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domingo, 10 de maio de 2015 Masters 1000, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 19:37

Fora da caixa

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É domingo, dia das maes, e nao vou tentar explicar a vitória de Andy Murray sobre Rafa Nadal no Masters de Madrid, na terra, a primeira após seis derrotas nesse piso – ainda mais na casa do espanhol. O jogo de tênis per se é complicado, acrescentando de um lado da quadra um bibi como o Murray, capaz de resmungar entre todos os pontos, ganhos ou perdidos, de uma partida, e um obsessivo em crise de confiança como Nadal é uma tarefa fora da minha disposição neste dia.

Mas, alguns amigos imediatamente me colocam suas conclusões a respeito. Uma amiga terapeuta jura que em cinco seções acabava com os agora prejudiciais toques do espanhol que, segundo ela, nem tao severos sao. Ela afirma que desde seu ultimo retorno o rapaz perdeu o ritmo em quadra, por conta de sua cada vez mais agravado TOC. Lembro, em algum canto de minha mente, que a ATP e seus juízes por vezes parecem estar a fim de acabar com a insistente quebra da regra dos 25 segundos entre pontos por parte de Nadal e outros. Tao decididos estao que treinam bastante com outros tenistas de menor estatura – infelizmente ainda se acovardam na hora de penalizar Nadal todas as vezes que ele estoura o tempo. Fora que o espanhol age como se ele estivesse sendo roubado à luz do dia quando aplicam a regra. Mas, como o rapaz tem um sério transtorno, quando em competição, porque em treino nao apresenta as mesmas características, suponho que a simples idéia que alguém irá interrompe-lo e penaliza-lo por conta do tempo, a paranóia de tal pensamento é o bastante para tirá-lo de seu prumo. Talvez seja isso que minha amiga esteja enxergando. Teoricamente isso se agravaria em Grand Slams, onde o limite oficial é de 20´- mas cadê a coragem dos juízes?

Talvez isso tenha algo a ver com a perda da confiança de Rafa, que é de fato seu mal problema atualmente. Talvez sejam 1001 outras razoes, já que o diferencial de Nadal sobre seus oponentes sempre foi muito mais sua obsessão, no caso positiva, em ganhar cada ponto disputado. Por isso digo que seu mental como um todo, um universo em si, seja mais importante do que a estupenda força física e atleticismo, e muuuito mais do que sua técnica.

É fácil ver o resultado do desvio de padrão; sua bolas estão curtas, erros acontecem em bolas fáceis que nunca existiram, a ausência do poder de defender seu fraco serviço a todo e qualquer ataque e por aí vai. Talvez, como disse um outro amigo, sua mente nao está mais no tênis com a mesma intensidade e singularidade de antes. Afinal, este ano o cara foi até à avenida pular carnaval dias antes de um torneio. Saiu da caixa!

Quanto a Murray o cara segue sendo o maior mistério do tênis. Nem tento decifra-lo. Amigos me asseguram que o casamento fez dele um novo homem. Talvez, mas duvido que vejamos o resultado em quadra. Ele já viaja com a namorada há anos. E desde que casou nao viaja mais e sim com a técnica, Amelie Mauresmo, a outra mulher em sua vida atualmente. Outras me asseguram que a mudança é por conta de Mauresmo, que já tem data marcada para abandonar o barco: logo após Wimbledon. Isso porque ela vai ser mae pela primeira vez, só mais um dos mistérios que rondam Murray e seu time.

Correndo por fora, entre as conjecturas, o fato que desta vez Murray nao quer passar meses sem um técnico, como aconteceu da ultima vez. Por isso, já em Munique, duas semanas atrás, onde venceu seu primeiro título na terra, começou a treinar de leve com Jonas Bjorkman, um sueco que jogou muitas duplas e teve uma decente carreira nas simples e pode já ter lhe cochichado algum mistério. O fato é que ele está fazendo a bola girar mais com a direita e nao esperando que o sagrado Jesus Cristo faça nova descensão para ajuda-lo a ganhar um ponto. Isso sim tem feito ele ganhar partidas na terra.

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