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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 01:01

Sorte?

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Se buscarmos a palavra “oportunidade” no google, aparecerão inúmeras frases interessantes que preencheriam um capitulo de um livro de auto ajuda. Talvez por ter se revelado pela primeira vez pra mim quando ainda estudava nos Estados Unidos, a seguinte tenha se tornado uma de minhas favoritas: “a sorte surge quando a oportunidade encontra a preparação”.

 

Pensando bem, a frase define com razoável precisão a surpreendente vitória de Thiago Monteiro sobre o francês, e # 9 do mundo, o Jo Tsonga.

 

Convenhamos, Tsonga deveria ter um mínimo de vergonha em se apresentar como o fez por aqui na América do Sul. Em Buenos Aires perdeu na 2a rodada, no Rio dançou na primeira, sendo que, como cabeça de chave #3, a expectativa é que chegasse, no mínimo, à semifinal.

 

Na partida contra Monteiro, Tsonga esteve bem abaixo de seu padrão. Pode-se imaginar que tenha subestimado o jovem brasileiro, #338 do mundo. Convenhamos, teoricamente o nosso tenista não seria páreo para o top 10. Teoricamente.

 

Na verdade, o que se viu foi um tenista que ou achou que o jogo estava ganho antes de entrar em quadra, ou não fez o esforço necessário para se preparar para a partida, o mínimo que se espera de um profissional como ele. Considerando Buenos Aires, parece que não fez uma preparação adequada para vir jogar no saibro da América do Sul. Seja lá o que for, o primeiro set do favorito foi quase ridículo. No 2o set melhorou, enquanto Thiago perdeu o foco, e no 3o ficou claro que quando quis ganhar não tinha na sua caixa de ferramentas o que era necessário.

 

E o que Thiago tem a ver com isso tudo? Tem, como diz a frase lá em cima, que ele se preparou para o que desse e viesse, fazendo jus à escolha do convite da organização e a responsabilidade atachada a ela.

 

Thiago chegou ao Rio para defender sua carreira, aproveitar a oportunidade e se apresentar, com orgulho e respeito, perante um público pagante que sai de casa para assistir tenistas profissionais, se enfrentando em uma arena que exigiu grandes investimentos e muito trabalho de todos envolvidos.

 

Será que Tsonga leva tudo isso em consideração quando exige e aceita, o que imagino, um grande valor somente para aparecer e jogar? Aparentemente não.

 

Por outro lado, Monteiro teve seu encontro com a sorte quando o destino lhe deu a oportunidade de estarr do outro lado da quadra de um adversário que não se deu ao respeito na 1a rodada de um grande torneio. Como estava preparado, pode realizar algo, e isso ninguém lhe tira, que em nenhuma hipótese é fácil de realizar: bater um tenista top 10.

 

 

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Thiago explica sua vitória a Dacio Campos.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 Juvenis, Minhas aventuras, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 11:51

Santas academias

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Logo que cheguei dei de cara com Carlos Kirmayr. Antes do torneio ele medisso que só ficaria no Rio enquanto a pupila Paula Gonçalves estivesse viva na chave. Hoje a moça é única brasileira(o) viva nas simples e ainda já ganhou uma rodada nas duplas. O Kiki segue firme no Rio.

 
Com ele esbarramos no Andre Sá, aos 38 anos, está nas chaves de duplas. Brinco com ele que ainda vou abrir a internet e ver que ele virou presidente da ATP. Nao tem tenista mais querido no circuito.

 
Assisti um pouco do jovem chileno Nicolas Jarry (20 anos) perder para David Ferrer. Se tivesse um pouco mais de maturidade levaria o jogo para o 3o set – teve três set points. Mas o cara é alto (1.98) saca bem, lógico, e tem ótimos golpes dos dois lados, o que nem sempre acontece com esses gigantes. É para ficar de olho.

 
Ontem só teve duplas femininas – os meninos começam hoje. Com esse calor e as tempestades vai ter tenista que ainda está na chave de simples saindo rapidinho das duplas.

 
Uma coisa me chamou a atenção nas duplas femininas. Elas não pensam duas vezes é colocar uma medalha na adversária. Bem no meio dos seios, quando não miram na cara. Meninas más. Os meninos só fazem isso quando querem partir pra ignorância de vez. O que é bem mais raro.

 
Se o tênis masculino mudou na última década, e mudou bem, o feminino mudou ainda mais. As meninas melhoraram demais. Da parte física, à técnica e a mental. Hoje há um prazer bem maior em assistir as garotos. Sem mencionar que, ao contrário de antigamente, são muitas as que são bem agradáveis de olhar. Santas academias.

 
Ouvi e li muita coisa sobre a “piscina” que a quadra central virou no 1o dia. Muita gente dizendo que era um absurdo o que aconteceu. A primeira coisa que o taxista me disse quando cheguei foi que ele iria pra casa depois da corrida por medo de outra tempestade. Ou seja choveu feio aquela noite. Da boca do diretor do torneio ouvi que a questão foi que com a chuva a rua alagou e a água que drenava pelos ralos da quadra retornava – não dava vazão.

 

 

Quem eu sempre encontro no Rio Open é o Bob Falkenburg III. Pra quem não sabe, e um dia escreverei mais a respeito, o avo dele venceu Wimbledon em 1947. Veio pro Rio jogar um torneio – sim, já tinha torneios por aqui – e se apaixonou por uma carioca. Casou e ficou por aqui. Viu uma oportunidade de negócios e abriu o Bob´s, primeira lanchonete como tal no Brasil, no início dos anos 50. O resto é história.

 

 

Escondidinha na arquibancada, se espremendo na única sombra por alí, a atual campeã do US Open, Flavia Penetta, torcia descaradamente pelo namorado Fognini. Os italianos não escondem a paixão.

 

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Flavia na torcida

 

 

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Brasil Open, Curtinhas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 08:44

Uma festa

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Se eu fosse Hemingway, e delirar é grátis, escreveria que o Rio Open é uma festa. Só que, ao contrário de Ernest, não estou passando fome ou necessidades – pelo contrário.

 

 

O torneio está bombando, o padrão técnico está excelente e o ambiente ótimo. Tem tanto jogo bom de se ver que não tive tempo para conhecer a promenade com lojas e restaurantes. Fiquei zanzando de quadra para quadra e pude acompanhar um pouco de tudo. Fiquei boa parte do dia com a cara contra a tela de alguma quadra.

 

 

Na Central vi o Bellucci fazer aquelas coisas que ele faz mesmo. Um grupo de tenistas e técnicos mencionava o game (6×5) que ele teve 40×0, perto do fim do 2o set, deu aquela famosa curtinha, errou duas direitas de 1a bola, fez DF e acabou por perdeu o game. Mas o Dog retribuiu rapidinho e foram para o 3o set. Belo teve um break logo no início, após o intervalo da chuva, que interrompeu o jogo por 1 ½ hora e fez 2×0. Aí, e não me perguntem detalhes, perdeu seis games seguidos.

 

 

Enquanto os tenistas não deixavam muito barato, ouvi uma família conversando sobre o jogo. A mulher criticava o brasileiro e suas “viajadas”. O marido, mais lógico e ponderado, fez uma veemente defesa, lembrando que jogar em casa, para Bellucci, é difícil porque existe muita expectativa sobre ele. A filha do casal não perdoou; se não aguenta a pressão não consegue jogar tênis. Eu só ouvi.

 

 

Ví também o Thiem administrar o cansaço e vencer bem o Andujar, que é um tenista difícil de se bater. Percebia-se que administrava o cansaço da semana passada. O que a direita do garoto anda é brincadeira. E seu saque quique na vantagem é lindo de se ver e abre barbaridades o oponente.

 

 

Sentei, sozinho na área da imprensa, para acompanhar os dois últimos sets de Almagro e La Nava. Queria ver de perto, entre outras coisas, o grip e o golpe de esquerda do espanhol. Procurava uma inspiração. Almagro tem um tênis bonito, bate sem medo na bola, usa a munheca como poucos e ganhou na marra porque não queria perder na 1a rodada após chegar à final em BA. Mas o que o cara é chato é brincadeira. Ele pressiona o juiz o tempo todo pra ver se, na hora H, o cara entrega algo pra ele. O que não é muito legal. Os dois discutiram bastante durante a partida e no fim a coisa não estava nada boa. Após vitória o espanhol foi fotografar a marca de uma bola. O juiz, Mohamed Lahiany, estava muuuito irritado na sua conversa com outros árbitros já fora da quadra.

 

Vi mais do que isso, mas vou contando aos poucos.

 

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Com a cara na tela vendo Thiem sacar.

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 Juvenis, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro | 12:05

BA foi bom para o Rio Open.

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Assisti parte da final de Buenos Aires. Assim como parte da vitória do Thiem sobre Nadal. Dei uma entrevista ao Gustavo Loio de O Globo sobre o “momento Nadal”. O resumo está lá. Disse um pouco mais. Especialmente sobre como a cabeça ter dado aquela pequena escorregada, algo que notei pela 1a vez no Rio Open do ano passado. Aí emendou as consequentes derrotas, a consequente perda de confiança, e a bola de neve começou a ter momento próprio. Para reverter é uma dureza. Especialmente para um tenista para quem jogar tênis não é sinônimo de habilidade e não é nada fácil.

 
A final, e os resultados, de Buenos Aires foi ótima para o Rio Open e seus fãs. Nadal vem mordido e necessitando de um bom resultado por aqui. E, pra ele, bom resultado é vencer o torneio. Vice serve. O resto nananinão.

 
O Thiem ganhar foi ótimo. Ele não estava na planilha dos favoritos no Rio. Agora está. Como é jovem, duvido que a cabeça aguente outro caminho à final. Mas vai ser interessante de ver. O garoto é muuuito forte, tremendo saque kick e a direita dele é uma “arma de destruição em massa”. Joga contra o Andujar na 1a rodada – lembrem que o espanhol fez a melhor partida já jogada no Rio Open, contra Nadal.

 
Almagro ir à final também é ótimo. O cara é muito talentoso e gostoso de assistir. E volta a ter confiança após quase desistir da carreira, o que deve estar lhe motivando. E a América Latina sempre foi seu celeiro de pontos. Tudo isso é cancelado se ele entrar em um daqueles “momentos almagro”. Será interessante ver se ele “encolherá” ou “crescerá” na possível 2a rodada contra Nadal.

 
Os outros cachorrões, Ferrer e Tsonga, também devem chegar mordidos. Ferrer tem muitos pontos a defender, o que assegura, como se precisasse, seu empenho. Quanto a Tsonga, vamos ver. Pega um convidado – Thiago Monteiro na 1a, e o Cuevas, que é um cascão, na possível 2a.

 
O “ídolo” Fognini gosta do Rio. Precisamos ver ser sua namorada, a atual campeã do US Open, que não joga mais, mas está no Rio, vai deixá-lo focado ou não.

 
Não mencionei os americanos. Isner, tenho minhas dúvidas, à altura do mar. Mas durante o dia seu saque vai andar. Vai precisar brigar muito pra ganhar de gente boa. O mesmo vale para o João Meia, que deve olhar para os torneios por aqui como uma etapa para lhe trazer mais experiência e “casca grossa” necessária para virar cachorrão.

 

 

Tudo promete um bom evento.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Copa Davis, História, Olimpíadas, Rio Open, Tênis Brasileiro | 17:52

Homenagem a um Gentleman

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Não sei porque, mas parece que em tempos de internet a “memória coletiva tenistica” vai ficando mais curta. Tenho quase certeza que seja um fato para todas as memórias coletivas.

 
Todo mundo sabe o que “tem” que saber, mas quase ninguém conhece, com o mínimo de profundidade, a história de nosso esporte que, ao contrário do que muitos acreditam, não começou com Gustavo Kuerten. Está aí a Maria Esther que não me deixa mentir; ídolo máximo do esporte, só caiu mesmo na boca do povo com sua presença nos comentários na SporTV, que não fazem jus ao tênis primoroso que ela jogava, e que a tirou de um injusto ostracismo que ela vivia no próprio país.

 
Se com ela acontece isso, imaginem personagens menos famosos. Volta e meia os eventos brasileiros homenageiam tenistas passados; mas na verdade acabam caindo no óbvio e no que dá mais ibope.

 
No Rio Open, no ano passado, foi homenageado Thomaz Koch, outro que mais do que merece. Gustavo Kuerten, que virou arroz de festa nessas ocasiões, não sem muita razão, também foi homenageado então. Este ano a Quadra Central receberá, como homenagem, o seu nome. Algo mais pro forma, já que a quadra deixa de existir ao término de cada edição. A Quadra Central das Olimpíadas, esta mais perene, também recebeu seu nome. No entanto, os torneios, um momento que arregimenta os fãs do esporte branco, poderiam sair um pouco da caixa, usar a história e a imaginação e ampliar essas “homenagens”.

 
Só de curiosidade, menciono os dois eventos por acontecer. O Rio Open e o Brasil Open. No Rio, o diretor do torneio é o Luiz Carvalho, neto de Alcides Procópio. No Brasil Open, Alcides Procópio Jr, filho do Procópio, é o diretor de marketing da Koch Tavares, empresa que organiza o evento.

 

Para quem não sabe, o que já me causaria enorme surpresa e uma certa indignação, Alcides Procópio é um ícone do tênis brasileiro. Um pioneiro, poderíamos descrever. Foi tenista, campeão brasileiro e sul americano e o 1o brasileiro a jogar em Wimbledon. Jogou Copa Davis e foi capitão da equipe. Foi presidente da Federação Paulista durante muitos anos, criou o Banana Bowl e fundou a primeira industria tenistica – fazia raquetes de madeira. Lembro de ir na sua loja quase 60 anos atrás. Com certeza já foi homenageado, mas nada que eu lembre recentemente. Imagino que seus familiares fiquem, talvez, constrangidos, de o homenagear. Não perguntei. Pois digo que faria muito mais sentido do que algumas outras que aconteceram ou ainda estarão por aí. O Tênis brasileiro é beeem maior do que um ou dois nomes.

 
E por que chego a tudo isso? Esta semana fui surpreendido com a morte de Roberto Cardoso, aos 88 anos. Roberto foi contemporâneo de Procópio e o tenista que iniciou a tradição do bom tênis em Bauru, e no interior de São Paulo, e que Claudio Sacomandi sacramentou com seus ensinamentos. Foi eneacampeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, campeão brasileiro e sul americano por equipes. Esteve no 1o Jogos Pan Americano de Tênis, em 1951, ano em que, aos 24 anos, também defendeu o Brasil na Copa Davis, em parceria com Alcides Procópio e disputou Roland Garros.

 
Por curiosidade, era canhoto e batia seu revés com duas mãos, o melhor golpe de nosso tênis na época (junto com a direita “flat” de Procópio). Não lembro ou conheço um brasileiro que o tenha feito antes dele. Além disso, era um gentleman, dentro e fora das quadras, o que não é pouco. Meu pai, que era ainda mais velho do que ele, era seu fã, assim como eu. Roberto nunca foi ou pensou no profissionalismo. Mas, pela paixão, “cansou” de ganhar torneios nacionais e internacionais de veteranos até alguns anos atrás. Foi-se o Roberto e eu pergunto. Se você não é de Bauru, ficou sabendo?

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 Brasil Open, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:15

Super quinzena

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Este ano será, de longe, o mais interessante para os fãs de tênis brasileiros. Desde os anos 80 e 90, quando o país chegou a ser o 2o a ter mais torneios, após os EUA, que não temos algo nesse padrão. E, atenção, me refiro somente ao quesito eventos, e não às conquistas do jogadores, algo que em 2016 também não começou nada mal.

 

Mas nunca houve um igual e será difícil igualar 2016, já que teremos os Jogos Olímpicos no Rio, o que nos deve oferecer o mais próximo que teremos de um Grand Slam no país.

 

Além desse mega evento teremos, em uma memorável quinzena, o Rio Open e o Brasil Open, em São Paulo. É tênis para ninguém botar defeito. E três semanas depois teremos o Miami Open, que se não fica no Brasil nunca fez muita diferença para muitos fãs brasileiros. É tênis na veia.

 

Já estou com a cabeça no Rio. Estou, de longe, seguindo o que acontece em Buenos Aires esta semana para ter uma idéia do que pode acontecer no Rio. Fica melhor de escolher os jogos quando o Rio vier. Dá para ver quem está embalado ou se embalando, quem está zicado (e agora esse verbo ficou com conotações ainda piores), quais jogos equilibrados que aconteceram lá que se repete por aqui (o que sempre é sinal de “vamos tirar isso a limpo), quem está com vontade e quem parece que só veio passear e pegar a garantia. Emfim….

 

À parte disso, teremos nas quadras do Jockey Club um diferencial não presente em BA que separa os meninos do homens. O extremo e úmido calor!

 

Estava xeretando a previsão do tempo no Jardim Botânico e, até onde se enxerga, fala em 40o ao redor do horário do almoço. Aliás, não me sinto nada confortável com “hora do almoço”, já que essa varia conforme a vontade do freguês. Prefiro “noon” ou “le midi”. Preciso de uma palavra mais bem descritiva. E meio-dia não vale. Ou vale?

 

De qualquer maneira, os organizadores só vão colocar jogos em quadra após as 14.30h. Ajuda, mas não anula o mencionado diferencial. Ali pra ganhar tem que estar bem preparado e querer muuuito. Em um teórico jogo entre Ferrer x Isner eu sou capaz de quebrar a banca!

 

Pelo andar da carruagem, o Brasil Open não ficará tão atrás – este Carnaval ferveu em Sao Paulo. Não é Rio 40o, mas o bicho pega. Correr atrás da peludinha nessas condições, durante umas 3 hs, não é para qualquer um.

 

Mas para nós espectadores será uma quinzena impar. E se não se programarem e acertarem seus ingressos de antemão, depois não adianta choramingar.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016 Novak Djokovic, Olimpíadas, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:50

Novak, Angelique e Bruno

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Não é de hoje que Novak está um degrau acima, olhando pra baixo – seja quem for. Técnica, física e mentalmente. Um sucesso que é dividendo de uma das mais sensacionais histórias de estratégia de carreira, boas escolhas, determinação, entrega e compromisso total com a qualidade.

 
Um exemplo de ética de trabalho poucas vezes visto anteriormente, me lembrando Ivan Lendl pela dedicação e escolhas. Como Novak tem um perfil psicológico e social mais light do que o checo, vem – acredito que por isso também – tendo uma carreira de mais excelência do que este, que era um cara tenso e mau humorado, mas com uma dedicação à carreira que lembra o servio. Novak buscou, desde o início, ser melhor, do que todos e, mais importante, do que era. Um dia atrás do outro. Colhe os frutos.

 
Sem a mesma excelência, mas experimentando da mesma estratégia, Kerber deixou de ser uma moça habilidosa, top 10, um tanto pesadinha para correr atrás das bolas rápidas das cachorronas, para experimentar das delícias de ser uma campeã de Grand Slam. Sua vitória sobre, na bacia das almas e sob muita pressão, uma das maiores vencedoras da história do tênis mostra, mais uma vez, o que determinação, dedicação e confiança podem conquistar. Uma bela final, muito melhor do que a masculina, repleta de emoções, drama e tênis de qualidade – um prazer de assistir.

 
E o tênis brasileiro segue sendo bem representado pelos seus bons duplistas. Tirando o sucesso de Gustavo Kuerten, e Maria Esther, que foi boa nas duas, não deixa de ser interessante o fato de brasileiros se darem melhor nas duplas do que nas simples. Cassio Motta foi #3 do mundo, Carlos Kirmayr foi #7, em uma época em que ambos jogavam simples e duplas. Jaime Oncins também foi excelente e poderia ter tido o mesmo sucesso de Bruno e Marcelo tivesse feito melhores escolhas e abraçado com força a carreira de duplista.

 
Sempre acreditei que rivais tem, como função crucial, se motivar entre si. Bruno Soares e Marcelo Melo são ótimos exemplos. E não deveria ser necessário lembrar que aqui a palavra rival não carrega nenhum valor negativo.
Depois de jogarem juntos, se separaram, Bruno conquistou ótimos resultados até o fim de 2014, atingindo #3 do mundo, o que não é pouco. Mexeu com os brios do antigo parceiro que foi atrás de investimentos pessoais e melhores resultados. Chegou a #1 do mundo, o que o colocou em patamar impar na nossa história.
Bruno decidiu que tinha mais do que uma boa motivação para correr atrás de melhoras. Com novos parceiros conquistou um feito impar ao vencer ambas as duplas no AO.

 
Sabemos que quanto a Vesnina foi iniciativa sua o convite. E a moça aceitou com alegria. Até porque deve ser só alegria jogar com alguém como Bruno. Quanto a Murray o convite veio do parceiro. E aqui dou a mão à palmatória. A dupla deles funcionou maravilhas. Para tal Bruno teve que fazer seus ajustes. Uma de suas forças sempre foi a velocidade e uma de suas carências a devolução de esquerda. Vem aprimorando esta há algum tempo e hoje está bem mais a vontade com ela.

 
Com Murray encontrou um cara que, se não é mais rápido do que ele, é extremamente “móvel”, levando os oponentes ao desequilíbrio com seus movimentos junto à rede. O cara parece um dervixe dentro da caixa de serviço. E Bruno soube se transformar numa bela ancora, sem abrir mão de sua mobilidade. Os caras são um inferno de se enfrentar.

 
Além disso, com seu jeitinho mineiro, Bruno sabe e soube equilibrar seu parceiro com sua calma nas horas da onça beber água, algo crucial em uma dupla de dois. E hoje, para nossa alegria, graças à TV fechada, podemos acompanhar o torneio de duplas com quase tanta facilidade quanto o de simples – pelo menos de nossos jogadores.
Com Marcelo e Bruno estamos mais perto, pelo menos de antemão, de uma medalha olímpica do que em qualquer outra oportunidade, inclusive com Gustavo Kuerten – sem esquecer que tanto Oncins como Meligeni estiveram bem próximos de uma.

 
Mas, suspeito, que Marcelo e Bruno, até por jogar em casa, têm ainda mais consciência do que está a seu alcance. E isso, suspeito, envolve em alguma hora voltarem a jogar juntos antes das Olimpíadas.

 
Como as histórias de sucesso passam por escolhas, entregas, compromissos e abir mão de algo para conquistar um outro algo, o s rapazes devem estar avaliando com carinho como irão se preparar para a pressão que envolve o almejado sucesso no Rio.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 Aberto da Austrália, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer | 12:54

Com licença.

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O esperado confronto entre Federer vs Djokovic não fugiu do esperado, e aqui adiantado, cenário, nem ofereceu muito em termos de drama. Na verdade, o melhor do jogo foi a excelência que Djoko mostrou nos dois primeiros sets, considerando um oponente do gabarito de Roger Federer.
Este ainda tentou ficar no jogo, vencendo o 3o set, após leve tirada de pé por parte de Djoko, algo até esperado em partida de 5 sets, o que mostra que basta leves detalhes para um jogo entre esses cachorrões mudar de cenário. No 4o set Djoko ficou esperto novamente e Federer teve que se dobrar ao melhor momento do oponente.
A cada dia que passa fica, e ficará, mais difícil defender o subjetivo titulo de GOAT para Roger Federer. O tenista agora tem desempenho negativo com dois de seus contemporâneos – Nadal e Djokovic – e dificilmente conseguirá reverter isso até o final de sua carreira. Contra Djoko a idade corre contra, contra Nadal uma diferença muito grande (11×23) para ser virada.
A outra semi, entre Raonic e Murray deve, espera-se, oferecer mais dramaticidade, a cor que realmente entretêm o público. Mas considerando o perfil psicológico de ambos eu nao colocaria dinheiro nisso. Mas só pelo conflito de estilos técnicos já vale a pena assistir.
Mesmo às 6.30. Ligo a TV sem sair da cama, deixo com o som bem baixo, o bastante para ouvir o placar, se assim quiser, e os aplausos mais altos, quando merecidos, e assim redobrar minha atenção. Abraço minha mulher, tomo goles de água gasificada e fico brincando com minha consciência, ou a falta dela, alternando Tênis com Sonhos, até sentir que já faz sentido sair da cama e ir tomar meu café da manhã. E logo estarei na quadra para testar minha inspiração. É verão cá, como lá, o dia está lindo e adoro o esporte. Com licença.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 Aberto da Austrália, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer | 13:44

Patatipatatá

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Então o Milos Raonic furou a chave dos semifinalistas no AO. Não sei o que Wawrinka, Nadal e companhia têm a dizer a respeito. Pelo menos não é como a chave feminina, onde em um lado da chave deu o esperado, Serena(1) e Radwanska(4) e do outro a zebra correu solta com Kerber (7) e Konta (47).

Raonic está no radar dos GS há pelo menos um ano, sem conseguir materializar-se. Andou procurando ajuda fora das quadras para encontrar o diferencial. Fora aquela manga que usa no braço direito – supostamente para manter o braço aquecido?! tás brincando? – agora decidiu usar uma proteção bucal 24hs por dia. Diz que isso está ajudando na tensão mental, no pescoço, ombros e costas. Está tão feliz com o resultado que imagina que será algo para sempre. Bem, para sempre não sei, pelo menos enquanto o cara estiver com o tezão de vencer, imprenscindível para quem se dispõe a usar aquilo, só tirando, diz ele, para comer (e beijar??). O cara confessa que está tendo que aprender a falar e por enquanto fica no inevitável patatipatatá, o que deve ser um tormento, pelo menos para quem ouve.

Como tenista não faz minha cabeça; nunca admirei jogadores dependentes de um grande saque. Mas ele está na semifinal e com certeza deve estar fazendo outras coisas bem também. Diz que está investindo bastante tempo de seus treinos junto à rede para melhorar o voleio, instintos e colocação junto à rede. Pelo menos é algo de quem tem visão, e isso credito ao ex Ljubicic que fez a pré temporada com ele, e nao Carlos Moya, seu novo coach desde janeiro. Qualquer cara com um saque daqueles e dificuldades de movimentação tem que chegar rápido à rede e, vital, saber o que fazer por lá. Talvez devesse contratar o Carlos Kirmayr, que sabe do metier muuuuito mais do que o Moya.

Agora Raonic enfrenta Murray, que ainda não está na sua melhor forma mental (será que um dia estará?), mas adora devolver saque e que lhe ofereçam um alvo junto à rede. É o típico e interessante confronto de estilos. Eles jogam só na 6a feira.

Do outro lado da chave, o esperado confronto Djoko vs Federer. Quem não quer vê-lo? O jogo será 5a feira às 19.30h lá, 6.30h quinta feira aqui, o que quer dizer que jogam sem o calor do sol, o que quer dizer uma boa vantagem para Djokovic, ou mais preciso, uma desvantagem para Federer.

É um jogo para ser decidido nos dois primeiros sets. Se Djoko começar bem deve levar. Se Federer começar se impondo terá que prestar atenção até o fim, porque o outro tem tênis, cabeça, coração e físico para virar.
Em quem o caro leitor faz sua aposta? Tudo indica para uma vitória do servio. Mas todos vão torcer pelo suíço.

C´ést la vie.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016 Aberto da Austrália, Porque o Tênis., Rafael Nadal, Tênis Masculino | 19:19

Findáveis mágicas

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Porque El Rafa nao ganha mais os jogos que antes ganhava? A derrota, na 1a rodada, para Verdasco não podia ser mais exemplar. Em 2009, os dois se enfrentaram na semifinal do AO, em uma das mais partidas mais emocionantes que já assisti, com vitória do Animal, na bacia das almas, no 5o set. Para Rafa, foi mais uma de suas infindáveis mágicas vitórias – em seguida bateu Federer na final, em outra partidaça de 5 sets, levando o suíço às lágrimas. Quanto a Verdasco, tenho certeza que o cara nunca mais dormiu em paz – até esta madrugada.

Desta vez a história foi diferente. Na hora da onça beber água quem cresceu foi Verdasco e nao Nadal. E essa é a grande questão. Porque Rafa nao ganha mais essas partidas?

Desaprender não é o caso. Contusões também não acredito. O cara sempre jogou com dores e agora não está pior do que muitas vezes já esteve. Os outros melhoraram? Alguns sim, outros não, mas ninguém, a não ser Djokovic, o bastante para ser essa a diferença.

Ainda no 1o set, minha mulher, que é fã do rapaz, amuou e profetizou – ele vai perder. Não pus fé. Não vai não, eu disse. Bem, em breve ela deve começar escrever no Blog.

A derrota foi mais uma daquelas que, apesar de mais de 4hs de jogo, muita correria, pontos incríveis e golpes fantásticos teve um ponto onde tudo foi decidido. São aqueles pontos que quem conhece sabe, na hora, vai marcar na carne e tirar o sono de alguém. Quinto set, Nadal já liderando 2×0, e ainda com um break point no saque do Verdasco. Esse fica insano e começa a cuspir aces – três nos quatro pontos seguintes. Busca o game e mantêm o seu jogando como um possesso. Nao, desta vez não, pensou, não vou perder outra vez desse cara no 5o set na Austrália. No way, Jose. E assim foi.

E porque Rafa agora perde, não só seis games seguidos no 5o set, como esses jogos? Porque ele perde esses pontos, esses games? Antes, esses eram sua marca registrada. Na hora da decisão ele sempre encontrava a solução, sempre conseguia levantar o padrão, bombar a Confiatrix como nenhum outro. No more, Rafito.

Tenho em casa um livro do Gustavo Kuerten, assinado e com dedicatória. Nesta, ele fala sobre algo que eu disse a ele, quando ainda começando sua carreira profissional, que foi catar lá em sua memória, sobre o bem mais precioso que o tenista tem – sua confiança. Como uma flor, deve ser regada todo dia, cuida-la e, assim mesmo, se corre o risco de perde-la. Ele diz que sempre regou sua flor. Em algum lugar, em alguma quebrada da vida, numa esquina das dificuldades, Rafael Nadal se descuidou da sua. Ela ainda é viçosa, linda e exuberante como poucas no esporte, mas não é mais aquela que nos fascinava por sua exclusividade, raridade, algo nunca dantes vista por este que lhes escreve. Nesta vida nada é permanente, nem a confiança do cara mais forte mentalmente que já tive o prazer de assistir.

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