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segunda-feira, 6 de junho de 2016 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:59

Roland Garros – os finalmente.

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A venezuelana/espanhola Muguruza entrou no meu radar aos 18 anos, no Aberto de Miami, quando, graças a um convite, na 1a rodada eliminou a Vera Zvonareva, que aliás sumiu. A moça ótimos golpes – parece saída de um livro de ensino – e tem um corpo perfeito para jogar tênis. E vem fazendo ótimo uso de tal presente de Deus. Já é a #2 do mundo e seria uma surpresa se parar por aí.

Mugu perdeu o 1o set em Roland Garros, para uma menina (Schmedeliova) que vi no juvenil dois ou três anos atrás bater uma brasileira, virou o jogo, engatou uma quarta e ninguém mais segurou. Jogou de igual para igual, inclusive na pancadaria, com a Serena. A americana jogou o seu melhor? Não. Mas os créditos vão para a nova campeã que soube administrar o emocional e soltar seus golpes, inclusive, e especialmente, nos momentos tensos, o que conteve os ímpetos williamsnianos. Não foi fácil sacar para o título, depois de perder 3 ou 4 match points no game anterior. Ela vai lembrar para sempre lembrar do game, em especial a incerteza da decisão do último ponto – nada como ter boas memórias para o resto da vida. Fechou como uma verdadeira campeã, o que não é para qualquer uma.

Antes da final masculina havia um certo suspense sobre o resultado. Murray vinha de um título em Roma e jogando bem nas ultimas partidas em RG. Mas, importante para entender a final, jogou pedrinhas nas duas primeiras rodadas, passando por extremas dificuldades onde não deveria.

Djoko estava determinado a vencer este ano. Fez marketagem nas duas semanas. Só faltou entrar em quadra com a melancia. O cara adora causar, mas é pouco criativo. Desenhar o coração após a vitória, a marca registrada de Gustavo Kuerten, mesmo “pedindo autorização” (não achei que o Guga ficou lá muito feliz com a farsa) foi de muito pouca criatividade. Na pior das hipóteses deveria ter se atido a “jogar coração” com os boleiros, como fez nos outros jogos. Enfim, o público comprou e, pela primeira vez, torceu por ele em uma final de Grand Slam. O que já não era sem tempo!

O jogo foi aquém das expectativas – pelo menos as minhas. Final nervosa, tensa, com ambos jogando abaixo do que sabem. Não é incomum, mas esperávamos mais.

Murray aproveitou a surpreendente paralisação, mental e técnica de Djokovic, para crescer e vencer o primeiro set com categoria e coragem.
A partir do início do 2o set Murray foi para alguma longínqua galáxia. Voltou a ser o MurrayMarrento, pensando na morte da bezerra, falando barbaridades entre os pontos, dava para ver a cara de mau humor do presidente de Wimbledon, o inglês Philip Brook, sentado na 1a fila e ouvindo as ladainhas da baixo calão do escocês, ao invés de focar em vencer o título. Durante quase três sets foi nulo. Dava pena. Quase raiva. Djoko, mesmo hesitando, foi entrando em jogo, mais pelos erros do outro do que por sua determinação. Só foi se soltar, e ser o que é, no 4o set, quando abriu uma grande vantagem e ficou claro que o Murray entregara para o Lord.

O escocês (britânico só quando ganha!) só voltou a jogar com desprendimento, porque aquilo não é coragem, quando ficou claro que iria perder o jogo – no 2-5 do quarto. Sem mais nada a perder voltou a atacar e incomodar. Mas aí não conta, mané. O certo é fazer isso quando ainda tem jogo! Mesmo assim, Djoko, que ainda assim não estava tão certo das coisas, quase vê sua vaquinha francesa trotar para o brejo. Fechou no apagar das luzes, quando o jogo se complicava novamente.

Mas o fato é que fechou e ganhou. E isso que conta. Hoje e pelos próximos 1000 anos. Depois eu não sei.

Mas não vamos esquecer um detalhes très important. O cara venceu, com o título, quatro grand slams seguidos, o que já é um feito de se tirar o boné (alguém ainda tira o chapéu?). Federer e Nadal devem estar aumentando as rezas, vendo o servio se aproximar de seus recordes. Quanto a nós, os mortais, temos é que levantar as mãos aos céus. Temos em atividade três tenistas com mais de 10 títulos de Grand Slam, algo inédito na história. Fica a pergunta. Isso é bom porque temos três atletas diferenciados, ou ruim porque não temos variações e renovações? Vocês escolhem.

A cobertura da Band Sports

Pela primeira vez tive a oportunidade de acompanhar, durante a quinzena, a cobertura da Band Sports. É um grande diferencial para os fãs ter uma TV que abraça o evento com empenho, algo que vem acontecendo mais e mais no Brasil, e a BS fez isso com galhardia. Me senti como se lá estivesse. Existem as restrições de não terem as opções de mais canais, e mostrar mais quadras, e de algumas escolhas por conta de tal restrição. Com certeza fazem as escolhas com as melhores das intenções. A opção de mostrar programas de comentários, ao invés de um jogo em sua integra (ou perto disso), à noite, quando a maioria das pessoas pode acompanhar é algo que tem mais de um ponto de vista. Acho o formato de pelo menos um quadro com comentários de entendidos cobrindo o dia de jogos imprescindível. Mas a noite é longa. Gostei da dupla principal Flávio Saretta e Oliveira Andrade. O Saretta conhece o esporte. Oliveira tem uma voz agradável, cultura e narra com elegância, sem atropelar ou querer ser o dono do pedaço. Sua elegância transpirou para o parceiro que está mais focado em comentar o que conhece do que falar bobagens. A dupla funciona e agrega ao evento para quem acompanha.

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