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Arquivo da Categoria Copa Davis

terça-feira, 19 de novembro de 2013 Copa Davis | 13:51

Dinâmica

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Nenhuma surpresa com a vitória da Rep. Checa sobre a Sérvia. Pelo contrário, correu tudo conforme o script. O estranho é que os perdedores nao tenham apresentado nenhuma surpresa para mudá-lo.

A coisa foi tao o esperado que todas as partidas foram decididas em três sets. Sem emoçoes.

O primeiro dia nao aconteceu nada. E o assunto foi mesmo decidido nas duplas, no sábado.

A maior pergunta do confronto foi porque Novak Djokovic nao jogou a dupla no sábado. Aí temos duas versoes, vocês escolham a sua.

Os checos Berdich/Stepanek formam uma grande dupla, que estaria entre as melhores do mundo se jogassem juntos o circuito. Stepanek é um dos melhores, senao o melhor duplista da atualidade. Berdich tem a mao pesadissima nas devolouçoes e é um grande sacador. Nao é um grande voleador, mas quebra o galho. Os dois tem um impressionante recorde de 15 vitórias e uma única derrota na Davis. Uma de suas vítimas sendo a dupla Djoko e Zimonjich – isso deve ter ficado na cabeça do capitao sérvio.

Nao sei qual a dinâmica do time servio, mas acho muuuito difícil que Djoko tenha ficado de fora de duplas sem avalizar a decisao, senao que ele mesmo a tenha feito. O capitao afirmou que a decisao final foi dele. A dupla Zimonjic/Bozoljiac havia batido os irmaos Bryan esta temporada, na Davis, algo que deve ter falado alto na decisao. Mas jogar fora como zebra e jogar em casa em uma situaçao de vitória obrigatória sao duas coisas muuuito diferentes. Daria para Djoko/Zimonyic ganharem? Duvido, mas nunca saberemos, até porque Djoko nao é grande duplista e o Zimonjic que aos 37 anos vem atuando mais como coveiro do que como o grande duplista que foi.

Entao talvez os servios tenham levantado as maos aos céus e entregado pra Deus, esperando uma vitória da dupla fantasma. Stepanek levantou o dedinho e disse: “nananinhanao!! Nao comigo em quadra”.

Talvez Djoko tenha consultado uma das ciganas de Belgrado e descobriu o óbvio: que sem Tipsarevic e Troicki a coisa nao iria rolar. E decidiu proteger o seu patrimônio: ganho as duas simples e me consagro na vitória sobre Berdich, se for o caso, ou ganho as duas simples e alguém que se exploda no quinto jogo- mas nas duplas estou fora!

Nao sei qual o raciocínio que definiu a decisao, mas no time sérvio todos sabiam que com a derrota nas duplas acabara o sonho. E o garotao Lajovic foi para o sacrifício.

Stepanek, que é um tremendo malaco, foi a estrela do começo ao fim. Ele é o terceiro jogador da história a vencer a quinta partida na final – os outros foram os titânicos Cochet e Perry. Até se deu ao luxo de jogar contra Djoko, sabendo que nao era essa a partida que faria a diferença. Em todos os jogos deixou uma persona ser o protagonista, bancando o bonzinho e nao aprontando, nem de longe, algo que pudesse levantar a torcida, que aliás foi triste. Os caras só torcem na certa? Os checos fizeram muito mais barulho do que os milhares de servios, que se conformaram com a derrota, especialmente durante e depois das duplas. Aplaudiram seu ultra-campeao, mas nao entraram no confronto, até porque nao houve chance.

Djokovic nao foi o melhor dos esportistas, ao dar um default no jantar de encerramento, uma afronta raramente vista na Copa Davis. Nos meus 18 anos de Davis o meu time nunca teve a ausência de nenhum tenista, na vitória ou na derrota, até porque antigamente o jantar era na quarta-feira e nao depois. Já tive uruguaio dando baixaria, bêbado como um gambá e falando bobagem após tomarem um chocolate na Academia de Tênis em Brasilia. Mas nao aparecer, Djoko foi um dos poucos que sei. Que conste que resto do time servio compareceu. A ausência nao passou desapercebida e a limpo por Berdich, que tirou uma com a cara do sérvio, dizendo que estava “louco para dançar com Novak”, e se dizendo “triste” com a ausência. Logo depois achou melhor apagar um dos tuites.

Enfim, a Copa Davis sempre mexe com as mais distintas emoçoes e o servios vao ter uma enorme dificuldade em aceitar a perda da chance de vencerem novamente, e em casa, uma competiçao que fala tao alto com a alma de um país com um orgulho e história tao ricos. Até eu fiquei triste por eles.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013 Copa Davis | 15:25

Queimando?

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Como escrevi, nenhuma chance para o Gala de Praga contra El Djoko. Três sets a zero e Sérvia 1xo. Ainda penso ser uma bobagem “queimar” Stepanek em uma partida com quase nenhuma chance de vitória, sendo que as suas próximas duas partidas sao de vida ou morte para o time. E ele nao é mais nenhum garotao para ficar queimando energias. É gastar dinheiro bom com coisa ruim.

De novo, existe a possibilidade de checos estarem pensando em Rosol para a última partida.

Teoricamente Berdich deve empatar agora e a batata quente ficars para as duplas amanha.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013 Copa Davis | 15:47

Chama a ambulância

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O que parecia favas contadas ficou ruço. Ou eslavo? Jogando em casa, com o #2 do mundo liderando e uma torcida totalmente irada dando suporte, os sérvios nao estavam vendo muitas maneiras de deixar escapar mais um título da Davis – logo eles que sao nacionalistas ao extremo. E tome extremo nisso.

Agora as notícias confirmadas – antes eram só notícia temidas – da suspensao de Troicki e a contusao de Jarko Tipsarevic, que nao conseguiu se recuperar a tempo, ambos estao fora da final da Copa Davis. Isso abre um novo e distinto cenário para um forte equilíbrio. Nao custa lembrar que também os checos perderam, dias atrás, seu capitao Navratil para uma embolia pulmonar. Bruxa tá solta.

Como ex capitao fico sempre pensando nos bastidores de um confronto – sabendo que certas notícias nunca vazam – assim como do porque fizeram ou nao certas decisoes.

El Djoko deve garantir seus dois pontos. Deve, nao que vá – logo explico.

Assim sendo, as duplas decidiriam o confronto, como tantas vezes fizeram. Porque o substituto de Tipsarevic, Dusan Lajovic, #117 do ranking, nao deve ganhar nenhum ponto – a princípio, porque já vi cada zebra.

Sendo assim, dentro de uma normalidade, Djoko abre o confronto batendo Stepanek, o que já deixa o Lajovic numa boa e o Berdich pressionado. Mas o checo deve ganhar.

Vamos pras duplas. A que eles anunciam, Bozoljac e Zimonjic vc Hajek e Rosol, nao vale um tostao furado. Os técnicos podem mudar isso até uma hora antes do jogo. O confronto das duplas deve ser mesmo entre Djoko e Zimonjic vc Stepanek e Berdich – super equilibrado.

Na penúltima vez que jogaram, também em Belgrado, os servios ganharam por 3×2. Nao sem pegadinhas e emoçoes. Djoko nao jogou no 1o dia (Troicki e Tipsarevic). Mas jogou as duplas (a mesma dupla que deve ser jogada no sábado) e perderam. No entanto ganhou a simples contra Berdich na 4a partida.

Já no ano passado a situaçao mudou. Djokovic nao jogou nenhuma partida. E só Tipsarevic venceu uma partida, contra Stepanek, e os checos venceram 4×1.

O que eu nao entendi deste ano é o seguinte: porque o capitao checo colocou Stepanek na 1a partida contra Djoko, um jogo que nao deve vencer, a nao ser que o servio caia duro em quadra? (Em 9 partidas o checo venceu somente uma em 2006).

Explico. Se tudo correr normal. Berdich ganha sua simples contra Lajovc. Ai temos a duplas e eles que se entendam e vença os melhores. Mas no 3o dia Berdich e Djoko se enfrentam na 1a partida do dia e um deles estará com a corda no pescoço por conta das duplas. Isso porque Berdich já tem a corda no pescoço por ser um fregues do sérvio (14×2).

Entao, as duplas sao importantíssimas para ambos, e cruciais para os checos – pressao!! Se os checos ganharem as duplas e Djoko confirmar o favoritismo contra Berdich, os dois #2 decidem na partida final – teoricamente Stepanek e Lajovic. Aí minha dúvida. Para que colocar o veterano Gala de Praga para jogar três dias seguidos, correndo riscos de cansaços e contusoes – ele ficou meses sem jogar por conta de uma. Mais sentido seria colocar o maluco do Rosol para jogar contra o Djoko, falando para ele fechar os olhos e dar na bola, algo que ele sabe fazer bem (lembrem Nadal Wimbledon 2012!), e deixar o Gala para as duplas e o 5o e decisivo jogo.

Dessa maneira a pegadinha checa parece ser colocar o Rosol para enfrentar o tal de Lajovic no último jogo, sempre uma temeridade, conhecendo o Rosol. A nao ser que os servios venham com o Zimonjic, de 37 anos, sacando e voleando. Lembrando que os servios ainda tem o tal de Bozoljac, que barbarizou nas duplas contra os Bros Bryan, levando os servios às semis, mas é #238 em simples. Bem, aí chama ambulância e os homens de branco.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Masculino | 15:31

A diferença

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Pelo andar da carruagem Rafael Nadal corre o risco de um dia encerrar a carreira sem vencer o Masters. O evento nao tem o peso de um Slam, nem de longe, mas tem sua importância. A pegadinha é que ele é sempre jogado indoors e em quadra razoavelmente rápida. Alguns anos atrás, o Tio Toni já falava cobras e lagartos a respeito da escolha do piso, quando o evento ainda era na China. Agora, com Rafa já crescidinho, é o tenista que acusa a ATP de “nao deixá-lo ganhar o Masters”. Isso porque os caras nao colocam o evento em algum piso mais lento, o que ficaria mais a seu feitio.

É um pouco de cara de pau do espanhol. No saibro é que nao vai rolar, nao nessa hora da temporada. Após mais uma choradeira iberiana Federer afirmou que do jeito que está, está de bom tamanho, nao deixando a conversa se alongar. Fora que o evento em Londres é fantastico. E o Rio queria traze-lo para cá. Com a quebradeira do Eike ficou ainda mais impossível. O evento está definido que fica em Londres pelo menos até 2015, meses antes da nossa Olimpíada. É mais uma chance que perdemos.

O espanhol anda sem sorte, pelo menos nesse assunto. Se antes era Federer que nao lhe permitia ganhar, agora ele tem novo carrasco nas maos de El Djoko. Quando a quadra é rápida o espanhol ainda faz milagres, mas sempre fica faltando um.

Se antes era difícil bater o suíço, agora o sérvio tem o edge a seu favor. Nadal reclamou que o saque foi a diferença na final. Foi uma das. A diferença mesmo todos sabem, mas o espanhol nao vai ficar falando publicamente. Aquele revés com as duas maos, pegando o “ganchao” na subida e distribuindo para os dois lados da quadra é o que desequilibra a partida e a correria do espanhol. Ele deve ficar louco da vida com aquele antídoto ao seu melhor golpe. É mané, todos temos nosso algoz.

Desta maneira ficou bom para Djoko e Nadal, que deve ser, mais uma vez, a grande rivalidade de 2014. Nadal teve uma temporada inesquecível, especialmente após a contusao do ano passado, e Djoko conseguiu ter uma ótimo segundo semestre, coroando-o em Londres. Os dois vao chegar à Austrália hiper confiantes. E o sérvio ainda tem a final da Copa Davis, o que deve lhe dar ainda mais alegrias e confiança. A Sérvia é a favorita contra a Rep Checa, inclusive por jogar em casa.

 

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terça-feira, 17 de setembro de 2013 Copa Davis, Sem categoria | 11:03

Yellow brick road

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Quando escrevo que o tênis é um “jogo”, não de azar, ou sorte, não de força, não só de talento e habilidades físicas sinto que ainda não sou compreendido na medida exata. Tudo isso, e muito mais, faz parte. Mas o principal componente, o amalgama final, são o mental e o emocional, que podem parecer ser a mesma coisa, mas não o são, mas são o que forjam os campeões.

É com tristeza, por ele e por todos nós, fãs do tênis brasileiros, que acompanho, à distância e pela TV, a carreira de Thomaz Bellucci não decolar como poderia e se esperava, pelo imenso talento e arsenal técnico. E agora, em um cenário ainda mais doloroso, regredir e, pior, entrar em zona de perigo.

Este ano foi uma tristeza para o tenista. Poucas vitórias – nenhuma de grande valor, talvez a sobre Isner na Copa Davis, mas o grandão vinha de contusão e estava avariado, e de muitas derrotas, e várias para gente de quem não deveria mais perder.

A contusão no abdômen não ajudou – elas nunca ajudam – e veio em momento crítico, quando começava a temporada no saibro, seu piso favorito e campo de suas maiores conquistas, e após alguns bons resultados, em Miami e Barcelona (ambas 3ª rodada). Na Espanha ele se contundiu, em Abril, e só voltou a competir em Julho, em Stuttgart. Dalí para frente ganhou dois jogos e perdeu dez, incluindo a Davis este ultimo fim de semana, onde não ganhou um set em dois confrontos.

Não há confiança que resista a tanto mal trato. E Thomaz sempre foi um tenista que performa na confiança. Ganhar jogo no estresse, na marra, na briga de rua nunca foi seu perfil predileto.

Não sei quanto a contusão, desta vez no ombro direito, foi causa de suas derrotas na Alemanha. Só posso crer que em nada, se não teria sido irresponsabilidade. Jogar com dores faz parte da carreira do atleta. Incomoda, prejudica, um verdadeiro “saco”, mas faz parte e não pode fazer a diferença.

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Pelo menos à distância, e ela sempre pode enganar, a dor parece ser mais acima do pescoço e, quiçá, no lado esquerdo do peito. É difícil para qualquer tenista sair dos top100. É um massacre emocional, um ultraje jogado à sua cara, uma derrota pessoal, especialmente quando já se foi praticamente Top20, aos 22 anos e uma estrada de tijolos amarelos se abria à sua frente com mil promessas no horizonte.

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quinta-feira, 11 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 10:22

Na Alemanha

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O Brasil vai enfrentar a Alemanha, fora de casa, pela repescagem do Grupo Mundial. O adversário não é dos piores para se enfrentar, mas a combinação de jogar fora de casa, com um time capenga, contra um adversário que se não é dos mais perigosos seguramente é um time redondo com Florian Meyer, P. Kohlschreiber, B. Becker, Petzschner, Kamke e a possibilidade, remota, de Tommy Haas, não é das mais interessantes.

O piso favorito dos alemães é o saibro, mas como crescem jogando metade do ano indoors não tem dificuldades com a mudança. A partida será em Setembro, quando ainda poderiam facilmente jogar outdoors na terra. Mas considerando a derrota que sofreram no saibro do Rio de Janeiro em 1992 e o histórico de Bellucci, duvido que alguém lá sugira isso. Devem ir mesmo para indoors; dura ou carpete.

O Brasil já enfrentou os alemães em cinco oportunidades, sendo que nas ultimas três eu era o técnico/capitão; as primeiras duas (1952 e 59) na Alemanha, quando o então presidente da CBT abria mão de jogar em casa por conveniência, dele e dos tenistas. Perdemos uma e ganhamos a outra. Na derrota tivemos o recem falecido Armando Vieira vencendo as duas simples, uma delas sobre o famoso Barão Von Cramm, então com 43 anos, vencedor de Roland Garros duas vezes e finalista de Wimbledon em três ocasiões e o US Open em uma, dono de uma história riquissima envolvendo cavalheirismo, era o tenista mais admirado pelos adversários, prisão pelos nazistas por se recusar a fazer o jogo deles em propaganda, proibição de jogar, luta e condecoração nos campos de batalha da 2a guerra, casamentos milionários e casos homossexuais – não se faz mais tenistas como antigamente.

Em 1981 jogamos no tapete, na quadra coberta do pequeno Ibirapuera. Para a escolha eu contava com o estilo agressivo de Thomaz Koch e Carlos Kirmayr. Kirmayr ganhou as duas simples, mas Koch perdeu as suas duas. O marcante foi a vitória de Kirmayr sobre Pinner, que batera Koch em 3 sets no primeiro dia. Kirmayr venceu o 3o set por 21/19, um dos mais longos da história.

O confronto foi decidido nas duplas, quando Kirmayr e Hocevar foram derrotados por dois especialistas em duplas; Beutel e Zipf.  Outro fato marcante foi que tivemos o serviço quebrado no 11×11, graças a chamada de um foot-fault de um juiz de linha brasileiro(nissei) no break-point, que acabou decidindo o confronto. Sim, aqui não se roubava a favor, se roubava contra.

O confronto seguinte foi em Essen e quem organizava o evento era o Ion Tiriac, então manager de Boris Becker. Desde lá, o romeno, dono do Torneio de Madrid, gostava de aprontar com quadras. Colocaram as partidas em um tapete de escritório que era mais rápido do que gelo. Trataram-nos como país do 4º mundo em diversos aspectos e itens, (tenho altíssimas suspeitas que o árbitro, um italiano dos mais sem vergonha e que eventualmente foi expulso da FIT, nos roubou já no sorteio) sempre privilegiando os da casa, o que é compreensível, mas insistentemente nos prejudicando, o que é inaceitável. Tomamos um cacete. A vingança viria quatro anos mais tarde no Rio de Janeiro, com Boris Becker (então #3 do mundo e #1 três meses antes) e tudo; mas isso é uma outra história que contarei outro dia. Agora, em Setembro, é lá.

Carlos Kirmayr

Armando Vieira

O Barão Von Cramm e seu grande rival, Don Budge, um dos pouquissimos que venceu os quatro GS no mesmo ano.

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sexta-feira, 5 de abril de 2013 Copa Davis | 11:36

Gasquet

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Em mundo com tantas mudanças, certas coisas permanecem. Richard Gasquet ficou de fora dos jogos da Davis, fazendo cara de choro e alegando dores no tornozelo. Sei. Nesses casos se deve ser cuidadoso com o que escreve.

Mas o fato dos franceses convencerem um tenista #13 do mundo ir à Buenos Aires para sequer estar no time – seu status original – é porque algo muito convicente havia no ar. As reverberações do que o capitão anterior – Guy Forget – levantou anteriormente sobre as qualificações emocionais do Gasquet estão no ar.

Ao contrário de Gasquet, que mais uma vez se colocou nessa posição – algo que, já disse antes, como capitão vi mais de uma vez – Simon só teve boas coisas a dizer sobre sua escalação emcima da hora. E nenhuma delas foi charadeira do tipo “estão querendo me queimar porque estão me colocando pra jogar, que é o que vim fazer aqui na Argentina” como tabém vi e ouvi como capitão.

Aliás, as declarações do Simon, que enfrenta o Juan Monaco hoje, no Parque Roca, em Buenos Aires, tarefa nada agradável, foram do tipo; “estou pronto para o desafio”, “Monaco não é fraco, mas não está confiante”, “tenho que colocar pressão desde o começo (algo que quero ver o Simon fazer), “estou bem, o grupo é forte e temos um novo capitão (Clement). Agora é na quadra. Só que antes teremos Tsonga e Berlocq, já que o capitão argentino deixou Nalbandian de fora; pelo menos hoje (leiam o Post anterior).

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quinta-feira, 4 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 10:08

Sérvios em Boise, Idaho

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Ao que parece, no Brasil vamos acompanhar o confronto entre EUA x Sérvia pela Copa Davis na SporTV. Pode não ser o meu confronto preferido na data, mas acho ótimo poder acompanhar um confronto pela TV, uma grande mudança da época em que eu era o técnico do time brasileiro. Então era tudo escondido, podia e acontecia qualquer coisa, e eram raras as oportunidades que temos agora a cada data de confrontos. Viva o progresso – pelo menos em algumas áreas!

Novak Djokovic declarou, assim que chegou à simpática Boise, Idaho, que sozinho ele não ganha o confronto, colocando pressão em seus companheiros, especialmente Victor Troicki. É verdade, mas ajuda barbaridades. Mas, geralmente um tenista cresce e carrega o time a cada confronto. E Novak gosta de defender seu país. Ajuda ele terá, mesmo com a ausência do baixinho Tipsarevic. Victor joga a outra simples e Zimonjic e mais alguém joga a duplas.

Os americanos precisam ganhar os dois jogos contra Troicki e as duplas. Seu técnico tem a escalação definida e ela não aceita contusões ou improvisações. Os americanos vão com o mesmo time que quase fez um papelão contra os brasileiros, só que desta vez levaram os adversários para as cercanias do fim do mundo e em uma quadra dura que, dizem, não é tão rápida. Interessante a ver como será a torcida lá em Boise, local sem tradição alguma no tênis. Os americanos estarão com mais ritmo de jogo do que estavam contra o Brasil e jogarão como zebras em casa, uma posição bem mais confortável.

O capitão sérvio tem que decidir se arrisca colocar um de seus singlistas para jogar as duplas. Se Victor bater Querry no primeiro dia, de quem ganhou duas em três vezes, e Djoko bater Isner, de quem perdeu em Indian Wells, não precisará inventar, mas dá para ver que não é tão simples. O confronto é na quadra e as possibilidades prometem. Especialmente o primeiro dia.

Djoko – pressionando o parceiro.

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quarta-feira, 3 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 16:57

Os franceses em Buenos Aires

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O fim de semana terá as quartas de final da Copa Davis. Canadá x Itália, EUA x Sérvia, Argentina x França, Cazaquistão x Rep Checa. De todos, eu escolheria um para assistir – Argentina x França.

Não porque vale o passeio a Buenos Aires, o que talvez até valha, apesar de algumas histórias tenebrosas que ouço e do esforço que a senhoura de lá está fazendo para jogar o país no chão.

Os hermanos não terão Del Potro, por contusão (será que é só isso? O cara parace não gostar da Davis e sua pressão). Ele deve voltar às quadras em Monte Carlo, onde nunca venceu uma partida – percebe-se que o saibro não é sua praia. Mas é do resto dos argentinos que estarão de braços abertos para receber os franceses no saibro do Parque Roca.

De um lado, Nalbandian, Monaco, Berlocq e Zeballos. Do outro, Tsonga, Gasquet, Benneteau e Llodra – Simon também está em BA, mas só fazendo companhia, pode entrar no time até amanhã se necessário.

Tenho poucas duvidas que o capitão francês Arnaud Clement escalará Tsonga e Gasquet para as simples e os outros dois nas duplas. E os hermanos?

O capitão Martin Jaite é pragmático e tem um belo pepino nas mãos. Monaco é #19, Zeballos #39, Berlocq #71 e Nalba #128. Será que ele deixa o Pança para as duplas e como possível surpresa para o 3º dia? Será que tira também o Monaco, que não vem ganhando de ninguém e coloca o Zeballos, que ganhou Vina, batendo Nadal na final, e o Berlocq, que vem jogando bem? O Zeballos pode entrar, o Berlocq duvido. Mas com certeza com suas informações de coxeira o Jaite saberá o que será melhor fazer.

No papel temos dois cenários. Os argentinos jogando em casa, e no saibro, são os favoritos. Olhando o ranking e a tradição na Davis, os franceses levam vantagem. No entanto, os argentinos têm um Nalbandian em decadência e um resto de time ainda sem grandes históricos na competição, e os franceses são liderados por dois tenistas um tanto quanto frágeis na competição, especialmente o Gasquet.

Ambíguo? Sim, e também por isso um confronto interessante.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:41

O Ibirapuera

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Eu sou um que detesto pagar por um serviço e ser mal atendido. Reclamo e acho que é direito de quem paga se manifestar. E não sou de mandar mensagem, reclamo ao vivo e a cores. Assim sendo, entendo a revolta de alguns e reclamações de outros.

Vários pontos foram levantados e criticados no Brasil Open, que de muitas formas foi um sucesso. Não vou ficar defendendo a promotora do evento, como alguns leitores sugeriram que faço, até porque não tenho procuração, nem recebo, para isso; aliás não recebo para nada.

No entanto, os meus leitores comparecem para ler o que penso e escrevo. Vamos lá.

O fato de ter faltado assentos e as pessoas com ingressos nas mãos terminarem nas escadarias é algo que não devia acontecer. Na pior das hipóteses, deveriam ter um sistema que prevenisse o fato e o impedisse de acontecer. Na melhor, concordo com aqueles que afirmam que assentos numerados evitariam muitas dores de cabeça – talvez agora aprendam. No entanto, sugerir que a organizadora vendeu a mais, eu acredito ser bobagem – os que assim querem acreditar, que o façam. Esses “trocados” não farão uma diferença para o Sr. Tavares. Atentem que o problema focou-se no anel inferior, área de convidados e de utilização de pulserinhas. Para quem quer mais detalhes, leiam o relato, ou confissão, de um leitor nos comentários do Post anterior sobre a sua “entrada” no estádio de maneira irregular.

Outro leitor, acredito que o Giulianno, apontou que existem dois fatos distintos; erros de organização e carência de infraestrutura. Pelos primeiros a organizadora responde, pelo segundo o Estado de São Paulo, que no início do século XXI nos mantém no XIX em termos de locais públicos de entretenimento. O Ibirapuera é uma piada de mau gosto. Pior, não há planos de construir outro local na cidade. Uma caminhada do ginásio até as sofríveis quadras secundárias deixava a impressão de estarmos em um país pobre na África e em um paraíso de funcionários públicos sem função. O estacionamento do local é uma extorsão e o entorno do estádio é domínio de bandidos que nos extorquem como guardadores de carros, sob os olhos de guardas que só tem olhos para a caderneta de multas – somos roubados de todos os lados e com a conivência de, e pelo, poder público.

O piso poderia e deveria ser melhor. Mas quadras de saibro cobertas são problemáticas em qualquer lugar. Especialmente as temporárias. Quem lembrar dos confrontos de Copa Davis que a Espanha hospedou vai lembrar da reação dos adversários sob a qualidade do piso. Até a Suíça pecou contra os EUA. Ouvi dizer que desta vez o Estado exigiu uma proteção para o piso de cimento. Colocaram então, de lado a lado, a extensão do carpete que rodeava a quadra central e, por cima, um toque de gênio, um plástico preto daqueles de construção. Por fim, 5cm de saibro compactado. Talvez devessem ter posto mais saibro, dando mais peso e consistência à quadra, e talvez não devessem ter usado o plástico. Com um impacto de algumas deslizadas dos tenistas, o plástico por vezes escorregava, ouvi dizer, especialmente no início da semana, antes de assentar. As quadras secundárias estavam bem ruins – mas que fique claro; já vi piores até nos EUA. Mas o local é ainda mais triste do que o Ginásio.

No assunto das bolas foi falado muita bobagem. Teve gente que, se achando inteligente, reproduziu aqui a “acusação” do técnico espanhol Jose Perlas dizendo que são bolas de “supermercado”. É o mesmo tipo de asneira que afirmar que a bola da Copa na África do Sul era de mentirinha, ou uma droga, porque mais leve. A bola usada no Brasil Open foi a Wilson Championship Extra Duty, a mais vendida no país há 20 anos. Não há nada de errado com a bola, pelo contrário, a Wilson é líder de mercado mundo afora. No entanto, a Championship tem características de ser uma bola mais “esperta”, mais leve, o que está totalmente nos conformes. Em tempos de pasteurização do jogo (em pisos e bolas) pode ser um alento para o público pelas opções que apresenta ou uma dificuldade para o tenista que prefere a padronização. Aliado ao fato de se jogar a 600m de altitude, contra o fato de a esmagadora maioria dos eventos em terra ser jogado na altura do mar, é uma boa diferença na hora de controlar a bolinha. Foi sugerido que Thomaz Bellucci escolheu a bola, já que “cresceu” treinando com ela, além de que a tal aliança de peso, altitude e uso, teoricamente, o ajudaria bastante pelo estilo. Ele negou – de qualquer maneira não soube aproveitar a vantagem. Porém que fique muuuito claro, é condizente com as regras, com o que se faz mundo afora e a bola é opção dos organizadores.

Os espanhóis aprenderam que o negócio é bater forte, especialmente quando não têm razão, para forçar as coisas a serem do seu jeito. A chiadeira de Nadal por mais torneios no saibro e menos de duras, e contra a regra dos 25 segundos, seguem a mesma linha. Quanto ao Sr. Perlas, o fato de seu jogador ter eliminado Bellucci e Feijão nas duplas, e no dia seguinte pular fora do evento alegando contusão, e ir para Buenos Aires fala bem de sua ética. É um fanfarrão.

Quanto à infraestrutura, o Ibirapuera é carente para receber um público desse porte em um evento de quase 12h por dia, durante 10 dias. Não há banheiros dignos. A oferta de alimentação é uma piada. A área de hospitalidade e o conforto inexistentes. Em qualquer arena moderna são inúmeras as opções de oferta de alimentação; aliás, uma maneira de se faturar mais, além de acabar com aquela coisa ridícula e antiquada de vendedores passando com pipocas e água – não vi um bebedouro no local, o que é um absurdo. A organização também pecou – não sei ou entendo porque não há lugares onde se pudesse comer um bom lanche, tomar umas cervejas, conversar, a não ser os três lounges particulares. A não ser que seja até proibido ou proibitivo, pelas imposições, restrições e burocracia do Estado. Não vou nem mencionar a falta de ar condicionado. Na África tem coisa melhor, para não falar no Rio de Janeiro que tem, que eu saiba, dois, inclusive com ar condicionado.

Mais de 10 anos atrás, em 2000, perdemos a chance de hospedar o Masters, que foi para Lisboa e Kuerten ganhou, por conta da ausência de um local publico digno para recebermos eventos; esportivos e artísticos. Nem Prefeitura, nem Estado, nem Governo Federal mexem uma folha para mudar essa realidade, por ignorância, despreparo e desleixo. Uma bela arena em São Paulo, a maior cidade do país e do continente, estaria lotada o ano inteiro e traria milhões para a economia local, afora de ser uma excelente opção de laser e cultura que poderia receber mais de 3 milhões de pessoas/ano. Não escrevo nenhuma novidade, só o óbvio.

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