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domingo, 29 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Olimpíadas, Porque o Tênis., Tênis Masculino, Wimbledon | 22:48

Sir Murray

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E a profecia se realizou. Anos atrás eu escrevia no Blog que Andy Murray era um dos maiores talentos do circuito e que um dia suas habilidades iram se materializar. Lembro que uma legião escrevia que eu nao sabia do que estava falando e outras barbaridades – eram épocas que o tênis estava dominado pelo FeDal e o blog um tanto mais infestado de sofasistas delirantes do que eu gostaria. Os que acreditavam em Murray eram tao poucos que cabiam em uma Romi Isetta, segundo o Barao, um dos nossos fiéis leitores. Ça va!

Sendo quem é – Murray adora fazer o fácil, pelo menos para ele, ficar difícil, o escocês tem tido uma carreira aquém da que poderia ter. Falta aquela serenidade que o grande tenista tem face as agruras do circuito e do jogo de tênis em si. Mas, devidamente motivado o rapaz é um perigo e tem tenis para bater qualquer um . O duro nao é convencer a todos nós, seus fas, nem mesmo os incrédulos, de suas capacidades. O duro é ele mesmo se convencer.

Imagino, porque adivinho nao sou, que após os britânicos bateram os americanos na 1a rodada, com uma surpreendente participação do fantasmao James Ward, que na ocasião bateu o Isner na quadra dura coberta, Andy deu uma bela olhada na chave e viu ali a chance de uma vida. Considerou a inspiração de Ward e a ascendência de seu irmão nas duplas. Mesmo assim, a conta só fechava mesmo se ele ganhasse todos os jogos. Para isso se tornar realidade teria que deixar a viadagem de lado, as reclamações nos vestiários e concentrar em uma única coisa: ganhar jogos. E assim foi.

Fez algumas mágicas pelo caminho, especialmente nas duplas, com o irmão que nao é nenhuma brastemp, mas se vira, mas na final esteve bem pesadinho – O Bruno Soares vai suar na sua nova parceria! Nas simples, pelos resultados e pelo o que vi neste fim semana, impecável

No seu caminho ao título, algo que os britânicos nao saboreavam a 79 anos, Andy perdeu somente dois sets nas simples e venceu 24. E teve pela frente adversários como Tsonga, Simon, Isner, Tomic e o viajante Kokinnakis. Traçou todos com facilidade. E aos sábados tinha que carregar o irmão. Algumas dessas vitória pode-se chamar de heróicas, como sobre os australianos Hewitt e Groth, no 5o set, Mahut e Tsonga em 4 sets. Interessante que Andy nao jogou contra os irmaos Bryan, após Ward sacramentar os 2×0 no 1o dia. Os irmaos fecharam a temporada invictos, assim como Andy nas simples.

Vencer a Copa Davis praticamente sozinho é tarefas para poucos. Alguns conseguiam faze-lo em um ou outro confronto. É algo que sobrou para Gustavo Kuerten muitas vezes, já que nunca teve um singlista a sua altura. Pelo menos nas duplas, ele tinha Jaime Oncins, que na maioria das vezes era quem carregava tecnicamente a dupla, com Gustavo contribuindo com seu fortíssimo emocional, bons saques, boas devoluções e sua confiança, o que já é de ótimo tamanho.

Hoje Murray cravou seu nome na história do esporte britânico. O cara agora venceu o torneio de Wimbledon, a medalha de ouro olímpica, conquistada em Londres e a Copa Davis. Se nao é já deveria ser Sir. Se deram o nome do morrinho de grama para o Henman (Hill), aquele estádio sem nome no All England ficaria melhor com seu nome.

Infelizmente nao vi outras partidas dos britânicos na temporada – adoraria ter visto a dupla contra os australianos. Tudo entre australianos e britânicos é pessoal. Groth é um tremendo sacador e bom voleador e Hewitt um ótimo duplista (excelentes devoluçoes e bons voleios). Além de que era a derradeira chance de Hewitt vencer a Davis. 6/4 no 5o set também em Glasgow.

Talvez Andy se de ao trabalho de rever algumas de suas partidas na Copa Davis. Poderia se inspirar em seu um tenista melhor, algo que necessariamente passaria por ser uma pessoa melhor resolvida, mais focada em suas qualidades do que em seus possíveis erros, algo a que todos tenistas estão expostos. No fim do dia, o grande tenista é um grande administrado de dificuldades e crises, que aparecem a cada game e devem ser lidadas e solucionadas da melhor e menos dolorida maneira, algo que o rapaz tem dificuldades em fazer. Murray tem todas as ferramentas para ser o melhor, basta entrar na viagem certa, algo que Djoko, Nadale Federer sao mestres. A temporada da Davis mostrou que tal tarefa está à seu alcance, mesmo mentalmente, seu calcanhar de aquiles. Ele queria muito vencer Wimbledon, as Olimpíadas e a Copa Davis, de longe os mais importantes títulos que um tenista britânico pode almejar. Agora tem que decidir se quer algo mais. Especialmente ser Grande.

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