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Arquivo da Categoria Brasil Open

sábado, 7 de março de 2015 Brasil Open, Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:14

A um passo

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Poucas coisas deixam um atleta, ou qualquer um, tao motivado quanto ficar “mordido”. Joao Feijao ficar fora do time brasileiro na ultima ediçao da Davis foi um tapa nas suas fuças, algo que qualquer um com vergonha na cara nao aceita de bom grado. Se o capitao do time brasileiro tinha, ou nao, suas razoes sao outros quinhentos. O fato é que desde entao Joao Feijao mudou sua atitude, seu perfil, sua carreira. E para sorte de todos, especialmente dele, para melhor.

Hoje  Joao Feijao é o tenista #1 do Brasil por méritos. E, melhor, soube assumir seu novo status e responsabilidades ao entrar em quadra para abrir o confronto contra los hermanos. Se nao jogou bem do começo ao fim, soube, e isso é o mais importante, jogar bem na hora da onça beber água. Porque esse negócio de “jogar como nunca e perder como sempre” nao ajuda o time e mina a confiança coletiva. Por isso ficam os parabéns ao Feijao pela postura e o resultado. Jogou como gente grande e do jeito que eu sempre gostei quando era o técnico do time da Davis. E adorei sua declaração de que entrou em quadra para focar no positivo e nao deixar o negativo entrar. Com certeza lhe assopraram isso – e muito bem assoprado. Mas falar é fácil, eu que o diga, o difícil e executar.

Seu jogo nao está ainda todo formatado, e por mais tempo do que deveria jogou com a estratégia equivocada, o que quase lhe custou a partida. Mas soube encontrar dentro de si aquela chama que queima o coraçao do campeao, jogar a parte final da partida como macho e brindar o time com a importante vitória inicial.

Nem a tremenda apresentaçao do rapaz, e sua nova funçao de #1 do time conseguiram motivar Thomaz Bellucci. Pensei, por instantes, que, ao lhe tirarem esse peso dos ombros, Thomaz poderia nos brindar com seu melhor, como fez contra os espanhóis. Mas, creio, que ali uma parte do crédito vai para a maravilhosa torcida que lotou o Ibirapuera. Ontem ele nao mostrou a garra esperada, e necessária, para se vencer uma partida na Copa Davis. Tem jogos que você ganha porque joga mais do que o oponente – muitos porque você tem mais coraçao do que ele. Alooouuu Nadal!

A dinâmica do confronto foi apresentada logo no primeiro set, quando Thomaz, graças ao poderio de seu golpes e a insegurança inicial de Mayer, quebrou e sacou no 4×3 – um game determinante. Uma vantagem dessas nao se vende barato. Ele a jogou pela janela. Se leva aquele set pressionaria o argentino que estava contra a parede. Seu companheiro havia perdido, a dupla argentina nunca veria o sorriso da vitória – estava tudo em suas maos. E Bellucci jogou o game mais casual do baralho. Dali pra frente o argentino mandou no jogo e Thomaz só mostrou serviço, e vontade, de vencer no 3o set quando já estava com os pés no brejo. Mas logo voltou ao marasmo. E eu imaginei que após o o confronto em Sao Paulo ele teria entendido o valor da luta e da determinaçao em uma vitória.

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Eu sei lá a razao de os mineiros nao jogarem mais duplas no circuito. Afinal ele sao a nossa melhor, se nao única, chance de uma medalha nas Olimpíadas 2016. Os caras falam grosso nas duplas e se completam legal. Nos últimos tempos Marcelo melhorou seu jogo – técnica e mental, assim como tempos atrás Bruno já havia feito. De lá para cá só jogaram juntos na Davis – onde sempre jogaram muito. Na minha opiniao, que é de quem está dando palpite, os dois estariam mais bem servidos um com o outro do que com seus atuais parceiros. Peya é bom, mas nao tao bom, e dificilmente vai segurar a peteca quando Bruno jogar mal, o que acontece com qualquer um. Dodig é bom, mas é um jogador de simples e nem sempre está tao a fins de jogar as duplas, o que, as vezes, deve ser difícil para a cabeça do Marcelo, que deve ficar no maior conflito quando assiste o companheiro jogar simples.

Marcelo tem a envergadura que cobre a quadra e intimida os adversários. Bruno tem habilidades que geralmente duplistas carecem. Ambos melhoraram suas devoluçoes – determinantes nas duplas. Bruno melhorou muito seu serviço, o que fez enorme diferença no seu jogo, e sua técnica nos voleios está cada vez mais sólida ( a ponto de se se tornar, às vezes, um tanto relaxado).

Marcelo, pela altura, tem espaço para melhorar seu saque. Mas aprimorou seu posicionamento, o que faz muita diferença nas duplas, e usa e abusa do tamanho, assim como as devoluçoes, voleios e constância. Em Sao Paulo, Melo foi melhor em quadra, no geral. Em BA repetiu a dose, nos detalhes. Bruno vacilou um pouco em certos momentos, algo que as duplas, pela sua dinâmica, nao costumam perdoar. Mas, mostrando seu perfil e personalidade, além de ter jogado bem no geral, nas horas da onça mostrou seu talento, sua vontade de vencer e categoria. É uma questao de momento. Assim como Marcelo está surfando na confiança dos bons resultados recentes, Bruno parece estar incomodado pela minguada dos títulos de sua parceria e, óbvioa a consequente afetada confiança. No padrao que está, entre os melhores do mundo, atitude e confiança sao determinantes e fazem “A Diferença”. Mas é um prazer assistir a coreografia e qualidade do tênis que apresentam. E a alta chance de ganhar o ouro em casa é uma oportunidade única em uma carreira e vida, algo que nao deve ser substimado. Mas, talvez, o nao jogarem junto no circuito, e assim mesmo jogarem bem quando se encontram, seja uma estratégia para chegar “frescos” às Olimpíadas.

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Estamos a um passo – uma vitória – de bater os hermanos na casa deles. Se eles apresentaram um time bem abaixo da qualidade do que esperamos do tênis argentino é um problema deles.

Amanha, o quarto jogo será entre os cachorroes. Normalmente o favorito seria Mayer, #29 do mundo e jogando em casa, o que, pra ele, pode ser uma faca de dois legumes (ele recém declarou que, apesar de ser o #1 da equipe nao é o líder do time, o que deixa para o capitao – sei, conheço o perfil). E vale lembrar que no ultimo e recém confronto, no Brasil Open, The Bean Man ganhou, em partida inesquecível. A coisa está de bom tamanho pra nós.

Bellucci terá, se necessário for, a oportunidade de se redemir, como tantas já teve, e muitas mais do que a maioria das pessoas têm. Mas quem pensa que ele terá o esforçado e limitado Berlocq pode ter uma surpresa. Tenho a suspeita de que Orsanic, o capitao argentino, colocará em quadra o Delbonis, que é mais tenista do que o Berlocq. Este tem mais experiencia e é um tremendo guerreiro, o que deve ter feito a diferença na decisao de começar com ele. O Delbonis é mais verde e tem um saque – nunca vi alguém jogar a bola tao alta quanto ele pra sacar – que mia nas horas importantes. Mas é guerreiro, tem bons golpes – um forehand que anda bastante e um back que é uma certa loteria e que ele adora arriscar (pensando bem, tirando o saque, seu jogo lembra o do Bellucci) e, importante, terá na cadeira o ex-técnico de Bellucci.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:12

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:11

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 Brasil Open | 12:09

Do diabo? Nao!

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Thomaz Bellucci chegou a sacar para o jogo ontem contra o eslovaco Klizan. Até que sacou bem, nesse game que é sempre o mais difícil emocionalmente para o tenista que tem a vantagem, um dos paradoxos do tênis, o que fala barbaridades sobre o emocional do ser humano e nossa dificuldade em abrir mao daquilo que já conquistamos. Aumentando o paradoxo, o que está a beira do precipício pode jogar com um desprendimento assustador, em especial para o que está do outro lado da rede, na situaçao inversa. Tenista gosta de dizer que é o jogo do diabo, na verdade é um jogo desenhado para mexer com algumas profundas emoçoes do ser humano.

Thomaz sacou bem, especialmente quando teve os break points abaixo, o que confirma, mais uma vez, o proposto acima, mas nao sacou taaaaoo bem quando teve o match point para vencer. Pelo menos nesse game nao podemos crucifica-lo e sim devemos elogiar o adversário pelo o que conseguiu apresentar e hora tao bicuda. Alias, o Klizan é um belíssimo tenista do escalao intermediário, e meteu umas bolas fantásticas quando mais precisou. Fez por vencer o game do 5×3 e continuar vivo? Sim. O Thomaz jogou bem esse game? Sim, mas nao o bastante para empacotar o jogo, que é o que separa os cachorroes do resto.

O que Thomaz nao fez bem, e onde tem suas maiores dificuldades, foi em lidar com a frustraçao subseqüente, para permanecer na partida e vence-la, de um jeito ou de outro, esquecendo a oportunidade perdida – isso sim uma obrigaçao. Infelizmente perdeu os quatro games finais seguidos, em uma partida que se mostrara, até entao, extremamente equilibrada. E quando todo o publico torcedor presente esperava um tie break onde pudesse fazer uma diferença, motivando o tenista brasileiro que tanto soube mexer com as arquibancadas em sua ultima visita ao Ibirapuera – na vitória sobre a Espanha na Copa Davis – Thomaz nao conseguiu encontrar dentro de si a força para fazer frente à confiança adquirida pelo adversário por conta do fatídico game.

Pode nao ser o jogo do diabo, mas é preciso equilíbrio, confiança, determinação e tranquilidade para vencer uma partida tao equilibrada.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 Brasil Open, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro | 13:04

Carnaval tenístico

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Anos atrás um organizador de torneios de tênis nao queria nem ouvir falar na possibilidade de organizar um evento durante o carnaval. Era só falar em carnaval e o pessoal tremia. E, convenhamos, com um bocado de razao. Realizar eventos paralelos ao carnaval, que nao tenha a ver com ele, é temerário. Pelo menos é a realidade que se mostrou até hoje.

Tenho sérias duvidas que os organizadores mudaram suas cabeças a respeito, considerando o Brasil Open e o Rio Open, sendo que ambos coincidem com dias do Carnaval. O que aconteceu é que, provavelmente obedecendo a Lei de Murphy, a ATP encaixou, há alguns anos, o circuito latino americano bem na época ao redor do carnaval, que foi a única janela no seu apertado calendário que eles acharam. Com isso, os organizadores brasileiros tem sempre feito o possível para convencer os gringos que o carnaval era uma péssima data para o evento. Os caras ouviam e faziam o que queriam, acomodando também os pleitos dos outros torneios no continente.

Nao lembro se teve algum dos eventos no Sauípe que bateu com o carnaval. Lá dentro parecia carnaval em qualquer data e e o pessoal de Salvador nao era muito de frequentar, a nao ser que o Kuerten estivesse na final. Ou seja, nao fazia muita diferença para eu lembrar, apesar de ser muito próximo a Salvador, local que respira fortemente o Carnaval, por bem mais de uma semana.

Hoje começa o Brasil Open, ainda no Ibirapuera, até porque nao existe uma clara melhor alternativa. O evento atravessa o sábado e o domingo de carnaval. Na semana que vem o circo da ATP vai para o Rio de Janeiro, onde atravessa o fim de semana, mais a 2a e a 3a feira do carnaval. Como lá é o Rio e o desfile das campeas acontece no sábado, pode-se dizer que o torneio acontece, em cheio, durante o carnaval, o que será, pelo menos até onde minha memória permite, inédito.

Como tenho minhas dúvidas que o publico seja exatamente o mesmo, além do que ninguém pula 24hrs seguidas, imagino que de para conciliar as duas coisas, e ainda pegar uma praia. É o que farei, pelo menos a partir de 4a feira, porque antes os hoteis ou me mandavam catar coquinhos ou me metiam a mao.

Em Sao Paulo, muita gente irá viajar, mas muita irá ficar na cidade, que tem muita gente de qualquer maneira. Aliás, tanta gente saindo deve até ajudar no fim de semana. Um dos problemas com eventos na cidade é chegar e sair ao local, por conta do transito – fora o estacionar, onde há décadas a prefeitura e a polícia nao fazem nada a respeito da estorsao dos “guardadores” de veículos. E a cidade fica ótima nos fins de semana e feriados – sempre a melhor época para visitar, ficar e aproveitar Sao Paulo.

O torneio de Sao Paulo nao terá tantas estrelas como o do Rio – lá o pessoal está investindo barbaridades em trazer ídolos como Nadal e Ferrer, entre outros. Mas Sao Paulo terá um evento bem interessante tecnicamente, já que há um equilíbrio técnico grande entre os participantes. O principal cabeça de chave é Feliciano Lopez, que deve fazer bom uso da altitude de Sao Paulo com seu jogo junto à rede. Almagro, com um de seus piores ranking e três títulos no torneio – da época do Sauipe – também estará por aqui.

Além deles, teremos figura com o Fognini, que é uma figuraça, o Cuevas, que é um ótimo tenista, e muitos outros desse escalao – inclusive os argentinos que jogarao a Copa Davis contra o Brasil em breve. Isso, sem falar de Bellucci, Clezar, Feijao Souza (que caíram quase que grudados no sorteio, ô zica!), um possível Gham, que está na ultima do qualy – alias, de onde terá vindo a imposiçao do belga Kimmer Coppejans, jovem belga que ganhou um convite na chave principal no Brasil Open? – além dos mineirinhos Melo, Sá e Soares, que estarao nas duplas, além do Demoliner e o Rogerio Silva, que receberam convite para a chave.

PS 15:40h – Recebi notificaçao dos organizadores do Brasil Open que Feliciano Lopes pulou fora de Sao Paulo. O espanhol, que foi finalista em Quito no domingo – perdendo na final para o Burgos, que esteve em Sao Paulo para a final dos challengers, sendo o mais velho dos tenistas a ganhar pela 1a vez um ATPTour – alega ter sentido contusao na coxa. Sei..

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Brasil Open, Copa Davis, Rio Open, Tênis Masculino | 15:51

Bodes

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Como já escrevi, os espanhóis estão dando muito milho para bode nesta Copa Davis, considerando que deixaram em casa boa parte de seu arsenal e jogam na casa do adversário. Bem, azar deles. Mas, mesmo assim, alguém no time brasileiro terá que sai da caixa e jogar acima de seus padroes.

O homem melhor qualificado para isso, pelo menos tecnicamente, é Thomaz Bellucci. Nos resta descobrir se no fim de semana ele levará essa sua qualificaçao também para o lado emocional, o must do assunto.

Rogério é o coringa. Entra sem a “obrigaçao” de vitória hoje contra Roberto Bautista, por conta de destoar dos outros singlistas do evento com seu ranking. Lembrando, Bautista tem zero de experiencia em Davis e no que vai enfrentar pela frente no Ibirapuera. No entanto, se chegarem empatados na 5a partida, Rogério terá que encontrar um jeito para bater Pablo Andujar, uma vitória possível pela inconstâcia do tenista espanhol, que fez a melhor partida do Rio Open, contra Rafael Nadal.

Já Thomaz Bellucci carrega um fardo maior, pois tem a responsabilidade de vencer suas duas partidas. Nenhuma delas fácil, mais do que nada pelas suas dificuldades em momentos tensos. Nao é de hoje que ele busca uma atuaçao de gala, em casa, na Copa Davis e os espanhóis sao os fregueses por encomenda.

Hoje, Thomaz enfrenta Andujar, contra quem tem um recorde de 3×2, em jogos sempre equilibrados, incluindo uma vitória na quadra 2 de Roland Garros. As duas vitórias de Andujar foram as duas ultimas partidas, em 2013 e 2014, esta em Hamburgo.

Imagino que o capitao brasileiro esteja convencendo Rogerio que hoje é o dia para se inspirar e jogar como nunca. Afinal nao tem nenhuma responsabilidade. E, se por alguma razao, sair de quadra com uma vitória, os espanhóis realmente encontrarao vários bodes à sua porta.

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sexta-feira, 7 de março de 2014 Brasil Open, O Leitor no Torneio | 16:11

O leitor no Brasil Open

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Faz algum tempo que nao recebo uma visita de um leitor a um evento de alguem tao interessado como a abaixo. Aqui vai o relato do leitor Gabriel Vellutini a um dia do qualy em Sao Paulo. Isso sim é ser fa e aproveitar uma visita a um torneio. Gabriel, que tal enviar umas fotos?

 

Normalmente só costumo ler o blog e em raríssimas vezes comento. Mas vou abrir uma exceção dessa vez e contar a minha impressão deste Brasil Open 2014.

Meu nome é Gabriel Vellutini, sou nascido e criado em Taubaté-SP (cidade do interior de SP conhecida por grandes nomes da música e literatura e infelizmente nos últimos anos por escândalos políticos e falsa gravidez), tenho 25 anos e sou professor de História na rede estadual de ensino. Jogo tênis faz pelo menos 15 anos em um dos clubes da cidade chamado Taubaté Country Club mais conhecido como TCC. Pela proximidade geográfica é muito fácil para o taubateano que tem dinheiro acompanhar torneios de tênis pois ir para São Paulo, Campos do Jordão ou até mesmo Rio de Janeiro é tranquilo porém este NÃO é o meu caso.

O primeiro torneio de tênis profissional chancelado pela ITF e ATP que acompanhei foi o challenger de Campos do Jordão em 2009 já que torneios de grana no meu clube vi vários mas não gosto de ter como base para estudo torneios de grana. Sempre procurei ler muito sobre tênis seja nos sites da ITF,ATP,WTA,CBT e até mesmo a porcaria de site da COSAT mas normalmente leio a página da UOL sobre Tênis e blogs especializados como o seu.

Como apaixonado por história e por tênis obviamente li o livro O Tênis no Brasil (de Maria Esther Bueno a Gustavo Kuerten) de Gianni Carta e Roberto Marcher que conta com dois textos sem ser dos autores, um texto do pai de Gianni Carta, Mino Carta e outro do autor deste blog. Sempre quando tenho chance procuro ver jogos de tênis quando passam na tv seja ela aberta ou fechada e até mesmo vejo eles pela internet, não me considero sofasista e por ser franciscano não me considero não-sofasista então fico em cima do muro nesta parte. Vi pela tv e li todo o fiasco do Brasil Open 2013 e quando fiquei sabendo que o Paulo Pereira seria o diretor do Brasil Open 2014 decidi ir pra SP ver o torneio mas como diria a letra de mamonas assassinas “MONEY QUE É GOOD NÓS NÃO HAVE” então fui ver o torneio mas fui no domingo quando acontece o qualy e a entrada é franca (um dos motivos de assistir torneio em Campos do Jordão é porque a entrada é franca) o que me faria apenas pagar transporte e alimentação (moleza pois bus e metro é relativamente barato e meu cartão sodexo que ganho por ser prof ainda tinha grana então o pão de açucar que fica relativamente próximo ao Ibira resolveu a parada).

No dia 23 fui pra SP realizar meu sonho de ver um torneio ATP pela 1ª vez , tudo bem que me digam q vi o qualy, mas cheguei muito cedo pra poder ver os treinos de quem estava na chave principal e vi o Delbonis treinando por exemplo. Na minha inocente cabeça tinha duas metas: uma conseguir que o Roberto Marcher autografasse meu exemplar do seu livro e a segunda conseguir uma credencial pra fazer uma graça no clube (muito inocente da minha parte achar que um ATP 250 é tão fácil conseguir credencial quanto em Campos mas tudo bem…). Saí de Taubaté muito cedo e cheguei no Ibirapuera por volta das 8:30 e consegui ver o fim do treino do Delbonis com o também argentino Mayer e já me impressionei com o tênis do canhoto argentino. Fui para o Mauro Pinheiro trocar de roupa e quando estou voltando para o ambiente do torneio vejo o Tommy Haas passar e o mané aqui trava e nem consegui pedir uma foto com o alemão tamanha a timidez momentânea mas percebi que ele ia treinar com o Zeballos (esse joga muito mas muito mesmo já o acompanhei em Campos duas vezes tanto nos jogos como nos treinos e seu ranking não reflete seu tênis), como gosto tanto de jogar como assistir vi muitos duplistas no torneio dentre eles Monroe e Stadler, vi e me impressionei como o jogo do alemão Kas tanto no seu aquecimento com o Philip Oswald quanto no seu jogo contra Pere Riba pelo qualy.

Encontrei o sempre simpático Jaime Oncins e pedi para que ele autografasse na página que é dedicada a ele no livro de Marcher e Carta, e ele o fez para minha grande alegria (pude ver de novo aquele slice maravilhoso ao ver ele aquecendo seu pupilo Gastão Elias na quadra 1), vi o aquecimento e depois o jogo do Lajovic contra o Thiago Monteiro e não me impressionei tanto com o sérvio porque peguei uma birra danada do técnico dele mas me impressionou a facilidade com o que o Lajovic bate o backhand de uma mão, bate muito fácil todo tipo de bola seja ela alta, baixa, sem peso, com peso não importa de que jeito ela venha ele não erra no backhand e se erra é porque tentou fazer demais com a bola. Ele aqueceu com o Pere Riba um espanhol não tão típico pq não é de enroscar muito a bola como é comum se ver por ai mas que bate uma direita violenta e saca muito forte não tinha radar na quadra que o vi mas com certeza saca fácil 200 km/h. O jogo do Riba com o Kas foi o melhor que vi naquele dia junto com o jogo do argentino Máximo Gonzalez contra o Philip Oswald. Antes do seu jogo cheguei a desejar buena sorte a Macchi como é conhecido o argentino em seu país natal.

Fui almoçar e quando volto vejo o final do jogo do Gastão Elias e do pupilo do Marcos Daniel que agora não me lembro o nome. Quando saio da central e estou no caminho da quadra 1 encontro dois senhores no caminho próximo a uma das lixeiras do complexo sendo que um deles é só um dos autores do livro já mencionado (que é um dos meus referenciais bibliográficos e teóricos para uma gama de artigos científicos ainda não publicados que escrevi e principalmente para meu projeto de mestrado), encontro com Roberto Marcher e me apresento tremendo porque a emoção era muito grande e peço encarecidamente para que ele autografe meu livro o que ele não só o faz como também faz um pequena e linda dedicatória. Agradeço ao Carlos Rossi, que era o outro senhor, por tirar uma foto minha com o Marcher. Depois dessa dedicatória pensei dane-se a credencial o objetivo primário está cumprido vamos curtir o torneio. Tanto que conheci uma galera q treina no CT da Koch bem legal, já tinha conhecido uma holandesa juiza de linha chamada Jackie com a qual conversei em inglês e foi bacana o papo, tirei fotos com o Kas e com seu parceiro de duplas Haase (puts como fiquei feliz do Feijão ganhar dele não por ele mas por causa do seu técnico/preparador físico que é um careca metido demais), vi o jogo do Rogerinho contra o maluco beleza do Zampieri (aliás não pegou bem a garfada que o Zampieri deu no Little Roger nem eu nem a galera do CT da Koch gostou).

Deu pra ver e principalmente sentir toda a estrutura que foi montada para o evento tanto na área de telecomunicação porque vi parte da montagem dos ao vivos tanto da band quanto do Sportv, vi as opções de alimentação (muito caras para mim), visitei todos os stands q estavam montados e achei um absurdo o aumento de preço de um dia para o outro dos tubos de bolas vendido no stand da Wilson.

Voltei pra Taubaté sem ver o jogo do Starace o que foi uma pena mas mesmo assim fiquei muito feliz de ter realizado meu sonho e ver tantos bons jogadores profissionais de perto e ter conhecido parte de uma grande estrutura que é um ATP 250.

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O nosso leitor abordando Roberto Marcher.

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segunda-feira, 3 de março de 2014 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:12

Upgrade

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Grandes torneios de tênis sao uma raridade no Brasil atual, ao contrário do que acontecia nos anos 90. Entao a expectativa para que eles sejam bons sao ainda maiores. Assim, foi um prazer ver dois bons eventos seguidos, um no Rio e outro em Sao Paulo. Especialmente com o fato de Sao Paulo ter dado um salto à frente em qualidade, após as inúmeras reclamaçoes no ano passado.

A primeira decisao dos organizadores foi que iriam mudar, para melhor, a segunda foi chamar Paulo Pereira, com fama de “chato” por ser exigente e querer as coisas feitas da maneira certa. Luis Felipe Tavares, dono do evento, sabia o que queria e o que viria pela frente ao trazer Pereira. Na verdade, fazia parte do plano de restabelecer a credibilidade ao evento, algo tao dificil de se conseguir e que se pode perder muito facilmente. Pereira trabalhou mais de 20 anos na ATP.

Para acertar os ponteiros, duas coisas imediatas foram acertadas. As quadras; afinal sao nelas que sao realizados os jogos, e as bolas; afinal, ora bolas, com elas sao jogadas as partidas.

No ano passado esses decisoes ficaram nas maos de amadores, ou quem agiu agiu como tal. As quadras nao vou nem falar. As bolas foram “escolhidas” levando em consideraçao o “critério Bellucci”, já que alguém achou que com aquelas bolinhas pererecas ele teria vantagens pelo seu estilo. Nao acertaram nem de um jeito, nem de outro.

Este ano foram mais conscientes, e espertos, ou seja; dividiram a responsabilidade com a ATP e o parceiro nas bolas, no caso a seríssima empresa Wilson. A ATP está aí para isso e eles fizeram a sua indicaçao das bolas da Wilson, escolhendo a Wilson Australian Open. Aval total dos tenistas.

Quanto as quadras, foram atrás de quem entende do assunto, além de, imagino, terem aprendido com os erros passados. Desta vez, só elogios dos tenistas.

Com essas duas coisas básicas em ordem foram para os detalhes. E o que faz o sucesso de um evento tenistico? Tenistas felizes e público contente. Bem, asseguro que nenhuma das duas coisas é fácil. Mas também nao sao tao difíceis.

Os tenistas foram tratados como sao tratados nos outros eventos da ATP; mais, ou menos, de acordo com a vontade e a disponibilidade de recursos. Todos os tenistas foram pegos, e devolvidos, no aeroporto de acordo com suas necessidades e horários. Nada de taxis. Hospitalidade começa no aeroporto. Cada um deles encontrou em sua cama de hotel um celular com crédito para a semana, só para ir deixando as coisas claras. Mais de uma festa ou jantar foram realizados para os atletas e as refeiçoes oferecidas inloco ganharam um upgrade – tenista é alguém que se ganha pelo estômago.

O público também recebeu algumas regalias, que já pagava por elas. As cadeiras do ginásio, 8.500 delas, foram todas numeradas. Esse negócio de arquibancadas nao se afina mais para uma Quadra Central de tênis e evita muitas confusoes e desconfortos.

Alguém ali foi atrás e fez seu homework. Colocaram 40 climatizadores no ginásio, que se nao refrigera, climatiza, ou seja, abaixa a temperatura e oferece um conforto de uns 5 graus mais baixos no ambiente, a um custo de cerca de R$80 mil. Na quadra 1, totalmente remodelada para este ano, com 500 assentos, foi colocado ar condicionado. Como a sorte ajuda que trabalha, o clima da semana do evento foi bem mais ameno do que as semanas anteriores, quando o calor estava um inferno.

Até a imprensa teve seu trabalho facilitado. Sob a batuta de Daniela Giuntini a informaçao ficou mais ágil e os lugares reservados foram suficientes e bem guardados.

Aliás, fiquei sabendo que a organizaçao arregimentou voluntários através de sua página no Face; fica a dica para o próximo ano. O sistema de voluntários faz enorme sucesso lá fora e os eventos dependem maciçamente deles para operar no azul e oferecer bons serviços. E é um barato para o fa. Pena que nao exista essa tradiçao por aqui de uma meneira mais forte, algo que as Olimpíadas pode mudar.

Como aconteceu no Rio Open, sempre há o que melhorar, e essa busca é o que faz o evento permanecer vivo e legal. Muitos outros detalhes positivos, além dos acima mencionados, foram realizados pelos organizadores. Assim como eles devem ter uma lista de outros que gostariam de implementar. Agora que encontraram um caminho fica mais fácil.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:06

Combinando

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Interessante a chamada de hoje no Brasil Open. O torneio colocou Thomaz Bellucci no horário nobre, 19.30, o que nao é nenhuma surpresa. Com isso, colocou o alemao Haas, que ganhou o maior cache para comparecer, no jogo anterior, no fim da tarde e nao o segundo jogo das 19.30h. Isso fortalece o horário da tarde, horário que o paulista tem mais dificuldade de comparecer.

Mais do que provável o alemao nao quis jogar depois do Belo, já que a primeira semifinal amanha, sábado, acontece às 13h. Mas o programa fica de bom tamanho, já que o jogo do Haas deve invadir o começo da noite – temos dois jogos equilibrados antes, a partir das 12h. E com o término do jogo do Belo lá pelas 9.30-10h dá tempo de sair para se fazer um segundo programa na noite paulistana.

Entao, para a conta fechar boa para muita gente, o alemao tem que bater hoje o argentino Zeballos, tarefa nao tao complicada para ele, e Bellucci tem que bater o encardido Klizan, tarefa já nao tao fácil, mas bem possível.

Os dois tenistas estao em chaves separadas e fariam a “final dos sonhos”, para fas e organizadores. Mas, como dizia o Garrincha; alguém combinou com os inimigos?

PS:17h. Ouvi dizer, nao afirmo, mas nao duvido, que a organizaçao quis colocar Haas após o jogo do Belo e que o alemao se recusou. O cara está recebendo uns R$240mil, mas nao quis conversa. O dono de evento, que faz o checao, nao gostou nem um pouco. Nadinha.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 Brasil Open, Tênis Brasileiro | 18:13

Antíteses

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Duas derrotas precoces, ocorridas ontem, no Brasil Open, contrariam e modificam as expectativas do evento. E uma nao poderia ser mais a antítese da outra.

Primeiro, Nicolas Almagro, cabeça 2 do torneio e três vezes campeao do Brasil Open, e por isso o principal favorito ao título – já que Haas, #1, está longe de sua melhor forma – foi surpreendido pelo argentino Delbonis. Escrevi surpreendido? Bem, vou escrever o que? Sobre o Almagro é sempre difícil escrever. É um daqueles tenistas onde se é forçado a colocar na mesma sentença talento e displicência, algo que sempre me incomoda. No Rio de Janeiro já tinha visto a fera de perto, treinando como um amador enfadado e perdendo, na 1a rodada, como um juvenil temperamental. Ontem foi na mesma linha. O cara simplesmente liga o botao do “dane-se” e faz o seu papelao mais do que conhecido. Isso sem mencionar as ofensas ao adversário e o desrespeito com o publico. E sem esquecer o desprezo pelo compromisso com os organizadores, e consequentemente com o público, de quem exige uma boa grana só para dar a carinha por aqui – algo na proximidade de R$200 mil. Bem, ele já veio ao país e venceu três vezes o evento, o que depoe a seu favor, mas nao precisava sujar o tapete dessa maneira.

O outro lado da moeda é a derrota da dupla Bruno Soares/Peya, para Garcia-Lopez e Oswald, um espanhol e um austríaco, que estavam fora do radar dos favoritos. A Bruno foi dado um horário nobre – ultimo jogo da noite – condizente com o fato de ser o brasileiro que melhor nos tem feito sentir melhor nos últimos tempos. Jogos de duplas sao extremamente rápidos e voláteis, especialmente com tiebreacoes no set final. Mas foi com esse cenário que a dupla austro-brazuca tem tido seu bons resultados. Na entrevista pós jogo, se pode ler nas entrelinhas que Bruno nao estava satisfeito com a performance da dupla. Durante a partida se sentiu que a dupla nao estava tao à vontade e confiante como em outras ocasioes. Jogar em casa é sempre uma faca de dois legumes.

De um lado Bruno tem, sem meio termos, o apoio da torcida. O publico gosta dele, dentro e fora da quadra. Aí, nenhuma surpresa. O cara é gostável mesmo. Nao sei, porque nao estou na pele dele e de seu parceiro, mas, por outro lado, talvez tenham se permitido a sentir um pouquinho a mais de pressao do que seria interessante para manter a soltura e a qualidade. Uma pena.

O ponto aqui é o contraponto. Enquanto Almagro recebe uma vasta grana, até porque é assim que o mundo gira e a Lusitana roda, e faz seus papeloes, Bruno, nunca ouvi duplistas ganhando garantias, é um tenista comprometido com sua carreira, com seus confrontos, seu público, seus patrocinadores, seus fas. Percebe-se a cada vez que entra em quadra, assina um autografo, participa de um evento que ele tem plena consciência do que tem que ser feito e que, importante, o faz com alegria e entrega. Bem, o mundo nao é justo, mas, do mesmo jeito que Almagro faz com que seja mais difícil afinar nossas paixoes com talentos ofertados, Bruno faz a tarefa mais fácil e agradável.

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