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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:01

Adversário intimo

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A expectativa para o jogo Rafa Nadal x Bellucci era grande. Afinal, reunia os dois maiores favoritos das arquibancadas, para o azar de todos os envolvidos, de organizadores a fas. O Animal Nadal, ídolo máximo do torneio e o nome maior do nosso tênis pós era Kuerten. No fim, foi uma decepçao.

Nadal esteve mal, bem abaixo de seu padrao, como insistia Maria Esther na transmissao, por razao óbvia; a falta de jogos. Muitos erros nao forçados e ausência de velocidade e força nas pernas, sua marca registrada. Sendo sua primeira partida no saibro após um longo tempo, era a oportunidade perfeita para Bellucci fazer uma apresentaçao que lhe daria a consagraçao aos olhos da torcida, algo que Dacio Campos , com proprieda e sutilmente, ressaltou antes e depois do jogo. A oportunidade ficou na imperfeiçao do “Se”.

O primeiro set foi um festival de erros e quebras de serviço de ambas as partes. E já que nos quesitos negativos estavam irmanados, restou a Nadal cacifar nas suas maiores qualidades e levar o set, mesmo no aperto.

No segundo set, Bellucci jogou ainda abaixo do padrao anterior, enquanto que Nadal pegou o embalo e melhorou a mao com o passar dos games e a realização, sempre um alívio bem vindo, que o adversário nao subiria ao padrao exigido pela ocasiao.

Thomaz saiu na 1a rodada – uma frustraçao, para ele e para nós, porque poderia pegar um embalo e ir mais longe, pois vem jogando razoavelmente bem. Enquanto isso, Nadal colocou mais uma moedinha no seu cofrinho de Confiatrix.

A curiosidade veio por conta da entrevista da SporTV ainda em quadra. Nos torneios mundo afora é muito raro as TVs, e os organizadores, entrevistarem o perdedor em quadra, uma falta de sensibilidade só menor do que a ânsia de um em sumir e do outro pela reportagem. Que eu lembre só em Wimbledon fazem perguntas ao perdedor, e na final, assim mesmo feitas pela Sue Baker, uma tenista de longa história e com a necessária sensibilidade que o momento exige. Nos outros eventos, quando muito, oferecem um microfone ao vice-campeao para ele dizer o que bem entende.

A jornalista da SporTV que entrevistou Bellucci, no que é conhecido como uma entrevista “hot”, porque o atleta ainda está pegando fogo internamente e nao digeriu nem um pouco a decepçao e frustraçao da derrota, chegou com os pés no peito do rapaz com a pergunta que nao quer calar, e que provavelmente lhe foi pautada por alguém que acompanha a carreira do Thomaz com mais acuidade.

Jornalisticamente, a pergunta – algo na linha de como Thomas alterna bons e maus momentos, com os maus geralmente aparecendo em momentos cruciais e lhe causando derrotas até inesperadas – é relevante e seria interessante se Thomaz em alguma momento a explorasse e respondesse com transparencia. Mas, para isso, teria que ser em um cenário correto e ideal; nunca no calor da derrota, com o cara ainda querendo quebrar uma raquete na própria cabeça, ou na de quem se oferecer, por conta da frustraçao.

Thomaz manteve a compostura e driblou a pergunta, divagando sobre alamedas outras no melhor estilo político. Ficou o cutucao, mas nao veio a resposta. A jornalista teve, enfim, o bom senso de agradecer e nao insistir no ponto em questao e nenhum outro. Quiçá algum dia Thomaz possa explorar publicamente sobre essas profundezas emocionais que o afligem – ontem ele insistiu que nao foi esse o caso (uma negaçao que a psicologia explica), mas nao elaborou do porque o jogo “acabou” após o 4×4 ainda no 1o set.

Talvez, e mais provável, será algo que ele, quando muito, explorará no confinamento de sua privacidade e com pessoas com quem tenha intimidade e confiança, o que nao seria nenhuma surpresa e nada pelo qual se pudesse critica-lo. Afinal se trata de assunto da maior intimidade emocional. Nós até podemos conjeturar a respeito, mas ele nao tem nenhuma obrigaçao de falar a respeito em publico para saciar nossas vontades e demandas.

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