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segunda-feira, 20 de junho de 2016 História, Tênis Feminino | 01:27

Por um tênis limpo

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Eu ia escrever antes sobre o caso do doping da Maria Sharapova, mas não me animava. Sei que se colocar aqui tudo que penso sobre o caso, os amantes incondicionais da russa irão ficar enfurecidos e corro o inquietante risco de ficar lendo parvoíces nos comentários. Não aguento mais amantes incondicionais. Incondicional na vida só amor de mãe.

 
A penalidade de dois anos para a moça foi pouco. O tribunal que a julgou preferiu dizer que o doping foi “não intencional”, porque aceitaram sua alegação que desconhecia a proibição que entrou em vigor em 2016. Ao mesmo tempo que derrubaram todas suas desculpas e as alegações de seus advogados. Lhe tascaram dois anos, para ficar claro. O que a moça pecou não foi pouco.

 
Tanto pelo intuito em enganar suas adversárias, e assim os fãs do tênis, tomando uma droga que lhe amplificava o desempenho, como pela soberba em se achar acima do bem e do mal. Ela escondia das pessoas ao seu redor que tomava Meldonium, incluindo seus técnicos e sua nutricionista – boa razão devia ter. Tanto que ninguém pode lhe avisar – o único que sabia era seu agente, que “marcou toca”, como explicou ao tribunal. Sharapova, porém, chegou ao ponto de insinuar que a FIT deveria ter feito uma comunicação especial a ela sobre a mudança de status do Meldonium, droga pela qual foi penalizada. O comunicado foi enviado a todos os tenistas, ela incluso.

 
Ela tomava o tal de Meldonium há anos, assim como uma lista de outros 17 remédios conforme informou seu médico. Era uma farmácia ambulante. Só em 2015 cinco exames do anti-doping mostraram que ela tomava a substância. Seu propósito sempre foi ter a infame “vantagem”. Ela tinha plena consciência do que, e para que, tomava cada remédio. Só que muitas drogas consideradas dopantes são para, por exemplo, mascarar dores e contusões, algo também proibido, mas a intenção é de poder continuar jogando, mesmo contundido. É proibido, mas é diferente de quem toma para ter uma vantagem no desempenho. O Meldonium é para aumentar e melhorar a performance – doping na veia. Tanto que na receita, que o médico foi obrigado a apresentar, vinha com a observação dele que “nos jogos importantes” ela deveria dobrar a dose. Sei.

 
Maria, seus advogados e os tais fãs incondicionais defendem que antes de 2016 o Meldonium não estava na lista das substâncias proibidas, o que seria uma escusa. É aí que eu discordo veementemente. Quer dizer que se não está na lista, e o atleta sabe que está tomando uma droga que lhe dará uma vantagem sobre seus adversários, pode? Por isso que o mundo flerta com a sarjeta moral.

 
O que não se pode ignorar é que o Meldonium não estava na lista porque não estava no radar da WADA. Ou seja, era desconhecido para a WADA por ser uma droga quase restrita à Russia e países vizinhos – e de uso também restrito aos atletas dessa área. Só começaram a ter suspeitas quando começaram a constatar que vários atletas de lá, que foram pegos com outras drogas, também tomavam o tal Meldonium. Aí foram pesquisar a respeito.

 
Como o Dr. Eduardo De Rose, maior autoridade em anti-doping no Brasil, gosta de lembrar; o anti-doping está sempre atrás na corrida do doping; já que médicos e atletas de mau caráter estão sempre fazendo e experimentando de tudo para se manter um passo à frente.

 
É a mesmo raciocínio que, por exemplo, em tempos de novas tecnologias como a internet, se comete um crime, sabendo-se que é um crime, simplesmente por se tratar de algo que a atual legislação não prevê. Maria sabia que ingerindo o Meldonium tinha um diferencial a mais que suas adversárias não tinham e desconheciam; que é exatamente o que caracteriza o doping – a forma pouco importa, porque sabemos que existem inúmeras, centenas, de drogas proibidas exatamente por oferecerem essa diferença.

 
O caso Sharapova-Meldonium levanta ainda uma cruel ambiguidade. De um lado a hipótese, distante e irreal, de se liberar tudo, permitindo que os atletas passem a ser verdadeiras cobaias, e se descubra até onde o homem iria, física e mentalmente, com a ajuda da medicina e da tecnologia.

 
Convenhamos que muitos flertam com a idéia – só que aí não teríamos nem antidoping, já que a corrida tecnológica seria liberada e “democrática” – aberta para todos. Para vocês verem como o uso indiscriminado da palavra “democrática” pode ser perigoso, algo que quem reside no Brasil vem descobrindo recentemente, pela bocas de alguns dos maiores salafrários soltos (ainda) por aí.

 
Na outro lado, o real, fica-se nesse infindável jogo de gato e rato, onde atletas de formação moral duvidosa, contrabalançada por habilidades de ações marketeiras e mentiras deslavadas para permanecerem acima de qualquer suspeita, manipulando o que puderem, e mais um pouco, para ficarem à frente de seus adversários. Ressalta-se que, não poucas vezes, influenciados e/ou liderados por agentes gananciosos, quando não por times e federações.

 
Isso, sem falar no cenário de atletas corretos convivendo com uma perene guilhotina sobre suas cabeças, pelo compreensível pavor de ingerirem, por mero descuido, algo que esteja na lista de doping, o que pode acontecer, tendo que se sujeitar à exames imprevistos e incômodos, uma triste necessidade, por conta de uma fração de velhacos. Hoje, os tenistas, e imagino atletas de vários outros esportes (mas não todos como se sabe) evitam tomar qualquer coisa, até para um mero resfriado, sem a aprovação de seus médicos.

 
Todo esse cenário é resultado de atletas, agentes, times, federações, países (lembrem dos países da cortina de ferro (que ainda por cima alegavam ser seus atletas de “amadores”) em especial a Russia (ver o atual escândalo no atletismo russo, que culminou com a proibição do atletismo russo no Rio 2016) e a infame Alemanha Oriental, com sérias falhas de caráter que criaram essa situação horrível a que o esporte, em geral, se defronta. Por isso, não me convenço que Maria Sharapova merecia um mero tapinha nas mãos e uma pena mais branda.

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terça-feira, 19 de abril de 2016 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 18:31

Nuances locais

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Rafael Nadal deve estar dando graças a Deus pelo início da temporada européia sobre a terra. Se para ele sempre foi um martírio as partidas sobre as quadras duras, nos últimos tempos isso ficou mais grave; tanto pelos danos ao seu corpo, como pelas dificuldades em vencer partidas com frequencia a que estava acostumado, pela simples razão que ele não tem mais a mesma estâmina física que um dia teve.

 

Nao só pelas razoes acima, ele chegou babando em Monte Carlos. Era mais do que isso. Ele precisava em mandar uma mensagem a seus adversários. Se não ganhasse o torneio no jogo lento do MCCC, com suas quadras a poucos metros do mar, iria perder ainda mais o respeito que vem se definhando. E, acreditem, respeito ganha jogo sim senhor.

 

Rafa ganhou seus jogos sem estresse até as semifinais. Lá teve que lidar com Murray. O primeiro set foi magistral. O segundo muito bom. No terceiro Nadal mostrou, mais uma vez, que tem mais cabeça do que o escocês.

 

A final não foi diferente. Monfils mostrou, mais uma vez, após chegar às semis em Miami, que pode jogar de igual com qualquer um. Por um tempo. Porque chega uma hora entrega a mortadela. E Rafa não entrega. Por isso é o gênio que amamos.

 

Agora o circuito chega a Barcelona, no tradicional e pedante Real Club de Barcelona. Na época de Franco era necessário estar de terno para entrar na sede e no restaurante do clube. Os tenistas eram vistos como intrusos. Imagino que os tempos são outros e costumes também. Sorte deles.

 

O torneio é muito grande na cidade, muito bem frequentado, mas sem mais o mesmo impacto no circuito. Hoje, apesar do enorme time de espanhóis no circuito, os vizinhos franceses tem bem mais torneios do que os furiosos.

 
Os catalães tem o torneio desta semana, que era “mais torneio” por muito tempo. Hoje, depois que o romeno Ion Tiriac comprou Madrid e o transformou em Masters 1000, o evento no Real Club virou coadjuvante. É um calo no sapato dos catalães.

 
Nao sei bem como Rafa se relaciona com as nuances locais. As Ilhas Baleares são muito mais próximas e têm muito mais a ver com Barcelona. Mas, não sei porque, ele torce, descaradamente, pelo Real Madrid – e o tio dele foi zagueiro do Barcelona FC por quase uma década. Por outro lado, está sempre se bicando com o evento de Madrid, enquanto se enche de amores por Barcelona, apesar de, muitas vezes, ser um torneio difícil de encaixar no seu calendário.

 

 

Duvido que jogaria esta semana se não fosse em Barcelona. Os quatro primeiros do ranking; Novak, Roger, Andy e Stan estão em casa se preparando e descansando para coisas mais importantes. Assim, Barcelona se torna mais uma oportunidade de vitória, assim como uma responsabilidade, para Rafa Nadal. Como ele nunca foi cara de fugir do pau….

 

 

Mas que fique claro uma coisa. Seus olhos estão mesmo voltados para Roland Garros, o evento mais importante do calendário para o rei do saibro. Lá ele definirá a sua temporada. O resto dela se acomoda ao redor daquele evento que faz a sua confiança brilhar.

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terça-feira, 12 de abril de 2016 Copa Davis, História, Juvenis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:49

Ganha/Ganha

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Este ultimo fim de semana tivemos, pelo segundo ano, o Rendez-Vous à Roland Garros, uma parceria da FFT e a CBT, onde o vencedor do evento aqui realizado disputa, em Paris, às vésperas de Roland Garros, um torneio para o direito de jogar a chave juvenil do torneio.

 
No ano passado, o brasileiro Gabriel Decamps venceu aqui e em Paris. Ganhou o direito de entrar na chave juvenil, chegou às oitavas e perdeu para Taylor Fritz, que já está fazendo estragos entre os profissionais.

 
Desta vez o vencedor foi o paulista Lucas Koelle, um jovem que tive a oportunidade de presenciar em quadra em algumas oportunidades de treino. Uma jóia rara. É um atleta que o treinador não precisa ficar convencendo a fazer o necessário em quadra. Vem com a cabeça e corações prontos para o trabalho, talvez a principal qualidade que um juvenil pode trazer para os treinamentos. Infelizmente, a maioria acredita que possa ser a “habilidade”, a “esperteza”, a atitude do “sei tudo”, “qualidades” que jovens nessa idade acreditam ter de sobra e que, quase sempre, não passa de um delírio.

 

 

Lucas vem investindo na carreira, procurando maneiras de progredir, talvez nem sempre da maneira ideal. Porém sem alterar sua postura em quadra, o que conta muito. Morou uma época nos EUA. Tem disputado eventos aqui e no exterior. Chegou agora a #50 do ranking mundial juvenil.

 

O que me chamou a atenção, na conquista que lhe carimbou o passaporte para Paris, foi outra coisa. Fiquei sabendo que ele tinha, pouco antes, após muito pensar, aceito o convite para estudar e jogar em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades do mundo.

 

Eu conversara com ele, pouco antes da virada do ano, na casa de amigo comum, sobre o assunto. Então estava intransigente na decisão de não aceitar o convite e se dedicar à carreira tempo integral.

 

Conversou com mais pessoas – o pai é um alto executivo e a mãe fez estudos em Harvard também – e mudou seus planos.

 
Chegou à conclusão que ir para Boston era uma situação de ganha/ganha. O mais difícil é ser aceito em tal universidade. Com eles insistindo no convite fica ainda melhor. Afinal ali poderá a enfrentar adversários competitivos, no circuito profissional, além de poder eventualmente participar de torneios de transiçao, enquanto faz seus progressos acadêmicos. Nesse ambiente de ganha/ganha poderá também, se vier a ser o caso, mudar de idéia e partir para outra.

 
A decisão já lhe trouxe a tranquilidade necessária para vencer o torneio Rendez-Vous à Roland Garros sem perder um set. Sua mãe confessa que nunca o tinha visto tão sereno em quadra.

 
Um dos raciocínios de Koelle foi sobre a idade dos tenistas na atualidade – estão atingindo seus melhores momentos aos 27 anos. Na verdade, não é novidade. Essa é mesmo a idade em que os tenistas equilibram sua parte técnica, emocional, física e flertam com seus ápices.

 
Até os anos 50 eles ficavam um tempo no amadorismo – que incluía os atuais Grand Slams – e depois seguiam para o profissionalismo, que era para poucos, bons e amantes incondicionais do tênis.

 

Nos anos 60 e 70 era padrão os tenistas irem primeiro para as universidades americanas e só depois entrarem no circuito profissional. Mc Enroe foi para Stanford já em 1978, quando ganhou o torneio nacional universitário. Seu irmão Patrick, se graduou 10 anos depois na mesma escola. No final dos anos 80 ainda havia vários bons tenistas que foram à universidade antes de se tornarem profissional. James Blake, quase um contemporâneo, também esteve em Harvard, o que pode ter influenciado Koelle.

 

Mesmo antes do ultimo fim de semana Lucas Koelle admitiu estar tranquilo com a decisão. Nesta 6a feira, vai a Boston, a convite da escola, conhecer melhor o local e as pessoas. Volta de vez em Agosto, quando começa o ano letivo. Até lá vai jogar em Paris e, quem sabe, ampliar ainda mais suas conquistas no tênis.

 

Por enquanto é um tenista que assume uma caminho diferente de muitos que tem como prioridade a carreira profissional. No fim da época juvenil os tenistas se vêem frente a frente à difícil decisão; continuar seus estudos em uma universidade americana, onde é ofertado a oportunidade de seguir competindo e fazer seus estudos, ou abraçar de vez, com bônus ou ônus, a carreira profissional e encarar a famosa e difícil transição, quando raramente, em especial os brasileiros, por força cultural, se tem a parte emocional pronta para o que vem pela frente. Uma ida a uma faculdade lhe compra um tempo que, atualmente, já não é tão crítico.

 
Se nos anos recentes o jovem começava a carreira aos 19 anos e a abandonava aos 30, agora, com o preparo físico no atual patamar, pode pensar em começar aos 22, com um diploma debaixo do braço, e jogar até 34 anos, como Federer, por exemplo, está a fazer com qualidade.

rg taça sp

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quinta-feira, 24 de março de 2016 História, Novak Djokovic, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:23

Rainha da cocada

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Para nós brasileiros o Aberto de Miami é uma festa. Ainda não me faz sentir como Ernst nos anos 20 em Paris, mas dá bem para o gasto. Da porta de entrada já começo a encontrar amigos.

 

Logo de cara foi Patricio Rodriguez, tenista chileno que foi técnico durante a época que também fui e me auxiliou durante dois eventos de Copa Davis jogados, ambos, em Porto Alegre. Pessoa finíssima com quem tive muitas conversas e alegrias no passado. Para quem nao sabe, foi treinador de Jose Luiz Clerc, Nicolas Lappentti, Nicolas Massu, Andres Gomes e Jaime Izaga, entre outros. Boa parte de seus ganhos ele colocava em vinhas no Chile e não tinha a menor cerimônia em se declarar apoiador de Pinochet. Hoje, aos 77 anos, mora em Key Biscayne na companhia de sua filha de 10 anos. Adoro o cara.

 

Quando cheguei ao clube fui logo informado que Billie J. King e Novak Djokovic tinha acabado de dar suas entrevistas a pauta, premiaçao para homens e mulheres. Mais de três horas depois não tinham disponibilizado as transcrições delas. Eu falei que o assunto iria transbordar para este evento…

 

Enquanto esperava pra ver se as conseguia, sentei na Quadra Central e foi sorteado com o jogo entre a mascarada perigueti Eugenie Bouchard e a checa Lucie Hradecka. O samba do crioulo doido na Central.

 

Bouchard é uma jovem que dois anos trás acreditava piamente que seria a #1 do mundo em meses e teve boa parte da comunidade tenistica acreditando nisso. Quando se achou a rainha da cocada branquela despediu a técnica francesa Tauziat, que lhe ensinou a ser agressiva e não a paparra que era antes e o técnico Nick Saviano que lhe deu a confiança necessária para chegar às semis da Austrália e Roland Garros e à final de Wimbledon em 2014, aos 19/20 anos.

 

Bem, a partir de 2015 a moça ficou mais preocupada em postar fotos de biquini do que em ganhar partidas de tênis. Seu ranking despencou de #5 para #50. Hoje é notícia por entrar na justiça contra a USTA por um tombo que tomou no vastiário do US Open, perder jogos, trocar de técnicos, fazer biquinho em quadra e jogar de baby doll.

 

A Hradecka é conhecida por bater com as duas maos dos dois lados – a esquerda dela é ótima – e jogar bem duplas. O resultado do jogo foi 6/4 3/6 6/2 para a checa. Quando acabou o 2o set eu nao aguentava mais, virei para o amigo Sylvio Bastos, me referindo ao público, ao Ray Moore, ao Djoko, à Billie King etc e desabafei: para esse jogo as pessoas deveriam receber e não pagar para ver. O Sardonico Bastos virou pra mim e cutucou; escreve isso! Esse cara quer me complicar…

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terça-feira, 22 de março de 2016 História, Masters 1000, Novak Djokovic, Porque o Tênis., Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:10

Mordeu a língua

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O Aberto de Miami começa sob a sombra da polêmica. Mais uma vez o assunto é se mulheres devem receber o mesmo valor em prêmios que homens.

 

O principal combustível da polêmica foi do fundador e diretor do torneio de Indian Wells, o ex tenista e hippie sul africano Ray Moore. Ray foi contemporâneo de Thomas Koch e Carlos Kirmayr e saiu dos cabelos longos para, junto com Charles Passarell, tocarem um dos melhores eventos do circuito. Interessante que o evento sempre teve altas polêmicas, como as acusações de fraudes junto à prefeitura local e a das irmãs Williams, que ficaram anos sem colocar os pés por lá por conta de um incidente com o público, que foi acusado, pelas irmãs, de ser racista. Mas isso já foi e não vou me alonga a respeito.

 

O fato é que Ray fez uma declaração polemica sobre a igualdade nos prêmios entre homens e mulheres. Disse o senhor que no futuro gostaria de ter um emprego na WTA, já que esse pessoal vive na moleza e na rabeira do circuito da ATP, sem nada acrescentar. E pra completar o saque e voleio, afirmou que as tenistas deviam ajoelhar e agradecer o surgimento de Roger Federer e Rafa Nadal, que fizeram o tênis se sobressair nos últimos anos.

 

Declarações, no mínimo, discutíveis. Nenhuma mulher do mundo vai concordar, o que já coloca metade do mundo contra quem fala uma coisa dessa em público. Pior ainda se você é o diretor de um dos maiores torneios que elas jogam. Considerando que da outra metade, uma boa parte não que saber de encrenca com elas, te deixa no mato sem dog.

 

Por conta de tudo isso, Moore ouviu tudo que nao queria ouvir em vida nos últimos dias. Só estaria pior se fosse acusado de pedofilo. O final da história é que teve que “pedir” para sair e deixar o cargo, com o imediato aplauso de Larry Ellison, dono do torneio, e da Oracle, que se desmanchou em desculpas e elogios as conquistas e o tênis das mulheres.

 

Nao sei o que deu na cabeça de Mr. Moore para se sair com essas declarações. Ele tem alguma razao? Tem. Só que suas declarações foram venenosas e arrogantes.

 

Assumindo seu raciocínio, não é só as mulheres que deveriam se ajoelhar para Federer e Nadal. Os homens também. O circuito masculino também viver do Fedal durante anos e eles estao deixando uma marca que marcou o Tênis.

 

As mulheres nao conseguiram apresentar nada, nem de longe, igual. Se lembrarem, até Serena se assentar e abraçar a carreira, apareceu cada #1 de chorar na WTA.

 

Mas há maneiras e maneiras de colocar um argumento. Moore, considerando sua posição, tinha mesmo que tomar o caminho da roça e sumir depois dessa.

 

O mais interessante disso tudo é o seguinte. Quase no mesmo dia, o campeao de Indian Wells e o #1 do mundo Novak Djokovic, defendeu que os homens deveriam sim ganhar mais do que as mulheres, baseado em quem atrai mais público e atenção, o que, segundo ele, as estatísticas mostram. O mesmo argumento, com mais diplomacia, o que também já atraiu o veneno feminino.

 

Como o assunto é algo que frequenta o Politicamente Correto, algo que os americanos adoram e respeitam, pode-se esperar que a polêmica continue em Miami.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Copa Davis, História, Olimpíadas, Rio Open, Tênis Brasileiro | 17:52

Homenagem a um Gentleman

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Não sei porque, mas parece que em tempos de internet a “memória coletiva tenistica” vai ficando mais curta. Tenho quase certeza que seja um fato para todas as memórias coletivas.

 
Todo mundo sabe o que “tem” que saber, mas quase ninguém conhece, com o mínimo de profundidade, a história de nosso esporte que, ao contrário do que muitos acreditam, não começou com Gustavo Kuerten. Está aí a Maria Esther que não me deixa mentir; ídolo máximo do esporte, só caiu mesmo na boca do povo com sua presença nos comentários na SporTV, que não fazem jus ao tênis primoroso que ela jogava, e que a tirou de um injusto ostracismo que ela vivia no próprio país.

 
Se com ela acontece isso, imaginem personagens menos famosos. Volta e meia os eventos brasileiros homenageiam tenistas passados; mas na verdade acabam caindo no óbvio e no que dá mais ibope.

 
No Rio Open, no ano passado, foi homenageado Thomaz Koch, outro que mais do que merece. Gustavo Kuerten, que virou arroz de festa nessas ocasiões, não sem muita razão, também foi homenageado então. Este ano a Quadra Central receberá, como homenagem, o seu nome. Algo mais pro forma, já que a quadra deixa de existir ao término de cada edição. A Quadra Central das Olimpíadas, esta mais perene, também recebeu seu nome. No entanto, os torneios, um momento que arregimenta os fãs do esporte branco, poderiam sair um pouco da caixa, usar a história e a imaginação e ampliar essas “homenagens”.

 
Só de curiosidade, menciono os dois eventos por acontecer. O Rio Open e o Brasil Open. No Rio, o diretor do torneio é o Luiz Carvalho, neto de Alcides Procópio. No Brasil Open, Alcides Procópio Jr, filho do Procópio, é o diretor de marketing da Koch Tavares, empresa que organiza o evento.

 

Para quem não sabe, o que já me causaria enorme surpresa e uma certa indignação, Alcides Procópio é um ícone do tênis brasileiro. Um pioneiro, poderíamos descrever. Foi tenista, campeão brasileiro e sul americano e o 1o brasileiro a jogar em Wimbledon. Jogou Copa Davis e foi capitão da equipe. Foi presidente da Federação Paulista durante muitos anos, criou o Banana Bowl e fundou a primeira industria tenistica – fazia raquetes de madeira. Lembro de ir na sua loja quase 60 anos atrás. Com certeza já foi homenageado, mas nada que eu lembre recentemente. Imagino que seus familiares fiquem, talvez, constrangidos, de o homenagear. Não perguntei. Pois digo que faria muito mais sentido do que algumas outras que aconteceram ou ainda estarão por aí. O Tênis brasileiro é beeem maior do que um ou dois nomes.

 
E por que chego a tudo isso? Esta semana fui surpreendido com a morte de Roberto Cardoso, aos 88 anos. Roberto foi contemporâneo de Procópio e o tenista que iniciou a tradição do bom tênis em Bauru, e no interior de São Paulo, e que Claudio Sacomandi sacramentou com seus ensinamentos. Foi eneacampeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, campeão brasileiro e sul americano por equipes. Esteve no 1o Jogos Pan Americano de Tênis, em 1951, ano em que, aos 24 anos, também defendeu o Brasil na Copa Davis, em parceria com Alcides Procópio e disputou Roland Garros.

 
Por curiosidade, era canhoto e batia seu revés com duas mãos, o melhor golpe de nosso tênis na época (junto com a direita “flat” de Procópio). Não lembro ou conheço um brasileiro que o tenha feito antes dele. Além disso, era um gentleman, dentro e fora das quadras, o que não é pouco. Meu pai, que era ainda mais velho do que ele, era seu fã, assim como eu. Roberto nunca foi ou pensou no profissionalismo. Mas, pela paixão, “cansou” de ganhar torneios nacionais e internacionais de veteranos até alguns anos atrás. Foi-se o Roberto e eu pergunto. Se você não é de Bauru, ficou sabendo?

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:46

2016 começou

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O ano começou. Abri meu ipad – não se abre mais o jornal – e descobri que o David Bowie morreu. Eu não era um fã dele, mas reconheço que foi um cara que ajudou a revolucionar a musica pop com sua inquietude, talento e arrojo em diversas áreas como música, filmes, moda e cultura pop. E fez muita musica boa que ainda toca por aí – nao dá mais para dizer que toca no rádio – e que me ajuda a me localizar no meu calendário de vida.

Escrevo que foi um começo do ano também porque aproveitei para me isolar do mundo e viver um pouco um Crusoe sem o estresse de estar perdido, o que foi ótimo para a cabeça e o coração. Escrevo que foi um começo de ano, a não ser que você considere as palhaçadas que o nosso governo insiste em fazer nao importa o dia ou época do ano e começou desde logo em 2016, e se tenista, considera que Chenai e Doha, ou mais grave, a Hopman Cup, foram para valer.

Na verdade, concedo, para alguns valeu mesmo. Wawrinka desce no aeroporto da cidade hindu e diz para o motorista; “me leve para casa”, que é como se sente no torneio que já ganhou quatro vezes, três seguidas. Ao fundo ouço o som de milhares de rupias se transformando em francos suíços. A vida é linda para quem recebe, e sabe usar dos benefício, do dinheiro de garantias. “O meu adversário me ataca, mas eu abro braço, lembro das centenas de dólares que já coloquei no bolso só pra vir aqui, e enfio a mão na bola sem nenhum receio.” Pressão é para os fracos, ou os que não recebem garantias.  Ou pode se acreditar que, uma vez na quadra, nada disso importa e o cara só pensa na competição. É, o mundo é cheio de ambiguidades e 2016 não será diferente.

Em Doha, Nadal, que diz que 2016 será diferente, achou tudo muito bom até a final, quando teve arremessado à sua cara o fato que 2016 será mais um inferno djokoviano. Teve a singularidade de afirmar que nunca viu alguém jogar no padrão do servio – com quem até pouco tempo tinha uma equilibrada rivalidade. Roger deve ter se mordido de inveja.

Quanto a Hopman´s Cup entendo a homenagem australiana ao primeiro dos “coaches”. Só fico na dúvida se ele, um grande competidor, escolheria a homenagem de ter seu nome associado a um torneio onde o fator competitividade é coadjuvante ao fator “vamos dar uma treinadinha de início de temporada e ganhar um montão de dólares na maciota”. Pelo que conheci do “Coach” isso é – como diria o Caetano, que pode ser um chato no resto mas sabe escrever uma música – é o avesso, do avesso, do avesso da cartilha hopmaniana. Sim, de um jeito ou de outro 2016 começou.

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domingo, 20 de dezembro de 2015 Copa Davis, História, Juvenis, Masters 1000, Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 19:21

Os melhores do ano

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Com o fim do ano e da temporada surgem as pesquisas dos “melhores do ano” para a apreciação dos fas. Interessante que nem sempre os votos dos “experts” coincidem com o dos fas. Qual vale mais? O que vale mesmo é o que você pensa, até porque se nao for o caso é melhor só usar pra pentear. Pode ser também o que você sente, já que em termos de escolhas esportivas o emocional fala alto. Nao é futebol, mas o Tênis também cria suas paixões.

Recebi dois ou três pedidos de enviar meus votos e o fato me inspirou em deixar aqui no Blog os meus pensamentos a respeito dos “melhores do ano”. Divirtam-se divirjam se forem capazes!

Os fatos marcantes mais mencionados foram: Os 3 Slams do Djoko e da Serena, a vitória da Penetta em Nova York, a conquista da Davis pelos britânicos.

Se Djoko ou Serena, os dois melhores tenistas do ano, tivessem ganho os quatro seria difícil ter outro fato mais marcante, o que nao tira o imenso mérito de ambos em conquistar algo dificílimo e merecedor de muitos aplausos. Mas a Serena foi, em um jogo, do Fato do Ano para a Afinada do Ano, ao perder para a Roberta Vinci nas semis e deixar escapar o Grand Slam que a colocaria como candidata a maior da história.

A vitória de Penetta, no apagar das luzes de sua carreira, foi a maior surpresa da temporada e uma conquista maravilhosa para uma tenista maravilhosa. E eu adoro surpresas em quadra, além de pernas bem torneadas. Alias, o fato é ampliado pela presença de duas italianas na final – na Itália elas vao ganhar todos os votos.

Mas Murray, o tripolar das quadras, liderar uma conquista da maneira como foi feita, e aí o diferencial, para o país que tem Wimbledon e Murray e nada mais em termos de tênis, apesar dos milhões investidos, foi um fato marcante. Eu fico com a vitória na Davis, pelo impacto que terá no país que inventou o tênis e as emoções que causou mundo afora.

As decepções? A Bouchard no feminino. Mais uma tenista que tropeçou na fama e na máscara, achou que era maior e melhor do que realmente é. Além de ainda nao ter conquistado lhufas ainda. Agora perdeu a confiança, perde jogos que nao deveria perder e ainda tem que enfrentar as consequências do tombo que levou – figurativamente e de fato.
Entre os homens, temos o Dimitri que pensou que era o rei da cocada preta, enquanto só foi o plebeu que pegava a rainha. Tem tênis pra ser mais do que apresentou. Eu nao vou falar do Gulbis porque ele nao é mais uma decepção e sim uma certeza.

As esperanças? Temos aí o Zverev que tem golpes e serviço pra incomodar, o Kyrgios que tem o serviço, um pouco de golpes e a personalidade pra incomodar, o Thiem que tem uma bela direita mas precisa achar uma esquerda, o Coric que tem uma bela esquerda mas precisa melhorar a direita, o Kokkinakis que é um fantasmao com um belo serviço e se acertar os golpes vai ser bem perigoso.

Os que mais melhoraram fora dos radares. O Anderson aprendeu tirar o melhor de seu tênis limitado, provavelmente ouvindo sua mulher que é bem mais do que uma digitadora de texto ou uma fazedora de biquinhos. Outra melhora surpreendente, que me pegou de calças curtas, foi o Benoit Paire. O cara tem, de longe, a pior direita do circuito, pior do que os 3a classes lá no clube, além de tropeçar na própria mascara. Mas tem uma tremenda esquerda! Milagres acontecem, amigos. Entre as mulheres, a suíça Bencic, que ano e meio atrás jogava no mesmo nível da Bia Maia – as duas eram rivais no juvenil – e hoje é 12a do mundo.

O idiota do ano? O Kyrgios leva fácil. O cara investe no quesito com frequencia e sem medo, além de ter uma família que aplaude seu esforço. Alias, poderiam dar uma dica para narradores e comentaristas de TV. O nome do cara se pronuncia Kirios e nao Kirgios – meu, é só ouvir o juiz de cadeira falar. O interessante é que a Austrália, que sempre foi celeiro de tenistas extremamente educados e divertidos deu de exportar tenistas idiotas. Harry Hopmann deve estar tendo surtos na cova.

Entre os brasileiros tivemos bons sucessos. Marcelo Melo virou o Tenista do Ano no Brasil por se tornar #1 do mundo em duplas. Tenho minhas reservas em eleger um duplista à frente de um singlista. Mas ser #1 do mundo nao é mole nao. Marcelo soube aproveitar as oportunidades e administrar a temporada lindamente e colocou o tênis nacional na mídia de maneira positiva – parabéns! Bellucci nao foi grandes notícias, mas teve seus momentos – na Davis no Ibirapuera foi um deles. Permanece o 1o de nosso ranking e 30 do mundo, o que nao é nadinha mal. Parabéns também para Teliana Pereira, que soube fazer o necessária para sair das sombras e ir para as luzes do circuito principal. Fecha como 54a do ranking mundial e conseguiu dar seu salto à frente aos 27 anos, idade em que a maioria das tenistas já mostrou o seu melhor. Vale lembrar Orlando Luz, que aos 17 anos se tornou um dos melhores juvenis do mundo e, suponho, encerrou sua carreira entre a garotada, apesar de só completar 18 em 2016. Agora vai buscar o caminho do sucesso naa transição para o profissional, momento que separa os garotos dos homens.

Se vocês tiverem outras categorias que queira explorar, sejam meus convidados. E aproveito para desejar boas festas a todos que com sua leitura, e comentários, fazem deste Blog um local de amor ao tênis.

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domingo, 13 de dezembro de 2015 Aberto da Austrália, Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open, Wimbledon | 22:03

O Tênis brasileiro no Jornal Nacional

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Semana agitada no tênis brasileiro, especialmente fora dos torneios. Em uma semana o Jornal Nacional apresentou duas matérias sobre o tênis no Brasil, ambas bem positivas e sem ter Gustavo Kuerten como tema.

A primeira falou sobre o sucesso de Marcelo Melo, que fechou a temporada como o primeiro da ranking mundial, um feito extremamente positivo para nosso tênis. Marcelo soube aproveitar o declínio natural dos irmaos Brian, que dominaram o circuito nos últimos anos, mas nao venceram nenhum GS na temporada, para se instalar no topo do ranking. Para isso, teve que se preparar ainda melhor do que nas outras temporadas, negociar bem com seu parceiro titular, que teve um ano bem ruim nas simples, o que deve ter lhe causado algum estresse, manter a qualidade quando longe do mesmo e aproveitar as oportunidades que soube criar. Sim, porque uma coisa é criar as oportunidades, outra é ter a confiança e o gabarito de cacifa-las na hora da onça beber água que é quando os games, os sets, as partidas, os títulos e uma temporada sao definidas. Ter esse sucesso reconhecido em rede nacional para todos o Brasil ver deve ter sido bem gratificante para o Girafa.

A segunda, isso sem minha memória nao está a falhar, foi sobre a inauguração do Centro Olímpico de Tênis no Rio de Janeiro, novamente por uma luz positiva. Especialmente quando colocaram lá o caco de que a CBT herdará o complexo, após as Olimpíadas, uma das principais reivindicações da entidade e que faz todo o sentido. Aliás, deveriam, nao só colocar nas maos da entidade, que é quem tem o know-how para tal, como também desponibilizar uma verba para fazer o Centro – que deve, entre outras coisas abrigar o principal centro de treinamento do país – funcionar em seu dia a dia. Com um complexo igual ao de poucos eventos no planeta, a CBT terá a tarefa de nao só formar tenistas, como encontrar o melhor uso para tal local de outras formas, inclusive abrigar torneios, a Fed Cup e Copa Davis. O que me deixou um tanto encanado foi ter lido hoje que a CBT está negociando para se desfazer de seu torneio da WTA – nao sei a razao para tal passo.

O curioso na entrevista do JN, veio por conta da nossa tenista #1, Teliana Pereira, lamentar que o piso duro, o do Centro Olímpico, nao é o que mais lhe convém – ela quase que só joga no saibro. Até aí ela defendia o seu estilo e suas limitações. O que me trouxe um sorriso ao rosto foi a sua afirmação que o piso duro seria positivo aos duplistas Melo e Soares, que nao escolhem piso e, quase caí para trás, à Thomas Bellucci. Que torneios do Belo a nossa melhor tenista tem acompanhado?

Nao pode deixar de ser mencionado, e aplaudido, a decisão de escolherem o nome de Maria Esther Bueno para a Quadra Central do complexo. Afinal a tenista tem vários títulos de Grand Slam a mais do que Gustavo Kuerten ou qualquer outro brasileiro. Mas a minha cabecinha ficou pensando: porque nao fizeram como os americanos, que deram o nome de Billie Jean King ao complexo onde é jogado o Aberto dos EUA e à Quadra Central o de Arthur Ashe? Por aqui poderiam entao dar à Central o nome de Gustavo Kuerten, também um grande ídolo nacional. Ou será que pensam em fazer o inverso dos americanos em algum momento futuro? Vale lembrar que na Austrália nao deram o nome de um tenista ao complexo, e sim às duas quadras principais – Rod Laver e Margareth Court – em Roland Garros deram o nome de um aviador ao complexo e o de um cartola à Quadra Central e em Wimbledon eles nem pensam em uma ou outra idéia – e sendo como sao, dariam a Fred Perry antes de dar a Murray.

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domingo, 29 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Tênis Masculino, Wimbledon | 22:48

Sir Murray

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E a profecia se realizou. Anos atrás eu escrevia no Blog que Andy Murray era um dos maiores talentos do circuito e que um dia suas habilidades iram se materializar. Lembro que uma legião escrevia que eu nao sabia do que estava falando e outras barbaridades – eram épocas que o tênis estava dominado pelo FeDal e o blog um tanto mais infestado de sofasistas delirantes do que eu gostaria. Os que acreditavam em Murray eram tao poucos que cabiam em uma Romi Isetta, segundo o Barao, um dos nossos fiéis leitores. Ça va!

Sendo quem é – Murray adora fazer o fácil, pelo menos para ele, ficar difícil, o escocês tem tido uma carreira aquém da que poderia ter. Falta aquela serenidade que o grande tenista tem face as agruras do circuito e do jogo de tênis em si. Mas, devidamente motivado o rapaz é um perigo e tem tenis para bater qualquer um . O duro nao é convencer a todos nós, seus fas, nem mesmo os incrédulos, de suas capacidades. O duro é ele mesmo se convencer.

Imagino, porque adivinho nao sou, que após os britânicos bateram os americanos na 1a rodada, com uma surpreendente participação do fantasmao James Ward, que na ocasião bateu o Isner na quadra dura coberta, Andy deu uma bela olhada na chave e viu ali a chance de uma vida. Considerou a inspiração de Ward e a ascendência de seu irmão nas duplas. Mesmo assim, a conta só fechava mesmo se ele ganhasse todos os jogos. Para isso se tornar realidade teria que deixar a viadagem de lado, as reclamações nos vestiários e concentrar em uma única coisa: ganhar jogos. E assim foi.

Fez algumas mágicas pelo caminho, especialmente nas duplas, com o irmão que nao é nenhuma brastemp, mas se vira, mas na final esteve bem pesadinho – O Bruno Soares vai suar na sua nova parceria! Nas simples, pelos resultados e pelo o que vi neste fim semana, impecável

No seu caminho ao título, algo que os britânicos nao saboreavam a 79 anos, Andy perdeu somente dois sets nas simples e venceu 24. E teve pela frente adversários como Tsonga, Simon, Isner, Tomic e o viajante Kokinnakis. Traçou todos com facilidade. E aos sábados tinha que carregar o irmão. Algumas dessas vitória pode-se chamar de heróicas, como sobre os australianos Hewitt e Groth, no 5o set, Mahut e Tsonga em 4 sets. Interessante que Andy nao jogou contra os irmaos Bryan, após Ward sacramentar os 2×0 no 1o dia. Os irmaos fecharam a temporada invictos, assim como Andy nas simples.

Vencer a Copa Davis praticamente sozinho é tarefas para poucos. Alguns conseguiam faze-lo em um ou outro confronto. É algo que sobrou para Gustavo Kuerten muitas vezes, já que nunca teve um singlista a sua altura. Pelo menos nas duplas, ele tinha Jaime Oncins, que na maioria das vezes era quem carregava tecnicamente a dupla, com Gustavo contribuindo com seu fortíssimo emocional, bons saques, boas devoluções e sua confiança, o que já é de ótimo tamanho.

Hoje Murray cravou seu nome na história do esporte britânico. O cara agora venceu o torneio de Wimbledon, a medalha de ouro olímpica, conquistada em Londres e a Copa Davis. Se nao é já deveria ser Sir. Se deram o nome do morrinho de grama para o Henman (Hill), aquele estádio sem nome no All England ficaria melhor com seu nome.

Infelizmente nao vi outras partidas dos britânicos na temporada – adoraria ter visto a dupla contra os australianos. Tudo entre australianos e britânicos é pessoal. Groth é um tremendo sacador e bom voleador e Hewitt um ótimo duplista (excelentes devoluçoes e bons voleios). Além de que era a derradeira chance de Hewitt vencer a Davis. 6/4 no 5o set também em Glasgow.

Talvez Andy se de ao trabalho de rever algumas de suas partidas na Copa Davis. Poderia se inspirar em seu um tenista melhor, algo que necessariamente passaria por ser uma pessoa melhor resolvida, mais focada em suas qualidades do que em seus possíveis erros, algo a que todos tenistas estão expostos. No fim do dia, o grande tenista é um grande administrado de dificuldades e crises, que aparecem a cada game e devem ser lidadas e solucionadas da melhor e menos dolorida maneira, algo que o rapaz tem dificuldades em fazer. Murray tem todas as ferramentas para ser o melhor, basta entrar na viagem certa, algo que Djoko, Nadale Federer sao mestres. A temporada da Davis mostrou que tal tarefa está à seu alcance, mesmo mentalmente, seu calcanhar de aquiles. Ele queria muito vencer Wimbledon, as Olimpíadas e a Copa Davis, de longe os mais importantes títulos que um tenista britânico pode almejar. Agora tem que decidir se quer algo mais. Especialmente ser Grande.

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