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Arquivo da Categoria História

quarta-feira, 25 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 10:21

Suando em Ghent

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É óbvio que os horríveis recentes acontecimentos em Paris, e suas repercussões na Bélgica, estarão nas mentes de todos os envolvidos na final da Copa Davis entre a Gra Bretanha e a Bélgica neste final de semana. Os belgas por serem os anfitriões, sabendo que as células que atacaram Paris tinham fortes conexões no país e os britânicos por estarem envolvidos na guerra com o País Islâmico.

Nos bastidores as negociações foram intensas e chegou a ser cogitado no mínimo a mudança de local. Após muita conversa e garantias dos belgas, que montarão um mega esquema de segurança o evento segue. Por alguma sorte ele nao acontece em Bruxelas e sim na charmosa e pequena cidade de Ghent.

Murray foi perguntado e nao se omitiu de responder às questões a respeito. Confessa que é algo que esteve na mente de todo o time nos últimos dias e se realmente final deveria acontecer como programado. Mas acredita que as garantias foram dadas e os britânicos encarregados do assunto, provavelmente incluso as forças de segurança do país, deram o aval e o plano seguiu. Murray, assim como outros membros chegaram a Ghent em vôo particular e tem se restringindo ao hotel e ao local do confronto.

Sao esperados 1000 torcedores britânicos para a final da Davis. E para eles Murray também tinha uma mensagem. Cumpram todas as orientações de segurança oferecidas pelos organizadores e policiais. Acrescentou que ele entenderia se alguns deles decidissem ficar em casa e acompanhar pela TV.

O evento – a Copa Davis – já é tenso per si. Por ser uma final inédita de Copa Davis, fica ainda mais tenso. Sao dois país que caíram ali, pode-se dizer correndo o risco de alguma injustiça, de para quedas. Dificilmente, nas próximas décadas, terão chance igual de vitória. Todos se sentem pressionados pela possibilidade. Os affairs extra quadra colocarao uma pitada extra na mente de todos e irá aumentar a pressão de cada tenista nas partidas.

Só de curiosidade; nos meus tempos de Copa Davis tivemos que enfrentar algumas situações de alguma maneira semelhante. Na Argentina nos anos setenta, chegamos a ser parados na rua por uma blitz do exército, quando nos trataram, pode-se dizer, nada elegantemente. Encanaram com a vasta cabeleira de Carlos Kirmayr e chegamos a ter nosso quarto do hotel invadido pela polícia a procura só eles sabem do que. Em Lima tivemos uma partida interrompida por um estrondo enorme em um prédio próximo que deixou o estádio lotado totalmente mudo – as pessoas nao se mexiam nem falavam, parecia uma missa. Durante toda nossa estadia estivemos acompanhados por soldados armados de metralhadoras – inclusive nas portas dos quartos durante a noite. Só nos locomovíamos em três carros com homens armados e nós no carro do meio – uma kombi. Isso sem mencionar agressões físicas e ameaças de morte que recebemos em outros locais. Bem, eu ainda estou aqui para contar e no final do domingo espero que tudo esteja na santa paz em Ghent e possamos curtir mais uma final desse espetacular competiçao.

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terça-feira, 24 de novembro de 2015 Aberto da Austrália, História, Masters, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 10:29

O melhor

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Nao teve choro nem vela em Londres. Novak Djokovic engoliu seus adversários como se fosse a baleia branca e nao ofereceu chances a ninguém. Alias, ainda se deu ao luxo de colocar um gostinho na boca de muita gente, ao perder, em dois sets, para Roger Federer na fase de qualificaçao. A conversa naquele dia foi se Roger havia jogado muito ou Novak jogado nada. O fato é que na hora da onça beber água o servio mostrou que atualmente ele é o cara sem muitas discussoes.

Djokovic tornou-se o primeiro tenista na história a vencer o Masters quatro vezes seguidas, um feito a se aplaudir em Londres ou qualquer outro lugar. O rapaz se concretizou como o melhor jogador do mundo e ficou a um passo de conquistar o seu Grand Slam particular ao vencer o Aberto da Austrália, Wimbledon e US Open, deixando escapar Roland Garros na ultima partida do torneio, quando era o favorito. A rapaziada deve estar aliviada que o suíço tenha conseguido a surpresa, porque nem Federer nem Rafa nem outro por aí vao conquistar os quatro maiores eventos na mesma temporada nos próximos anos. A nao ser que Novak o faça.

Outro feito importante para Novak é que nessa semana ele igualou o seu H2H com ambos rivais. Com Federer 22×22 e com Rafa 23×23. No futuro as chances sao que ele terá um H2H positivo com ambos, que sao considerados os “maiores”. E aí, como ficará essa história? Nadal nunca teve a pretensão, só mantinha seu H2H positivo contra o suíço GOAT e ficava na longe dessa conversa. Federer, mesmo sutilmente e silenciosamente, sempre encorajou. Agora vem o servio também para pousar na sua sopa. Por outro lado, aos 34 anos é um assombro tenistico e nao existe jogador que chegue aos seus pés junto ao coração dos torcedores em todo o planeta.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Masters, Tênis Masculino | 12:39

Fogo Cruzado

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Nao se pode dizer que Andy Murray seja um estranho a fogo cruzado, uma das situaçoes mais desagradáveis de se viver. É só lembrar que sua vida foi e será marcada pela tragédia na sua escola em Dunblane, Escócia, quando 16 crianças foram assassinadas e ele estava a poucos passos de onde tudo ocorreu.

Desta vez a situaçao é bem mais amena, mas nao deixa de ser bicuda, considerando a carreira e o momento desta para o britanico. Ele está a um palmo de terminar a temporada como #2 do ranking. Basta o Federer nao elvar o título e ele ganhar dois jogos em Londres.

Parece mais simples do que é. Sem nenhum título nos Grand Slams, que é onde realmente importa para os cachorroes, ele está a tres vitórias na Belgica para conquistar a Copa Davis desta temporada. Algo bem factível, considerado a “força” do time belga.

Para ficar claro as prioridades, Andy, após Paris, voltou a Londres para treinar nas quadras de saibro do Queens Club. E assim foi até este fim de semana.

Hoje ele estréia contra Ferrer, um casca de ferida que viave dos vacilos alheios.

Para piorar sua sinuca de bico, ele pode garantir o #2 do ranking em frente a seu publico, algo sempre mais contundente. Mas é bom lembrar que ele nunca foi além das semis no Masters londrino.

Como a cabeça do rapaz já é complicada sem fogo cruzado, fica difícil prever o que ele fará e como será seu empenho e performance em Londres.

vale dizer que ser #2 é importante e deve valer muita grana em seus contratos – o ranking que vale para os contratos é sempre o do fim da temporada – mas nao terá o mesmo peso de um titulo de Copa Davis, algo que a Gra Bretanha nao conquista desde 1936. Ou seja, ele definitivamente colocará seu nome em ouro sendo o primeiro britanico a ganhar Wimbledon e Copa Davis desde Fred Perry quase 70 anos atrás.

Convenhamos que quanto ele melhor for em Londres pior será sua preparacao para a Belgica – tanto pelo desgaste como, mais importante, pela falta de treino no saibro, que nunca foi seu piso preferido.

Como ele irá equacionar tudo isso em sua mente determinará a qualidade de sua participacao em Londres e, bem mais importante, pelo menos pra ele e os britanicos, afetará a chance, que, pelo andar da carruagem, pode demorar outros 70 anos para surgir para a Gran Bretanha de ganhar a Copa Davis, algo que eles ganharam nove vezes até 1936.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015 História, Masters, Tênis Masculino | 15:01

O Masters homenageia a história

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Reverenciando o passado, algo que sempre diz boas coisas sobre qualquer cultura, a ATP decidiu nomear os grupos do ATP World Tour Finals com nomes de tenistas que marcaram a história do evento. Assim, ao invés de Grupo A, no evento de simples, teremos Grupo Stan Smith, vencedor do primeiro Masters, realizado em Tókio em 1970 – desde entao havia uma tentativa de agitar o tenis masculino japonês, algo que só se tornou realidade com a chegada de Kei Nishikori, que estará presente. Na época o torneio teve somente seis jogadores, no sistema round-robin de um contra todos.

O Grupo B será o Grupo Ilie Nastase, homenageando um atleta carismático, manhoso, bad boy e com um talento da estirpe de Roger Federer. O romeno Nastase venceu o evento em 1971, 72, 73 e 75, em uma época de nomes como Stan Smith, Arthur Ashe, Jimmy Connors, Rascoe Tanner, Vitas Gerulatis e, nos primeiros anos, ainda pegando o fim das carreiras de Laver, Rosewall e Newcombe – atentem, quase todos americanos e australianos crescidos em quadras super rápidas, piso que imperava na época junto com o estilo saque/rede.

Seguindo a recente formato das duplas serem jogadas no mesmo local e data das simples, os grupos também receberam nomes de grandes duplistas. O Grupo A será Ashe/Smith, vencedores do primeiro evento – percebam que Stan Smith fez barba e cabelo em Tokio. O Grupo B recebe uma homenagem ainda mais marcante. McEnroe/Fleming, uma dupla que, nos seus respectivos auges, pegaria os Bryans e faria-os dançar o twist de trás pra frente. Eles venceram o Masters SETE anos consecutivos – lembrando que ao mesmo tempo McEnroe venceu as simples do Masters três vezes e enquanto teve 71 títulos de duplas, brigava pelo topo do ranking em simples, onde teve 77 títulos. Uma pena que eu nao era amigo do cara na época, pois teria uma chance de faturar um título também! A melhor dupla do mundo entao era ele e mais um.

O Barclay ATP World Tour Finals, que começou como “Masters”, e teve teve diferentes nome nos últimos 45 anos, começa no Domingo. É jogado no maravilhoso “O2 Arena” em Londres e deve ser transmitido no Brasil pela SporTV.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Curtinhas, História, Novak Djokovic, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 15:47

O US OPEN em três atos

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ATO 1 – A final masculina e seus contrastantes protagonistas

Assisti na internet uma entrevista de Boris Becker, que sempre foi um falastrão e ao mesmo tempo dono de enorme carisma, afirmando que se fosse na sua época enfiaria um saque “medalha” em Roger Federer, se o Boniton insistisse, após aviso, em receber o saque de perto da linha do serviço. Como seu pupilo nao tem esse perfil, nem o saque para tal, confidenciou ao rapaz o valor do saque no corpo quando o oponente começa a se adiantar e presionar.

A tática funcionou bem e segurou a onda do Topetudo, que assim mesmo insistiu em faze-lo. Eu, como nao tenho nada com isso e gosto mesmo é de Tênis e nao necessariamente de um tenista, vibrei e adorei as invasões suíças. E o cara está ficando melhor no golpe e mais carudo a respeito. No começo, semanas atrás, invadia uns três a quatro passos e respondia um pouco mais de slice. Contra Djoko era quase em cima da linha (acho que estava enviando alguma mensagem ao Kaiser Becker) e reto com uma pitada de spin – lindo de ver. Tao lindo quanto foi ver o servio encaixar lobs milimetricamente perfeitos como contra ataque.

Normalmente alguém é mais prejudicado do que outro quando uma partida é postergada várias vezes por conta do clima. Na final de domingo, o prejudicado foi Federer; e nao por conta do “aluguel” no vestiário. A diferença esteve no jogo ser realizado à noite e nao debaixo do sol. No calor, o jogo, por conta das bolas e do piso, fica mais rápido, o que ajudaria o suíço, que precisava de qualquer ajuda para vencer. Sabendo disso, o Boniton acabou enfiando um pouco os pés pelas maos na sua ânsia de chegar à rede, fator primordial na sua estratégia, correta diga-se. O problema é que faz tempo que Roger nao joga dessa forma, pelo menos no quesito quantidade, e acabou nao sendo determinante nos seus ataques junto à rede como gostaria e esperaria ser. Sem contar que, por ser uma final, ele nao conseguiu manter a mesma confiança e tranquilidade das rodadas anteriores.

A vaquinha suíça começou seu trajeto ao brejo quando o rapaz perdeu o primeiro set – ali notifiquei minha mulher, e meus seguidores no Twitter, que a sorte estava lançada. Roger precisava do 1o set. Tanto para mexer na admirável confiança do Djoko, como para poupar seu longevo corpo de quatro ou cinco sets.

Mas se Roger nao cacifou como gostaria, o crédito deve ir mesmo para Novak Djokovic, que jogou como um campeão. Soube executar seu plano de jogo e seus golpes com excepcional qualidade. Soube administra seu emocional, mesmo com a esmagadora torcida contra, o talento do adversário que é imenso e a eventual perda do segundo set. Nada disso o abalou a ponta de tirar o seu foco. Ao contrário, como um campeão, aprendeu a usar as dificuldades e contrariedades para ampliar sua motivação e aprofundar seu foco. E sempre que foi necessário, nos momentos chaves que definem uma partida, soube usar e abusar da Confiatrix, o elixir máximo dos campeões.

 

ATO 2 – O nao controle das massas. 

Às vezes chega a dar pena de Novak Djokovic – se é que se pode ter pena de alguém que é o melhor do mundo no seu esporte e ganha milhões por temporada por conta. Mas o rapaz gosta tanto de ser gostado que causa certo constrangimento em observar, repetidamente, que o publico mundo afora simplesmente nao o ama como se ama o melhor em qualquer esporte. Nao é o caso de ser odiado, como acontece com alguns malas ou maus caráter que permeiam o esporte em geral. Longe disso. O caso é que o público simplesmente nao compra seu peixe. É certo que ele mudou bastante, daquele que, no princípio da carreira, gostava de fazer graça às custas de colegas, de sair da quadra quando começava a perder jogos alegando dores e milonguices outras. Temos que reconhecer; mudou, mas parece que o público em geral ainda nao se deu conta. Uma pena, poque ele está cada vez melhor – dentro e fora das quadras.

Que o publico torceria pelo Federer todos sabíamos. Nao importa quem estivesse do outro lado da rede as arquibancadas sao de Roger. Rafa Nadal teve que suar muita camisa para ter alguma torcida ao enfrentar Roger – sem mencionar que passou anos anotando o nome do suíço na sua caderneta. Mas O Cara tem o Tênis mais bonito do circuito e ponto final – algo fácil de ser reconhecido – ainda mais por qualquer um que tenha empunhado uma raquete, a maioria em qualquer final de torneios de tênis.

Talvez Djoko pudesse ter outra estratégia para seu marketing pessoal, algo com o qual se esforça mais do que o Topetudo. Ao invés de tentar ser tao Politicamente Correto – tenho uma séria aversão a isso e a esses – Djoko beirou o ridículo ao ficar se desculpando em quadra por ter derrotado o favorito do público. Disse que seguirá tentando ganhar coraçoes e mentes do público. Talvez devesse ter uma conversinha com Roberta Vinci sobre os benefícios da transparência e da sinceridade.

 

ATO 3 – O bálsamo da humanidade e do humor.

E qual foi o melhor jogo do US Open 2015? À parte daqueles que nao assisti, e daqueles que nunca sairão da mente e o coração dos envolvidos, como a vitória de Fognini sobre Nadal, e a própria final masculina, principalmente pela qualidade técnica apresentada, “A Partida” do torneio tem que ser a vitória da italiana Roberta Vinci sobre Serena Williams, por tudo que envolveu e aconteceu em quadra.

Serena estava a duas partidas de gravar seu nome no panteão das inesquecíveis, algo que já conquistou por conta de seus 21 títulos de Grand Slams em simples. No entanto, o fato de conquistar o chamado “Grand Slam” – vencer os quatro GS no mesmo ano-calendário – aos 32 anos, algo já conseguido anteriormente por tenistas menos abrasivas do que ela, como Maureen Conolly, Margareth Court e Steffi Graf, faria muito bem à sua história. Até porque é considerada por muitos como a “melhor da história”, algo que nao abraço com a mesma desenvoltura. Todos os campeões, quando comparados com outros, devem ser olhados pela ótica das circunstâncias e das épocas. Serena bateria todas as campeãs do passado, se estas viessem para o presente com o exato mesmo tenis de entao. Mas é mais justo considerarmos as circunstâncias e a época. Além disso, um campeão se justifica por muito mais do que como batia na bolinha. Devem marcar suas épocas por suas posturas, dentro e fora das quadras, como lidaram com adversárias e adversidade, e como administraram todas as facetas de suas carreiras.

Talvez, por saber tudo isso, Serena foi transpirando a pressão que sentia, especialmente desde o jogo com sua irma, Venus, quando quase chorou em quadra mais de uma vez denunciando a perda do controle das emoçoes. Na semifinal nao conseguiu administrar a situação, o que lhe custou caro. E, para seu azar e desespero, enfrentou uma tenista única: Roberta Vinci. A italiana, uma veterana, é a mais “italiana” das tenistas italianas. Enquanto Serena babava de um lado da quadra, indo à loucura de até dirigir, mais uma vez, impropérios à oponente, esta nao só manteve a tranquilidade, como foi vários passos adiante. Aproveitou a “força” das arquibancadas e a tentativa de intimidação e o desespero da adversária para alimentar sua confiança e sua determinação em vencer. E conseguiu isso com uma categoria e alegria que Serena, que se recusou a confessar a pressão que sentiu, nem saberia como buscar.

O discurso de Roberta após a vitória entrará para os anais da história e foi “o momento” do torneio. Deveria é ser mostrado para todas as tenistas, especialmente as jovens, que ainda tem chances de serem “salvas”. A italiana jogou o “Politicamente Correto”, o “Discurso Marketeiro” no lixo e deixou o coração falar sem restrições e censuras. Como tem um bom coração, foi uma maravilha – quem nao ouviu procure na internet que vale a pena.

O jogo foi, mais do que nada, repleto de emoções, como deve ser um espetáculo esportivo. O final do 3o set foi para se ver de pé, andando de uma lado para o outro, como faria o Tio Patinhas se vivesse sob a tutela da presidenta Dilma. Se cobrassem dobrado aquela partida ainda seria barato. Nem Hitchcock escreveria um roteiro daqueles, especialmente pelo epilogo.

A final, contra outra italiana, Flavia Penetta, acabou sendo um desapontamento, considerando a semifinal. O gás de Roberta acabara no dia anterior e no TB do 1o set. Mas valeu por ter oferecido algo que nem o mais macarronico dos italianos teria a coragem de sonhar; duas italianas na final do US Open, disputada em quadras duras (na Itália praticamente só se joga sobre o saibro). A cereja do bolo foi Flavia, dona de um par de pernas e golpes de altíssima qualidade, mas nao da mesmo descontração de sua companheira, conseguir seu único Grand Slam no apagar das luzes de sua carreira e anunciar o fim desta.

Assistir as duas amigas conversarem, sentadinhas esperando a premiaçao, nao teve preço. Nunca aconteceu antes e, apesar de duvidar que acontecerá novamente, é o que espero ver no futuro. Como escreveu no Twitter o meu amigo jornalista Sergio Xavier: “E o que essas italininhas, Pennetta e Vinci, fizeram pelo tênis em dois dias? Injetaram humanidade, humildade, emoção e, de quebra, humor”. Em tempos onde o Marketing Pessoal é considerado artigo da mais alta importância para atletas nao é pouco como é um alívio.

 

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segunda-feira, 13 de julho de 2015 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, Wimbledon | 15:23

Determinaçao de ouro

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A final masculina de Wimbledon pode ser dividida em dois atos. Antes e depois da chuva. Nao é a primeira vez que uma interrupção tem influencia no resultado de uma partida e nao será a última. O perigo é conhecido por todos e, lógico, a vantagem fica para aquele que se preparar melhor para tirar mais vantagem do imprevisto. E nao foi uma surpresa que nesse quesito mental Novak Djokovic também fosse melhor do que Roger Federer.

Quando dois oponentes se enfrentam em uma quadra de tenis uma série de qualidades, e deficiências, farao a diferença no resultado. Nem sempre basta uma ou outra característica. Quando os cachorroes se enfrentam tudo que está à mesa faz diferença. Todos conhecemos as qualidades de Federer. Infelizmente, para os apreciadores do tenis-arte, aprendemos a conhecer também suas deficiências. Se um dia o mundo afirmou que O Boniton era o melhor da história, a insistência de suas dificuldades ao enfrentar, e bater, seus maiores rivais – Nadal e Djokovic – pode um dia levar a essa idéia ser revisitada. É óbvio que Roger tem muuuito para mostrar a seu favor na sua carreira, mas ele nao é mais dominante no circuito, como um dia foi; desde de que Rafa surgiu. Com Rafa tem um H2H bem negativo (10×23) e com Djoko agora tem um H2H empatado(20×20) e a história segue. E convenhamos, mesmo aos 33 anos, Roger nao perde jogos por fator físico – o cara está impressionantemente bem fisicamente, para o que se deve tirar o chapéu – e sim por sutis fatores técnicos e, especialmente, mais claros fatores mentais, sendo estes dois os principais quesitos (junto com o físico) em um tenista.

Novak é o melhor jogador da atualidade, e já faz algum tempinho. O cara se preparou para chegar, e ficar, lá. É um atleta de A a Z. Investiu na carreira, em múltiplos quesitos. Nao teve receio de inovar, buscar, errar e acertar, ao contrário de seus rivais, que escolheram se acomodar em seus círculos de conforto. Cresceu com Marian Vajda, mas buscou alternativas de caminhos, desde lá trás com Todd Martin, que nao trouxe à mesa o resultado esperado. Recentemente buscou a companhia de Boris Becker, mesmo ao risco de prejudicar seu relacionamento com Vajda. Boris e Vajda tem diferentes histórias, visoes e posturas. Novak bancou a mudança. Assim como bancou, na hora certa, o afastamento de seus pais do seu circulo profissional imediato. Hoje ainda vemos a família de Roger, Nadal (que misturou com certo sucesso família e profissao) e Murray nos boxes. A de Novak, que era a mais participativa, e talvez por isso, assiste pela TV.

Novak buscou melhoras em cada aspecto de seu jogo, novamente ao contrário de seus rivais. O backhand de Rafa melhorou bastante, mas também tinha um universo para melhorar. Seu saque é bem pouco melhor do que quando tinha 20 anos. Pouca coisa melhorou drasticamente no jogo de Federer – até porque ele nao buscou essas melhoras, e nem eram tantas porque o cara já veio quase perfeito. O que melhorou, tanto nele como no Rafa, foi a progressão normal dos tenistas que ficam anos jogando e vencendo no circuito, algo que todos eles fizeram. Djoko buscou mais. Nao vou nem mencionar a revolução que fez em seu corpo, sua dieta, sua câmera hiperbárica. Mas ele melhorou barbaridades o seu serviço, algo de se tirar o chapéu, já que nao tinha um movimento clássico como Federer. Melhorou, e muito, seu forehand. Nao só a técnica, como seu approach mental ao golpe, sendo mais agressivo e decisivo com ele – acho que este seu verdadeiro pulo do gato. Seu revés foi progressivamente melhorando, sendo atualmente o golpe mais temido do circuito, tamanha a confiabilidade e a força de seu contra ataque. É duríssimo para um adversário ver seu principal golpe de ataque – a direita na diagonal – ser neutralizado e, pior, virar contra si próprio, já que Djoko é um mestre em usar a força do golpe adversário.

Novak é um tenista que pensou e se preparou para ser o melhor. Fez tudo isso tendo como sua principal qualidade a perseverança, algo que ressalto desde que o vi jogar mais amiúde no US Open anos atrás ainda como sessenta e pouco do ranking. Foi imaginando, e realizando, tudo que poderia para melhorar cada dia mais. Um campeao construído de A a Z. Um tenista que ainda hesita e entrega a rapadura em certas horas porque é bem humano, mas um tenista que tem como meta maior melhorar a cada temporada, a cada torneio. E nisso, podemos afirmar, tem sido um sucesso.

Assim sendo, mais uma vez o título de Wimbledon está em ótimas maos. Djoko veio à final de Londres sob pressão, por ser #1 do mundo e por ter deixado escapar a final em Paris. Com certeza nao queria repetir a dose. Além disso, a vitória era uma maneira de nao deixar seu mega rival Federer vencer mais um GS e, mui importante, igualar os números da rivalidade. Pressão é o nome do jogo. Venceu o 1o set no TB e perdeu o 2o também no emocionante TB, o que o deixou bem irritado, inclusive pela insana torcida das arquibancadas pelo adversário.

Mas Roger, sendo Roger, deu aquela conhecida colher de chá no início do 3o set, perdendo bobamente o serviço no 1×3, após ter ficado mais de 150 games sem perde-lo até as 4as ( nao sei como o cara se permite essa bobeada em um momento crucial de sua carreira, no que talvez tenha sido sua derradeira chance de vencer um GS e após ter virado a partida vencendo o 2o set) – o que decidiu a partida. Imagino que após a interrupção pela chuva – no meio do 3o set – Becker o pegou no vestiário e colocou a pergunta de U$1 milhao de dólares. “Quem vai tirar vantagem dessa interrupção? Você ou o suíço ali ao lado?” Talvez nao exatamente com essas palavras. Lembrando que Boris nao teve nenhuma inibição em afirmar, em seu recentemente lançado livro, que Roger e Novak nao só nao sao amigos como nao se gostam. Novak voltou à quadra focado – bem mais focado do que o adversário – e soube administra a vantagem. No quarto set, mais uma vez fez o mesmo, enquanto o adversário, que nao vence um GS há três anos, atirou a toalha emocional. Para ser campeão há que se ter nervos de aço e uma determinação de ouro. Novak teve.

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quinta-feira, 25 de junho de 2015 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Wimbledon | 16:30

Uma terceira semana

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Wimbledon começa na próxima segunda-feira. Li algumas coisas sobre o evento na nossa internet. A maioria fala sobre a divulgação dos cabeças de chave, os eventos jogados sobre a grama e a preparação dos tenistas para o evento mais carismático do calendário. O curioso é que nada li – o que nao quer dizer que nao exista algo por aí – sobre o maior diferencial de Wimbledon 2015.

Durante mais de 80 anos franceses e ingleses, que nunca se entenderam em muitas coisas, a nao ser nas próprias diferenças, enficaram os pés sobre as duas semanas que separavam seus dois maiores torneios de tênis; Roland Garros e Wimbledon. As duas semanas sempre foram consideradas nao suficientes para realizar uma transição eficaz e necessária entre as quadras de saibro e as de grama. Até o ano passado, os tenistas faziam da tripa coração para se ajustarem à velocidade, ao quique diferente, as diferenças técnicas e táticas exigidas na transição. E chiavam. O que nunca adiantou.

Nem franceses queriam adiantar, nem ingleses queriam atrasar em uma semana. Ambos apresentavam inúmeros argumentos próprios de quem nao quer saber de mudar. No fundo, faria mais sentidos os ingleses mudarem do que os franceses, já que as semanas existentes da temporada européia sobre o saibro eram exíguas, enquanto após Wimbledon existia uma margem maior de acomodação. Mas durante décadas os ingleses fizeram ouvidos de mercador aos pleitos dos tenistas, o que era mais uma extensão do descaso com que o evento tratava suas principais e únicas estrelas – os tenistas.

Em 2012, o novo chefe do torneio, Philip Brook, mostrou ser tao capaz de formar raciocínios para firmar uma posição quanto seus precursores, só que com a posição contrária a eles. Por A+B colocou seus argumentos, parte deles sobre contratos televisivos e acomodações ao calendário de outros eventos na Inglaterra, como F1, mas reconhecendo que a mudança trará, enfim, benefícios em diversas áreas do esporte/tenis, em especial aos tenistas. Os ingleses finalmente cediam.

Por conta disso, a preparação dos jogadores para Wimbledon, que sempre foi uma questão mal resolvida, mudou bastante este ano. Uma semana a mais sao 50% a mais! Provavelmente o que alguns tenistas estão fazendo este ano, nao será necessariamente o que farão o ano que vem. Vai depender do quanto eles, e seus colegas/adversários se dao bem, ou mal. Após Wimbledon 2015 cada um irá olhar a preparação e o resultado próprio, e dos outros, conversar com seus técnicos e, se necessário, realizar ajustes para 2016.

Como se preparar nunca teve uma formula única e mágica. Alguns se sentiam mais confortáveis com algumas decisões, outros com coisas diferentes. Alguns queriam jogar torneio e manter o “match play”, outros queriam treinar golpes específicos sem a pressão do resultado. Outros ainda mesclavam, inclusive com os torneios-exibiçoes.

O denominador comum é que era algo único no calendário e mal resolvido. Isso porque já tinha melhorado muito nos últimos anos. Os ingleses sempre foram extremamente ciumentos de suas quadras de grama e muito displicentes, para manter a elegância, no tratamento aos tenistas. A nao ser, of course, com alguns pouquíssimos, as estrelas, que tinha um tratamento diferenciado, especialmente na questao mais nevrálgica; a disponibilizaçao de quadras para treino, valiosas para se entrar no ritmo da grama.

Além dos torneios preparatórios, que agora acontecem nas três semanas anteriores, existiam também, na semana anterior, eventos exibições realizados por clubes exclusivos e para pouquíssimos tenistas. Na verdade, sempre foi uma maneira desses poucos terem quadras para jogar/treinar, uma raridade mesmo na Inglaterra, e ainda receber uma graninha. Hoje em dia esses eventos sao mais sofisticados, a grana é um pouco mais alta, mas a idéia segue a mesma. Eles jogam por uma grana fixa, sem a pressão de resultado e aproveitam para entrar no ritmo da grama.

Este ano, o campeão do ano passado, Novak Djokovic, optou por nao jogar nenhum torneio e participar somente de um desses evento-exibiçao nesta ultima semana, assim como havia feito em 2014 quando ganhou Wimbledon. Achou melhor nao mexer.

O “The Boodles” existe há 15 anos e é jogado em Stoke Park, Londres, um elegante hotel-country club, mantendo a longuíssima tradição de exclusividade – de publico e de tenistas. Os jogadores só participam se convidados pelo evento (nao existem inscriçoes) e jogam muito à vontade, sem nenhuma preocupação de resultado. Sao encorajados a permanecer no local, pelo menos um pouco, após as partidas e se misturar com os elegantíssimos fas.

Sao poucos lugares para o publico e custam uma grana. Os ingressos sao um pacote que inclui almoço fino, chás das cinco, conversa com os tenistas, champanhe, estacionamento e atenção por parte das hostess. O necessário para se passar uma tarde de prazeres. Para os tenistas, uma boa maneira de ter uma quadra assegurada e um companheiro para seu treino, além de uma grana.

Rafael Nadal, por outro lado, jogou dois eventos preparatórios; Stuttgart, onde venceu, e Queens, onde perdeu na 1a rodada. Provavelmente nao ficou contente com o segundo resultado, após o sucesso da primeira. Ele nao tinha aceito o convite para The Boodles, mas na ultima hora ligou para o diretor do torneio e foi rapidamente encaixado. Ainda está se achando com o novo formato.

No fim, uma verdade deve permanecer. O tenista só “entra” no torneio de Wimbledon lá pela terceira rodada. Até entao é um mar de inseguranças e surpresas que a grama oferece e exige.

Voces podem ver mais notícias, fatos e fotos no Facebook no “Tenisnet-Blog do Paulo Cleto”.

Boodles 2013 at Stoke Park in Buckinghamshire. (Photos by Jordan Mansfield)

 

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segunda-feira, 23 de março de 2015 História, Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino | 13:27

Semi deuses

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Nao vou dizer que Roger Federer é burro porque eu nao sou louco nem é verdade. Mas posso, sem muito risco, dizer que ele sub utiliza o importante quesito tática em uma quadra de tênis. O suíço é totalmente intuitivo, o que é compreensível, esperado e frequente em um tenista, e soberbo, o que, em certas circunstâncias pode até ser uma qualidade para um tenista e, em outras, uma massacrante falha.

Esse casamento faz com que ele feche a porta para explorar um melhor aproveitamento das magníficas armas técnicas que possui, um dom dos deuses que ele soube, através dos tempos de sua carreira, aprimorar. Sim ele progrediu muito, porque ali o campo era fértil como nunca dantes visto em uma quadra de tênis. Mas ele escolheu onde queria progredir e onde nao queria nem saber. Infelizmente, com essa segunda opçao deixou de fora opçoes que poderiam ter feito dele um tenista ainda mais magistral do que é, e o é muito pelo que Deus lhe deu.

Temos no circuito tudo quanto é tipo de tenista. Uma gama tao ampla como as impressoes digitais. Nao temos dois iguais. O leitor já parou para pensar o que nao temos dois que batem os golpes, inclusive o saque, da exata mesma maneira? Quantos “estilos” voces já identificaram na maneira de chutar uma bola, arremessar uma bola de basquete ou cortar uma bola de volei?

E nao só temos as diferenças das técnicas e plasticidade dos golpes, como temos as diferenças de físico e seu preparo, disciplina, tática, mental e emocional, e aí entramos em um cenário extenso como o universo, que é extenso pra chuchu, e por aí vamos.

Tem jogador por aí que é tao carente em talento quanto um zagueirao à Felipao, mas que compensa com seu emocional. Outros compensam ligando o computador para pensar cada vez que entram em quadra (e nao sao tantos) ou mesmo os que entendem a importância da paixao pela disputa, a entrega pela vitória (alouuu Nadal) para poderem tirar leite de pedra.

Federer leva seus oponentes às portas da insânia com a facilidade, e quase displicência, com que faz o que os outros só conseguem nos seus melhores sonhos. Ele nos ilumina a todos ao nos deixar crer que tudo é possível dentro de uma quadra, com uma raquete na mao e uma bolinha vindo em nossa direçao. É uma decepçao, mas, como tantas, tao agradável e necessária para enfrentarmos a massacrante e cruel realidade. E de tanto acreditar nessa fantasia-realidade, Fededer deixou de investiu em ferramentas que pudessem trazer esse mundo paralelo mais próximo da suja realidade e assim se tornar no tenista completo. Se satisfez em se tornar um semi-deus, quando teve, e nao me lembro que tenha visto antes, a oportunidade de ser um deus.

Se Djokvic tem planos de se tornar também um semi-deus nao será da mesma turma de Federer. Mas o cara está próximo do objetivo na área da excelência física e da técnica adquirida, assim como Nadal já é o semi-deus do mental-emocional.

Novak é um tenista a ser colocado em um pedestal por técnicos e juvenis que tem aspiraçoes em se tornar um grande jogador. Os deuses foram um tanto pao duros com eles nos talentos, mas extremamente generosos na disciplina e na entrega. O rapaz é uma inspiração e vem crescendo a cada temporada. É o atual melhor jogador do mundo – por uma boa raquete. Ele está extremamente sólido em seus golpes – talvez nao tanto no serviço! – e muuuito forte mentalmente. Sabem lá o que é, a cada vez que entra em quadra para enfrentar essa mala suíça, o estádio inteiro torcer pelo adversário? Por que nao se dá o crédito devido a esse fenômeno que atualmente é o #1 do planeta?!

Federer tem o arsenal para perturbar essa fortaleza técnica/emocional, mas nao usa. Ou melhor – usa, mas assim que adquire alguma vantagem, cessa de usar porque deve achar que é feio. Sei, o rapaz deve odiar o Dunga (bem, aí é sacanagem a comparaçao) e amar o Tele Santana, mesmo o da Copa82; jogando bonito, mas perdendo.

Atualmente Federer nao pode nem pensar em um jogo franco com Djoko. Sao velocidades diferentes e golpes discrepantes quando batidos na corrida e a conta nao fecha pra ele. Variaçoes de ritmo – bolas menos pesadas, ou mais altas, sem intençao de “atravessar” o Djoko, e slices, um ou dois, seguidos de ataques de direita, já que ElDjoko precisa da força alheia para fazer sua bola andar – quando vem sem peso ele totalmente tira a mao, “oferecendo” a bola ao adversário – seriam, e foram, sua melhor opçao. Mas, pelas barbas do profeta, cada vez que o Boniton abria uma vantagem nos games voltava para o “showtime” e possibilitava o Djoko escapar da armadilha. Essa insistência, por fim lhe fechou a porta à mais um título que seu talento, enganosamente, já toma como certo.

Como dizem os que nao querem esperar pelo próximo mundo, aqui se faz e aqui se paga. Sem esquecer Oscar Wilde: nao há pecado, exceto a burrice.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

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Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

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segunda-feira, 14 de julho de 2014 História | 20:03

A Copa acabou

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Veio a Copa e fechei para balanço. Nas minhas contas dificilmente vou ver outra no Brasil e quis aproveitar ao máximo. Fui a estádio, grudei na TV e assisti a todos os jogos – por pior que fosse, o que nao existiu. Curti todos. E se fica um vazio nao é porque nao ganhamos e sim porque acabou e foi um festao com gosto de quero mais.

Por sorte o Brasil entrou no circuito de grandes eventos antes que eu passasse desta para melhor. Algo me ficou claro. As pessoas nao tinha, antes da Copa, idéia da magnitude do evento – nao esperavam pelo o que veio. E o que veio foi um tremendo evento que o Brasil inteiro curtiu, deixando-nos alegremente surpresos.

Andei de trem, de metrô, a pé, assisti em casa, na de amigos, no clube. Comprei ingressos para o que pude e consegui e, lógico, senti que ficou faltando. Assim mesmo esteve de ótimo tamanho. Assistir pela TV é um conforto enorme e o padrao das transmissoes, pelo menos as imagens, em HD, nos colocam no melhor assento do estádio. Os comentários a que ficamos sujeitos, entram na coluna do que se tem que engolir, apesar de algumas narraçoes terem sido legais. Na TV só fica faltando o que em uma Copa do Mundo nao tem preço; o ambiente, a festa, a emoçao de dividir o espaço, nas ruas e nos estádios, com gente de todo o mundo, com cultura, gostos e línguas diferentes e o futebol proporcionando a catarse.

Para nao colocar tudo e todos na mesma vala televisiva, adorei a narraçao do Milton Leite, a postura do Falcao em seu espaço na Fox e o ótimo programa “Os Campeoes” na SporTv – o único que acompanhei sempre que possível. Além dos capitaes campeões, o que justificou minha audiência, teve o jornalista Andre Rizek levando a coisa com categoria e elegância, o que falta a muito personagem que tem cadeira cativa em TV. É outra coisa ouvir quem entende do assunto. Porque bobagem com autoridade fala os torcedores; nao é necessário nos punir com um monte de “entendidos” que nunca fizeram parte de um time de futebol nos dizendo como se forma ou nao um time, criticando ou elogiando de acordo com seus parcos, quando nao inexistentes, conhecimentos. Pior é quando os boleiros entram na dança, achando que tem a obrigaçao de criticar a cada intervençao ou começar cada uma delas repetindo o que o “Galvao” local afirmou – serás que é medo de perder a boquinha? Desses poucos se salvaram – e o que mais gostei foi o Batista, nas raras vezes que esteve presente na SporTV. O cara tem personalidade e voz própria.

Adorei ver os times jogando para a frente, agredindo e nao respeitando os medalhoes, talvez o melhor aspecto técnico/tático da Copa. Especialmente na primeira fase. Porque na segunda fase, como esperado, todos se trancaram como se vivessem vizinhos à favelas e os gols amuaram. Mas nao as emoçoes, o que, pra mim, é o que conta no futebol. Até porque no fatídico jogo do Brasil contra a Alemanha tivemos oito gols e zero de emoçao. A nao ser que vergonha e náuseas seja o que se busca.

Eu tinha meus receios quanto ao nosso time desde antes da Copa. Faltavam craques. Faltava time. Pricipalmente faltava liderança e quilometragem. Mas o pior mesmo era a fanfarronice marketeira a que, mais uma vez, os jogadores se sujeitavam na ânsia da grana e da fama, como se o que tivessem nesses quesitos fosse pouco. Era cada um por si e por quem pagasse mais. Ninguém ali teve a idéia de fazer o que fizeram os alemaes e bolar um projeto que unisse O Time à torcida em torno de uma meta que por si já era temerosa – a de ganhar jogando em casa. Quem tiver memória ou conhecimento da história que se referisse à 1950 e à nossa falta de traquejo em jogar em casa como favoritos e salvadores da pátria. Um bando de vaidosos e auto suficientes com suas mensagens marketeiras, auto elogiosas, falsas modéstias, pseudo religiosas, recheadas com frases da linha mais rasa e barata da auto ajuda.

Com o passar dos jogos as minhas dúvidas sobre o estofo emocional do time aumentavam. Conversava com amigos de como reagiria o time na hora da onça beber água – e usava o rei do marketing barato, o cabeleira David Luiz, como símbolo do que pensava. “Esse cara ainda vai entregar a rapadura” eu dizia para a discordância de muitos. O pior é que entregou, junto com boa parte do time, em uma pane, mais um pânico, tao rápida quanto inesperado. Sua participação contra a Alemanha foi trágica, egoísta e patética. Se o Barbosa foi massacrado pelo resto da vida por um único gol, só espero que tenhamos crescido como naçao, nao mais aceitando uma imposiçao rodriguiana e barata que somos uma naçao de vira-latas, e que a tragédia de BH nao faça maiores danos a esses atletas, que nao merecem mais do que um severo puxao de orelhas, que é a dimensao correta de uma derrota esportiva.

Muito se falou de Fred, como se ele fosse o símbolo da tragédia que se anunciava. Na minha cabeça a insistência era fruto da falta de conhecimento do jogo. No esquema do Felipao, até esta Copa endeusado por aqui, um centro avante era um poste que só se movia para dar espaço para aquele em torno do qual o ataque do time era montado – Neymar, o dono do time e o real artilheiro e decididor do time. Um erro que nem os argentinos, que tinham Messi, cometeram. Ali todos recebiam a bola. No nosso time só Neymar. Mas o pior era que nao tinha quem passasse essa bola no nosso meio de campo. Para mim Felipao se suicidou taticamente ao escalar o Ramires como atacante, um rodo na defesa e um perna de pau no ataque. Imagino que até Neymar tenha ficado com saudades de seu companheiro e poste-mór Ganso. Se centro avante estilo Fred nao recebe bola na grande área nao joga. E se ele nao jogou é porque o esquema era totalmente falho para justificar sua presença.

Antes da Copa, se me perguntassem, a minha torcida era pelo Brasil e o resto era o resto. A cada jogo a gente vai abraçando esse ou aquele time, mas sempre com uma torcida maior e condescedente pelas zebras e pelos times sul americanos. Como os argentinos eram também favoritos, e rivais, eu os tinha como um segundo time para se torcer. No pior cenário se, como infelizmente aconteceu, nos déssemos mal antes da hora. Mas eu mirava era o cenário ideal; Brasil e Argentina na final como o Maracana lotado e a vitória, por supuesto, nossa. Infelizmente os argentinos fizeram um esforço enorme em perder nossa torcida. Nem todos, até porque cruzei com muitos pelos caminhos da Copa que eram da mais nobre linhagem dos torcedores. Mas lá, como cá, tem os ignorantes que se nao sao maioria fazem questao de agir como se fossem. Como magistralmente salientou o técnico Sabella, “os argentinos tendem a se crer melhores do que realmente sao. Isso às vezes é bom, às vezes é ruim”. Por aqui foi ruim.

Se tivessem um décimo do marketing positivo que a Alemanha teve, teriam sido recebidos como irmaos e, quiçá, herdado nossa torcida. Preferiram atravessar a fronteira para nos afrontar. Já que sao os reis nos hinos nos estádio, podiam ter criado um para nos cativar, já que os recebíamos em nossa casa. Preferiram a velha e conhecida soberba e a velha e conhecida auto estima sofrida de se comparar a nós, sempre se achando e nao sendo. Seu hino favorito, que cansaram de cantar por aqui, acabou com minha vontade de torcer por eles e me fizeram, a que ponto chegamos, torcer pela Alemanha. Que curtam sua enorme fossa pelos mais de 2.500 km que separam o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Sei que é pouco para o que queríamos, mas ficamos com o gostinho de ter oferecido ao mundo a Copa dos sonhos. Nao a dos políticos, mas a do povo que sabe receber e oferecer.

 

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