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quarta-feira, 25 de novembro de 2015 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 10:21

Suando em Ghent

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É óbvio que os horríveis recentes acontecimentos em Paris, e suas repercussões na Bélgica, estarão nas mentes de todos os envolvidos na final da Copa Davis entre a Gra Bretanha e a Bélgica neste final de semana. Os belgas por serem os anfitriões, sabendo que as células que atacaram Paris tinham fortes conexões no país e os britânicos por estarem envolvidos na guerra com o País Islâmico.

Nos bastidores as negociações foram intensas e chegou a ser cogitado no mínimo a mudança de local. Após muita conversa e garantias dos belgas, que montarão um mega esquema de segurança o evento segue. Por alguma sorte ele nao acontece em Bruxelas e sim na charmosa e pequena cidade de Ghent.

Murray foi perguntado e nao se omitiu de responder às questões a respeito. Confessa que é algo que esteve na mente de todo o time nos últimos dias e se realmente final deveria acontecer como programado. Mas acredita que as garantias foram dadas e os britânicos encarregados do assunto, provavelmente incluso as forças de segurança do país, deram o aval e o plano seguiu. Murray, assim como outros membros chegaram a Ghent em vôo particular e tem se restringindo ao hotel e ao local do confronto.

Sao esperados 1000 torcedores britânicos para a final da Davis. E para eles Murray também tinha uma mensagem. Cumpram todas as orientações de segurança oferecidas pelos organizadores e policiais. Acrescentou que ele entenderia se alguns deles decidissem ficar em casa e acompanhar pela TV.

O evento – a Copa Davis – já é tenso per si. Por ser uma final inédita de Copa Davis, fica ainda mais tenso. Sao dois país que caíram ali, pode-se dizer correndo o risco de alguma injustiça, de para quedas. Dificilmente, nas próximas décadas, terão chance igual de vitória. Todos se sentem pressionados pela possibilidade. Os affairs extra quadra colocarao uma pitada extra na mente de todos e irá aumentar a pressão de cada tenista nas partidas.

Só de curiosidade; nos meus tempos de Copa Davis tivemos que enfrentar algumas situações de alguma maneira semelhante. Na Argentina nos anos setenta, chegamos a ser parados na rua por uma blitz do exército, quando nos trataram, pode-se dizer, nada elegantemente. Encanaram com a vasta cabeleira de Carlos Kirmayr e chegamos a ter nosso quarto do hotel invadido pela polícia a procura só eles sabem do que. Em Lima tivemos uma partida interrompida por um estrondo enorme em um prédio próximo que deixou o estádio lotado totalmente mudo – as pessoas nao se mexiam nem falavam, parecia uma missa. Durante toda nossa estadia estivemos acompanhados por soldados armados de metralhadoras – inclusive nas portas dos quartos durante a noite. Só nos locomovíamos em três carros com homens armados e nós no carro do meio – uma kombi. Isso sem mencionar agressões físicas e ameaças de morte que recebemos em outros locais. Bem, eu ainda estou aqui para contar e no final do domingo espero que tudo esteja na santa paz em Ghent e possamos curtir mais uma final desse espetacular competiçao.

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