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Arquivo da Categoria Brasil Open

sábado, 27 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:19

Yes, you can.

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Ontem, sexta feira, foi um dia lindo no Brasil Open. Exatamente o que se espera, quando se espera coisas boas, de um evento tenístico. Todos os ingressos vendidos, publico lotando as quadras, inclusive as de treino, que, ao meu ver, merecem uma mini arquibancada, já que o publico adora ver essa informalidade nos tenistas, as alamedas repletas com pessoas transitando e atendendo às lojas instaladas na alameda principal do evento e, vital, brasileiros em quadra.

 

 

Sim, aí um dos diferencias de um evento realizado no Brasil: a presença de um dos nossos em quadra. E como à noite teríamos os mineirinho e a nova sensação em quadra, à procura por ingressos era insana. Tive inúmeros conhecidos ligando para ver se eu arrumava ingressos. Eu, que nada tenho a ver com o evento? Imaginem os que têm. E assim sofrem os que não se programam.

 

 

O outro lado da moeda é que olhando a chamada de hoje não encontramos mais nenhum dos nossos nas quadras. Os mineiros tiveram uma derrota inesperada. Thiago, um esperada.

 

 

Mas Thiago chegou a passar os dedos pela vitória. E aí nós vemos a diferença que faz a experiência, a quilometragem. Ele venceu o 1o set jogando melhor do que Cuevas. Começou o 2o quebrando e abrindo 2×0 e o uruguaio dando sinais que apitaria. Foi então que Thiago jogou o game que vai lhe tirar o sono e render boas conversas com o técnico.

 

 

Fez algo gritante de errado? Nao. Mas também nao fez o que precisava, que era jogar a pá da cal no cadáver que se prostrava do outro lado da rede. Jogou o game esperando que o outro se enterrasse sozinho. O outro não é jogador de futures ou challengers. É argentino/uruguaio, tem brios por baixo daquela carinha de coitado. Ficou no jogo. Thiago não se perdoou pelo vacilo e não foi mais o mesmo. A partir daquele game virou presa fácil para o comedor de canhotos.

 

 

Tudo isso faz parte do aprendizado e esta semana Monteiro aprendeu mais, em quadra, do que em toda a carreira. A principal delas, aquilo que virou mote do Obama: “Yes, you can!” Especialmente porque, além de ter um jogo redondo, tem brios, coragem, vontade, determinação e atitude em quadra, qualidades que lhe servirão para progredir no circuito e, importante para nós, cativar seus fas em casa. Que siga o trabalho e ouvindo aqueles que são responsáveis por seu progresso.

 

 

O porque do fracasso dos mineiros Melo e Soares? Não sei lhes dizer. Ainda não estão à vontade em quadra. Digo ainda porque para todos os brasileiros o importante agora é a participação deles no Rio 2016. Sim, eles tem altas chances de medalha, independentes dos resultados das duas ultimas semanas. Quanto a parte técnica já escrevi o porque, acredito, eles nao conseguiram render o que se esperava por aqui. Mas faltou algo mais e por isso ainda acho que deveriam jogar juntos antes das Olimpíadas. O mote de Obama também vale, totalmente, para eles. A dupla é uma entidade maior do que a individualidade, no caso. Eles precisam ganhar juntos para adquirirem a confiança para vencerem juntos. Catch 22!

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:44

De novo

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De novo? Essa foi a colocação/exclamação de um amigo tenista meu quando me viu, logo após a derrota de Thomaz Bellucci no Brasil Open. A minha cara, assim como a dele, foi que não havia necessidade de se estender sobre o assunto.
O adversário do Belo foi um espanhol de 22 anos, #122 no ranking e tenista bem abaixo tecnicamente do brasileiro, sendo que este o trucidou no 1o set. E por que este perdeu? As chances são que eu escreveria algo que vocês já leram. De novo.

 
Do novo mesmo bom foi a vitória do Thiago Monteiro. Desta vez pegou um espanhol veterano, #72 no ranking. O garoto jogou bem, manteve o padrão que vem apresentando, na verdade mostrando mais confiança, e com isso mais qualidade, a cada partida que joga.

 
Apesar de começar perdendo o primeiro set, Thiago seguiu mostrando a atitude que vem cativando os fas brasileiros: garra, luta, determinação, foco e empatia com a torcida, qualidades que sempre fizeram parte do arsenal de tenistas brasileiros de sucesso. Pelo menos até recentemente.

 
Uma coisa que deu gosto foi ver a torcida se empolgar e participar, assim como já tinha feito contra Almagro. Comparando com o que havia acontecido pouco antes em quadra, quando a torcida se frustrava a cada vez que tentava motivar Thomaz e este respondia com o mais gelado dos ares.

 
Após a partida, conversei no lounge com o diretor e o dono do torneio. Hoje colocaram Thiago, que enfrenta o campeão do Rio Open, na 2a partida da noite, logo após a dupla dos mineiros Melo/Soares. Parece que o técnico de Cuevas, o ex-tenista argentino top 10 Alberto Mancini, reclamou bastante, já que ele queria que fosse o 1o jogo. Felizmente aqui é São Paulo e não Montevideo ou Buenos Aires e aqui quem manda não são eles.

 
Aliás, o leitor, garanto, não tem a menor idéia da queda de braço que é fazer a chamada a cada dia do torneio. Todos querem as coisas do seu jeito e que encaixem suas agendas. No frigir dos ovos, as pessoas que realmente decidem são o diretor do torneio, o supervisor e o representante dos jogadores (ATP). Se o bicho pegar, e o bicho pega, ganha a coalizão de forças e, na pior das hipóteses, quem for mais poderoso; o supervisor, que pode sempre tirar o ás da manga e dar uma cartada em todo mundo, ou o diretor, que se tiver muuuito prestígio.

 

O sentimento dos organizadores é que Thiago tem chances de bater Cuevas e, até, ir à final. Organizadores são otimistas por natureza. O que não se deve esquecer são dois detalhes. Cuevas é, ainda, mais tenista, mais rodado e mais confiante do que Thiago. Além de Thiago ser um canhoto, como eram todos os adversários que ele bateu no Rio e o que bateu na 1a rodada em Sao Paulo – o que é um recorde no circuito.

 
Por outro lado, após vencer o Rio Open, seu corpo começa a pedir descanso. Um vacilo e Thiago, que tem ótima postura e sangue nos olhos, coloca o pé na sua porta.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:09

Gentil

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Um amigo meu, ligado ao tênis, não ficou nem um pouco contente com a participação de Nicolas Almagro na derrota para Thiago Monteiro. Afirmava que, na melhor das hipóteses, e não foi exatamente isso que ele disse, faltou empenho em vencer. Thiago continua não tendo nada a ver com a história alheia e assim faturou mais uma vitória que enriquece barbaridades seu currículo. Sorte e competência se somam para o sucesso.

 
No Rio ele já havia se beneficiado da “participação” de Jo Tsonga. Quanto a esse jogo, o diretor do torneio em Sao Paulo afirmou que Tsonga “estava um desastre e parecia um elefante caminhando em quadra”. Para quem conhece o Roberto Macher, um cara extremamente culto, articulado e que sabe o que fala a definição não surpreende – assim como para quem assistiu. Talvez tenha algo a dizer sobre o Almagro. Talvez não.

 
Ontem cheguei ao Pinheiros na hora do almoço para bater a minha bolinha. Mal adentrei encontrei uma das colegas de quadra de minha mulher. A moça estava excitadíssima. Me contou, aos trancos e barrancos, que estava em uma aula em grupo, com mais duas amigas, quando chegou Almagro, dispensou o professor e passou a jogar 5 games com as moças! Ela estava delirante com a simpatia do espanhol.

 
Também achei extremamente simpático do rapaz. Afinal tenistas profissionais só fazem esse tipo de ação mediante um bom dindin e de mau humor – o que não foi o caso. Roberto Marcher fala com todas as letras que o torneio não pagou “garantias” a ninguém. Ao que tudo indica foi totalmente espontâneo e aconteceu em uma das quadras secundárias do clube.

 
O que não estou muito certo é se eu, como técnico, permitiria tal gentileza por parte de meu tenista, horas antes de entrar em quadra pela 1a rodada, contra um adversário que já “aprontara” na semana anterior.

 

 

Finalizando sobre Almagro, com uma olhadinha mais nítida sobre a chave de duplas descobrimos que ele recebeu um convite da organização para as duplas. Ele escolheu como parceiro Eduardo Assumpção, que tem como ranking de duplas #1035 e de simples #1618 e cujo pai é dono da EGA Academia de Tênis, além de ser um certo filantropo do tênis, que gosta de investir, à sua maneira, na formação de tenistas. O Almagro realmente está inspirado nas gentilezas esta semana.

 

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Almagro e as alegres meninas pinheirenses.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:01

O Brasil Open

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O Brasil Open ganhou um tremendo upgrade ao sair do Ginásio do Ibirapuera e ir para o Clube Pinheiros. O fato fala alto tanto sobre o Ibirapuera, uma arena que nasceu defasada e que o tempo só acentuou essa característica, sobre o Clube Pinheiros, um clube sempre investindo em ser melhor e que, com sua última obra, ficou ainda mais “public friendly” e o Brasil Open, que há anos namorava a idéia de ir para o Pinheiros, mesmo quando ainda estava na Bahia, atrás de um bom local em São Paulo para também encorpar o evento.

 
O Ibirapuera depende da administração do Estado de São Paulo, o maior do país, cujo governantes, em especial os das últimas três décadas, não tiveram a menor cerimônia em manter de maneira precária e, menos ainda, se animaram em construir uma arena digna da maior cidade da América Latina e o maior estado da federação. É só nós vermos uma arena como a O2 em Londres ou outra qualquer em diferentes cidades do mundo.

 
O Clube Pinheiros é o maior clube social/esportivo do país, um celeiro de atletas olímpicos e um oásis na área mais nobre da cidade. Com a obra que acrescentou mais de 800 vagas de estacionamento, o qual o público do evento pode usufruir, um ginásio coberto lindo com duas, de um total de 24, quadras, milhares de árvores, arbustos e plantas oferecendo um local ímpar para passear, praticar esportes e, no caso, fazer um evento de primeira linha.

 
No pouco que visitei – ontem e hoje – já deu pra ver que a atual é a melhor opção das três que o Brasil Open já teve. Ficou gostoso passear pelas quadras secundárias, inclusive as de treino, onde hoje acompanhei o treino dos duplistas brasileiros, junto com um público que lotava a quadra e, ao final, aplaudiu polidamente os tenistas.

 

 

Ontem assisti a derrota de Clezar na quadra central, que ficou de bom tamanho – não tem a monumentalidade da QC do Rio Open, mas ficou agradável e os assentos ficaram a uma distância boa de se acompanhar uma partida.

 

 

Ou seja, se o fã não foi ao Rio, pode perfeitamente acompanhar o evento com conforto, passando horas assistindo jogos e tenistas de primeira linha, além de vivenciarem o ambiente.

 
Se tudo isso não bastasse, atravessando a rua está o Shopping Iguatemi com várias ótimas opções de refeições. Ou seja, dá para fazer um programão, inclusive em família. Mais ainda. É facílimo deixar as crianças no Clube e pegá-las de volta, em um local de altíssima segurança. Ou seja, um programão, não importa a sua realidade.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:01

Sorte?

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Se buscarmos a palavra “oportunidade” no google, aparecerão inúmeras frases interessantes que preencheriam um capitulo de um livro de auto ajuda. Talvez por ter se revelado pela primeira vez pra mim quando ainda estudava nos Estados Unidos, a seguinte tenha se tornado uma de minhas favoritas: “a sorte surge quando a oportunidade encontra a preparação”.

 

Pensando bem, a frase define com razoável precisão a surpreendente vitória de Thiago Monteiro sobre o francês, e # 9 do mundo, o Jo Tsonga.

 

Convenhamos, Tsonga deveria ter um mínimo de vergonha em se apresentar como o fez por aqui na América do Sul. Em Buenos Aires perdeu na 2a rodada, no Rio dançou na primeira, sendo que, como cabeça de chave #3, a expectativa é que chegasse, no mínimo, à semifinal.

 

Na partida contra Monteiro, Tsonga esteve bem abaixo de seu padrão. Pode-se imaginar que tenha subestimado o jovem brasileiro, #338 do mundo. Convenhamos, teoricamente o nosso tenista não seria páreo para o top 10. Teoricamente.

 

Na verdade, o que se viu foi um tenista que ou achou que o jogo estava ganho antes de entrar em quadra, ou não fez o esforço necessário para se preparar para a partida, o mínimo que se espera de um profissional como ele. Considerando Buenos Aires, parece que não fez uma preparação adequada para vir jogar no saibro da América do Sul. Seja lá o que for, o primeiro set do favorito foi quase ridículo. No 2o set melhorou, enquanto Thiago perdeu o foco, e no 3o ficou claro que quando quis ganhar não tinha na sua caixa de ferramentas o que era necessário.

 

E o que Thiago tem a ver com isso tudo? Tem, como diz a frase lá em cima, que ele se preparou para o que desse e viesse, fazendo jus à escolha do convite da organização e a responsabilidade atachada a ela.

 

Thiago chegou ao Rio para defender sua carreira, aproveitar a oportunidade e se apresentar, com orgulho e respeito, perante um público pagante que sai de casa para assistir tenistas profissionais, se enfrentando em uma arena que exigiu grandes investimentos e muito trabalho de todos envolvidos.

 

Será que Tsonga leva tudo isso em consideração quando exige e aceita, o que imagino, um grande valor somente para aparecer e jogar? Aparentemente não.

 

Por outro lado, Monteiro teve seu encontro com a sorte quando o destino lhe deu a oportunidade de estarr do outro lado da quadra de um adversário que não se deu ao respeito na 1a rodada de um grande torneio. Como estava preparado, pode realizar algo, e isso ninguém lhe tira, que em nenhuma hipótese é fácil de realizar: bater um tenista top 10.

 

 

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Thiago explica sua vitória a Dacio Campos.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Curtinhas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 08:44

Uma festa

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Se eu fosse Hemingway, e delirar é grátis, escreveria que o Rio Open é uma festa. Só que, ao contrário de Ernest, não estou passando fome ou necessidades – pelo contrário.

 

 

O torneio está bombando, o padrão técnico está excelente e o ambiente ótimo. Tem tanto jogo bom de se ver que não tive tempo para conhecer a promenade com lojas e restaurantes. Fiquei zanzando de quadra para quadra e pude acompanhar um pouco de tudo. Fiquei boa parte do dia com a cara contra a tela de alguma quadra.

 

 

Na Central vi o Bellucci fazer aquelas coisas que ele faz mesmo. Um grupo de tenistas e técnicos mencionava o game (6×5) que ele teve 40×0, perto do fim do 2o set, deu aquela famosa curtinha, errou duas direitas de 1a bola, fez DF e acabou por perdeu o game. Mas o Dog retribuiu rapidinho e foram para o 3o set. Belo teve um break logo no início, após o intervalo da chuva, que interrompeu o jogo por 1 ½ hora e fez 2×0. Aí, e não me perguntem detalhes, perdeu seis games seguidos.

 

 

Enquanto os tenistas não deixavam muito barato, ouvi uma família conversando sobre o jogo. A mulher criticava o brasileiro e suas “viajadas”. O marido, mais lógico e ponderado, fez uma veemente defesa, lembrando que jogar em casa, para Bellucci, é difícil porque existe muita expectativa sobre ele. A filha do casal não perdoou; se não aguenta a pressão não consegue jogar tênis. Eu só ouvi.

 

 

Ví também o Thiem administrar o cansaço e vencer bem o Andujar, que é um tenista difícil de se bater. Percebia-se que administrava o cansaço da semana passada. O que a direita do garoto anda é brincadeira. E seu saque quique na vantagem é lindo de se ver e abre barbaridades o oponente.

 

 

Sentei, sozinho na área da imprensa, para acompanhar os dois últimos sets de Almagro e La Nava. Queria ver de perto, entre outras coisas, o grip e o golpe de esquerda do espanhol. Procurava uma inspiração. Almagro tem um tênis bonito, bate sem medo na bola, usa a munheca como poucos e ganhou na marra porque não queria perder na 1a rodada após chegar à final em BA. Mas o que o cara é chato é brincadeira. Ele pressiona o juiz o tempo todo pra ver se, na hora H, o cara entrega algo pra ele. O que não é muito legal. Os dois discutiram bastante durante a partida e no fim a coisa não estava nada boa. Após vitória o espanhol foi fotografar a marca de uma bola. O juiz, Mohamed Lahiany, estava muuuito irritado na sua conversa com outros árbitros já fora da quadra.

 

Vi mais do que isso, mas vou contando aos poucos.

 

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Com a cara na tela vendo Thiem sacar.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Copa Davis, História, Olimpíadas, Rio Open, Tênis Brasileiro | 17:52

Homenagem a um Gentleman

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Não sei porque, mas parece que em tempos de internet a “memória coletiva tenistica” vai ficando mais curta. Tenho quase certeza que seja um fato para todas as memórias coletivas.

 
Todo mundo sabe o que “tem” que saber, mas quase ninguém conhece, com o mínimo de profundidade, a história de nosso esporte que, ao contrário do que muitos acreditam, não começou com Gustavo Kuerten. Está aí a Maria Esther que não me deixa mentir; ídolo máximo do esporte, só caiu mesmo na boca do povo com sua presença nos comentários na SporTV, que não fazem jus ao tênis primoroso que ela jogava, e que a tirou de um injusto ostracismo que ela vivia no próprio país.

 
Se com ela acontece isso, imaginem personagens menos famosos. Volta e meia os eventos brasileiros homenageiam tenistas passados; mas na verdade acabam caindo no óbvio e no que dá mais ibope.

 
No Rio Open, no ano passado, foi homenageado Thomaz Koch, outro que mais do que merece. Gustavo Kuerten, que virou arroz de festa nessas ocasiões, não sem muita razão, também foi homenageado então. Este ano a Quadra Central receberá, como homenagem, o seu nome. Algo mais pro forma, já que a quadra deixa de existir ao término de cada edição. A Quadra Central das Olimpíadas, esta mais perene, também recebeu seu nome. No entanto, os torneios, um momento que arregimenta os fãs do esporte branco, poderiam sair um pouco da caixa, usar a história e a imaginação e ampliar essas “homenagens”.

 
Só de curiosidade, menciono os dois eventos por acontecer. O Rio Open e o Brasil Open. No Rio, o diretor do torneio é o Luiz Carvalho, neto de Alcides Procópio. No Brasil Open, Alcides Procópio Jr, filho do Procópio, é o diretor de marketing da Koch Tavares, empresa que organiza o evento.

 

Para quem não sabe, o que já me causaria enorme surpresa e uma certa indignação, Alcides Procópio é um ícone do tênis brasileiro. Um pioneiro, poderíamos descrever. Foi tenista, campeão brasileiro e sul americano e o 1o brasileiro a jogar em Wimbledon. Jogou Copa Davis e foi capitão da equipe. Foi presidente da Federação Paulista durante muitos anos, criou o Banana Bowl e fundou a primeira industria tenistica – fazia raquetes de madeira. Lembro de ir na sua loja quase 60 anos atrás. Com certeza já foi homenageado, mas nada que eu lembre recentemente. Imagino que seus familiares fiquem, talvez, constrangidos, de o homenagear. Não perguntei. Pois digo que faria muito mais sentido do que algumas outras que aconteceram ou ainda estarão por aí. O Tênis brasileiro é beeem maior do que um ou dois nomes.

 
E por que chego a tudo isso? Esta semana fui surpreendido com a morte de Roberto Cardoso, aos 88 anos. Roberto foi contemporâneo de Procópio e o tenista que iniciou a tradição do bom tênis em Bauru, e no interior de São Paulo, e que Claudio Sacomandi sacramentou com seus ensinamentos. Foi eneacampeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, campeão brasileiro e sul americano por equipes. Esteve no 1o Jogos Pan Americano de Tênis, em 1951, ano em que, aos 24 anos, também defendeu o Brasil na Copa Davis, em parceria com Alcides Procópio e disputou Roland Garros.

 
Por curiosidade, era canhoto e batia seu revés com duas mãos, o melhor golpe de nosso tênis na época (junto com a direita “flat” de Procópio). Não lembro ou conheço um brasileiro que o tenha feito antes dele. Além disso, era um gentleman, dentro e fora das quadras, o que não é pouco. Meu pai, que era ainda mais velho do que ele, era seu fã, assim como eu. Roberto nunca foi ou pensou no profissionalismo. Mas, pela paixão, “cansou” de ganhar torneios nacionais e internacionais de veteranos até alguns anos atrás. Foi-se o Roberto e eu pergunto. Se você não é de Bauru, ficou sabendo?

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:15

Super quinzena

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Este ano será, de longe, o mais interessante para os fãs de tênis brasileiros. Desde os anos 80 e 90, quando o país chegou a ser o 2o a ter mais torneios, após os EUA, que não temos algo nesse padrão. E, atenção, me refiro somente ao quesito eventos, e não às conquistas do jogadores, algo que em 2016 também não começou nada mal.

 

Mas nunca houve um igual e será difícil igualar 2016, já que teremos os Jogos Olímpicos no Rio, o que nos deve oferecer o mais próximo que teremos de um Grand Slam no país.

 

Além desse mega evento teremos, em uma memorável quinzena, o Rio Open e o Brasil Open, em São Paulo. É tênis para ninguém botar defeito. E três semanas depois teremos o Miami Open, que se não fica no Brasil nunca fez muita diferença para muitos fãs brasileiros. É tênis na veia.

 

Já estou com a cabeça no Rio. Estou, de longe, seguindo o que acontece em Buenos Aires esta semana para ter uma idéia do que pode acontecer no Rio. Fica melhor de escolher os jogos quando o Rio vier. Dá para ver quem está embalado ou se embalando, quem está zicado (e agora esse verbo ficou com conotações ainda piores), quais jogos equilibrados que aconteceram lá que se repete por aqui (o que sempre é sinal de “vamos tirar isso a limpo), quem está com vontade e quem parece que só veio passear e pegar a garantia. Emfim….

 

À parte disso, teremos nas quadras do Jockey Club um diferencial não presente em BA que separa os meninos do homens. O extremo e úmido calor!

 

Estava xeretando a previsão do tempo no Jardim Botânico e, até onde se enxerga, fala em 40o ao redor do horário do almoço. Aliás, não me sinto nada confortável com “hora do almoço”, já que essa varia conforme a vontade do freguês. Prefiro “noon” ou “le midi”. Preciso de uma palavra mais bem descritiva. E meio-dia não vale. Ou vale?

 

De qualquer maneira, os organizadores só vão colocar jogos em quadra após as 14.30h. Ajuda, mas não anula o mencionado diferencial. Ali pra ganhar tem que estar bem preparado e querer muuuito. Em um teórico jogo entre Ferrer x Isner eu sou capaz de quebrar a banca!

 

Pelo andar da carruagem, o Brasil Open não ficará tão atrás – este Carnaval ferveu em Sao Paulo. Não é Rio 40o, mas o bicho pega. Correr atrás da peludinha nessas condições, durante umas 3 hs, não é para qualquer um.

 

Mas para nós espectadores será uma quinzena impar. E se não se programarem e acertarem seus ingressos de antemão, depois não adianta choramingar.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 Brasil Open | 20:25

Brasil Open

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Este ano, mais uma vez, o Brasil Open muda de casa. Ainda bem que o nome é Brasil e não algo como Rio Open, o que deixaria os organizadores bem mais engessados. Eu diria que encontraram uma boa casa desta vez – o Esporte Clube Pinheiros.

 

O clube é o maior e mais importante do país e tem localização privilegiada, em uma das principais avenidas de São Paulo, com um de seus estacionamento, o que será usado pelo público do torneio, para mais de 800 carros, do outro lado da rua do Shopping Iguatemi, o principal da cidade, que também tem um ótimo estacionamento. Essa proximidade possibilita que o público assista os jogos e vá comer em um dos restaurantes do shopping, algo que demora cinco minutos.

 

O Pinheiros têm 24 quadras de tênis, sendo duas cobertas, já hospedou diversas edições da Copa Davis, eu era o capitão da ultima, contra a India, inúmeros Banana Bowl, alguns Challengers e um ATP Tour, nos anos 90, anteriormente. Tradição de torneios é o que não falta, sem mencionar a tradição na formação de tenistas e atletas de diversos outros esportes.

 

O Brasil Open já foi jogado na Costa do Sauípe, que deu o que tinha que dar e foi legal enquanto durou, e no Ginásio do Ibirapuera, que servia na ausência de coisa melhor, um absurdo que os paulistanos devem a todos os incompetentes que já sentaram na cadeira de prefeitos da cidade, mas que pelo menos serviu para trazer o torneio para a cidade.

 

O Pinheiros era um namoro antigo dos organizadores que se tornou ainda mais urgente depois que o estacionamento e área das novas quadras ficou pronta no fim do ano retrasado. O local ficou muito bonito e conveniente.

 

Mesmo com as ótimas instalações do clube, os organizadores terão que investir e realizar várias intervenções. Aliás, ótima palavra, que me lembra da música do Nick Cave, Into my Arms, uma coisa maravilhosa de simples que começa com “I don´t believe in an interventionist God” só para dizer que, se sim, que seja para trazer sua amada para seus braços.

 

Eles irão transformar quatro quadras adjacentes em uma quadra principal e usarão outras duas para jogos secundários. Para tal, terão que mexer em várias quadras do clube, além de modificar e criar espaços que atendam as exigências de um ATP Tour. Posso garantir que o torneio terá mais ambiente e charme do que no Ibirapuera.

 

Os tenistas associados terão que sofrer com a restrição das quadras, pois o uso das destas não se restringe aos dias do evento, sendo necessário mais de um mês só para a montagem, depois os jogos e depois a desmontagem. Mas, imagino, os associados serão plenamente recompensados assistindo de perto as feras que estarão presentes. Não existe jantar gratuito.

 

Hoje os organizadores divulgaram a lista dos tenistas que estarão presentes. Ela é composta na sua maioria por latinosamericano e espanhóis, com uma pitada de italianos, of course. Não têm as estrelas do Rio Open, que acontece na semana anterior, como Nadal, Ferrer, Tsonga e Isner, mas têm, para a alegria de muitos, o bagaceiro Fabio Fognini. Veja a lista completa abaixo. O torneio acontece de 22 a 28 de Fevereiro:

 

 

Fabio Fognini (ITA) – 21o.
Thomaz Bellucci (BRA) – 37o.
Pablo Cuevas (URU) – 41o.
Federico Delbonis (ARG) – 52o.
Albert Ramos-Vinolas (ESP) – 55o.
Pablo Andujar (ESP) – 59o.
Pablo Carreno Busta (ESP) – 67o.
Paolo Lorenzi (ITA) – 69o.
Santiago Giraldo (COL) – 70o.
Inigo Cervantes (ESP) – 72o.
Nicolas Almagro (ESP) – 74o.
Guido Pella (ARG) – 76o.
Daniel Munoz de la Nava (ESP) – 77o.
Dusan Lajovic (SRB) – 79o.
Marcel Granollers (ESP) – 84o.
Diego Schwartzman (ARG) – 89o.
Marco Cecchinato (ITA) – 91o.
Paul-Henri Mathieu (FRA) – 96o.
Daniel Taro (JPN) – 97o.

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terça-feira, 10 de março de 2015 Brasil Open, Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:42

Fico com isto

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Esse negócio de procurar culpados quando de derrotas é papo furado. Até porque cada um procura o que pode e conhece e a maioria nao sabe o que procurar e nem conhece o bastante para enxergar quando aparece. Quando tomamos sete dos alemaes teve gente que ficou azucrinando por conta do Fred enquanto os maior culpado daquela xaropada, o mega marketeiro David Luiz, ainda anda por aí achando que é o melhor do mundo e as pessoas comprando esse gato por lebre.

Sendo assim, nao vou apontar dedos até porque certas horas a coisa toda fica óbvia.

Joao Feijao é a melhor coisa que aconteceu para nosso tênis desde que Thomaz Bellucci entrou entre os trinta do mundo e nos convenceu que tudo iria ficar azul. Sei, nao ficou. Sim, eu sei dos nossos duplistas, mas aí é outra história.

Nao sei até onde Feijao vai com sua nova fase. O que imagino é que ele, após Sao Paulo e Buenos Aires, encontrou uma maneira de jogar que dá certo para ele, e nos encanta, e vai agarrar isso como se fosse a ultima tábua da salvaçao. O cara descobriu, finalmente, que o Jogo de Tênis nao é uma competiçao de quem bate mais forte na bola. Bater forte e colocado sao dois predicados, mas o maior, de longe, é saber como ganhar uma partida, que é o que conta no final. Saber arrancar a vitória do adversário, que está ali para fazer a mesma coisa, é a diferença. Se, em tempos de Rafael Nadal, o maior gênio da história do tênis nesse quesito, o pessoal ainda nao aprendeu é melhor desistir.

Feijao nos convence até quando perde – eu senti, entre outras coisas, orgulho torcendo pra ele. Bellucci nao nos convence nem quando ganha. A nao ser em uma mega vitória como contra a Espanha, quando pensei que ele tivesse, finalmente, aprendido o valor de mais uma bola na quadra. Isso, sem contar com a dosagem correta da vibraçao em quadra e, mais importante, da sensibilidade para avaliar corretamente o momento do jogo, no set, no game, no ponto! O rapaz tem zero dessa vital sensibilidade. Ele joga um 15×15 como um 30×40. O primeiro e o último game, a bola fácil e a difícil, a cruzada e a paralela tudo igual.

Estou tentando apagar sua derrota para o Delbonis de minha mente, e por isso nao senti nem vontade de escrever. Mas teve um momento da partida, no início do 3o set, que exemplifica claramente isso. O Delbonis voltou na 2a feira totalmente borrado – alias o time brasileiro tinha que ter feito o diabo para aquele jogo nao começar no domingo, mas isso é outra história.

O Delbonis perde o 2o set, errando barbaridades e rezando para cada ponto acabar logo, e vai sacar no 1o game e fica 15×40! A compreensao do momento é tudo neste raciocínio. Se o Bellucci joga a bola para o outro lado com a mao o Delbonis enfiava no meio da rede tal o travamento de seu cérebro e braço. E o que o Belo faz? Aquilo que gosta de fazer; mete uma mega porrada de forehand down the line e a bola sai um tiquinho – e na Davis tiquinho também é fora.

Faltou o entendimento básico que o protagonista do momento era o argentino borrado pela pressao e nao ele. Pior, bem pior. O que era 15×40 em instantes virou game do argentino, que saiu vibrando como uma criança que o pai tirara do castigo. E nao ficou por aí. De doze pontos jogados após aquele direita, Bellucci perdeu 11! Três zero Delbonis! E o que era o seu momento foi pro ralo. Ali, naquele 1o game, era a vitória brasileira. Ali sacramentou-se a vitória argentina.

Nao posso e nao quero acabar o Post nessa nota. Tanta coisa certa foi feita em BA no fim de semana. A dupla brasileira, mais uma vez, mostrou seriedade, qualidade e confiabilidade. Nao vou nem me alongar em Joao Feijao Sousa, que foi o que mais ganhou com o evento; graças ao seu próprio mérito. Sacar atrás durante todo o quinto set, após mais de 6hrs de jogo, manter a placidez mental que sempre transpareceu e defender 10 match points é tarefa de Macho. A postura do capitao Joao Zwetsch durante essa batalha foi ótima. “Jogou” com seu pupilo, incentivou, conversou – deu pra ver que os jogadores confiam nele só pelo olhar. A equipe de apoio esteve presente, “consertando” o Feijao e tenho a certeza, vendo o resultado em quadra, que muitas outras coisas certa foram feitas pelo nosso time no fim de semana. Eu fico com isso.

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