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segunda-feira, 17 de agosto de 2015 Novak Djokovic, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:47

Sétimo céu

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Certa vez, na quadra central do US Open, John McEnroe mandou um cara que estava nas primeiras filas da arquibancada apagar o charuto que infestava suas narinas enquanto ele corria atrás das bolinhas. Na época ainda tinha uns caras de pau que ficavam pitando praticamente dentro da quadra. A semana passada – seria isso um sinal dos tempos? – Novak Djokovic reclamou para o juiz que estava ficando enjoado com o cheiro de maconha vindo das arquibancadas. Na entrevista pós jogo afirmou, de bom humor, que o mesmo já tinha ocorrido na partida anterior. Ele até que levou numa boa, dizendo que alguém estava se divertindo bastante “no sétimo céu” em suas partidas.

A maconha nao é legal no Canadá, mas foi descriminalizada. Com receita médica na mao o da paz pode puxar seu fuminho sem ter que ir parar na carceragem. Se pego com quantias pequenas de maconha e sem a receita médica a pessoa nao vai presa – no máximo tem sua diversão confiscada ou se o policial estiver de mau humor escreve uma multa. Pelo o que sei nao existem cannabis cafés em Montreal, apesar de encontrados em Toronto. E nao tenho a menor idéia se é permitido ou nao o fulano acender um baseado em local publico – inclusive na arquibancada de um torneio de tênis.

Na final o estádio estava lotado e nao percebi nenhuma fumaça estranha, risadas fora de hora ou reclamações do servio. Se ele tem alguma coisa a reclamar da final é o quanto o seu oponente jogou de tênis. Fazia tempo que nao via Andy Murray tao a fins de ganhar. E mais tempo ainda que nao o via tao agressivo – tanto com a esquerda como com a direita. Isso para nao falar das idas à rede.

O interessante foi que a tática do britânico foi atacar o revés do servio – justamente onde se fala que é cutucar a onça com vara curta. Pois ele cansou de ir lá. Tanto com sua direita na diagonal, como com seu revés cruzado – nunca o vi pegar tanto a bola na subida e soltar o braço. Parecia macho, che!

Murray foi o alfa dog do começo ao fim. Ele determinou o ritmo da partida, ele decidiu se ganhava ou perdia. Djoko parecia nao estar preparado para o que veio do outro lado da rede. Mesmo viajando no 2o set e vacilando na hora de ganhar no 3o o escocês levou. Levou porque jogou mais. Levou porque desta vez quis mais e tem ferramentas para tal.

Dois anos atrás assisti Bia Maia perder no torneio juvenil de Roland Garros para a suíça Belinda Bencic. Na ocasião escrevi a respeito aqui. A partida foi bem equilibrada e a suíça levou porque quis mais e teve mais “cabeça” e coração. Porque golpes nao tinha nao.

Bia está de #167 no ranking, enquanto Belinda, 18 anos, está como #12 do planeta. Bia vem sofrendo com diferentes e graves contusões e mudanças de plano. Semana passada recebi um email notificando que assinou com a IMG, a maior empresa do mundo de gerência de carreira – o que será muito bom para sua saúde financeira quando começar a ganhar. Por outro lado, o email avisava que estava afastada dos torneios, por contusão, a mesma que a tirou do Panamericano e que nao trabalha mais com o técnico Marcos “Bocao” Barbosa, com quem treinava desde 2014, após 4 anos com Larri Passos e ser formada no E.C. Pinheiros. O email nao informava com quem ela irá treinar agora. Bencic ganhou o Aberto do Canadá em Toronto, onde bateu Bouchard, Wozniacki, Lisicki, Ivanovic, Serena e Halep. Tá fácil?

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