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quinta-feira, 20 de novembro de 2008 Copa Davis | 16:50

O sorte io

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Assim como dizem os hermanos, “no creo em las brujas, pero que hay, hay”. Não sou muito de acreditar em sorte, mas que há, parece que há.

Os argentinos, pela primeira vez desde a época de Vilas e Clerc, jogarão as quatro partidas de Copa Davis na temporada em sua própria casa. Isso, com o crescimento de Del Potro e o autodesprezado talento de Nalbandian, podem levar a equipe ao inédito título. Fico pensando com meus botões o que poderia ter acontecido se o Brasil tivesse jogado a semifinal em 1992, após bater a Alemanha de Becker e a Itália, contra a Suíça aqui em casa – porque em 2000 perdemos a chance da história em Floripa contra a Austrália. Mas com “se” a história do mundo teria que ser reescrita.

Agora a sorte volta dar uma mãozinha aos hermanos, com o sorteio indo de acordo com seus desejos. A primeira partida será entre o experiente e líder do time David Nalbandian e o espanhol David Ferrer. Logo depois entram em quadra Del Potro e a surpreendente escolha do técnico espanhol Emilio Sanchez, o canhoto sacador/voleador/galã Feliciano Lopez.

Os argentinos queriam Nalbandian jogando o sempre nervoso e abridor de fronteiras primeiro jogo da série. A abertura é, em termos emocionais e psicológicos, o mais importante jogo do confronto, se não tivermos a quinta partida viva. Por isso é melhor o tenista mais experiente do time, no caso o frio Nalbandian.

O probleminha é que o rapaz enfrenta justamente o tenista mais quente do confronto, David Ferrer, um jogador que ninguém quer como adversário em um confronto como esse. O cara entra babando e só vai parar se derem uma pedrada na sua idéia ou quando acaba a partida. Se alguém quer saber o significado da palavra garra é só acompanhar o drama do argentino amanhã.

Os dois já enfrentaram nove vezes e Ferrer ganhou seis delas. Outro problema. O que deve tranquilizar um pouco, bem pouco, o sono do Nalbandian é o fato que nas cinco vezes que se enfrentaram em quadras duras o argentino ganhou três. Por conta desses números, dá para entender o mantra de Nalbandian: “carpeta coberta, carpeta coberta, carpeta coberta….”

Se Nalbandian vencer, o coração de Del Potro entrará, ainda no vestiário, em um gostoso, quentinho, morninho e bem-vindo torpor. Se Nalbandian perder, a coisa começa a ficar preta para os hermanos. Del Potro jogará com uma unha inflamada, e lhes digo que unha inflamada e jogo de tênis fazia os inquisidores da idade média terem orgasmos múltiplos. O argentino disse que o caso, que já lhe endoida há algumas semanas, é de arrancar a unha fora, uma cirurgia que, me garantem, não é mais realizada nos porões da marinha Argentina. Del Potro disse que vem treinando graças a uma pomadinha milagrosa, mas para jogar terá que tomar infiltração! Ou seja, perfeito o rapaz não estará, nem fisicamente.

Além disso, há um outro probleminha para o qual não inventaram infiltração. Del Potro vem dizendo, com muita sabedoria, que o favoritismo é uma faca de dois gumes. Jogar em casa, na frente de um público ávido, torcedor e repleto de expectativas não é uma situação totalmente confortável. Gustavo Kuerten deve ter pesadelos lembrando a inesperada derrota para Lleyton Hewitt em Floripa até hoje.

Muitas vezes as decisões do capitão de um time é uma incógnita para o resto do mundo. Só Sanchez sabe dizer, e não vai fazê-lo nem sob tortura, as reais razões – nessa hora o técnico diz os maiores absurdos e a imprensa publica – porque colocou Feliciano Lopez, #31, e não Verdasco, #16. Lopez e Del Potro se enfrentaram três vezes. Todas em quadras duras. O argentino venceu duas e o espanhol uma, a última, no Aberto de Miami. Imagino que seja pelo estilo.

Lopes vai sacar muito e tentar não dar ritmo ao argentino, o que, em jogos tensos, pode mexer com a qualidade de quem gosta de pontos mais longos. Mas Lopez é um tenista que não joga o seu melhor tênis em momentos importantes, tanto na partida como nos torneio – e ele nunca teve um momento tão importante em sua carreira como essa final.

Como perceberam, não me estendi sobre o confronto Nalbandian x Ferrer. Só digo uma coisa. Se Ferrer, que vinha jogando muito mal esse fim de temporada, conseguir reverter essa tendência e voltar jogar o que sabe, o jogo será de fazer o coração sair pela boca. E isso fala mais alto do que qualquer comentário.
Assim como dizem os hermanos “no creo em las brujas, pero que hay, hay”, não sou muito de acreditar em sorte, mas que há, parece que há.

Os argentinos, pela primeira vez, desde a época de Vilas e Clerc, jogarão as quatro partidas de Copa Davis na temporada em sua própria casa. Isso, com o crescimento de Del Potro e o autodesprezado talento de Nalbandian, podem levar a equipe ao inédito título. Fico pensando com meus botões o que poderia ter acontecido se o Brasil tivesse jogado a semifinal em 1992, após bater a Alemanha de Becker e a Itália, contra a Suíça aqui em casa – porque em 2000 perdemos a chance da história em Floripa contra a Austrália. Mas com “se” a história do mundo teria que ser reescrita.

Agora a sorte volta dar uma mãozinha aos hermanos com o sorteio indo de acordo com seus desejos. A primeira partida será entre o experiente e líder do time David Nalbandian e o espanhol David Ferrer. Logo depois entram em quadra Del Potro e a surpreendente escolha do técnico espanhol Emilio Sanchez, o canhoto sacador/voleador/galã Feliciano Lopez.
Os argentinos queriam Nalbandian jogando o sempre nervoso e abridor de fronteiras primeiro jogo da série. A abertura é, em termos emocionais e psicológicos, o mais importante jogo do confronto, se não tivermos a quinta partida viva. Por isso é melhor o tenista mais experiente do time, no caso o frio Nalbandian.

O probleminha é que o rapaz enfrenta justamente o tenista mais quente do confronto, David Ferrer, um jogador que ninguém quer como adversário em um confronto como esse. O cara entra babando e só vai parar se derem uma pedrada na sua idéia ou quando acaba a partida. Se alguém quer saber o significado da palavra garra é só acompanhar o drama do argentino amanhã.

Os dois já enfrentaram nove vezes e Ferrer ganhou seis delas. Outro problema. O que deve tranquilizar um pouco, bem pouco, o sono do Nalbandian é o fato que nas cinco vezes que se enfrentaram em quadras duras o argentino ganhou três. Por conta desses números, dá para entender o mantra de Nalbandian: “carpeta coberta, carpeta coberta, carpeta coberta….”

Se Nalbandian vencer, o coração de Del Potro entrará, ainda no vestiário, em um gostoso, quentinho, morninho e bem-vindo torpor. Se Nalbandian perder, a coisa começa a ficar preta para os hermanos. Del Potro jogará com uma unha inflamada, e lhes digo que unha inflamada e jogo de tênis fazia os inquisidores da idade média terem orgasmos múltiplos. O argentino disse que o caso, que já lhe endoida há algumas semanas, é de arrancar a unha fora, uma cirurgia que, me garantem, não é mais realizada nos porões da marinha Argentina. Del Potro disse que vem treinando graças a uma pomadinha milagrosa, mas para jogar terá que tomar infiltração! Ou seja, perfeito o rapaz não estará, nem fisicamente.

Além disso, há um outro probleminha para o qual não inventaram infiltração. Del Potro vem dizendo, com muita sabedoria, que o favoritismo é uma faca de dois gumes. Jogar em casa, na frente de um público ávido, torcedor e repleto de expectativas não é uma situação totalmente confortável. Gustavo Kuerten deve ter pesadelos lembrando a inesperada derrota para Lleyton Hewitt em Floripa até hoje.

Muitas vezes as decisões do capitão de um time é uma incógnita para o resto do mundo. Só Sanchez sabe dizer, e não vai fazê-lo nem sob tortura, as reais razões – nessa hora o técnico diz os maiores absurdos e a imprensa publica – porque colocou Feliciano Lopez, #31, e não Verdasco, #16. Lopez e Del Potro se enfrentaram três vezes. Todas em quadras duras. O argentino venceu duas e o espanhol uma, a última, no Aberto de Miami. Imagino que seja pelo estilo.

Lopes vai sacar muito e tentar não dar ritmo ao argentino, o que, em jogos tensos, pode mexer com a qualidade de quem gosta de pontos mais longos. Mas Lopez é um tenista que não joga o seu melhor tênis em momentos importantes, tanto na partida como nos torneio – e ele nunca teve um momento tão importante em sua carreira como essa final.

Como perceberam, não me estendi sobre o confronto Nalbandian x Ferrer. Só digo uma coisa. Se Ferrer, que vinha jogando muito mal esse fim de temporada, conseguir reverter essa tendência e voltar jogar o que sabe, o jogo será de fazer o coração sair pela boca. E isso fala mais alto do que qualquer comentário.

Argentinos e espanhóis de olho na Taça

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