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Arquivo da Categoria História

terça-feira, 20 de maio de 2014 História, Minhas aventuras, Roland Garros, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:34

Roland Garros 2014

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Arquivei a ambiçao de contar quantas vezes fui a Roland Garros. Provavelmente mais do que a maioria dos meus leitores tem de anos de vida. Provavelmente mais do que a qualquer outro Grand Slam, mas nao muito, já que meus compromissos de entao nao se resumiam a ele. Confesso que a minha atual ida ao Aberto da França, embarco amanha para Paris, tem outros componentes que, com o passar do tempo e as mudanças de foco em minha vida, foram adquirindo, com a minha mais feliz permissao, mais e mais importância. Se antes eu ia para Roland Garros e Paris era somente o local do evento, hoje vou a Paris e aproveito para curtir Roland Garros.

O evento mudou muito nos últimos anos. Infelizmente nem tudo para melhor. Temos mais estádios, o que acolhe um publico bem maior. Porém essa é também a razao do enorme desconforto de se acompanhar o evento em suas quadras secundárias.

Antigamente, o melhor programa, esse sempre foi minha indicaçao aos amigos e fas, era acompanhar a primeira semana do torneio nas quadras secundárias. Na segunda semana, os jogos eram mais focados nas quadras principais, ainda com o bônus do evento juvenil nas secundárias, algo imprescindível.

Como na primeira semana acontecem vários jogos inexpressivos nas principais quadras – a Central, S. Lenglen e Quadra 1 – o pessoal que tem ingressos para elas debandam para as quadras secundárias que é onde o bicho pega. Sao potencialmente mais de 25mil pessoas para quadras com arquibancadas mínimas. Como nao cabem todos, temos filas ou simplesmente desistimos. Um inferno.

Os organizadores tentam acertar o desejo do público colocando nas quadras principais os tenistas locais e os favoritos. Agora, quem vai querer assistir mais um massacre da Serena ou o Gilles Simon empurrando bolinha para o outro lado? Nem de graça. Por isso, nos primeiros dias a Central e S. Lenglen tem mais o pessoal que nao necessariamente gosta de tênis e sim de um buxixo, quem quer conhecer a quadra, fanáticos franceses ou grandes fas da Serena e do Simon. Enquanto isso, lá nas outras inúmeras quadras tem aqueles pegapracapar que acontecem nas primeiras rodadas dos Slams, jogos resolvidos em 5 sets dramáticos disputados por tenistas de padrao internacional, que fazem a cabeça e o coração dos fas do tênis. Alí está a essência de Roland Garros O duro é conseguir um assento.

Quinze a vinte anos atrás era mais tranquilo. Eu podia sentar na Quadra 6, assistir dois sets de um jogao, sem um fulano metendo o joelho nas minhas costas ou eu esfolando o meu no assento plástico da frente, levantar, caminhar à alameda de acesso, pegar um hot dog e um sorvetao, voltar para o meu lugar e fazer a maior festa com meu lanchinho. Hoje, se levanto, adieu. Por isso, cuidado até com o xixi.

Mas o evento tem inúmeras qualidades, foram feitos alguns investimentos que ajudaram a vida do público, as inigualáveis partidas no saibro e a possibilidade de acompanhar partidaças a poucos metros dos tenistas – desde que nas quadras secundárias. Mas, para mim, cada dia mais o grande charme do evento, e que sempre foi um tremendo diferencial, é o fato de acontecer em Paris.

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terça-feira, 13 de maio de 2014 História, Masters 1000, Rafael Nadal, Roland Garros, Sem categoria | 16:57

Frustrati

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Imagino que os italianos sejam tao frustrado quanto os franceses como fas do tênis. E ambos mais do que os brasileiros – e nós sabemos o quanto somos.

Por que estou mexendo nessa angustia? Ontem quatro italianos jogaram na primeira rodada de Roma, incluindo o MalaFognini. Três deles perderam – o que ganhou bateu um dos outros três! Um péssimo dia para o orgulho romano, especialmente naquele imperial local construído pelo baixinho careca.

Os romanos devem ter uma saudades danada do Adriano Panatta, o maior jogador italiano desde Nicola Pietrangeli, que foi maior do que o Adriano e de quem deve ter saudades maiores. Este era um talento, dono de um tênis fácil, vistoso, agressivo, esqwuerda fácil e bonita, direita continental; vivia na rede, mesmo no saibro, seu melhor piso. Teve o azar de ser contemporâneo do Bjorn Borg (6×9), o que foi o mesmo que ser hoje contemporâneo do Rafa na terra vermelha. Seus confrontos com Borg sao lendários, até pelo confronto de estilos. No Foro Italico se enfrentaram uma vez em 1978, uma final memorável com vitória do sueco no 5o set, com o público indo à loucura e Borg, que disse ao juiz que se lhe atirassem mais uma moeda na cabeça sairia da quadra. Nao atiraram, ficou e ganhou. Em compensação, Panatta foi o único tenista a bater Borg em Roland Garros, em 1974 e 1976, quando ganhou o título e também, duas semanas antes, o Aberto de Roma, para o ultimo delírio dos romanos que torcem como nenhum outro público na Europa.

Mas esses bons tempos romanos acabaram e de lá pra cá os italianos nao tiveram mais ninguém sequer na final de Roma – duvido que o tal Fognini venha a ser esse cara. E hoje, ainda 3a feira, com as derrotas do Seppi e do Bolelli, nao sobra um paisano na chave para contar a história.

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quarta-feira, 19 de março de 2014 História, Tênis Masculino | 17:18

Nenhuma surpresa

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A parceria Andy Murray e Ivan Lendl sempre me pareceu que teria um prazo de validade deveras curto, algo que enxergo também na de Becker com Djokovic. Era algo mais na linha de ambos terem razoes imediatas e de curto prazo do que uma parceria que visava a solidificaçao de carreiras; a de tenista de Murray e a de técnico de Lendl.

Além disso, temos ali um caso de duas pessoas de gênios e humores difíceis, personalidades nada agregadoras e individualistas ao extremo, como quase todo os tenistas, mas algo que Lendl aprimorou com zelo.

A simpática dupla teve seu grande momento quando Murray, finalmente, venceu Wimbledon no ano passado. Mas após essa vitória, que ficará marcada na história do tênis britânico – é só lembrar de Fred Perry – Murray se decidiu por uma cirurgia nas costas, por algo que lhe incomodava desde o início do ano.

Murray começou o ano afirmando que nao sabia quando voltaria a jogar seu melhor tênis. Estamos em Março, a temporada pegando fogo e até agora nao conseguiu deslanchar – sem contar as derrotas inesperadas.
E quando se começa a perder, em um ambiente de cabeças duras, algumas vao rolar.

Nas ultimas semanas Lendl competiu algumas vezes no circuito dos veteranos. Ele ficou 14 anos afastado do tênis, afirmando que era por conta de dores nas costas. Talvez. Em 2010 jogou alguns poucos eventos e começou a fazer eventos tenisticos – as exibiçoes de tenis no Madison Square Garden como Sampras x Federer. O fato é que estava mais ligado no golfe e ninguém no tênis o queria por perto. Quando Murray o chamou ele topou, sabendo que voltaria nao só ao circuito como, principalmente, aos noticiarios e isso o tiraria do ostracismo – funcionou.

Hoje qualquer jovem sabe quem é Ivan Lendl e ele tem, novamente, seu nome associado ao sucesso. Ele, que nunca foi o cara mais paciente ou simpático, nem primava pelo esforço de socializar, preferindo sempre a ironia e o sarcasmo com seus amigos de vestiário, talvez tenha chegado à conclusao que nao precisa mais aguentar o humor de alguem tao semelhante nos atributos emocionais. Além disso, a grande história parceria Murray/Lendl já foi escrita. O checo avisou que chegou a hora de priorizar seus projetos e pulou fora. Mas, comme il faut, sem causar nenhuma estranheza ou mal estar. Murray diz que vai pensar bem sua próxima escolha.

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 História, Tênis Masculino | 09:57

Servio, croata, eslovaco e alemao.

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O final do ano está mais agitado do que o normal no que diz respeito a mudanças de técnicos pelos tenistas. Fui tomando conhecimento aos poucos da dança das cadeiras. O agito foi desde Thomas Bellucci – e aí nao há muita surpresa – a Maria Sharapova, quem nao se pode afirmar que nos ultimos tempos nao tem sido muito fiel – deve ser seu o recorde de despedir o técnico após uma única partida. Aliás, a moça fez um mea culpa, ao divulgar o novo técnico, quando falou que “impossível”, para nao usar outra palavra, e em crise na época em que despediu Jimmy Connors, uma cara que foi bem mais tenista do que ela, e também um mala ainda maior, e que passou por uma tremenda humilhaçao no episódio.

Outros tenistas, até Gasquet, (um pouco de sarcasmo aqui) mudaram de técnico, isso sem mencionar Federer, que mandou o seu andar pouco antes do término da temporada e, dizem, vem aí com novidades a respeito – fico pensando a que altura anda o amor próprio do amigao Severine. Mas a de maior impacto apareceu nesta quarta, quando El Djoko anunciou que Marian Vajda sai de títular da posiçao e entra, e este uma supresa e um achado, Boris Becker.

Vajda, um tenista eslovaco, sai, mas nao de vez. Ainda vai acompanhar el Djoko em quatro torneios ?? – Indian Wells, Madrid, Toronto e Pequim – quase que um em cada continente e época do ano, quando Becker nao estará presente. Confesso que peco em nao ver nenhum tipo de lógica na escolha a nao ser “de vez em quando, bem esparso, você vem”. O alemao estará no camarote do servio em 12 eventos, incluindo os 4 Slams, o que deve acrescentar ainda mais à adrenalina do local. Apesar de que Becker, mercurial em quadra, fora dela gosta de aparentar seu lado mais “cara de poker”, há tempos seu esporte favorito – voce nunca viu Becker se confratenizando e jogando exibiçoes com seus antigos colegas de profissao. O alemao tem sérias encrencas com a ATP, algo que deve tê-lo aproximado de Novak, outro que anda metendo a boca na ATP por conta do affair Troicky – e aí vocês podem apostar que foi uma decisao bem politica da FIT – Djoko também criticara a FIT na final da Davis – ao anunciar o título de “tenista do ano” ao sérvio esta semana, deixando Nadal em segundo.

Nao sei bem qual o raciocínio em ter um técnico em quatro torneios e outro em doze. Mas fica claro que o cara agora é Becker – pelo menos até segunda ordem. No passado Djoko já havia trazido Todd Martin para mudanças, algo que no curto prazo foi um fracasso – fica difícil de afirmar se seu sucesso posterior teve a ver com mudanças propostas pelo americano. Becker nunca trabalhou como técnico e resta ver como será o relacionamento com o time e o próprio Djoko. O alemao é um cara extremamente charmoso, inteligente e do tipo que faz só o que sua cabeça manda; mas nao o vejo tendo o mesmo espírito de “time fechado” do resto do pessoal de Novak, algo que sempre creditei como uma das forças do Djokovic. Além disso, passa longe do perfil encolhido de Vajda, que deixava todas os holofotes sobre Novak, algo que nao será, nem de muito longe, o perfil de Becker, que vai adorar o banho de mídia.

Vajda foi obrigado a dizer que “Novak precisava de um novo técnico para continuar a melhorar certas áreas de seu jogo” ao mesmo tempo que ele, Vajda, terá mais tempo com a família. Sao oito anos de trabalho da dupla. Nao custa lembrar que ambos se conheceram na Alemanha, para onde Djoko foi quando começaram as cair as bombas em Belgrado. Lá Novak foi treinar na academia de Nicki Pilic (aonde trabalhava Vajda), um croata que liderou o time servio quando do título da Copa Davis e que foi capitao do time da Alemanha na época de Becker, inclusive quando da vitória do Brasil sobre eles no Rio de Janeiro. Pilic tem a distinçao de vencer a Copa Davis como capitao por três países: Alemanha (3 vezes) Croácia (2005) e Sérvia (2010), para quem serve como conselheiro na Davis desde 2007. E nao duvido nada que a contrataçao de Becker tenha seu dedo, assim como ele deve ter sido o primeiro a ser procurado para o emprego – mas aos 74 anos e com a academia em Munique nao deve nem querer ouvir falar do assunto.

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domingo, 27 de outubro de 2013 História, Sem categoria, Tênis Masculino | 21:56

Wild Side

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Imagino que todos, pelo menos da minha geraçao, tiveram seu momento Lou Reed. Tive mais de um, especialmente por conta do fato que Transformer, por favor nao confundam com o filme idiota onde só se salvam as heroínasé um dos meus discos favoritos, assim como de minha irma Vera. É o “nosso” disco.

Nao lembro como começou, suponho que tenha a ver com uma quinzena que passamos juntos na Ilhabela no início dos anos setenta, época em que o disco foi lançado. Sempre que temos um momento, ela gosta de me dizer para “take a walk on the wild side”. Acho que dei bem mais de um.

Teve uma outra vez, já no final dos anos setenta, na companhia do meu amigo Carlos Kirmayr, que esta semana está na França com sua tenista Paulinha Gonçalves, em que chegamos a Los Angeles no início da noite. Estávamos a caminho de St Barbara e San Jose para um torneio após alugarmos um carro.

Subindo a Santa Monica Boulevard passamos pelo Troubador. Quem nao conhece ou ouviu falar do lugar nao conhece a história do rock and roll. Um local sem grandes pretensoes arquitetonicas que marcou época, muitas épocas, apresentando artistas desconhecidos para o publico do sul da Califórnia, de Elton John, Lenny Bruce e Neil Young, a Eagles, James Taylor e Jony Mitchel, passando por praticamente todo mundo do rock antes de se tornarem famosos e serem condenados a tocar em arenas. No Troubador cabiam no máximo uma 400 pessoas, local parecido com o Bourbon Street em Sao Paulo, o que dava outra dimensao ao show e, especialmente à musica.

Naquela noite, a idéia era chegar em St Barbara e pernoitar na casa de amigos. Mas imprevistos acontecem. Na marquise do Troubador estavam os nomes de Lou Reed e Ian Dury – este eu duvido que conheçam. Sem nenhuma hesitaçao demos meia volta – a famosa e proibida U Turn – a fomos fazer nosso jantar por lá mesmo. Infelizmente, o show de Reed nao estava lá essa coisa – imagino que um artista como ele tenha seus dias ruins também; nao é isso que acontece com Roger Federer? Mas o de Ian Dury e seus Blockheads mais do que compensaram e nos deixaram tao extasiados que acabamos por pernoitar em LA. Nao importa.

Transformer é um dos meus discos favoritos ever e sei a letra de todas suas músicas – de Vicious e Satallite of Love, a Hanging Around e Walk on Wild Side. Reed dedicou sua carreira a andar no lado selvagem da vida, quebrar barreiras e mostrar alternativas – desde os tempos do Velvet Underground. A ultima coisa que vi dele foi um show/documentário com Metallica – uma parceria improvável – cujo baterista é filho de uma famoso, e pra lá de excêntrico, tenista dinamarquês. Lou era casado com Laurie Anderson, outra que nao percorreu exatamente o caminho do óbvio na música.

Escrevo sobre Reed no dia de sua morte e também da final da Basiléia. E o que os dois eventos tem em comum? Nao muito, a nao ser as coisas que minha mente conecta independente de minha vontade. O jogo foi interessante, com Del Potro mais uma vez subjugando o Bonitao Federer -e novamente na casa do oponente, a pior das ofensas.

Quando quis, o suíço usou do slice para silenciar um pouco a artilharia do oponente argentino. Quando nao quis e preferiu o jogo franco e aberto, evidenciou, mais uma vez, que o tempo é implacável. Com todos, cantaria Reed.

Minha mulher adora assistir a cerimônia de premiaçao. Eu havia feito meus exercícios com o sol a pino, passado quase 45 minutos dentro dágua com mais exercícios, almoçado um franguinho e legumes nos trinques, e acompanhara a partida me deliciando com uma salada de frutas divina. O jogo me mantivera acordado, apesar da insistência do Topetudo perder o saque no primeiro game de um set e isso acabar lhe custando a partida. Sim, antigamente ele encontrava uma maneira de escapar, hoje em dia morre na praia. O mundo é cruel, afirmaria Reed.

Com os olhos pesando cada vez mais, ainda tive tempo de me emocionar com a longa salva de palmas que os vizinhos de Roger o presentearam quando recebeu seu prêmio de vice – muito elegante, emocionante e contido. Resmunguei para minha mulher – está cheio de suíço ali. Nenhum mais suíço que El Boniton, que nao piscou, apesar da insistência do narrador em colocar lágrimas em seus olhos, mas acusou, humilde e silenciosamete, a homenagem. Melhor ainda foi a tradiçao dos finalistas em distribuir medalhas a todos pegadores de bolas do torneio – imagino que o momento trouxe interessante memórias ao Ubbercampeao, que por ali também recolheu suas bolinhas quando garoto. O que mais me chamou a atençao foi a emoçao bem administrada da garotada, enquanto Delpo e Federer lhes penduravam a prata no pescoço. Nenhum deles perdeu o perfilar, tal qual uma mirim guarda suíça, nunca tirando a mao esquerda de trás das costas – a direita só abandonava as costas para cumprimentar o tenista – e o olhar adiante. O mundo deles e de Lou Reed nao poderiam ser mais distantes. No entanto, ambos me emocionam.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013 História, Tênis Masculino | 20:02

Prioridades

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A maior novidade da semana é Rafael Nadal voltar ao topo do ranking mundial, de onde saiu em Julho 2011. Já era esperado e era uma das prioridades do espanhol. O outro lado da moeda é que existe uma chance, não tão remota, de que Roger Federer fique fora do Masters de Londres.

Esta semana Nadal joga em Xangai e tenta ser o 1º tenista, a vencer seis Masters1000 em uma temporada. É bom lembrar que esse negócio de Masters 1000 já mudou mais de nome e de torneios do que eu de canal com o controle na mão. Este ano ele está com 29 vitórias e uma única derrota nos Masters1000. Não dá para colocar um adjetivo nisso, mas explica porque de ele voltar ao topo do ranking. Além disso, venceu dois de quatro Grand Slams. Ainda acho que os cinco títulos de seis nos Masters 1000 são mais impressivos. Em Julho, o falastrão Ivan Lendl dizia, para quem quisesse ouvir, que o pupilo MalaMurray era o melhor da temporada. Sei.

Federer, com 3055 pontos, caiu para 7# do ranking. Seu companheiro Wawkinka (2970), os franceses Gasquet(2950) e Tsonga(2650) e Raonic ( (2680) estão em seu cangote. O suíço se classificou pata todos os Masters Cup (outro evento que muda de nome adoidado) desde 2002. Imagino que ficar de fora deste ano estragaria as férias do Bonitão. Eu sei que o rapaz não deve mais ter grandes sonhos de voltar a ser #1 do mundo – se perguntarem ele dirá que sim – mas também não deve fazer parte, ainda, de seus planos de sair da matilha dos cachorrões.

Ontem ele declarou que está voltando à forma. Não duvido que jogue bem em Xangai – os chineses o adoram e a quadra por lá é sempre rápida, o que lhe ajuda bastante. Mas o fato de aceitar jogar duplas com o chinês Ze Zhang, atual #271 em simples e #438 em duplas, diz claramente que as prioridades do topetão estão mudando. Ao mesmo tempo em que não é difícil pensar que os chinas podem ter-lhe dado um pato de Xangai estufado de verdinhas para tal condescendência, Roger pode simplesmente estar abraçando com mais fervor a causa de embaixador do tênis mundo afora. E esse tipo de ação pode fazer maravilhas pelo esporte e os tenistas quando estão priorizando os resultados tendem a ficar longe delas. Vamos ver o que mais virá pela frente.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:47

E a pimenta?

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O assunto já foi tema de mais de um dos meus Posts. Nos comentários na TV eram ainda mais frequentes. Imagino que qualquer pessoa que acompanhou o tênis nas ultimas décadas deve pensar da mesma forma.

O tema virou assunto novamente por conta de recente artigo escrito por Pat Cash para um jornal. Cash, australiano que venceu Wimbledom era um tenista quase que exclusivamente de saque/voleio. Sempre flertou com a contra mão – dentro e fora das quadras, durante e após a carreira. Sempre foi visto como um crítico. Às vezes sem razão, às vezes com.

Com todo o tato que os anos lhe concederam, ele agora critica a homogeneização do tênis, salientando que jogadores como Nadal e Djokovic têm, no entanto, inúmeros méritos – físicos, técnicos e mentais. Porém, apresentam um tênis unidimensional, sem nuances, colado no fundo da quadra.

Não sei mais onde as palavras de Cash terminam e onde começam as minhas, já que vemos a mesma coisa, sem que o assunto me incomode tanto quanto a ele.

O tênis mudou muito nos últimos anos. Essa mudança maior começou, como já escrevi e falei inúmeras vezes, com a parceria de Mark Miles, como presidente executivo da ATP e o tenista Alex Corretja, como presidente da ATP.

Na época, o tênis beirava o precipício do ponto decidido em uma ou duas bolas. O saque era o grande diferencial e o Tênis era um jogo de muito saque, muitas devoluções, certas ou erradas, poucos voleios e quase nada mais, durante boa parte da temporada, com exceção da temporada sobre o saibro. Era a dominância da cultura tenistica americana. Corretja foi o primeiro presidente fora da área de influencia dos americanos e o pessoal de fora tinha suas próprias ideias sobre o circuito há anos.

A partir dessa parceria o tênis toma outra forma. Os pisos são equalizados para serem mais lentos. As quadras de carpete começam a sumir do circuito. São substituídas, quando no circuito indoors, que ia de Setembro a Abril na Europa e EUA, por pisos semelhantes aos já mais lentos pisos duros. Isso foi minando o reinado dos sacadores/voleadores e homogeneizando o tênis.

Ao mesmo tempo, os tenistas ficam mais fortes e, principalmente, mais rápidos, cobrindo melhor o fundo da quadra. Os golpes de fundo vão ficando mais técnicos e muito melhores, a esquerda com as duas mãos vira quase que padrão, dá qualidade ao contra ataque, dificultando a vida do voleador.  As raquetes e os encordoamentos facilitam a vida dos tenistas desse estilo. Isso faz com os tenistas que estão sendo formados foquem seus arsenais no jogo de fundo, sacrificando o de rede. Tornam-se “cegos” junto à rede. Os singlistas jogam menos e menos duplas e tem cada vez menos contato com a rede e os voleios. E, quando jogam, vários, como, por exemplo, Nadal, sacam e ficam atrás. Em pouco mais que uma década o tênis mudou radicalmente.

Hoje o padrão são Nadal, Djokovic, Murray etc. Federer, por outro lado, era um verdadeiro “all around”, sem dúvida a razão maior de ser tão querido por quem acompanha o tênis a mais tempo. No entanto, para sobreviver, teve que se adaptar. É só entrar no You Tube e assistir a vitória dele sobre Sampras em Wimbledon, o canto do cisne do Tênis multifacetado. Nadal, Djoko etc nem em sonhos podem ter uma vitória como aquela.

Ficou chato? Eu não diria isso. Ficou menos interessante? Não necessáriamente. Ficou menos emocionante. Não.

Mas, eu digo, sem pestanejar, falta algo. Falta alma. Falta variação, a pimenta.  Falta a essência do tênis, que é o que o voleio sempre foi, até porque foi criado para jogar na grama, onde o quique é péssimo. O melhor cenário seria a volta da cultura do voleio, sem perder o que se melhorou e se ganhou no fundo da quadra. Um tenista mais completo, que pudesse ir à rede com mais frequência e sem temores. Até porque seria melhor voleador do que se vê por aí. Imaginem os confrontos de estilos dentro de uma mesma partida.

Tenistas que investissem e, consequentemente, melhorassem o jogo de rede, para chegar aos padrões atuais do fundo de quadra. Tenistas que desenvolvessem o instinto de para aonde vai a passada e desenvolvessem a “mão” para acariciar uma bola junto à rede, com um Stepanek, um dos últimos moicanos, sabe fazer – talvez a razão de seu sucesso com as tenistas(atualmente está namorando a Kvitova).

Hoje os caras deixam passar bolas que a minha avó não deixaria passar, simplesmente porque não acreditam que possam colocar a raquete. Talvez pior; tenham receio de colocar e não saber o que fazer. Ao primeiro erro se acovardam e só voltam naquela direção para trocar de lado.  Aquele Isner é um aborto da natureza; tem mais de 2m, não sabe volear e as bolas passam por ele como se não tivesse envergadura ou reflexo junto à rede. Imaginem se soubesse.

Deixo aqui a mensagem. O tenista do futuro, se Deus for benevolente com os fãs do esporte dos reis, será rápido, veloz e ágil junto à rede, como hoje o são no fundo da quadra. Poderá até ser alto, mas não um poste. Terá voleios na mesma qualidade dos atuais golpes de fundo – e eles nunca foram tão bons na história do tênis. Saberá equilibrar o uso de ambas as qualidades para formar um atleta mais denso, rico, empolgante, surpreendente, emocionante. Eu mereço ser feliz.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013 História, Sem categoria, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 12:52

A batalha dos sexos

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Caros leitores. Viajo hoje para celebrar o especial aniversário da amada e volto a Sao Paulo no início da próxima semana. Sem acesso à internet. Deixo aqui um texto pescado das antigas sobre a história da mulher que empresta seu nome ao complexo do U.S. Open e, talvez, o maior ícone do Tênis, entre homens e mulheres. Por que? Talvez o texto ajude a esclarecer. Ficarei muito contente em vê-los na volta, a partir  do dia 16 e mais ainda se colocarem comentários que acrescentem ao debate do nosso esporte. absss

A primeira coisa que ela faz a cada manhã é agradecer a Deus por estar viva e por ter vencido aquele jogo em 1973. Por estar vivo qualquer um agradece, mas pode uma partida de tênis ser assim importante? Se você for Billie Jean King e a partida a que mudou o rumo do esporte para sempre, além de ser o acontecimento que mais exposição positiva deu à luta das mulheres por direitos iguais, então vale. A partida aconteceu no Astrodome de Houston, na frente de 31 mil pessoas, o maior público da história do tênis. De um lado, Billie Jean, na época a segunda tenista do mundo, e a mais árdua defensora dos direitos femininos, dentro e fora das quadras. Do outro lado, o veterano Bobby Riggs, auto proclamado “o rei dos porcos chauvinistas”. Em linguagem atual, a Joana D’Arc dos politicamente corretos e o déspota dos politicamente incorretos.

Riggs vencera Wimbledon e o Aberto dos EUA em 1939 e, aos 55 anos, se especializara em tirar dinheiro de amadores delirantes nos luxuosos clubes da Califórnia. Ele começou a confusão ao declarar que o tênis feminino era tão medíocre que a melhor do mundo não poderia bater um veterano como ele. Desafiou a australiana Margareth Court para uma partida a ser realizada no Dia das Mães. Para o horror das mulheres, Margareth tremeu mais do que vara verde e foi destruída em um humilhante 6/2 6/1. A desonra colocou Riggs na capa da revista Time e abriu a porta para uma mudança de postura de King que, aos 29 anos e 11 títulos no Grand Slam, três no ano anterior e dois ainda por acontecer, declinara o primeiro desafio. Avaliara que uma derrota atrasaria o tênis feminino por 50 anos. A vitória é efêmera, a derrota permanente, diria. Mas, após a derrota de Court, a honra feminina estava em jogo. Billie era mais agressiva, decidida e confiante que a australiana, especialmente quando o assunto era direitos iguais. O bate boca entre os desafiantes ganhou proporções gigantescas pelas circunstâncias de então. O tênis era o esporte do momento, o movimento feminino ganhava ressonância e as mulheres ainda estavam a uma boa distância de terem seus direitos iguais. Os promotores surgiram e foi estipulado um prêmio de U$100 mil – 20 vezes o que ganhava a campeã de Wimbledon na época – indo totalmente para o vencedor.

O que veio a ser conhecido como a Batalha dos Sexos foi vencida por King em três sets seguidos – numa melhor de cinco sets – e televisionada para 37 países, com uma audiência de mais de 50 milhões. Mudou para sempre a vida de Billie Jean e de todos os esportes femininos. Até então, os pleitos igualitários da tenista eram vistos pelo establishment como meras aporrinhações. Uma a uma, suas demandas foram atendidas e estendidas a outros esportes e a diferentes áreas da sociedade. Fundou a WTA, sindicato e atual organizador do tênis feminino e, junto com outras mulheres da época, concretizou o primeiro circuito profissional das mulheres – o Virginia Slims. A menina que um dia foi excluída de uma seção de fotos por um dirigente arrogante, e não são poucos, por estar usando um calção de tênis e não um saiote, teve suas conquistas homenageadas em revistas, livros, filmes e músicas – Billie Jean de Michael Jackson e Philadelphia Freedom de Elton John.

Mas, assim como com Arthur Ashe, que teve seu nome dado ao maior estádio de tênis do mundo, Billie Jean teve seus feitos reconhecidos, ao ter, na semana passada, seu nome dado ao complexo onde é realizado o Aberto dos EUA, por aliar uma impressionante carteira de resultados em quadra, com uma ainda mais impressionante bagagem de conquistas fora delas. A primeira a caracterizou como uma campeã do tênis, a segunda como uma campeã na sociedade.

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domingo, 8 de setembro de 2013 História, Juvenis, Tênis Masculino, US Open | 12:46

Mais do que destino

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Durante décadas os 27 anos eram um padrao do amadurecimento no tênis. Nao só pelo amadurecimento normal que vem com a idade, como tambem pela experiência dos anos de circuito. Nessa idade o tenista parecia, enfim, harmonizar e equilibrar uma série de qualidades de seu arsenal, assim como administrar suas possíveis carências, tanto as técnicas como as emocionais.

O mundo mudou e o mundo do tênis mudou junto. Se antigamente o padrao era o tenista cair na vida após frequentar a universidade, e os casos dos mais precoces eram mais raros, atualmente o circuito abriga tenistas desde a mais tenra idade, nao sendo nenhuma surpresa aqueles que abreviam sua escolaridade para aumentar a dedicaçao exclusiva ao tenis.

Por isso nao me surpreendo com a presença de Gasquet e Wawrinka na semifinais do US Open – ambos deixaram o estudo formal aos 15 anos (ficaram com o estudo à distância). Enquanto meu caro leitor Cambui afirma que suas presenças nas semis é um sinal de fracasso, tanto dos atuais cachorroes que nao confirmam seu favoritismo, como da nova geraçao que nao confirma as expectativas, eu vejo como um caminho natural dentro do esporte.

Wawrinka e Gasquet sao dois tenistas extremamente talentosos que só nos últimos tempos vem confirmando seu potencial. O suíco tem 28 anos e o francês 27. Este, desde a mais tenra idade era um talento enorme e sobre seus ombros foram colocadas enormes expectativas do tênis francês. Eu lembro de ele receber um convite para Roland Garros 2002, ainda com 15 anos, e revista “Tennis” francesa dizendo que ali estava o futuro #1 do mundo – ele era entao o #1 do mundo juvenil.

Wawrinka sempre foi um talento – venceu Roland Garros junior em 2003 – e desde entao compete com seu colega de semifinal quem tem o revés de uma mao mais bonito, e o melhor, do circuito. Gasquet já chegara à semis do um Grand Slam – Wimbledon 2007 – aos 21 anos. Mais a partir dalí, mais uma vez nao conseguiu preencher as expectativas.

Ambos tiveram suas dificuldades emocionais que travaram seu desenvolvimento técnico. O francês sempre sofreu nos momentos importantes de partidas e torneios. Sofria e odiava jogar a Copa Davis, um evento muito emocional. Sua resposta aos estresses a psicologia explica. Assumia o papel do “nao estou nem aí”, assim como vestia a “máscara”, ambas respostas psicológicas de alguém que nao consegue lidar com as expectativas e dar os passos necessários para crescer emocional e tecnicamente.

Wawrinka tinha tambem as questoes dele. Cresceu à sombra do “maior tenista da história”, o que lhe servia tanto de motivaçao e exemplo como de limitaçao. Parecia dizer ao mundo; “até aqui eu vou, a partir daqui é terreno do bonitao”. Nao dá para acreditar que a “decadência” de Federer nao tenha também algo a ver com seu progresso.

Ambos nao caíram de para-quedas nas semifinais. Os resultados dos últimos 12 meses os colocaram entre os top 10, lugar de cachorrao e de gente altamente qualificada para bons resultados nos Grand Slams. O fato de conseguirem “furar” mais uma barreira na atual fase de suas vidas e carreiras só confirma que o amadurecimento do tenista é um fato, especialmente entre os mais talentosos. Os “trabalhadores” tendem a amadurecer antes, ou entao caem no limbo tenistico ou mesmo se frustram e abandonam a carreira. Mas, e essa a beleza do circuito, e da vida, há padroes, mas nao regras incontornáveis. O tênis segue sendo um esporte individualista e o indivíduo segue sendo capaz de escrever e reescrever sua história. E, para esta, nao é o talento que fará a diferença, e sim a sua determinaçao, persistencia e vontade de ser mais forte do que o destino.

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terça-feira, 25 de junho de 2013 História, Porque o Tênis., Wimbledon | 18:11

Rus

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Logo após sua derrota em Wimbledon, Nadal disse que o tênis é um esporte de vitórias, não de derrotas. Fácil para ele falar. A imensa maioria dos profissionais passa a carreira pedendo toda semana, a não ser que ganhe torneios. Não é o lado mais agradável da profisssão.

Mas se Nadal é uma exceção e a regra é do tenista que boa parte do tempo vence algum jogo, mas perde toda semana, existe uma outra exceção à regra – esta bem negativa e de chorar.

Qualquer sofasista que conseguiu desviar seus olhos um pouco além FedererNadal conhece a saga do malamór Spadea. Se não conhece, é porque além de sofasista não conhece muito do tênis profissional.

Agora uma tenista, a gracinha magrelinha holandesa Rus, vive seu inferno astral e caminha a largos passos atrás do recorde do malamór Spadea. A moça, derrotada hoje em Londres, atingiu a vergonhosa marca de 17 derrotas seguidas no circuito. A moça não sabe o que é celebrar desde 19 de Agosto 2012.

Rus, atual #156 – já foi #61 – foi a #1 do mundo como juvenil em 2008, o que nos lembra o que pode acontecer com a confiança de uma hora para a outra. No ano passado ela foi à 4ª rodada de Roland Garros, eliminando Clijsters no caminho.

Nesses meses ela chegou a jogar torneios menores e conseguiu três vitórias, o que, pelo jeito, não ajudou muito. Só uma outra tenista teve tantas derrotas consecutivas; Sandy Collins, nos anos oitenta. Não, você não é um sofasita se nunca ouviu falar dela.

Aliás, o malamór Spadea perdeu 21 partidas consecutivas na AP Tour e não desistiu. Só de curiosidade; o cara que perdeu para ele, imaginem a vergonha, foi outro conhecido malaman, o canadense-britanico Rusedski, jogando na quadra central de Wimbledon com todo mundo vendo. Por 9/7 no 5º set. Se vocês querem saber o que é gozação, e celebração, deveriam ter estado no vestiário aquele dia.

Rus, 17 vezes consecutivas de joelhos. Dói.

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