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Arquivo da Categoria Copa Davis

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:11

O sorriso

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Como estará a cabeça dos integrantes do time brasileiro na Davis? Contentes por terem feito uma boa participação na casa do poderoso adversário? Frustrados por terem, talvez um pouco tarde, descoberto que o bicho papão não era tão feio e que uma vitória, mesmo que uma zebra, era possível?

Lembro que eu ficava um tanto vazio após um confronto como capitão da Copa Davis. Mesmo quando vencíamos; pior quando perdíamos, porque somado à frustração e a pura desolação. Na época o estresse era bem maior. Bem menos pessoas envolvidas, o que acarretava em um acumulo maluco de funções. Hoje a CBT consegue arregimentar uma série de pessoas com diferentes cargos e tarefas, o que facilita bastante o trabalho de todos – e assim deve ser. Benefícios dos patrocínios disponíveis e conquistados que na minha época inexistiam, infelizmente.

Fazer uma avaliação precisa sobre as razões de derrotas/vitórias é um tanto ineficaz à distância. Primeiro porque muitos elementos e variáveis são desconhecidas de quem não está presente. Mesmo entre os presentes, a maioria não sabe de tudo o que se passa na semana da competição. Melhor tecer meras considerações, o que sempre tem as desvantagens e, porque não, os benefícios da distância.

Normalmente o melhor tenista do time é o líder e, muito importante, o motivador e inspirador, através de suas ações, em especial dentro da quadra. Fora delas não tão raro a motivação até vem de outros elementos. Infelizmente essa regra nem sempre é verdadeira. Tive jogador que temporariamente era foi o melhor rankeado do time e quando colocado sobre sua posição de líder, pelas circunstâncias de então, simplesmente amarelou, esperneou e exigiu que não lhe fosse dada essa responsabilidade. Como se fosse uma mala a ser carregada, quando a exigência é de atitude e personalidade.

Neste confronto, o time começou a tomar forma na atitude do Thiago, ainda na primeira partida quando foi derrotado pelo Isner. Muito positivo, se comunicando com seus companheiros, se motivando através de boa expressão corporal, tentando encontrar soluções, não se entregando. Atitudes que faltaram a Thomaz contra Querrey. Felizmente, no 3º dia Bellucci fez uma feliz autoanálise confessando seu extremo negativismo em quadra contra Querrey, mais um passo na direção de sanar seus problemas.

O time adquiriu, de vez, personalidade na maravilhosa vitória dos mineiros sobre os mascarados Bryans. Uma vitória de se tirar o chapéu por tudo que esteve envolvido. Fora de casa, contra adversários de muita qualidade, piso adverso, abalos emocionais durante a partida, exigência do placar do confronto. Tudo isso e mais eles souberam administrar e mostrar a todos que quiseram ver como se comporta em quadra quando em defesa de seu país.

Imagino que a conversa nos vestiários deve ter sido objetiva e direta. Antes dos jogos do 3º dia Bruno Soares, um líder nato, nos assegurava que a atitude de Thomaz seria diferente. Tinha certeza e razão. Foi.

Independente das condições –  de quadra, circunstâncias e adversário – a postura e a vitória de Bellucci foram o que esperávamos tão ansiosamente. Além do que já fez, tenho certeza que Thomaz poderia ter feito mais. Na verdade, acredito que era jogo que ele poderia ganhar em três, no máximo quatro sets, sempre pensando em suas qualidades técnicas. O problema é esse. Eu sei, ele ainda não.

Não vou nem me estender sobre, por exemplo, a ausência do uso extensivo de slices em partida que assim exigi – quantas vezes o usou, e essa quadra adora essa bola. Mas, para ficar mais claro: durante 3 ou 4 sets Thomaz insistiu em errar devoluções por tentar fazer demais contra um tenista que não tinha condições de jogar com ele do fundo da quadra. No fim chegou ao ponto de simplesmente cutucar a bola em quadra para assegurar a “entrada” no ponto, o que ficou bem melhor do que os erros. Não que só isso fosse adiantar, pelo contrário, mas não precisava de tanto como imaginou. Apesar de que teve algumas devoluções importantes com seu forehand no lado da vantagem.

Falta ainda Thomaz encontrar sua sintonia em quadra – a maneira de posicionar a mente para o jogo. O seu negativismo brocha a todos em especial a ele. Adorei ele ter dado um sorriso em direção ao banco dos brasileiros quando jogava aquele game estressante quando tinha inúmeras vantagens e não conseguia quebrar para abrir as portas da vitória no quinto set. Talvez tenha sido uma inspiração da sua psicóloga, sei lá. Só sei que perante a adversidade e o estresse, ele achou aquele sorriso desarmado, real, meigo, cativante eque lhe fez mil maravilhas. Naquele ponto, como por instinto ou inspiração, a decisão de escolher o slice de revés, que saiu longo e lento, quebrou o adversário e lhe abriu as portas da felicidade.

Thiago Alves fez o que sabe e mais um pouco na partida final, o que traduz, ao pé da letra, o tal “espírito da copa Davis”. Ontem não deu. Mas, uma série de atitudes e acontecimentos podem ter aberto as portas para que o Brasil volte a ter um time de Copa Davis que se não nos traz títulos, nos traga felicidade, orgulho e vontade de torcer.

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domingo, 3 de fevereiro de 2013 Copa Davis | 13:34

Oportunidade

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Convenhamos algo; e ruim para o Belo jogar em quadras rapidas, como a de hoje, por diferentes razoes tecnicas: grip forehand radical, falta de habito de ganhar pontos pela via rapida, falta de confianca junto a rede, fuga premeditada de eventos nesse piso, cada dia mais raros e a crena ate hj inabalavel de que se eh saibro eh bom, se eh rapida eh ruim.

Por outro lado, o Isner esta tt fora de jogo. Esta se mexendo pior do q eu em um mal dia, sem confianca nos golpes de fundo, sem ritmo, rezando para acabar os pontos e o jogo. Continua sacando muito, que eh o minimo q pode fazer e indo assombrar junto `a rede que eh o que lhe resta fazer. Mas, sem duvidas, eh uma excelente, e bota excelente nisso, oportunidade para o Belo virar a mesa e ganhar um pouco de respeito de companheiros e fas.

Alem disso, o brasileiro tem um dos melhores saque do circuito para esse tipo de quadra – so q parece nao saber e ninguem conta para ele. O saque aberto seco no iguais, o saque no corpo com slice no iguais, o no corpo e o aberto com slice na vantagem, tudo misturado com pitadas de porradas. Se usar essas WMD do comeco ao fim, usar seu forehand para mover o adversario de um lado ao outro, sem dar duas bolas do mesmo lado para evitar subidas `a rede e forcar erros, usar com calma e angulos o slice no rev’es, e mais calma ainda, so colocando, o seu reves chapado, entao ter’a bem mais do que uma simples chance – pode ganhar o jogo sem grandes dificuldades. O uso do slice colocado cruzado e curto paralelo vai mostrar a sua determinacao de ser estrategico. Se trouxer a caixa de ferramentas adequada para o confronto, e utiliza-la, saberemos que quer a vitoria e nao meramente participar.

‘Obvio que tao importante quanto a caixa de ferramentas eh a necessaire de emocoes e postura, que eh o primeiro passo para uma boa apresentacao na Copa Davis.

Bellucci x Isner `as 15h na SporTV

Para quem nao percebeu – diretamente do meu ipad.

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sábado, 2 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 21:57

Inspirador

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A arrogância sempre fez parte da cultura americana, especialmente nos esportes, em especial no tênis. E poucas coisas são tão gostosas como pegar um bocado dessa arrogância e colocá-la de volta goela abaixo dos donos, gostando ou não.

Os Bryanbros entraram de salto 10 em quadra, dando pulinhos, fazendo swing no ar em bolas, que iam fora abusando do show que adoram mostrar quando acham que vão deitar e rolar. E ainda acharam que podiam intimidar e literalmente ganhar no grito.

Pouco antes do incidente – quando um dos bonitões foi berrar na cara dos tenistas brasileiros, em virada no TB do 2º set, onde os brasileiros sacaram para abrir dois sets a zero – o repórter da SporTV, que alias gostei bastante de seu trabalho, assim como o de irem a Jacksonville, prestigiando o tênis nacional – arriscou dizendo que os irmãos eram gente finíssima e muito gostados no circuito. Pode ser – mais uma coisa é o marketing de “ser legal”, e o mundo está repleto desses, e outra é ser realmente “legal” ou no mínimo ético quando a situação não é favorável. O garotão lá partiu para a ignorância e iludiu o bom repórter e surpreendeu todos os brasileiros, que ficaram irados.

Os brasileiros também reclamaram bastante, mas o fato deu o 2º set para os americanos e inflamou a torcida brasileira presente que ajudou a botar fogo no jogo.

Bruno Soares e Marcelo Melo aguentaram o rojão, mesmo perdendo o 2º set, praticamente ganho, e 4º set. Ficaram tranquilos, continuaram fazendo o que fizeram em toda partida, permaneceram no jogo, administraram o emocional e derrubaram os Byansbros do incomodo e presunçoso salto alto, passaram pelo tamanco e acabaram descalços na frente de seu público. Que fiquem acordados a noite inteira, que é o que uma boa dose de humildade faz nessas horas.

O jogo foi emocionante, mesmo não sendo a dupla mais emocionante do dia – suíços e checos ficaram 7 horas em quadra para definir o jogo, que todos sabiam ser decisivo no confronto – por 24/22 no 5º set. Foi uma belíssima vitória da dupla brasileira que bem poderia inspirar o Bellucci para amanhã. Após o jogo Soares diz acreditar em uma boa performance do Thomaz amanhã, o que me pareceu um recado muito elegante.

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Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:47

A Davis é quente

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Não existe muito a escrever sobre o 1o dia da Davis Brasil x EUA. Thomaz Bellucci parece não ter empatia com a competição. A Davis é quente, ele é frio. Joga como se jogasse algum ATP250 aí pela temporada. Fica a impressão que tanto faz como tanto fez.

Espero que seja só impressão. Eu gosto de ter a certeza de que interiormente ele não se sente assim – deve até sofrer com o assunto. Mas está longe de mostrar que realmente entende o evento e as exigencias emocionais do mesmo. Thomaz conseguiu o sucesso que conseguiu jogando naquela frequencia, não parece ficar à vontade naquela que exige uma boa dose de sangue nos olhos.

Para um país com uma história com um bom numero de tenista que emprestaram a alma à Copa Davis para defender seu país, chega a ser triste vê-lo em quadra defendendo o Brasil. Mas como temos muitos fãs que não viram nossos melhores na Davis, e por isso também não devem conhecer o tal “espirito de Copa Davis”, não precisamos ir tão longe. É só ter assistido o 2o set do Thiago Alves. Pelo menos o cara lutou, tentou, buscou. A Davis exige sangue nos olhos e lava nas veias.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:50

A Davis x EUA

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Nesta sexta-feira mais um capítulo na saga do Brasil na Copa Davis. O país volta ao Grupo Mundial, de onde esteve afastado nas ultimas 10 temporadas e onde não vence um confronto desde 2001, contra o Marrocos, no Rio, na época Guga

Enfrentamos o EUA em Jacksonville, Florida, onde fica a sede da ATP e onde fiquei 6 meses nos meus 16 anos, na primeira vista ao país. Os americanos, que não são bestas nem nada, optaram por jogar em piso rápido indoors. Pelo que falam não está tão rápida, mas duvido que esteja ao gosto de Bellucci e companheiros.

O confronto abre com Bello enfrentando Sam Querrey e, em seguida, Thiago Alves encarando John Isner. Com um pouco mais de time e sorte seria um bom momento. Isner abandonou o AO por conta de dores no joelho e volta às quadras sem testar o joelhito em competição, muito diferente de o fazer em treinos. Querrey não joga bem há tempos. Porém, os dois são pirulões sacadores e dos bons. Belo precisa encontrar forças em algum lugar de seu íntimo, surpreender um pouco e vencer a 1ª partida, senão a coisa fica preta e pode acabar no Domingo. Não é fácil, mas não é tão difícil. O melhor cenário é o Belo vencer o Querrey, o Isner sentir o joelho, o Thiago vencer a partida de sua vida – pode até ser por desistência – e fecharmos em 2×0 – aí vou acreditar em papai-noel.

Tenho certeza que a nossa dupla deve ser o ponto mais confiante de nosso time em possível vitória. Afinal, venceram duas das três vezes que se enfrentaram. Deve ser um bom jogo contra os BrosBryan. Os mineiros tem cacife para ganhar, assim como sobra cacife para os gringos vencerem.

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domingo, 18 de novembro de 2012 Copa Davis | 23:01

Herói caseiro

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Adoro Copa Davis. Ela tem o poder de florescer em alguns indivíduos algo que por si só não conseguem encontrar no fundo de sua alma, até porque a maioria esmagadora não tem ideia das profundezas possíveis. Felizes os que conseguem, e estes são os heróis verdadeiros, e infelizes, por vezes desgraçados, os que não conseguem.

Infelizes são os que vagam pelas quadras como almas penadas, cumprindo o que o destino traçou, conforme a dose generosa, ou não, que lhe foi cedida de talento e de espírito. Na categoria dos infelizes coloco os que têm um, ou o outro, componente, carecendo mais do segundo e tendo mais do primeiro.

Desgraçados são aqueles que têm o talento e carecem do espírito. E desses existem aqueles que têm a consciência dessa carência e sofrem por isso, assim como temos os que fazem tal esforço para camuflar essa carência, que acabam por acreditar nessa realidade paralela onde eles se colocam acima do bem e do mal e agem como se nada os tocasse. Passam as entrevistas, e por vezes a vida, mentido para si mesmo e para todos os que lhe cederem os ouvidos. Se forem carismáticos ou bons mentirosos, e alguns são ambos, muitas vezes tentando vender a imagem de heróis com pés de barros, enquanto a maioria crédula crê no conto do vigário.

A final desta histórica Copa Davis – a centésima – teve personagens para todos os gostos. David Ferrer foi o herói tombado. Jogou com coragem e determinação, ambos do sei feitio, honrou a responsabilidade colocada sobre seus ombros com a ausência de Rafa Nadal, mostrou aos companheiros como deve ser feito, não perdeu um set sequer e viu seus esforços morrerem na praia.

Nicolas Almagro foi Nicolas Almagro. Um tenista talentoso, com recursos e frio. Desde de que o vi se encolher e praticamente entregar uma partida para Nadal em Paris nunca acreditei em seu espírito. Tremeu, mas não tremeu tanto. O que lhe faltou foi determinação e vibração. Sua postura, a mensagem que enviava, era de que se der deu, se não der ..deu. Pois é.

O técnico Alex Corretja pagou o preço por ter apostado em Almagro. Tinha a opção de colocar Feliciano Lopes no time e tirar Almagro. Acreditou no ranking do rapaz e desconsiderou os fatos de que Feliciano já estivera em uma final na casa adversária, contra a Argentina, onde venceu as duplas e bateu Del Potro em quadra semelhante a de Praga. Alex não dorme esta noite.

Ainda entre os espanhóis, Marc Lopez vai continuar sorrindo como sorriu durante, e mesmo depois do jogo – sabe que a culpa da derrota nas duplas não será jogada sobre seus ombros. Granollers, que, e aí o mais inacreditável, simplesmente acabou com o jogo no primeiro set, entrou em parafuso a partir do segundo set, perdeu a confiança e enterrou o parceiro e o time.

Entre os checos, aos vencedores as batatas. Foi um time de dois tenistas do começo ao fim do torneio.

Thomaz Berdich vacilou, mas levou. Ganhou o que tinha que ganhar, contra Almagro, e foi apertado, ganhou as duplas que era um jogo aberto e onde dividiu a responsabilidade com Radek, o que é sempre bom, e perdeu o grande jogo do confronto – o pega dos cachorrões do 3º dia.

Particularmente pensei que Navratil poderia ter colocado o Rosol no 1º dia, contra Ferrer e o liberado para dar porradas, a torto e a direito, sem responsa e sem medo de ser feliz, assim como fez contra Nadal em Londres. Não quis ou o Stepanek não deixou. Fiquei com receio que o galã não tivesse pernas no terceiro dia, especialmente em um possível quinto set. Seria interessante guardar o Radek para as duplas e o jogo final. Isso poderia ter custado o sono do Navratil, mas o Almagro é um amigão.

Bem mais do que isso, Navratil apostou no seu jogador. Apostou nos quase 34 anos de Stepanek e a experiência em consequencia, apostou nas inúmeras vezes que Radek fechou um confronto de Davis, por conta de sempre jogar atrás do Berdich, apostou no estilo, na personalidade, no espírito do galã. Vai dormir como um anjo.

Quanto ao Galã de Praga, colocou seu nome do olimpo do tênis tcheco, o que não é pouco. Não fez nada que não sabe fazer, mas não deixou de fazer tudo o que sabe, ao contrário dos outros, menos Ferrer. Sabia que era o jogo de sua vida, de sua carreira, que deve, a qualquer momento, encerrar. Nas simples, se quiser, porque duplas pode continuar ganhando por anos, se quiser.

Fez o que todo tenista sonha. Jogar, e ganhar, uma final de Copa Davis na frente de seu público. E mais, oferecendo uma performance digna de um campeão, que sentiu medo, como todos sentem, o dominou, porque a determinação, a coragem e o espírito eram maior do que o temor, e, por conta disso, conseguiu jogar, do começo ao fim, o que é ainda mais difícil e a ser aplaudido, em um padrão e maneira que só os heróis conseguem.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012 Copa Davis, Tênis Masculino | 21:35

A final da Copa Davis – Rep. Theca x Espanha

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Nesta 6ª feira começa a 100ª final de Copa Davis, o que fala alto sobre a tradição e importância da competição. Será uma final histórica, pelo numero redondo, acrescentando à importância das grandes finais já jogadas, naquela que é a minha competição favorita no esporte – nada se compara a um confronto de Davis. Uma final só o faz ficar ainda mais interessante.

O confronto entre Rep. Checa e Espanha é uma reedição da final de 2009, quando os espanhóis usaram e abusaram, no bom sentido, da vantagem de jogar em casa e massacraram, pelo menos no placar de 5×0, os adversários. Os tchecos insistem publicamente em não falar sobre vingança, mas conhecendo os envolvidos e o espírito competitivo da Davis é isso mesmo que eles têm na mente e no coração. Os espanhóis tem know-how de sobra na competição, inclusive como visitante, mantendo os antigos capitães por perto para acrescentar à esse know-how.

Os espanhóis são liderados pelo capitão Corretja, que bateu Gustavo Kuerten em partida decisiva da Davis em 98, em Porto Alegre e, dentro de quadra, por David Ferrer, dois ótimos competidores para se ter ao seu lado. O segundo tenista será Almagro, que Corretja escolheu sobre Feliciano Lopez, que foi preterido nesta quinta-feira na hora do sorteio um decisão que, imagino, difícil, já que Feliciano tem experiência positiva de final com o seu na reta, enquanto Almagro é, diríamos, Almagro. A dupla será os surpreendentes Lopez/Granollers que, na semana passada, venceram o Masters, o que deve ter lhes dado imensa confiança. Aliás, mais uma vez, eu diria que as duplas, que deve ser um partidaço, pode definir o confronto.

Os tchecos são liderados pelo atual 6º do mundo, Thomaz Berdich, um tremendo tenista, de mão pesadíssima, não conhecido por ser um grande tenista em grandes momentos e que vem mudando, de alguma maneira, essa escrita nas ultimas duas temporadas. O 2º é o popular galã de Praga Stepanek, um tenista diferenciado pelo estilo, um dos últimos mestres do jogo de rede, uma delícia de assistir, apesar de ser uma mala-mór em quadra. A dupla é uma pseudo incógnita mantida pelos donos da casa. A dupla escalada pelo técnico Navratil é Minar e Rosol, mas aposto todos os meus chocolates que não entram juntos em quadra no sábado. Se tudo correr como esperado, no sábado jogam Berdich e Stepanek dois tenistas que se entendem dentro e fora das quadras.

Como perceberam, falta aí o animal Nadal, que mais uma vez fica fora de uma final da Davis, o que fala sobre as dificuldades do tenista com os fins de temporada.

Os espanhóis têm 5 títulos na competição enquanto os tchecos tem somente um. Dos 5 títulos, três foram nos últimos quatro anos e todos nos últimos doze. A Tchecoslováquia venceu em 1980, em casa, liderada por um Ivan Lendl de 20 anos, que estará presente nesta final dando uma força aos compatriotas.

Na 6ª feira, Ferrer enfrenta Stepanek, em uma partida que não pode perder. Logo depois, Berdich enfrenta Almagro, e também não pode perder, especialmente depois de declarar publicamente que Almagro é o elo fraco do time espanhol. No domingo os oponentes são trocados. Os espanhóis não tem lá um tenista muito confiável para entrar no domingo, a não ser que precisem, ou queiram surpreender com Granollers. Os tchecos também, a não ser queiram colocar um tremendo grilo na cabeça dos adversários, escalando o maluco do Rosol, que eliminou Nadal em Wimbledon, uma possibilidade mais viável, pelo estilo do rapaz, algo que, acredito, só acontecerá na 5ª partida, ao entrar no lugar de Stepanek, contra Almagro.

O confronto começa na 6a às 13h, na SporTV, que anunciou a transmissão. Na sábado as duplas às 10hs e no Domingo às 9hs

Os tchecos parecem confiantes…

os espanhóis também.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 00:36

O adeus de Ferrero

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Na semifinal de Roland Garros em 2000 Gustavo Kuerten e Juan Carlos Ferrero realizaram o que foi um dos jogos de maior nível tenístico que eu tive a oportunidade de acompanhar até então – e olhem que acompanhei muitos. O jogo foi vencido por Kuerten por 7/5 4/6 2/6 6/4 6/3. Naquela partida o sonho do 2º título do brasileiro esteve seriamente ameaçado.

Os dois tinham uma paixão em comum; enfiar a mão na bola. Até então não se batia com aquela força e desprendimento. Eles já tinham dado uma prévia do que vinha pela frente na apertadíssima vitória do espanhol na final de Roma, também em 5 sets.

O brasileiro sacava mais, tinha melhor revés e mais experiência. O espanhol era mais rápido e tinha uma direita devastadora. Usava da velocidade para fugir a manter o ataque de direita – na época, a melhor do mundo. Após a partida escrevi uma coluna para o Jornal da Tarde afirmando que um novo estilo de tênis surgia com aquele jogo. O que aqueles dois apresentaram deixaram as arquibancadas abismadas, os outros tenistas estarrecidos e os técnicos coçando a cabeça, pensando como seria o tênis dali para frente. No meio da década já sabíamos.

Ferrero tinha então 20 anos e ainda perderia mais uma semifinal de Roland Garros para o brasileiro em 2001. Mas em 2003 não deixou escapar a oportunidade e venceu o seu único Grand Slam e se tornou o #1 do mundo.

Era interessante ver Ferrero jogar por conta de sua direita devastadora, em especial nesses anos quando ele estava super-confiante. O cara não tinha a menor hesitação de ir para bolas vencedoras de qualquer canto da quadra, algo muito difícil de se ver. Hoje não se vê mais isso. Fernando Gonzalez – para quem perdeu a final de Roland Garros juvenil em 1998 – foi o ultimo a fazê-lo. Os caras agora chegam nessas bolas.

Infelizmente seu bonde não percorreu uma longa estrada. Logo no ano seguinte teve problemas de contusão e perdeu na 2ª rodada de RG e terminou o ano fora dos 30 melhores. Jogou os próximos três anos bem o bastante para ser top 25, mas não mais top 10 – foi top 30 em 30 em nove anos de sua carreira. Além disso, seu tênis caducou durante a década, assim como, por exemplo, o de Lleyton Hewitt – mas isso é uma outra história. Assim mesmo, conquistou 16 torneios e liderou o time em uma das vitórias espanhola na Davis.

Dono de uma personalidade afável, não fazia parte da panelinha de Barcelona e nunca treinou por lá – mas era querido por todos os espanhóis. Construiu uma academia de muito sucesso em Valencia, ao lado de sua terra natal, Villena, onde construiu também um hotel butique, o Ferrero Hotel, de muito sucesso – são somente 15 quartos, um luxo elegante e um restaurante premiado.

Seus técnicos atravessaram sua carreira com ele, o que, no meu caderno, diz muito sobre a personalidade dos envolvidos, especialmente a do tenista. Já tinha ameaçado abandonar a carreira mais de uma vez, desde 2009, inclusive com um caso bem interessante (leia no link http://paulocleto.ig.com.br//2009/04/12/vai-entender/ ).

Desta vez, para valer, aos 32 anos e 14 de carreira profissional, escolheu como seu ultimo torneio o de Valencia, onde é um dos donos do evento junto com os técnicos. Para deixar a coisa mais intima, apesar de que ele confessa não foi exatamente como ele gostaria, perdeu na 1ª rodada para Nicolas Almagro, (está nas duplas com Ferrer) um de seus melhores amigos do circuito e a quem deve treinar a partir da próxima temporada. Eu acho que ficou de ótimo tamanho – entre amigos e simbólico, uma passagem do bastão que parece feita sob medida.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 10:57

O2 de Praga

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Os checos têm tambem a sua Arena O2 e será lá a final da Copa Davis 2012, a FIT confirmou hoje. O local é uma arena multi uso maravilhosa e, certamente, estará lotada nos três dias de confronto. A Davis é a maior competição anual de todos os esportes e jogando em casa os checos têm boas chances de interromper a hegemonia espanhola, que venceu em quatro dos últimos cinco anos, e voltar a escrever seu nome entre os vencedores.

Para isso, os checos devem colocar o piso mais rápido que encontrarem, e aprovarem, além de contar com a torcida da quase totalidade dos 13 mil que estarão presentes. Eles não são conhecidos por intimidar os adversários, mas acredito que vão arregaçar as mangas e torcer como poucas vezes.

A única vez que os donos da casa venceram a competição foi em 1980, um momento mágico do tênis checo. Jan Kodes, vencedor de Wimbledon – no ano do boicote – e tenista que mais defendeu o país na Davis, estava com 34 anos e Ivan Lendl acabara de 20 anos – duas grandes gerações se sobrepunham.

Os tchecos haviam vencido os favoritos argentinos em BA, liderados por Vilas e Clerc, dois maestros do saibro, em confronto histórico, com Lendl vencendo os três jogos e perdendo um único set, confirmando a vitória checa por 3×2. Na semana anterior à competição ele estivera em São Paulo jogando um torneio exibição no Ginásio do Ibirapuera que eu organizara e ele vencera, batendo Ilie Nastase na final. Ele jogava à noite no carpete do Ibirapuera e nas manhãs treinávamos no saibro das quadras do CPT.

A final foi sobre a Itália de Panatta e Barazzutti, o rei dos paparras. Os checos abriram 3×0 e venceram 4×1, sendo que a grande partida foi as duplas – Lendl/Smid x Panatta/Bertolucci, duas excelentes duplas, com a vitória checa por 6/4 no 5º set, sacramentando um momento único do tradicional tênis checo.

Em Novembro os jogos acontecerão em uma nova arena, construída em 2004 para o mundial de hockey sobre o gelo, esporte tradicionalíssimo por lá. A obra atrasou e os checos perderam o evento. Uma empresa de apostas esportivas bancou o término, mas acabou quebrando por conta das dívidas. Hoje é O2 e a casa de inúmeros shows de música e eventos esportivos.

O ultimo confronto entre os dois países foi em 2009, em Barcelona e no saibro. Os espanhóis deram de cinta nos checos (5×0) que, imagino, querem vingança. Os atletas eram os mesmos, com a exceção de Nadal, que não deve, imagino, jogar. Mas na quadra rápida e com a nova fase de Berdych, que precisará administrar os nervos, a história poderá/deverá ser outra.

Só duvido que em Novembro o piso será o saibro como na foto.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:34

Quatro chamam atenção

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Segue uma breve análise de alguns dos futuros confrontos da 1ª rodada da Copa Davis 2013, cuja chave reproduzo abaixo. Além do confronto entre Brasil x EUA, três outros chamam minha atenção. Argentina x Alemanha, Canadá x Espanha e Suíça x Rep. Theca.

Infelizmente acho que os argentinos perderam o barco. Eles tiveram o momento mágico de dois tenistas diferenciados jogarem a Davis em uma mesma época – Nalbandian e Delpo – e não aproveitaram. Infelizmente, os respectivos egos não deixaram as personalidades envolvidas se entenderem. Nalba é um cara difícil, mas comprometido com a Davis, que ama de paixão. Delpo um introvertido, com suas próprias questões, com dificuldades de relacionamento, especialmente com os companheiros de time – não somente Nalba. Os hermanos enfrentam os alemães em casa. Resta saber o quanto os alemães, que tem um bom time com Kohlschreiber, Mayer, Stebe e o duplista Petzchener, vão querer se sacrificar e ir a Buenos Aires jogar na terra, após a Austrália, no meio do circuito de quadras rápidas.

Os canadenses recebem os espanhóis e pode-se esperar que os recebam no piso mais rápido que consigam aprovar na FIT. Eles têm o sacador Raonic, que vem melhorando constantemente e uma hora dessas afinará seu arsenal. Os canadenses não tem um 2º jogador e a dupla depende do Nestor, um quarentão que sabe tudo de duplas. Fica a incógnita de se Nadal jogará.

A mesma incógnita para Suíça x Rep Theca – que está na final desta temporada, contra a Espanha – Federer vai se dignar a jogar? Tenho dúvidas. Os jogos serão na Suíça e eu diria que a temporada 2013 é a última chance de Federer conquistar o grande título que lhe falta (não ganhou a medalha de ouro nas simples, mas ganhou nas duplas). O bonitão não diz que sim nem que não, pelo contrário, veja bem. Teoricamente eles têm time para ganhar a competição. Mas a competição não parece motivá-los tanto como a outros países. Contra os checos é uma oportunidade de Federer se vingar de Berdych, se é que ele precisa disso. Se os checos – que jogam a final em casa e tem boas chances de bater os espanhóis, se o Berdych conseguir jogar bem, o que ele vem fazendo cada vez mais desde que arrumou aquela namorada com a boquinha pornográfica – estarão mais motivados ou mais acomodados eu não sei dizer, mas se o Fed jogar será uma tremenda disputa.

PS: A partir do início de Outubro haverá mudanças no Blog do Paulo Cleto, inclusive com a possível mudança de Portal e endereço. Para tal, fiquem atentos a mais notícias e, se necessário, recorram ao endereço: www. tenisnet.com. br  ou à página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet

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