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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open | 14:09

Sansao.

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Eu havia lido que Rafa Nadal fora convidado para desfilar em uma escola de samba – a Viradouro. Enquanto dava minhas braçadas na piscina comecei a pensar como teria sido a negociaçao dos organizadores, com ele e com a escola, e como seria essa participaçao. Será que os nadadores ficam meio xarapos de tanto dialogo interno e contar ladrilho? Ou será que o ruim mesmo, emocionalmente, é ter break points e nao conseguir cacifar, sem contar as bolas que saem menos de um dedo, como poderiam ter entrado e nos feito feliz?

Quanto ao Nadal, será que iriam coloca-lo como destaque e engaiola-lo no topo de um carro, ou deixariam ele solto no asfalto? Será que tinha sido difícil convence-lo a encarar o samba no pé, naquela que é uma das maiores zonas organizadas do planeta, ou ele mesmo tinha tomado a iniciativa sem saber direito aonde estava se metendo? Afinal, o cara é um cú-de-ferro e tem um tio que é uma fera que odeia qualquer coisa que tire o foco de seu sobrinho do caminho da vitória. Convenhamos, sambar na avenida, ficar horas em pé, fora o dreno emocional, nao iria acrescentar nada ao seu tênis.

Quando vi Domingo que a chuva caia na avenida pensei com minhas raquetes se o espanhol iria encarar a avenida ou se ficaria no conforto maluco do camarote. Será que a possibilidade ficou combinada antes?

Por isso, quando abri a internet, porque desfile de escola de samba eu nao assisto, fiquei maravilhado e surpreso com a foto do Animal e um de seus patos favoritos, o laborioso operário David Ferrer com sorrisos do tamanho da Baia da Guanabara e os cabelos ensopados da chuva – e dane-se! Eu mesmo deve ter sorrido em ver tamanha alegria. Os rostos de ambos reluzia e explodia, transparecendo o entusiasmo que tao raramente sentimos, e demonstramos, em nossas vidas. Nunca vi o Nadal com tamanha felicidade estampada no rosto. Achei o máximo.

Nao assisti, nem sei como foi a farra de ambos; aliás, Gustavo Kuerten também entrou no cordao. Só sei que algumas de minhas dúvidas foram respondidas mais tarde quando li a coluna do meu amigo Sylvio Bastos –
http://www.foxsports.com.br/blogs/view/189271-um-nadal-diferente. Sylvio divaga e elabora se o espanhol nao está em nova fase – mais light – da carreira, aonde até uma farra no asfalto carioca tem espaço. Sylvio pergunta se Nadal está agora se dando ao luxo de se afastar, mesmo que pouco, de seus métodos, rituais e, digo eu, das amarras mentais e emocionais que possibilitaram que ele se transformasse no tenista mais forte emocionalmente da história. E, lembremos, Rafael Nadal sem essas amarras estará tao exposto e fragilizado como Sansao seus suas mechas.

Será? Nao sei. O tempo próximo irá dizer. Mas se existe lugar para isso começar, seguramente a Avenida Sapucaí é um deles.

Rio Open 2015 - Nadal no desfila das escolas de Samba

 

 

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