, a segunda já até mereceu comentários aqui no Blog.

A primeira é que eles acabam, a partir de 2013, com o controverso Super Saturday, que acontece, em diferentes formas, há quase três décadas. O segundo é que consolidam aquilo que a natureza forçou nas ultimas cinco temporadas – a final masculina na 2ª feira.

Lógico que uma coisa está amarrada na outra. O Super Saturday reunia duas semifinais masculinas e a final feminina, o que ofuscava a final feminina e obrigava os homens a jogar a final no dia seguinte arregaçados física e mentalmente. Isso produzia absurdos, que se repetiam ano após ano, como forçarem Lendl a vencer uma semi debaixo do sol escaldante 7/6 no 5º set, e no dia seguinte perder para um McEnroe, que jogara 5 sets com Connors até as 23.30h. Ou causar uma rebelião nos vestiários quando Edberg e Wilander, dois suecos, se recusaram a entrar em quadra às 10h da manhã porque foram informados da mudança de horário (era às 11h) no fim da noite anterior, porque um jogo longo no dia anterior tinha dado uma confusão dos diabos na rede nacional de TV que mostrava a partida, causando o cara do Jornal Nacional de lá dar um piti e deixar os estúdios, causando a maior cadeia americana ficar sem imagens durante seis minutos, porque americano é ruim de improviso, algo que não aconteceu nem antes nem depois. Como o publico não foi informado a tempo, às 10h não havia ninguém no estádio e os suecos se recusaram a entrar – entraram, após ameaças depois de 15 minutos; e a TV esperando.

O Super Saturday sempre foi odiado pelos tenistas. Odiado. Foi uma jogada marqueteira da USTA. “O maior dia de tênis da temporada”. As TVs amaram, os fãs também, a federação cacifou$$ legal, tudo no melhor estilo americano “somos os maiores”. O detalhe é que quando chovia nesse dia a casa caia. E a casa caiu cinco anos seguidos. Pior. Algum gênio lá atrás enterrou quase 500 milhões em um estádio que é o “maior do mundo”, sendo que não dá para ver quem está sacando e quem está recebendo da ultima fileira e, pior, não tem teto! Pior ainda, não dá para colocar um teto! Bem pior ainda, o que os americanos não conseguem fazer em 15 dias, os ingleses fazem em 14, e na grama!! – e só nos últimos anos tinham o teto coberto.

Para mostrar que são espertos, pegaram os seus defeitos e “consertaram” criando outro. Vão deixar as duas semis masculinas no sábado, a final feminina no domingo e a final masculina na 2ª feira! O que, para eles, faz $entido. A ATP reagiu imediatamente chiando e veladamente ameaçando. Para clarificar. Quem realiza o circuito masculino é a ATP, o feminino é a WTA e os Grand Slams é a FIT. E cada um dos Grand Slams tem autonomia para fazer razoavelmente o que querem, sem a ATP e WTA poderem dar uma palavra a respeito. Um “showdown” vem crescendo no horizonte há algum tempo. Uma hora teremos o OK Curral do tênis.

A ATP não que nem ouvir a FIT alongando seus tentáculos para cima de uma nova semana. O que os americanos estão fazendo é muita burrice ou muita esperteza. Escolham, ou o tempo dirá. Eu duvido que essa 2ª feira emplaque ou dure. Os próximos meses vão mostrar muita coisa. Os outros GS podem querer fazer mudanças também. E os tenistas podem querer mudanças ainda mais grave$$.

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domingo, 16 de dezembro de 2012 História | 21:29

Corinthians

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Não sou corintiano. Mas ontem à noite combinei com minha mulher que iríamos acordar e acompanhar a partida do timão ainda na cama. Na verdade, se for pensar bem, sou torcedor do Chelsea. Ou fui, até quando reformaram o estádio, uma das principais razões da minha torcida, e o time foi vendido ao russo Abramovich. Explico.

Desde os anos 70, nas minhas idas a Londres para as quatro semanas de tênis na grama, ficava em Chelsea, um bairro que tem bastante ver comigo. Lá na ponta da Fulham Road, exatamente onde ele se torna mais residencial, um lugar totalmente improvável, ficava o antigo estádio Stanford Bridge.

O que mais me encantava então era exatamente o que mais desencantava os torcedores londrinos. O estádio andava bem capenga, boa parte das arquibancadas de madeira, com um ar retro remetendo aos bons e velhos tempos. A situação do clube era crítica e boa parte por conta da tentativa de reconstrução do estádio. Não vou contar tudo aqui porque é uma história longa. Basta dizer que o clube quebrou, perdeu o estádio para os “especuladores imobiliários”, um presidente conseguiu fazer uma mágica de pegá-lo de volta, mas no final teve que entregar o clube ao russo, que hoje é dono do clube, mas não do estádio, que é de uma entidade sem lucro e donos.

Eu adorava ir lá uma vez por ano assistir um jogo e passar pela lojinha mais xuxurrenta que tive oportunidade de entrar e comprar uma camiseta azul. A foto abaixo dá ideia da loja – uns 30 metros atrás da fileira das casas geminadas, após um terreno baldio, se erguia o enorme estádio, quase todo de madeira, uma coisa de louco de se imaginar no meio da cidade. Depois do aumento do estádio ainda voltei lá uma vez, achei horrível, o que não era realmente, mas depois que o russo comprou o time nunca mais voltei. Mas se me perguntar para qual time torço na Inglaterra ainda penso duas vezes.

Apesar de não ser corintiano, como anunciei logo de cara, bastou um ataque do Chelsea na direção do herói Cassio, mais uma improbabilidade na história, para meu coração saber que hoje a minha torcida era incontestavelmente corintiana. Mais do que isso, brasileira.

Analisando a vitória alvinegra fiquei feliz em constatar que a vitória foi conseguida na melhor tradição corintiana, de muita luta, garra e disposição, nem tanta firula e sobras de talento, e, principalmente, sob o olhar e a torcida do “bando de loucos” que foi ao outro lado do mundo conferir uma oportunidade única, pelo menos até hoje.

Gosto de pensar que boa parte do sucesso dessa empreitada se deve ao gaúcho Tite, que soube acomodar a sofisticação de seu ensinar ao feitio do time paulistano. Soube prepará-lo para bater um time que custou mais de 20 vezes que o dele. Mas o tamanho do coração do adversário não condizia com o tamanho dos salários – e isso não tem preço. De certa forma, aquilo ainda é um bando de mercenários jogando pelo maior salário, pago por um cara que tem, para dizer por baixo, um passado nebuloso. Tite soube equacionar o necessário; da conhecida pressão corintiana que já acabou com tantos de seus sonhos, passando pelo amarrado desenho tático que o time vem mostrando há tempos, e culminando pela motivação do tamanho sob medida para o Corinthians e sua torcida.

Para mim hoje Tite é o melhor técnico do Brasil – e sou contra esse tipo de categorização. Mas sabe ser elegante, de mais de uma maneira, e de muitas a mais do que o Luxemburgo tenta ser com seus bem cortados ternos. Melhor motivador do que o fanfarrão Felipão, que boa parte do tempo é óbvio e mais grosso do que deveria. E mostrou ao Murici que não pode deixar um time sob sua tutela entrar em campo levantando a asinha para o adversário se acomodar como o Santos fez na ultima final do mundial, contra o Barcelona, um dia que deu raiva de torcer para um time que se curvou antes mesmo da batalha começar. Se o Chelsea não é o Barcelona, o Corinthians é um time que foi ao Japão com um único resultado em seus planos e convenceu mais de 20 mil a compartilharem, in loco, desse sonho. Como é que eu ia torcer pros caras de azul? Never!

A lojinha do Chelsea.

Uma das lojonas do Coringão.


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 História, Minhas aventuras | 12:04

Referências

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O tempo passa e as referencias mudam. Leio que o pai da Norah Jones morreu ontem em San Diego. Para o pessoal de minha geração a notícia leria que Ravi Shankar morreu aos 92 anos. Para quem não conhece nem um nem outro sugiro um pouco mais de educação musical. No caso de Norah, cantora com nove Grammys em um gostoso estilo fusion de jazz, pop e country com uma interessante incursão como atriz no filme Blueberry Nights.

No caso de Ravi Shankar é preciso gostar de música hindu e ter um pézinho nos anos sessenta. Curtir os Beatles é um must, já que foi ele que inspirou e ensinou George Harrison tocar a cítara, ouvida em músicas dos FabFour como Norwegian Wood e Within and without you entre outras.

Tinha uma época que eu adorava colocar seus discos, isso antes dos CDs, deitar e me perder na viagem sideral proporcionada pelo casamento das intricadas harmonias e melodias da cítara com os sons hipnotizantes da tambura e o alucinante batuque da tabla. Hoje que tenho disponível os CDs e os magníficos estéreos não o ouço tanto e quando ouço é de música de fundo – preciso rever urgentemente alguns de meus hábitos atuais.

Lembro que no meio dos anos 70 Shankar esteve em São Paulo e tocou no Teatro Municipal. Carreguei o Felipe Tavares, o mesmo que na semana passada organizou o evento Federer, para o Municipal, onde sentamos na primeira fileira das poltronas vermelhas. Foi uma experiência.

A música de Ravi influenciou mais do que suas filhas. Dos Beatles a John Coltrane, que deu a seu filho o nome do mestre hindu, o que, considerando as influencias e a influencia de Coltrane não é pouco.

O estilo Norah não foi influenciado nem de longe pelo pai, com quem, leio, tinha uma relação distante e tumultuada, apesar de que a genética ajudou. Ravi tem uma segunda filha música, Anoushka, que toca o mesmo dificílimo instrumento do pai e hoje é concertista internacional.

Tenho no meu ipod tanto o pai como a filha. Já sei o que vou fazer nas próximas tórridas noites em que preciso deixar as janelas abertas para que um pouco de brisa me permita parar de transpirar, acalmar o corpo e relaxar a mente. Vou colocar uma raga e checar a quanto anda minha sensibilidade musical.

Shankar no famoso Festival de Monterey de 1967

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012 História, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:53

Memórias de um privilégio

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Tivemos outros grandes eventos de tênis em São Paulo que, infelizmente, se dispersaram na memória e na história, sempre mal mantida de nosso esporte. Nos anos setenta, o mesmo Ibirapuera foi invadido pelo circuito WCT que arregimentava a nata do tênis clássico de então, bancado por um milionário texano. O evento, oficial, não uma exibição, trouxe a São Paulo nomes como Rod Laver, Roy Emerson, Arthur Ashe, Bjorn Borg e muitos outros.

Já nos anos oitenta, novamente no Ibira, tivemos uma super exibição/competição com nomes como Ivan Lendl, Jan Kodes, Ilie Nastase, Gene Mayer entre outros, e os brasileiros Kock e Kirmayr jogando um evento que reuniu na final Lendl e Nastase, dois megas campeões. Através dos tempos, torneios como o Grand Smash Cup, um outro com a presença de Maria Esther Bueno, exibições com Gustavo Kuerten, apesar de lotar o mesmo inevitável local não tiveram o mesmo impacto.

Nada disso se compara com esta semana de Roger Federer. São outros tempos, o tênis está nas TVs e na internet, e os grandes ídolos atuais não são só de tenistas, mas da enorme legião de sofasistas. O cara conseguiu ofuscar a presença de Maria Sharapova, Serena Williams, Azarenka e Tsonga. É muito brilho. Lógico que as cartas foram dadas para o jogo ser assim. Mas o suíço fez sua parte, e muito bem, atuando como uma verdadeira mega estrela, esbanjando carisma, qualidade primordial para quem quer brilhar nos dias de TV e internet, disponibilizando simpatia para um povo que enxerga nisso uma inquestionável qualidade. Porém, mais importante, na hora da onça beber água matou a cobra e mostrou o pau. Ou seja, o que ele fez na quadra do Ibirapuera nunca mais será esquecido, nem repetido.

O meu massagista, que nunca jogou nem acompanha, assistiu um pouco pela TV, como muitos o fizeram em um domingão que só assiste o Faustão quem não tem mais nada para fazer na vida. Sabe o que mais o impressionou? “O cara faz aquilo parecer muito fácil enquanto o outro se matava em quadra”. Essa a mística de Roger – ele faz esse dificílimo esporte parecer fácil. Tanto na parte técnica, no executar dos golpes, plásticos e virtuosos, como no aspecto físico, fazendo com que oponentes pareçam transformers se movimentando pela quadra, enquanto ele lembra um Nureiev dançando no espaço.

Eu venho batendo há tempos na tecla que temos que aproveitar Federer enquanto está por aí, jogando seu melhor tênis. Felizmente foi o que aconteceu. Imaginou se o cara só aparece por aqui capengando, sem fôlego, errando tudo, total fim de carreira?

Federer apareceu por aqui jogando muito e mais um pouco. E aí mostrou mais uma vez seu enorme talento. Como outros, e outras, está no meio das férias, dias antes postou uma foto sua enterrado nas areias de uma praia, fora de ritmo e, consequenteente, sem a mesma força. Você notou? É só lembrar das dificuldades que Serena e Azarenka mostraram em quadra em um joguinho de dar dó. Federer parecia um cavalo árabe nas pontas dos cascos.

Pior, ou melhor, ainda, se deu ao luxo de mesclar o bom de uma exibição com o bom da competição. Não fez corpo mole, pois sabe que todos perceberiam. Se jogou mal em algum momento foi no início do 3º set com Bellucci – e aí deixo em aberto sobre a magnanimidade do rapaz. Mas jogou com um desprendimento que, infelizmente, as competições não permitem, o que fez com se atrevesse a coisas em situações de jogo que simplesmente não se faz. E um Federer desprendido e ao mesmo tempo com vontade de impressionar é algo que os deuses só permitem em ocasiões raras. Sim fomos privilegiadíssimos nesse sentido – duvido que se viu, ou se virá, Roger nas mesmas circunstâncias e com o mesmo resultado.

Todos que assistiram – in loco muito melhor – terão momentos inesquecíveis para contar a seus netinhos. Alguns serão unanimes. Vários inundam minha memória. A minha já elegeu a sua e para isso terei que descartar uma passada de direita na corrida contra Tsonga que abalou as estruturas do estádio e fez o Mestre flexeonar os músculos como Hulk.

Fico com Tsonga sacando, e não é qualquer sacador, e Roger aproveitando três segundos saques, no lado da vantagem, para fugir para o corredor, se arremessar no ar como se tivesse molas nos pés, indo em duas ocasiões para uma direita na diagonal e outra na paralela, com toda a velocidade permitida para uma bolinha de tênis, utilizando a munheca como se fosse uma catapulta romana, se arremessando sobre o golpe com um desprendimento que liberou em nós os nossos medos de errar, inspirando o mais cru dos pangas, e nos fazendo sonhar que tudo é possível, esta a verdadeira missão do artista. Só espero que Deus seja magnânimo e nunca apague da minha memória todas essas imagens pelas quais esperei uma vida de tenista. E se alguém encontrar as imagens acima na internet que seja generoso e divida conosco.

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