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Arquivo da Categoria Aberto da Austrália

terça-feira, 27 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Rafael Nadal | 18:16

Mudou?

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Assistir jogo no meio da madrugada ninguém merece. O Maraucci me diz que chegou às 5h da manha na ESPN para render seja lá quem for e que o jogo entre Nadal e Berdich já era. Naquela hora eu estava tendo todos os tipos de sonhos maravilhosos que um homem pode desejar – e posso garantir que Nadal e Berdich nao fazem parte de nenhum deles. Quando muito alguma bobagem com a Ester Satorova, atrás de seus óculos escuros e fazendo carinha de desamparada.

Entao? Bem, entao o Berdich ganhou do Nadal, algo que nao estava no radar de ninguém, a nao ser de um dos dois. Sim, porque de bobeira tamanha freguesia nao iria para o ralo. Eram 17 derrotas seguidas. Isso é um massacre para a auto estima de qualquer um. E uma injeçao de confiatrix para quem está na outra ponta.

Ou o Rafa entrou duvidando ou o Berdich estava viajando. Como milagres nao existem, é mais fácil acreditar que Nadal piscou e o outro aproveitou. O que nao seria de surpreender pelo tempo que o espanhol ficou longe das quadras.

O jeito que vou acreditar que o Berdich mudou – uma das alternativas acima – é se ele ir lá e ganhar o seu primeiro Grand Slam, algo que ele já deveria ter feito antes. Porque volume de jogo ele tem, mas sempre lhe faltou o que lhe faltava para bater Nadal (tem nome pra isso?). Aí sim eu vou começar a acreditar em papai noel. Mas, por enquanto, me contento se ele bater o MalaMalucoMurray. Esse confronto promete, pois um dos dois terá que vencer. Curiosidade: o checo lidera 6×4, inclusive as duas ultimas, em 2013. A Esterzinha pode ganhar horas extras nas tvs do mundo.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer | 14:40

Desculpas

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Apesar de tantos anos corridos, ainda me surpreendo com as entrevistas pós jogos de alguns tenistas, em especial os cachorroes. Para eles sempre há uma desculpa para a derrota a se tirar do bolso. Eles adoram se colocar na posiçao que sao invencíveis, os absolutos melhores. De fato sao melhores, como títulos e ranking mostram. Só que têm uma terrível dificuldade em admitir que simplesmente alguém os bateu porque jogou melhor naquele dia – uma marcante característica do esporte. Se nao, qual a graça? Os outros sao palhaços para eles socarem a cada rodada até que possam no fim do torneio decidirem quem é o King of the Black Coconut Candy?

Nao sou totalmente a favor da obrigaçao dos tenistas em dar entrevistas pós jogos – em especial o derrotado. O que os caras vao falar? Na verdade poderiam falar muito e ótimas coisas – mas forget margarete. Ninguém vai alí para lavar a alma ou esclarecer o jogo de tênis. Poucos, bem poucos o fazem.

Entendo que o esporte é profissional e a mídia quer ter acesso às notícias pessoais dos atletas. Mas o fato é que os atletas aprendem, desde cedo, a se esquivar dessas. Como a maioria nao tem nem a personalidade, o traquejo, a tranquilidade ou simplesmente os neurônios para responderem perguntas mias densas de jornalistas bem intencionados, assim como as dos malacos, respondem com absolutos absurdos. Assim, os jornalistas também entregam para Deus e só oferecem papinha na boquinha. O fato é que raramente sai algo de bom daquelas conversas e para os tenistas virou uma ocasiao para dar desculpas ou falar obviedades. Saudades do Ivanisevic em um mau dia ou de um Agassi em um bom dia.

Se Nadal já dá mil e uma desculpas quando quase perde, Federer nao se faz de rogado quando de fato perde. Na sua entrevista, após tomar um vareio do italiano Seppi, que no ano passado jogou muito tênis por alguns meses, mostrando que vem se tornando um tenista perigoso, já que fora do radar e dono de golpes sólidos. Aliás, uma curiosidade sobre o italiano. Quando juvenil sua esquerda era péssima. Desde entao carrega uma foto do russo Kafelnikov batendo o revés para lhe servir de inspiração – aliás, uma ótima inspiração.

Federer conta como tem dias que já no aquecimento descobre se está no ritmo ou nao, algo bem normal entre tenistas. Tem dia que você sabe logo cedo se vai entrar tudo. Tem dia que você sente que vai ser um inferno. C´ést la vie. Ele afirma que nao dá muita importância a isso e já descobriu que muitas vezes acontece exatamente o inverso do esperado; o que também acontece com os outros. Até aí Cabral descobriu o Brasil.

Nao me entendam mal. O que quero dizer é que isso, e muito mais, acontece com eles e os outros. Todos tem problemas, maus dias, dificuldades, contusões e dores, estresses, noites mau dormidas, incertezas e crises de confiança no jogo como todo ou em meros e cruciais detalhes etc. O irritante é a velha ladainha dos cachorroes; “eu tive um mal dia e por isso perdi” (Se nao, óbvio, eu teria ganho). O máximo que Federer conseguiu dar de crédito a Seppi foi, ao insistir que nao conseguiu jogar hoje o seu melhor tênis, parcialmente foi por conta do italiano. Bem, entao ficamos sabendo que ele, como todos os mortais, tem dias ruins. Mas, e isso é fato, consegue mesmo nesses dias vencer suas partidas, até porque os outros também tem suas questoes. A nao ser que o adversário tenha um bom dia e aí ele, parcialmente, leva o crédito pela a vitória. Sei.

Na verdade eu poderia ouvir toda análise que ele se dispõe a oferecer, mas ficaria mais elegante e condizente com o esporte, além de mais sincera e verdadeira, se com a análise viesse a aquiescência de que o outro simplesmente jogou melhor e venceu. No que me diz respeito, só por isso continuo a assistir o Tênis – estou há muitos anos de distância de assistir a um jogo só para ver alguém para quem torço ganhar. A nao ser que seja alguém da família ou amigo. Se nao, sou espectador, exigente e cético quanto a qualquer competidor que tenha sempre uma desculpa na ponta da língua para derrotas.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:49

Noites australianas

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Estou cansado. Porém, ao contrário de quando ficava cansado e doente por varar a noite durante a cobertura tenística do Aberto da Austrália, o meu cansaço é de jogar tênis, mais saudável e gostoso. Durmo fácil, sem contar carneirinhos ou bolinhas. Se antes pegava uma demoníaca gripe por ficar horas trancado em um insípido cubículo com o ar condicionado no máximo, seguindo as diretrizes da engenharia da tv, hoje o cansaço é de correr atrás das bolinhas ao ar livre e ter a oportunidade de competir com meus amigos. Em qualquer idade isso vale ouro; nao minha nao tem preço. Tenho a certeza que esta opçao traz mais qualidade, além de mais anos, à minha vida. Foi divertido enquanto durou, como tudo que se faz na vida com entrega, paixao e qualidade.

Sendo assim, a opção de varar a noite assistindo jogos está descartada. Resta o que dá para acompanhar no começo da noite e de manha cedo, o que está de ótimo tamanho. Até pouco tempo atrás nao tinhamos opçao alguma, sendo assim está de ótimo tamanho. Sei que para muitos ir pessoalmente a um Grand Slam é objeto de desejo, e algo que deve ser realizado por qualquer fa do tênis, mas acompanhar os jogos pela tv é um privilégio que nao pode ser minimizado. Isso vale para tanto para assistir um jogo como o do Federer com o Bolelli, dois excelentes representantes do tênis clássico e agradável de assistir, como ver o Nadal, mais uma vez, ganhar um jogo na marra, ao bater o americano Smiczek, um tenista que soube elevar seu padrao para a ocasião, mas que, infelizmente para ele, nao soube cacifar na hora da onça beber água.

Tem seus micos pelo caminho. Assistir à engessada Sharapova, por exemplo, só se sua adversária for muito gracinha. Assisti a uns poucos games contra a Panova, que tem um belo par de pernas e tênis a bastante para engrossar com a Shara. Mas falta aquele mojo emocional, que é o diferencial da grandona. O mesmo vale para a Serena. Muita gente, como fez a Zvonareva, engrossa com ela – mas ganhar sao outros quinhentos. O campeao tem algo no seu interior que os mortais só conhecem á distância e com uma rede no meio do caminho.

Fico pensando como é a cabeça do Hewitt – e se ele vai, finalmente, abandonar a carreira. O cara faz 34 anos o mês que vem, e virou, pelo menos para seu padrao, saco de pancadas de muitos migués. Afinal foi #1 do mundo. Hoje perdeu para o Benjamin Becker, um cara de golpes sólidos mas cabeça nem tanto – nunca havia vencido uma partida no 5o set. O que me leva a pensar o quanto o tênis mudou na história recente e como alguns tenistas conseguiram deitar e rolar com o hiato histórico que surgiu entre o final dos anos 90 e o meio da primeira década deste século.

Hewitt foi, talvez, o que melhor conseguiu aproveitar essa brecha. Ferreiro foi outro. Tivemos outros e, de certa maneira, até mesmo Kuerten, que, de certa maneira, foi um dos causadores da mudança que deu no que deu. Se o australiano tivesse surgido nem 10 depois do que surgiu nao teria tido o mesmo sucesso, que de fato durou de 2000 a 2004. Depois disso foi um excelente jogador, mas nao mais um que vencesse, nem chegasse perto, um Slam. Seu tênis ficou defasado.

Nao assisti, mas deve ter sido deveras interessante a partida entre Monfils e Janowicz, dois dos mais doidos do circuito. Pelas declaraçoes de Monfa, a culpa da sua derrota foi, mais uma vez, o seu excesso de defesa e passividade na hora de ganhar jogo. Passa ano, entra ano e o mano insiste em empurrar a bolinha e correr como uma gazela ao invés de impor seu volume de jogo. O cara esta entre os três mais atléticos do circuito e tem um tênis bem sólido. Mas, sei lá o por que, prefere viver naquela mesma dimensao do multi-polar Murray, que também adora empurrar bolinha e correr como se nao tivesse amanha. O que dá um brilho diferenciado ao tweet que Monfils publicou nos primeiros dias do ano. La nuit me aide à méditer, c´est dans ces moments que je me dis que je vais changer…

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014 Aberto da Austrália, Juvenis, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:17

A casa caiu

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Às portas do US Open dois fatos distantes, e ao mesmo tempo próximos, me chamaram a atenção. Em 2010 Roger Federer venceu o Aberto da Austrália, o que nao chega a ser uma surpresa. A surpresa foi a vitória, no mesmo torneio, na categoria juvenil masculino, do brasileiro Thiago Fernandes. Causou o maior rebú por aqui, conseguindo páginas inteiras de jornais e destaque no Jornal Nacional, algo que Federer nao conseguiu.

No fim de semana passado, Roger Federer venceu, aos 33 anos de idade, idade quando muitos já pensam em trocar os tênis pelas sandálias, um Masters1000, o que, considerando a competiçao e a idade, há que se considerar um belo feito. Isso se reinventando na parte tática, assim como sobrando na parte física, um quesito de suma importância no tênis atual.

Enquanto isso, circulava a informaçao que Fernandes decidira abandonar a carreira, que mal começara, e voltar para os estudos. Isso após uma séria contusão pubiana que o afastou das quadras um bom tempo, o que pode apontar para uma carência tanto no preparo físico como na recuperaçao, e após perder a confiança por conta de muitas frustrações. A decisao, aos 21 anos, trata-se da maior desapontamento que o tênis brasileiro conheceu nos últimos tempos. De enorme esperança do tênis para mais um estudante de engenharia – e nao vejo absolutamente nada de errado com estudar engenharia.

Se a carreira de Federer tem sido vitoriosa e longa é graças ao seu talento e, entre outras coisas, a disciplina estóica e, nao se iludam, a uma longa série de decisões corretas. Por outro lado, inevitavelmente, o fracasso de Thiago aponta para a direçao inversa.

Se até os 17 anos, idade onde ainda fala alto o talento individual, Thiago vislumbrava um futuro de sucesso, o abandono precoce da carreira transparece um malogro no planejamento macro da carreira, assim como nos detalhes da preparações física, psicológica. É óbvio que à distância nao é possível ou apropriado, fazer avaliaçoes ou apontar dedos – sao tantas as variáveis -, mas alguma coisa naufragou terrivelmente, após a conquista na Austrália, já que Thiago nunca mais voltou a nos impressionar após aquele momento dourado.

Thiago esteve um bom tempo sob a tutela do experiente Larri Passos, conhecido por sua intransigência em mais de uma questao, passou pelas solidárias maos de Marcos Barbosa, que o acompanhava em Melbourne ainda como assistente de Passos e, já bem próximo ao fim, pelos cuidados de Marcos Daniel, com quem fez a derradeira tentativa de salvar a carreira.

Infelizmente alguma coisa se perdeu no tempo, o que prova que o caminho do sucesso no tênis profissional é bem mais complexo do que se imagina. Este exigente esporte individual nao perdoa muitas coisas, como esportes coletivos às vezes perdoam. Nestes, pequenos, e mesmo grandes, erros ou fracassos podem ser camuflados por detrás das paredes e acomodaçoes de um time. Até mesmo um afastamento temporário, quando um time se mantêm, enquanto o indivíduo se recupera, física ou mentalmente, voltando e se encaixando no coletivo no momento certo e oportuno. No esporte individual, em especial o tênis, esse hiato pode trazer danos irreparáveis à confiança e auto estima do indivíduo, que sao determinantes no esporte onde nao se pode esconder debaixo das saias de ninguém. E se ele nao tiver dentro de si, e ao seu redor, uma força muito grande para lhe sustentar, a casa cai.

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segunda-feira, 21 de abril de 2014 Aberto da Austrália, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros | 14:49

#1 e #2

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A lógica feminina sempre me fez tremer. Especialmente nos momentos de estresse mútuo. Como assistir a uma semifinal de Monte Carlo nao é nem um pouco estressante, nao vejo nenhum mal nela – a tal “lógica”. Nas partida entre Roger Federer e Novak Djokovic, minha mulher mulher me informou, em tom casual, que estaria torcendo pelo Topetudo Federer. Até aí nenhuma surpresa, até porque ela nunca foi torcedora do sérvio, enquanto anda bem desapontada com Federer e seu topete. Aliás, a torcida do Djoko é bem abaixo do esperado, visto os resultados do rapaz. Mas isso já sao outro 500 quem nem o público que invadiu o MCCC faz questao de explicar.

Passado alguns segundos, como se fizesse um suspense que nem percebi, ela continuou seu raciocínio. “Vou torcer pelo Federer para ver ele perder a final para o Wawrinka”. Ahh, a torcida dela era, na verdade, pelo quase eterno #2 suíço, que agora é #1 para a frustraçao do outro. Mas torcer pelo Stan nao lhe era o bastante. Ela queria o rapaz vencendo na final o Boniton, seu histórico algoz. Isso sim é torcida.

Quando relatei o assunto a um amigo – um dos melhores tenistas de nossa história – ele de bate pronto concordou com ela. E ainda, pensando em voz alta, emendou: atualmente eu torço contra o Djokovic e aquele outro, como é o nome dele – Murray, fazendo uma cara de quem nao comeu e nao gostou. E torço a favor do Federer e do Wawrinka. Mas na final vou torcer pela #2 – no caso ele se referia à Wawrinka, que nao é mais o #2, e sim o #1 da Suíça.

Nao posso dizer que a torcida monegasca, que nao é monegassca coisa alguma – sao franceses e italianos que lá vao – torceu descaradamente pelo Roger. O carisma do rapaz é gritante – especialmente depois da tal torcida ficar quase uma década “aplaudindo” Rafa Nadal na final do Torneio de Monte Carlo. A Princesa, uma nadadora sul africana que é um “armário”, deu logo três beijinhos em ambos os suíços para deixar claro a felicidade local.

Confesso, sem parcimônia nem culpa, que minha “torcida” foi pelo Stan. Invariavelmente vou torcer por aquele que nao deveria ganhar. Especialmente se for um sopro de categoria, finesse, imprevisibilidade. Coisas que o Wawrinka coloca na mesa – em especial com seu backhand.

No primeiro set da partida, o #2 foi o #2 – respeitou, tremeu e entregou a rapadura. No 2o set foi entrando em jogo, indo menos para as laterais, cortando os erros e entrando no jogo, mas sempre com a little help from his friend, e, finalmente, escapou no que seria o apagar das luzes.

O terceiro foi o banho de realidade. Na atualidade, jogando no seus potenciais, o ex #2 é melhor. Deu uma tunda no ex #1. Além disso, fica dúvida de quanto este ainda tem “pernas” para jogar sets decisivos e no fim do torneio. Neste set, Federer, que sempre foi cavalo de chegada, morreu. Stan sobrou e sobrou com confiança, o que está lindo de ver.

Perguntinhas para os próximos eventos da temporada européia sobre o saibro: Wawrinka pode ganhar o 2o GS seguido? Lembrando, ele é tao, ou mais, perigoso no saibro como no piso australiano. Rafa Nadal vai conseguir, mais uma vez, dar a volta por cima? Eu nunca apostei contra o espanhol – nao vou começar agora. Djokovic vai cair na real, mandar Becker de volta para onde ele estava, ajoelhar e pedir o perdao do Vajda? Alguém mais vai aparecer para brigar pelo Copa dos Mosqueteiros de 2014, momento máximo do saibro mundial? Barcelona, Madrid e, especialmente, Roma pode acenar com as respostas.

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domingo, 2 de fevereiro de 2014 Aberto da Austrália, Copa Davis | 19:42

Mudaram as cadeiras

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Por que Roger Federer apareceu em Novi Sad, cidade natal de Monica Seles, para jogar na 1a rodada da Copa Davis no último minuto? Nao tentem adivinhar, porque essas coisas de bastidores sao sempre mais complexas do que aparentam e desconfiamos.

Federer jogou somente uma a 1a rodada da Davis desde 2004, contra os EUA, em casa, em 2012, quando perdeu para John Isner no saibro, e Wawrinka do Fish, e a Suíça tomou 5×0!, Nao jogava na competiçao desde a repescagem de 2012. Esses anos todos ele passou dizendo que a Davis é importante para ele, mas, pelo jeito, nem tanto. Isso já motivou até um breve desabafo de Wawrinka, com quem ganhou ouro nas Olimpíadas, que ele nao fazia exatamente o que dizia – bem, acontece nos melhores países. Em todas as aparências os dois sao amigos e Wawrinka deixou isso ainda mais claro após o título, quando insistiu que Roger sempre o incentivou e que foi um dos primeiros telefonemas que recebeu após a final. Mas sao suíços.

E porque agora? Só dá mesmo para especular. Inegável o fato de Wawrinka ter desencatado, vencido um Grand Slam e ter se tornado o melhor suíço no ranking, fatos, especialmente o último, que devem ter mexido com a psique do bonitao. Como Wawrinka pegou o aviao e foi para Novi Sad defender o país, ficou mais difícil para Federer continuar a vender o seu paeixe que já faz muito pela Suíça, o que é fato, e nao precisa de Copa Davis para prová-lo.

Imagino que muitos francos suíços foram gastos com telefonemas para se chegar a um acordo final. Inicialmente, insisto, Federer nao ia à Sérvia. Só confirmou, oficialmente, na 4a feira, dois dias antes dos primeiro jogo.

Com certeza o fato de Novak Djokovic, Tipsarevic e Troicki nao jogarem – só sobrou pangas no time – também teve influencia. Nao sei como ficaria a cabeça, e a decisao, do Roger se, como #2 do time, tivesse que enfrentar Novak no 1o dia. Sei nao.

Como disse, só conjeturando. Para ir mais além, cada vez mais fica claro para Roger a dificuldade que terá em vencer outro Grand Slam. É difícil vencer sete jogos em duas semanas com todos cachorroes por perto. E até o Wawrinka anda ganhando.

A única conta que fecha pra ele é a da Copa Davis. Os dois juntos formam um belíssimo time que pode, eventualmente, até abrir mao das duplas – ou nao.

Com os resultados desta semana, a Espanha e a Sérvia fora, assim como o Canadá, que está montando um perigoso time com Pospsil e Raonic, a Argentina que perdeu em casa para a Itália, liderada pelo mala Fognini nao vejo nenhum time que possa conter a Suíca este ano, a nao ser, mais à distância, a França e a Rep Theca, que estao na mesma chave: A Gra Bretanha de Murray, que depende muito do Malao, terá que passar pela Itália para enfrentar a Suíça, que pega o Kazaquistao em casa agora.

Olhando a chave e o momento, este é o ano que a Suíça pode, finalmente, vencer a Copa Davis, título que Federer nao tem e lhe faz mais falta do que admite. E, estejam certos, até hoje ele sempre priorizou sua carreira solo, além de, provavelmente, achar que nao tinha um companheiro a altura do objetivo. Os cadeiras mudaram e as pessoas, como quase sempre, mudam juntas.

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domingo, 26 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 20:48

Tenta outra vez

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Quem nao tem cao caça com gato. Ou com Stan. Especialmente se a caça for Rafa Nadal.

Os fas de Roger Federer tiveram que procurar conforto na plasticidade, e nova combatividade do, quem diria, conterrâneo Stanislaw Wawrinka. O quase perene #2 da Suíça, quem diria, é agora #1 da Suíça e #3 do planeta – uma grata e inesperada reviravolta. E para deixar a vingança ainda mais doce como um chocolate ao leite – êta coisa enjoativa – a vitória na final do Aberto da Austrália, impediu que o espanhol Nadal se aproximasse do recorde de Pompadour Federer. Imagino que o Mr Federer, que Stan diz ser um grande amigo, vá enviar algumas caixas se deliciosos chocolates suíços meio amargo ou, na pior da hipóteses, um autentico e vintage Daytona – apesar do rapz ser um Piguet man.

A final foi um case tenístico. Por algum tempo as conversas tenisticas terao múltiplos assuntos. A reviravolta na carreira de Wawrinka, a “decadência” – quisera eu ter essa decadence avec elegance de Roger, a esquerda maravilhosa do novo suíço e, acima de todos assuntos, a dramáticidade, e inúmeros outros adjetivos que serao colados ao tema, da final.

Wawrinka é um novo tenista desde o início de 2013, quando perdeu uma partida que foi um separador de águas em sua carreira para Djoko no AO. Em Abril, acreditando que poderia sonhar mais alto, convenceu Magnus Norman a acompanhá-lo. De lá para cá seus resultados ficaram mais sólidos, assim como seu jogo e, especialmente, seu mental. A presença no ATP Finals pela primeira vez, e aos 28 anos, atesta a nova fase.

2014 começou com a conquista de Chennai, na Índia. Aproveitou o embalo e confiança para vencer o AO. Sao 12 partidas invicto este ano. Nao se enganem: ele sempre foi um grande tenista – venceu Roland Garros juniors em 2003 – e tem seis títulos profissionais para atestar. Mas nunca tinha estado entre os Big Dogs. O ano passado entrou entre os Top10 e agora é o 3o do mundo.

Ele sempre fez parte do imaginário dos tenistas de fim de semana pelo simples fato de ter o golpe mais plástico e bonito do tênis – sua esquerda com uma mao. A melhor entre as poucas que estao por aí. O cara faz o que quer com a bola e deixa todo mundo que já empunhou uma raquete babando de inveja. Sua direita sempre apitou antes da hora, até por conta do mental que vergava como bambu na hora da turbulência. Só com Rafa seu recorde era 0x12. E na mudança, para melhor, de ambas, deve ter o dedinho de Magnus Norman.

Na Austrália teve que passar por, entre outros, Robredo e El Djoko, sua grande partida no evento. Após perder por 7/5 no 5o em 2013, este ano bateu o servio por 9/7 no 5o. Ali ganhou o invisível pó de perlimpinpin chamado Confiatrix. Despachou Berdich de camiseta listrada e loira gelada na arquibancada e foi-se para a final. Mal sabia o que lhe esperava.

Começou dando um chocolate que a muito tempo o espanhol nao recebia – e isso tem que ter algo a ver com o resto da história. O pau corria solto na Rod Laver Arena – Stan só batia e Rafa só apanhava. Vai ter lombo grosso assim lá nas Baleares. E foi exatamente na lombar que começou a doer.

E aí vem a história de que veio primeiro, o ovo ou a galinha. Nas três derrotas mais marcantes e inesperadas de Rafa em Slams, vieram manchadas por contusoes e dores: Soderling, Rosol e Wawrinka (nao esqueçamos que o suíço era freguês de carteirinha). Rafa se contunde porque vai ser derrotado ou é derrotado porque se contunde. Ele diz que sentia dores desde o aquecimento. Porque? Logo na final? E após um passeio na semifinal, ele o mais perfeito físico do tênis? Talvez tensao da derrota prendeu as costas. De qualquer maneira, só deu para perceber após o sacode que tomou na 1o set e ter seu serviço quebrado no 2o, o que, de certa maneira, sacramentaria o que viria pela frente. O que de fato passou nao sabemos e só serviu para manchar a final, nao a conquista de Wawrinka. Temos que aceitar as palavras do espanhol, até porque ele tem muuuito crédito. O resto deixo com vocês.

Muito mais interessantes sao as palavras de Samuel Beckett que Wawrinka, logo ele, escolheu para marcar seu corpo e braço de tenista – palavras que ele diz definem bem a vida de um tenista: Ever tried, ever failed. No matter, try again, fail again. Fail better. (Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor). Hoje ele quebrou a corrente, mas nao a verdade escrita.

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 12:03

Sonhou

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A minha mae sonhou, vários amigos sonharem, comentaristas sonharam, internautas sonharam, fas do mundo inteiro sonharam, até eu, confesso, sonhei. Quem nao sonhou com uma final suíça no grand slam da Austrália, reunindo nao só dois tenistas do país do relógio cuco mas, principalmente dois tenistas com uma esquerda de uma mao e um tênis extremamente plástico, provavelmente a ultima chance na história de tal coisa acontecer? Bem, um cara eu garanto nao sonhou, nem cogitou tal hipótese; Rafael Nadal.

Pode arrumar o topete, comer chocolate da Lindt, ter a torcida do Laver, usar Rolex no pulso, voar em seu private jet e até mesmo contratar o Edberg que a coisa nao vai rolar. O espanhol é mais competidor do que o Federer, que começa a passar mal assim que descobre que na próxima rodada vai enfrentar o rival do qual, para sua maior frustraçao, virou freguês.

Federer jogou bem e de igual para igual o 1o set, provando que jogo para tal ele tem – o buraco é mais embaixo. Quando perdeu, fácil, o TB, deixou, mais uma vez, a depressao bater. E deprê ninguém vai ganhar sequer set do Animal. Parece brincadeira o bloqueio que o suíço tem com o espanhol. Assim como é incrível a confiança que Rafa tem contra Federer.

O assunto já fica claro desde o início. Mais uma vez o topetudo ficou de pé na rede batendo papo com o juiz de cadeira enquanto Rafa chupava saquinho, tomava aguinha e suquinho e depois ficava girando a garrafinha. O cara faz tudo isso de caso pensado. E o Fed fica lá passando pelo mesmo ritual otário. Aí o Animal vai pulando como touro bravo na direçao do oponente e fica alí encarando – e o Fed com tremenda cara de paisagem como se nao fosse com ele enquanto outra viaja na intimidaçao.

Para me deixar mais aflito, Federer entrou naquele joguinho ridículo no sorteio. O juiz pergunta a Rafa, o melhor rankeado, o se ele quer escolher o lado da moeda. Rafa, miguelao, passa a bola para Federer. Que escolhe o lado posto de onde está?! (Tá de brincadeira, por causa do sol noturno??) Aí o espanhol emenda com aquilo que era sua vontade desde o início: saca aí você pra ver se eu quebro de cara.

Os dois tenistas tem estilos, físicos e idades distintas. Os dois tem vantagens e desvantagens quando se enfrentam. Mas, no final, sao os tais quesitos nadalisticos que fazem a diferença. O espanhol quer mais, briga mais, foca mais, está mais disposto a sofrer. Eu só pergunto uma coisa aos meus leitores: alguém aí já jogou tenis com uma bolha daquele tamanho na mao??!! E 99.99999% das pessoas – incluindo aí a minha mae, vários amigos, comentaristas, internautas, fas do mundo inteiro – que já pegaram em uma raquete de tênis usariam a tal cratera na mao para construir a maior desculpa que já se usou para perder um jogo de tênis. Nao o Animal Nadal.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:02

Volto?

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Volto, será que volto?, no meio do Aberto da Austrália. Férias, crises, de terceiros e bloguisticas, e outras cositas fizeram que eu ficasse longe. A volta, mais definitiva, será decidida em breve – assim peço que fiquem atentos à minha página do Facebook e à conta do Twitter.

Volto após ver a Aninha derrotar sua algoz, Serena Williams, a mulher que se acostumou em dar uma encarada e fazer cara feia para fazer a Aninha tremer dentro de suas sapatilhas cor de rosa. Mudou Serena? – se mudou foi pra melhor, já que a vi jogando bem na Austrália. Com certeza mudou a Aninha, que finalmente tem na sua equipe seu novo técnico, o também sérvio Nemanja Kontic. Foi-se Nigel Sears, uma verdadeira nulidade – aquilo é um atraso, para nao dizer brincadeira de mau gosto.

Aninha nao largou o osso em momento algum, inclusive após perder o 1o set. A vitória, também de virada, sobre Stosur, na rodada anterior ajudou. Como talento e golpes a moça sempre teve, era uma questao de afinar o emocional – e o serviço, que desmoronava junto com o emocional. O toss continua uma tristeza, mas pelo menos agora ela nao segura a mao, nem entra em panico. Ainda há salvaçao neste mundo. Convenhamos, é uma prazer inominável assistir a abundância e diversidade de talentos da Aninha.

Só fica melhor se acompanharmos seu próximo jogo, contra a canadense e novo cocada branca do circuito, a jovem Eugenie Bouchard, uma moça com personalidade, golpes e o resto necessário para uma estrela. Ela vem subindo como um foguete no circuito profissional – ainda em 2012 jogava o circuito juvenil. Essa partida acontece esta noite, logo após a super-fêmea Penetta enfrentar a chinesa Na “transparencia verbal crônica” Li.

Entre os homens, amanha cedinho Djoko enfrenta Wawrinka. Será que o suíço quer tanto assim? Ele está jogando cada vez melhor, talvez mais golpes do que o sérvio, com certeza mais plasticidade e habilidades, mas nao tem mais coraçao e velocidade. A conferir. Quem nao tiver o que fazer também pode assistir, na madrugada, Ferrer enfrentar o Berdich. Talvez a esta altura descubram que o uniforme do checo nao é uma questao de mau gosto fashionista e sim de amor à pátria. Com a listras azuis e brancas, o checo está a lembrar a todos que ele e seus companheiros sao os campeoes da Copa Davis. É uma questao de orgulho,, de statement, nao de moda.

Federer jogou muito tênis contra Tsonga. Fazia tempo que nao o via assim. A maior mudança? A de “ficar” no jogo e nao dar chance de o caldo engrossar. Já passou da hora de ele entender que já passou da idade de ficar mais tempo do que necessário em quadra e dar milho à bode. Quanto a ser mais agressivo, era uma tática óbvia, como ele mesmo confessou. Se ele nao vai pra cima, vem o Tsonga. Quanto a este, voltou a ser “francês” demais, com frescuras desnecessárias e viajadas imperdoáveis para quem quer o que ele diz que quer. Quando quer é um perigo. Quando viaja…

Fiquem de olho na Simona Halep, agora de seios reduzidos. A moça era uma revelaçao como juvenil, fez a cirurgia e vem jogando bem a alguns meses.

Quanto a ESPN, ficou esperta depois da comoçao por conta de só terem colocado o jogo do Bruno Soares após ter começado, priorizando os jogos que estavam no ar, o que nao chega a ser nenhuma afronta, pelo contrário. Mas talvez fosse sim bom senso. O presidente da CBT, sempre um trator, meteu a boca pelo twitter. E a polêmica se instalou na internet. A surpresa fica por conta dos espectadores se manifestarem a favor da interrupçao de jogos dos #2 e #3 do mundo para se colocar um jogo de duplas de um brasileiro. Como o tênis mudou, – pelo menos o brasileiro e telespectador brasileiro. Como resultado, hoje a ESPN estava a mostrar o jogo do Marcelo Melo, que perdeu, e nao encontrava, quando olhei, está difícil achar todos os canais da ESPN na NET, a iminente derrota de Sharapova para a sapeca baixinha Cibulkova. E quem disse que precisa ser gigante para ser tenista?

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domingo, 5 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Porque o Tênis. | 20:31

Midiaticos

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O mundo do entretenimento, do qual o esporte faz parte, virou um espetáculo mediático. E nesse espetáculo nao basta ser bom, talentoso, dedicado, é necessário também cultivar a imagem; mesmo que ela seja uma farsa. Isso porque as pessoas nao estao interessadas em enxergar farsas, nem as pequenas, nem as grandes, a nao ser que elas sejam jogadas em seus colos; na maioria das vezes sendo necessário jogar na cara mesmo. Desse ultimo exemplo, temos o cara de pau Lance Armstrong que, antes de ser exposto pelo o que realmente é, faturou títulos e milhoes e tornou-se um ícone do esporte apresentando a imagem de um super-homem, dedicado, diferenciado e charmoso. Sei! No tênis, essa tendência, a da “imagem” publica, foi inaugurada, de maneira mais óbvia, até porque o perfil sempre existiu, embora atenuado, por Andre Agassi e seu lema “imagem é tudo”. Esse nao teve ninguém a desmascará-lo, ele mesmo se incumbiu do fato em sua autobiografia, típico exemplo de tal espetáculo mediático.

O “pacote” tem que ser amplo para saciar o ego da estrela e a demanda dos ávidos. Nesse tsunami de “imagens ideais” nem tudo é negativo, pelo contrário. De mais de uma maneira, o esporte tornou-se mais interessante, transparente, correto. Os tenistas, nosso foco, desenvolveram outros talentos e fizeram a vida do fa mais interessante. Sao atletas mais profissionais, inclusive na maneira de se portarem, na quadra e fora delas, do que seus antecessores – e nisso, lembre-se, Gustavo Kuerten teve influência positiva.

Federer tem mais de 13 milhoes de seguidores no Facebook. Nadal pouco mais de 12m. Djoko mais de 3m e Murray de 2m – detalhe que dá uma boa foto da realidade da paixão dos fas perante os Fab4 e do impacto que causam quando mencionam o que seja na internet ou à midia. O comportamento desses, e outros, tenistas é, de algumas maneiras mais positivo do que, por exemplo, malas do passado como McEnroe e Connors, Nastase, Pancho Gonzales, entre outros, personalidades que fizeram o Tênis trafegar por caminhos que ficaria bem melhor se longe deles, apesar de terem sido um sucesso pelo talento indiscutível, a força interior e, nao menos, pelo caráter dúbio em quadra.

Mas, nao esqueçamos que no passado tivemos abundância de tenistas com perfil distinto deles, e ainda com toneladas de carisma, como Laver, Borg, Ashe, Von Cramm, Edberg, Hoad, Ivanisevic, Kramer, Becker, Lacoste, Larsen, Noah, Pietrangeli, Santana, Segura Cano, Vilas. Todos esses teriam um impacto ainda maior, e mais positivo, do que tiveram se existissem as ferramentas disponíveis na atualidade – das transmissoes televisivas mundiais, internet, redes sociais, press agents, e os milhoes em premiaçoes que os tornaram personalidades milionárias. Convenhamos, Nadal, Djoko (nao me arrisco a dizer o mesmo do MalaMurray) sao esportistas carismáticos, mas nao chegam aos pés dos acima mencionados.

Delirando por essa avenida acompanhei a ultima tendência dos Fab4. Contratar superstars como técnico. A tendência começou com Murray que, alias, teria muito mais sucesso no quesito do Post se tivesse a personalidade da mae, alguem que nao foi generosa na distribuiçao de bom humor e charme para seus descendentes. No entanto, tenho a certeza que a escolha nao passou pelo quesito “imagem” e sim extrema necessidade. Para aguentar um mala só um outro mala, e um mala em necessidade. Ou alguém acredita que Edberg aceitaria um convite de Murray – ou, por outro lado, McEnroe, um cara que nao precisa da grana e muito menos de aparecer e faturar como técnico de alguém. Lembrando, Lendl ganhou muito dinheiro em quadra, mas zero fora delas. O cara tinha zero de carisma e zero de contratos de imagem.

Já a decisao de Djoko é mais um movimento do sérvio em chamar a atençao. O que dúvido vá funcionar a seu favor. Ali quem vai chamar a atençao é Boris Becker, que sempre soube manipular a midia, é um charmant nato e com poucas papas na língua. O quanto vai acrescentar à carreira de Djoko é algo discutível, já que seu estilo era totalmente distinto do pupilo na técnica e seu forte o instinto natural para o jogo e a personalidade mercurial, que sabia usar a seu favor em quadra. Quero ver o quanto disso é possível passar à frente. De qualquer maneira vai, definitivamente, e aí o tema do Post, acrescentar no quesito espetáculo.

A escolha de Roger Federer surpreendeu por acontecer, apesar de nao surpreender pelo nome. Dos ídolos anteriores era dos poucos com perfil para trabalhar com o topetudo. Além de Sampras, que, nao duvido, foi sondado. Mas se eu fosse seu agente teria sugerido outro nome; Patrick Rafter. Um tenista mais cerebral, com estilo algo semelhante, pelo menos ao de Edberg, e com a personalidade mais light que o sueco. Os jantares de Federer e Edberg serao bem mais borings do que se Rafter estivesse à mesa. Fora que o australiano teria mais a dizer e a acrescentar. Porém, mais uma vez, Federer priorizou a imagem. Nao quis ficar atrás no assunto.

Dessas jogadas marketeiras ficou fora o espanhol Nadal. Óbvio. Até porque seu técnico é o Tio Toni e Rafa nao tem nada de mediático. Puro sal da terra. Alias, semana passada, ótimo timing, Toni deu entrevista sobre tenistas e técnicos. Disse que, mesmo que nas entrelinhas, os jogadores atuais sao uns folgados e mau educados e que os técnicos aceitam humilhaçoes de seus pupilos por conta do $$. Conta histórias de tenistas que fazem seus técnicos carregarem suas raquetes e malas – algo que o Tio nao faz. Toni diz que quando o sobrinho perde é culpa dele, Rafa. E quando ganha também. E que os tenistas mudam demais de técnicos porque, provavelmente, se cansam de ouvir a mesma coisa da mesma pessoa – já que é para isso que, teoricamente, contratam. Faz voces pensarem em alguém? Conta que atualmente os tenistas jogam bem, mas erram demais. Rafa, que garante nao irá acompanhar seus colegas na troca de técnicos, diz que conversou no aviao com o tio a respeito – “Nao é um problema de técnico, é um problema meu. Eu vou tentar melhorar – essa é a minha responsabilidade”. Esse cara nao entende nada de marketing e imagem.

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