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sexta-feira, 28 de agosto de 2009 História, Tênis Masculino | 00:04

Palpitações

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Uma olhada rápida na chave do qualy de um Grand Slam nos oferece surpresas interessantes. Na chave masculina encontrei o nome do belga Xavier Malisse, que um dia foi um dos melhores juvenis do mundo e rival de tenistas como Federer e Nalbandian.

O rapaz sempre foi um grande talento, joga com a facilidade de quem passeia no parque, teve ótimos resultados, tem 3 títulos no circuito, mas não vingou com a força que poderia. A dificuldade dele sempre teve a ver com o emocional. Tem tenistas que tem problemas sérios com momentos importantes, tanto dentro das partidas como dentro dos torneios.

Uma partida símbolo para Malisse foi a semifinal de Wimbledon 2002, quando Malisse enfrentou Nalbandian após derrotar Kafelnikov, Rusedski e o então campeão Richard Krajicek. Indo à final talvez tivesse lhe dado mais confiança na então jovem carreira, como aconteceu com Nalbandian, que veio do nada para a final de Wimbledon. Aliás, recentemente o argentino declarou que se pudesse mudar um resultado na sua carreira seria aquela final, em que perdeu para Hewitt.

A partida entre Malisse e Nalbandian ficou famosa pelas emoções, por reunir dois jovens talentos virgens em títulos no GS e o incidente com o belga. O rapaz , logo no início, a ter palpitações por conta de um ataque de ansiedade. O pessoal pensou que ele iria ter um ataque do coração e o jogo foi suspenso por 10 minutos, após perder o primeiro set no TB. Ele só retornou à quadra após falar pelo telefone com seu médico na Bélgica.

Perdia o segundo set por 2×4 quando a chuva caiu. Com o intervalo ele se acalmou e, após perder o segundo, ganhou o terceiro e o quarto. O jogo foi interrompido mais uma vez ao final do quarto set por falta de luz natural. No dia seguinte, Malisse conseguiu um break logo no início, abrindo 2×1. Aí os nervos tomaram conta novamente e o belga perdeu cinco games seguidos. Outro dia um leitor perguntou se uma partida pode determinar uma carreira. Olhei a derrota do Malisse na 1ª rodada do qualy e lembrei-me do leitor.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009 História | 20:03

Bom dia

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Esta foi contada pelo próprio tenista Ken Rosewall. Para quem não o conhece, lhe resta o Google ou acompanhar mais o meu blog. O segundo personagem, Pancho Gonzalez, foi personagem no blog não faz tanto tempo.

Ambos também são considerados como “grandes tenistas” em qualquer lista ou livro. Ambos abandonaram o circuito amador – que na época incluía os GS – para jogar o restrito circuito profissional, que reunia os “cachorros grandes” do tênis. Ambos seguiam ativos quando veio a Era Aberta.

Só que Gonzalez já tinha 40 anos e assim mesmo, aos 41, venceu aquela que é considerada a “mais longa partida” ao bater Charlie Passarell em Wimbledon por 22/24, 1/6, 16/14, 6/3 e 11/9. Até hoje é considerado o maior sacador da história.

Rosewall chegou à Era Aberta aos 34 anos. Ainda ganhou Roland Garros, Australian Open e U.S Open, entre muitos outros torneios, e foi vice no U.S Open e em Wimbledon, perdendo para Connors, aos 40 anos.

A história quem conta é Rosewall. Quando ele chegou ao circuito profissional – aos 23 anos e após vencer RG e AO aos 18 anos e o U.S Open aos 22 anos – Gonzalez já era macaca velha. O americano/mexicano tinha fama de ser um tremendo casca de ferida, para dizer pouco, e ganhava jogo só na encarada.

O australiano conta que todas as vezes que perdia para Gonzalez – na época os “torneios profissionais” eram quase exibições, os tenistas faziam muitas partidas entre si, já que eram poucos, e pouco mais do que a “honra” estava em jogo; só que se tinham pouco dinheiro, os jogadores tinham muita vergonha na cara – Pancho sequer lhe olhava na cara nas próximas vezes em que se encontravam. Para humilhar mesmo.

Bastava Rosewall vencer para o gringo vir com sorrisos, tapinhas nas costas e fazer questão de sentar à sua mesa para as refeições. Para amolecer mesmo.

Bastava Gonzalez voltar a ganhar, para voltar a ignorá-lo, passar reto na mesa e sequer lhe lançar um olhar ou um “bom dia”. E assim foi para sempre. Com Gonzalez, o “jogo” começava e seguia fora da quadra.

Rosewall então

Rosewall hoje

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quarta-feira, 22 de julho de 2009 História | 01:08

Brainstorm

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No post de ontem contei um pouco da história de Jimmy Connors. Fechando o assunto, hoje conto sobre uma das mais importantes partidas da história do tênis por todas as circunstâncias que cercavam o confronto.

Como esclareci no post anterior, Connors era um tenista extremamente controvertido, encrenqueiro e egoísta. Não que fosse o único. No entanto, na final de Wimbledon de 1975 ele defendia seu título contra Arthur Ashe, um tenista que era o contraponto de Connors. Um achava que o outro era a encarnação de tudo que odiava. Os dois tiveram questões seriíssimas, desde Copa Davis até em um confronto na final na África do Sul, onde Ashe jogara desafiando o apartheid, em uma das maiores ações políticas/esportivas da história – mas isso é outra estória.  

Para fazer a rivalidade mais gritante, Connors entrara com uma ação altíssima na justiça – a americana, onde as coisas andam e acontecem – contra Ashe pessoalmente e a ATP. Connors estava sendo proibido de jogar alguns torneios da ATP porque jogava um circuito alternativo organizado por seu manager, com ele por detrás. A proibição de ele jogar Roland Garros era uma conseqüência disso, até porque que o presidente da FFT, Philippe Chatrier, era muito amigo de Ashe.

Nos três confrontos anteriores, todos em finais, Connors, 23 anos, batera Ashe, nove anos mais velho. Arthur era um sacador/voleador, sempre atacando, com um grande saque reto, linda é ótima esquerda flat e bons voleios. Connors era o protótipo do contra-atacador. Gigantesca esquerda com as duas mãos, talvez a melhor devolução da história, excelente movimentação e sempre agredindo a bola na subida. Nesse confronto de estilo Connors prevalecia.

Mas o grupo de Ashe, a patota americana por detrás da ATP e com serissimas intenções de mandar e desmandar no tênis mundial, como de fato acabou acontecendo, sabia que existia muita coisa em jogo naquela final.

Por conta disso, no dia anterior, Ashe e os tenistas Charly Passarell (atual dono de Indian Wells), Eric Van Dillen (bom duplista), Dennis Ralston (conhecido tenista encrenqueiro) se reuniram no quarto de Donald Dell, tenista que foi capitão da Davis na época e depois dono da Pro Serve, uma das três maiores agencias de gerencia de carreira e dona de inúmeros torneios mundo afora. A agenda: derrotar Connors.

O grupo organizou um brainstorm e bolou uma tática que – exigindo uma mudança radical no estilo de Ashe e uma tremenda disciplina tática e mental deste – surpreendeu o furacão Connors.

Ashe, ao invés de sacar reto no lado do iguais, sacou aberto, com slice, sem peso, e foi à rede. No lado da vantagem variava, tanto o lado como a velocidade. No saque de Connors, que mais sacava e ficava do que vinha, Ashe abandonou sua famosa esquerda flat e jogou slices sem peso e baixos no forehand do adversário.  Quando este subia, Ashe usou toquinhos e lobs.

O estilo surpreendeu o então imbatível Connors, que perdeu os dois primeiros sets 6/1 6/1, venceu o terceiro após estar perdendo por 1/3 e perdeu o quarto por 6/4. A vitória de Ashe teve profundas repercussões.

Coincidência ou não, logo após essa final, Connors retirou a ação da justiça e, mesmo sem entrar como sócio na ATP, deixou seu circuito de lado e passou a se concentrar no circuito de seus “amigos”.

Além disso, a derrota mexeu com a então intocável confiança de Connors – que no ano anterior vencera três Grand Slams seguidos, em pisos distintos – o bastante para abrir a porta para a vitória de Manolo Orantes, dois meses depois no U.S Open, usando a mesma tática e, como escreveu Ashe em sua biografia, alterar a confiança e o ritmo de vitórias de Connors em GS, o bastante para permitir as cinco vitórias consecutivas de Borg em Wimbledon, além das seis em Paris.

 

A Final – no match-point Ashe saca aberto e, já na rede, vira para seus amigos antes de cumprimentar Connors.
 

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segunda-feira, 20 de julho de 2009 História, Tênis Masculino | 16:08

O mano.

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Quem deixaram fora dessa conversa sobre o melhor da história é o mano Jimmy Connors, um tenista com o perfil guerreiro beirando o malandro de morro. Foi um lutador inigualável, encarava o tênis como briga de rua, devolvia saque como ninguem, mexia os pés como poucos e atacava a bola como se estivesse morrendo de fome. Quando comecei a ouvir sobre Connors eu ainda estudava nos EUA.

Aos 17 anos sua mãe, a maior influencia em sua carreira e sua primeira técnica, o havia tirado de East St. Louis e o levado para Los Angeles para treinar com Pancho Segura Cano para começar a enfrentar os cachorros grandes que viviam na cidade, então o maior pólo tenistico do mundo. A escolha de Pancho Segura se deveu ao fato do equatoriano ter sido o melhor do mundo em sua época e um dos raros tenistas então a usar as duas mãos – no caso de Pancho, nos dois lados.

Pancho tinha o mesmo perfil bagaceiro. Fora pegador de bola e criado em Guayaquil, não era exatamente um filhinho de mamãe, e tornara-se profissional prematuramente, o que foi o bastante para colocar alguns calos emocionais em qualquer tenista admitido naquele clube super restrito da época – anos 50.

A mãe de Jimmy também não era nenhuma flor que se cheire e, dizem, lhe acertava boladas quando garoto para ele ficar esperto e não confiasse em ninguém. O garoto aprendeu. Tudo isso com o consentimento da avó, que era quem mandava de fato no pedaço. Não me perguntem sobre o pai, pois nunca ouvi uma palavra sobre ele.

Assim como toda a elite do tênis de então, Connors entrou na universidade, no seu caso a UCLA. Não durou muito. Venceu o campeonato universitário em 71 e quis ir para o circuito profissional.

Desde o início entrou em conflito com o status quo, não quis fazer parte da ATP, jogou um circuito paralelo por um tempo, foi proibido de jogar Roland Garros, brigou com a FIT, a federação americana, xingava juízes, afrontava o publico e arrumou inimigos por todas as partes. As histórias são inúmeras, mas não vai ser hoje que vou contá-las.

Venceu o AA, Wimbledon e US Open em 74, um ano em que venceu 14 outros torneios, e aposto que teria vencido RG também, fechando o “Grand Slam”, se não fosse proibido de jogar por conta de estar jogando torneios de um circuito paralelo. Ficou com ódio dos franceses para sempre, ficando ausente de Paris 10 anos de sua carreira, incluindo nos seus melhores anos.

Venceu Wimbledon também em 82 e o U.S. Open em 76, 78, 82 e 83, para o martírio de Borg. Também foi campeão de duplas, com Nastase, em Wimbledon e US Open. Vale lembra que em 76 o US Open era jogado na terra, o que faz de Connors um dos pouco a ter vencido os GS em todos os pisos. No U.S. Open ganhou na grama, na terra e na dura. Se construíssem no gelo ganhava também.

Foi outro que desprezava o AA, onde só voltou uma vez, em 75, quando foi vice, perdendo para Newcombe. Por conta de disso e da briga com os franceses teve seu número de conquistas em GS (8) reduzido. Dá para imaginar se tivesse jogado esses.

É o maior vencedor de torneios da ATP de todos os tempos. Venceu 109 torneios da ATP, fora os que boicotou no início da carreira, e foi vice em outros 51. Apostos todos meus peixinhos-voadores que nunca, ninguém igualará tal marca. No total, contando torneios em formatos inexistentes nos dias de hoje, venceu 148, só ficando atrás de Laver, com 199.

Foi numero 1 do mundo 5 anos consecutivos, tendo como oponentes Borg, Vilas, Nastase, Ashe, Laver, Newcombe, Rosewall, Tanner, Stan Smith, Gerulatis, Orantes Panatta etc. Venceu também 15 títulos em duplas.

Teve uma das carreiras mais longas da história, jogando até os 40 anos, em cujo aniversário bateu Jaime Oncins na Quadra Central do U.S. Open. No ano anterior, aos 39 anos, chegara à semifinal, batendo Courier nas quartas. Foi “top ten” durante 16 anos, outro recorde inatingível. Apesar disso, Connors teve um recorde negativo com alguns de seus grandes rivais como Mc Enroe, Lendl e Borg.

Talvez por conta de sua personalidade e inimizades Connors sequer é lembrado como um dos grandes. Se os números acima não o colocam no topo dessa discussão, servem para nos lembrar, se analisados em seus detalhes e circunstâncias, o quanto é imprecisa e inatingível a afirmação.

Connors – pegava a bola na subida e vontade inigualável.

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