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terça-feira, 12 de abril de 2016 Copa Davis, História, Juvenis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:49

Ganha/Ganha

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Este ultimo fim de semana tivemos, pelo segundo ano, o Rendez-Vous à Roland Garros, uma parceria da FFT e a CBT, onde o vencedor do evento aqui realizado disputa, em Paris, às vésperas de Roland Garros, um torneio para o direito de jogar a chave juvenil do torneio.

 
No ano passado, o brasileiro Gabriel Decamps venceu aqui e em Paris. Ganhou o direito de entrar na chave juvenil, chegou às oitavas e perdeu para Taylor Fritz, que já está fazendo estragos entre os profissionais.

 
Desta vez o vencedor foi o paulista Lucas Koelle, um jovem que tive a oportunidade de presenciar em quadra em algumas oportunidades de treino. Uma jóia rara. É um atleta que o treinador não precisa ficar convencendo a fazer o necessário em quadra. Vem com a cabeça e corações prontos para o trabalho, talvez a principal qualidade que um juvenil pode trazer para os treinamentos. Infelizmente, a maioria acredita que possa ser a “habilidade”, a “esperteza”, a atitude do “sei tudo”, “qualidades” que jovens nessa idade acreditam ter de sobra e que, quase sempre, não passa de um delírio.

 

 

Lucas vem investindo na carreira, procurando maneiras de progredir, talvez nem sempre da maneira ideal. Porém sem alterar sua postura em quadra, o que conta muito. Morou uma época nos EUA. Tem disputado eventos aqui e no exterior. Chegou agora a #50 do ranking mundial juvenil.

 

O que me chamou a atenção, na conquista que lhe carimbou o passaporte para Paris, foi outra coisa. Fiquei sabendo que ele tinha, pouco antes, após muito pensar, aceito o convite para estudar e jogar em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades do mundo.

 

Eu conversara com ele, pouco antes da virada do ano, na casa de amigo comum, sobre o assunto. Então estava intransigente na decisão de não aceitar o convite e se dedicar à carreira tempo integral.

 

Conversou com mais pessoas – o pai é um alto executivo e a mãe fez estudos em Harvard também – e mudou seus planos.

 
Chegou à conclusão que ir para Boston era uma situação de ganha/ganha. O mais difícil é ser aceito em tal universidade. Com eles insistindo no convite fica ainda melhor. Afinal ali poderá a enfrentar adversários competitivos, no circuito profissional, além de poder eventualmente participar de torneios de transiçao, enquanto faz seus progressos acadêmicos. Nesse ambiente de ganha/ganha poderá também, se vier a ser o caso, mudar de idéia e partir para outra.

 
A decisão já lhe trouxe a tranquilidade necessária para vencer o torneio Rendez-Vous à Roland Garros sem perder um set. Sua mãe confessa que nunca o tinha visto tão sereno em quadra.

 
Um dos raciocínios de Koelle foi sobre a idade dos tenistas na atualidade – estão atingindo seus melhores momentos aos 27 anos. Na verdade, não é novidade. Essa é mesmo a idade em que os tenistas equilibram sua parte técnica, emocional, física e flertam com seus ápices.

 
Até os anos 50 eles ficavam um tempo no amadorismo – que incluía os atuais Grand Slams – e depois seguiam para o profissionalismo, que era para poucos, bons e amantes incondicionais do tênis.

 

Nos anos 60 e 70 era padrão os tenistas irem primeiro para as universidades americanas e só depois entrarem no circuito profissional. Mc Enroe foi para Stanford já em 1978, quando ganhou o torneio nacional universitário. Seu irmão Patrick, se graduou 10 anos depois na mesma escola. No final dos anos 80 ainda havia vários bons tenistas que foram à universidade antes de se tornarem profissional. James Blake, quase um contemporâneo, também esteve em Harvard, o que pode ter influenciado Koelle.

 

Mesmo antes do ultimo fim de semana Lucas Koelle admitiu estar tranquilo com a decisão. Nesta 6a feira, vai a Boston, a convite da escola, conhecer melhor o local e as pessoas. Volta de vez em Agosto, quando começa o ano letivo. Até lá vai jogar em Paris e, quem sabe, ampliar ainda mais suas conquistas no tênis.

 

Por enquanto é um tenista que assume uma caminho diferente de muitos que tem como prioridade a carreira profissional. No fim da época juvenil os tenistas se vêem frente a frente à difícil decisão; continuar seus estudos em uma universidade americana, onde é ofertado a oportunidade de seguir competindo e fazer seus estudos, ou abraçar de vez, com bônus ou ônus, a carreira profissional e encarar a famosa e difícil transição, quando raramente, em especial os brasileiros, por força cultural, se tem a parte emocional pronta para o que vem pela frente. Uma ida a uma faculdade lhe compra um tempo que, atualmente, já não é tão crítico.

 
Se nos anos recentes o jovem começava a carreira aos 19 anos e a abandonava aos 30, agora, com o preparo físico no atual patamar, pode pensar em começar aos 22, com um diploma debaixo do braço, e jogar até 34 anos, como Federer, por exemplo, está a fazer com qualidade.

rg taça sp

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Copa Davis, História, Olimpíadas, Rio Open, Tênis Brasileiro | 17:52

Homenagem a um Gentleman

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Não sei porque, mas parece que em tempos de internet a “memória coletiva tenistica” vai ficando mais curta. Tenho quase certeza que seja um fato para todas as memórias coletivas.

 
Todo mundo sabe o que “tem” que saber, mas quase ninguém conhece, com o mínimo de profundidade, a história de nosso esporte que, ao contrário do que muitos acreditam, não começou com Gustavo Kuerten. Está aí a Maria Esther que não me deixa mentir; ídolo máximo do esporte, só caiu mesmo na boca do povo com sua presença nos comentários na SporTV, que não fazem jus ao tênis primoroso que ela jogava, e que a tirou de um injusto ostracismo que ela vivia no próprio país.

 
Se com ela acontece isso, imaginem personagens menos famosos. Volta e meia os eventos brasileiros homenageiam tenistas passados; mas na verdade acabam caindo no óbvio e no que dá mais ibope.

 
No Rio Open, no ano passado, foi homenageado Thomaz Koch, outro que mais do que merece. Gustavo Kuerten, que virou arroz de festa nessas ocasiões, não sem muita razão, também foi homenageado então. Este ano a Quadra Central receberá, como homenagem, o seu nome. Algo mais pro forma, já que a quadra deixa de existir ao término de cada edição. A Quadra Central das Olimpíadas, esta mais perene, também recebeu seu nome. No entanto, os torneios, um momento que arregimenta os fãs do esporte branco, poderiam sair um pouco da caixa, usar a história e a imaginação e ampliar essas “homenagens”.

 
Só de curiosidade, menciono os dois eventos por acontecer. O Rio Open e o Brasil Open. No Rio, o diretor do torneio é o Luiz Carvalho, neto de Alcides Procópio. No Brasil Open, Alcides Procópio Jr, filho do Procópio, é o diretor de marketing da Koch Tavares, empresa que organiza o evento.

 

Para quem não sabe, o que já me causaria enorme surpresa e uma certa indignação, Alcides Procópio é um ícone do tênis brasileiro. Um pioneiro, poderíamos descrever. Foi tenista, campeão brasileiro e sul americano e o 1o brasileiro a jogar em Wimbledon. Jogou Copa Davis e foi capitão da equipe. Foi presidente da Federação Paulista durante muitos anos, criou o Banana Bowl e fundou a primeira industria tenistica – fazia raquetes de madeira. Lembro de ir na sua loja quase 60 anos atrás. Com certeza já foi homenageado, mas nada que eu lembre recentemente. Imagino que seus familiares fiquem, talvez, constrangidos, de o homenagear. Não perguntei. Pois digo que faria muito mais sentido do que algumas outras que aconteceram ou ainda estarão por aí. O Tênis brasileiro é beeem maior do que um ou dois nomes.

 
E por que chego a tudo isso? Esta semana fui surpreendido com a morte de Roberto Cardoso, aos 88 anos. Roberto foi contemporâneo de Procópio e o tenista que iniciou a tradição do bom tênis em Bauru, e no interior de São Paulo, e que Claudio Sacomandi sacramentou com seus ensinamentos. Foi eneacampeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, campeão brasileiro e sul americano por equipes. Esteve no 1o Jogos Pan Americano de Tênis, em 1951, ano em que, aos 24 anos, também defendeu o Brasil na Copa Davis, em parceria com Alcides Procópio e disputou Roland Garros.

 
Por curiosidade, era canhoto e batia seu revés com duas mãos, o melhor golpe de nosso tênis na época (junto com a direita “flat” de Procópio). Não lembro ou conheço um brasileiro que o tenha feito antes dele. Além disso, era um gentleman, dentro e fora das quadras, o que não é pouco. Meu pai, que era ainda mais velho do que ele, era seu fã, assim como eu. Roberto nunca foi ou pensou no profissionalismo. Mas, pela paixão, “cansou” de ganhar torneios nacionais e internacionais de veteranos até alguns anos atrás. Foi-se o Roberto e eu pergunto. Se você não é de Bauru, ficou sabendo?

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domingo, 20 de dezembro de 2015 Copa Davis, História, Juvenis, Masters 1000, Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 19:21

Os melhores do ano

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Com o fim do ano e da temporada surgem as pesquisas dos “melhores do ano” para a apreciação dos fas. Interessante que nem sempre os votos dos “experts” coincidem com o dos fas. Qual vale mais? O que vale mesmo é o que você pensa, até porque se nao for o caso é melhor só usar pra pentear. Pode ser também o que você sente, já que em termos de escolhas esportivas o emocional fala alto. Nao é futebol, mas o Tênis também cria suas paixões.

Recebi dois ou três pedidos de enviar meus votos e o fato me inspirou em deixar aqui no Blog os meus pensamentos a respeito dos “melhores do ano”. Divirtam-se divirjam se forem capazes!

Os fatos marcantes mais mencionados foram: Os 3 Slams do Djoko e da Serena, a vitória da Penetta em Nova York, a conquista da Davis pelos britânicos.

Se Djoko ou Serena, os dois melhores tenistas do ano, tivessem ganho os quatro seria difícil ter outro fato mais marcante, o que nao tira o imenso mérito de ambos em conquistar algo dificílimo e merecedor de muitos aplausos. Mas a Serena foi, em um jogo, do Fato do Ano para a Afinada do Ano, ao perder para a Roberta Vinci nas semis e deixar escapar o Grand Slam que a colocaria como candidata a maior da história.

A vitória de Penetta, no apagar das luzes de sua carreira, foi a maior surpresa da temporada e uma conquista maravilhosa para uma tenista maravilhosa. E eu adoro surpresas em quadra, além de pernas bem torneadas. Alias, o fato é ampliado pela presença de duas italianas na final – na Itália elas vao ganhar todos os votos.

Mas Murray, o tripolar das quadras, liderar uma conquista da maneira como foi feita, e aí o diferencial, para o país que tem Wimbledon e Murray e nada mais em termos de tênis, apesar dos milhões investidos, foi um fato marcante. Eu fico com a vitória na Davis, pelo impacto que terá no país que inventou o tênis e as emoções que causou mundo afora.

As decepções? A Bouchard no feminino. Mais uma tenista que tropeçou na fama e na máscara, achou que era maior e melhor do que realmente é. Além de ainda nao ter conquistado lhufas ainda. Agora perdeu a confiança, perde jogos que nao deveria perder e ainda tem que enfrentar as consequências do tombo que levou – figurativamente e de fato.
Entre os homens, temos o Dimitri que pensou que era o rei da cocada preta, enquanto só foi o plebeu que pegava a rainha. Tem tênis pra ser mais do que apresentou. Eu nao vou falar do Gulbis porque ele nao é mais uma decepção e sim uma certeza.

As esperanças? Temos aí o Zverev que tem golpes e serviço pra incomodar, o Kyrgios que tem o serviço, um pouco de golpes e a personalidade pra incomodar, o Thiem que tem uma bela direita mas precisa achar uma esquerda, o Coric que tem uma bela esquerda mas precisa melhorar a direita, o Kokkinakis que é um fantasmao com um belo serviço e se acertar os golpes vai ser bem perigoso.

Os que mais melhoraram fora dos radares. O Anderson aprendeu tirar o melhor de seu tênis limitado, provavelmente ouvindo sua mulher que é bem mais do que uma digitadora de texto ou uma fazedora de biquinhos. Outra melhora surpreendente, que me pegou de calças curtas, foi o Benoit Paire. O cara tem, de longe, a pior direita do circuito, pior do que os 3a classes lá no clube, além de tropeçar na própria mascara. Mas tem uma tremenda esquerda! Milagres acontecem, amigos. Entre as mulheres, a suíça Bencic, que ano e meio atrás jogava no mesmo nível da Bia Maia – as duas eram rivais no juvenil – e hoje é 12a do mundo.

O idiota do ano? O Kyrgios leva fácil. O cara investe no quesito com frequencia e sem medo, além de ter uma família que aplaude seu esforço. Alias, poderiam dar uma dica para narradores e comentaristas de TV. O nome do cara se pronuncia Kirios e nao Kirgios – meu, é só ouvir o juiz de cadeira falar. O interessante é que a Austrália, que sempre foi celeiro de tenistas extremamente educados e divertidos deu de exportar tenistas idiotas. Harry Hopmann deve estar tendo surtos na cova.

Entre os brasileiros tivemos bons sucessos. Marcelo Melo virou o Tenista do Ano no Brasil por se tornar #1 do mundo em duplas. Tenho minhas reservas em eleger um duplista à frente de um singlista. Mas ser #1 do mundo nao é mole nao. Marcelo soube aproveitar as oportunidades e administrar a temporada lindamente e colocou o tênis nacional na mídia de maneira positiva – parabéns! Bellucci nao foi grandes notícias, mas teve seus momentos – na Davis no Ibirapuera foi um deles. Permanece o 1o de nosso ranking e 30 do mundo, o que nao é nadinha mal. Parabéns também para Teliana Pereira, que soube fazer o necessária para sair das sombras e ir para as luzes do circuito principal. Fecha como 54a do ranking mundial e conseguiu dar seu salto à frente aos 27 anos, idade em que a maioria das tenistas já mostrou o seu melhor. Vale lembrar Orlando Luz, que aos 17 anos se tornou um dos melhores juvenis do mundo e, suponho, encerrou sua carreira entre a garotada, apesar de só completar 18 em 2016. Agora vai buscar o caminho do sucesso naa transição para o profissional, momento que separa os garotos dos homens.

Se vocês tiverem outras categorias que queira explorar, sejam meus convidados. E aproveito para desejar boas festas a todos que com sua leitura, e comentários, fazem deste Blog um local de amor ao tênis.

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domingo, 13 de dezembro de 2015 Aberto da Austrália, Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open, Wimbledon | 22:03

O Tênis brasileiro no Jornal Nacional

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Semana agitada no tênis brasileiro, especialmente fora dos torneios. Em uma semana o Jornal Nacional apresentou duas matérias sobre o tênis no Brasil, ambas bem positivas e sem ter Gustavo Kuerten como tema.

A primeira falou sobre o sucesso de Marcelo Melo, que fechou a temporada como o primeiro da ranking mundial, um feito extremamente positivo para nosso tênis. Marcelo soube aproveitar o declínio natural dos irmaos Brian, que dominaram o circuito nos últimos anos, mas nao venceram nenhum GS na temporada, para se instalar no topo do ranking. Para isso, teve que se preparar ainda melhor do que nas outras temporadas, negociar bem com seu parceiro titular, que teve um ano bem ruim nas simples, o que deve ter lhe causado algum estresse, manter a qualidade quando longe do mesmo e aproveitar as oportunidades que soube criar. Sim, porque uma coisa é criar as oportunidades, outra é ter a confiança e o gabarito de cacifa-las na hora da onça beber água que é quando os games, os sets, as partidas, os títulos e uma temporada sao definidas. Ter esse sucesso reconhecido em rede nacional para todos o Brasil ver deve ter sido bem gratificante para o Girafa.

A segunda, isso sem minha memória nao está a falhar, foi sobre a inauguração do Centro Olímpico de Tênis no Rio de Janeiro, novamente por uma luz positiva. Especialmente quando colocaram lá o caco de que a CBT herdará o complexo, após as Olimpíadas, uma das principais reivindicações da entidade e que faz todo o sentido. Aliás, deveriam, nao só colocar nas maos da entidade, que é quem tem o know-how para tal, como também desponibilizar uma verba para fazer o Centro – que deve, entre outras coisas abrigar o principal centro de treinamento do país – funcionar em seu dia a dia. Com um complexo igual ao de poucos eventos no planeta, a CBT terá a tarefa de nao só formar tenistas, como encontrar o melhor uso para tal local de outras formas, inclusive abrigar torneios, a Fed Cup e Copa Davis. O que me deixou um tanto encanado foi ter lido hoje que a CBT está negociando para se desfazer de seu torneio da WTA – nao sei a razao para tal passo.

O curioso na entrevista do JN, veio por conta da nossa tenista #1, Teliana Pereira, lamentar que o piso duro, o do Centro Olímpico, nao é o que mais lhe convém – ela quase que só joga no saibro. Até aí ela defendia o seu estilo e suas limitações. O que me trouxe um sorriso ao rosto foi a sua afirmação que o piso duro seria positivo aos duplistas Melo e Soares, que nao escolhem piso e, quase caí para trás, à Thomas Bellucci. Que torneios do Belo a nossa melhor tenista tem acompanhado?

Nao pode deixar de ser mencionado, e aplaudido, a decisão de escolherem o nome de Maria Esther Bueno para a Quadra Central do complexo. Afinal a tenista tem vários títulos de Grand Slam a mais do que Gustavo Kuerten ou qualquer outro brasileiro. Mas a minha cabecinha ficou pensando: porque nao fizeram como os americanos, que deram o nome de Billie Jean King ao complexo onde é jogado o Aberto dos EUA e à Quadra Central o de Arthur Ashe? Por aqui poderiam entao dar à Central o nome de Gustavo Kuerten, também um grande ídolo nacional. Ou será que pensam em fazer o inverso dos americanos em algum momento futuro? Vale lembrar que na Austrália nao deram o nome de um tenista ao complexo, e sim às duas quadras principais – Rod Laver e Margareth Court – em Roland Garros deram o nome de um aviador ao complexo e o de um cartola à Quadra Central e em Wimbledon eles nem pensam em uma ou outra idéia – e sendo como sao, dariam a Fred Perry antes de dar a Murray.

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domingo, 29 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Tênis Masculino, Wimbledon | 22:48

Sir Murray

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E a profecia se realizou. Anos atrás eu escrevia no Blog que Andy Murray era um dos maiores talentos do circuito e que um dia suas habilidades iram se materializar. Lembro que uma legião escrevia que eu nao sabia do que estava falando e outras barbaridades – eram épocas que o tênis estava dominado pelo FeDal e o blog um tanto mais infestado de sofasistas delirantes do que eu gostaria. Os que acreditavam em Murray eram tao poucos que cabiam em uma Romi Isetta, segundo o Barao, um dos nossos fiéis leitores. Ça va!

Sendo quem é – Murray adora fazer o fácil, pelo menos para ele, ficar difícil, o escocês tem tido uma carreira aquém da que poderia ter. Falta aquela serenidade que o grande tenista tem face as agruras do circuito e do jogo de tênis em si. Mas, devidamente motivado o rapaz é um perigo e tem tenis para bater qualquer um . O duro nao é convencer a todos nós, seus fas, nem mesmo os incrédulos, de suas capacidades. O duro é ele mesmo se convencer.

Imagino, porque adivinho nao sou, que após os britânicos bateram os americanos na 1a rodada, com uma surpreendente participação do fantasmao James Ward, que na ocasião bateu o Isner na quadra dura coberta, Andy deu uma bela olhada na chave e viu ali a chance de uma vida. Considerou a inspiração de Ward e a ascendência de seu irmão nas duplas. Mesmo assim, a conta só fechava mesmo se ele ganhasse todos os jogos. Para isso se tornar realidade teria que deixar a viadagem de lado, as reclamações nos vestiários e concentrar em uma única coisa: ganhar jogos. E assim foi.

Fez algumas mágicas pelo caminho, especialmente nas duplas, com o irmão que nao é nenhuma brastemp, mas se vira, mas na final esteve bem pesadinho – O Bruno Soares vai suar na sua nova parceria! Nas simples, pelos resultados e pelo o que vi neste fim semana, impecável

No seu caminho ao título, algo que os britânicos nao saboreavam a 79 anos, Andy perdeu somente dois sets nas simples e venceu 24. E teve pela frente adversários como Tsonga, Simon, Isner, Tomic e o viajante Kokinnakis. Traçou todos com facilidade. E aos sábados tinha que carregar o irmão. Algumas dessas vitória pode-se chamar de heróicas, como sobre os australianos Hewitt e Groth, no 5o set, Mahut e Tsonga em 4 sets. Interessante que Andy nao jogou contra os irmaos Bryan, após Ward sacramentar os 2×0 no 1o dia. Os irmaos fecharam a temporada invictos, assim como Andy nas simples.

Vencer a Copa Davis praticamente sozinho é tarefas para poucos. Alguns conseguiam faze-lo em um ou outro confronto. É algo que sobrou para Gustavo Kuerten muitas vezes, já que nunca teve um singlista a sua altura. Pelo menos nas duplas, ele tinha Jaime Oncins, que na maioria das vezes era quem carregava tecnicamente a dupla, com Gustavo contribuindo com seu fortíssimo emocional, bons saques, boas devoluções e sua confiança, o que já é de ótimo tamanho.

Hoje Murray cravou seu nome na história do esporte britânico. O cara agora venceu o torneio de Wimbledon, a medalha de ouro olímpica, conquistada em Londres e a Copa Davis. Se nao é já deveria ser Sir. Se deram o nome do morrinho de grama para o Henman (Hill), aquele estádio sem nome no All England ficaria melhor com seu nome.

Infelizmente nao vi outras partidas dos britânicos na temporada – adoraria ter visto a dupla contra os australianos. Tudo entre australianos e britânicos é pessoal. Groth é um tremendo sacador e bom voleador e Hewitt um ótimo duplista (excelentes devoluçoes e bons voleios). Além de que era a derradeira chance de Hewitt vencer a Davis. 6/4 no 5o set também em Glasgow.

Talvez Andy se de ao trabalho de rever algumas de suas partidas na Copa Davis. Poderia se inspirar em seu um tenista melhor, algo que necessariamente passaria por ser uma pessoa melhor resolvida, mais focada em suas qualidades do que em seus possíveis erros, algo a que todos tenistas estão expostos. No fim do dia, o grande tenista é um grande administrado de dificuldades e crises, que aparecem a cada game e devem ser lidadas e solucionadas da melhor e menos dolorida maneira, algo que o rapaz tem dificuldades em fazer. Murray tem todas as ferramentas para ser o melhor, basta entrar na viagem certa, algo que Djoko, Nadale Federer sao mestres. A temporada da Davis mostrou que tal tarefa está à seu alcance, mesmo mentalmente, seu calcanhar de aquiles. Ele queria muito vencer Wimbledon, as Olimpíadas e a Copa Davis, de longe os mais importantes títulos que um tenista britânico pode almejar. Agora tem que decidir se quer algo mais. Especialmente ser Grande.

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015 Copa Davis, Tênis Masculino | 13:10

Quem joga a final da Davis

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Surpresas na escolha dos tenista de ambos os times na final da Copa Davis? Os belgas deixaram Steve Darcis, 31 anos, experiencia em Davis e 84 do ranking, de fora e escolheram Ruben Bemelmans, 27 anos, 108 no ranking a quem nunca vi jogar – o cara joga mais Challengers.

Os ingleses nao tinham lá muitas opções, mas tinham que fazer uma escolha. Escolheram Kyle Edmund, 20 anos e 100 do mundo. O penúltimo evento do rapaz foi em um Challenger no saibro de Buenos Aires, quando bateu, entre outros, o brasileiro Ghem e os argentinos Zebbalos e Berlocq, na final. Deve ter dado uma confiança no rapaz, especialmente se tiver que jogar a quinta e decisiva partida contra o Bemelmans ou o Darcis para decidir quem fica com o caneco.

Os numero 1 dos países, sao, of course, Andy Murray, numero 2 e David “baby face” Goffin, numero 16. Esses só se encontram na 1a partida de domingo. Antes disso muita água vai rolar em Ghent.

O primeiro dia, amanha, deve terminar empatado com a vitória dos favoritos. O segundo dia, deve, a princípio, ter a vitória dos irmaos Murray. Sendo assim a partida Murray x Goffin seria de vida ou morte para os belgas. E os coadjuvantes decidiriam – isso sim seria uma final empolgante.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 10:21

Suando em Ghent

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É óbvio que os horríveis recentes acontecimentos em Paris, e suas repercussões na Bélgica, estarão nas mentes de todos os envolvidos na final da Copa Davis entre a Gra Bretanha e a Bélgica neste final de semana. Os belgas por serem os anfitriões, sabendo que as células que atacaram Paris tinham fortes conexões no país e os britânicos por estarem envolvidos na guerra com o País Islâmico.

Nos bastidores as negociações foram intensas e chegou a ser cogitado no mínimo a mudança de local. Após muita conversa e garantias dos belgas, que montarão um mega esquema de segurança o evento segue. Por alguma sorte ele nao acontece em Bruxelas e sim na charmosa e pequena cidade de Ghent.

Murray foi perguntado e nao se omitiu de responder às questões a respeito. Confessa que é algo que esteve na mente de todo o time nos últimos dias e se realmente final deveria acontecer como programado. Mas acredita que as garantias foram dadas e os britânicos encarregados do assunto, provavelmente incluso as forças de segurança do país, deram o aval e o plano seguiu. Murray, assim como outros membros chegaram a Ghent em vôo particular e tem se restringindo ao hotel e ao local do confronto.

Sao esperados 1000 torcedores britânicos para a final da Davis. E para eles Murray também tinha uma mensagem. Cumpram todas as orientações de segurança oferecidas pelos organizadores e policiais. Acrescentou que ele entenderia se alguns deles decidissem ficar em casa e acompanhar pela TV.

O evento – a Copa Davis – já é tenso per si. Por ser uma final inédita de Copa Davis, fica ainda mais tenso. Sao dois país que caíram ali, pode-se dizer correndo o risco de alguma injustiça, de para quedas. Dificilmente, nas próximas décadas, terão chance igual de vitória. Todos se sentem pressionados pela possibilidade. Os affairs extra quadra colocarao uma pitada extra na mente de todos e irá aumentar a pressão de cada tenista nas partidas.

Só de curiosidade; nos meus tempos de Copa Davis tivemos que enfrentar algumas situações de alguma maneira semelhante. Na Argentina nos anos setenta, chegamos a ser parados na rua por uma blitz do exército, quando nos trataram, pode-se dizer, nada elegantemente. Encanaram com a vasta cabeleira de Carlos Kirmayr e chegamos a ter nosso quarto do hotel invadido pela polícia a procura só eles sabem do que. Em Lima tivemos uma partida interrompida por um estrondo enorme em um prédio próximo que deixou o estádio lotado totalmente mudo – as pessoas nao se mexiam nem falavam, parecia uma missa. Durante toda nossa estadia estivemos acompanhados por soldados armados de metralhadoras – inclusive nas portas dos quartos durante a noite. Só nos locomovíamos em três carros com homens armados e nós no carro do meio – uma kombi. Isso sem mencionar agressões físicas e ameaças de morte que recebemos em outros locais. Bem, eu ainda estou aqui para contar e no final do domingo espero que tudo esteja na santa paz em Ghent e possamos curtir mais uma final desse espetacular competiçao.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Masters, Tênis Masculino | 12:39

Fogo Cruzado

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Nao se pode dizer que Andy Murray seja um estranho a fogo cruzado, uma das situaçoes mais desagradáveis de se viver. É só lembrar que sua vida foi e será marcada pela tragédia na sua escola em Dunblane, Escócia, quando 16 crianças foram assassinadas e ele estava a poucos passos de onde tudo ocorreu.

Desta vez a situaçao é bem mais amena, mas nao deixa de ser bicuda, considerando a carreira e o momento desta para o britanico. Ele está a um palmo de terminar a temporada como #2 do ranking. Basta o Federer nao elvar o título e ele ganhar dois jogos em Londres.

Parece mais simples do que é. Sem nenhum título nos Grand Slams, que é onde realmente importa para os cachorroes, ele está a tres vitórias na Belgica para conquistar a Copa Davis desta temporada. Algo bem factível, considerado a “força” do time belga.

Para ficar claro as prioridades, Andy, após Paris, voltou a Londres para treinar nas quadras de saibro do Queens Club. E assim foi até este fim de semana.

Hoje ele estréia contra Ferrer, um casca de ferida que viave dos vacilos alheios.

Para piorar sua sinuca de bico, ele pode garantir o #2 do ranking em frente a seu publico, algo sempre mais contundente. Mas é bom lembrar que ele nunca foi além das semis no Masters londrino.

Como a cabeça do rapaz já é complicada sem fogo cruzado, fica difícil prever o que ele fará e como será seu empenho e performance em Londres.

vale dizer que ser #2 é importante e deve valer muita grana em seus contratos – o ranking que vale para os contratos é sempre o do fim da temporada – mas nao terá o mesmo peso de um titulo de Copa Davis, algo que a Gra Bretanha nao conquista desde 1936. Ou seja, ele definitivamente colocará seu nome em ouro sendo o primeiro britanico a ganhar Wimbledon e Copa Davis desde Fred Perry quase 70 anos atrás.

Convenhamos que quanto ele melhor for em Londres pior será sua preparacao para a Belgica – tanto pelo desgaste como, mais importante, pela falta de treino no saibro, que nunca foi seu piso preferido.

Como ele irá equacionar tudo isso em sua mente determinará a qualidade de sua participacao em Londres e, bem mais importante, pelo menos pra ele e os britanicos, afetará a chance, que, pelo andar da carruagem, pode demorar outros 70 anos para surgir para a Gran Bretanha de ganhar a Copa Davis, algo que eles ganharam nove vezes até 1936.

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terça-feira, 22 de setembro de 2015 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 16:03

Dançando nas estrelas

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Infelizmente, escrever sobre confrontos de Copa Davis do Brasil deixou de ser um prazer faz algum tempinho, com raras exceçoes. Felizmente, minha paixão pelo evento é maior do que essas contingências.

Perdemos da Croácia em casa. O consenso original era que existiam diminutas, porém existentes, chances de vitória. Com a desistência de Marin Celic, o principal tenista adversário, as probabilidades se inverteram. Mas o jogo é na quadra.

Fala-se muito sobre a escolha de Florianópolis para sede do confronto. Nao sei os meandros da escolha. Mas temos dois pontos distintos a se considerar:
1- Nosso principal tenista nao tem características físicas, mentais e emocionais para gostar de jogos debaixo de solzao, calor, cinco sets, umidade e altura do mar – seu jogo nao rende como na altitude e clima mais ameno.
2- Nao se deve esquecer que quando foi feita a escolha do local o maior adversário era Marin Cilic (vindo de temporada em quadra dura) – um grande sacador, que joga reto e que nao ficaria tao à vontade no saibro e na altura do mar.

Foi-se o tempo onde nossos tenistas chamavam para dançar tenistas de qualquer estirpe, força e qualidade para confrontos de machos, de horas e horas, debaixo de condições terríveis como sao as de um país tropical e com tradiçao no saibro. Geralmente saiamos vencedores. E se perdíamos as derrotas eram vendidas bem caras e para times claramente superiores.

Começamos bem. Achei que o técnico croata mostrou respeito, e temor, ao nao colocar o Dodig em quadra contra o Bellucci. O croata, que é infinitamente superior àquele brincalhão que enfrentou Bellucci no 1o dia, havia perdido nos dois confrontos anteriores. Com isso tiveram mesmo é que apostar nas duplas. E com isso tiveram que acreditar que Dodig e o fantasmaço Skugor bateriam a dupla Melo/Soares, o garoto Coric venceria Bellucci e possivelmente o Dodig ganharia do Feijao. A estratégia funcionou. Mas funcionou porque o time brasileiro deu milho ao bode.

A derrota do Brasil começou a se desenhar nas duplas. Os brasileiros nao foram nem sombras do que estamos acostumados a vê-los jogar na Davis. Pareciam sem confiança no próprio taco. Bruno nao vem jogando no seu melhor padrão toda a temporada. Porém, Melo está, provavelmente, no seu melhor ano. O ponto era crucial? Era! Mas dupla é um jogo extremamente volátil, onde detalhes mudam o resultado. E no sábado, além de Dodig ter sido o melhor em quadra, o fantasmao Skugor nao se acuou diante de uma dupla de muito mais experiência. Acima de tudo, faltou algo à nossa dupla.

O que posso escrever que ainda nao foi escrito, desta e das outras vezes, sobre a derrota de Thomaz Bellucci? Dentro do time, a versão oficial é que ele sentiu dores nas costas, a razão para sua desistência. Na verdade, o capitao, e seu técnico pessoal, Joao Zwetsch, foi que deu o aval para Thomaz parar. Mas convenhamos, do jeito que vinha, com o placar que estava e o que Thomaz estava apresentando…. Faltou algo a Bellucci. Algo que nao poderia faltar em Copa Davis.

Para mim, e, pelo o que ouço, para muitos, Thomaz Bellucci é um enigma. O cara tem golpes para levar receio ao coração de qualquer cachorrao. Afinal é top 20/30 – o que nao é pouca coisa. Mas os cachorroes também aprenderam que ficando no jogo sempre existe a possibilidade de em alguma hora ele miar. Tenho certeza que se a dupla tivesse vencido, e assim tivesse sido colocado em suas maos a possibilidade da vitória do confronto e nao a responsabilidade pela a derrota no mesmo, o resultado do jogo poderia ter sido diferente. Isso para nao entrar, nem pela marginal, na análise técnica e tática do que ele apresentou.

A Copa Davis é a única competição coletiva no tênis masculino profissional e, mais importante, defendendo o país – e esse é seu grande carisma. Para tal è preciso um time. Às vezes um excelente jogador, mais um companheiro nas duplas, funciona. Às vezes dois bons tenistas levam a coisa pra frente. Às vezes uma boa dupla inspira um dos dois bons tenistas a se tornar excelente pelo menos nesse fim de semana. Mas, acima disso tudo, é necessário um clima no coraçao e mentes de todos os envolvidos onde a vitória é única opção e a derrota nao seja uma alternativa. É preciso saber que se joga por algo maior do que razoes e motivações pessoais.

É preciso ir além. É preciso romper os limites que nos fazem reles mortais e falíveis e explorar o universo que pode nos nos tornar poderosos e invencíveis. É indispensável a inspiraçao coletiva para que suplantemos o que somos individualmente por conta de nossas restrições pessoais, técnicas, emocionais, físicas, verdadeiras e falsas. É preciso querer dançar nas estrelas.

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terça-feira, 19 de maio de 2015 Copa Davis, Roland Garros, Tênis Brasileiro | 21:20

That’s life

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Os números nao mentem, mas, de vez em quando, surpreendem. Thomaz Bellucci venceu 13 e perdeu 7 partidas desde sua participação, aquém das expectativas, na Copa Davis em Buenos Aires. Já o quase herói entao, Joao Feijao Souza, caminhou na direção oposta a de Bellucci e a esperada por muitos. Nao ganhou nenhum jogo desde entao.

Logo após a derrota em BA as conversas nos clubes giravam em torno de que o Belo nao tinha jeito e o Feijao tinha tomado jeito. Minha mae já dizia que as expectativas matam. E se nao matam machucam.

E porque essas surpresas? Isso eu nao sei dizer. Talvez a Copa Davis mexa mesmo com a cabeça dos tenistas de maneiras que nao podemos sequer imaginar.Talvez possamos imaginar que Feijao goste e se encaixe bem na Davis. Talvez o mesmo nao seja verdade quanto ao Thomas. Se é para adivinhar, os leitores fiquem à vontade e devem ser melhores do que eu.

O que fica claro, mais uma vez, pelo menos pra mim, é o quanto Thomaz Bellucci tem de jogo. Mesmo nao sendo um grande “jogador”, aquele que “sabe” ganhar, tem muitos golpes e poderio para intimidar oponentes. Ele ganha jogo porque dá mais na bolinha do que muito cachorrao por aí. Se tem “deficiências”, elas sao mais emocionais e mentais do que técnicas. Quando está à vontade emocionalmente em uma partida faz os adversários comerem o pao que o diabo amassou.

Feijao, e nao me perguntem porque, tem tido mais dificuldades ainda com seu emocional e mental do que o Belo. Seu jogo é perigoso, saca bem, nao tanto quanto o Belo(tem mais força e menos alternativas, que Belo sub usa). Tem uma direita pesada, nao tanto quanto a do Belo ( e erra mais), e um revés talvez mais vulnerável do que seu colega (que erra bolas inimagináveis desse lado para alguem de seu padrao). Mas a verdade é que continua, no geral, em um patamar inferior a Thomaz. E inferior o bastante o bastante para as tais vitórias de Bellucci e as tais derrotas de Feijao.

Por isso, afirmo: existe muito mais que faz um tenista do que está na frente de nossos olhos. Por mais que o Belo nos faça sofrer, por mais que gostaríamos que fizesse as coisas diferentes quando o vemos na TV, continua sendo nosso melhor tenista, fazendo uma bela carreira, ganhando de muito cara bom, fazendo outros ainda melhores suarem e faturando alto. E fazendo besteiras incompreensíveis. Thats life!

Penso que Joao Szwetsch está fazendo bem ao nosso tenista. Aliás, penso que o Thomaz nunca deveria ter dispensado o rapaz. Mas o tempo passou e pode ser que recuperem pelo menos uma parte do tempo perdido. A partir da semana que vem veremos o que ele, e Feijao, farao em Roland Garros, seu Grand Slam favorito

Quanto ao Feijao, algo poderia/deveria ser feito quanto ao seu mental. E talvez a respeito dos detalhes (nao sao mais do que detalhes-mas é ai que deus e o diabo vivem) de suas carências técnicas. Suas qualidades, e deficiências, técnicas nao mudaram desde a Davis, mas algo nessa competição o inspirou a encontrar o seu melhor. A chave de seu futuro talvez esteja nessa inspiração.

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