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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:37

Feijao melhor do que Rola

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O Rio continua lindo. E o Rio Open também. Este ano deram algumas incrementadas. Nao dá para descrever tudo agora, por isso será aos poucos. A primeira se percebe logo na entrada. Esta era paralela à avenida, agora é paralela à raia de grama do Jockey. Nao sei se está em época de treinos e corridas, mas se passar uns cavalos correndo por ali vai ser um barato. Também unificaram a linguagem de todas as lojas e comidas do longo corredor das conveniências. Ficou mais clean, elegante e confortável. Por conta de como o publico se posicionava e se comportava no ano passado, fizeram mudanças nas alamedas internas e até colocaram uma mini arquibancada na principal quadra de treino; a Quadra Nadal.

O Lounge Corcovado, para o qual se precisa de um crachá especial, também ganhou um design mais clean que facilita as andanças e o atendimento. É lá que os patrocinadores e convidados fazem seu network e onde se encontra o quem é quem do tênis etc. É um ótimo lugar para refrescar a cabeça, após fritá-la no inclemente sol que faz no Rio. O ar condicionado de lá faz maravilhas pelo nosso humor. Acompanhado de um refri ou uma cerva nos abre as portas do paraíso.

A sala de imprensa também ganhou um upgrade. Foi para um lugar mais nobre e é super profissional, liderada por alguém que tem know-how, a antiga RP de Gustavo Kuerten, Diana Gabany.

Dá para ver que existem outras melhoras, que irei mencionando com os dias.

Uma coisa que senti falta, e nada tem a ver com a organizaçao do evento, foi o sorvete no bar do Jockey, um lugar super charmoso ao lado da quadra 1. Ali é o meu ponto favorito para ver a banda passar. Fui direto pra lá, sentei com meu amigo Fabrizio Fasano e pedi o milk shake de chocolate, que é dos deuses. Fiquei na vontade. Acabaram com o sorvete durante o carnaval e ainda nao repuseram. Vou tentar hoje de novo.

Peguei meu ingresso e fui assistir o confronto do Blaz Rola com o Joao Feijao. Quem queria Rola ficou na vontade e quem se satisfaz com Feijao se lambuzou. Pra mim ficou de bom tamanho.

É um prazer assistir um tenista florescendo. O Feijao é um outro cara. Parece que encontrou seu caminho mágico e agora, quando precisa, vai lá, grita Shazam e sai socando o adversário.

Ontem foi um barato. No primeiro set foi demolidor. Nao deu espaço nem tempo para o Rola pensar. No segundo, até porque nao é de ferro, abriu um pouco as pernas e o Rola cresceu. O set foi uma incógnita até o tie break, que me lembrou o TB entre Nadal e Andujar no ano passado. O ápice foi no match point, quando o brasileiro decidiu surpreender, sacando e voleando no revés, algo que nao tinha feito uma vez sequer. Fez tao bem que acabou se surprendendo mais do que o outro. Teve um voleio fácil na sua direita, notou que o Rola foi, no embalo, pra direita e mudou o voleio para a paralela – ele seria mais confortável na cruzada. A bola saiu muito e dois pontos depois estava no 3o set.

O jogo deu uma tremenda caída, com uma parte do publico indo embora. Azar deles. Nao sabem que o jogo só acaba quando termina?

Por conta da caída, Feijao acabou sendo quebrado prematuramente e deixou o Rola socar um 4×2. E, quando o Rola pensou que iria crescer de vez, a adversidade só serviu para jogar água no Feijao, que procedeu entao a afogar, surpreendentemente, o adversário. Jogo de tênis, só se ganha, entre outras coisas, nao se largando o osso até o fim.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:01

Adversário intimo

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A expectativa para o jogo Rafa Nadal x Bellucci era grande. Afinal, reunia os dois maiores favoritos das arquibancadas, para o azar de todos os envolvidos, de organizadores a fas. O Animal Nadal, ídolo máximo do torneio e o nome maior do nosso tênis pós era Kuerten. No fim, foi uma decepçao.

Nadal esteve mal, bem abaixo de seu padrao, como insistia Maria Esther na transmissao, por razao óbvia; a falta de jogos. Muitos erros nao forçados e ausência de velocidade e força nas pernas, sua marca registrada. Sendo sua primeira partida no saibro após um longo tempo, era a oportunidade perfeita para Bellucci fazer uma apresentaçao que lhe daria a consagraçao aos olhos da torcida, algo que Dacio Campos , com proprieda e sutilmente, ressaltou antes e depois do jogo. A oportunidade ficou na imperfeiçao do “Se”.

O primeiro set foi um festival de erros e quebras de serviço de ambas as partes. E já que nos quesitos negativos estavam irmanados, restou a Nadal cacifar nas suas maiores qualidades e levar o set, mesmo no aperto.

No segundo set, Bellucci jogou ainda abaixo do padrao anterior, enquanto que Nadal pegou o embalo e melhorou a mao com o passar dos games e a realização, sempre um alívio bem vindo, que o adversário nao subiria ao padrao exigido pela ocasiao.

Thomaz saiu na 1a rodada – uma frustraçao, para ele e para nós, porque poderia pegar um embalo e ir mais longe, pois vem jogando razoavelmente bem. Enquanto isso, Nadal colocou mais uma moedinha no seu cofrinho de Confiatrix.

A curiosidade veio por conta da entrevista da SporTV ainda em quadra. Nos torneios mundo afora é muito raro as TVs, e os organizadores, entrevistarem o perdedor em quadra, uma falta de sensibilidade só menor do que a ânsia de um em sumir e do outro pela reportagem. Que eu lembre só em Wimbledon fazem perguntas ao perdedor, e na final, assim mesmo feitas pela Sue Baker, uma tenista de longa história e com a necessária sensibilidade que o momento exige. Nos outros eventos, quando muito, oferecem um microfone ao vice-campeao para ele dizer o que bem entende.

A jornalista da SporTV que entrevistou Bellucci, no que é conhecido como uma entrevista “hot”, porque o atleta ainda está pegando fogo internamente e nao digeriu nem um pouco a decepçao e frustraçao da derrota, chegou com os pés no peito do rapaz com a pergunta que nao quer calar, e que provavelmente lhe foi pautada por alguém que acompanha a carreira do Thomaz com mais acuidade.

Jornalisticamente, a pergunta – algo na linha de como Thomas alterna bons e maus momentos, com os maus geralmente aparecendo em momentos cruciais e lhe causando derrotas até inesperadas – é relevante e seria interessante se Thomaz em alguma momento a explorasse e respondesse com transparencia. Mas, para isso, teria que ser em um cenário correto e ideal; nunca no calor da derrota, com o cara ainda querendo quebrar uma raquete na própria cabeça, ou na de quem se oferecer, por conta da frustraçao.

Thomaz manteve a compostura e driblou a pergunta, divagando sobre alamedas outras no melhor estilo político. Ficou o cutucao, mas nao veio a resposta. A jornalista teve, enfim, o bom senso de agradecer e nao insistir no ponto em questao e nenhum outro. Quiçá algum dia Thomaz possa explorar publicamente sobre essas profundezas emocionais que o afligem – ontem ele insistiu que nao foi esse o caso (uma negaçao que a psicologia explica), mas nao elaborou do porque o jogo “acabou” após o 4×4 ainda no 1o set.

Talvez, e mais provável, será algo que ele, quando muito, explorará no confinamento de sua privacidade e com pessoas com quem tenha intimidade e confiança, o que nao seria nenhuma surpresa e nada pelo qual se pudesse critica-lo. Afinal se trata de assunto da maior intimidade emocional. Nós até podemos conjeturar a respeito, mas ele nao tem nenhuma obrigaçao de falar a respeito em publico para saciar nossas vontades e demandas.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015 Rio Open, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:12

Feijao com arroz

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Desde a semana passada que vejo o Joao Feijao jogando o seu melhor tênis. Perigoso sempre foi. Grande saque, bons golpes do fundo, mao pesada, fortíssimo. Tantas qualidades podem te levar longe no circuito.

Faltava a regularidade – o feijao com arroz com qualidade. Ela veio e com ela as vitórias e com elas a confiança. Agora o limite está aberto e muito nas maos do rapaz.

Hoje ele deu uma verdadeira surra em um argentino que o tinha como fregues e de quem nunca havia tirado um set, em 4 ou 5 partidas.

Ganhou de maneira tao tranquila que parecia estar em outra dimensao técnica. O próprio adversário sentiu a barra e se encolheu – nao mostrou a menor disposição em comprar uma briga que considerou, com boa razao, perdida.

Feijao já foi à semifinal em Sao Paulo e tem boas chances de progredir no Rio. Sem dúvidas ganha muito com isso; no ranking, prêmios e confiança. E melhor, pelo menos para nós, ganha o tênis brasileiro. Nao se esqueçam, no começo de março tem Copa Davis, contra a Argentina.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open | 14:09

Sansao.

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Eu havia lido que Rafa Nadal fora convidado para desfilar em uma escola de samba – a Viradouro. Enquanto dava minhas braçadas na piscina comecei a pensar como teria sido a negociaçao dos organizadores, com ele e com a escola, e como seria essa participaçao. Será que os nadadores ficam meio xarapos de tanto dialogo interno e contar ladrilho? Ou será que o ruim mesmo, emocionalmente, é ter break points e nao conseguir cacifar, sem contar as bolas que saem menos de um dedo, como poderiam ter entrado e nos feito feliz?

Quanto ao Nadal, será que iriam coloca-lo como destaque e engaiola-lo no topo de um carro, ou deixariam ele solto no asfalto? Será que tinha sido difícil convence-lo a encarar o samba no pé, naquela que é uma das maiores zonas organizadas do planeta, ou ele mesmo tinha tomado a iniciativa sem saber direito aonde estava se metendo? Afinal, o cara é um cú-de-ferro e tem um tio que é uma fera que odeia qualquer coisa que tire o foco de seu sobrinho do caminho da vitória. Convenhamos, sambar na avenida, ficar horas em pé, fora o dreno emocional, nao iria acrescentar nada ao seu tênis.

Quando vi Domingo que a chuva caia na avenida pensei com minhas raquetes se o espanhol iria encarar a avenida ou se ficaria no conforto maluco do camarote. Será que a possibilidade ficou combinada antes?

Por isso, quando abri a internet, porque desfile de escola de samba eu nao assisto, fiquei maravilhado e surpreso com a foto do Animal e um de seus patos favoritos, o laborioso operário David Ferrer com sorrisos do tamanho da Baia da Guanabara e os cabelos ensopados da chuva – e dane-se! Eu mesmo deve ter sorrido em ver tamanha alegria. Os rostos de ambos reluzia e explodia, transparecendo o entusiasmo que tao raramente sentimos, e demonstramos, em nossas vidas. Nunca vi o Nadal com tamanha felicidade estampada no rosto. Achei o máximo.

Nao assisti, nem sei como foi a farra de ambos; aliás, Gustavo Kuerten também entrou no cordao. Só sei que algumas de minhas dúvidas foram respondidas mais tarde quando li a coluna do meu amigo Sylvio Bastos –
http://www.foxsports.com.br/blogs/view/189271-um-nadal-diferente. Sylvio divaga e elabora se o espanhol nao está em nova fase – mais light – da carreira, aonde até uma farra no asfalto carioca tem espaço. Sylvio pergunta se Nadal está agora se dando ao luxo de se afastar, mesmo que pouco, de seus métodos, rituais e, digo eu, das amarras mentais e emocionais que possibilitaram que ele se transformasse no tenista mais forte emocionalmente da história. E, lembremos, Rafael Nadal sem essas amarras estará tao exposto e fragilizado como Sansao seus suas mechas.

Será? Nao sei. O tempo próximo irá dizer. Mas se existe lugar para isso começar, seguramente a Avenida Sapucaí é um deles.

Rio Open 2015 - Nadal no desfila das escolas de Samba

 

 

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Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:12

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:11

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 15:36

Cenário e pavio.

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Após a bela vitória do Feijao Souza sobre o eslovaco Klizan, tenho mesmo que escrever sobre o fato. Mas, antes disso, até como contraponto, uma palavra sobre a derrota de Tommy Robredo para Nicolas Almagro. Almagro nao ganhava dois jogos seguidos desde abril passado – esteve contundido o o semestre. Talvez por isso tenha vindo ao Brasil Open, que deve lhe trazer ótimas lembranças – o cara ganhou três de seus doze títulos no Brasil.

Mas quem me surpreendeu foi o Robredo. Esse é um tenista que associo à luta, suor e lágrimas. O cara adora correr, tem um tênis limitado, mas ótima cabeça e um coraçao é grande. Imagino que aos 32 anos deve estar contemplando a aposentadoria – ele fala sobre ela há tempos. Agora, o tênis que ele apresentou no Ibirapuera foi uma Vergonha para seus fas – notem o V maiúsculo. O rapaz está visivelmente destreinado para jogar no padrao ATP e fazer valer o fato de ser o 2o cabeça do torneio. Alias, nao sei o por detrás isso, só sei que desde Outubro ele só participou do Australian Open, onde jogou cinco games e desistiu. Entao é claro que está fora de forma e, provavelmente, voltando de contusao. Minha cabecinha ficou pensando quanto deram pra ele de garantia – entre Sao Paulo e Rio – para vir passar o carnaval por aqui.

O Feijao entrou em quadra com sangue nos olhos. Bom pra ele, azar do Klizan. Aliás, a noite teria sido ainda mais interessante – e o jogo deles foi ótimo – se Bellucci tivesse confirmado o serviço no 5×3. Lembrando, o atual técnico de Thomaz é o desafeto do Feijao e capitao do time da Davis que, até onde sei, nao foi divulgado, apesar de que o zumzumzum é que ele está de volta ao time. Ressalte-se que nao sei nada oficial sobre o assunto, mas, pela proximidade, começa em 6 de março, os tenistas mesmo já devem saber se estao ou nao no time. E, suponho, pelo bem do time, as arestas tenham sido aparadas e bola pra frente que atrás têm gente.

A vitória dele ontem foi na garra, algo que nem sempre ele traz pra mesa com a consistência que a carreira exige. Ele quis mais do que o outro. E bola ele tem pra incomodar. Mas, como todos estao carecas de saber, ter bola só nao faz uma carreira. Precisa bem mais do que isso; vontade, determinaçao, coragem, consistência, e podem estender a lista.

Como a vitória do Klizan tinha impacto indireto no assunto Copa Davis (o eslovaco bateu o Bellucci) entende-se a motivaçao extra. Agora, precisamos ver se o que ele apresentou se estende para o resto do evento ou se tem pavio curto. Porém, a partida de hoje tem ainda mais impacto no assunto Davis, já que ele enfrenta o argentino Leonardo Mayer, que deve ser titular no confronto contra o Brasil. Um ótimo cenário para ele manter a inspiração e mandar sua mensagem. E uma pedida melhor ainda para a torcida comparecer e dar uma força para o brasileiro, que adora a força que vem das arquibancadas. E que nao gosta? Alguém falou algo aí?

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 Brasil Open | 12:09

Do diabo? Nao!

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Thomaz Bellucci chegou a sacar para o jogo ontem contra o eslovaco Klizan. Até que sacou bem, nesse game que é sempre o mais difícil emocionalmente para o tenista que tem a vantagem, um dos paradoxos do tênis, o que fala barbaridades sobre o emocional do ser humano e nossa dificuldade em abrir mao daquilo que já conquistamos. Aumentando o paradoxo, o que está a beira do precipício pode jogar com um desprendimento assustador, em especial para o que está do outro lado da rede, na situaçao inversa. Tenista gosta de dizer que é o jogo do diabo, na verdade é um jogo desenhado para mexer com algumas profundas emoçoes do ser humano.

Thomaz sacou bem, especialmente quando teve os break points abaixo, o que confirma, mais uma vez, o proposto acima, mas nao sacou taaaaoo bem quando teve o match point para vencer. Pelo menos nesse game nao podemos crucifica-lo e sim devemos elogiar o adversário pelo o que conseguiu apresentar e hora tao bicuda. Alias, o Klizan é um belíssimo tenista do escalao intermediário, e meteu umas bolas fantásticas quando mais precisou. Fez por vencer o game do 5×3 e continuar vivo? Sim. O Thomaz jogou bem esse game? Sim, mas nao o bastante para empacotar o jogo, que é o que separa os cachorroes do resto.

O que Thomaz nao fez bem, e onde tem suas maiores dificuldades, foi em lidar com a frustraçao subseqüente, para permanecer na partida e vence-la, de um jeito ou de outro, esquecendo a oportunidade perdida – isso sim uma obrigaçao. Infelizmente perdeu os quatro games finais seguidos, em uma partida que se mostrara, até entao, extremamente equilibrada. E quando todo o publico torcedor presente esperava um tie break onde pudesse fazer uma diferença, motivando o tenista brasileiro que tanto soube mexer com as arquibancadas em sua ultima visita ao Ibirapuera – na vitória sobre a Espanha na Copa Davis – Thomaz nao conseguiu encontrar dentro de si a força para fazer frente à confiança adquirida pelo adversário por conta do fatídico game.

Pode nao ser o jogo do diabo, mas é preciso equilíbrio, confiança, determinação e tranquilidade para vencer uma partida tao equilibrada.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 Brasil Open, Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro | 13:04

Carnaval tenístico

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Anos atrás um organizador de torneios de tênis nao queria nem ouvir falar na possibilidade de organizar um evento durante o carnaval. Era só falar em carnaval e o pessoal tremia. E, convenhamos, com um bocado de razao. Realizar eventos paralelos ao carnaval, que nao tenha a ver com ele, é temerário. Pelo menos é a realidade que se mostrou até hoje.

Tenho sérias duvidas que os organizadores mudaram suas cabeças a respeito, considerando o Brasil Open e o Rio Open, sendo que ambos coincidem com dias do Carnaval. O que aconteceu é que, provavelmente obedecendo a Lei de Murphy, a ATP encaixou, há alguns anos, o circuito latino americano bem na época ao redor do carnaval, que foi a única janela no seu apertado calendário que eles acharam. Com isso, os organizadores brasileiros tem sempre feito o possível para convencer os gringos que o carnaval era uma péssima data para o evento. Os caras ouviam e faziam o que queriam, acomodando também os pleitos dos outros torneios no continente.

Nao lembro se teve algum dos eventos no Sauípe que bateu com o carnaval. Lá dentro parecia carnaval em qualquer data e e o pessoal de Salvador nao era muito de frequentar, a nao ser que o Kuerten estivesse na final. Ou seja, nao fazia muita diferença para eu lembrar, apesar de ser muito próximo a Salvador, local que respira fortemente o Carnaval, por bem mais de uma semana.

Hoje começa o Brasil Open, ainda no Ibirapuera, até porque nao existe uma clara melhor alternativa. O evento atravessa o sábado e o domingo de carnaval. Na semana que vem o circo da ATP vai para o Rio de Janeiro, onde atravessa o fim de semana, mais a 2a e a 3a feira do carnaval. Como lá é o Rio e o desfile das campeas acontece no sábado, pode-se dizer que o torneio acontece, em cheio, durante o carnaval, o que será, pelo menos até onde minha memória permite, inédito.

Como tenho minhas dúvidas que o publico seja exatamente o mesmo, além do que ninguém pula 24hrs seguidas, imagino que de para conciliar as duas coisas, e ainda pegar uma praia. É o que farei, pelo menos a partir de 4a feira, porque antes os hoteis ou me mandavam catar coquinhos ou me metiam a mao.

Em Sao Paulo, muita gente irá viajar, mas muita irá ficar na cidade, que tem muita gente de qualquer maneira. Aliás, tanta gente saindo deve até ajudar no fim de semana. Um dos problemas com eventos na cidade é chegar e sair ao local, por conta do transito – fora o estacionar, onde há décadas a prefeitura e a polícia nao fazem nada a respeito da estorsao dos “guardadores” de veículos. E a cidade fica ótima nos fins de semana e feriados – sempre a melhor época para visitar, ficar e aproveitar Sao Paulo.

O torneio de Sao Paulo nao terá tantas estrelas como o do Rio – lá o pessoal está investindo barbaridades em trazer ídolos como Nadal e Ferrer, entre outros. Mas Sao Paulo terá um evento bem interessante tecnicamente, já que há um equilíbrio técnico grande entre os participantes. O principal cabeça de chave é Feliciano Lopez, que deve fazer bom uso da altitude de Sao Paulo com seu jogo junto à rede. Almagro, com um de seus piores ranking e três títulos no torneio – da época do Sauipe – também estará por aqui.

Além deles, teremos figura com o Fognini, que é uma figuraça, o Cuevas, que é um ótimo tenista, e muitos outros desse escalao – inclusive os argentinos que jogarao a Copa Davis contra o Brasil em breve. Isso, sem falar de Bellucci, Clezar, Feijao Souza (que caíram quase que grudados no sorteio, ô zica!), um possível Gham, que está na ultima do qualy – alias, de onde terá vindo a imposiçao do belga Kimmer Coppejans, jovem belga que ganhou um convite na chave principal no Brasil Open? – além dos mineirinhos Melo, Sá e Soares, que estarao nas duplas, além do Demoliner e o Rogerio Silva, que receberam convite para a chave.

PS 15:40h – Recebi notificaçao dos organizadores do Brasil Open que Feliciano Lopes pulou fora de Sao Paulo. O espanhol, que foi finalista em Quito no domingo – perdendo na final para o Burgos, que esteve em Sao Paulo para a final dos challengers, sendo o mais velho dos tenistas a ganhar pela 1a vez um ATPTour – alega ter sentido contusao na coxa. Sei..

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 Aberto da Austrália | 18:29

Doeu?

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Recebi uma provocação do Andre Sá via twitter. O rapaz quer saber o que acho sobre as “milongadas” do sérvio Djokovic na final. Nao escrevi ainda sobre a final e aproveito o cutucao para me mexer.

Vou escrever sobre as milongas sérvias, mas deixou claro que nao acredito que seja por isso que o servio venceu. Quando muito foi por isso que o MalaMurray perdeu; mas aí sao outros quinhentos.

Os dois primeiros sets fizeram promessas que o jogo nao pode cumprir. Até porque entraríamos em uma possível final de sete horas, algo sem precedentes. Os dois tenistas jogaram o fino do tênis, em nível de competitividade, atleticismo e técnica raramente visto. Digno de uma final e de nossas expectativas. Pensei em dar um pulo na piscina após o TB para dar aquele “bom dia”, mas conheço o meu gado. Esperei os primeiros games do 3o set para ver para onde a coisa iria.

Nenhuma surpresa Djoko perder um pouco a concentraçao por instantes, após deixar escapar um 2o set disputadíssimo onde teve suas chances, e junto perder o seu serviço. O estranho foi o que aconteceu em seguida. Todo mundo, menos aquela fanática torcedora do Djoko, sabe que o rapaz adooora dar umas milongadas. Muito antes de nós sabe o Murray, que o conhece desde os 12 anos. Por isso a surpresa do escocês cair no velho truque “ops, senti alguma coisa e quase caí no chão como um aleijado, mas daqui a dois games vou sair correndo, dar porrada para todos os lados e te pegar desprevinido para virar o jogo”. O pior é que ele faz essa encenaçao tao mal que chega a ser ridículo hilário. Só continua por que alguns ainda caem.

De verdade o Murray se distraiu com as macaquices do rapaz, segundo declarou, mais de uma vez, na entrevista após ser perguntado de várias maneiras pela imprensa. Sempre sem ser agressivo ou incriminatório. Nao que ele achasse que o cara estava contundido ou morrendo. Simplesmente deve ter pensado; esse cara vai tentar novamente essa baixaria? É, o cara tentou, você piscou, se distraiu, perdeu a vantagem, se enfureceu em ser tao patinho e nao conseguiu voltar ao mesmo nível de concentração. Adios título em Melbourne.

A imprensa pegou no pé do rapaz que, como sempre, se fez de morto e surpreso: quem eu?? Passei mal, essas coisas acontecem etc.

Convenhamos. A atitude é tao pueril – esse truque se faz no infantil ou na 4a classe e aquele pessoal já nao está mais caindo. Atrapalha? Sim, mas também nao é nada assimmmm. Até Kuerten pedia atendimentos a fisioterapeutas em momentos cruciais de Roland Garros ( e nao me refiro após ele ter tido a contusao que, com certeza, doia muito), mas sem apelar para “mancadas” e cara de quase desmaio. As baixarias que McEnroe, Connors e outros eram bem piores e cafajestes. Insisto, o Murray perdeu o jogo porque se enfureceu por ter caído como patinho, perdido a concentraçao e a vantagem de 2×0 no início do 3o set.

A partir daquele momento Djoko nao “sentiu” mais nada, e nem precisou. O outro se auto flagelou até o fim da partida como se tivesse 12 anos e ele jogou como o melhor do mundo. Isso nao quer dizer que Djoko nao chamasse o fisioterapeuta se a coisa nao funcionasse logo de cara e entao fizesse cara de quem iriam morrer em dois minutos enquanto ficasse deitado na quadra. Ou pedido para ir ao vestiário “se alongar”, ou retocar a maquiagem como as garotas cansam de fazer.

É isso aí Andre. Ja ví, já vimos, isso antes, por parte do Djoko e de outros, e outras, também. Nao é, nem de perto, das piores coisas que alguém pode aprontar em quadra. É idiota e assim deveria ser tratado. Ignora e aproveita para fazer mais uns games em cima do cara, ou pergunta, bem alto e com um sorriso cínico no rosto, se o cara vai morrer agora ou mais tarde. O resto é uma bobagem que um verdadeiro campeao nao se permitiria cair em uma final de GS, e, quiçá, segundo o padrao ético da pessoa, algo que um campeao também nao recorreria para vencer.

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