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Arquivo da Categoria Copa Davis

terça-feira, 10 de março de 2015 Brasil Open, Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:42

Fico com isto

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Esse negócio de procurar culpados quando de derrotas é papo furado. Até porque cada um procura o que pode e conhece e a maioria nao sabe o que procurar e nem conhece o bastante para enxergar quando aparece. Quando tomamos sete dos alemaes teve gente que ficou azucrinando por conta do Fred enquanto os maior culpado daquela xaropada, o mega marketeiro David Luiz, ainda anda por aí achando que é o melhor do mundo e as pessoas comprando esse gato por lebre.

Sendo assim, nao vou apontar dedos até porque certas horas a coisa toda fica óbvia.

Joao Feijao é a melhor coisa que aconteceu para nosso tênis desde que Thomaz Bellucci entrou entre os trinta do mundo e nos convenceu que tudo iria ficar azul. Sei, nao ficou. Sim, eu sei dos nossos duplistas, mas aí é outra história.

Nao sei até onde Feijao vai com sua nova fase. O que imagino é que ele, após Sao Paulo e Buenos Aires, encontrou uma maneira de jogar que dá certo para ele, e nos encanta, e vai agarrar isso como se fosse a ultima tábua da salvaçao. O cara descobriu, finalmente, que o Jogo de Tênis nao é uma competiçao de quem bate mais forte na bola. Bater forte e colocado sao dois predicados, mas o maior, de longe, é saber como ganhar uma partida, que é o que conta no final. Saber arrancar a vitória do adversário, que está ali para fazer a mesma coisa, é a diferença. Se, em tempos de Rafael Nadal, o maior gênio da história do tênis nesse quesito, o pessoal ainda nao aprendeu é melhor desistir.

Feijao nos convence até quando perde – eu senti, entre outras coisas, orgulho torcendo pra ele. Bellucci nao nos convence nem quando ganha. A nao ser em uma mega vitória como contra a Espanha, quando pensei que ele tivesse, finalmente, aprendido o valor de mais uma bola na quadra. Isso, sem contar com a dosagem correta da vibraçao em quadra e, mais importante, da sensibilidade para avaliar corretamente o momento do jogo, no set, no game, no ponto! O rapaz tem zero dessa vital sensibilidade. Ele joga um 15×15 como um 30×40. O primeiro e o último game, a bola fácil e a difícil, a cruzada e a paralela tudo igual.

Estou tentando apagar sua derrota para o Delbonis de minha mente, e por isso nao senti nem vontade de escrever. Mas teve um momento da partida, no início do 3o set, que exemplifica claramente isso. O Delbonis voltou na 2a feira totalmente borrado – alias o time brasileiro tinha que ter feito o diabo para aquele jogo nao começar no domingo, mas isso é outra história.

O Delbonis perde o 2o set, errando barbaridades e rezando para cada ponto acabar logo, e vai sacar no 1o game e fica 15×40! A compreensao do momento é tudo neste raciocínio. Se o Bellucci joga a bola para o outro lado com a mao o Delbonis enfiava no meio da rede tal o travamento de seu cérebro e braço. E o que o Belo faz? Aquilo que gosta de fazer; mete uma mega porrada de forehand down the line e a bola sai um tiquinho – e na Davis tiquinho também é fora.

Faltou o entendimento básico que o protagonista do momento era o argentino borrado pela pressao e nao ele. Pior, bem pior. O que era 15×40 em instantes virou game do argentino, que saiu vibrando como uma criança que o pai tirara do castigo. E nao ficou por aí. De doze pontos jogados após aquele direita, Bellucci perdeu 11! Três zero Delbonis! E o que era o seu momento foi pro ralo. Ali, naquele 1o game, era a vitória brasileira. Ali sacramentou-se a vitória argentina.

Nao posso e nao quero acabar o Post nessa nota. Tanta coisa certa foi feita em BA no fim de semana. A dupla brasileira, mais uma vez, mostrou seriedade, qualidade e confiabilidade. Nao vou nem me alongar em Joao Feijao Sousa, que foi o que mais ganhou com o evento; graças ao seu próprio mérito. Sacar atrás durante todo o quinto set, após mais de 6hrs de jogo, manter a placidez mental que sempre transpareceu e defender 10 match points é tarefa de Macho. A postura do capitao Joao Zwetsch durante essa batalha foi ótima. “Jogou” com seu pupilo, incentivou, conversou – deu pra ver que os jogadores confiam nele só pelo olhar. A equipe de apoio esteve presente, “consertando” o Feijao e tenho a certeza, vendo o resultado em quadra, que muitas outras coisas certa foram feitas pelo nosso time no fim de semana. Eu fico com isso.

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sábado, 7 de março de 2015 Brasil Open, Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:14

A um passo

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Poucas coisas deixam um atleta, ou qualquer um, tao motivado quanto ficar “mordido”. Joao Feijao ficar fora do time brasileiro na ultima ediçao da Davis foi um tapa nas suas fuças, algo que qualquer um com vergonha na cara nao aceita de bom grado. Se o capitao do time brasileiro tinha, ou nao, suas razoes sao outros quinhentos. O fato é que desde entao Joao Feijao mudou sua atitude, seu perfil, sua carreira. E para sorte de todos, especialmente dele, para melhor.

Hoje  Joao Feijao é o tenista #1 do Brasil por méritos. E, melhor, soube assumir seu novo status e responsabilidades ao entrar em quadra para abrir o confronto contra los hermanos. Se nao jogou bem do começo ao fim, soube, e isso é o mais importante, jogar bem na hora da onça beber água. Porque esse negócio de “jogar como nunca e perder como sempre” nao ajuda o time e mina a confiança coletiva. Por isso ficam os parabéns ao Feijao pela postura e o resultado. Jogou como gente grande e do jeito que eu sempre gostei quando era o técnico do time da Davis. E adorei sua declaração de que entrou em quadra para focar no positivo e nao deixar o negativo entrar. Com certeza lhe assopraram isso – e muito bem assoprado. Mas falar é fácil, eu que o diga, o difícil e executar.

Seu jogo nao está ainda todo formatado, e por mais tempo do que deveria jogou com a estratégia equivocada, o que quase lhe custou a partida. Mas soube encontrar dentro de si aquela chama que queima o coraçao do campeao, jogar a parte final da partida como macho e brindar o time com a importante vitória inicial.

Nem a tremenda apresentaçao do rapaz, e sua nova funçao de #1 do time conseguiram motivar Thomaz Bellucci. Pensei, por instantes, que, ao lhe tirarem esse peso dos ombros, Thomaz poderia nos brindar com seu melhor, como fez contra os espanhóis. Mas, creio, que ali uma parte do crédito vai para a maravilhosa torcida que lotou o Ibirapuera. Ontem ele nao mostrou a garra esperada, e necessária, para se vencer uma partida na Copa Davis. Tem jogos que você ganha porque joga mais do que o oponente – muitos porque você tem mais coraçao do que ele. Alooouuu Nadal!

A dinâmica do confronto foi apresentada logo no primeiro set, quando Thomaz, graças ao poderio de seu golpes e a insegurança inicial de Mayer, quebrou e sacou no 4×3 – um game determinante. Uma vantagem dessas nao se vende barato. Ele a jogou pela janela. Se leva aquele set pressionaria o argentino que estava contra a parede. Seu companheiro havia perdido, a dupla argentina nunca veria o sorriso da vitória – estava tudo em suas maos. E Bellucci jogou o game mais casual do baralho. Dali pra frente o argentino mandou no jogo e Thomaz só mostrou serviço, e vontade, de vencer no 3o set quando já estava com os pés no brejo. Mas logo voltou ao marasmo. E eu imaginei que após o o confronto em Sao Paulo ele teria entendido o valor da luta e da determinaçao em uma vitória.

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Eu sei lá a razao de os mineiros nao jogarem mais duplas no circuito. Afinal ele sao a nossa melhor, se nao única, chance de uma medalha nas Olimpíadas 2016. Os caras falam grosso nas duplas e se completam legal. Nos últimos tempos Marcelo melhorou seu jogo – técnica e mental, assim como tempos atrás Bruno já havia feito. De lá para cá só jogaram juntos na Davis – onde sempre jogaram muito. Na minha opiniao, que é de quem está dando palpite, os dois estariam mais bem servidos um com o outro do que com seus atuais parceiros. Peya é bom, mas nao tao bom, e dificilmente vai segurar a peteca quando Bruno jogar mal, o que acontece com qualquer um. Dodig é bom, mas é um jogador de simples e nem sempre está tao a fins de jogar as duplas, o que, as vezes, deve ser difícil para a cabeça do Marcelo, que deve ficar no maior conflito quando assiste o companheiro jogar simples.

Marcelo tem a envergadura que cobre a quadra e intimida os adversários. Bruno tem habilidades que geralmente duplistas carecem. Ambos melhoraram suas devoluçoes – determinantes nas duplas. Bruno melhorou muito seu serviço, o que fez enorme diferença no seu jogo, e sua técnica nos voleios está cada vez mais sólida ( a ponto de se se tornar, às vezes, um tanto relaxado).

Marcelo, pela altura, tem espaço para melhorar seu saque. Mas aprimorou seu posicionamento, o que faz muita diferença nas duplas, e usa e abusa do tamanho, assim como as devoluçoes, voleios e constância. Em Sao Paulo, Melo foi melhor em quadra, no geral. Em BA repetiu a dose, nos detalhes. Bruno vacilou um pouco em certos momentos, algo que as duplas, pela sua dinâmica, nao costumam perdoar. Mas, mostrando seu perfil e personalidade, além de ter jogado bem no geral, nas horas da onça mostrou seu talento, sua vontade de vencer e categoria. É uma questao de momento. Assim como Marcelo está surfando na confiança dos bons resultados recentes, Bruno parece estar incomodado pela minguada dos títulos de sua parceria e, óbvioa a consequente afetada confiança. No padrao que está, entre os melhores do mundo, atitude e confiança sao determinantes e fazem “A Diferença”. Mas é um prazer assistir a coreografia e qualidade do tênis que apresentam. E a alta chance de ganhar o ouro em casa é uma oportunidade única em uma carreira e vida, algo que nao deve ser substimado. Mas, talvez, o nao jogarem junto no circuito, e assim mesmo jogarem bem quando se encontram, seja uma estratégia para chegar “frescos” às Olimpíadas.

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Estamos a um passo – uma vitória – de bater os hermanos na casa deles. Se eles apresentaram um time bem abaixo da qualidade do que esperamos do tênis argentino é um problema deles.

Amanha, o quarto jogo será entre os cachorroes. Normalmente o favorito seria Mayer, #29 do mundo e jogando em casa, o que, pra ele, pode ser uma faca de dois legumes (ele recém declarou que, apesar de ser o #1 da equipe nao é o líder do time, o que deixa para o capitao – sei, conheço o perfil). E vale lembrar que no ultimo e recém confronto, no Brasil Open, The Bean Man ganhou, em partida inesquecível. A coisa está de bom tamanho pra nós.

Bellucci terá, se necessário for, a oportunidade de se redemir, como tantas já teve, e muitas mais do que a maioria das pessoas têm. Mas quem pensa que ele terá o esforçado e limitado Berlocq pode ter uma surpresa. Tenho a suspeita de que Orsanic, o capitao argentino, colocará em quadra o Delbonis, que é mais tenista do que o Berlocq. Este tem mais experiencia e é um tremendo guerreiro, o que deve ter feito a diferença na decisao de começar com ele. O Delbonis é mais verde e tem um saque – nunca vi alguém jogar a bola tao alta quanto ele pra sacar – que mia nas horas importantes. Mas é guerreiro, tem bons golpes – um forehand que anda bastante e um back que é uma certa loteria e que ele adora arriscar (pensando bem, tirando o saque, seu jogo lembra o do Bellucci) e, importante, terá na cadeira o ex-técnico de Bellucci.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 15:36

Cenário e pavio.

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Após a bela vitória do Feijao Souza sobre o eslovaco Klizan, tenho mesmo que escrever sobre o fato. Mas, antes disso, até como contraponto, uma palavra sobre a derrota de Tommy Robredo para Nicolas Almagro. Almagro nao ganhava dois jogos seguidos desde abril passado – esteve contundido o o semestre. Talvez por isso tenha vindo ao Brasil Open, que deve lhe trazer ótimas lembranças – o cara ganhou três de seus doze títulos no Brasil.

Mas quem me surpreendeu foi o Robredo. Esse é um tenista que associo à luta, suor e lágrimas. O cara adora correr, tem um tênis limitado, mas ótima cabeça e um coraçao é grande. Imagino que aos 32 anos deve estar contemplando a aposentadoria – ele fala sobre ela há tempos. Agora, o tênis que ele apresentou no Ibirapuera foi uma Vergonha para seus fas – notem o V maiúsculo. O rapaz está visivelmente destreinado para jogar no padrao ATP e fazer valer o fato de ser o 2o cabeça do torneio. Alias, nao sei o por detrás isso, só sei que desde Outubro ele só participou do Australian Open, onde jogou cinco games e desistiu. Entao é claro que está fora de forma e, provavelmente, voltando de contusao. Minha cabecinha ficou pensando quanto deram pra ele de garantia – entre Sao Paulo e Rio – para vir passar o carnaval por aqui.

O Feijao entrou em quadra com sangue nos olhos. Bom pra ele, azar do Klizan. Aliás, a noite teria sido ainda mais interessante – e o jogo deles foi ótimo – se Bellucci tivesse confirmado o serviço no 5×3. Lembrando, o atual técnico de Thomaz é o desafeto do Feijao e capitao do time da Davis que, até onde sei, nao foi divulgado, apesar de que o zumzumzum é que ele está de volta ao time. Ressalte-se que nao sei nada oficial sobre o assunto, mas, pela proximidade, começa em 6 de março, os tenistas mesmo já devem saber se estao ou nao no time. E, suponho, pelo bem do time, as arestas tenham sido aparadas e bola pra frente que atrás têm gente.

A vitória dele ontem foi na garra, algo que nem sempre ele traz pra mesa com a consistência que a carreira exige. Ele quis mais do que o outro. E bola ele tem pra incomodar. Mas, como todos estao carecas de saber, ter bola só nao faz uma carreira. Precisa bem mais do que isso; vontade, determinaçao, coragem, consistência, e podem estender a lista.

Como a vitória do Klizan tinha impacto indireto no assunto Copa Davis (o eslovaco bateu o Bellucci) entende-se a motivaçao extra. Agora, precisamos ver se o que ele apresentou se estende para o resto do evento ou se tem pavio curto. Porém, a partida de hoje tem ainda mais impacto no assunto Davis, já que ele enfrenta o argentino Leonardo Mayer, que deve ser titular no confronto contra o Brasil. Um ótimo cenário para ele manter a inspiração e mandar sua mensagem. E uma pedida melhor ainda para a torcida comparecer e dar uma força para o brasileiro, que adora a força que vem das arquibancadas. E que nao gosta? Alguém falou algo aí?

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Tênis Masculino | 00:34

De A a Z

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O que me impressionou na final da Copa Davis? Bem, sempre sou impressionado na Davis e pouca coisa me impressiona atualmente.

Nao vou me estender na lambança que os franceses fizeram com seu time, nem vou crucificar Arnauld Clement, o capitao que está sendo chamado de vários nomes em um francês que nao honraria Proust.

Das duas uma, dizem. Ou ele pecou porque colocou um Tsonga sem condiçoes de jogo no primeiro dia – ele estaria com dores de(no) cotovelo desde o começo da semana – e isso quer dizer que na 5a feira, quando escolheu os jogadores ele sabia e arriscou. E arriscou deixando a dupla campea de Roland Garros – o mesmo piso da final – manca.

Se nao pecou nem arriscou, marcou em colocar suas fichas em Gasquet, um tenista sem vibraçao e sem perfil para Copa Davis, como já dizia Forget, o ex capitao, que preferia a Mona Lisa do que ele em quadra. Aliás, a dupla titular do Clement era para ser o Tsonga e o Gasquet, e nao o Benneteau e mais um. Bem, os franceses tiveram suas chances jogando em casa e jogaram fora. Na verdade aprontaram uma belissima festa – para os suíços.

Alias, o Stan – o herói camuflado, mas um herói por ter colocado os suíços no caminho no 1o dia – está adorando uma confusao. Logo após a vitória deu declaraçoes polêmicas sobre como os franceses “falaram muito” antes dos jogos e, com uma risadinha, como eles encheram os próprios vestiários de champagne no Domingo de manha e tiveram que levar tudo para o vestiário suíço após a derrota. Ele foi chamado às falas por Monfils, Clement e Gasquet na festa de confraternizaçao e negócio quase acaba em porradas no banheiro – o cara tá irado!

O que mais me impressionou? Bem, nao foi o Boniton Federer jogando na 6a feira e tomando um vareio do BroMonfa, este sim com um belissimo espirito para a coisa. Após aquele chocolate os franceses devem ter começado a acreditar na Victoire! Isso até o outro afrofrances entrar em quadra e tomar uma aulinha do #2 suíço – a arma secreta helvética. Fica a dúvida cruel; Tsonga jogou sem condiçoes e piorou com a derrota? A sua ausência nas duplas foi decidida uma hora antes da partida.

Chega de lero-lero. O que mais me impressionou, e a qualquer um que goste e entenda um pouco de tênis, foi o espetáculo de Roger Federer nas duplas. Fazia tempo que em nao assistia um cara dar de macho como ele deu naquele jogo. Só nao fez chover porque o piso iria ficar ainda mais pesado do que os experts de Roland Garros aprontaram. O resto ele fez e mais um pouco. Aula!!

O cara devolveu todos os serviços no pé dos adversários. Enfiou nao sei quantas bolas no meio dos dois voleadores. Sacou com perfeiçao tática. Seu primeiro voleio – sempre crucial – deve ter deixado seu técnico Edberg com lágrimas nos olhos. Tirou uma tonelada de peso das costas do parceiro cobrindo seu lado, o meio e o do Stan. Na rede nao se posicionava perto da linha lateral de simples e sim sobre a linha central do T. “Deixa comigo, Stan my dear, que eu decido”. “Aquilo que a Mirka fez nao se faz e nossa amizade ficará marcada na história!”. Alias, alguém viu a Mirka?

O que Roger fez no Domingo, tratando o coitado do Gasquet como uma criança, é algo que ele fez durante os melhores anos de sua carreira com inúmeros adversários. O momento exigia Roger no seu melhor e ele nao deixou para depois, e muito menos deu milho pra bode como cansamos de ver nos últimos anos.

Mas foi o que fez nas duplas que ficará para sempre na minha memória. E se alguém gravou, guarde com carinho porque vale ouro. Uma aula de como se joga duplas no mais alto nível – que irmaos Bryans o que – reles amadores. Uma liçao de como se encara o próprio limite e o leva a outro patamar, de um dia para o outro, debaixo de uma terrível pressao causada pela altíssima expectativa, sua e dos conterrâneos, em um cenário hostil, do piso ao local. Aos 33 anos, o campeao, de A a Z, pode dormir em paz.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 20:39

França x Suíça

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Desde o começo eu escrevi que a conta nao fecha bem para Roger Federer na final da Davis. Colocando de lado o incontestável fato de que ele tem 33 anos, ter se contundido na semana anterior e mal ter treinado em um piso que sempre foi mais vulnerável, no qual nao joga desde Junho e é o que mais exige do físico, o Boniton pegou o pior cenário no sorteio. É muita coisa.

Ele foi sorteado para jogar o segundo jogo no primeiro dia. Isso quer dizer que tem o tempo mais curto de recuperaçao de todos os envolvidos, quando deveria, para ele, ser o inverso.

No Domingo ele obrigatoriamente joga a primeira partida. A partida de hoje foi mais do que nada para ele pegar ritmo. Duvido que ele tivesse realmente planos de bater Monfils. Este tem um dos melhores físicos do circuito, a quadra está lenta e o Monfa, que durante o circuito é um “brincalhao”, na Copa Davis é um bicho. Sempre vi ele crescer na competiçao – sua partida contra Nalbandian poucos anos atrás foi uma das melhores que já vi.

A dupla decide o confronto. E o homem que decide é Julien Benneteau, atual campeao de Roland Garros nas duplas, que deve escolher seu parceiro. Os franceses ficaram com receio de colocar dois duplistas e por isso Julien ficou sem seus parceiros favoritos; Vasselin, Llodra ou Mahut. Ou seja; ou vai de Gasquet, o mais provável e o que eu faria, e aí é um deus nos acuda ou vai com um dos singlistas, o que vai cansar alguem.

Será que o capitao Clement teria coragem de colocar Tsonga nas duplas e depois colocar o Gasquet contra Federer? Ou só fazer o Tsonga jogar os três dias? O fato é que os franceses têm várias opçoes e os suíços nao. Mas que as duplas decidem, decidem, especialmente para os suíços. Se perderem, ciao. Os franceses podem perder e ainda vencer o confronto.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014 Copa Davis, Masters, Roger Federer, Tênis Masculino | 00:43

Sensato?

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Era a final que todos queriam. A final que o Stan quase mela. Quase, a sina do Stan. Como nao colocou um primeiro saque na hora da onça beber água, o suíço numero2 morreu na praia. Contra um grande jogador todo erro tem um custo. Grandes erros, grandes custos.

Mas o jogo entre os dois conterrâneos foi tudo de bom e mais um pouco. Quem goste de tenis que aproveite. Está cada dia mais raro assistir um jogo legal entre dois tenistas com um tênis bonito. Já é difícil ter um deles em quadra, ter dois entao…

E todo mundo foi dormir pensando que assistiriam a partida mais esperada do torneio. Todos menos o Boniton, que começou a sentir dores ainda no TB e foi dormir sabendo do tamanho da encrenca.

Pelo o que disseram Federer fez a decisao pouco antes de entrar em quadra para aquecer. Mas garanto que o Murray nao estava por ali para assistir a final.

Nao importa. O importante é que o Boniton fez a decisao mais sensata. Teve um leitor que insinuou que o rapaz afinou. Delírio. O cara já jogou e ganhou partidas muito mais importantes através de mais de uma década.

O fato é que o Masters ele já ganhou cinco vezes, a Copa Davis nenhuma.

E para quem nao lembra a Suíça vai à França esta semana para a final da Davis de 2014. Esta é a ultima chance de Federer ganhar o evento e sua maior aposta da temporada. Pois é, deveria ter deixado o Stan ganhar. Nao teria se machucado, deixaria seu companheiro de equipe bem mais confiante e menos frustrado.

Mas nao deu para se conter. Agora o bicho vai pegar e os franceses devem ter aberto um Petrus em Lille para celebrar.

A final da Davis é no saibro coberto, o que já é uma quadra bem diferente. Além disso, os suíços nao jogam no saibro desde Roland Garros em Junho. Os franceses já estao por lá treinando. Se a contusao de Federer for bem leve, ele nao volta a jogar antes de 3a ou 4a feira. O que o deixaria com somente um ou dois dias de treino na tal quadra para se adaptar ao piso – beeem pouco. Além disso, o Boniton terá que jogar três dias seguidos, a nao ser que alguém vença em dois. E, para completar, Federer, melhor rankeado do que Stan, teria que fazer o primeiro jogo de domingo, enfrentando Tsonga, após ter enfrentado Monfils ou Simon, dois tremendos paparras no primeiro dia e jogado as duplas no sábado. Tudo em melhor de cinco sets. Por isso a sensatez.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 Copa Davis, Olimpíadas, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:18

Gala

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Thomaz Bellucci nao deve ser um cara muito bem quisto lá pelas terras tenisticas ibéricas. Gostado nao, respeitado sim. Suspeito que ele deva preferir o respeito, que dentro e fora de uma quadra é bom e faz bem.

A surpreendente derrota do time espanhol na Copa Davis, muito pelas maos de Bellucci (assim como dos mineiros) causou um terremoto por lá. E a conseqüência mais visível, e imprevisível, foi que o presidente da federaçao local, Jose Escanuela, decidiu indicar uma mulher como capita do time da Davis. Um brincalhao falando sério.

O presidente nao esteve presente em Sao Paulo. Segundo suas palavras “foi a primeira vez que nao esteve presente como presidente”. Eu diria que escolheu uma má hora, assim como outros tenistas que recusaram a convocaçao de Carlos Moya.

Após a derrota Escanuela tentou convencer Moya a ficar, mas o rapaz disse “no gracias”. Mostrou vergonha na cara, já que seus “amigos” lhe deixaram na mao.

E o que Escanuela fez? Convocou para seu lugar uma mulher – Gala Leon. O cara devia estar muito bravo com os tenistas. Eu diria que chamar alguém totalmente fora do cenário do tênis masculino, e ainda mais uma mulher, sem ter consultado um tenista sequer – pelo menos entre os possíveis convocados – foi uma atitude temerária dele, assim como ambiciosa dela em aceitar.

Começaram o ouvir imediatamente. O primeiro a chutar a porta, e aí nenhuma novidade, foi Tio Nadal que fala pelo lado “dark” de seu sobrinho. Totalmente contra. Alguns tentam dar a pecha de machismo à sua recusa, o que nao passa de mais uma idiotice politicamente correta. Se fosse um homem qualquer sem as devidas credenciais e ele reclamasse seria normal, sendo uma mulher, é machismo. Sei.

Só que a Gala nao tem mesmo as credenciais para o cargo. Afinal nao treina nenhum homem, nao conhece pessoalmente a maioria deles, nunca jogou Copa Davis e nao é uma técnica reconhecida e com lastro técnico e moral para sentar na cadeira e falar com Rafa Nadal no intervalo dos games. Por que entao?

Isso só o Sr. Escanuela sabe dizer. O fato é que a moça, que foi tenista top50, vem fazendo carreira como técnica na federaçao, o que muitas vezes é mais uma cargo político do que meritocrático. Ela esteve em Sao Paulo acompanhando o time como assistente técnico, indicada pela federaçao, nao pelo Moya, e, que eu me lembre, era a única mulher no enorme camarote do time espanhol – e sentada na ultima fileira e na ponta extrema do box. Chegou à janelinha rapidinho.

Fico imaginando se foi uma puniçao ao time de machos espanhois. Parece que assim que Moya recusou ele convocou Gala, mudou de idéia e quando as reclamaçoes apareceram confirmou a convocaçao como que por birra.

Lembrando, o cargo de Capitao do time é um de aglutinador, líder, comandante, de experiência e, nao menos importante, o de alguém a quem os tenistas respeitem e possam confiar. Afinal, eles sao os únicos interlocutores dos tenistas durante os jogos. É verdade que servem também de interlocutores entre os tenistas e os cartolas das federaçoes, algo importante. Mas, no caso, o tal presidente parece ter muito mais sua própria agenda, do que com a agenda que possa unir e motivar e unir novamente um time que já ganhou muito e nao parece mais tao interessado – duvido que vá ser a Gala, a moça da federaçao, que vá ter esse papel, que ela mesmo diz ser sua meta agora.

Gala já defendia anteriormente a puniçao a quem nao aceitasse uma convocaçao e agora defende que o contrato entre federaçao e os tenistas deva incluir uma cláusula de obrigatoriedade de participaçao na Davis e Fed quando convocados, por conta de todos os benefício, financeiros e outros, recebidos durante a carreira, que na Espanha nao sao poucos. Provavelmente nao colocaram antes porque nao acharam necessário, contando com a boa vontade e patriotismo dos tenistas, o real combustível da Copa Davis. Gala afirma que a federaçao já está trabalhando no novo contrato, algo que deve ser a nova política do presidente. De qualquer maneira, será uma experiência quase única – só três times tiveram mulheres no posto, todos irrelevante (Siria, San Marino, Moldávia e Panamá). Por outro lado, os tenistas podem tomar vergonha na cara e correr para defender a pátria – lembrando que quem nao o fizer em 2015 fica fora das Olimpíadas no Rio.

O fato é que o time espanhol envelheceu e nao apareceram tenistas do mesmo calibre para repor. Verdasco, Feliciano, Ferrer todos sao balzacas e Almagro, o incerto, padece de longa contusao, assim como Nadal, o pai de todos. A “nova” geraçao nao aguentou o tranco beluciano. No fim das contas, esse parece ser a real origem dos problemas que se tornaram visíveis graças às patadas de Thomaz Bellucci.

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Gala e o time no hotel em Sao Paulo antes da derrota.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 02:23

Ovo ou a galinha?

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O veio antes, ovo ou a galinha?

Ouvi dizer que, após a vitória que classificou o Brasil e o consagrou aos olhos da torcida brasileira, Thomaz Bellucci teria dado mais crédito à supostas deficiências de seu oponente, Roberto Agut, do que a si próprio. Ou se nao foi mais – porque aí depende de quem ouviu e conta a história – foi, pelo menos, desproporcional ao fato.

Talvez isso demonstre um pouco mais sobre as características psicológicas de Thomaz, que nunca foi, digamos, um ícone da auto estima e do marketing pessoal. Porque tem neguinho por aí que após uma vitória dessas – e esta hipótese de duas vitórias só caracteriza ainda mais o aspecto fictício da minha colocaçao – sairia se descabelando em busca de microfones se afirmando o novo rei da cocada preta.

Essa visao de Bellucci sobre o seu feito é só mais uma faceta do real limitador da carreira do brasileiro. Eu afirmo há muito tempo que o tênis dele é muuito maior do que os resultados. E isso nao pode ser creditado na conta de seu arsenal técnico e sim debitado na conta de seu emocional.

Mas, neste ultimo fim de semana a história foi diferente e, quiçá, marcante o bastante para alterar o percusso de sua carreira daqui para a frente.

Foi, de longe, a melhor participaçao de Bellucci na Davis. E, nao esqueçamos, o rapaz estava pressionado. Havia a expectativa, o adversário e o local, tudo montando um senhor cenário próprios para marcantes apresentaçoes. Para sua felicidade, e a nossa, porque é Copa Davis, o resultado foi feliz.

Desde sempre ouço falar, ou fui eu que inventei essa história, que a idade da razão no tênis é aos 27 anos. É por aí que o tenista começa a harmonizar sua técnica com a cabeça e o coraçao. Lógico que isso nao vale para exceções, como Nadal e Federer, que só confirmam a regra. Bellucci está chegando lá – tem 26 anos – e pode, por conta disso, velejar bons mares pelo resto de sua carreira. Só depende dele mesmo e de como jogará suas cartas daqui para a frente. Porque agora, mais do que nunca, conhece a história e já viveu.

A Copa Davis sempre foi uma magnífica catarse, para o bem ou para o mal, para o tenista. Carreiras decolaram, assim como outras encolheram, por conta de resultados muitas vezes inesperados nessa dramático cenário. Ela carrega uma intensidade emocional única, colocando o tenista em uma vitrine tao frágil quanto de forte exposiçao. Há tempos Thomas tinha dificuldades com essa exposiçao que, na verdade, só espelhava a mesmo dificuldade que tinha no resto do circuito. Vejam que estou usando o verbo no passado, na esperança que por lá fique.

Voltando a frase de abertura do Post, o fato é que, grande parte das vezes, um tenista joga tao bem ou tao mal quanto seu adversário permite ou nao. Thomaz parece questionar isso, creditando seu sucesso por conta do mero insucesso dos adversários.

Se Aguto nao jogou tao bem quanto o seu ranking indica foi por conta do quanto bem Belluci jogou. Os espanhóis caíram na armadilha de se limitarem á frieza do ranking. O time brasileiro foi um passo à frente, acreditou no seu potencial e foi atrás do sucesso. Jogaram o jogo e jogaram certo. Em especial Thomaz. Porque dos mineirinhos já esperávamos, e até contávamos, com seu ponto. Bellucci é que decidiu nos surpreender, assim como aos espanhóis que a esta altura devem estar se perguntando se alguém anotou a placa do caminhao.

Até hoje só assisti uma partida completa de Agut – a de domingo. É um tenista leve e muito rápido. Uma esquerda bem flat, rente à rede, que penetra e incomoda. Mas sua direita é um tantinho mentirosa, algo que no bate-bola já me era visível. Seu saque é passável para seu tamanho, mas nao mais do que isso. A ver se vai se manter nessa zona de cachorrao. Mas, e isso é deveras importante, está em ótimo momento (ninguem é #15 por nada) e muito confiante, como Rogério sentiu na pele – pelo menos até o chocolate do Belo.

A principal liçao que Thomaz devia levar para casa após este confronto é que existe muito mais que ele pode fazer em quadra do que ele apresentou até hoje no circuito. Já escrevi anteriormente, e por isso fui criticado por pessoas que de tênis entendem tanto quanto eu de volei, do qual sou um bom torcedor e nada mais, que Thomaz tem técnica boa o bastante para conquistar muuuito mais do que conquistou. Seu limitador é que ele ainda – e sua tal visao de sua vitória espelha isso – bate na bola como poucos no planeta, mas ainda nao domina o “jogo do tênis”.

Se dominasse saberia que após começar a virar o jogo de 6a feira, após estar espremido contra a parede, e durante todo o domingo, nos brindou com uma apresentação primorosa do jogo de tênis, harmonizando, como é obrigatório, técnica, emoção, garra, determinação, impetuosidade, equilíbrio, atleticismo, estratégia, tática, perseverança e um compromisso indubitável com a vitória que o levaram ao sucesso, tanto aguardado como inesperado. Se prestar atenção verá que a técnica, sempre imprescindível, está lá, quase sozinha, no início da lista das qualidades, somente sendo válida e determinante se acompanhada das outras qualidades que sao as que separam um mero tenista de um campeao. E aí está a real razao das suas vitórias neste ultimo fim de semana e o que pode determinar uma reviravolta em sua carreira pessoal.

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domingo, 14 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:38

Bode bravo

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Os espanhóis tiveram o que mereciam. A arrogância em abrir mao de seus melhores tenistas, em confronto na casa de um adversário que, aos olhos de quem joga e de quem manda no tênis ibérico nao exigia time melhor do que por aqui se apresentou, foi fator determinante na derrota deles e na vitória do Brasil. Porque este soube, fazendo a leitura do que os outros iam colocando na mesa, ter a humildade de reconhecer a sua pseudo desvantagem e a grandeza de acreditar que, a cada dia que passava, a vitória se tornava mais possível.

Eles começaram avisando que viriam de Nadal e mais três. No final das contas, ao ficar evidente que o Animal era carta fora do baralho, Carlos Moya e a federaçao espanhola nao tiveram a musculatura para trazer as estrelas de primeira grandeza como Ferrer, Verdasco ou Robredo, tenistas já sazonados e escolados na Davis, e acreditaram que a estrela em ascensão, Roberto Agut, já #15 do mundo, o que já faz dele um cachorrao, seguraria a peteca com a ajuda da “dupla de fundo de quadra” Marc Lopez e Granollers. Quando este acusou uma contusao e saiu de fininho a gravata apertou ainda mais no pescoço espanhol com a entrada do Marrero, uma mae em quadra. Estao pensando que isso aqui é a Venezuela?

Qualquer um, brasileiro ou espanhol, que sabe contar até três, sabia que a conta era apertada para o time brasileiro. Nao tinha negociaçao; os mineirinhos tinham que ganhar as duplas e Bellucci tinha que vencer suas duas partidas. Para quem acompanhou Belo nos últimos anos na Davis, a conta nao fechava bem.

Bellucci teve que se provar nos dois dias porque moleza nao existia. No primeiro conseguiu a proeza de, precisando vencer de qualquer maneira, sair perdendo por 2×0. Pablo Andujar teve até um match point para vencer em três sets. Nao o fez e deve estar sem dormir até agora. Mas os três sets seguidos foram todos méritos do Belo que jogou o seu melhor.

No sábado, a dupla brasileira fechou a porta na cara dos espanhóis sem dó – e ainda pegou na nariz de alguém. Marcelo Melo jogou muuuito tênis – no fundo e na rede – sendo o homem-chave em quadra. Devolveu como um Lord e soube impor sua envergadura em quadra. Nao fraquejou em um momento o que é de se tirar o chapéu. Bruno, o carismático líder do grupo, sacou muito – algo que melhorou bastante – e voleou barbaridades. Foi uma tunda.

O tal Agut achou. Achou mas nao levou. Deve estar buscando uma resposta de como pode abrir 4×1 no primeiro set e permitir que o outro fizesse cinco games seguidos. Também nao vai dormir bem esta semana pensando no game que tinha 40×0 no 4×3 do 30 set e permitiu Belo virar o game e o set. Aliás, esse game – quando Belo sacou nao sei quantos aces e salvou uns oito break points – junto com os dois primeiros games do 3o set, quando foi mais avassalador que uma arma de destruiçao em massa, foram coisas para assistir de joelhos e aplaudir de pé.

Tudo aconteceu pela mao e obra de Thomaz Bellucci que, aos 26 anos, começa a afinar e equilibrar seu emocional em quadra – mesmo que ainda distribuindo razoes para nos dar enfartes – abrindo uma série de portas para quartos ainda nao por ele desbravados, que podem modificar drasticamente sua carreira daqui para a frente. Na Davis e fora dela. Vamos deixar uma coisa clara: o paulista jogou muuuito tênis, assumiu a responsabilidade que lhe era imposta e se portou como o líder desse time. Nao é pouco. Aliás é bastante para lhe colocar em outro patamar.

Nao menos importante o capitao Joao Zwetsch, que só faltou pegar a raquete e entrar em quadra, soube segurar e amarrar todas as pontas, apesar de ataque de gente que tem agenda própria e egoista, Rogerio Dutra que sabe o que é espirito de Copa Davis e é reconhecido pelo resto do time como companheiro para o que der e vier, e o resto da equipe que sabe o valor e a importância da uniao e da força de quem senta atrás da cadeira do capitao. Ninguém, ou nenhum time, perde ou ganha na véspera. E este fim de semana a equipe brasileira soube ser o bode bravo que acabou com o milho que a soberba ibérica jogou no seu caminho.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Brasil Open, Copa Davis, Rio Open, Tênis Masculino | 15:51

Bodes

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Como já escrevi, os espanhóis estão dando muito milho para bode nesta Copa Davis, considerando que deixaram em casa boa parte de seu arsenal e jogam na casa do adversário. Bem, azar deles. Mas, mesmo assim, alguém no time brasileiro terá que sai da caixa e jogar acima de seus padroes.

O homem melhor qualificado para isso, pelo menos tecnicamente, é Thomaz Bellucci. Nos resta descobrir se no fim de semana ele levará essa sua qualificaçao também para o lado emocional, o must do assunto.

Rogério é o coringa. Entra sem a “obrigaçao” de vitória hoje contra Roberto Bautista, por conta de destoar dos outros singlistas do evento com seu ranking. Lembrando, Bautista tem zero de experiencia em Davis e no que vai enfrentar pela frente no Ibirapuera. No entanto, se chegarem empatados na 5a partida, Rogério terá que encontrar um jeito para bater Pablo Andujar, uma vitória possível pela inconstâcia do tenista espanhol, que fez a melhor partida do Rio Open, contra Rafael Nadal.

Já Thomaz Bellucci carrega um fardo maior, pois tem a responsabilidade de vencer suas duas partidas. Nenhuma delas fácil, mais do que nada pelas suas dificuldades em momentos tensos. Nao é de hoje que ele busca uma atuaçao de gala, em casa, na Copa Davis e os espanhóis sao os fregueses por encomenda.

Hoje, Thomaz enfrenta Andujar, contra quem tem um recorde de 3×2, em jogos sempre equilibrados, incluindo uma vitória na quadra 2 de Roland Garros. As duas vitórias de Andujar foram as duas ultimas partidas, em 2013 e 2014, esta em Hamburgo.

Imagino que o capitao brasileiro esteja convencendo Rogerio que hoje é o dia para se inspirar e jogar como nunca. Afinal nao tem nenhuma responsabilidade. E, se por alguma razao, sair de quadra com uma vitória, os espanhóis realmente encontrarao vários bodes à sua porta.

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